Eu passarinho, Mário Quintana e o livro “Escute, expresse e fale!”

De João Scortecci

Texto escrito originalmente em Livros e Autores – histórias do livro e seu entorno

Lendo o livro Escute, expresse e fale! – Domine a comunicação e seja um líder poderoso (Rocco, 2023), dos amigos Mílton Jung e Leny Kyrillos, em coautoria com os comunicadores António Sacavém e Thomas Brieu, no capítulo “No virtual, atenção à palavra propriamente dita” (p. 269), encontrei uma citação do poeta de Alegrete, Rio Grande do Sul, Mário Quintana (1906 – 1994), que não conhecia e que ilustra, com propriedade, o texto da obra.

“A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa… e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.”

Em tempos de WhatsApp, a máxima anda fazendo estragos, alguns irreparáveis. Li a mensagem três vezes. Bebi água e aproveitei, fui ao banheiro. Não levei o celular. Tenho evitado fazer isso. Na volta reli, novamente, o imbróglio: longa, estranha e confusa. Na hora, confesso, tive saudade do telefone de fio e do papo olho no olho, quando sentávamos, inteiros, no banco da praça. Liguei de volta, mas a pessoa não atendeu. Escrevi: “Me liga, por favor. Não entendi a mensagem. Perdão!”. Meia hora depois, recebi um “OK” como resposta. No final do dia – tinha até esquecido – quando a dona da mensagem retornou a ligação, com mensagem de texto pelo WhatsApp. “Oi, tudo em paz? Olha, já resolvi, tá, muito obrigada!” E desligou. Rápido assim, sem mercurocromo. Foi aí que fiquei “cabreiro”. Fiquei nas nuvens, sem saber do que, de fato, tratava a sua estranha mensagem.

No livro Escute, expresse e fale!, uma nota sobre o assunto: “Boa parte da troca de informações no cotidiano digital tem duas características que precisam ser examinadas: a primeira, é que o recurso verbal tem sido mais explorado do que o vocal e a segunda é que a comunicação sincrônica (simultânea) perdeu espaço para a comunicação assincrônica.”

Não satisfeito, curioso que sou, até além da conta, até mesmo para validar o que aprendi de novo lendo o livro, liguei de volta – dessa vez pelo telefone fixo – e perguntei, na lata: “Poderia, por favor, me explicar a mensagem que você enviou?”. “Qual mensagem?”. “A mensagem de hoje cedo, pelo WhatsApp”. A moça – não a conheço pessoalmente –, da cidade gaúcha de Porto Alegre, autora de um livro de poesias publicado pela Scortecci Editora, respondeu: “Foi engano. Não era para você! Era para um amigo que trabalha com conserto de panelas de pressão!”. Depois desligou. Foi aí que reli a mensagem, fixando-me na parte em que ela dizia assim: “a danada não está pegando pressão, o que faço?”

A comunicação escrita depende exclusivamente do valor da palavra; não há ênfase, entonação ou gestos para se fazer entender. É o preto no branco! Guardei a mensagem – depois apago, talvez – e procurei por Quintana, na estante, no “Eu passarinho”, ali na janela do dia, quase sol, cantando possivelmente um voo, de distâncias e horizontes. Gosto dos amigos que – pacientemente – explicam-me tudo, até com o silêncio, ou um olhar, com brevidade e sincronia poética.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: jingle bom é como chiclete e não esconde a marca

Imagem do comercial da Casas Pernambucana (reprodução Youtube)

“Se nós somos assim (musicais), seria muito difícil as marcas e sua comunicação não se encontrarem com música também”

Jaime Troiano

O Brasil sempre foi um país musical por excelência. A mistura de nossas heranças portuguesas, africanas e indígenas criou um sincretismo religioso, alimentar e comportamental muito especial, único no mundo. Uma riqueza que se revela na música que nos acompanha desde o início. Com todo esse histórico seria de se estranhar se as marcas não bebessem também dessa fonte. O resultado é que cada brasileiro tem em mente ao menos um jingle inesquecível.  

“Nossa cultura musical é muito forte e as marcas sabem se servir disso”

Cecília Russo

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo além de cantarolarem alguns desses refrões e mexer com nossa memória afetiva, também comentaram sobre os cuidados que as marcas devem ter ao explorar esse recurso:

“Quantas vezes a gente fala “eu vi um comercial lindo”,  mas não lembra  a marca “. 

