A turma do amém

Por Abigail Costa

Alguns ditados são como aquele pretinho básico: batido, quase todas usam, mas nunca é cafona,  estão sempre no auge…

Um dos meus preferidos é:  ninguém é perfeito!!!!! E não é mesmo!!!!

Embora quase todos os mortais que conheço se julguem  absolutamente perfeitos,  eles não erram, podem no máximo pensar que…. me atrapalhei, também com tanta responsabilidade….

Me incomoda e muito  aqueles que falam, ditam regras e pronto. Não aceitam uma outra idéia, vale a dele e pronto. Principalmente, quando isso vem de um superior.

Mais irritante do que o dono da perfeição,  são os seguidores do “ser perfeito”, e pode apostar: normalmente eles fazem parte da classe do “Amém”.

É como voltar nas brincadeiras de criança e aceitar a pergunta do líder: “Fará tudo o que o seu mestre mandar?”

Mas hoje não se trata do mestre-do-faz-de-conta, e não está aqui nenhuma contestadora de opiniões gratuíta. Não condeno que fulano tenha que aceitar certas “sugestões” para garantir o emprego.

Fico constrangida quando percebo uma situação que alguém deveria ter gritado antes: Ei!!! O Rei está nú!!!!

Alguns até tentam, quase  nunca diretamente. A maioria diz amém. Uma covardia “compreensível” quando se trata de garantir o ganha pão. Cá entre nós, coitados!!!!

Alguém pode até pensar, até mesmo dizer: escrever, falar, tudo isso é fácil, quero ver alí na situação cara-a-cara….

Caros pode até parecer difícl, mas tente. A sensação é de alívio. Você poderá até ser obrigado a fazer, executar, só que de consciência limpa.

Eu falei..

E pode ter certeza você será diferente. O “seu superior” vai pensar  a respeito. No dia seguinte vai te olhar diferente, não mais como um seguidor de idéias, mas como uma idéia a mais.

O melhor disso tudo: é chegar em casa e olhar  para seus filhos de cabeça erguida.

Abigail Costa é jornalista e toda quinta-feira mostra aqui no blog que não faz parte da turma do amém.

Fazer o bem e não esperar nada em troca? Como assim?

Por Abigail Costa

Se prega muito nos sermões de domingo na igreja,  se discute nas conversas com os amigos e se lê  com frequência nos livros de auto-ajuda….

Faça o melhor para quem está ao seu lado, sem esperar nada em troca…. Nada!!!!! Como assim, por exemplo?

Que mentira mais camuflada essa…. Ora, claro que espero!!!!!

Não digo que depois de um favor aguardo por um presente embrulhado em caixa colorida com o laço vermelho….. Não se trata disso.

As “coisas” materiais, até são bem-vindas.  É até educado retribuir favores com flores e bombons… Acredite, isso é permitido.

Agora, de verdade, bom mesmo é aquele agradecimento sincero, aquelas palavras que quando saem da boca  da pessoa, de tão verdadeiras,  soam como refrões de melodia romântica.

O tão falado “de coração aberto”.

Isso é reconhecimento, estreitamento de laços de amizades. Quem recebe se fortalece ainda mais para passar adiante o processo de doação.

Imagine só, você oferece, só você agrada, só você dá….. E nada em troca?????

De onde se tira e não repõe seca. Não acontece na nossa conta bancária?

O saldo também pode ficar devedor nos nossos sentimentos.

Agradeça, elogie, dê um abraço.

Aposto que nesse momento tem alguém esperando um telefonema seu.

Vai dizer que isso não é bom?

Abigail Costa é jornalista, escreve toda quinta-feira aqui no blog e transcreve os conselhos que durante toda sua vida foram responsáveis pela conquista de novos amigos.

O sofrimento dos outros

 

 

Por Abigail Costa

Ouvi numa entrevista com uma médica:

– O sofrimento mais forte do doente não é o diagnóstico.

No começo, o recebimento da doença é compartilhado por todos. Famílias, amigos. Cada um querendo ajudar de um jeito. Vale a presença física, os telefonemas, os livros de auto-ajuda, a caixa de chocolates.

Mas numa doença crônica como o câncer, o tratamento é demorado, doloroso. Uma rotina entre idas e vindas ao hospital. Outras tantas em direção à clínica. Sem contar os tratamentos complementares. Sessões de yoga, acupuntura,  reik. Uma busca voraz pelo equilíbrio.

