Avalanche Tricolor: Douglas, às suas ordens !

Grêmio 1 x 0 Veranópolis
Gaúcho – Olímpico

Foi Reinaldo quem fez o gol da classificação. Estava devendo esta para a torcida. Quem sabe deslancha a partir de agora. Mas não é a ele que dedico esta Avalanche. O espaço foi conquistado pelo menino Douglas Costa, 18 anos, com seus dribles e impetuosidade que marcaram a disputa pela vaga na final do primeiro turno do Campeonato Gaúcho, nesta sexta-feira.

Sim, no Sul disputa-se partida decisiva na sexta, depois no domingo e, se bobear, na madrugada de segunda, também. E aqui não vai nenhuma exaltação à bravura do futebol gaúcho. Mas ao absurdo.

Bola prá frente. Assim joga Douglas que não vê na presença do adversário um empecilho para chegar ao gol. Corta para a direita com um drible curto, ginga para a esquerda com o toque de calcanhar, bate com o lado do pé para surpreender o goleiro e tem talento para cobrar falta.

Há seis meses já havia falado dele após o incrível desempenho contra o Santos, pelo Campeonato Brasileiro. (leia aqui, se quiser) Depois, pela falta de experiência, foi amadurecer no banco.

No início do ano, a Fifa chamou atenção para o talento do garoto convocado para as seleções brasileiras das categorias de base. Apenas ele e Keirrison, sensação no Palmeiras, dos que jogam em gramados tupiniquins, estavam na lista dos dirigentes do futebol mundial entre aqueles para os quais o torcedor que gosta de jogo bem jogado deveria prestar atenção. Mesmo que este jogo seja contra o Veranópolis e em uma sexta-feira à noite.

Desde que vestiu pela primeira vez a camisa de titular do Grêmio, ele já chamava atenção

Avalanche Tricolor: Prazer, Libertadores !

Jonas luta em mais um ataque do Grêmio

Grêmio 0 x 0 Universidad de Chile
Libertadores – Olímpico

Uma foi no poste. Outra foi no travessão. Teve a que o zagueiro tirou antes da linha do gol. Duas, três ou quatro que o goleiro se esticou todo e desviou para escanteio. Fora o chute prá fora. Os chutes, aliás. Em uma só jogada foram quatro e nenhum foi parar no fundo do poço, como diria aquele famoso locutor esportivo do Rio Grande do Sul que agora só quer saber de sofrer diante da televisão.

Houve dois penâltis, também. Nenhum o juiz viu. Nos restou reclamar dele. E quando ele acertou para nós, ao expulsar o defensor, pouco mudaria no jogo. Afinal, em Libertadores quem está em campo não se importa com quantos o adversário joga. Redobra-se a marcação; o carrinho sai mais longo; para alcançar a bola sobe-se bem mais do que as pernas permitem; chuta-se para qualquer lado. E fica tudo igual, novamente.

Ficou tudo igual mesmo, apesar da enorme diferença do futebol jogado pelo Grêmio em relação a Universidad. de Chile. Já havia acontecido isso com o São Paulo na estréia. E muitos mais vai acontecer daqui prá frente. Aliás, como bem lembrou o técnico campeão do mundo Valdir Espinosa foi também assim que aconteceu com o Grêmio na estréia da Copa Libertadores contra o Flamengo, no estádio Olímpico, em 1983.

E você sabe quem foi o campeão sul-americano e mundial daquele ano, não sabe?

Avalanche Tricolor: Carnaval em campo

Grêmio x Juventude

Grêmio 2 x 0 Juventude

Gaúcho – Olímpico

Era de salão, o Carnaval das minhas lembranças de Porto Alegre. Quando menino, minha mãe me levava aos Gondoleiros, clube na zona norte da cidade, ao lado dos irmãos e primos. Fantasia não era nosso forte. Um shorts, uma camiseta e algumas pinturas no rosto, tudo coberto de muito confeti.

Na  juventude, as festas eram por conta própria e na maioria das vezes no litoral porque em Porto Alegre misturavam-se muito calor e pouca animação. Troquei as matinés pelos bailes que varavam a madrugada.