Jaime Troiano

O talento está em fazer um jingle que conquiste o consumidor sem esconder a marca. Uma tarefa que não é fácil e apenas alguns artistas sabem fazer bem feito. Caso de Heitor Carillo criador de “Não adianta bater”, música do início dos anos de 1960, que anunciava as ofertas das Casas Pernambucanas:  

“Quem bate?
É o friiiio….
Não adianta bater, que eu não deixo você entrar. Nas Casas Pernambucanas, é que eu vou aquecer o meu lar. Vou comprar flanelas, lãs e cobertores, eu vou comprar. Nas Casas Pernambucanas, nem vou sentir o inverno passar.” 

O nosso maestro Paschoal Junior resgatou esse e outros jingles que ficaram famosos ao longo do tempo e foram lembrados por Jaime e Cecília no bate-papo matinal de sábado, no Jornal da CBN. Você pode ouvi-los no arquivo de áudio publicado a seguir. Antes, fica a recomendação dos nossos comentaristas:

“Jingle é como chiclete, gruda mesmo. Se você, empreendedor ou  que tem um pequeno ou médio negócio, se puder use esse recurso para sua marca”

Jaime Troiano

Avalanche Tricolor: com dentadura em campo, Grêmio empata e decide o Hexa na Arena

Caxias 1×1 Grêmio

Gaúcho – Centenário, Caxias do Sul RS

Tinha torcedor no alto do prédio vizinho ao estádio. Cheiro estranho de churrasquinho na porta. Alambrado no entorno do gramado. E se tinha alambrado, claro, tinha gente gente pendurada nele, se não para que serviria o alambrado. Tinha até dentadura arremessada para dentro do campo — só não ficou ainda muito claro se propositalmente ou por descuido na emoção do grito de gol. Mais do que a ‘chapa’ – nome próprio da dentadura para os gaúchos —, que aterrissou próximo da linha lateral depois de se chocar com o braço do repórter, havia buracos no meio do caminho por onde o futebol deveria passar, o que sempre faz a bola desviar ou ajuda a prender o jogo. Foi nesse cenário que o Grêmio deu início a mais uma final que pode lhe garantir o sexto título Gaúcho consecutivo. 

Jogando no Centenário e diante do time da casa que está invicto desde a segunda rodada da competição — perdeu na estreia para o Grêmio —, encontramos todas as dificuldades que se pode querer em um campeonato estadual. A começar pelo próprio adversário, bem treinado, disciplinado e consciente de seu potencial, que cresce frente a sua torcida e não tem medo de cara feia como comprovou ao despachar o Inter na semifinal.

Sem contar que fomos a campo, pela segunda partida seguida, com um time meia boca. Titulares lesionados e com elenco sem muitas escolhas, recorremos até a jogador que estava praticamente descartado, caso de Lucas Silva, que, registre-se, esteve longe de comprometer e quase marcou o seu de fora da área. Claramente, porém, o entrosamento é diferente.

Tomamos o gol muito cedo, aos 8 minutos, após tropeço na bola e descuido do setor defensivo, o que faria tudo ficar ainda mais difícil. Por curioso, foi quando passamos a jogar melhor, colocando a bola no chão, trocando passes e pressionando a defesa adversária. Algumas tentativas de ataque e uma sequência de escanteios foram premiadas com o gol de Vina, nos acréscimos. O empate que levamos para o intervalo permaneceu até o fim da partida, mesmo tendo jogado a maior parte do segundo tempo com um jogador a mais. O time da casa teve uma expulsão, justa expulsão, aos oito minutos do segundo tempo.

Se sobrou paciência em alguns momentos para fazer a bola rodar de lá para cá, faltou repertório e sintonia nos movimentos, especialmente no tempo complementar quando tivemos de encarar uma forte e bem ajeitada retranca. Suárez bem que se esforçou, saiu da área, deu passes preciosos, chutou a gol mas não conseguiu marcar o seu. Bitello e Cristaldo também apareceram com frequência dentro da área, sem sucesso. 

Ao fim e ao cabo, levamos a decisão para a Arena, onde temos 100% de aproveitamento nesta temporada, com arquibancada cheia, sem alambrado e, espero, nenhuma dentadura solta no gramado — a não ser a de Luis Suárez.

O Grêmio está um jogo do Hexa! 

