Corinthians 2×0 Grêmio Brasileiro – Itaquerão, São Paulo (SP)
Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA
Termina o jogo e o narrador da TV faz o que manda o protocolo: confere a tabela. É o momento de entender quem sobe, quem desce e quem apenas se arrasta. Confesso que já nem lembro a última vez em que vi o Grêmio entre os dez primeiros. Continuamos teimosamente na segunda página, aquela reservada aos que ainda respiram, mas sem fôlego para correr.
É verdade que o cenário já foi mais dramático; flertamos com a zona do rebaixamento e voltamos vivos. Hoje, o perigo parece distante, menos por mérito nosso e mais pela inércia dos que estão abaixo. O Grêmio melhorou, sim, mas pouco.
Nas últimas dez rodadas, vencemos quatro, perdemos quatro e empatamos duas. Há cinco jogos, seguimos um roteiro previsível: vitória em casa, derrota fora. Faltam sete partidas: quatro na Arena e três longe dela. Algumas complicadas, contra times que ainda sonham com o título. Outras, que pedem apenas o trivial. E o trivial, convenhamos, é o que temos a oferecer.
Nosso destino, portanto, parece traçado: o meio da tabela. E é o que merecemos após uma temporada claudicante. Esperar mais seria pedir clemência a deuses do futebol que andam de má vontade com a gente.
O caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche já deve ter percebido alguns delírios recentes deste escrevinhador. Foram surtos de entusiasmo, nada mais. O jogo seguinte sempre se encarrega de nos trazer de volta à realidade, às vezes com crueldade, como na goleada na Bahia.
Por isso, sair de Itaquera com um revés não surpreende. Disseram na transmissão que não perdíamos para o Corinthians, fora de casa, há onze jogos. Bonita estatística, até lembrarmos que ultimamente o Grêmio tem se notabilizado por colecionar marcas históricas negativas.
Em 2025, o meio, o mediano, o quase. É isso que nos cabe. E, infelizmente, é isso que nos define.
Bastidor da entrevista online com Fernando Modé Foto: Priscila Gubiotti/CBN
“No nosso caso, o erro, ele é até programado.” Fernando Modé CEO do Grupo Boticário
Descentralizar decisões, aproximar a ponta do consumidor e, ao mesmo tempo, manter uma estratégia única. Esse é o eixo que Fernando Modé, CEO do Grupo Boticário desde 2021, descreve como a base para escalar resultados em um negócio multimarca e multicanal. Foi o tema da conversa no programa Mundo Corporativo, na CBN.
A aposta começou com a revisão do modelo de gestão: mais autonomia perto do cliente, coordenada por uma lógica única de negócio que a empresa batizou de “ecossistema da beleza”. Nas palavras de Modé, “essa interação com o consumidor, dando mais autonomia para ponta, ela é fundamental para que a gente possa entregar cada vez mais melhores serviços e produtos na medida que o consumidor deseje”. A consequência direta, reconhece, é o aumento da responsabilidade: decisões mais distribuídas exigem cultura, rituais, símbolos e incentivos coerentes.
Cultura que se pratica e se ouve
Modé resume a sua leitura do papel do comando: “o primeiro C de CEO… é o C de cultura”. E reforça que cultura se constrói no dia a dia: “comunica com atitudes, comunica com o processo… [e] é saber ouvir também. É pegar a reverberação daquilo que você tá tentando passar como comunicação e transformar isso em atitudes que levem a esse caminho”.
A confiança é o amortecedor dessa descentralização. Ele recorre a uma imagem para explicar o tempo de maturação: “a confiança é conquistada comendo 1 kg de sal junto”. E deixa claro que errar faz parte do método: “No nosso caso, o erro, ele é até programado… eu faço um teste de uma comunicação A, uma comunicação B e vou testar qual que seja mais efetiva”.