Da avenida, escapei. Nem como folião nem como jornalista fui obrigado a assistir ao desfile das escolas carnavalescas. Um espetáculo – nem sei se cabe a expressão – de pouca graça, que me desculpem os adeptos dos Bambas da Orgia e dos Imperadores do Samba. As duas agremiações são as mais conhecidas da cidade e provocam alguma emoção apenas pela identificação que tem com os dois times de futebol da terra, Grêmio (Bambas) e Inter (Imperadores).

Aliás, as cores das escolas – o azul e o vermelho – eram as únicas referências ao futebol durante o Carnaval, em Porto Alegre. Minto, tinham também as bandinhas que para agradar o salão tocavam o refrão dos hinos dos dois clubes.

Assim, foi uma surpresa saber que,  hoje à tarde, o Grêmio estaria em campo para disputar partida decisiva do Campeonato Gaúcho, em um estádio Olímpico onde só se falava de Libertadores. Na quarta de cinzas, enfrentaremos o Universidad de Chile. O ideal era descansar no sábado de Carnaval em vez de jogar sob um calor insuportável na capital gaúcha. Ainda bem que Ruy e Alex Mineiro, os carecas do Imortal Tricolor, estavam animados em campo.

O futebol gaúcho – o brasileiro, também – me impressiona, pois deixa de valorizar o espetáculo e seus grandes personagens para impor uma maratona de sacrifícios. Além de jogar hoje e estar na Libertadores na quarta, o Grêmio disputará a semifinal do Gaúcho na sexta e, se der o azar de vencer, fará a final do primeiro turno, no domingo, em um provável Gre-Nal.

Por ter sido um dos melhores times do futebol brasileiro em 2008 e obtido classificação para a Libertadores, o Grêmio é punido em lugar de ser venerado pelos dirigentes esportivos.

O risco disto tudo é o futebol um dia acabar como o Carnaval de escola de samba em Porto Alegre: pobre e sem graça.

Extra-campo: à Ouvidoria da NET que dá explicação como se fosse uma secretária eletrônica e portanto não serve para nada, o som da transmissão da partida do Grêmio estava péssimo, inaudível em alguns momentos.

Avalanche Tricolor: Que venha a Libertadores !

Grêmio 3 x 0 Brasil-PE

Gaúcho – Olímpico Monumental

Herrera marca mais um gol
Herrera está em campo. Jonas, também. A bola vem dos pés de Jadilson. Vem pelo alto, girando sobre ela mesma. No momento em que começa a descer vai em direção a pequena área. É lá que o Grêmio tem seus dois atacantes. Estão prontos para concluir. Tem sede de gol. Aquele desejo que está no coração dos matadores. Eles já haviam tentado marcar de outras maneiras. Chutaram de fora da área, de dentro da área, de lado, de frente, de tudo que foi jeito.

A bola havia batido no poste, na trave, no zagueiro, havia parado nas mãos do goleiro Danrlei, que teve seu nome gritado pela torcida várias vezes durante o jogo, mesmo estando com a camisa do adversário, afinal poucos sabem valorizar seus ídolos como nós. A bola já tinha ido para fora, afastada pela defesa, em direção a linha de fundo, para lugar nenhum.

Naquele momento, porém, o Grêmio tinha Herrera e Jonas dentro da área. Tinha Vitor, o melhor goleiro do Campeonato Brasileiro de 2008. Tinha Leo, Makelele, Douglas Costa, e uns meninos de quem ainda não havia ouvido falar em campo. Tinha Orteman no banco, um daqueles jogadores que parecem fazer parte do plantel apenas para impor medo no adversário. Que está lá apenas para que ninguém esqueça o significado da palavra raça.

O Grêmio também tinha Maxi Lopez assistindo ao jogo das arquibancadas. Tcheco e companhia fora de campo a espera da Libertadores. E uma torcida que canta, pula e vibra sem parar.

Tudo isso e mais uma história de mais de 100 anos marcada pelo heroísmo estavam ali na entrada da pequena área, vestindo a camisa de número 9 com o nome Herrera nas costas, para recepcionar a chegada daquela bola lançada por Jadilson, lá no segundo parágrafo.

