Avalanche Tricolor: muito mais do que uma vitória!

Grêmio 3×2 Flamengo

Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre/ RS

Há momentos que fazem a história de um time. Há outros que os colocam em seu devido lugar. O Grêmio esteve nesse limiar, nesta noite de quarta-feira, em Porto Alegre. No seu pior momento no campeonato, deparou-se com seu maior algoz dos últimos anos. Em campo, não contava com toda sua força, começando pela ausência do principal reforço e quarto maior goleador do mundo, Luis Suárez. Nas arquibancadas, enfrentava um torcedor desconfiado.

Mais do que a performance em campo, a vitória era essencial para mostrar ao Brasil a grandeza do nosso futebol. Uma derrota nos relegaria ao oitavo lugar da competição, além do risco de entrar em uma espiral descendente sem retorno. E foi diante dessa iminência que se desencadeou uma reação surpreendente para quem vinha observando o time perder força, principalmente na segunda metade do Brasileiro.

Em 10 minutos, jogadores que vieram do banco, ainda muito jovens e sem a experiência das estrelas que brilhavam pelo adversário, revitalizaram o futebol gremista. Demonstraram uma desenvoltura que não se via durante quase toda a partida, muito menos nas anteriores.

O gol de empate veio dos pés de Ferreirinha, alvo de reclamações da torcida há algum tempo. O da virada foi de Nathan Fernandes, que, com apenas 18 anos, teve a audácia de enfrentar os grandalhões dentro da área e chutar cruzado para marcar. O gol da vitória veio de André, com apenas 21 anos, através de um chute seco e certeiro. Em todos os gols, a presença marcante de Villasanti, que lutou incansavelmente e se posicionou à frente para colocar seus companheiros em condições de marcar.

O resultado de hoje representa muito mais do que uma simples vitória. Mais do que apenas interromper uma incômoda sequência de derrotas para o mesmo adversário. Mais do que o fim de uma série de deslizes que nos afastaram do topo da tabela. O 3 a 2 desta noite evidencia que o Grêmio reconhece sua grandiosidade na história do futebol e honra a marca que o consagrou: a da Imortalidade!

Dez Por Cento Mais: mulheres inspiradoras compartilham experiências na superação do Câncer de Mama

Projeto Ka.ora ajuda mulheres com câncer de mama Foto: divulgação

Três mulheres unidas pelo propósito de informar, proteger e cuidar da saúde feminina alertaram sobre a necessidade de superar os tabus persistentes relacionados ao câncer de mama. Cristiane Valentini, Vanessa Faro e Claudia Talermann compartilharam suas experiências e enfatizaram a importância do apoio mútuo nessa jornada, no programa Dez Por Cento Mais, no YouTube.

A entrevista, comandada por Abigail Costa, foi emocionante e esclarecedora, e as três convidadas destacaram a necessidade de conscientização ao longo do ano, não apenas durante o mês do Outubro Rosa, que é dedicado a prevenção ao câncer de mama. Elas encorajaram as mulheres a falarem abertamente sobre essa condição que afeta tantas vidas.

As histórias de superação

Cristiane Valentini, neuropsicóloga clínica e membro da equipe do projeto Ka.ora, tem como objetivo a reabilitação física e mental de mulheres com câncer de mama na região de Santos, litoral paulista. Ela enfatizou a importância do exercício físico em todas as fases do tratamento, destacando o papel do remo como uma atividade que promove não apenas a saúde física, mas também o fortalecimento mental e emocional das participantes.

Vanessa Faro, uma jornalista esportiva e paciente oncológica que descobriu o câncer de mama em 2020, compartilhou sua experiência ao fazer parte do projeto Ka.ora e como o esporte, especialmente o remo, desempenhou um papel crucial em sua recuperação e transformação. Vanessa enfatizou a importância de enfrentar o câncer com positividade e humor, o que a levou a criar a persona “Patricinha Casca Grossa” nas redes sociais.

Claudia Talermann é fisioterapeuta com mais de 30 anos de experiência. Ela coordena a equipe de fisioterapia na gestão de pacientes internados e da Oncologia do Hospital Albert Einstein. Claudia descobriu que estava com câncer de mama aos 35 anos quando seus dois filhos ainda eram pequenos. Ao longo dessa jornada, enfrentou desafios inesperados. Dezoito anos depois, deparou-se com um tumor no cerebelo. No entanto, Claudia não vê com tristeza as histórias que tem para contar porque, afinal, está aqui para compartilhá-las, e isso é o que importa.

