Avalanche Tricolor: E não é que segue líder !



Cruzeiro 3 x 0 Grêmio

Brasileiro – Belo Horizonte

Vi Adílson Batista na beira do gramado, nesta noite no Mineirão. Lembrei dos tempos que vestiu a camisa tricolor. Não esta branca com duas listas coloridas do lado esquerdo do peito a cobrir o coração que o Grêmio usou hoje.

Adílson foi dos grandes zagueiros que estiveram no estádio Olímpico. Em campo, liderava o grupo como poucos. Olhava feio para o adversário. Nunca aceitou ficar assistindo ao atacante passar em velocidade para dentro da área ou girar sozinho sem combate diante do gol. Nem mesmo duas graves lesões tiraram dele este talento. E esta coragem.

Foi bi-campeão Gaúcho, campeão da Recopa Sul-Americana, campeão Brasileiro e campeão da Libertadores. Esta conquista, em 1995, lhe rendeu o apelido de “Capitão América”. Foi Adílson que recebeu o troféu mais cobiçado pelo torcedor do Grêmio, naquele ano.

Hoje, estava do lado oposto, mas tenho certeza de que ao ouvir a voz dos gremistas que ocupavam as arquibancadas do Mineirão sentiu saudades do tempo em que gritava com seus companheiros em campo, exigindo de cada um mais raça, mais amor, mais luta, mais brio, mais futebol. Aquilo tudo que elevou o Grêmio a condição de líder deste Campeonato Brasileiro e o deixou mais próximo de seu maior objetivo: conquistar a América, de novo.

Avalanche Tricolor: É Campeão !


Um gremista contra tudo e contra todos


Grêmio 1 x 0 Sport

Brasileiro – Olímpico Monumental

Rever com a faixa de capitão no braço sentia uma dor insuportável na perna, a mesma com que despachou a bola que chegava próximo da área quando faltava menos de um minuto para o fim do jogo. O jovem gremista Felipe Mattione, sempre pronto para desarmar o atacante com categoria, não encontrava mais fôlego depois de tantas subidas ao ataque mas conseguiu com a ponta de sua chuteira enviar ao espaço outra bola que se aproximava do nosso gol. Tcheco tinha a camisa colada no corpo tal o suor que lhe cercava, mas não pensou no risco que corria ao dividir com o volante adversário. E Vitor, como foi grande, maior ainda do que já é, no momento em que se esticou todo para alcançar uma bola que tinha endereço certo (desculpe-me pelo lugar-comum, é a emoção).

Todos ali no campo pareciam estar contaminados pelo espírito de um outro herói que já vestiu a camisa do Grêmio e, desta vez, estava do lado de lá: o “talentoso” Sandro Goiano. Ele faz parte de uma pequena parcela de jogadores que pode vestir qualquer camisa, pode lutar por qualquer time, pode brigar com o juiz por qualquer esquadrão, mas sempre será reverenciado no estádio Olímpico. Hoje à noite, recebeu homenagens, teve seu nome ovacionado na geral, principalmente quando aplicou um carrinho (que saudades daqueles carrinhos), viu sua imagem estampada em uma bandeira na arquibancada, jogou sua camisa para a torcida ao fim do primeiro tempo.

Alguém dirá que o Grêmio só venceu por um gol seu adversário. Meu amigo e mestre Juca Kfouri talvez siga em sua aposta de que o Imortal não conseguirá vaga para Libertadores. Outro que não merece ter seu nome aqui citado irá berrar que as conquistas tricolores estão manchadas por erros de árbitros (deveria ver o que o auxiliar do jogo de hoje fez em uma arrancada livre de Souza). Mas todos irão dormir sabendo que, aconteça o que acontecer, o Grêmio seguirá para a próxima rodada do Campeonato Brasileiro líder mais uma vez. E na Libertadores da América, nosso objetivo maior.

Ao fim da partida, alguém perguntou a Rever, o mesmo que gemia de dor em campo, sobre a decisão que será o próximo jogo, semana que vem, contra o Cruzeiro, em Minas Gerais. “Decisão ? Todos os jogos são decisivos para nós”.

Esta é a mensagem que eles não entendem, Rever. Para o Grêmio é sempre final de campeonato. É sempre preciso provar que merece, É sempre necessário lutar, suar, chutar, dar carrinho e chorar ao fim de um jogo como se tivéssemos ganho mais uma guerra.

Na noite desta quinta, só faltou a volta olímpica.