No tabuleiro operacional, o grupo ancora decisões em previsibilidade melhor da demanda — indicador que, segundo Modé, saiu de um erro de 75% para 45% — e na ampliação de categorias e canais, com ênfase recente em cabelos e no mercado profissional de salões.
Um ecossistema, várias jornadas
A integração de canais não é uniformização de experiência. O consumidor, diz ele, já entende que farmácia, loja própria, venda direta, e-commerce ou supermercado oferecem momentos distintos de compra. A missão do grupo é garantir atributos e discurso consistentes, com liberdade para navegar onde for mais conveniente. E essa jornada começa muito antes da loja: “talvez 80% ou mais de 80% dessa jornada esteja fora da loja”.
No desenvolvimento de produtos, o centro de P&D em São José dos Pinhais trabalha milhares de itens por ano e usa modelos computacionais para acelerar testes de eficácia e segurança. Sustentabilidade entra como requisito de projeto — do desenho de embalagens à logística reversa —, em conjunto com preço, margem e atributos de uso.
Pessoas, trabalho e licença parental
A pandemia deixou aprendizados sobre organização do trabalho. “Hoje a gente mantém o trabalho remoto como prioritário para algumas áreas de negócio”, afirma Modé, destacando encontros presenciais por “intencionalidade” — especialmente perto de consumidores, franqueados e equipes. Entre as políticas de pessoas, ele cita a licença parental de 120 dias para todos: “são 120 dias que a gente garante também para os pais. E é obrigatório no nosso caso”.
No fecho, Modé retoma o papel do exemplo: “a sua atitude fala tão alto que eu não consigo ouvir o que você tá me dizendo”. Para ele, liderança é coerência entre discurso e prática ao carregar um objetivo estratégico que “pode ser revisto, mas tem que ter uma consistência de começo, meio e fim”.
Assista ao Mundo Corporativo
O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.
Vivíamos em Pirituba: pais, a nona e cinco filhos. A rua era de terra, não era asfaltada. Eram os anos de 1970. Em frente de casa passava o trem suburbano que fazia o trajeto entre Jundiai e ABC. Nosso transporte era o trem.
Fomos criados brincando na rua desde pequenos. Um olhava pelo outro. Aos domingos, a mãe nos ensinou a frequentar a paróquia São Luiz Gonzaga. Para chegar lá, se passava por um caminho ermo e com escadas de terra. Apesar de pequenos, fazíamos tal passagem, muitas vezes, sozinhos.
Sempre havia o Sol.
Sempre havia a calmaria.
Sempre tinha bolo, polenta, pudim de pão amanhecido.
Sempre vizinhos para bater papinho.
Já na juventude havia as domingueiras no clube Piritubão. Lá, a gente se divertia. Eu, como a mais velha do grupo, liderava as moças mais jovens. Fazia com que ficassem juntas e não saíssem com os garotos para fora do clube. As mães confiavam em mim.
Dançávamos bastante e às dez da noite bora para casa que na segunda tinha de pegar trem para trabalhar, retornar à noite, tomar sopa de feijão com macarrão na nona e estudar no Colégio Xavier Antunes que ficava meia hora de caminhada pelos trilhos do trem. E lá íamos com nossa capa branca de estudante noturno.
Tudo passou, crescemos, partimos de Pirituba, parentes se foram e a saudade ficou.
Ouça o Conte Sua História de São Paulo
Rose Mari Sibinel Fasciani é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Ouça outros capítulos da nossa cidade no meu blog miltonjung.com.br ou no podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Se tem uma sensação que aprendi a gostar é a de viajar de avião. Estar lá no alto, diante da imensidão do mundo, faz a gente perceber o quanto se preocupa com coisas pequenas, tentando caber em espaços que, muitas vezes, não nos comportam.
Na última semana, precisei viajar a trabalho. Como de costume, cheguei cedo ao aeroporto e fui passear pelos corredores. Num impulso, talvez por ansiedade, me vi provando óculos escuros em um quiosque. Inventei uma desculpa para justificar, para mim mesmo, aquela situação: afinal, havia esquecido meus óculos de sol em casa e, por isso, acabei comprando outro par.
