Mundo Corporativo: Joca Oliveira, da Unico Skill, explica por que educação deve ser benefício tão essencial quanto saúde

Entrevisa online com Joca Oliveira Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Daqui 5 anos a gente vai olhar para trás e vai ser que nem plano de saúde… algo super necessário e essencial para qualquer colaborador.”

Joca Oliveira, Unico Skill

A ideia de tratar educação como benefício corporativo — com acesso amplo a cursos, faculdades e certificações — ganhou corpo dentro de uma empresa de tecnologia e virou negócio próprio. A Unico Skill, liderada por Joca Oliveira, oferece às companhias um “plano de educação” ilimitado para colaboradores e dependentes, com rede de instituições no Brasil e no exterior. Os desafios para empreender neste setor foi o tema da entrevista no programa Mundo Corporativo, da CBN.

Joca descreve o modelo de forma direta: “A Unico Skill é o primeiro benefício de educação ilimitada do Brasil; de uma forma simples, é como um plano de saúde, só que para educação.” No desenho do serviço, a empresa escolhe entre quatro planos e o colaborador recebe uma “carteirinha” que dá acesso a uma rede credenciada. Segundo ele, “hoje a gente tem no total mais de 100 instituições de educação, são mais de 26 mil cursos… é acesso a fazer uma pós-graduação na GV, uma graduação, curso de inglês em mais de nove escolas, curso de tecnologia, inclusive no exterior”.

O produto que virou empresa

A tese nasceu dentro da Unico, companhia de identidade digital, e migrou para operação independente para ganhar foco e escala. “O spin-off é quando você separa esse produto e ele vira uma empresa com CNPJ próprio… com time isolado, processos e cultura, ainda conectado à holding, mas com muito mais independência.” A separação, relata, acelerou a tração e reduziu conflitos de prioridades.

No modelo de negócios, a Unico Skill atua como orquestradora B2B2C: “A gente basicamente compra educação no atacado… aplica muita tecnologia. Nós somos uma empresa de tecnologia, não de educação. A gente orquestra todo esse ecossistema, mas eu não crio educação.” A curadoria e a hiperpersonalização por IA buscam orientar o uso efetivo do benefício — inclusive por dependentes.

Engajamento e a pressão por requalificação

A demanda acompanha a mudança do mercado de trabalho. Joca cita o diagnóstico de que até 2030 a maior parte da força de trabalho precisará de requalificação, puxada por automação e inteligência artificial. “O colaborador tem visto isso como uma janela para continuar crescendo, e a empresa entende que ela precisa disso para manter a mão de obra extremamente qualificada.” Entre os conteúdos mais buscados estão tecnologia (IA, cibersegurança, dados), graduações e cursos técnicos, além de idiomas. No formato, cresce o interesse por cursos de curta duração com certificação e por aulas síncronas ao vivo: “Não é verdade que todo mundo só quer presencial; e o EAD sozinho, às vezes, faz falta na interação. O síncrono ao vivo tem sido um dos grandes formatos do futuro.”

Crescimento com qualidade e a dor de escalar

A expansão traz desafios operacionais. “A dor do crescimento ela é latente”, admite Joca. “Se a gente esperar tudo ser perfeito, às vezes a gente vai desacelerar crescimento, mas garantindo que eu consiga manter a qualidade e consiga manter tanto colaborador quanto a empresa extremamente satisfeitos com o produto e com a entrega.” Para sustentar o padrão, ele enfatiza pessoas e liderança: “Contratar pessoas melhores do que você… um talento bom toca o problema, resolve o problema, não esconde o problema.”

Educação como política estrutural do setor privado

A visão de longo prazo mira a mesma abrangência de outros benefícios já consolidados. “O acesso à educação privada no Brasil é um problema gigante… a gente, como parte da iniciativa privada, [precisa] resolver isso de forma estrutural.” Na comparação com outras políticas corporativas, a defesa é explícita: “A gente acredita que a educação, sim, deveria ser tão grande quanto o plano de saúde.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Luis Delboni.