Gol do Grêmio.

Foi apenas o primeiro. Makelele e Orteman, que entrou no segundo tempo, fizeram mais dois. E o adversário era o esfacelado Brasil de Pelotas que ganhou espaço no noticiário devido ao trágico acidente no início do ano.  Sei disso, e talvez o texto acima seja lido por você apenas como resultado do exagero de um torcedor que não tem oportunidade de estar no estádio de futebol e se vê obrigado aos caprichos da sua operadora de TV a cabo para vibrar com seu time de coração.

Não é não. Estou apenas ensaiando, me preparando para o que realmente importa, a Libertadores da América. A Avalanche Tricolor está pronta. Que venha o Universidad do Chile.

NET (não) responde sobre problema no PPV

Ao contratar os serviços do PPV para assistir aos jogos do Campeonato Gaúcho procurei a NET. Foi para lá que liguei. É de lá que chega a conta todo mês. Quando quis saber por que o jogo do Grêmio domingo passado não estava sendo transmitido foi para lá que liguei e fiquei esperando 40 minutos na soma das duas ligações, conforme relatei na última coluna Avalanche Tricolor. Foi, também, para a NET que escrevi com o objetivo de reclamar a falta de respeito com este assinante. Enviei mensagem para o ouvidor. Ou a ouvidora. Leiam abaixo a resposta que recebi. Resposta ?

“Contrato do Cliente: 003/23339090-1
Protocolo de Atendimento: 108119040

Milton

Informamos que a Net, na qualidade de operadora de tv por cabo, apenas retransmite os sinais diretamente
das programadoras nacionais ou estrangeiras, não influindo, portanto em seu conteúdo.

Atenciosamente,

Helena
Central de Relacionamento Net”

Avalanche Tricolor: Apesar da NET

Avenida 1 x 2 Grêmio

Gaúcho – Porto Alegre

Há times que se superam em campo. Mesmo que o adversário seja melhor, a estratégia muito bem construída pelo técnico e o trabalho coletivo da equipe fazem com que a vitória seja alcançada. Às vezes é um jogador que desequilibra a partida, outras a torcida que lota as arquibancadas e no grito leva seu clube a vencer. Imagino que não tenha sido isso que aconteceu, hoje à tarde, na cidade de Santa Cruz do Sul, interior gaúcho. O Grêmio é muito superior ao Avenida e os três pontos já estavam previstos.

Digo que imagino pois não consegui ver a vitória gremista. Meu direito de assistir ao jogo do Grêmio foi cassado pela NET TV. Assinante há alguns anos dos seus canais, com três pontos em casa, e pagando extra para assistir ao Campeonato Gaúcho me deparei com um novo serviço: o pay-per-no-view.

Às quatro horas da tarde, quando o jogo deveria se iniciar liguei a TV e fui direto ao canal de costume: o 123. Lá jogariam Inter e Caxias. Imediatamente passei a teclar os demais números disponíveis: no 121, Madureira e Vasco; no 122, Botafogo e Flamengo;  no 124, Fluminense e Tigres do Brasil; no 125, Cruzeiro e Atlético.

Cheguei a imaginar que o Grêmio estaria no SportTV, mas este transmitia o futebol argentino, Rosário Central e River Plate. Passei a ‘zapiar’ por toda a grade de programação. A Globo e a Band, evidentemente, estavam com São Paulo e Corinthians; a ESPN com Inter de Milão e Milan; a BandSports tinha Porto e Rio Ave.

E o Grêmio, motivo que me leva a pagar para ver ?

Procurei nos sites da NET e do PFC e descobri que lá não é possível saber quais os jogos que estão sendo transmitidos pelo PPV. Pelo menos não encontrei uma dica sequer. Liguei para o a NET, Central de Relacionamento, duas vezes. Na primeira após receber o número de protocolo 003090039616766 esperei dez minutos e ninguém conversou comigo. Na segunda, ganhei outro número, 003090039628415, e esperei mais 30 minutos, contados no relógio, sem que ninguém falasse comigo para me dar uma só informação: o jogo do Grêmio, pelo qual paguei, não será transmitido ?