Mundo Corporativo: Reynaldo Naves, da Olivia, sugere narrativas disruptivas para que pessoas e empresas mudem

Reynaldo Naves no estúdio do Mundo Corporativo da CBN, em foto de Priscila Gubiotti

Falar de como a tecnologia impacta a sua vida é “chover no molhado” — perdão por usar uma expressão de uma época em que as mudanças ocorriam de forma bem mais lenta do que atualmente. Todos sabemos como nosso cotidiano, nossas relações, nosso trabalho e nossas empresas estão passando por uma enorme migração diante da transformação digital. A despeito disso, se a ideia é acompanhar esses processos toda e qualquer organização tem de focar suas ações no desenvolvimento das pessoas. Quem fez esse alerta foi Reynaldo Naves, sócio e gestor da Olivia, no Brasil, consultoria internacional especializada em transformação organizacional.

“É preciso fazer o que chamamos de ‘twin transformation’ que é fazer a transformação digital, fazer a transformação focada em sustentabilidade a partir das pessoas, porque no dia a dia, para as coisas acontecerem, é que a cultura aparece. Então, se você não tiver uma orquestração da tua visão, dos teus serviços e da tua arquitetura a cultura que se instala  pode estar desbalanceada”. 

Na entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Reynaldo explicou que o risco de a estratégia e a cultura estarem desconectadas  é o de as pessoas não verem sentido nas mudanças e quando isso ocorre os colaboradores tendem a produzir menos e os talentos vão embora.

“Esse é o grande paradigma. A gente tem que perceber que a estratégia — esse como e onde a gente chega — não pode estar desconectada de comportamentos coerentes, consistentes e congruentes com isso”.

A proposta da Olivia, de acordo com Reynaldo, é buscar formas disruptivas nos projetos de transformação organizacional a partir da criação de narrativas inspiradoras, simples e objetivas. Para ele, a complexidade do mundo já é grande demais diante de tantas ferramentas e soluções que surgem a cada instante — ciência de dados, inteligência artificial e internet das coisas, por exemplo. É preciso identificar o que realmente é importante para a organização, sem a tentação de querer repetir fórmulas criadas para outras realidades. Na conversa que tivemos antes do programa se iniciar, Reynaldo havia comentado que uma das coisas que mais o incomoda é quando o gestor o procura e anuncia: “quero implantar a cultura do Google na minha empresa”.  Vai dar errado, diz ele! Você não é o Google!

“Cultura não se copia. E a outra coisa é que quando você tem essa narrativa a forma como você faz as pessoas vivenciarem essa mudança ela tem que ser vivencial, ela tem que ser inesquecível” 

Repetindo o ensinamento de um dos maiores especialistas em cultura organizacional, o americano Roger Connor — “change the culture, change the game”-, Reynaldo defende que as experiências implantadas nas empresas têm de ser disruptivas porque assim consegue-se mudar as crenças que mudam os comportamento que fazem com que você haja de forma diferente alcançando resultados diferentes: 

“Essa é a grande sacada do processo que é a partir das pessoas alavancar a tua estratégia e não top-down”.

Sim, é de baixo para cima, mas o líder é fundamental para que as mudanças aconteçam. Apesar de o processo ser bem estruturado para que as pessoas atuem na transformação, Reynaldo lembra que é “na última milha” que o sucesso se realiza. Um espaço que sequer tem um script, porque é o espaço do exemplo: 

“O sucesso de uma transformação é, quando um líder tem um plano na mão, o como ele faz isso, o como ele engaja ou o como ele escuta ou o como ele coloca no ar a contribuição dos outros”.

Quando tratamos de transformação organizacional não falamos apenas das grandes corporações. As mudanças se fazem necessárias em empresas de todos os tamanhos. Por isso, pedi para Reynaldo deixar sugestões a pequenos e médios empresários interessados em sobreviver ao atropelo causado pelas novas tecnologias e as mudanças de comportamento:

  1. A sua empresa é o seu exemplo: esteja conectado no comportamento que atrai clientes para crescer; crie um código de conduta; e mantenha a coerência entre o que diz que faz e o que realmente faz;
  2. Invista em tecnologia: existem soluções para pequenos negócios; invista em tecnologia de gestão da empresa para ter os dados
  3. Saiba se o cliente está satisfeito: ao fazer isso, não tome decisão sozinho, converse com o pessoal que está na linha de frente, veja se eles entendem o cliente, quais problemas que eles tem com os clientes e, a partir disso, faça as mudanças necessárias.

