Você sabe quanto o vereador gastou do seu dinheiro?

 

Os vereadores de São Paulo têm direito de usar até R$ 15.393,75 por mês para manter seu gabinete e parte de seu mandato. Este valor é cumulativo, portanto se não for gasto em um mês poderá ser somado às despesas dos meses seguintes. Ano passado, os 55 gabinetes desembolsaram R$7.546.787,33 para pagar correio, material gráfico, locação de veículos, combustível e material de escritório, entre outros itens permitidos por lei. Tradicionalmente, os valores mais altos são gastos com material gráfico e correio, e não foi diferente em 2011 quando 41,89% da verba de gabinete foram registrados nestes dois itens. O fornecedor privado que mais se beneficiou com este dinheiro, não por acaso, foi a Gráfica Palomar Ltda, que embolsou (no bom sentido) R$ 156.544,83. Já o parlamentar que mais fez uso da verba de gabinete foi Toninho Paiva (PR) com gastos de R$ 196.129,02 – mais de um terço deste dinheiro foi para ressarcir as despesas que teve enviando material pelo correio.

 

O serviço “Prestação de Contas da Câmara Municipal de São Paulo” criado pelo cidadão e programador Maurício Maia tem todos estes dados à disposição e organiza a busca das informações que estão publicadas no site do legislativo municipal. O projeto dele foi apresentado no ano passado e atualizado nesta semana e tem se tornado importante fonte de consulta para quem pretende entender melhor para onde vai o dinheiro público. Toda vez que me deparo com este trabalho, me questiono porque o site da Câmara, que custa tão caro para o bolso do contribuinte, não agrega este serviço, e passa a publicar as informações em códigos que permitam o cruzamento de dados. Registre-se que a renovação do site feita há dois anos foi um avanço em relação ao que se tinha até então.

 

A propósito: você tem ideia de quanto seu vereador usou do seu dinheiro para sustentar o gabinete dele?

 

Acesse “Prestação de Contas” e saiba onde ele gastou a verba de gabinete.

A falta de lógica eleitoral em São Paulo

 

A eleição municipal vai dar um nó na cabeça do eleitor paulistano, haja vista a negociação que os partidos fazem nos bastidores. Imagine os vereadores do PT defendendo a gestão Gilberto Kassab, algo bastante possível a medida que o prefeito e chefe-mor do PSD quer fazer dobradinha na chapa de Fernando Haddad. O ex-ministro da Educação disputaria vaga de prefeito e um kassabista surgiria como vice: Alexandre Schneider, Guilherme Afif Domingos ou outro qualquer, desde que não seja Henrique Meirelles. O ex do Banco Central e BankBoston jamais aceitaria disputar eleição nestas condições, mesmo com as declarações conciliadoras que aparecem entre aspas nos jornais. Gente próxima de Meirelles dá risada quando ouve a proposta.

 

O PSDB, com o nome que aparecer da prévia, terá de atacar Kassab, prefeito que foi levado ao cargo pelas mãos de José Serra, um dos principais comandantes do partido. Até hoje, tucanos integram o governo dele e até pouco tempo Andrea Matarazzo – um dos favoritos na disputa interna do PSDB – era uma espécie de xerife de Kassab no papel de coordenador das subprefeituras. O partido segue votando com os governistas na Câmara Municipal de São Paulo.

 

Serra poderia por ordem nesta lógica eleitoral, pois saindo candidato levaria Kassab ao seu lado, manteria a parceria que venceu em 2004, o PSDB não precisaria atacar a atual gestão e o PT ficaria livre para bater. O problema é que as pesquisas eleitorais com o tucano aparecendo apenas com 18% das intenções de votos – dados da última Datafolha – , depois ter sido prefeito, governador e disputado o segundo turno para presidente, revelam que o risco de uma derrota fatal é enorme. Sem contar a alta rejeição que tem no eleitorado paulistano, cerca de 30%.

 

Com esta confusão, não é de se espantar que uma eleitora que teve seu nome indevidamente inscrito no PSDB, ao ser perguntada pelo repórter do jornal o Estado de São Paulo se era filiada ao partido, respondeu: “Não entendo o que é”.