Claro que aquela altura do campeonato eu já sabia a resposta, e o Grêmio, inclusive, já vencia por 2 a 0 conforme informação no portal Terra. Qual não foi minha surpresa quando em novo zapping, o Grêmio estava na tela e no canal 123, aquele que transmitia o jogo do Inter.

Diz o ditado popular que alegria de pobre dura pouco. A minha durou menos de cinco minutos.  Tempo para que ocorresse  novo corte na transmissão e as imagens do estádio Beira Rio voltassem para minha TV. Aquele resto de jogo foi o que tinham para me oferecer. Nada mais.

Como disse na abertura deste texto, há times que se superam em campo e vencem mesmo nas circunstâncias mais adversas. Eu por mais que me esforçasse não fui capaz de vencer a falta de respeito e de competência.

Avalanche Tricolor: ‘Guerrera’ e um time de Libertadores


Herrera vai para o ataque

Grêmio 2 x 0 Juventude

Gaúcho – Olímpico

No gol, Vítor aparece quando necessário. Ruy é um ala goleador, fez mais um hoje. Os volantes seguram as pontas e quando precisam aparecem na frente. Tcheco é o maestro do time com a tarja de capitão. Souza está endiabrado e marcou um golaço. Alex Mineiro é solidário. Jonas descobriu a direção do gol. E Herrera …

Bem, Herrera merece um parágrafo à parte.

Ao trocar o Grêmio pelo Corinthians deixou saudade. Não eram os gols que faziam dele um ídolo do torcedor. Era o carrinho para desarmar o adversário. Nem mesmo as jogadas de efeito. Era a maneira como vestia a camisa. A distância do estádio Olímpico e a paixão que despertou na Fiel, criaram um sentimento ainda mais estranho nos torcedores gremistas, em especial naquela turma da Geral do Grêmio que costumamos ver na televisão comemorando os feitos em avalanche – que, aliás, batizou o nome desta coluna.

A idolatria por Herrera apenas aumentou neste tempo todo e a multidão que o aguardou no aeroporto Salgado Filho quando retornou a Porto Alegre, após longa e cara negociação, mostrou que não seria apenas mais uma passagem por um clube de futebol. Era um passo para a glória. Para a imortalidade, em se tratando de Grêmio.

Ainda é cedo para saber se ele estará a altura da expectativa dos torcedores. Mas o grito que partiu da arquibancada na noite desta quinta-feira ainda no primeiro tempo era o sinal de que “Guerrera” terá um combustível extra em 2009. O nome dele voltou a ser chamado pelo torcedor até Celso Roth prudentemente decidir colocá-lo em campo, mesmo com a cintura mais larga do que de costume.

Poderia descrever cada vez que ele tocou na bola, mas a jogada mais bonita você verá nos programas esportivos dessa quinta-feira no gol que surgiu da tabela dele e Souza.

A torcida matou a saudade de Herrera, e viu que o Grêmio tem muito mais do que um guerreiro no ataque. Tem um time para disputar a Libertadores.

Avalanche Tricolor: Esperar o quê ?

temporal

Grêmio 1 x 2 Inter
Gaúcho – Erechim

A chuva no sábado estragou o programa da noite, ver a comemoração dos 70 anos de Jair Rodrigues, no Auditório do Ibirapuera. Já havia feito a luz apagar enquanto concluía artigo encomendado por um jornal do interior interessado na campanha Adote um Vereador.  Não estava salvo, é claro. O temporal também estragou o portão automático de casa.

No domingo, havia sol. Mas a briga com o computador ainda não havia se encerrado. Gravar mais de 4 mil fotos armazenadas desde 2004 tornou-se um martírio. Os CDs não liam os arquivos quando buscava confirmar a gravação em outras máquinas que tenho em casa. Um delas travou e, sabe-se lá o motivo, passou a reiniciar por conta própria. O portão da  garagem não estava apenas estragado, travara no alto, aberto. Haja habilidade para voltá-lo à posição segura, fechado.