Para entender mais sobre como fazer as transformações no seu negócio para estar adaptado às demandas atuais, assista à entrevista completa com Reynaldo Naves, da Olivia:

O Mundo Corporativo tem as participações de Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: Ibirapuera, o parque que me reconcilia com a humanidade

Claudia Signorini

Ouvinte da CBN

Parque do Ibirapuera, foto de Renata Carvalho/Helicoptero da CBN

Há quase quarenta anos moro num prédio a poucos quilômetros do parque do Ibirapuera.

Para mim, que deixei uma casa com quintal e jardim, frequentar esse parque foi como encontrar o éden.

Costumo fazer minhas caminhadas em volta do lago duas ou três vezes por semana. Acompanho extasiada a mudança das estações: a época dos ipês, roxos, amarelos e brancos, esses últimos de breve duração; a época das sibipirunas, das tipuanas, das primaveras, dos pessegueiros em flor, numa florescência luxuriante.

E o que dizer dos pássaros e aves que povoam esse parque: sabiás, bem-te-vis, sanhaços, joões-de-barro, patos, mergulhões, cisnes, até os utilíssimos urubus nas suas vestes negras e andar pendular. E a pérola das pérolas, a garça cinza, imponente, elegante, nem sempre visível, infelizmente.

O parque também é um lugar de encontro.

Sempre paro para conversar com os frequentadores que levam seus cães para passear, como eu fazia com minhas duas vira-latas cujas cinzas deixei neste mesmo parque no local em que as soltava para correr.

Costumo cumprimentar os funcionários que trabalham no parque, os seres invisíveis como eu os chamo. Paro para tomar água de coco na barraca do Duda. Chamo a atenção dos skatistas que invadem a pista dos pedestres.

Bato palmas para os que jogam o lixo nos recipientes adequados. Sento num dos bancos do parque para observar todos os sons, as cores, os perfumes que esse maravilhoso parque me oferece.

No fim de minhas caminhadas eu me sinto em plena comunhão com a natureza e de certa forma reconciliada com a humanidade.

Claudia Signorini é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Daniel Mesquita. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo

A memória do amanhã

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

A nossa memória em foto de Miray Bostancu0131 on Pexels.com

“Seu futuro ainda não está escrito, o de ninguém está.

 Seu futuro será o que você quiser, então faça dele algo bom”

Frase do filme “De volta para o futuro”

No filme “De volta para o futuro”, Marty McFly (Michael J. Fox) é um jovem que aciona acidentalmente uma máquina do tempo, construída pelo cientista Dr. Emmett Brow, sendo transportado para o passado. No fim da trama, Marty volta para o ano de 1985 e tenta salvar o Dr. Brown, mas chega tarde demais para impedir que ele fosse baleado. Surpreendentemente, o cientista acorda e revela que ao tomar conhecimento da carta que o alertava sobre seu assassinato, se muniu previamente de um colete à prova de balas.

Longe da ficção e sem a possibilidade de alterarmos alguns desfechos em nossa vida, precisamos lembrar de pegar o guarda-chuva porque a previsão alertou que mais tarde o tempo muda. Precisamos lembrar que às 8:00 o remédio precisa ser tomado, que dia 10 vence o boleto da mensalidade da escola, que acabou o ovo e precisamos passar no mercado antes do jantar. E o livro que você pegou na biblioteca? Era para ser entregue ontem!

Pois é! Essa máquina do tempo que nós humanos temos, chamada memória, nos permite recordar eventos passados, mas também nos possibilita criar intenções voltadas para o futuro, nos orientando naquilo que ainda vai acontecer.

A memória prospectiva compreende um conjunto de habilidades cognitivas envolvidas na capacidade de planejar uma intenção e se recordar dessa intenção, em algum ponto do futuro, em momento ou contexto específico, possibilitando que as ações sejam realizadas.

Em outras palavras, significa “manter em mente” o que precisa ser feito e se lembrar disso no momento certo!

A memória prospectiva é um dos sistemas mais utilizados no cotidiano e envolve tarefas como se lembrar de um compromisso, como uma reunião de trabalho ou consulta médica, transmitir um recado, organizar os detalhes de uma viagem que vai acontecer e pagar as contas no dia do vencimento.