Com os óculos novos na mochila, comecei a pensar no motivo daquela compra — afinal, nem tenho o hábito de usá-los. E, convenhamos, deixei ali algumas centenas de reais por algo que, naquela manhã ensolarada, acabou repousando na mochila sem sequer ter a oportunidade de ser desfilado naquele lugar.
Por birra, decidi vesti-los ainda dentro do aeroporto, talvez para justificar novamente o impulso. Naquele instante, o mundo ficou sem brilho. E percebi que era exatamente essa a sensação que, meses antes, eu vinha experimentando — mesmo a olhos nus.
Por longos meses, meu mundo esteve sem brilho. A fadiga e a tristeza pareciam ser as únicas sensações possíveis. Isso tinha um nome, que ouvi de uma médica ao tentar entender o que acontecia comigo: “Não é só tristeza, e não vai passar. Você está com depressão.”
Foram meses difíceis. Mesmo cercado por pessoas, eu estava só. É uma luta silenciosa, porque apenas você sabe o que sente — e nem sempre tem coragem de dizer, com medo de julgamentos, da banalização da dor ou, simplesmente, por falta de energia para falar e explicar o tamanho dela.
Descobri, nesse processo, o quanto somos pequenos diante do mundo. A vida não para e, para a maioria dos lugares e pessoas que ocupamos, somos substituíveis.
Estar de óculos escuros, naquele momento em que a depressão já estava em remissão e meu mundo voltava a reluzir, me fez revisitar sensações que, na crise, eu não consegui elaborar. Entre elas, o instante preciso em que consegui lutar para tirar os óculos escuros e voltar a enxergar o brilho das coisas.
Essa virada começou quando percebi o perigo do lugar emocional em que estava e, num ímpeto improvável, busquei novas formas de autocuidado, complementares ao tratamento que já fazia. Foi quando consegui retomar minha autonomia.
Tenho aprendido a aplicar, no meu próprio processo de envelhecimento, muitas das lições que pessoas idosas me ensinaram ao longo da trajetória profissional. São experiências generosamente compartilhadas, e delas levo comigo uma das maiores lições: Às vezes, para jogar os óculos de sol para longe, é preciso buscar uma motivação externa. Ousar. Fazer algo que talvez nunca fizesse. Sem medo de julgamentos. Com coragem suficiente para reencontrar o equilíbrio, o amor-próprio e o autocuidado.
Hoje estou bem, recuperado e atento. Aprendi até onde é permitido usar os óculos escuros e, o mais importante, descobri a motivação para tirá-los e apreciar o brilho à minha volta.
Diego Felix Miguel é especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG-SP. Mestre em Filosofia e doutorando em Saúde Pública pela USP. Escreve este artigo a convite do Blog do Mílton Jung.
O ronco dos motores da Fórmula 1 agora ecoa também em Hollywood. O filme estrelado por Brad Pitt, inspirado no universo das corridas, ultrapassou a barreira dos autódromos e conquistou o público dos cinemas e do streaming, transformando velocidade em narrativa e emoção em estratégia de marca. Este foi o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN.
Cecília Russo contou que o interesse pelo filme começou por uma lembrança pessoal. “Minha memória afetiva em relação à Fórmula 1 é enorme, por conta do meu pai, que era um fã maluco pelas corridas.” Ela destacou que o sucesso da produção está em sua capacidade de ampliar o alcance da marca. “O filme não apenas mostra corridas, ele expande o universo da Fórmula 1 para públicos que talvez nunca tenham assistido a uma prova.” Segundo Cecília, a Fórmula 1 é hoje uma das plataformas de branding mais valiosas do mundo, com carros que funcionam como vitrines ambulantes para empresas de tecnologia, telecomunicação e serviços.