Avalanche Tricolor: Encontro com as raízes

Grêmio campeão da Libertadores

Portuguesa 2 x 0 Grêmio

Brasileiro – Canindé

O futebol não é alegria, é a reprodução da vida, sempre cheia de sofrimento e glória redentora no final. A frase é emblemática. Seu autor dos maiores conhecedores da história do Brasil e da América. Simbólica para uma torcida acostumada com a luta eterna que justifica o olhar extasiado das rapazes e meninas que deixaram o estádio do Canindé na noite fria deste domingo, em São Paulo.

Há quem ocupará o espaço democrático aberto abaixo de todos os posts deste blog para dizer que o Grêmio saiu derrotado da capital paulista, neste fim de semana. Jamais nos entenderão. Assim como jamais nos matarão – como li em uma das faixas estendidas no alambrado. Sim, o Canindé ainda tem alambrado, tem gramado esburacado, vestiário pequeno, um só funcionário para acender os holofontes, tarefa que tem de ser feita uma a uma até o servidor fazer a volta completa no estádio. Típico campo de futebol, o verdadeiro futebol.

Foi neste cenário que o Imortal Tricolor deixou o gramado mais uma vez líder do Campeonato Brasileiro.

Perdoem-me colegas de arquibancada. Corrigirei a frase acima.

Foi neste cenário que o Imortal Tricolor deixou o gramado mais uma vez classificado para a Libertadores da América. Há umas 20 e tantas rodadas estamos nesta condição. Preparados para encarar novos desafios diante dos hermanos, em 2009.

Nada como o contato com as raízes de um clube, sua torcida mais fanática, aquela que deixa seu Estado para trás a bordo de um ônibus, destemida, preparada a enfrentar a estrada enlameada (estava chovendo quando se iniciou a viagem), para refrescar a memória e focar a mente e a alma ao que realmente nos interessa: a América.

Se duvida deste objetivo, leia o novo livro do escritor e historiador Eduardo Bueno que, desta vez, buscou o reforço de seu irmão, Fernando, para descrever as façanhas heróicas do Imortal na conquista da América, há 25 anos, quando vencemos nosso primeiro título de verdade. Único, aliás, que vale a pena.

Lá encontrará definições como esta que se segue:

“O volante de contenção é, indiscutivelmente, o astro-maior, a grande vedete (ops, vedete não – vedetes praticam futebol-bailarino), a peça-chave, o rei, a torre e, sobretudo, o cavalo no grande xadrez que constitui os duelos tático-técnicos do autêntico futebol”

Não lerá a frase que abre este texto, mas adianto-lhe que o autor é o mesmo.

Avalanche Tricolor: Eu vi, meninos, eu vi

Grêmio 2 x 0 Santos

Brasileiro – Estádio Olímpico

Tinha quatro ou cinco anos. Não lembro bem. Era fim dos anos 60. O Grêmio disputaria uma partida contra o Santos de Pelé, no estádio Olímpico, em Porto Alegre. Lembro apenas de algumas cenas.

De mãos dadas com meu pai fui a pé de casa ao estádio. Já falei aqui quanto esta caminhada é curta. Naquela época, porém, o caminho não tinha o asfalto de hoje. Era de terra. Em vez de rua tínhamos um “beco” com esgoto a céu aberto em lugar da calçada.

Lembro, também, que o estádio estava lotado. Ficamos na área conhecida no Olímpico como social. Piso de cimento. Um alambrado ainda cercava o campo. Todos assistiam ao jogo em pé. Todos estavam lá para assistir à Pelé jogar.

Entre um corpo e outro que tapavam a minha visão, vi o “negrão” – como carinhosamente chamavam o craque – passar desfilando no gramado. Parece que o jogo pelo campeonato nacional terminara empatado em 1 a 1. Mas o resultado era o que menos importava naquele dia. Meu pai me levara para ver Pelé jogar bola, ao vivo, pela primeira e última vez na minha vida.

Nesta quarta-feira, já era tarde, quando um de meus filhos acordou e se sentou do meu lado para assistir ao segundo tempo da partida de Grêmio e Santos, pelo Campeonato Brasileiro, no Estádio Olímpico, diante da televisão. Estava um a zero, placar que garantia, naquele instante, a volta à liderança. Mas o resultado era o que menos interessava.

Um dos meus meninos se espantou com um garoto, negro também – como a maioria dos grandes craques brasileiros -, que cada vez que pegava na bola fazia uma bela jogada. Em uma delas, explodiu no poste. Em outra, um adversário ficou caído no chão após o drible estonteante. Um colega dele passou correndo sem saber o que acontecia. E o pobre goleiro se contorceu para impedir que o lance terminasse dentro do gol. No fim, meu garoto ainda teve tempo de ver aquele rapaz cobrar uma falta que iria parar nos pés de Soares e se transformar no segundo gol gremista.

