Vi de longe a reta final da disputa pelo comando da Câmara Municipal de São Paulo, um distanciamento provocado pelas férias neste mês de dezembro que também me afastou do blog. Faço a ressalva assim que começo a escrever este post, pois isto me impediu de assistir às cenas dos últimos capítulos da novela que se transformou a briga pela presidência da Casa e posso ter perdido alguns momentos significativos.
A vitória de José Police Neto (PSDB) não surpreende, pois foi resultado de projeto construído pelo vereador nos últimos quatro anos. Pode-se dizer até mesmo que a carreira política dele o levou até o posto. Neste segundo semestre, a postura incisiva do prefeito Gilberto Kassab (DEM), porém, foi fundamental – uma ação que não se resumiu às conversas em conjunto com Police e Milton Leite, seu adversário, como o vereador deu a entender em entrevista.
A interferência de Kassab impõe ao novo presidente da Câmara seu primeiro desafio. Provar de que não será um mero despachante de projetos do Executivo. Tem capacidade para isso, mas precisará se impor aos interesses políticos do prefeito que desde antes mesmo da eleição presidencial já se movimenta com astúcia no sentido de preparar seu futuro político visando a disputa para o Governo do Estado de São Paulo.
Police Neto conhece como poucos os bastidores da Câmara Municipal e por isso não deve ter dificuldades para conversar com o PT e o que resta do Centrão na montagem de uma pauta que interesse ao cidadão, apesar da promessa da oposição de jogar pesado no próximo ano, afinal tem seus próprios interesses eleitorais, em 2012.
Outro desafio, será o de oferecer à população um espaço para debate há muito reclamado pelas entidades organizadas que acompanham o trabalho legislativo. Precisa tornar realidade a esperança depositada nele por alguns desses grupos que acreditam na possibilidade de que os atos na Câmara sejam transparentes e os critérios que definem sua pauta, claros. Muitos desses desejos expostos em série de entrevista feita pelo CBNSP disponível neste blog.
Uma mudança pouco comentada – levando em consideração meu acesso restrito às informaçōes nestes últimos dias – mas que pode ter importância na grandeza que se deseja ao legislativo municipal: a corregedoria da Câmara, após cinco anos, sai das mãos de Wadih Mutran (PP) e passa para as de Marco Aurélio Cunha (DEM). O primeiro exerceu em seu mandato aquilo que seus pares desejavam, engavetou toda e qualquer possibilidade de investigação. Que Marco Aurélio faça aquilo que o cidadão e a cidade necessitam, apuração e punição de toda e qualquer irregularidade.



O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Antonio Carlos Rodrigues (PR), negou ter assistido ao vereador Adilson Amadeu (PTB) agredir com um soco no peito Marcelo Aguiar (PSC). Em entrevista ao CBN SP, ele disse que chegou depois do encontro entre os parlamentares, no saguão do prédio de Aguiar, e definiu o ocorrido apenas como um desentendimento sem importância já superado.