A cara da política brasileira: falsa filiação e emendas parlamentares

 

Três reportagens que li neste fim de semana, na revista Época e no Estadão, mostram um pouco de como se faz política no Brasil. Na primeira, o jornal mostra que muitos filiados do PSDB sequer sabem que têm ficha no partido, aliás há quem nem saiba que partido é esse. Pior do que um sinal de desorganização do principal partido de oposição no País, é se identificar que algumas pessoas foram levadas a se filiar quando tentavam participar do programa Leve Leite, do Governo do Estado de São Paulo, que está sob comando da legenda há seis gestões. A irregularidade apareceu durante organização das prévias para escolher o candidato do partido à sucessão do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

 

A troca de favores também está por trás de outra situação descrita em reportagem de duas páginas do Estadão, desta vez incluindo todos os partidos paulistanos. O Orçamento da cidade de São Paulo para 2012 tem R$ 4,6 milhões em emendas parlamentares destinadas a custear competições esportivas em redutos eleitorais dos vereadores. Somado o dinheiro destinado as obras de instalações como gramado sintético, iluminação, alambrado, entre outros, o valor chega a R$ 21 mi ou 20% dos R$ 123,9 mi previstos em todas as emendas apresentadas no fim do ano passado. Os vereadores fazem favores com o dinheiro público e depois são retribuídos com seus nomes propagandeados pelas instituições de bairro, sem levar em consideração as prioridades de cada região. No Morro do Sabão, extremo sul da cidade, conta o jornal, até hoje não se conseguiu ampliar o número de creches, deixando centenas de crianças sem atendimento. Em compensação, o vereador Arselino Tato do PT não abriu mão de separar dinheiro do Orçamento para o campinho de futebol no bairro.

 

As emendas parlamentares ganham capítulo especial na reportagem de capa da edição nacional da revista Época. Em “Anatomia da corrupção”, a grana separado pelos deputados no Orçamento aparece como uma das sete fontes usadas por “corruptos para meter a mão no nosso dinheiro”. O esquema é bastante conhecido: depois de incluir no Orçamento a verba para a prestação de serviço ou realização de uma obra em seu reduto eleitoral, o parlamente negocia com o Governo a liberação do dinheiro, influencia na empresa que será contratada e, a partir de notas frias, desvia parte do dinheiro.

 

Em todos os casos, as velhas promessas de que as irregularidades serão investigadas, os culpados serão punidos e as regras modificadas para impedir falcatruas. As soluções são de conhecimento público e passam pela transparência nas negociações e pelo monitoramento eletrônico de toda movimentação do dinheiro, o problema é que estas ferramentas para serem acionadas na maior parte das vezes depende desses mesmos políticos.

Voto pela internet

 

O texto foi escrito pelo bacharel em direito Pedro Cardoso da Costa, ouvinte-internauta do Jornal da CBN:

A Justiça Eleitoral em alguns aspectos supervaloriza-se em nome da segurança no processo de votação e prejudica alguns avanços em seus serviços por meio da utilização da informática.

 

Em 1996 foi instituída a primeira votação eletrônica no Brasil. Iniciou-se nos municípios com mais de duzentos mil eleitores. Em 2000 já havia votação eletrônica em todos os municípios. Em quatro anos generalizou-se o voto eletrônico. O ganho foi incontestável. As longas horas nas filas para votar diminuíram. As fraudes, caso existam, são tão pequenas, que a rapidez da população na hora de votar suplanta. O resultado das eleições é apresentado quase instantaneamente. Permanecem algumas pendências em função de problemas com algumas urnas, compreensíveis e inevitáveis.

 

Só que o avanço ficou estagnado. Algumas mudanças se fazem necessárias e urgentes. Continuam as Juntas Eleitorais. Seria um órgão da Justiça Eleitoral, criado para organizar e efetuar a apuração. Só que a maioria dessas pessoas não entende de urna e apenas colam os boletins de votação numa folha de papel para ser afixada e esquecida num local. O problema é que são pagas para isso. E essa despesa e esse órgão são totalmente desnecessários, sem trazer nenhum prejuízo operacional para a eleição.

 

Os requerimentos de alistamento, transferência e revisão dos títulos deveriam ser formulados pela internet. Com a tecnologia de hoje, torna-se apenas perda de tempo uma pessoa se dirigir a um cartório eleitoral para requerer uma dessas operações. Serviria também para toda regularização do título. Se a Receita Federal passou a processar a declaração do imposto de renda somente pela internet, a Justiça Eleitoral deveria fazer o mesmo com todas as sua operações. Inclusive poderia firmar convênio com as instituições financeiras para que as multas fossem quitadas no momento do pagamento. Depois, apurar-se-iam os eventuais problemas, caso a caso.