Jaime Troiano observou que a força da Fórmula 1 vai além das máquinas. “Na Fórmula 1, pilotos viram marcas vivas. Hamilton, Senna, Schumacher — cada um é mais que atleta, é um símbolo, um ideal de realização.” Ele acrescentou que o filme cria “uma narrativa aspiracional, misturando real com o ficcional e ampliando o desejo das pessoas de se aproximarem desse universo”. Para Jaime, o sucesso financeiro e simbólico da Fórmula 1 — avaliada em cerca de 25 bilhões de dólares — mostra o poder de marcas que se mantêm ativas, renovando suas histórias.
A marca do Sua Marca
A lição deixada pelo comentário é clara: até as marcas mais fortes precisam se reinventar para continuar relevantes. A tradição é um combustível poderoso, mas não basta sozinha. Para seguir na dianteira, é preciso acelerar na criação de novas narrativas, emocionar em diferentes plataformas e conquistar públicos além das pistas.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.
Grêmio 3×1 Juventude Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)
Carlos Vinícius, o artilheiro, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA
Foi antes do desastre do fim de semana passado que tive a oportunidade de conversar com Luciano Périco e Diori Vasconcelos, no Show dos Esportes, da Rádio Gaúcha. Ainda embalados pela vitória anterior na Nossa Arena, foi uma verdadeira colher de chá que os dois jornalistas me ofereceram, numa sexta-feira à noite. Havia motivo de sobra para estar animado com o que víamos, especialmente pela performance de Arthur, o maestro que fez o Grêmio renascer no Campeonato Brasileiro.
No bate-papo radiofônico, falei sobre a transformação que o time vem apresentando desde a vitória no Gre-Nal — o renascimento de alguns jogadores, o domínio da bola (olha o Arthur aí, gente!) e a consistência defensiva. Difícil prever, naquele momento, o que nos aguardava no domingo seguinte, em Salvador.
Durante a conversa, um dos colegas me perguntou se eu via semelhanças entre Carlos Vinícius e Jael, o Cruel — aquele centroavante que marcou época no Grêmio entre 2017 e 2019, com 14 gols em 67 jogos. Concordei. Fisicamente, são parecidos. Encaram a pancada do zagueiro com um sorriso maroto no rosto. Têm gana pelo gol. E carisma para conquistar o torcedor.
Mas, com todo o respeito e carinho que Jael sempre merecerá, há diferenças que jogam a favor de Carlos Vinícius. Mesmo corpulento, ele se movimenta mais entre os zagueiros. Consegue equilibrar o jogo pesado da marcação adversária com a leveza de quem sabe conduzir a bola em direção ao gol. Em resumo: combina força e talento — e isso complica a vida de qualquer marcador.
O atacante nascido em Bom Jesus das Selvas (MA), que rodou por diversos clubes no exterior antes de voltar ao Brasil, chegou recentemente ao elenco gremista. Em sete partidas, marcou seis gols — o primeiro deles em um Gre-Nal, o que por si só já carrega um peso especial para o torcedor. Contra o São Paulo — aquele jogo que motivou minha conversa na Gaúcha — fez os dois da vitória.
E hoje, Carlos Vinícius voltou a mexer com nossa memória afetiva. Não pela semelhança com Jael, mas por algo ainda maior. Com os três gols que garantiram a vitória sobre o Juventude, o “Vini da Pose” — apelido que ganhou pelo gesto característico nas comemorações — nos fez lembrar de Luis Suárez, o último atacante gremista a anotar um hat-trick (ou, em bom gauchês, um TRI-GOL).
Portal do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, Praça Patriarca Foto: Marcelo Kuttner
Nasci na rua Morro Agudo, no bairro de Sumarezinho, em 1959 — realmente, a rua era bem íngreme. Sou um ítalo-russo-brasileiro. Meu pai era italiano e minha mãe russa. Aos quatro anos, mudei para a Cayowaá quando comecei a frequentar a escola primária para aprender a falar português. Até então, só falava russo.