Conte Sua História de São Paulo: o abraço que não dei no Doutor Sócrates

Humberto Andrade

Ouvinte da CBN

Foto: Acervo/Gazeta Press – 11/12/1982

Pouco depois que me mudei para São Paulo, no fim dos anos de 1990, eu trabalhava em uma obra no Brooklin Novo, próximo à Av. Berrini e fui almoçar no shopping D&D. Num dos corredores, eu o vi saindo com a esposa de um restaurante. Ele passou por mim na direção contrária e foi … eu fiquei paralisado olhando. Era ele, Doutor Sócrates, meu ídolo de infância.

Aquele time do Corinthians do bicampeonato paulista, 82/83, da Democracia Corintiana, me marcou muito. Foi a afirmação de um menino de nove, dez anos, que me dera a certeza que seria corintiano por convicção. Até então, era corintiano apenas por influência do meu pai, desde o nascimento. 

Naquele instante, que não sai da minha lembrança, hesitei em chegar até ele. Tive vergonha e pensei que se o chamasse poderia ser indiscreto e atrapalhar.

E Sócrates foi caminhando em direção ao fim do corredor, lentamente, até sumir de vista.

Me arrependo de não ter puxado assunto e ter falado com ele qualquer coisa.

Fico pensando como seria. Poderia ter gritado:

Sóócrateesss!

E apertando sua mão, agradeceria:

Obrigado!

– Obrigado pelo quê? – imagino que ele perguntaria, sério e em tom filosófico.

Obrigado por tudo, por tudo! – eu responderia, nervoso e sem jeito. Como quem quisesse agradecer por ele me ter feito corintiano.

– Obrigado por fazer uma criança feliz, Sócrates!

Depois que ele morreu, em dezembro de 2011, eu percebi que essas oportunidades podem ser únicas. Hoje em dia, quando vejo um jogador que eu goste, de qualquer time, eu sempre puxo um assunto bobo, que seja, cumprimento e peço para tirar uma foto.

Daquele time excepcional, tive a chance mais tarde de conhecer o Zenon. Sempre fui muito bem tratado por todos, inclusive os que jogam ou jogaram pelo Palmeiras. Os ex-jogadores, principalmente, adoram esse carinho.

Certo dia foi incrível, encontrei o Dudu, ex-Palmeiras, ex-Cruzeiro, agora no Atlético Mineiro. Encontrei duas vezes no mesmo dia. De manhã na Pompeia, numa escolinha de futebol. Cheguei na cara de pau: – Você tira foto com corintiano? E ele gentilmente disse: – Claro!

À tarde, num açougue gourmet em Perdizes. “E agora, faz vídeo com corintiano?” Mais uma e eu já posso pedir música no Fantástico.

Quando eu estou com meu filho e vejo que ele está envergonhado em se aproximar de algum jogador, eu o incentivo a participar da tietagem. Eu sei que ele gosta, e se perder a oportunidade vai se arrepender —  assim como eu com o Doutor Sócrates.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Humberto Andrade é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: o prazer de ver o Grêmio jogar futebol está de volta, na Nossa Arena

Grêmio 2×0 São Paulo
Brasileiro – Nossa Arena, Porto Alegre (RS)

“Vini da Pose” comemora mais um gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

A melhor versão do Grêmio se fez presente, hoje, no belo gramado da sua Arena — que eu tomo a liberdade de, a partir de agora, chamar orgulhosamente de Nossa Arena. Há muito tempo não assistia a uma partida gremista em que a bola fosse tão bem tratada como na noite desta quinta-feira. Uma performance premiada com uma vitória, conquistada de maneira perene e tranquila, na qual o torcedor pôde sentir o prazer de torcer por um time, verdadeiramente, de futebol.

O suprassumo desse futebol que se expressou em Porto Alegre foi Arthur — meio-campista excepcional e essencial para a transformação da maneira de o Grêmio jogar. Desde que o filho pródigo voltou para casa, retomamos o domínio da bola e reconquistamos o protagonismo do jogo. Mesmo nas partidas em que sofremos reveses — e não foram poucas —, o bailado de Arthur no meio de campo se impunha e nos oferecia alguma esperança de transformação. Já se ouvem vozes pedindo sua presença na seleção brasileira.