 

Porém, o mais importante seria a viabilização da eleição pela internet. Alguns alegam impedimentos legais. No Brasil sempre se colocam empecilhos na legalidade para justificar resistência a alguns avanços. Traria uma economia muito grande, pois não haveria necessidade de enviar milhões de correspondências para convocar mesários, nem de lanches para esse pessoal, dois ou quatro dias que as empresas não perderiam na compensação dos dias trabalhados. Manutenção das urnas não existiria mais; evitaria despesa com gasolina pelo deslocamento das urnas, abertura de escolas. Além de tantas outras despesas relacionadas às eleições pelo processo tradicional, algumas delas até mais altas do que as citadas.

 

Deveria ser criado um código de segurança que vinculasse obrigatoriamente um voto apenas a cada título eleitoral. Os apressados alegariam logo que alguém poderia usar o título e votar pelo outro. O absolutamente capaz é responsável pelos seus documentos. Hoje os estelionatários clonam cartão de crédito e tiram dinheiro; usam o registro geral – RG e o cadastro de pessoa física – CPF de outras pessoas; nem por isso se cogita a extinção do cartão de crédito em nome da segurança. Portanto, a instituição do voto pela internet virá, mas atrasada, forçada naturalmente pela evolução tecnológica. A instituição voluntária seria no mínimo mais inteligente.

 

Morador de Taubaté cria Adote um Vereador

 

Mensagem que recebemos do morador da cidade de Taubaté, interior de São Paulo, Dênis Buselli G. Fonseca:

Boa noite. Sou cidadão de Taubaté/SP, mas por motivo de trabalho passo a semana na cidade de São Paulo, onde, através da CBN, conheci o projeto Adote um Vereador. Achei muito interessante e resolvi adotar um vereador de Taubaté. Coloquei o blog hoje no ar (acesse aqui). Gostaria de contar com sua ajuda, com critas, sugestões e dicas, de como posso desempenhar bem o trabalho de “Adoção” e divulgação no blog.

STF tem voto pra manter poderes do CNJ

 

Em fevereiro, assim que o Supremo Tribunal Federal encerrar o período de recesso, seus ministros terão tarefa importante de decidir se o Conselho Nacional de Justiça tem poderes para investigar juízes e apurar valores recebidos pelos magistrados. No fim do ano passado, duas liminares, assinadas pelos ministros Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski, suspenderam investigações da corregedora do CNJ, Eliana Calmon, gerando uma crise interna no Poder Judiciário. Com as medidas preliminares o Conselho está impedido de abrir processos disciplinares contra juízes antes da atuação das corregedorias dos tribunais de origem de magistrados – fato que tem impedido, historicamente, o avanço de investigações contra integrantes do judiciário.

A boa notícia é que, a partir de informações levantadas nesta semana, sabe-se que seis dos 11 ministros do Supremo são a favor da manutenção dos poderes do CNJ. É possível, inclusive, que mais um ministro apoie a ideia, ampliando a vitória sobre aqueles que têm a intenção de desmontar o Conselho Nacional de Justiça – um órgão que em pouco tempo de atuação demonstrou competência e causou alvoroço entre os togados.

Um prefeito para chamar de seu

 

Depois das experiências em rádio, jornal, televisão e blog só me faltava esta (como diria minha mãe): escrever em revista. E logo na última página, aquela que eu sempre respeitei tanto, onde li cronistas incríveis e histórias super interessantes. Foi o pessoal da Época São Paulo quem me proporcionou esta oportunidade, quase um ano depois de ter aberto o espaço para mim no Blog Adote São Paulo. No convite feito pessoalmente pelo Camilo Vannuci não constava a enorme ansiedade que eu teria ao começar a digitar o artigo, ato que se repetiu com irritante frequência, sem que eu conseguisse ir além do primeiro parágrafo. Falo pelos cotovelos quando o microfone está aberto, solto a palavra ao publicar no blog, mas escrever em uma revista é um baita desafio. Revistas, assim como jornais e telejornais, tem um negócio que chamam de deadline -nome apropriado a medida que muitos colegas são fuzilados quando não entregam sua reportagem no prazo determinado pelo editor. O meu se aproximava a medida que o medo aumentava. E vice-versa. O texto ficou pronto com antecedência, é bem verdade. Mas li um tanto de vezes e, por sorte e por bons editores, recebi sugestões da redação da Época até chegar a versão final. Talvez você o leia e não perceba todo este esforço e apoio, mas quero deixar registrado aqui que minha sensação foi a de um parto: com sofrimento e um prazer sem tamanho. Falei de um tema que me interessa em especial, a política local. E que, tenho certeza, lhe interessará, também, em breve. Afinal, em 2012 vamos escolher um novo prefeito para a cidade de São Paulo, de preferência um prefeito para chamar de seu.