E, assim, todos os dias vão se passando. Os meses começando e terminando. Completa-se um ano. E os amigos e a família já não tão unidos como antes.

O sofrimento até então entre as pessoas próximas vai ganhando um isolamento natural.

A médica completa:

– Primeiro, a mulher perde o seio; depois os amigos e por fim o marido.

Confesso que isso me assustou. A pergunta é inevitável:

– Como deixar sozinha uma pessoa num momento tão sofrido ?

A resposta lógica me fez parar de culpá-los. O afastamento não é por maldade. Alguns enxergam no sofrimento dos outros o próprio sofrimento. E fogem.

Como dizer para sim mesmo: esse sofrimento eu não quero para mim.

Uma posição que dispensa julgamentos.

Abigail Costa é jornalista, escreve toda terça-feira aqui no blog e transcreve o que aprende nas conversas diárias com suas fontes de informação e conhecimento.

Quando o tempo não permite mais erros

Por Abigail Costa

Aos 18 anos é permitido se trancar no quarto e chorar um amor não correspondido. É até angelical perder horas, dias, pensando no castelo desmoronado, no príncipe que disse não.

A mãe preocupada batendo na porta, dizendo que a falta do almoço vai lhe deixar doente, quando você já se sente com a enfermidade do amor não correspondido.

A gente lê sobre isso. A gente escuta sobre isso. Se tem exemplo da mesma situação. E aí como começou, passa. Vai embora. A moça encontra outros amores.

Mas quando se trancar no quarto vem perto dos 40 anos. O choro compulsivo prestes bem perto do meio século de vida. Aí pesa, mais do que a rejeição. Do você não serve para mim. Tem o peso da idade.

Não é porque você estava velha para esses momentos adolescentes … É que você não pode mais perder tempo com eles.

Pode parecer rude, mas no correr da vida, um dia trancada no quarto vai lhe fazer falta. Não uma falta que será sentida bem mais tarde. É amanhã mesmo. Serão horas mal-aproveitadas que lhe farão falta.

Sem contar que nessa tristeza toda entram as rugas, mais cruéis do que nunca. Vincos profundos na pele para te lembrar sempre daquele momento trancafiada em problemas que já deveriam fazer parte da rotina. Afinal, você passou por eles há vinte e pouco anos.

Pior do que o sofrimento é não ter aprendido com as ocasiões anteriores.

O tempo não te permite errar, pelos simples motivo que ele é sábio.

Ele sabe que num determinado ponto da vida é preciso aproveitar tudo.

Abigail Costa é jornalista, escreve toda quinta-feira aqui no blog e transcreve os conselhos que durante toda sua vida foram responsáveis pela conquista de novos amigos.

Desperdício

Por Abigail Costa

O dia seguinte ainda está por vir, mas o pensamento já acabou com ele. Na nossa memória-agenda finalizamos nossos compromissos. Dez, doze horas, resumidas em poucos minutos. Nesse tempo ocupado por tarefas que deverão chegar, deixamos de cumprir aquelas que estão diante de nossos olhos.

Desperdício de momentos.

Foi embora aquele instante que seu filho lhe contava como foi emocionante o jogo de futebol na escola, mas por estar envolvido com o dia seguinte você não se permitiu prolongar a conversa – limitou-se a um … Que bom !!!!

Não percebeu um olhar mais provocante do companheiro, perdeu a chance de um carinho no começo da noite por estar mergulhada no dia seguinte.

Estava envolvida demais nos emails, não ouviu a piada ingênua em família, deixou escapar a chance de uma boa gargalhada.

Deixou de saborear o tempero do jantar, já pensando que o café da manhã deverá ser feito em poucos minutos por causa do trânsito.

Desperdício de situações rotineiras. Que têm um prazo de validade – deveria ser consumido naquela hora. Depois, perde o interesse, o tesão, a graça, o sabor.

Desperdício de momentos.

Neste caso, tentar recuperar é inútil.

Aproveitar o tempo é uma poupança para a vida toda, sem arrependimentos.

Não é preciso esperar pelo dia seguinte, ele sempre vem.

Abigail Costa é jornalista e aceitou o convite para transformar em texto pensamentos que consolaram amigos e construíram amizades.