
Loivo, o Coração de Leão, estava no meu Maracanã imaginário
Flamengo 2 x 1 Grêmio
Maracanã – Brasileiro
Quando o árbitro marcou a falta quase na imaginária linha da intermediária poucos acreditaram no que estava por vir. Com o número 11 às costas, oferecido a todos que naquela época exerciam a saudosa função de ponta esquerda, Loivo ajeitou a bola no gramado, deu as costas para o goleiro, tomou distância e fez pose com as mãos na cintura a espera da autorização para cobrar o tiro livre direto.
De lá onde estava mal conseguia enxergar a goleira tantos eram os adversários de camisa rubro-negra que formavam a barreira à frente dele. Estava 1 a 1 no placar. Dario havia feito para o Flamengo e Tarciso descontado para o Grêmio. Loivo ainda deu uma última olhada em direção a meta como se tentasse achar um espaço naquela muralha. Assim que ouviu o apito do árbitro correu, mudou um pouco o ritmo para acertar a passada antes de chegar na bola e fulminou.
O petardo acertou primeiro o travessão sobre o goleiro flamenguista, desceu na vertical com um força impressionante e se chocou com a linha da cal, na mesma velocidade voltou a subir encontrando mais uma vez o travessão, e só sossegou depois de ficar amarrada no fundo da rede. Ou no fundo do poço, gíria que um locutor gaúcho que estava na cabine do estádio do Maracanã já havia consagrado no microfone da rádio Guaíba de Porto Alegre.
Foi na cobrança de falta de Loivo que o narrador, pai deste que lhe escreve, ensaiou pela primeira vez um grito de gol que durante anos passaria a ser sua marca registrada. Acompanhando a batida da bola no travessão, na linha, no travessão novamente e na rede, anunciou ao Rio Grande do Sul: gol, gol, gol, gooooooooooooool !, Loivo, Coração de Leão !
Durante à noite de hoje, por motivos que não sei explicar, lembrei desta jogada que aconteceu em 1973 quando ainda tinha 10 anos de idade. Lembrei de Loivo que é o atual titular da ponta esquerda do meu time de botão;do grito de Milton Gol-Gol-Gol Jung; de quantas vezes o Grêmio saiu sorrindo do gramado do Maracanã.
Desculpe-me por tomar tanto espaço nesta coluna falando das minhas lembranças, típicas de quem pode se dar ao luxo de passar um jogo de futebol inteiro pensando nos bons momentos da vida sem se importar com o que acontece a sua frente. Acabei esquecendo de escrever sobre o que realmente lhe trouxe até este blog, nesta noite de quinta-feira: o Grêmio é o líder do Campeonato Brasileiro.