Leia a crônica “Um prefeito para chamar de seu” acessando o Blog Adote São Paulo

A importância da eleição municipal

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Certa vez o político e jurista Assis Brasil – infelizmente muito mais referido do que lido – bradou da tribuna da Câmara dos Deputados: “O voto deve ser a voz, não o eco”. A eleição do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Vereadores é sempre o resultado de uma escolha que decorre da vontade livre e soberana dos cidadãos. Afinal, nas democracias sempre há uma determinação decorrente das urnas.

Aliás, nada em eleição decorre sem querer ou sobrenaturalmente. Eleição em país democrático é sempre pelo voto do cidadão. Se o voto é bom ou ruim, se bem ou equivocadamente sufragado, isto é uma outra questão. Mas é sempre voto. A surpresa – ou não – fica por conta dos eleitos. Se competentes ou incompetentes isto também é outra discussão. Mas algo sempre será certo: quem se elege Vereador, Prefeito ou Vice-Prefeito foi eleito. Portanto, votar bem é uma necessidade.

Não se pode ignorar que em alguns municípios ou regiões a desilusão e a desconfiança apresentam índices crescentes ou mesmo alarmantes. Até aí, nenhuma novidade. Todavia, como a Constituição Federal determina que os Poderes são fundamentais, existem outras possibilidades e perspectivas envolvendo o desempenho e a escolha de dirigentes. Comecemos pelo Legislativo.

O Vereador representa o povo junto à instância primeira da democracia representativa que é a Câmara Municipal. Congressistas, Deputados Estaduais, Governadores e os Presidentes Prudente de Moraes, Wenceslau Brás, Delfim Moreira, Artur Bernardes, Washington Luís e Tancredo Neves iniciaram suas trajetórias políticas pela vereança.

O Legislativo Municipal é uma instituição política dinâmica e de caráter permanente que representa a sociedade. No exercício desta representação, o Poder dispõe de competência para tratar de assuntos pulsantes vinculados ao cotidiano dos cidadãos, desde o valor das passagens do transporte coletivo ao número de andares dos prédios, passando pela fiscalização do Executivo e dos serviços públicos. Daquele com diploma ao que não concluiu o primário, do mais velho ao novato, os quase 60 mil Vereadores brasileiros exercem atribuições diversas e indelegáveis. Todos foram votados e dispõem de um voto no Parlamento.

Já o Executivo é o Poder que dispõe da maioria das competências para administrar a cidade. Ao Prefeito estão subordinadas as decisões relativas à execução das obras e atividades colocadas à disposição da coletividade, algumas sem a possibilidade de interferência da Câmara. Além disso, os 5.559 Chefes de Executivo do país dependem financeiramente da União e do Estado para completar a receita do Município, o que impõe a necessidade de menos imediatismo e mais compreensão.

Em suas decisões, estes mandatários podem agradar a cem e desagradar a mil. Além disso, inúmeras são as limitações do poder. Portanto, o seu exercício é simultaneamente glorioso e desgastante. O que não se coaduna ao Estado de Direito são críticas oportunistas ou sem fundamento, sobretudo quando se sabe que a democracia brasileira percorreu um longo trajeto até chegar onde está.

Por fim, o jovem também deve participar da escolha dos Vereadores e dos Prefeitos pois se a legislação lhe autoriza a trabalhar aos 14 anos e se filiar a um partido aos 16, nada mais coerente do que haver um estímulo para que ele escolha aqueles que fixam a tarifa do transporte coletivo, o valor do IPTU, etc.

O ato de votar – assim como o de participar e fiscalizar – é sempre nobre, especialmente porque é no Município que se vive, trabalha, etc. Além disso, é nele que a política apresenta sua face mais dinâmica e de efeitos mais imediatos. Daí a sua importância no primeiro domingo de outubro deste ano de 2012.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age) e “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

A lição do gari

 

Por Devanir Amâncio
ONG Educa SP

Sujeira em bueiro
   

Garis ficaram impressionados com a quantidade de sacolinhas plásticas que encontraram ao fazer a limpeza  de bueiros na rua  25 de Março, na região do Parque D.Pedro, centro de São Paulo. Como grandes observadores das ruas, eles recomendam humildade ao prefeito Gilberto Kassab ao falar sobre  enchentes. Segundo os garis, a cidade resolveria significativamente o problema  das enchentes se instalasse ‘telões’ ( grades em ferro fundido) em todas as  bocas-de-lobo da cidade. Ainda prevêem enchentes devastadoras no futuro se a prefeitura não modernizar a construção de bocas-de-lobo e adotar equipamentos eficientes (modernos) na limpeza de galerias pluviais.