Na entrevista, Abigail Costa abordou a importância da rede de apoio emocional e familiar durante o tratamento do câncer, enquanto cada uma das convidadas destacou a transformação pessoal e a força que encontraram ao longo de suas jornadas. Elas também ressaltaram que, embora o câncer de mama seja um desafio, a positividade, a determinação e o apoio são elementos essenciais para enfrentar essa condição.

A doença ressignificou a vida

Claudia explicou que, durante o tratamento do câncer de mama, enfrentou vários sentimentos e transformações. Ela destacou a queda de cabelo como uma das partes mais difíceis de lidar, pois é algo que torna visível para os outros que você está passando por um tratamento de câncer. Inicialmente, Claudia usou peruca, mas depois ganhou força para enfrentar a perda de cabelo e mostrar sua verdadeira essência.

“A queda do cabelo para uma mulher é muito desafiadora. Você dorme um dia com cabelo e acorda no dia seguinte com metade do cabelo que tinha. Você olha e pensa: meu Deus, o que farei agora?”

O momento mais desafiador para a fisioterapeuta, porém, foi quando, depois superar a doença na mama, descobriu um tumor no cerebelo após uma viagem à Disney. Ela recorda a angústia de ouvir o diagnóstico, mas um de seus filhos, Guilherme, a motivou a não desistir. Claudia passou por uma cirurgia e superou essa fase difícil.

Claudia Talermann compartilhou sua jornada de superação e ressaltou que, apesar das cicatrizes físicas e emocionais deixadas pelo câncer, é possível encontrar luz no fim do túnel. Ela enfatizou a importância de encarar o câncer como um desafio que pode levar a uma ressignificação da vida. E disse que por meio do apoio da rede de amigos e familiares, é possível enfrentar o câncer e emergir mais forte. O amor e o apoio são essenciais na jornada de combate à doença, lembrou.

O esporte ajudou a superar o câncer de mama

A entrevista também incluiu interações dos espectadores, muitos deles demonstrando admiração e apoio à Claudia e às outras entrevistadas. Vanessa Faro compartilhou como o esporte a ajudou em sua jornada de recuperação e ressaltou a importância da atividade física na prevenção e no tratamento do câncer.

Vanessa Faro, uma das convidadas do programa, é uma mulher determinada. Ela falou sobre o Projeto Ka.ora, em Santos, que visa apoiar mulheres que enfrentam o câncer de mama. Vanessa compartilhou sua própria experiência como paciente e a importância de buscar os direitos como cidadãs. Ela encorajou as mulheres a procurarem projetos sociais semelhantes em suas cidades e a não hesitarem em pedir ajuda.

A jornalista esportiva também destacou a importância da rede de apoio, referindo-se carinhosamente às suas companheiras de luta como “meninas”. Ela enfatizou que somente aqueles que passam pela mesma experiência podem verdadeiramente compreender os desafios e as emoções envolvidas.

É preciso falar sem vergonha 

Christiane Valentini trouxe à tona questões importantes, como ressecamento vaginal, falta de libido e insônia, que muitas vezes são efeitos colaterais do tratamento do câncer de mama. Ela enfatizou que esses são tópicos que as mulheres frequentemente têm vergonha de discutir, mas são cruciais para a qualidade de vida das pacientes.

A neuropsicóloga incentivou as mulheres a não terem vergonha de falar sobre esses temas com seus oncologistas e a buscar ajuda para melhorar sua qualidade de vida. Ela também ressaltou a necessidade de os familiares que cuidam de pacientes com câncer também procurarem apoio e terapia, pois a jornada é desafiadora para todos os envolvidos.

Foi uma noite emocionante e inspiradora, repleta de lições de superação e esperança, que deixou claro que o Outubro Rosa é mais do que uma campanha de conscientização; é um movimento de apoio e solidariedade entre mulheres que compartilham suas histórias e forças para enfrentar o câncer de mama. Elas nos lembram que, com amor e apoio, é possível vencer os desafios do câncer de mama.

Assista ao Dez Por Cento Mais

O programa Dez Por Cento Mais traz entrevistas inéditas todas às quartas-feiras, às 20 horas, no YouTube. É apresentado pela jornalista Abigail Costa e a psicóloga Simone Domingues. O Dez Por Cento Mais também pode ser ouvido no Spotify.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: razão ou emoção, uma dança complexa no comportamento do consumidor

Photo by Sam Lion on Pexels.com

“A gente tem razão e emoção ambas ativadas antes mesmo de pôr os pés na loja.”