A visita a casa de um amigo que mora próximo foi cancelada. Desde ontem não havia energia elétrica no bairro dele. E o telefone da Eletropaulo não atendia as reclamações. “Reclama lá na CBN, Milton !”, pediu após se desculpar pelo almoço desmarcado.

O dia ainda me reservaria uma visita forçada ao Hospital São Luiz para levar a mulher a consulta no pronto socorro. Exames, remédio, soro, mais exames, só mais um pouco de soro. Médicos e enfermeiros. E o diagnóstico: “A senhora está bem, pode voltar para casa”. Como sair do hospital com o pé d’água que atingia o Morumbi naquela hora ? Melhor ir embora assim mesmo, a energia elétrica foi cortada duas vezes enquanto estávamos lá.

Ao chegar em casa, lembrei do portão não-automático. Você já tentou levantar um desses de ferro enquanto chove torrencialmente na sua cabeça ? Eu tentei. Levei um banho. Do portão e de chuva. Os meninos dispostos a assistir ao filme 3D no cinema do shopping da região também voltaram: “quebrou o ar-condicionado”.

Com um fim de semana desses, o que eu poderia esperar do Gre-Nal ? Um gol contra, um gol anulado, uma injustiça

Boa semana a todos !

Avalanche Tricolor: Semana Gre-Nal

Camisa do GrêmioOuço com frequência que a rivalidade entre Grêmio e Internacional, no Rio Grande do Sul, é a maior que existe no futebol brasileiro. Prefiro deixar na conta do exagero estas afirmações. No coração do torcedor,o grande rival é aquele que disputa título a título a hegemonia de uma região. Será que o torcedor do Flamengo sofre menos ao perder para o Fluminense do que o colorado quando derrotado pelo Grêmio ? Ou o do Palmeiras não tem a mesma dor de cabeça se sofrer um infortúnio contra o Corinthians ?

O que digo com certeza é que poucos Estados tem durante os dias que antecedem o clássico tanta expectativa como o Rio Grande do Sul. Dos tempos em que o futebol era disputado apenas aos domingos, a imprensa gaúcha criou a Semana Gre-Nal. Desde a segunda-feira, os jornais – Correio do Povo e Zero Hora – estampavam o selo no topo das páginas de esporte que aumentavam de número conforme se aproximava o grande dia. Reportagens especiais com os estrategistas do clássico, os personagens que tinham a confiança da torcida, boxes com jogos históricos, estatísticas com o número de vitórias, o goleador de todos os tempos e tudo o mais que a criatividade permitisse para seduzir o torcedor durante os sete dias.

Com o inchaço do calendário esportivo, e partidas disputadas no meio de semana, o tempo diminui entre um jogo e outro e a Semana Gre-Nal foi reduzida há três ou quatro dias. Neste ano, porém, os dois grandes clubes gaúchos resolveram dar uma colher de chá aos jornalistas esportivos e desenvolveram estratégias especiais para o jogo do próximo domingo, abrindo mão de qualquer interesse em relação a rodada do meio de semana do Gauchão.

Quem andou pela rua da Praia, no centro de Porto Alegre, nestes últimos dias, notou que a quantidade de torcedores vestindo a camisa de seu time, normalmente acima do que estamos acostumados a ver em outros Estados, se multiplicou. Talvez porque este seja o primeiro Gre-Nal de um ano em que há tantas coisas a se comemorar. O Grêmio está na Libertadores, competição para a qual nasceu e se apaixonou. O Inter está no seu centenário e terá de se contentar com a Copa do Brasil e o Brasileiro, mais tarde.  Sem contar que devem inaugurar uma placa de ouro para registrar os 100 anos da primeira derrota que sofreram para o Grêmio: 10 a 0.

Os dois times investiram alto neste início de temporada. Disputam, inclusive, qual será o estádio – ou Arena como preferem os marqueteiros – mais moderno, pois ambos estão com o projeto na maquete e arregimentam fundos para tocar em frente este investimento. E, assim, nesta Semana Gre-Nal, os dois técnicos decidiram tirar seus times de campo, o titular, é lógico.  Enviaram para os jogos no interior o que sobrou na reserva, além de fazer o rapa nas divisões de base. Por isso, peço licença e deixo de lado os fatos que possam ter acontecido na noite dessa quarta-feira.