Hoje, fomos além. Depois de alguns momentos de desacerto, a defesa ajustou seu posicionamento, o time diminuiu os espaços e reduziu os riscos — a ponto de terminar o jogo sem tomar gols, o que não acontecia há sete rodadas. Evidentemente, não foi apenas o ajuste defensivo que nos deu vantagem sobre o adversário. O meio de campo — com o já devido destaque a Arthur — se impôs também pela intensidade de Edenílson e pela atuação sempre regular de Dodi.

Lá na frente, aplaudir Carlos Vinícius, autor dos dois gols da partida, é fácil. Primeiro porque, desde que chegou, o atacante tem demonstrado um ímpeto que agrada ao torcedor. Depois, porque começou a ser protagonista com seus gols e a comemoração que lhe rendeu o apelido de Vini da Pose. Hoje, foi o farejador de gols que tanto desejamos. Com um só toque, concluiu para as redes a bola que havia rebatido na defesa, após o chute de Amuzu, abrindo o placar no primeiro tempo. E, no segundo, cobrou com segurança o pênalti sofrido por Edenílson.

Aliás, o ganês também merece destaque pelo que tem proporcionado nos últimos jogos. Atrevido, Amuzu provoca dribles, acelera o ataque e não tem medo de arriscar a gol. Parece cada vez mais à vontade em campo. Às vezes, é capaz de brincar com a bola — e isso torna o futebol muito mais divertido.

Como disse em parágrafos anteriores, aplaudir o goleador é fácil. Difícil é admitir que Pavón foi fundamental para a virada do Grêmio na partida de hoje. A entrada dele, ainda no primeiro tempo, após a lesão precoce de Alysson, mudou o domínio do jogo, que até então era do adversário. O atacante argentino, que por muitas razões causou desconforto no torcedor e foi vaiado com frequência — a meu ver, de forma exagerada —, fez o Grêmio melhor no ataque.

Quando falo das vaias, é porque, mesmo quando não conseguia apresentar um futebol mais qualificado — às vezes autor de jogadas bizarras —, Pavón sempre me mostrou algo que valorizo na vida: um esforço descomunal, uma entrega acima da média, uma dedicação que merecia ser recompensada com algo melhor. Hoje, ele foi premiado. E nós também.

Na noite em que o Grêmio, definitivamente, passou a ser o dono da Nossa Arena, o placar foi 2 a 0, mas o resultado maior foi outro: o reencontro com o prazer de ver o Grêmio jogar futebol.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a força das memórias que não se apagam

foto: divulgação

Há marcas que não se apagam com o tempo. Permanecem vivas na memória como o cheiro de um lugar, a textura de um objeto ou o som de uma escada antiga. São parte de um “patrimônio histórico na mente das pessoas”. Esse foi o ponto de partida do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN..

Durante uma viagem a Poços de Caldas, cidade mineira onde viveu parte da infância, Jaime reencontrou lembranças de 70 anos atrás, intactas. “Antes de passar pelas portas das termas, eu já sabia qual o cheiro que iria sentir. E bingo, senti o mesmo cheiro de décadas atrás”, contou. Mas não foi só o olfato que o transportou no tempo. “A escada de madeira escura, de embuia, ainda estava lá. O mesmo ranger dos degraus me fez voltar setenta anos em alguns segundos.”

Essas sensações, segundo ele, são matéria-prima para quem trabalha com marcas. “Quem não se lembra de sons famosos que as marcas usam brilhantemente? O plim-plim da Globo, o tan-tan-tan-tan da Intel…”

Cecília Russo acompanhou a viagem e observou como certas experiências ficam gravadas com nitidez na memória. “Quando o Jaime ficou frente a frente com o Palace Hotel, os olhos dele marejaram. A fachada e os jardins estavam preservados no ‘patrimônio histórico da mente dele’.” Para ela, o episódio mostra que, embora as marcas precisem evoluir, há elementos que devem ser mantidos. “Modernizem, façam o rebranding que quiserem, mas nunca apaguem o padrão de imagem original com que a marca apareceu no mercado e ficou registrada em nossas mentes.”