Cecília Russo

Na hora de decidir qual marca ou produto comprar, uma série de fatores influencia o comportamento do consumidor. Um dos dilemas mais fascinantes que eles enfrentam é a escolha entre a razão e a emoção. No programa “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso,” Jaime Troiano e Cecília Russo analisaram essa questão crucial e exploraram até que ponto a lógica e o sentimento influenciam nossas escolhas.

Razão e Emoção: Uma Dança Complexa

Cecília Russo entende que este é um processo complexo. Ela ilustra o tema com um exemplo prático de um casal escolhendo porcelanato para a cozinha. Antes mesmo de entrarem na loja, eles já estão munidos de informações racionais, mas também cheios de expectativas e sonhos, o que demonstra que tanto a razão quanto a emoção desempenham um papel desde o início.

“A gente já vai criando experiências, já se vê recebendo amigos naquele novo espaço da casa, longe da racionalidade.”

Cecília Russo

A conexão emocional surge assim que o consumidor começa a sonhar com os produtos ou serviços que estão prestes a adquirir. No entanto, o ambiente de compra também é crucial, com elementos como promoções, etiquetas de preço e até mesmo a interação com o vendedor influenciando nossa tomada de decisão.

Análise de Regressão: Descobrindo o Peso da Razão e da Emoção

Para determinar se a razão ou a emoção pesam mais, Jaime Troiano menciona o uso da estatística e, especificamente, da Análise de Regressão. Essa ferramenta estatística permite que os especialistas avaliem a importância relativa de diferentes fatores na escolha de uma marca ou produto.

“Quando se tem isso em mãos, não somos nós que vamos dizer se a escolha do piso foi mais emocional ou mais racional, os dados da regressão nos darão isso.”

Jaime Troiano

No entanto, Jaime enfatiza que não há uma resposta única, já que a influência da razão e da emoção pode variar dependendo da categoria de produto.

Conclusão: Uma Dança Complexa entre Lógica e Sentimento

No final, Cecília sintetiza o dilema ao afirmar que a razão e a emoção são praticamente indissociáveis. Ambas desempenham um papel importante na estratégia das marcas, e encontrar o equilíbrio certo é essencial. Não se trata apenas de preço ou paixão desenfreada; a escolha da marca é uma dança complexa entre lógica e sentimento.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O programa “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” é apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, aos sábados, às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN.

Avalanche Tricolor: cantas por quê?

São Paulo 3×0 Grêmio

Brasileiro – Morumbi, São Paulo/SP

Foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

A experiência do estádio ainda me surpreende. Os muitos anos de arquibancadas no Olímpico Monumental não foram suficientes para me oferecer todas as sensações que o futebol pode proporcionar — e quantas emoções eu lá vivi! Falo do Olímpico porque, quando a Era Arena se iniciou, já não vivia mais em Porto Alegre, o que me fez diminuir drasticamente a presença, ao vivo, nas partidas. Transformei-me em torcedor de sofá — que isso não seja visto como demérito, apenas como circunstâncias da vida.

Hoje, porém, dei-me o direito de assistir ao Grêmio no Morumbi. É aqui na vizinhança, pouco menos de 2,5 quilômetros de casa e a 10 minutos de carro. Tinha uma razão especial para ver a partida do estádio: Luis Suárez, nosso atacante que se encaminha para o fim da jornada com a camisa tricolor. É um privilégio ser torcedor de um time que tem um dos quatro maiores goleadores do mundo na ativa a lhe representar. Não canso de admirar o esforço deste gigante que faz o que está a seu alcance para tornar o Grêmio um pouco melhor do que é — não bastasse o talento com que toca na bola e chuta a gol, tem uma raça e uma forma de liderar exemplares.

De Suárez vi o que foi possível a medida que o time faz pouco para que ele apresente todo seu potencial em campo. Por mais que corra desesperadamente em busca de uma boa jogada, a companhia não colabora muito com a sequência do lance. O que me fez feliz em uma noite de infelicidade no futebol jogado no campo esteve na arquibancada do Morumbi, no pequeno e desconfortável espaço reservado à torcida adversária. 