Diversas estratégias podem ser usadas para amenizar possíveis falhas na memória prospectiva, como recorrer a agendas, alarmes, realização de lista de tarefas e lembretes.

Apesar de tantos avanços tecnológicos e científicos, nossa capacidade de viajar pelo tempo só é possível – ainda – através dos nossos recursos mentais. Nossa mente tem essa capacidade incrível de retomar situações passadas e antecipar o futuro, através da imaginação.

Não sei você, mas eu fico pensando: se tivesse um jeito da gente olhar o futuro, saber o que nos aconteceria, será que a gente seria mais feliz? Será que a gente conduziria a vida de uma outra maneira?

Não temos spoiler. Não temos um bilhete nos alertando dos riscos, como no filme, o que nem sempre nos permite um colete à prova de balas, à prova de tristezas, decepções ou sofrimento. Mas temos a capacidade de olhar para o nosso momento presente e construir uma ponte com o nosso futuro, com sonhos e esperança.

Ainda é possível: A máquina do tempo pode travar, mas ela acaba ligando novamente! Não foi assim com o Marty McFly?

Então, faça as suas anotações, escreva um bilhete para você. Mas não coloque ali apenas a reunião ou a conta que você não pode esquecer. Das obrigações a gente até se lembra com mais facilidade.

Escreva aquilo que pode fazer a sua viagem para o futuro valer a pena. Aquilo que todos os dias você precisará se recordar, porque lhe é valioso. A sua memória do amanhã.

Dr. Brown estava certo: “seu futuro ainda não está escrito, o de ninguém está”. Então faça dele algo bom!

Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung. 

Avalanche Tricolor: Adriel “Lara” é Gigante!

Grêmio 2 (5)x(4) 1 Ypiranga

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Adriel defendeu dois pênaltis. Foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Há exatos cinco anos, assistimos a uma das mais incríveis e decisivas defesas protagonizadas por um goleiro. Foi em Guayaquil, contra o Barcelona equatoriano, em uma semifinal de Libertadores da América. Não fosse a intervenção antológica de Marcelo Grohe teríamos colocado em risco a classificação. Estava dois a zero para nós quando o goleiro — que se sagraria campeão da Libertadores naquele 2017 — impediu, aos três minutos do segundo tempo, o gol de Ariel que traria o adversário para o jogo novamente.

Por coincidências do calendário, neste 25 de março, coube a um outro goleiro gremista ser protagonista da partida que nos manteve na disputa do hexacampeonato gaúcho. Adriel, com apenas 22 anos e do alto de seu 1,95 metro, fez um jogo seguro, a despeito do adversário ter exigido pouco dele. Sempre que precisou, porém, estava na posição correta e ainda ajudou o time a chegar mais rapidamente ao ataque com reposições preciosas. No gol que sofreu no início do segundo tempo, Adriel foi vítima de uma bola que maliciosamente desviou na coxa de um dos zagueiros gremistas. Tinha pouco a fazer naquela circunstância, além de lamentar a falta de sorte. 

O Grêmio encontrou forças para virar a partida impondo-se com qualidade e força frente a um adversário que já demonstrava desgaste na marcação e dificuldade para manter a bola em seu domínio. O gol de empate veio dos pés de Bitello que lançou a bola para dentro da área e encontrou Thaciano. Nosso polivalente jogador já atuo na lateral direita e na ponta direita. Saiu como titular na tarde deste sábado ocupando a posição de volante. E no segundo tempo foi colocado a jogar mais à frente. E foi lá na frente que de cabeça recebeu o lançamento e concluiu de cabeça, devolvendo ao torcedor a esperança da classificação à final (por favor, não deixem Thaciano ir embora).

O gol da virada veio depois de uma série de tentativas frustradas. E ninguém mais frustrado do que Luís Suárez que na partida anterior desperdiçou um pênalti e não conseguiu concluir a gol as várias oportunidades criadas nesse sábado. Coube a Bruno Alves, que havia falhado no gol adversário, completar de cabeça às redes e levar a decisão para os pênaltis.

Foi, então, que Adriel se impôs. Imenso embaixo das traves amedrontou o primeiro marcador e o induziu ao erro — a cobrança foi parar no pé do poste esquerdo do nosso goleiro. Tentou desestabilizar os demais batedores, mas teve dificuldade de encontrar o canto certo da cobrança. Nas duas vezes em que acertou o lado em que a bola vinha, não permitiu que ela alcançasse as redes. 