A marca do Sua Marca

Toda marca relevante ocupa um espaço afetivo na lembrança de quem a vive. Como disse Jaime Troiano, “sua marca somente será um sucesso se ela não se perder pelo caminho”. É preciso atualizar-se sem apagar o passado, conservar o som dos degraus e o perfume das termas, porque é neles que mora o verdadeiro patrimônio histórico de uma marca: aquele guardado na memória das pessoas.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Bertier Ribeiro-Neto, da UME, explica como empreender com tecnologia e supervisão humana

Bastidores da entrevista online com CTO da UME Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“A minha visão é sempre muita tecnologia com supervisão do humano.”
Bertier Ribeiro-Neto

Empreender começa menos pelo plano de negócios e mais por um incômodo real: “O que que te incomoda? Qual o problema que você gostaria de resolver? Por que que você gostaria de resolver esse problema?” A partir dessa provocação, Bertier Ribeiro-Neto, CTO da UME, conecta a prática do empreendedorismo ao uso criterioso de tecnologia para resolver dores concretas de clientes. Esse foi um dos temas sobre os quais conversamos no Mundo Corporativo.

Tecnologia que resolve problemas (com gente no circuito)

Para Bertier, automatizar decisões é útil, mas não basta: “O resultado não é verídico, o resultado não é final, o processo precisa de supervisão.” Ele descreve a operação da UME no varejo — concessão de crédito no ponto de venda em minutos — como um arranjo que combina dados públicos, relacionamento do cliente com o lojista, informações de renda e um “motor de crédito”, isto é, “um núcleo de inteligência artificial que combina todos esses sinais e toma uma decisão de forma automatizada”.

Mesmo assim, o critério é manter controle humano sobre o que o modelo decide: “A gente treina o modelo, coloca o modelo no ar, faz uma série de testes e a gente pergunta: ‘O modelo tá tomando decisão boa ou não?’ Quando o modelo toma decisão ruim, como é que a gente para o modelo e passa a decisão para um agente humano?”

Essa postura, diz ele, vale para qualquer empreendimento que adote IA: não aplicar tecnologia “de forma cega”, mas medir impacto e qualidade continuamente. “O propósito não é usar a tecnologia. O propósito é resolver um problema que aflige o seu cliente.”

Siga o cliente, o resto é consequência

A bússola de produto segue uma regra simples aprendida nos tempos de Google: “Follow the user. All else is a consequence.” Em português: “Siga o usuário, o resto é consequência.” No contexto da UME, isso significa observar necessidades diferentes por segmento (da “super compra” de uma geladeira ao crédito atrelado a um celular com garantia via bloqueio remoto) e desenvolver produtos que façam sentido no momento da decisão.

Ao falar com quem quer empreender, Bertier volta ao princípio: antes de crescer, encontre a solução que melhora a experiência de quem usa. “Você vai criar uma solução para aquele caso de uso, se a solução for boa, as pessoas vão adotar a solução, o resto é consequência.”

Escala com estabilidade e métricas

Os desafios atuais combinam crescimento e qualidade. “Estabilidade é muito importante… o sistema não pode cair.” Em paralelo, medir resultado passa a ser obrigatório: produtividade, capacidade de atendimento “com o mesmo time” e, sobretudo, a experiência do cliente e do varejista. Se a qualidade piora, “tem um problema”.

Ao olhar adiante, a aposta é que “o futuro do crédito não está mais nos bancos… está nas empresas que têm relacionamento direto com o consumidor”. Daí iniciativas como ferramentas de CRM para que o varejista “se comunique com o cliente do crédito” e refine sua visão sobre recorrência e preferências de compra.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: os craques do areião de Pinheiros

Newton Herrera Feitoza

Ouvinte da CBN

Em Pinheiros, havia o Cine Brasil

Tenho 82 anos de idade e de Pinheiros. Nas minhas mais antigas lembranças, o bonde rolava pela rua Teodoro Sampaio que tinha mão dupla.

Onde hoje está o Shopping Eldorado havia o famoso “areião”, por onde passaram astros do nosso futebol, como o goleiro Aldo e o ponta direita Roberto Bataglia, ambos do Corinthians, entre tantos outros.

A  Avenida Rebouças era calçada até a Av. Brigadeiro Faria Lima, antiga Rua dos Pinheiros. Dali para frente o piso era de terra e a ponte era de madeira.

Havia um cinema, o Cine Brasil que ficava lotando quando reproduzia os filmes da Atlântica, com os gigantes Oscarito e Grande Otelo; os irmãos Farney; e a linda Eliana.