Antes de voltar para cama, meu filho me olhou e perguntou: “Papai, era assim que o Pelé jogava ?”. Apenas sorri com a lembrança que ele me proporcionou, e expliquei: “É assim que Douglas Costa joga”. Voltou a dormir e eu não tive sequer tempo de dizer-lhe que o Grêmio é mais uma vez líder do Campeonato Brasileiro.

Avalanche Tricolor: Amém !



Douglas agradece à Deus pelo gol na estréia

Grêmio 2 x 1 Botafogo

Brasileiro – Olímpico Monumental

Resignação. Recolhimento. Inquietude. Esta última semana marcou o fim de um período de provação. Setembro, não por acaso mês em que o Imortal Tricolor foi fundado, exigiu de todos nós o exercício mais profundo de perseverança. Aquele que nós amamos parecia incansável na tarefa de testar nossa tolerância. Muitas vezes fomos pegos à beira da impaciência. Sentimentos contraditórios contaminaram nosso espírito. Houve quem tenha confessado traição outros admitiram cansaço após o teste final ao qual fomos submetidos no domingo passado.

Irmãos Gremistas, nós superamos todos estes momentos, vencemos nossos limites, aceitamos as injustiças e descobrimos Douglas Costa, menino que nasceu às vésperas do aniversário do Imortal, há 18 anos.

Até a Glória!

Tempo extra: desculpe-me pela demora em publicar esta coluna, neste sábado. Precisava descer à igreja e repetir o gesto de Douglas.

Avalanche Tricolor: Meus craques de plástico


Esta imagem encontrei no blog Lack of Everthing, mas não achei o nome do autor

Inter 4 x 1 Grêmio

Brasileiro – Porto Alegre

A mesa de botão colocada em cima da cama era o campo de feitos heróicos do Grêmio, na época um time de plástico no formato “panelinha”. A esquadra tricolor – na realidade havia apenas o azul – era imbatível. Nem mesmo os maiores adversários eram capazes de superá-la. Quando a derrota parecia iminente, Loivo encontrava espaço para um chute de média distância que encobriria o goleiro. A virada viria no ataque seguinte e poderia sair dos pés – ou da palheta – de qualquer um dos craques que eu encontrasse em condições de bater na bolinha feita de botão de camisa. “A gol !” era a senha para avisar o oponente que lá vinha bucha. O goleiro era levemente deslocado, o suficiente para que surgisse espaço para a bola entrar.

Gol ! Gooooooooooooooooool !

O grito saía rasgando a garganta, desafinado, rouco, alto o suficiente para incomodar o resto da casa, apesar da porta do quarto fechada. Marcava mais uma conquista inesquecível do meu Grêmio. O adversário arrasado voltaria para dentro da caixinha de papelão, onde guardava todos os times de plástico que mantinha em casa.

Naquela época, conseguia realizar minhas fantasias esportivas sobre a mesa de madeira, com duas goleiras de ferro e rede de filó, e riscas de lápis para marcar a grande área, o círculo central, e as linhas laterais e de fundo. Era um tempo em que não me permitia a decepções. Como jogava botão contra mim mesmo, tinha certeza da festa final.

Lembrei-me dessa história após receber mensagem de um conterrâneo Ricardo Gothe que me assistiu no programa Loucos Por Futebol, da ESPN Brasil. Ele faz parte de uma turma que joga futebol de mesa no Grêmio, é federado e mantém o Blog Gothegol (www.gothegol.blogspon.com). Em competições internas já homenageou nomes históricos no estádio Olímpico, a começar por Eurico Lara. Em 2009, quer incluir Milton Ferretti Jung, meu pai, nesta lista. Merece, não tenho dúvida.

O jogo de botão na casa da Saldanha Marinho voltou a minha memória neste domingo, depois de assistir ao Gre-Nal. Aqueles jogadores dentro do campo não pareciam em nada com os heróis imbatíveis de meu time de plástico. Aquele jogo que observei pela televisão não se comparava com os embates que patrocinei. Daqui sou incapaz de manipular o resultado, deslocar o goleiro adversário com o dedo para Loivo chutar, e me obrigo a encarar o sentimento de tristeza que não existia no meu coração quando meu mundo se resumia a um gramado de madeira dentro do quarto de criança.