Adriel foi imenso embaixo dos paus e sua habilidade garantiu a presença na sexta final consecutiva do Campeonato Gaúcho. Confesso, estava com saudades de goleiros pegadores de pênaltis — tais como Marcelo Grohe que segue fazendo das suas no futebol saudita. Não que essa seja obrigação deles. Antes das cobranças decisivas é necessário que demonstrem segurança nos 90 minutos de partida. Nosso goleiro que até pouco tempo sequer completava o banco de reservas e, recentemente, assumiu a posição de titular, tem oferecido ao torcedor a devida tranquilidade. Sai bem do gol, está bem posicionado, sabe jogar com os pés e distribui a bola com tranquilidade Porém, a diferença entre os goleiros e os grandes goleiros se expressa nos momentos mais decisivos. Adriel foi apresentado pela primeira vez a um desses momentos desde que assumiu a posição no time principal. E dele saiu como herói da classificação. 

Esse baiano, nascido em Ilhéus, que começou jogando no Sparta do Tocantins — clube que por coincidência tem as cores azul, preto e branco — e surgiu na base gremista deve saber —- como todos nós torcedores sabemos — que somos o único time do mundo que tem o nome de um goleiro no hino: Eurico Lara.

Um time que faz homenagem a um goleiro no seu hino precisa ter um grande goleiro no seu time. Adriel “Lara” é Gigante!

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: poucas marcas mostram as mulheres por inteiro

Photo by JEFERSON GOMES on Pexels.com

“Há poucas marcas que mostram a mulher por inteiro, um pouco cada uma dessas coisas. Acho que falta sensibilidade por parte das marcas, de saírem dessa visão mais unidirecional”

Jaime Troiano

Quando estamos prestes a nos despedir do mês de março, surge a oportunidade de analisarmos o comportamento das marcas em relação às mulheres — homenageadas no dia 8 de março e por extensão no mês todo. Jaime Troiano e Cecília Russo observaram as ações desenvolvidas e alertaram para a necessidade de a comunicação ser mais completa, evitando ‘segmentar’ a mulher.

“É como se as marcas ainda mantivessem um olhar que fragmenta as mulheres, sem conseguir vê-las de forma integrada”. 

Na avaliação do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, ora as marcas exaltam força, mostrando mulheres poderosas e batalhadoras; ora mostram sua fragilidade e como as marcas podem ser as salvadoras; ora mostram sua face da sedução, como se o ser mulher fosse ser a expressão mais sexualizada por excelência.

É preciso sensibilidade para compreender essa mulher que é muito mais complexa do que a simplificação dos anúncios, por isso o que nossos comentaristas sugerem é que se trabalha mais a empatia, evitando esteriótipos e segmentações.

Diante do tema que provocamos, Cecília Russo pediu licença e compartilhou com os ouvintes, um manifesto às mulheres escrito por ela e suas colegas que atuam na TroianoBranding. Segue:

Um dia queimamos sutiãs em praça pública.

Símbolo do que aperta, restringe, limita.

Desde lá, queimamos muitas outras coisas também.

Muros, barreiras, preconceitos, estereótipos.

É hora de celebrar as vitórias.

Hoje, somos quem quisermos ser.

Ampliamos escolhas e oportunidades.

Podemos ser a princesa e também a heroína.

A professora e a astronauta.

A que joga vôlei e a que joga futebol.

A costureira, a médica, a bombeira e a enfermeira.

A que cuida, a que manda, a que faz o que quiser.

É hora de celebrar as possibilidades.

Mas ainda há muito o que queimar.

Há mais espaços a conquistar.

Há mais direitos a reivindicar.

Há mais respeito a buscar.

Há ainda violência a nos ameaçar. 

É por isso que o 8 de março faz sentido.

Uns podem achar um dia bobinho, de mimimi.

Mas é nesse dia que paramos para olhar para nós.

Nos colocamos no centro de nossas próprias vidas.

O que seria natural, precisa de um dia como pretexto apenas para isso.

Equilibristas girando os pratinhos que não se veem no direito de parar.

Vem o dia 8 como um freio, um sinal de pare.

Que possamos usar esse dia como um espaço para comemorar.

Aquilo tudo o que já somos.