Meu avô era pintor artístico: criava e pintava os painéis e cenários para os programas da antiga TV TUPI, Canal 4. Muitas vezes o acompanhei no trabalho, e era fascinante. Alguns croquis guardo até hoje.
Aos sete anos, fui estudar no Colégio Dante Alighieri. Quando não vinha de ônibus do Dante, pegava o transporte bem debaixo do MASP, que ainda estava em construção. Andava pelo parque do Trianon, e atravessava a ponte sobre a Alameda Santos. Era muito legal !
Nas férias, minha mãe, às vezes, me levava ao trabalho dela, na praça João Mendes, em uma farmácia homeopata, Dra. Helena. Eu adorava comer coxinha na padaria ao lado. Na praça Patriarca, gostava da Copenhagen, do empório Casa Godinho e da Casa São Nicolau. Virando na São Bento, havia uma lanchonete que servia calabresa de Bragança, uma delícia!
Assim comecei a conhecer São Paulo, uma cidade fantástica!
Aos 12 anos, fui morar no internato do colégio São Vladimir e estudar no São Francisco Xavier, no Ipiranga. Oportunidade para conhecer o Museu da Independência e o Museu dos Bichos — como eu chamava o Museu de Zoologia da USP. Também adorava jogar futebol de salão na quadra que ficava nos bombeiros da avenida Nazaré, que está lá até hoje.
Voltei para o Sumaré aos 16 anos e comecei a treinar natação no SESC da rua Doutor Vila Nova. Depois fui para o Palmeiras, onde passei minha adolescência frequentando o clube.
Nesta mesma época, comecei a trabalhar numa banca de jornal, na esquina da Cayowaá com a Heitor Penteado, depois fui para o Banco Itaú, na Boa Vista.
Me formei em arquitetura na Faculdade Braz Cubas, em 1986. Trabalhei na Tok Stok e hoje tenho meu próprio escritório de arquitetura, WNEZ Arquitetura.
Moro no bairro de Interlagos, casei, tenho duas filhas e uma esposa maravilhosa que me dão muita alegria.
A cidade cresceu muito, os problemas também, mas continua sendo uma cidade única.
Ouça o Conte Sua História de São Paulo
Nicolau Sergio Egornoff Zecchinel é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Ouça outros capítulos da nossa cidade no meu blog miltonjung.com.br ou no podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Bastidor da entrevista online de Rotenberg ao Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti/CBN
“O empreendedor é inquieto.” Hélio Rotenberg
A Positivo Tecnologia nasceu ligada à educação, ganhou escala fabricando computadores e hoje mira o fornecimento de infraestrutura e serviços para inteligência artificial. A mudança, segundo o presidente e cofundador Hélio Bruck Rotenberg, foi resposta direta às oscilações do mercado e às novas demandas das empresas. Este foi o tema da entrevista concedida por Rotenberg ao programa Mundo Corporativo, da CBN.
Da fábrica de PCs à infraestrutura de IA
Rotenberg relembra que, no auge do mercado de computadores no Brasil, em 2012, a empresa produziu 2,5 milhões de unidades. A partir de 2013, com a retração do setor, veio a necessidade de diversificar. “Quando o mercado brasileiro de computador cai, despenca, a gente também aproveita essa oportunidade, que poderia ser uma crise, mas se torna uma oportunidade para diversificar a empresa”, afirma.
Essa diversificação incluiu servidores, tablets, máquinas de pagamento, serviços de TI e segurança, além de contratos públicos como a urna eletrônica. Na frente de IA, a aposta está no lado da infraestrutura, tanto para data centers quanto para soluções on-premise em empresas — um sistema de TI em que a infraestrutura (hardware e software) é instalada e mantida nas próprias instalações físicas da empresa.
“Nós acabamos de vender o maior servidor de inteligência artificial do Brasil”, diz. A companhia também passou a oferecer implementação e manutenção desses ambientes após a aquisição da Algar Tech (atual Positivo S+), integrando hardware e serviços.