No embalo da banda da Geral do Grêmio, os torcedores, mesmo descrentes em relação ao desempenho do time, entoavam cânticos de exaltação pelos feitos do Imortal. Faltava harmonia entre as letras que falavam de vitórias e conquistas e a performance da equipe. Essa dessintonia fazia do som emitido pelos torcedores algo ainda mais impressionante. Sinalizava o quanto eles (nós) têm noção da relevância daquele distintivo que carregamos no peito, do que representamos e alcançamos nessa longa jornada. 

O melhor foi reservado para depois do jogo. Após um jogo que jogamos abaixo da crítica, tão sem méritos quanto sem organização. Enquanto esperávamos a liberação policial para deixamos o estádio, a banda tocava de forma eletrizante. Dentre os torcedores que pulavam no ritmo das músicas, um menino de cabelos longos, nos ombros do pai, com a camisa de Suárez nas mãos, vibrava como se tivéssemos conquistado um título. Uma alegria contaminante! 

Foi na imagem daquele guri que me encontrei em sintonia com a história do Grêmio mais uma vez. A felicidade dele lembrou-me porque sou um apaixonado por este time. Por que cantamos mesmo quando em campo o time não encanta.

Mundo Corporativo: Leizer Pereira, da Empodera, diz que empresário reconhece o valor mas não prioriza a diversidade

Gravação online com Leizer Pereira, foto: Priscila Gubiotti

 “Ninguém quer se assumir como racista, machista ou homofóbico. Acho que o maior desafio está na resistência em reconhecer que você é parte do problema e também da solução. Existem os vieses inconscientes, que são os preconceitos que todos nós temos e que criam barreiras para as pessoas.”

Leizer Pereira, Empodera

Apesar de 94% dos líderes reconhecerem o valor da diversidade para atrair e reter talentos, a efetivação da diversidade como uma prioridade real cai pela metade. O Brasil, marcado por sua rica tapeçaria de culturas e histórias, ainda enfrenta desafios significativos quando se trata de diversidade e inclusão nas organizações. Esta não é apenas uma questão de justiça ou de fazer o que é moralmente correto; é também uma questão estratégica que pode impulsionar a inovação e a rentabilidade em um mundo corporativo em constante mudança.

Da conscientização à ação: a missão da Empodera

Leizer Pereira, fundador e CEO da Empodera, mergulha profundamente nesta questão em entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN. Ele destaca que, embora muitas organizações estejam cientes do valor da diversidade, ainda existe uma lacuna significativa na transformação dessa compreensão em ações concretas e sistematizadas.

“Eu acho que precisamos promover mais oportunidades para as pessoas. Promova oportunidades, equidade e deixa as pessoas crescer na velocidade do seu talento e esforço. Tem muita gente boa sendo deixada para trás nesse país. A gente não tem. A gente não tá com essa possibilidade de desperdiçar talento”

A Empodera, fundada em 2017, busca capacitar empresas a entender e abraçar verdadeiramente a diversidade. Além de focar na diversidade racial, a organização também aborda questões de gênero, LGBTQIA+, gerações e pessoas com deficiência, reforçando a ideia de diversidade de pensamento como chave para soluções criativas e integradas.

Desafios e oportunidades: a perspectiva pessoal de Leizer

A trajetória pessoal de Leizer Pereira, como um homem negro que cresceu na periferia do Rio de Janeiro e posteriormente ascendeu ao mundo corporativo, oferece uma perspectiva sobre os desafios e oportunidades presentes na jornada de inclusão. Ele argumenta que, enquanto o acesso ao ensino superior tem se tornado mais democrático no Brasil, ainda há um longo caminho a percorrer para garantir que os jovens, especialmente aqueles de origens desfavorecidas, estejam preparados não apenas academicamente, mas também emocional e culturalmente para os desafios do mundo corporativo.

Com o crescente reconhecimento da importância da diversidade, resta saber se as organizações brasileiras vão intensificar seus esforços para transformar palavras em ações e garantir que a diversidade e a inclusão sejam mais do que apenas palavras da moda, mas sim pilares fundamentais de sua cultura e estratégia.

“Então, as empresas ainda têm um longo caminho, porque elas são inclusivas para quem? Hoje não é para todo mundo. Então, a gente precisa construir essa organização inclusiva para todas as pessoas”.