Avalanche Tricolor: Os números não mentem


Clique na imagem e vá ao Blag do Mauro

Nessa segunda no bate-papo com o colega Daniel Piza chamei atenção para a ausência de mensagens na minha caixa de correio de ouvintes-internautas solidários a este jornalista por ter sido “roubado” em campo, no domingo. Ao contrário de outras oportunidades em que o Grêmio teria sido beneficiado pelos árbitros, desta vez ninguém escreveu para falar do penâlti não assinalado em favor do Imortal contra o Atlético Paranaense.

Choro de torcedor, devem ter pensados muitos. Inclusive meu amigo Piza.

Nesta quarta, encontrei no Blag do Mauro, do jornalista Mauro Beting, palmeirense de coração e analista esportivo pela razão, a informação que faltava para justificar minha insatisfação. De acordo com levantamento feito em todos os jogos disputados até aqui no Campeonato Brasileiro, Mauro Beting prova que o Grêmio foi o clube mais prejudicado pelos árbitros na competição. Perdeu seis pontos graças aos erros dos juízes (os de futebol). O levantamento completo você lê na coluna dele. Clique na imagem acima e vá até lá para ver se o seu time está na lista dos que foram prejudicados, beneficiados ou tico-tico-no-fubá.

Em tempo 1: o Palmeiras ganhou dois pontos neste campeonato com a ajuda do “apito amigo”.

Em tempo 2: mais do que má-fé, o que a estatística prova é que boa parte dos árbitros é muito ruim.

Avalanche Tricolor: Vou dormir líder mais uma vez


Atlético (PR) 0 x 0 Grêmio

Curitiba – Brasileiro

Estes que aí aparecem na imagem voltarão do Paraná com uma certeza: ao chegarem em casa, no Rio Grande do Sul, já madrugada de segunda-feira, poderão descansar em paz mais uma vez. Aconteça o que acontecer, serão líderes como foram até aqui nas últimas muitas rodadas desta competição.

Atípica situação esta vivida pelos gremistas neste ano. O campeonato é de ponto corrido e, como todos dizem, o Grêmio é um time copeiro. Costumam repetir isso muitas vezes, na maioria com a intenção de desmerecer a qualidade do tricolor. Mostrar que o time não nasceu para as competições consideradas nobres, de fôlego, que exigem infra-estrutura, organização e elenco de peso.

Desta vez, porém, o Grêmio está na zona da Libertadores – os quatro primeiros lugares – desde a terceira rodada do Campeonato. Terminou a primeira fase como líder. Tem a melhor defesa, o melhor saldo de gols, o melhor aproveitamento e o segundo melhor ataque. E mesmo tendo vencido apenas uma vez nas cinco últimas rodadas não consegue ser alcançado por seus adversários – estes sim com personalidade para conquistar os grandes títulos (é o que ouço quando ligo o rádio e leio blogs).

Assim que se encerrou a partida deste domingo, o telefone tocou em casa. Era um amigo gremista (lógico) que havia assistido ao jogo, em Porto Alegre. Está convencido de que se o Grêmio quer ser campeão este ano terá de perder mais uma ou duas das próximas partidas. Pois somente disputando o título com dois pontos atrás no jogo final teria valido a pena ganhar a competição. Disse que após ver Galatto fazer defesas impossíveis na tarde hoje com a camisa do Atlético Paranaense e impedir que o Grêmio vencesse – o que teria sido mais justo pelo que jogou – não tinha mais dúvida:o Imortal se prepara para mais um façanha. O “Herói da Batalha dos Aflitos” estava lá a defender não os ataques gremistas mas “a ordem natural das coisas”.

Deixei-o desfiar toda ladainha, e encerrei o papo desejando-lhe uma ótima noite. Que tomasse um chocolate quente antes de dormir. E ao colocar a cabeça no travesseiro não deixasse de fazer como faço sempre. Agradecesse a Deus por ser gremista e por mais uma vez dormir líder do Campeonato Brasileiro de 2008.

Boa Noite !

Avalanche Tricolor: É Inacreditável, de novo


O Imortal Tricolor é o principal destaque da Revista Placar deste mês de setembro. Ainda não fui a banca comprá-la, mas amigos já me encaminharam imagens da reportagem. Esta que você vê logo acima foi enviada pelo nosso colaborador e ouvinte-internauta Marcos Paulo Dias. Sabendo que a publicação está nas mãos de Serginho Xavier não há motivos para desconfiar da qualidade da reportagem. Por isso, desde já recomendo.