A leitura de comportamento do consumidor é fundamental para as transformações e soluções que a Positivo Tecnologia oferece. Foram essas informações que orientaram, por exemplo, a evolução do portfólio de PCs. Rotenberg conta que, em parceria com a consultoria IDEO, a empresa passou dias em lares de classe média no Rio e em São Paulo para entender hábitos e expectativas. O resultado influenciou decisões de design e posicionamento. “A gente aprendeu que para a população de classe média, o computador era muito importante, era um bem muito caro. Então, ele ficava na sala, não ficava no quarto. Então, ele tinha que ser bonito”, recorda, ao descrever a presença do desktop como peça central da casa.
IA distribuída e uso prático
Para além dos grandes data centers internacionais, Rotenberg vê expansão do processamento de IA em ambientes locais por razões de custo, soberania e privacidade. “Algumas das inteligências artificiais […] vão ser processadas em data centers menores ou nas próprias empresas, que a gente chama de on-premise.” Por isso, a empresa se posicionou em parceria com fabricantes globais de chips e placas para atender bancos, governo e grandes organizações no país.
Na ponta, ele projeta crescimento do uso de NPUs nos computadores corporativos e pessoais. E aponta um desafio educativo: muitos usuários tratam os modelos de linguagem como um buscador tradicional. “A gente […] notou que as pessoas que usam inteligência artificial pela primeira vez […] usam hoje os LLM como se fossem um browser.” A Positivo trabalha numa interface que oriente o público a explorar melhor esses recursos.
Gestão, cultura e qualificação
Ao falar de liderança, Rotenberg descreve um estilo baseado em participação direta e adaptação. “A minha liderança é muito mais pelo exemplo, pelo ‘vamos lá, vamos fazer junto, vamos vencer mais essa’.” Ele reconhece, porém, a necessidade de ampliar estruturas e delegar com o crescimento da organização. “A cultura da empresa é uma cultura empreendedora […] as pessoas vibram com as vitórias […] mas a empresa foi mudando, […] tem mais níveis hierárquicos.”
Sobre qualificação, ele destaca a engenharia nacional envolvida em projetos como a urna eletrônica e a disputa por talentos de software. A educação segue como fator crítico: “Quanto melhor a educação, melhor nós seremos em tecnologia.”
Empreender é ajustar rota
No encerramento, Rotenberg sintetiza o recado para quem pretende abrir ou ampliar negócios: “O empreendedor tem que ser resiliente. Ele tem que estar totalmente aberto a corrigir rumos. Tenta um rumo, não dá certo, vai para outro, mas não desiste.”
Assista ao Mundo Corporativo
O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Luis Delboni.
“O autocuidado é direito de todos.” Vanessa Maichin, psicóloga
Em um ano, um projeto de atendimento psicológico formou uma rede com 45 psicólogos e chegou a quase 600 pessoas atendidas, oferecendo psicoterapia sem fila de espera e valores sociais a quem está em vulnerabilidade. Esse foi o ponto de partida da conversa sobre o Psicoterapia para Todos, tema da entrevista no programa Dez Por Cento Mais, apresentado por Abigail Costa, no YouTube, que tamém participa do projeto ao lado da psicóloga Vanessa Maichin e Gislene Gomes Koyama, suas duas entrevistadas.
Como nasceu e para quem é o projeto
Idealizadora do Psicoterapia para Todos, Vanessa relatou a origem da iniciativa: “O projeto nasceu de uma meditação e o que aparece em uma meditação nunca vem do nada.” Ela explicou que a iniciativa reúne dois propósitos: ampliar o acesso de quem não conseguiria pagar por terapia e apoiar o aprimoramento de psicólogos clínicos. Segundo Vanessa, a estrutura inclui requisitos e suporte profissional: “O psicólogo precisa ter CRP ativo, estar em supervisão e em terapia”, além de participar de curso de extensão e de um núcleo de estudos em análise existencial.