Assista ao Mundo Corporativo no YouTube

  • Quando assistir: Quartas-feiras, às 11 da manhã, ao vivo.
  • Onde assistir: Canal da CBN no YouTube.
  • No ar: sábado no Jornal da CBN e domingo, às dez da noite.
  • Podcast: no site da CBN, no Spotify ou na Alexa.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Renata Barcellos, Priscila Gubiotti, Letícia Valente e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: meu casamento no Mosteiro de São Bento

Por Paulo Monteiro da Paixão

Ouvinte da CBN

Foto do site Mosteiro de São Bento

Sou paulistano e nasci no bairro do Tatuapé em 1963. Hoje estou aposentado e tenho esposa, dois filhos, uma neta e um genro. Eu e minha esposa moramos no bairro de Vila Guilhermina, na zona leste. Minha filha, genro e neta vivem na Vila Ré. O filho mora no Morumbi.

Meu depoimento, creio ser raro. Eu e minha esposa nos casamos na igreja em 30 de junho de 1984. Na época, eu, um jovem estudante, frequentava regularmente as missas diárias das sete da manhã no Mosteiro São Bento, no Largo São Bento, antes de ir para a escola — o curso preparatório para cadetes do ar, na avenida Prestes Maia.

Quando decidimos nos casar, ambos com 20 anos, resolvemos que a cerimônia seria no mosteiro. Foi um desafio agendar.

O mosteiro, naquele tempo, celebrava apenas um casamento por mês. Contudo, superamos as dificuldades com o auxílio de um monge muito atencioso que cuidava dessa questão. Fizemos o curso na igreja e notifiquei o DSV — era obrigatório na época para saber quais ruas estariam liberadas no centro, no sábado à tarde, para a celebração.

A cerimônia começou às seis horas em ponto, pois os monges tinham seus rituais religiosos marcados para as sete da noite. Não poderia haver atraso. Exatamente no horário, minha noiva adentrou a igreja sob o som dos sinos, e o órgão de tubos acompanhou toda a celebração. Quem a celebrou foi o diretor da empresa em que eu trabalhava. Ele era um padre. Às seis e meia, após o beijo na noiva, a cerimônia se encerrou.

Durante todos esses anos, nunca conheci alguém que tenha se casado naquela igreja. Fomos privilegiados por celebrar o momento mais importante de nossas vidas em um marco de São Paulo.

Na cidade, trabalhei como office boy. Conheci toda São Paulo andando de ônibus e a pé. Porém, o Largo São Bento, o Mosteiro, a Igreja e a cerimônia perpetuam em minha memória até hoje.

Paulo Monteiro da Paixão é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros episódios, visite o blog de miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: entre livros e maldições

Grêmio 1×2 Athletico Paranaense

Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre/RS

Iturbe comemora seu gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Na fila do livro “Amazônia na encruzilhada”, de Miriam Leitão, a conversa era sobre jornalismo, rádio, literatura e meio ambiente. Ninguém se aproximou para puxar assuntos do futebol. Ainda bem! Cheguei cedo na Livraria da Travessa, no Shopping Iguatemi, neste início de noite, em São Paulo. Quando se trata de livros de autores renomados e queridos, a concorrência por lugares na fila costuma ser intensa. Chegar atrasado significa esperar por horas para ter a oportunidade de cumprimentar a autora e receber um autógrafo.

Quando cheguei, Miriam já estava por lá e recebendo o carinho de amigos e a atenção de jornalistas que foram cobrir o lançamento. Logo a encontrei, agradeci pela bela obra que valoriza a maior riqueza que o Brasil tem e vive sob ameaça: a Amazônia. Em troca, além da gentileza de sempre, fui presenteado com palavras da autora e um autógrafo que ficará guardado entre meus livros queridos na biblioteca que mantenho em casa. Na biblioteca e no coração.

Na livraria, além de olhar os demais livros expostos, um prazer que mantenho no meu cotidiano, conversei com mais alguns colegas de profissão e tomei o caminho de volta para casa. O trânsito era intenso. A cara de São Paulo. O que me impediu de assistir na televisão ao primeiro tempo da partida do Grêmio. O recurso foi o rádio. E no rádio, além do gol de Iturbe, bem no começo do jogo, só ouvi sofrimento, reclamações e previsões catastróficas. Todas se realizaram.

Cheguei em casa no intervalo quando as equipes estavam em campo para iniciar o segundo tempo e o Grêmio já estava com nova formação. Assim que a bola começou a rolar, a impressão é que tanto os comentaristas quanto os torcedores ouvidos na rádio tinham assistido à outra partida. Passamos a pressionar, a impedir o avanço do adversário, a incomodar no ataque e dar sinais de que a vitória era iminente. Bastava um pouco mais de ajuste no chute final. Cheguei a me entusiasmar. Mas o que era entusiasmo virou ilusão. E da ilusão à frustração.

Nos minutos finais, quando estávamos nos acréscimos, o pior dos mundos se desenhou. Tanto insistimos em tomar um gol que o gol se realizou. Daqueles que costumávamos fazer e que, nestes últimos tempos, sei lá por qual motivo, se transformaram na nossa maldição. É quase como se os deuses do futebol, aqueles mesmos que nos deram o dom da Imortalidade, tivessem se reunido e decretado: vocês não fazem por merecer! Será?

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: como aproveitar melhor o calendário da porta da geladeira 

 

Foto Pexels

“As datas comemorativas do calendário anual estão aí à nossa disposição. Concentrem-se em algumas especiais para sua marca. Usem mas não abusem”

Jaime Troiano

Calendários fazem parte do dia a dia de muitos lares.  Na porta da geladeira, é inevitável encontrar algum dos muitos tipos de “folhinhas” que destacam feriados e datas comemorativas. O ouvinte do Jornal da CBN sabe bem do que estamos falando. Além de servirem para assinalar datas especiais, têm um papel crucial no universo das marcas. Estas datas, que vão desde o Natal e Réveillon até o Dia da Consciência Negra, estão ali, à disposição das marcas, esperando ser aproveitadas com sabedoria e autenticidade. 

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo enfatizaram que o sucesso no aproveitamento dessas datas não está apenas em se manifestar, mas saber como e quando fazer isso. Para algumas marcas, como aquelas ligadas à gastronomia, certas datas são inerentes ao seu DNA, como o Natal para marcas de peru. Já marcas de roupa possuem uma maior flexibilidade, podendo se vincular ao Dia das Mães ou Dia dos Pais, por exemplo.

Evitando Estereótipos e Manipulações

No entanto, é fundamental que essa associação seja genuína e respeitosa. Uma marca de eletrodomésticos, por exemplo, precisa ter cautela ao associar o Dia das Mães apenas a atividades domésticas. É vital entender que as datas comemorativas devem ser usadas como momentos de homenagem sincera, e não de forma manipulativa.     

“Já vi empresas de eletrodomésticos aproveitando o dia das mães, promocionalmente. Achei de muito mau gosto. Lembra de atividades domésticas que nessa hora não é do que as mulheres querem ser lembradas”.

Cecília Russo

Marcas e Rituais: A Força da Tradição

Algumas marcas têm feito isso de forma tão significativa que suas campanhas tornam-se rituais anuais esperados pelo público. Quem não se lembra das panetones da Bauducco indicando a proximidade do Natal? Ou jingles antigos que, ainda hoje, remetem a momentos especiais do ano?

Ao final, a mensagem é clara: datas comemorativas são uma ferramenta poderosa para as marcas, mas seu uso requer discernimento e autenticidade. Concentrar-se em datas que realmente façam sentido para a marca e evitando excessos é o caminho. E, claro, sempre comemorar e valorizar todos os dias, seja ele voltado para um grande público ou para um grupo específico, como o Dia do Meteorologista, que, aliás, é comemorado no dia 14 de outubro.

E você, empreendedor e profissional liberal? Está pronto para fazer de sua marca um sucesso, aproveitando as datas comemorativas com autenticidade e respeito ao seu público?

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O programa “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, vai ao ar aos sábados às 7h50 no Jornal da CBN, e tem a participação de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Sabrina Zanker, da L’oréal Luxo, convida às empresas a se envolverem em causas sociais e investirem em líderes femininas.

Sabrina Zanker no estúdio do Mundo Corporativo da CBN Foto: Priscila Gubiotti

“Se você se engajar com causas, você ser uma empresa que acolhe bem, tem um bem-estar para aquele colaborador, promove a diversidade no ambiente de trabalho e fora do ambiente de trabalho e promove transformação na sociedade, eu acho que isso é fundamental para você recrutar pessoa,s também manter pessoas engajadas e motivadas a trabalhar na sua empresa”

Sabrina Zanker, L’Oréal Luxo

No cenário corporativo moderno, a responsabilidade das empresas vai muito além de simplesmente gerar lucros. As organizações têm a oportunidade e, muitos argumentariam, a obrigação de desempenhar um papel ativo na transformação social. Esse engajamento em ações sociais não apenas reflete uma missão e visão alinhadas com valores sociais, mas também demonstra uma liderança que busca transformar a vida das pessoas. Essa é a opinião de Sabrina Zanker, diretora geral da L’oréal Luxo, convida do programa Mundo Corporativo, da CBN.

Um aspecto importante dessa transformação é o acolhimento. Em um mundo onde muitas pessoas enfrentam desafios emocionais, como depressão e abusos, as empresas podem oferecer um ambiente seguro e acolhedor. No entanto, é essencial que o engajamento seja autêntico. Com o aumento do acesso à informação, consumidores e stakeholders podem facilmente discernir entre ações genuínas e aquelas feitas meramente por razões de imagem.

Há um benefício direto para as empresas que escolhem se engajar autenticamente em causas sociais. Além de reforçar a imagem corporativa, essa autenticidade tem um efeito profundo no moral e na retenção de funcionários. As novas gerações, em particular, valorizam empresas cuja cultura e valores refletem suas próprias crenças e identidades. A promoção da diversidade e a contribuição ativa para a transformação social tornam-se elementos fundamentais na atração e retenção de talentos.

“As empresas têm que se posicionar de acordo com a sua missão, com seu propósito, fazer causas que realmente tenham conexão com isso. Aí de fato vai ter esse acolhimento, esse papel de transformação, e isso vai repercutir de maneira muito natural na sua imagem corporativa”

Abuso Não é Amor: uma iniciativa global

Com tantas causas sociais que merecem atenção, como uma empresa decide onde concentrar seus esforços? A autenticidade, mais uma vez, é a chave. As ações devem ser alinhadas com o propósito e a missão da empresa. Para a L’Oréal Luxo, por exemplo, o empoderamento feminino é uma causa intrinsecamente ligada à marca, tornando-a uma escolha natural para o seu engajamento.

Uma dessas ações que merece destaque é a campanha “Abuso Não é Amor”, focada em reconhecer e combater relacionamentos abusivos. Esta é uma questão que transcende fronteiras nacionais, impactando mulheres de todas as origens e estratos sociais.

A campanha colabora com organizações e plataformas para educar e informar sobre os sinais de um relacionamento abusivo, com o objetivo de prevenir a violência antes que ela comece. A parceria com Instituto AzMina, conhecido por seu trabalho em empoderamento feminino, é um exemplo de como a campanha busca alcançar sua missão.

Desenvolvimento de carreira e superando obstáculos

No contexto de avanço profissional, Zanker destaca a importância da rede de apoio e da sororidade. Ter um círculo de confiança e apoio é crucial para superar a  “síndrome do impostor”, um fenômeno comum entre mulheres que questionam suas próprias habilidades e realizações. Para combater essa síndrome, ela sugere auto-reflexão, terapia e o reconhecimento e aceitação de suas vulnerabilidades.

Além disso, Zanker aponta a maternidade como uma experiência que pode proporcionar aprendizado e crescimento, desafiando a noção de que ser mãe é um obstáculo na carreira de uma mulher. Em sua visão, a maternidade pode desencadear qualidades e desenvolvimentos valiosos que beneficiam o ambiente de trabalho.

Trajetória profissional e o papel da líder feminina

Com uma formação em comunicação, um MBA em finanças e formação em psicanálise, Zanker é um exemplo de um perfil multidisciplinar. Sua curiosidade e desejo de ver negócios de uma perspectiva holística a levaram por diversos caminhos e indústrias, construindo uma carreira diversificada e rica em experiências. Começando sua carreira na L’Oréal como trainee, ela traçou seu caminho através de diferentes áreas, desde finanças até marketing, moldando seu perfil como uma líder versátil e bem-arredondada. Em 2020, ela retornou à empresa e um ano depois foi convidada para ocupar o cargo de diretora-geral.

As empresas têm um papel significativo a desempenhar na transformação social e na promoção da equidade de gênero. Líderes como Sabrina Zanker exemplificam a capacidade das mulheres de ascender a cargos de liderança e influenciar positivamente o ambiente corporativo. Seu compromisso com o engajamento autêntico e a promoção de outras mulheres é uma inspiração para futuras líderes.

“Quando a gente fala de o papel de uma liderança feminina, eu acho que o que a gente busca na verdade é normalizar o papel da mulher em espaços que foram exclusivamente ocupados por homens”.

Assista à entrevista com Sabrina Zanker, da L’Oréal Luxo

A gravação do Mundo Corporativo pode ser assistida, ao vivo, às quartas-feiras, às 11 da manhã, no canal da CBN no Youtube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingos, às dez da noite, em horário alternativo. O Mundo Corporativo também está disponível em podcast. Colaboram com o programa Renato Barcellos, Priscila Gubiotti, Letícia Valente e Rafael Furugen

Conte Sua História de São Paulo: a camisa 10 de Pelé no Museu do Futebol

Por Sérgio Yunes

Ouvinte da CBN

A tarde quente e ensolarada de janeiro tornou ainda mais agradável a chegada à Praça Charles Miller, onde fica o Estádio Municipal do Pacaembu. Era 2019. O estádio ainda não passava por reformas, funcionava normalmente, inclusive naquela noite receberia uma partida pela primeira fase do Paulistão: São Paulo e Guarani de Campinas.

No vasto largo, vendedores ambulantes dos mais diversos tipos já se postavam, embora ainda fosse cedo. A polícia também estava presente, com soldados a pé e viaturas. Olhando tudo isso e driblando a todos eles, como convém ao histórico local, tomei o rumo do estádio. Meu destino não era o campo de jogo ou as arquibancadas, mas sim o Museu do Futebol, um dos principais pontos turísticos da cidade.

E como sou fanático pelo esporte desde 1970, quando fui apresentado ao jogo dos 11 pelo maior time de futebol de todos os tempos, a seleção brasileira daquela Copa do México, a visita ao Museu era mais do que obrigatória, era uma necessidade. Antes, uma ótima surpresa. Mesmo em preparação para o jogo da noite, os acessos à parte interna do Estádio estavam abertos à visitação. Cruzei os portões e logo cheguei ao campo. Arquibancadas, pista e gramado mostraram-se galantes, tudo prontinho para a partida e para receber as torcidas.

O velho e histórico estádio revelava seu charme, encantamento e força. Aliás, força não só dele, mas de todo o futebol brasileiro, com placas em homenagem às conquistas da Seleção Brasileira, com os nomes de todos os jogadores.

Visto e sentido tudo isso, era hora de entrar no Museu. No caminho, a loja do Futebol. Como lembrança, um imã de geladeira com a imagem do Estádio. Ali ao lado, no café do Pacaembu, um jornalista começava a preparar os primeiros materiais para a cobertura do jogo. Ingresso na mão, comecei o passeio pelo imenso universo do esporte mais popular no mundo.

Escudos, fotos, vídeos, gravações, camisetas, arquivos históricos, listas de clubes, músicas e até uma biblioteca, talvez a mais completa para estudos sobre a modalidade. Mas foi na parte final da visita que presenciei algo impressionante, algo quase inacreditável. 

Amarelinha, incrivelmente nova e perfeita, como foi o futebol de seu dono. Lá estava ela, a camisa número 10 de Pelé. E não era qualquer 10 de Pelé, se é que é possível existir isso, era a camisa usada pelo Rei na final da Copa de 70.

Peça sem preço, de valor inestimável para toda uma nação e para o mundo, estava ali, venerada como um altar que homenageava a paixão e um dos homens mais amados do planeta. Impossível não ficar encantado ou hipnotizado ao olhar a vestimenta, imaginando os movimentos geniais, sagrados e míticos que recebeu naquele jogo contra os italianos. Impossível não devorar com os olhos cada detalhe da peça, do histórico escudo da CBD à etiqueta do fabricante, uma multinacional de material esportivo, colocada na parte interna, sem ficar à mostra. Naquele tempo não havia o marketing de hoje. Toda lisa, num amarelo dominante com gola e bordas das mangas em verde, certamente era a principal peça do Museu e alvo maior dos visitantes.

Ainda atônito por ter estado tão perto daquela peça icônica, que poderia ter tocado não fosse o vidro de proteção, encerrei o passeio pelo Museu e pelo Estádio. Ganhei novamente a praça Charles Miller, que já começava a receber os primeiros torcedores para o jogo da noite, afinal a bola, o campo e o gol precisavam continuar a prestar suas homenagens a quem os tratou com tamanha majestade.

Ouça o Conte Sua História com o gol de Pelé na final de 70

Sérgio Yunes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros episódios, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.”