E também tudo aquilo que ainda podemos ser.

Feliz mês da mulher. É hora de celebrar. 

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, sonorizado por Paschoal Júnior

Mundo Corporativo: maior velocidade na transformação digital acrescentaria ao PIB mais de R$ 1 trilhão, diz Tatiana Ribeiro, do MBC

“Transformação digital é todo o processo desde a digitalização mesmo, acessos a negócios, utilização de ferramentas para isso e, também, tem todo o lado que está relacionado à mudança de cultura” 

Tatiana Ribeiro, Movimento Brasil Competitivo

A grande indústria que estuda a implantação da inteligência artificial,  a startup que nasce no ambiente virtual ou o armarinho do bairro que se relaciona com seus clientes pelo WhatsApp. Cada um a seu modo e do seu tamanho enfrenta os desafios da transformação digital, tema que motivou o Movimento Brasil Competitivo a convidar a Fundação Getúlio Vargas para estudar o impacto dessas mudanças na produtividade e no crescimento econômico. Tatiana Ribeiro, diretora executiva do movimento,  em entrevista ao Mundo Corporativo, foi quem nos apresentou o potencial que o país têm a medida que entenda a importância de criar condições para o investimento em transformação digital se acelere:

“É desafiador! A gente precisa avançar com mais velocidade, e isso poderia trazer para o Brasil um acréscimo de R$ 1,1 trilhão ao  PIB. Então, acho que isso é um indicador bastante importante para mostrar o potencial que isso tem de agregar pra economia”

A projeção tem como referência os resultados alcançados nos Estados Unidos, onde a ampliação da oferta digital nos últimos cinco anos, em média, foi de 7,1%. Aqui no Brasil, ficou em 5.7%. Ou seja teríamos de pisar fundo no acelerador. Para ficar com o pé mais no chão, a persistirem os atuais patamares brasileiros, conseguiríamos agregar coisa de R$ 300 bilhões no PIB — o que já é um bom dinheiro. 

Considerando os exemplos do primeiro parágrafo desse texto, percebe-se que a desigualdade digital brasileira se equipara a desigualdade social. Há um fosso que separa as indústrias que estão em estágios bastante avançados e outros tantos setores. A mesma FGV que atuou ao lado do Movimento Brasil Competitivo havia, anteriormente, realizado pesquisa em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial na qual mediu o nível de maturidade digital das micro e pequenas empresas: 

“Numa pontuação de até 100 pontos, elas estão ali na casa de 40 pontos. Inclusive já tem uma série histórica porque eles fizeram a mesma pesquisa em 2021 e 2022 e a evolução é muito pequena. Então, esse é um setor que a gente precisa olhar” 

Oportunidade de crescimento a vista. De emprego, também. De acordo com a pesquisa “Transformação digital, produtividade e crescimento econômico”, nos últimos cinco anos o número de empregos digitais teve crescimento de 4,9% em comparação às demais ocupações. Nem crise nem mudanças socioeconômicas foram suficientes para impedir, por exemplo, remuneração acima da média e melhor produtividade de trabalho. 

Só não avança mais porque falta gente bem preparada. Para ter ideia: a Confederação Nacional da Indústria identificou que serão abertas 700 mil vagas no setor de tecnologia até 2025. Tatiana explica que, considerando ensino profissional, técnico e superior, o Brasil forma, atualmente, apenas 50 mil pessoas por ano. Para os interessados, a dirigente sugere a presença em cursos de curta duração, de três a seis meses; o ensino técnico profissional; e, em uma terceira janela de oportunidade, a implementação do novo ensino médio que tem um itinerário formativo técnico e profissional.

A formação e a capacitação, percebendo as necessidades do mercado, com o governo interagindo localmente com o setor produtivo para entender as demandas regionais é uma das ações necessárias para que o Brasil aproveite o potencial de crescimento que a transformação digital nos oferece. Em um segundo passo é preciso trabalhar políticas estruturantes de suporte aos pequenos negócios, explica Tatiana:

“Eles são 99% das empresas do país e representam 30% da nossa economia, são responsáveis massivamente pela geração de empregos, e a gente precisa entender como apoiá-los de forma que realmente possam transformar e trazer muito mais eficiência para os negócios”.