A Avalanche Tricolor já está na Semana Gre-Nal

Avalanche Tricolor: O chamado futebol na TV

torcida no telhado

Nóia 1 x 5 Grêmio

Novo Hamburgo – Gaúcho

O estádio é novo e o time da casa, o Novo Hamburgo, investiu pouco mais de R$ 5 milhões. Disseram na televisão que vão gastar mais R$ 2 milhões. Não no gramado que já estaria pronto. Pronto mesmo. Grama rala, buraco a atrapalhar as jogadas, a impedir que o atacante de um chute certeiro, que faz o goleiro saltar com a sensação de que a bola sofrerá um desvio a qualquer momento.

Quando a televisão mostrou o banco dos reservas, me lembrei daqueles usados nos tempos do basquete jogado na pracinha. De madeira, comprido, sem encosto, desconfortável, dando ainda mais vontade de ouvir o técnico tocar seu ombro e dizer: “entra lá !”.

As arquibancadas são poucas, baixas. Diria desconfortáveis, mas não estava lá para verificar e  já usei este adjetivo no parágrafo acima. A posição para as câmeras de TV também não ajuda. Quando os jogadores correm na lateral do campo, diante das cabines de imprensa e onde, imagino, fiquem os sócios do time da casa, eles se confundem com o alambrado e os torcedores. O futebol fica em segundo plano.

Quando apareceram torcedores em pé ou sentados em suas bicicletas a beira de um barranco ao redor do estádio, lembrei de algumas imagens que estão no Museu do Futebol, em São Paulo. São registros do início do século passado quando os trabalhadores não tinham direito a entrar no estádio, reservado a elite brasileira. Mas estamos no século 21 e na última semana autoridades da Fifa visitaram Porto Alegre e mais capitais para escolher quais serão sede dos jogos da Copa do Mundo.

Hilário foi ver a turma que subiu no telhado ou ficou na escada dependurado para ver a partida pelo Campeonato Gaúcho sem precisar pagar, conforme foto reproduzida da televisão.

Pior mesmo foi comigo. Estava no sofá, com ventilador ligado, tomando sorvete devido ao calor na tarde deste domingo, em São Paulo, e obrigado a assistir à mais uma goleada do Imortal Tricolor no Campeonato Gaúcho através do péssimo serviço pay-per-view oferecido aos torcedores. Oferecido, não. Comprado.

A imagem é ruim, sem definição, incomparavelmente pior do que a que assistimos na TV aberta quando a transmissão é pela Globo, no Rio ou em São Paulo. A arte com a escalação dos times parece desfocada (não, minha TV é nova, tela plana, de plasma).

Há repetição desnecessária de lances, quando não erradas. Fizeram questão que eu revisse um lance na lateral no qual Souza se desvencilhou do marcador mas jogou a bola pela lateral. Emocionante. Se enganaram até mesmo no melhor ângulo para mostrar a placa eletrônica com o tempo extra de jogo. Aliás, por que precisam mostrar esta placa se a informação já está nos caracteres embaixo do cronômetro digital da tela e é reproduzida pelo locutor.

Da narração prefiro me calar. Já estive nesta posição por dois anos na Rede TV!. Sem contar que o narrador da partida deste domingo é meu ex-colega. Um dia reservarei espaço para falar das muitas implicâncias que tenho em relação aos narradores de futebol de televisão. Não será desta vez. Mas gostaria apenas que todos, todos mesmo, abandonassem de vez o diabo da expressão “chamado”.

Hoje, por exemplo, o Grêmio fez o chamado placar elástico, um dos gols foi marcado no chamado penâlti e se defendeu com o chamado zagueiro definitivo. Menos mal que com tudo isso, o Grêmio é o chamado líder do Campeonato Gaúcho e eu continuo a chamá-lo de Imortal Tricolor.

Obs: ‘Nóia” é o apelido do chamado Novo Hamburgo