O Mercado de Pinheiros era na junção das ruas Iguatemi e Teodoro Sampaio, tinha piso de paralelepípedos e barracas cobertas com lona. Quando chovia era um transtorno.

Uma época em que fui muito feliz, em São Paulo!

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Newton Herrera Feitoza é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Ocupação sem fim

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Celular, trabalho, séries, comida, sono, exercício físico, estudos, bebida alcoólica, submissão, silêncio…

O que isso tudo tem em comum?

A gente se enche de coisas pra fazer. Não é difícil achar uma ocupação, até porque as opções na vitrine são várias – sempre tem uma informação nova, uma reunião nova, algo imperdível ou urgente na lista do dia.

A gente entra, se afoga, tenta respirar na superfície, se afoga de novo, nada mais um pouco… E assim a gente vai vivendo – vivendo?

De repente, passou a semana, não fizemos o que era importante, continuamos tristes, irritados, cansados. De repente, tem um tanto de coisa que precisa mudar pra nossa vida melhorar, mas… passou.

Celular, trabalho, séries, comida, sono, exercício físico, estudos, bebida alcoólica, submissão, silêncio…

Quantas fugas.

Quantos jeitos diferentes temos de não parar, não olhar pra dentro, não encarar o que está torto ou o que dói.

Quantas maneiras encontramos de nos ocupar – inclusive, com atividades que, aos olhos da sociedade, parecem banais (celular) ou até muito úteis e admiráveis (trabalhar, conquistar mais e mais, fazer sucesso).

Aqui, vamos pensar além da forma: Por que fazemos o que fazemos? Estamos conectados e envolvidos com nossas escolhas e ações, elas têm um fim – ou seja, um objetivo bom para nós?

Por que fazemos o que fazemos? Estamos nos ocupando de atividades e tarefas que nos mantêm distantes de ter que olhar e sentir e lidar com aquilo que é pesado, sofrido, desafiador?

Natural fugirmos do que assusta; podemos fugir vez ou outra, como uma estratégia para respirar ou suportar. O que prejudica mesmo é essa ocupação sem fim – essa ocupação que afoga, que desconecta, que não tem um fim saudável e desejável, porque é só um “tapa-buraco”.

Que buracos estamos tentando evitar? Que vazios estamos tentando preencher?

Fica o convite… Vamos, sim, nos ocupar – com uma finalidade: o de, verdadeiramente, ser e viver. Ocupação com fim.

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é psiquiatra, psicoterapeuta e sócia fundadora da LuxVia Health Center. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o que a história da Globo ensina sobre marcas centenárias

reprodução de imagem do acervo da exposição Globo 100 anos

Completar 100 anos é um feito raro para qualquer empresa. Mais do que celebrar a longevidade, trata-se de mostrar como uma marca consegue atravessar décadas mantendo relevância, propósito e conexão com o público. Esse foi o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN, a partir das comemorações do centenário do Grupo Globo.

Cecília destacou que a figura do fundador é central para entender essa permanência. “Quando o sonho do fundador permanece vivo nas decisões de marca, a presença dele e dos valores que estabeleceu se mantém, e isso é fundamental para construir uma marca que perdura pelo tempo.” Ela lembrou ainda que Roberto Marinho lançou a TV Globo aos 60 anos, um exemplo de que empreender não é exclusividade dos jovens.

Para Jaime, o segredo está na clareza de propósito. “Manter o essencial em busca do novo. Lembrar sempre do que é inegociável para a empresa e aquilo ser o norteador do futuro.” Segundo ele, esse propósito sólido ilumina estratégias, sucessões e grandes mudanças, garantindo relevância e viabilidade financeira ao longo de gerações.

A marca do Sua Marca

A longevidade de uma marca não se sustenta apenas no passado: ela exige equilíbrio entre tradição e renovação, com valores fundadores que continuam a orientar decisões e um propósito capaz de dar direção ao futuro.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo

Avalanche Tricolor: o dia em que Marlon, em nome do Grêmio, disse “basta!”