A expansão do atendimento, contou Vanessa, aconteceu rapidamente: “Hoje nós estamos com 550 pessoas sendo atendidas no projeto, quase 600 pessoas.” Um diferencial citado por ela é o compromisso de disponibilidade: “A gente entrou também com esse lema no projeto… psicoterapia sem fila de espera.”
Da clínica ao ambiente de trabalho
Gislene Gomes, que é a coordenadora do núcleo corporativo, descreveu a chegada ao projeto a partir de sua trajetória organizacional e de redes de parceria. Para ela, a demanda por cuidado é concreta e cotidiana: “Nós somos seres relacionais, né?” No contato com empresas e instituições, Gislene reforça o foco em prevenção e acolhimento, lembrando que os efeitos da saúde mental atravessam o trabalho e a vida.
Do ponto de vista do acolhimento clínico, Gislene destacou o que o paciente pode esperar: “Nós não estamos aqui para dar conselho ou para dar resposta mágica”, disse. “Não tem solução mágica, não tem receita de bolo… o que tem é você se descobrir, se permitir se conhecer.”
Qualidade e permanência do cuidado
Vanessa ressaltou que valores sociais não significam atendimento “barato” nem precarizado: as sessões seguem o padrão de 50 minutos a 1 hora, e o tempo de permanência na terapia depende da necessidade clínica de cada pessoa. Outro ponto é a orientação pública da iniciativa: quando alguém tem condições de arcar com honorários integrais, há encaminhamento para profissionais da rede fora do braço social — preservando o objetivo central de garantir acesso a quem mais precisa.
Ao definir o que está em jogo na psicoterapia, Vanessa resumiu: “Psicoterapia tem a ver com cuidado… é um espaço para a gente falar do que a gente sente e pensar no sentido de vida … e o que a gente tá propondo para essas pessoas, justamente, é um espaço para elas se cuidarem.”
O Dez Por Cento Mais traz episódios inéditos, quinzenalmente, às quartas-feiras, no YouTube. Você pode ouvir, também, no Spotify. Inscreva-se no canal Dez Por Cento Mais e receba alertas sempre que uma nova entrevista estiver no ar.
Ser dono do próprio nariz é o grande sonho de muitos brasileiros e também o maior peso sobre os ombros de quem decide empreender. Entre os pequenos varejistas de alimentos, a liberdade e a sobrecarga caminham lado a lado. Esse foi o retrato revelado em uma pesquisa conduzida pela Troiano Branding e a Gouvêa Experience, tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN.
Os entrevistados, donos de minimercados, mercearias e empórios, mostraram que o dia a dia desses negócios é movido por dedicação e acúmulo de funções. “Eles compram, arrumam a loja, conversam com o cliente, precificam o produto e treinam a equipe. Tudo fica na mão do dono ou da dona”, explicou Cecília Russo. Entre os principais desafios, ela destacou os temas ligados às finanças: do fluxo de caixa à disputa com concorrentes e aos impostos.
Mas o que mantém essas pessoas de pé, apesar da rotina exaustiva? Para Jaime Troiano, há dois grandes motores: a independência e o sentimento de conquista. “Eles não são malucos nem masoquistas”, afirmou. “A moeda da autonomia e da liberdade compensa a carga pesada que enfrentam, as horas de dedicação e os sacrifícios que fazem.”
Muitos desses empreendedores relatam, ainda, o orgulho de estar em um degrau acima de seus pais e a esperança de ver os filhos subirem mais um. Essa percepção de ascensão social, mesmo diante das dificuldades, é o que alimenta o sonho de continuar.
A marca do Sua Marca
Empreender é caminhar sobre uma corda bamba: liberdade de um lado, responsabilidade do outro. Como lembraram os comentaristas, “não é para todo mundo”, mas é, para muitos, a única forma de viver com propósito e autonomia.
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O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.