“Uma equipe de três pessoas limpa apenas 10 bocas-de-lobo por dia, às vezes uma”, diz um gari, que desistiu ao fazer a conta do tempo que demoraria para desentupir a cidade.

Nem sempre deve-se avaliar a competência de uma pessoa pelo salário que recebe. Os limpadores de esgoto e varredores de rua ganham cerca de 800 reais e têm ideias simples e inovadoras para  os problemas urbanos . Os salários desses humildes trabalhadores são insignificantes se comparar com a fortuna salarial de um subprefeito que chega a 35 mil reais 

Quais são as projetos  de cidade do segundo escalão da Prefeitura de São Paulo, que teve um reajuste salarial de mais de 200 por cento ? Não é um exagero? Por que a oposição, se é que existe, ficou calada? E o décimo terceiro dos vereadores?  Esses últimos acontecimentos envolvendo dinheiro público, uma espécie de êxtase lesa-cidadão, poderiam  ser colocados na lista das grandes injustiças sociais de nossa cidade. E muitos desses ‘servidores do povo’ ainda dizem com a boca cheia:” Eu amo São Paulo.” 

Enquanto isso as subprefeituras, e o Serviço Funerário – o maior cabide de emprego municipal do Brasil – estão sucateados[…]. São agora tubarões da administração pública, perderam o sentido ético, desprezam o senso-comum, menosprezam os valores sublimes que têm os mais humildes cidadãos que vivem com dignidade a sua pobreza. Os mesmos cidadãos,  vítimas das dezenas de milhares de cartinhas escárnio de vereadores desejando-lhes  “Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!” . 

Qual dos vereadores e demais funcionários de vida abastada dos ricos teria a coragem de devolver aos cofres públicos parte do que ganham ou, para contestar, distribuir aos pobres em praça pública suas moedas?

A eles,  votos  que aprendam o valor social dos garis e limpadores,  coveiros, sem-teto  quilombolas e inúmeras minorias. Que pensem  na prática  a  sustentabilidade, e projetos de saúde para a legião de viciados em crack que fecha ruas em São Paulo; votos que encontrem uma solução para as milhares de crianças sem creche.

Votos que os políticos vençam todos os  tipos de sujeiras e extravagâncias. Só assim, o “amor ” que tanto se ouve falar em ano eleitoral, terá  sentido.

                                         

Hoje tem Congresso de Combate à Corrupção, na Paulista

 

(trecho de post publicado no Blog Adote São Paulo, da revista Época SP)

Com mais de 50 mil apoiadores em todo o País, o Movimento DasRuas, que nasceu nas redes sociais, pretende ir além das palavras de ordem e aprofundar o debate sobre a reforma política e a criação de mecanismos que acabem com a impunidade. Foram convidados cientistas políticos, professores e advogados para debaterem diretamente com o cidadão estes temas, no 1º Congresso Nacional Contra Corrupção, que se realizará no Auditório Assis Chateaubriand, que fica no número 2.200 da Paulista.

Estão confirmadas as presenças do sociólogo Alberto Carlos Almeida, o cientista político José Álvaro Moisés, o cientista social Humberto Dantas e os advogados Jean Menezes de Aguiar, Dircêo Torrecillas Ramos e Thaís Novaes Cavalcante, todos estudiosos e conhecedores das artimanhas da política brasileira e com ideias claras sobre os caminhos para se mudar esta realidade no Brasil. No auditório terão a oportunidade de ouvir as sugestões do cidadão comum que acredita que a participação da sociedade pode transformar o País.

Vários outros grupos que se organizaram ao longo do tempo com o objetivo de melhorar a política praticada no Brasil estarão participando, também, da iniciativa. De acordo com uma das fundadoras do NasRuas Carla Zambelli durante o encontro será realizada vídeoconferência com o Movimento Mudanças Já e a transmissão, ao vivo, do Desfile dos Corruptos. Estarão no Congresso, ainda, gente ligada a Amarribo, Movimento 31 de Julho, Maçons Contra a Corrupção, projeto do Ministério Público “O que você tem a ver com a corrupção?”, “Todos Contra Corrupção” e “Queremos Ética”.