Bragantino 1×0 Grêmio

Brasileiro – Bragança Paulista/SP

Reprodução da imagem do canal Premiere

É precisa e definitiva a entrevista do lateral e capitão interino Marlon, ao fim da partida contra o Bragantino. Talvez uma das mais importantes que algum representante do Grêmio concedeu nos últimos tempos. Pois causa indignação assistir ao Grêmio ser mais uma vez prejudicado por erros de arbitragem – Kannemann foi expulso injustamente, ainda no primeiro tempo, e o pênalti marcado no último lance da partida não existiu.

Da fala de Marlon faço esta Avalanche:

O Grêmio FBPA está sendo categoricamente roubado desde que começou o campeonato. A gente vive numa liga em que você quer melhorar o calendário, mas não tem nem profissionalização dos árbitros. A gente vem de anos e anos de corrupção numa federação onde você não consegue legalizar as coisas. E isso tem muita influência direta no futebol.

Esse pênalti que foi marcado hoje aqui, o que aconteceu com o Grêmio, foi uma baixaria. Isso é sem tamanho, porque não tem critério nenhum. Eu estou com o braço colado. Se eu faço amplitude, a bola bate e volta para frente. A bola desvia no meu peito e vai para fora.

Esse mesmo árbitro marcou uma falta contra a gente, no jogo com o Mirassol, que originou um gol. E o cara do Mirassol está em impedimento, ele vai no VAR e confirma. Na expulsão do Kannemann, ele marca uma jogada que não existe e expulsa o Kannemann, porque já está bravo com ele pelo jogo passado.

Nós tivemos dois pênaltis marcados no clássico Gre-Nal, onde não existe pênalti. Já começa por aí. Foram três pênaltis no jogo. O último pênalti, a gente não pode falar nada porque realmente é. Agora, a gente foi prejudicado contra o São Paulo, contra o Santos, hoje novamente. Tu pode tirar por baixo uns 16, 17 pontos do Grêmio na competição



Não, eu não tenho receio de ser punido. Eu tenho que brigar pela minha instituição. O que está acontecendo com o Grêmio aqui, eu vou falar categoricamente: o Grêmio está sendo roubado, prejudicado. E não só o Grêmio, são outras equipes também. 

Depois o PC Oliveira, que foi um excelente árbitro, diz categoricamente que não é pênalti para o Grêmio, e ele vai dizer hoje que não é pênalti para o Grêmio, como já aconteceu várias vezes. O problema é que isso se repete, repete, repete

Repórter —Ele já disse que não foi pênalti. 

Ele já disse que não foi pênalti, mas isso não vai voltar atrás. Porque daí depois a pressão é dos jogadores que perderam os pontos, é no treinador que perdeu os pontos e a equipe é prejudicada. 

Eu digo, isso não acontece só com o Grêmio. Acontece com outras equipes também e já aconteceu de forma vergonhosa.

CBF profissionalizem os árbitros, melhore a qualidade do teu produto, porque não tem condição de jogar mais assim“.

Conte Sua História de São Paulo: Orra meu, que saudade do meu sogro!

Izadora Splicido

Ouvinte da CBN

Bixiga a noite
Cena do bairro do Bixiga, em SP Foto: Eli Kazuyuki Hayasaka Flickr

Orra meu!

Aprendi a amar São Paulo assim. Com meu sogro e seu sotaque de um genuíno paulistano. Ele nasceu no Bixiga. Tinha um jipe onde levava a bebida do bloco Esfarrapado. O bloco mais antigo de São Paulo — foi o que ele me contou). 

Aos sábados, vestia a camiseta toda rasgada do bloco. Era um orgulho!

Se dizia palmeirense, mas não gostava de futebol, não. Gostava da bagunça do Palestra.

No carro era proibido usar Waze. Ele dizia:

— Pega a Padre João Manoel e depois a Lorena, vai em frente.

    Eu, olhava confusa, será que ele acha que eu sei onde é a Lorena?

    Me casei onde ele escolheu:  Nossa Senhora Achiropita, e até hoje agradeço a escolha. Que igreja linda!

    Meu sogro faleceu. Mão chorei quando ele morreu: era um homem feliz! Chorei agora, lembrando e agradecendo tudo que me ensinou.

    São Paulo, aprendi a te amar com o Zé, e assim como meu amor por ele, acho que o nosso é para sempre.

    Orra meu, que saudade!

    Ouça o Conte Sua História de São Paulo

    Izadora Splicido é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.