Finalmente, há necessidade de políticas coordenadas do ponto de vista do setor público, a medida que temos uma série de atores e interlocutores que muitas vezes se sobrepõem ou duplicam esforços. Uma ação nesse sentido poderia minimizar um dos riscos que a transformação digital gera que é o abismo digital:

“A gente pensa por exemplo na conectividade. É fundamental que essa conectividade seja ampliada; que as escolas brasileiras de todo o país tenham acesso de qualidade para que os alunos possam usar isso como uma ferramenta de aprendizado”.

Para conhecer mais sobre o estudo realizado pelo Movimento Brasil Competitivo e FGV assista à entrevista completa de Tatiana Ribeiro:

O Mundo Corporativo tem as participação de Renato Barcellos, Letícia Valente, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Conte Sua História de São Paulo: coração conquistado pela cidade verde e rural que a CBN me revelou

Joelma Melo

Ouvinte da CBN

Esta é a foto feita por Gabo Morales, em Marsilac, que conquistou nossa ouvinte

Era dezembro de 2013 e eu estava vivendo um sonho: havia passado no mestrado da Faculdade de Saúde Pública e iria pesquisar a minha paixão: a cidade de São Paulo. Já estava tudo certo. O projeto de pesquisa foi aprovado, logo começariam as aulas. Porém, uma reportagem da CBN aguçou minha curiosidade e me levou ao encontro de uma São Paulo verde, meio rural, a qual sequer imaginava que existiria.

Se não me engano a reportagem foi de um quadro chamado Seu Bairro, Nossa Cidade. E ele contava sobre um bairro no extremo sul onde as crianças ainda brincavam nas ruas, as pessoas se conheciam, não havia sinal de internet e, especialmente, estava dentro de uma área de proteção ambiental.

Oi? Dei um Google e apareceu uma imagem de uma moça de vestido vermelho, cabelos longos e loiros, no meio de uma mata. Parecia uma visão. Que lugar é esse?!

A imagem era parte de um blog de um fotógrafo chamado Gabo Morales, e bastaram algumas fotos para eu enlouquecer:

Tenho que ir! Preciso conhecer este lugar. Não pensei duas vezes e entrei em contato com o fotógrafo, convencendo-o a me levar até lá. Fato que aconteceu em janeiro.

Moradora da zona norte, atravessei a cidade. Foi ônibus, metrô, trem, ônibus, e mais um ônibus. E quanto mais avançava rumo a Marsilac, mais verde a cidade se tornava. Até que cheguei ao bairro.

A rua principal que se chama estrada — Estrada de Marsilac — com uma pequena praça, algumas vendinhas, crianças brincando, mulheres na janela e um horizonte verde, independentemente do lugar que eu olhasse.

Outros cheiros, outros sons, outro tempo se fundindo em uma cidade conhecida pelo concreto, pela rapidez, pelas alturas dos prédios, por gente apressada e muito barulho.

Pronto, não tinha mais volta. Ao retornar para casa, escrevi um novo projeto e enviei para minha futura orientadora. Eu estudaria uma outra São Paulo.

Uma São Paulo que tem cachoeira, que tem onça… Arah! Mas a onça é parda e não pintada. E graças à Deus, nunca cruzei com uma.

Vi Bromélias, manacás de encher os olhos, plantação de tuia-holandesa. Tinha também macacos, ovelha, além das temidas aranhas. Cobra só vi a pele, e fugi. Também tive que correr de umas vacas brabas, porque lá também tem um lado meio rural.

Voltei para casa muitas vezes com as botas cheias de barro. Mas tudo bem. Como eu estava feliz.

E tinha as pessoas. Ah, que delícia! Quantas conversas tive em quintais verdes, enquanto tomava um cafezinho. Sou eternamente grata pelos cuidados, pelo carinho e, acima de tudo, pela confiança em contarem tanta coisa sem nada em troca.

Foram dois anos gastando quase 3 horas para ir e mais 3 para voltar. Mas valeu a pena. Até hoje lembro de muitas falas, dessas pessoas as quais mesmo com todas as dificuldades não abrem mão de viver tão perto de uma natureza mais bruta, porém não menos bela.

Sinto falta do cheiro, daquela sensação de liberdade, de calma, de ter sido transportada para uma São Paulo que se converte em mata, que agrega o bicho-homem com o bicho-bicho que ainda tem água limpa.

Culpa da CBN, a qual sempre serei grata!

Joelma Melo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Daniel Mesquita.  Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo