Mundo Corporativo: Leandro Faria, da CBA, destaca os dois grandes desafios da COP27

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“É fundamental dizer que o efeito da mudança climática já acontece hoje, e a ação precisa ser já”

Leandro Faria, CBA

A presença de empresas e indústrias tem aumentado nos debates sobre as mudanças climáticas da mesma forma que cresce a responsabilidade da iniciativa privada no cumprimento de metas e normas discutidas na conferência do clima —- como a COP27, que se inicia neste domingo, no Egito. Essa maior participação se dá porque o setor produtivo está convencido de que as mudanças são relevantes para a sustentabilidade dos negócios, de acordo com Leandro Faria, gerente geral de sustentabilidade da CBA — Companhia Brasileira de Alumínio, em entrevista ao Mundo Corporativo.

“O Fórum Econômico, por exemplo, posiciona a mudança do clima ou o combate aos efeitos de mudança climática como o principal risco na matriz de riscos global. Então, dito isso, é fundamental que empresas que na sua atividade influenciam a mudança do clima se preparem para contribuir”

A conferência do clima é o maior evento de negociações da pauta climática do mundo. As diretrizes e acordos negociados entre nações e organizações sociais e empresariais influenciam diretamente as tomadas de decisão das corporações. Para este ano, a expectativa é enorme porque será o primeiro encontro desde que se superou a pandemia da Covid 19 e, ao mesmo tempo, se enfrenta um crise energética provocada pela Guerra da Rússia na Ucrânia:  

“Nós esperamos especialmente para esse ano da COP27 que mecanismos e métodos, do mercado de carbono e do sistema de financiamento de descarbonização, avancem”.

O processo de descarbonização deve acontecer através da redução das emissões de carbono, passando de uma economia baseada em combustível fóssil para combustível renovável; na implementação de tecnologias que removam da atmosfera carbono que já esteja presente; e através da adaptação daquelas regiões afetadas pelas mudanças climáticas:

“Por exemplo, há regiões onde ocorre a produção de alimentos que sofrem atualmente com a alteração do ciclo de chuva que cria condições difíceis ou reduze a produtividade. Será preciso, então, realizar a adaptação desse cenário para que os impactos que hoje nós já sentimos sejam mitigados ou eliminados ao longo dos próximos anos”.

De acordo com Leandro Farias, a descarbonização é um eixo central na estratégia da Companhia Brasileira de Alumínio e, atualmente, já se produz alumínio com impactos cinco vezes menores do que a média global. Isso significa dizer que a CBA emite 2,56 toneladas de CO2 por tonelada de alumínio produzido enquanto a média mundial no setor é de 12,8 toneladas. A meta da companhia é ainda reduzir em 40% as emissões, alinhando-se as ambições da COP de alcançar a neutralização no futuro.

O financiamento para que haja a transição para uma matriz energética mais renovável é fundamental, segundo Leandro. Será necessário encontrar uma solução a despeito das restrições orçamentárias, porque o custo das mudanças climáticas é muito maior — calcula-se que tenha atingido US$ 170 bilhões, em 2021. De forma prática, no primeiro semestre deste ano, a onda de calor na Europa causou preocupação em relação a dilatação dos trilhos ferroviários. Imagine o tamanho das perdas em caso de paralisação deste tipo de transporte no continente.

“(neste tema) é relevante a participação do alumínio, porque o alumínio está presente no painel solar, na pá eólica e na redução de peso de veículos que permitirá sua eletrificação. Então, é fundamental que mecanismos de financiamento criem um espaço para que a indústria possa buscar condição de reduzir ou de diversificar essa matriz energética”. 

Assista à entrevista completa no Mundo Corporativo e saiba a opinião de Leandro Farias, gerente geral de sustentabilidade da CBA, sobre a importância do Brasil no combate às mudanças climáticas, as principais fontes de emissão de carbono e soluções que a companhia tem buscado para colaborar nesse enorme desafio que o mundo tem pela frente.

O Mundo Corporativo tem as colaborações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti. 

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:  cinco lições de branding que aprendemos nos livros

“Sem formação literária ou cultural, branding é um deserto”

Jaime Troiano

Está nos livros parte da inspiração que move nossa criatividade. É neles que surgem ideias e conhecimento que ajudam os gestores a desenvolverem suas marcas e mensagens. Quando tratamos desse assunto não estamos aqui falando apenas dos livros de negócios que, por óbvio, são fontes de informação importantes para o planejamento e as estratégias na construção da marca. Romances, novelas, histórias e ficção também se fazem necessários porque ajudam a compreender o mundo ao nosso redor e estimulam nosso pensamento.

Para contribuir nessa tarefa, Jaime Troiano convidou um grupo de pessoas que jamais havia tido a oportunidade de publicar seus textos em um livro para escrever sobre livros. Isso mesmo! A ideia foi incentivar esses “autores novatos” a levarem para o papel a história de livros que tocaram o coração deles. A primeira surpresa do organizador foi que todos os convites que fez foram aceitos. A segunda, que em cada capítulo, surgia uma nova lição a ser aplicada nas mais diversas áreas do conhecimento — e do branding, também, é lógico.

Leio, logo existo – relatos de como os livros encantam e transformam nossas vidas” (Editora CL-A Cultural) reuniu 22 autores dos quais apenas dois não podem ser considerados ‘novatos’: o próprio Jaime e a Cecília Russo, nossos colegas no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Foi na conversa com eles, aliás, que selecionamos cinco ensinamentos para quem trabalha com gestão de marcas. 

  1. É preciso mergulhar na alma humana — lição que surge a partir do destaque que alguns autores deram ao trabalho de antropólogos, essa gente que nos ajuda a entender nossa história e formação. Acompanhá-los é fundamental no branding.
  2. Obras mágicas estimulam o pensamento —  uma das autoras, Dafne Cantoia, escreveu sobre a magia da literatura que a levou conhecer Hobbit, de J.R.R.Tolkien, e o quanto esses textos estimularam seu pensamento em projetos de marcas. Para ela, Hobbit era mais do que uma aventura externa. Era uma jornada de conhecimento em si mesma.
  3. Inspire-se na ousadia e inovação das mulheres — os textos da escritora e jornalista Carmen da Silva, em sua coluna “A arte de ser mulher”, publicada na revista Cláudia, entre 1963 e 1985, foram destacados por Anna Russo. Era inovadora e ousada, características muito exploradas atualmente pelas marcas que falam com mulheres. Foi Carmen quem disse: “quem sabe os ensinamentos de nossos pais, tão sensatos e bem-intencionados, já não tenham total vigência no mundo tal como ele é hoje”. O hoje eram os anos de 1960.
  4. Mirem-se no exemplo das nossas mulheres — Pode parecer redundante com a lição anterior. É proposital. Se como dizem 70% das decisões de compra são feitas por mulheres, é de mulheres que o branding tem de entender. Uma boa maneira de olhar para o pensar feminino é “dar um pulinho” nos livros e contos de Clarice Lispector, citada no texto de Patrícia Valério.
  5. Fuce e escave sob a superfície — um dos textos fala em escavar sob a superfície e nos faz lembrar que os melhores trabalhos de branding são aqueles em que se faz a arqueologia dos comportamentos dos consumidores.

“O que os autores de “Leio, logo existo” fizeram foi buscar os vestígios importantes que livros deixaram em suas vidas, o que, no fim das contas, é o que grandes marcas, marcas de valor, marcas que têm um conteúdo afetivo fazem conosco. Deixam pegadas que nos ajudam a tomar decisões em nossas opções de compra”.

Cecília Russo

Ouça o comentário completo de Jaime Troiano e Cecília em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

Conte Sua História de São Paulo: a bordo do Trem de Prata

Júlio Araujo

Ouvinte CBN

foto: divulgação

Era o ano de 1995, mês de outubro, em que  aconteceu o trágico acidente com o avião Fokker 100 da TAM, nas proximidades do Aeroporto de Congonhas. Foi uma comoção nacional. Um dos maiores acidentes em todos os tempos no país. Muitas vidas perdidas, cerca de 100 mortos, na maioria empresários e  executivos com carreiras promissoras.

Muito triste!

Eu era um usuário frequente da TAM nas viagens dentro do Brasil. O serviço era um primor. Em Congonhas,  a TAM oferecia  um café da manhã espetacular, sempre com um músico para entreter os passageiros, antes de embarcarem.  Isso sem contar as boas vindas que o comandante dono da empresa propiciava aos seus clientes. Era maravilhoso. Esse padrão de atendimento e cortesia eram marcas da empresa

Na semana seguinte ao acidente, eu teria que ir ao Rio de Janeiro,  a trabalho. Porém, tudo o que aconteceu com a queda do avião, confesso que havia me deixado bastante assustado. Pensava  diuturnamente  na tragédia . Eu não me sentia confortável em saber que teria que viajar de avião.

Poderia optar em ir de ônibus ou trem. Sim, de trem! Por que não? O Trem de Prata estava em atividade. Fazia as viagens São Paulo – Rio, partia da estação Barra Funda

Eu havia viajado de trem ao Rio uma vez somente, em 1985, quando ainda pertencia a Estrada de Ferro Central do Brasil (RFFSA), cujo nome do trem era Santa Cruz. Uma viagem inesquecível. Então, por que não reviver?

Era a oportunidade de conhecer o Trem de Prata, que não pertencia a RFFSA totalmente e, sim, era uma  parceria com uma  empresa privada. Eu sempre gostei de  viajar de trem. Não tive mais  dúvidas  tampouco receio: vou de trem!  Apesar  que o preço praticamente era o mesmo da ponte-aérea mas proporcionava o repouso em cabines individuais.

Chegou o dia, uma quinta- feira.

Já de uma certa distância quase chegando à estação,  eu conseguia avistar muitas pessoas aglomeradas no saguão bebericando e saboreando salgados e outras iguarias. Logo pensei.. a TAM era referência desse tratamento VIP, o acidente aéreo, infelizmente, poderá alavancar as viagens no Trem de Prata. O padrão dos passageiros era o mesmo, na maioria executivos, homens e  mulheres. Provavelmente moravam no Rio e voltavam para suas casas ou iriam a trabalho como eu. Eu estava esportivo com uma maleta a tiracolo.

Na chegada, no pequeno balcão, na entrada da estação, duas moças uniformizadas, uma delas perguntou o meu nome mas, depois de alguns segundos,  negativamente,  balançou a cabeça e disse: “

“O Sr. não consta na relação”

“Como??” retruquei. “Inclusive acompanhei a compra da passagem lá no escritório!”

Enquanto isso, eu mostrava as passagens  e, incontinente,  a moça que estava em pé percebendo a minha surpresa, colocou, de imediato em meu peito uma etiqueta adesiva com meu nome completo, manuscrito por ela, com aprovação da colega, que seria o meu crachá de identificação. Entrei.

Logo vieram pro meu lado garçons com  bandejas servindo cerveja, salgadinhos, vinho, patês… Havia o pianista que tocava sem parar, era um coquetel muito bom. Uma espécie de TAM dos trilhos

Mesmo tratamento VIP, mesma cortesia, tudo de bom. Comentei com  uma pessoa ao meu  lado dessa oportunidade da empresa  se consolidar no ramo de  transporte de passageiros

Depois de algum tempo,  lembro que um rapaz, provavelmente da empresa, aparece por trás de mim, me cutuca e pergunta se eu não ia embarcar no trem. Respondi  meio que protestando:

“Sim, mas a cerveja  tá campeã, geladinha, tô  sem pressa”

Mas estava quase na hora, não tinha jeito, o movimento  caía . E lá estava eu dentro do trem me acomodando na cabine e com muita vontade de ir até o vagão-bar para tomar outra cerveja, ou  como se diz: a saideira.

Foi quando conheci um publicitário no balcão do bar e ficamos conversando e bebendo algumas horas até um momento de recolhimento aos aposentos.

No outro dia, vagão restaurante, no café da manhã, o publicitário já estava em uma mesa, devidamente vestido como um executivo, eu idem. Novo dia de trabalho nos esperava.

Olhei para os lados, vagão com quase ninguém, duas ou três pessoas além de nós, estranhei  e perguntei ao publicitário:

“Cadê  aquele pessoal de ontem do saguão?

Ele respondeu:

“Pessoal?

Ahh!

“Não eram passageiros, eram convidados de lançamento de uma revista. O trem veio praticamente vazio”

Putz!! Atônito pensei: .fui um bicão na festa!!. Por isso que durante o coquetel muitos convidados me olhavam com desconfiança,  e, na hora, … nem desconfiei…

Esse momento em São Paulo foi inesquecível para mim. Gostoso de lembrar!

Júlio Araújo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Fique atento porque já estamos nos programando para mais uma série especial do Conte Sua História: escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para conhecer outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o nosso podcast.

Avalanche Tricolor: Feliz 2023!

Grêmio 3×0 Brusque

Brasileiro B (pela última vez) – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Gabriel Santos, esperança para 2023

Eu merecia! Você merecia! Um jogo tranquilo, sem compromisso. Com jogadores soltos em campo, trocando passe sem medo do erro.  Movimentando-se com leveza e destreza. Arriscando chutes de fora da área e tabelando na cara do gol. Com liberdade para criar e se movimentar. Assim foi a partida de despedida do Grêmio na Série B diante de sua torcida, na noite desta quinta-feira. 

O primeiro a brilhar foi Guilherme que marcou um golaço ao se livrar do marcador e bater forte e bem colocado — o primeiro dele desde que vestiu a camisa tricolor. Depois, foi a vez de Gabriel Silva, com seu bigode de pós-adolescente e cabelo cortado à moda antiga, que está apenas desabrochando no futebol. Marcou duas vezes — o segundo gol mais lindo do que o primeiro.  

Lá atrás, Adriel, com corpo esguio e movimentos seguros, pouco foi exigido, mas se fez presente quando requisitado. Mesmo que do goleiro se espere defesas precisas e bom posicionamento, confesso a você que me chamou atenção a forma como lança a bola com os pés e a intervenção que fez de cabeça em uma das poucas tentativas de contra-ataque do adversário. São sinais de um talento cada vez mais exigido à posição.

Na defesa, Bruno Alves apenas confirmou ter sido das boas contratações para a temporada, enquanto Kannemann, com todas as dificuldades físicas que encarou, tem de ter seu contrato renovado o mais rapidamente possível. Time que se preza não pode abrir mão de uma liderança como ele. Leonardo Gomes é outro nome que apareceu na reta final e precisa ser mantido na lateral direita.

No meio de campo, Villasanti é imprescindível; Lucas Leiva, necessário; e Bitello, uma revelação — foi nosso maior destaque no ano e fará diferença na Série A. 

Fora do jogo, vi Diego Souza, nome mais importante de nosso ataque, que estava no camarote comendo pipoca, na tranquilidade de quem sabe que fez o que precisava para nos devolver à Primeira Divisão. Se permanecer no elenco será jogador importante pelo que representa ao grupo, apesar de não ter capacidade de ficar em campo por muito tempo. 

Não vi Geromel, mas soube que treinou durante a semana, mesmo que tenha sido poupado depois da conquista alcançada. Hoje à noite, senti falta de uma homenagem ao capitão. Ele merecia essa menção, pois foi irretocável em todos os jogos que participou. O Grêmio lhe deve muito.

Tem ainda Biel e Ferreirinha, ambos em recuperação, que têm velocidade e podem dar ritmo ao time, em um esquema mais ajustado e num esquema mais bem treinado. Tem também Campaz — se o cito é porque ninguém pode ter custado tanto sem nunca nos oferecer muito. Quem sabe ano que vem não seja o ano em que seu futebol vai esplandecer.

O Grêmio precisará ir além para se fazer relevante nas competições que disputará em 2023. Por enquanto, vale o fato de termos nos credenciado a voltar para a elite do futebol brasileiro com duas rodadas de antecedência.  Que a nova direção saiba fazer do Tricolor um grande time e nunca, nunca mais nos faça passar o que passamos neste ano. 

Eu mereço! Você, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, merece! Um time melhor. E um Governo muito melhor para 2023.

Mundo Corporativo: “zero carbono” é prioridade para setor privado na COP27, diz Fabiana Costa, do Bradesco

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“Sustentabilidade não pode mais ser vista apartada da estratégia de negócios. Sustentabilidade é a estratégia de negócios.”

Fabiana Costa, Bradesco

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas  que se inicia na segunda semana de novembro, no Egito, está sendo posta como a derradeira discussão entre países na busca de desviar o planeta terra de um desastre ambiental. Com as crises provocadas pelo coronavírus e a guerra da Rússia na Ucrânia, ficou mais difícil alcançar as metas propostas nas conferências anteriores e o desafio precisará ser encarado por Estados, agentes públicos e empresas privadas. O Brasil enviará delegação de empresários disposta a apresentar práticas desenvolvidas no país, baseadas no tema da sustentabilidade.

Uma das instituições que estarão representadas no Egito é o Banco Bradesco, um dos três maiores do Brasil. No programa Mundo Corporativo, Fabiana Costa, gerente sênior de sustentabilidade do Bradesco, chamou atenção para o fato de que as conferências anteriores deixaram claro que as mudanças climáticas não são mais um risco emergente, são um risco consolidado e, portanto, as empresas precisam atuar em relação a essa agenda:

“Quando a gente olha a agenda climática, nós temos alguns desafios que é  entender qual que é o risco de tudo isso dentro da nossa atuação. Mas, também, de nos comprometer a apoiar os nossos clientes nessa agenda de descarbonização”.

Para a executiva, a agenda da sustentabilidade é colaborativa, depende de todos os setores e o privado é quem executa as estratégias de atuação. Explica que na COP as ideias são debatidas e, ao fim, todos levam do encontro lições de casa que precisam ser implementadas.  Às empresas cabe o papel de motor que alavanca a agenda de forma estratégica e convergente.

“Minha expectativa é alta (para a COP), eu acho que a gente tem uma pauta que é muito significativa que é a questão de descarbonização. Foi muito forte na última COP e eu acho que o ‘net zero’, toda essa agenda todo esse processo de implementação também vai ser muito relevante nessa COP”.

Fabiana lembra que o Bradesco foi um dos primeiros bancos brasileiros a mensurar a emissão de sua carteira de crédito e identificar qual o impacto disso no meio ambiente. Dentro da política de desenvolvimento sustentável foram criados três pilares: cidadania financeira, negócios sustentáveis e a agenda climática, sobre a qual falamos no início deste texto.

Para Fabiana , a cidadania financeira é a estratégia do banco comprometida em potencializar a a agenda de inclusão e educação financeira, e sintonizada as ODS — objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU:

“Como instituição financeira, nós temos um compromisso de trabalhar a educação financeira dos nossos clientes, da sociedade, por isso quando nós estruturamos a nossa agenda de sustentabilidade, olhando quais seriam os pilares principais de atuação do banco, a educação financeira foi um deles”.

No pilar de negócios sustentáveis a intenção é Impulsionar negócios de impacto positivo que fomentem o desenvolvimento socioambiental e, conforme, proposta do banco, a meta corporativa é direcionar R$ 250 bilhões para negócios sustentáveis até 2025 — até junho deste ano, 52% dessa meta já foi alcançada. 

“Além da meta nós fizemos todo um esforço aqui de capacitação e  engajamento de todos os nossos times corporativos para que eles tenham também esse entendimento e clareza; e levem isso para os clientes”.

Esse trabalho para capacitar e envolver todas as equipes internas, colaboradores e parceiros de negócio é um dos desafios do Bradesco, segundo Fabiana . Para ela é preciso desmistifica o assunto, falar de uma forma assertiva e ter uma estratégia que as pessoas entendam do que está sendo tratado. 

No programa Mundo Corporativo, Fabiana Costa também falou sobre políticas de diversidade, projetos apoiados pelo banco, formas de promover o tema da sustentabilidade na sociedade e como pequenos e médios empreendedores podem se engajar na agenda ESG. Assista ao programa completo:

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, no canal da CBN no Youtube, toda quarta-feira, 11h. O programa tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Conte Sua História no Rádio de São Paulo: a frustração no programa de auditório

Por Valdicilia C. Tozzi de Lucena

O rei do Rádio em foto de arquivo

Tenho uma história do rádio para contar. Aliás, a história não é minha. É, sim, da minha mãe. Minha mãe Ruth que faleceu em 2018 com 93 anos bem vividos. Uma pessoa de muita personalidade e corajosa. 

Dona Ruth nasceu em 1924, e, creio que essa história foi por volta de1950. Ela era a pessoa da família que saía para resolver todos os problemas de seus parentes. Então, era normal sair de Osasco — na época apenas um bairro de São Paulo — para o centro da cidade. Às vezes dava entrada em uma documentação e a solução seria no mesmo dia só que bem mais tarde. Então, o que fazer?

Enquanto esperava na cidade, minha mãe assistia aos programas de rádio que na época tinha auditório.  Ela sempre gostou muito disso, creio que se fosse jovem, hoje em dia, não perderia um show. 

Bem, mas voltando lá atrás. Coincidiu que estava num auditório e adivinha? O cantor a se apresentar seria Nelson Gonçalves. Ela adorava a voz dele, adorava suas músicas. Quando foi anunciado e Nelson Gonçalves apareceu no palco foi a maior decepção de sua vida. Como poderia alguém tão baixo, tão magro  nem tão bonito  ter uma voz tão maravilhosa!

Enfim, esse era o encanto do rádio naquela época. Você podia imaginar o seu ideal para  voz que ouvia.

Valdicilia C. Tozzi de Lucena e sua mãe, Dona Ruth, são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história da nossa cidade e envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br

Avalanche Tricolor: obrigado, Greg!

Náutico 0x3 Grêmio

Brasileiro B — Estádio dos Aflitos, Recife/PE

O abraço da vitória em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Greg,

Você e eu sabemos que o domingo foi estranho. E estamos cientes de que o próximo talvez seja ainda mais. As coisas que vêm acontecendo na política assustam e preocupam. Não estão do jeito que a gente gostaria. Acompanho de perto suas preocupações. Justificáveis, diante do País que você sonha viver: igualitário, justo e generoso — como você. 

A despeito dos acontecimentos e dos sentimentos que afloram, hoje também era um dia de remexer na nossa memória afetiva. Retomar as emoções que vivenciamos há 17 anos, quando você e o Lo eram guris de calça curta e cabelo comprido. Mal sabiam ainda o que levava o pai a sofrer desesperadamente diante da televisão que transmitia um jogo de futebol. Entraram no quarto, onde eu assistia ao despedaçar do meu time na Segunda Divisão, para entender meus lamentos. Logo se uniram a mim, me abraçaram e assim ficamos até o instante final quando vencemos o que ficou conhecido por “Batalha dos Aflitos”. O pai chorou e vocês, constrangidos com a cena, foram solidários.

Foi lá que vocês foram forjados gremistas, mesmo que você tenha vestido uma camisa tricolor ainda nos tempos em que dormia em um berço, quando fomos campeões brasileiros, em 1996, o ano que você nasceu. Foi lá que você entendeu que aquele time tinha uma importância para o seu pai que se sobrepunha à razão. E nunca mais me deixou só nesse sofrimento. 

Comemoramos títulos, vibramos com os gols, reclamamos dos jogos mal jogados e dos reveses nas nossas jornadas esportivas. Nos divertimos na final do Mundial e curtimos juntos a alegria dos torcedores pelas grandes vias e locais turísticos de Abu Dhabi. Ano passado, foi você quem me confortou na inevitável caminhada à Série B. E me ensinou que, independentemente da competição que estivéssemos disputando, seguiríamos vibrando com gols e lamentando as derrotas. Ou seja, nada nos faria deixar de ser gremista.

Neste ano, foi você quem esteve ao meu lado partida após partida. Ajudou-me a suportar o futebol enfadonho, encontrou consolo nos pontos perdidos fora de casa e na sequência de empates que nos impedia de acelerar a ascensão. Foi você quem me fez mais feliz a cada gol que comemorou comigo. 

Neste domingo, não seria diferente. Sem ser indiferente a importância e a gravidade do que acontece no Brasil, lá estava você sentado comigo diante da televisão para assistirmos ao Grêmio contra o mesmo adversário e no mesmo estádio de 2005. As circunstâncias eram outras, é claro. Não era vida ou morte. Não havia arquibancada lotada. Nem o oponente tinha mais qualquer chance de se manter na competição. Mas a memória estava fervilhante e a ansiedade era enorme. Confirmar a passagem à Série A com duas rodadas de antecedência era o mínimo que merecíamos depois desta temporada ingrata de 2022. 

A partida se fez fácil mesmo com o futebol difícil que jogamos. Quis o destino que a revelação do ano se sobressaísse aos seus: Bitello fez dois gols e renovou a esperança de que em 2023 vai brilhar no meio de campo gremista. Lucas Leiva, o volante cabeludo da “Batalha dos Aflitos”, que voltou da Europa para fazer parte desta campanha, agora jogando mais à frente, também marcou o seu para tornar ainda mais completa essa sua história com o Grêmio. 

Foi o segundo gol, o de Lucas Leiva, que me fez acreditar que nada mais nos impediria de subir. Foi a cena dele abraçado, em comemoração, a Geromel —- ninguém mais merecia esse retorno do que nosso capitão —- e a Diego Souza —- minha reverência a nosso goleador —, três ‘veteranos’, que me fez cair em emoção. 

O desejo era de virar criança mais uma vez, correr para abraçar o pai e ser abraçado por ele. O pai não está mais entre nós. Contive-me! Ou quase! Os olhos marejaram, a lágrima escapou e escorregou pelo rosto, sem que eu conseguisse esconder a vergonha daquele sentimento. Você, cúmplice, me poupou. Compartilhou sua alegria. E foi parceiro como sempre! 

Ao seu lado, estamos de volta à Série A! E por ter sido ao seu lado, essa caminhada foi bem menos árdua do que poderia ter sido diante da conjuntura que enfrentamos — no futebol e no País. 

Obrigado, parceiro!

Mundo Corporativo: José Marcelo de Oliveira, do Hospital Oswaldo Cruz, fala do desafio de ser inovador aos 125 anos

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“Essencial é trazer a visão do cliente para dentro. Essa visão de cliente é o que desempata os dilemas e as discussões e o que alinha os interesses de uma discussão que muitas vezes é interna e não está sendo endereçada na perspectiva do paciente”.  

Dr José Marcelo de Oliveira, Hospital Oswaldo Cruz

O corpo clínico que oferece qualidade no atendimento e a cultura aberta para que o conhecimento seja compartilhado e a inovação se expresse. São dois dos elementos que permitiram que o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, chegasse aos 125 anos de fundação, a despeito de ter enfrentado duas grandes guerras mundiais e duas pandemias de alta periculosidade —- a última bem conhecida de todos nós, a da Covid-19. Essa é a opinião do Dr José Marcelo de Oliveira que assumiu o cargo de diretor-presidente da instituição, em junho do ano passado.

Em entrevista ao Mundo Corporativo, Jota, como costuma ser chamado pelos colegas,  explica que a cultura aberta se realiza a partir de ferramentas colaborativas que permitem a coleta de ideias de qualquer um dos 3.500 profissionais e cerca de 4 mil médicos diante de temas ou desafios que surgem na instituição. Os colaboradores oferecem soluções que são analisadas pelos gestores e classificadas pelo próprio grupo, que participou da elaboração das propostas, e selecionará aquelas que serão implementadas na prática

“A gente usa essas ferramentas no nosso dia a dia para manter, mesmo com essa tradição dos 125 anos, esse time conectado”

Uma dessas soluções surgiu na pandemia, quando no auge da demanda de respiradores criou-se uma forma de ampliar o número desses equipamentos, que foram inicialmente construídos em impressoras 3D até que se chegasse a versão final do produto. Foram desenvolvidos mais de 300 desses respiradores no hospital e o código que permitia sua construção foi aberto e compartilhado a todas as instituições, grupos ou pessoas interessadas em levar a ideia à frente.

A cultura da qualidade e segurança para o paciente também é fomentada na instituição e precisa ter o engajamento dos diversos grupos de profissionais que atuam dentro do hospital, não apenas do corpo clínico, destaca José Marcelo de Oliveira: 

“Todos os membros dessa organização são profissionais de saúde, mesmo sendo da área financeira, da área de TI, de suprimento, etc e tal. Porque isso coloca uma postura de serviço. Porque o nosso modelo é um serviço de alta complexidade em função da vida das pessoas”.

A crise sanitária que se iniciou em 2020 obrigou a aceleração de outras tantas soluções. Mais do que isso, exigiu adaptação e agilidade no aprendizado diante de uma situação nova para a comunidade médica. O setor que avalia as tecnologias em saúde e busca o conhecimento que vem sendo trabalhado em todo o mundo passou a estruturar dados para que as tomadas de decisão fossem em curto prazo e no dia a dia da pandemia. 

A saúde mental dos profissionais também foi impactada, o que levou o hospital Oswaldo Cruz a criar programas de cuidadores mentais, que passaram por treinamento para que os colaboradores de qualquer grupo de trabalho se capacitassem a fazer um diagnóstico e a ajudar o colaborador que emitisse algum sinal de sofrimento. 

Para José Marcelo de Oliveira, os avanços tecnológicos virão no sentido de colaborar com a gestão da jornada do paciente, a partir de plataformas que facilitarão o acesso para agendamento e consulta de resultados de exames até o monitoramento de sintomas em um quadro pós-operatório — neste caso, melhorando a relação custo-benefício do lado da sustentabilidade:

“Antecipar o cuidado quer dizer que você vai gastar menos, o paciente vai ficar menos tempo internado, vai sair com menos intervenção e com menos sequela, eventualmente. E vai estar pleno para sua vida no convívio das doenças crônicas. O futuro da medicina será cuidar de doenças crônicas”.

Assista à entrevista completa com o Dr José Marcelo de Oliveira, diretor-presidente do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, ao Mundo Corporativo, em que também falou de como a instituição está implantando medidas pautadas pela diretrizes ESG:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Conte Sua História no Rádio em São Paulo: nosso Grand Cathedral ainda acompanha as ondas do rádio

Claudia Signorini

Ouvinte da CBN

O rádio capela “Philco Grand Cathedral´´ foi manufaturado antes de outubro de 1936. Tem 11 válvulas e 15 bandas, três delas em ondas curtas. Foi comprado por meu pai no início dos anos 1940 para que pudesse ouvir as notícias da guerra. Oitenta anos de vida e ainda funciona. 

Esse rádio nos acompanhou por décadas. Enquanto para meu pai interessavam as notícias de guerra e para meu irmão mais velho as partidas de futebol transmitidas aos domingos, para mim e minha mãe o que nos mantinha coladas ao aparelho eram outras transmissões: a escolinha da dona Olinda, criação do incrível Nhô Totico, um gênio; o teatro aos sábados e domingos do Manuel Durães e Edith Morais; a primeira novela radiofônica a que ouvi foi “O Direito de Nascer” que se prolongou por meses.

Quando chegou a televisão, eu já tinha quinze anos mas nunca abandonei a escuta do rádio. Os aparelhos, hoje, já não tem o mesmo charme, pequenos, portáteis, com pilhas, sem pilhas, mas sou fidelíssima a sua escuta até hoje.

Tenho um rádio na cozinha e outro na minha cabeceira que deixo ligado a noite toda para acompanhar minhas insônias. Durmo e acordo ouvindo a mesma estação.

Sei que posso visualizar os jornalistas das novas emissoras mas prefiro imaginá-los através de suas vozes como fazia com o velho rádio ou como faço com os personagens dos livros que leio. O velho Philco está com meu irmão que mora nos Estados Unidos. Uma preciosa relíquia da família no meio de tantas outras.

Cláudia Signorini é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antônio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outras histórias visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: economia circular está na moda

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“A tendência da sustentabilidade é irreversível, não apenas na moda. Devemos ter essa ideia no radar. Não quer dizer colocar todas as fichas nisso, tampouco virar as costas para ela”

Cecília Russo

Dos setores que mais perderam durante a pandemia, está o da moda. Segundo a McKinsey, a queda nas vendas, em Março de 2020, logo após o início da crise sanitária, foi de 81%, quando comparado ao ano anterior. Em 2021, também em Março, a queda estava em 49%, E, em Janeiro deste ano, as perdas estavam próximas de 20%. Apesar disso, há sinais positivos no horizonte.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo trouxeram dados de pesquisa da Globo, publicada no portal Gente, da Globosat, de que a intenção de compras de roupas aparece em 1o lugar, à frente de  smartphones, outros eletrônicos e perfumes. Ou seja, recuperação à vista. O importante é que as marcas entendam quais os caminhos a serem trilhados diante das experiências e expectativas dos consumidores. Que saibam interpretar as tendências:

“Vale sempre lembrar que quando falamos de tendência, estamos falando de um segmento pequeno da população que puxa esses comportamentos, não podemos generalizar, está longe de ser uma demanda plena e de massa”.

Cecília Russo

Uma das tendências é a moda circular: um produto que vem de fontes renováveis ou recicladas, que também seja reciclado de alguma forma após o consumo, fechando esse ciclo de 360 graus. Essa tem sido pauta de muitas marcas. Segundo dados americanos, 60% dos executivos de moda planejam investir ou já investiram em economia circular. O consumidor mais jovem gosta da ideia:  40% da geração Z — hoje com menos de 25 anos — e 30% dos Millennials já compraram em sites ou aplicativos de roupas usadas

“Pensar em economia circular ainda é para uma parcela pequena da população. Pessoas que já estão abastecidas de roupa e hoje passam a questionar o impacto que tal consumo pode gerar ao planeta. De toda forma, aqui no Brasil, vemos algumas iniciativas interessantes”

Jaime Troiano

Das marcas que estão aproveitando essa jornada, aqui no Brasil, Jaime e Cecília destacam o trabalho realizado pelo “Enjoei” e pela “Repassa”, comprada pela Renner, em 2021:

“A empresa faz a curadoria das peças, recicla, precifica, vende e entrega. Firmou, inclusive, uma parceria com a Levis que dá desconto quando o cliente recicla suas roupas usadas na plataforma da Repassa”.

Jaime Troiano

Mesmo que as iniciativas ainda sejam incipientes, diante do enorme volume de roupas produzidas e vendidas no modelo tradicional, essa tendência é importante porque pode impactar um segmento que é responsável por 4% das emissões de carbono mundiais. 

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com Jaime Troiano e Cecília Russo que vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h50 da manhã.