Imagine como seria a narração deste penâlti que gravei do PFC na voz de Osmar Santos.
Atlético (MG) 0 x 4 Grêmio
Brasileiro – Belo Horizonte
Foi dos maiores narradores esportivos de todos os tempos, mas uma carreta se atravessou no destino dele. E uma geração inteira não teve o prazer de comemorar um gol na voz de Osmar Santos. Tenho o orgulho de cruzar com ele nas visitas que faz à Rádio Globo. Os limites impostos pelo acidente não o impedem de me identificar como gaúcho e gremista. Suuuul é o que diz com um sorriso no rosto e o polegar em riste. Minha resposta é um cumprimento envergonhado como qualquer fã diante de seu ídolo.
Osmar Santos é o nome de batismo do troféu oferecido pelo jornal Lance ao campeão do primeiro turno desde que o Campeonato Brasileiro passou a ser disputado por pontos corridos. Troféu que foi do Santos, em 2004, do Corinthians, em 2005, e do São Paulo, em 2006 e 2007. Não por acaso, os campeões brasileiros daqueles anos.
Neste 2008, Osmar Santos será concedido ao Grêmio após a goleada incontestável sobre o Atlético Mineiro, no Mineirão. Antes mesmo de a rodada se encerrar, o Imortal Tricolor garantiu o título extra-oficial. Amanhã, quem entrar em campo estará se engalfinhando para ficar o mais próximo possível do tricolor gaúcho. Na visão mais positiva, a dois pontos do Grêmio – o primeiro clube a receber o troféu do jornal o Lance que não nasceu em São Paulo.
Vencer esta etapa não é garantia de que o título deste ano será do Grêmio. Nós, gremistas, sabemos isso mais do que qualquer outro. Temos muito a lutar, a brigar, a dar carrinho, chutão para o alto. Temos muito que vibrar com as defesas indefensáveis de Vitor e as bolas perdidas transformadas em gol por Reinaldo e Perea. Temos muito a sofrer com os chutes mal dados de Willian Magrão que acabam na rede, além dos passes sem querer de Tcheco e Rafael Carioca. Temos muito que torcer para que o árbitro se engane, inverta faltas, não marque os penâltis de nossos zagueiros nem os impedimento de nossos atacantes.
Ser gremista é assim mesmo.
Terminamos o primeiro turno com uma goleada na casa do adversário, à frente de todos os demais, líderes mais do que nunca, com o melhor ataque, a defesa menos vazada e a certeza de que os críticos continuarão a nos olhar com desconfiança.
Time de craques, bom de bola, é o Palmeiras do Luxemburgo, o São Paulo do Muricy, dizem até que o S.C.Inominável, do Tite. O Grêmio do retranqueiro Celso Roth todos reconhecem como um time lutador, batalhador, eficiente, e – o adjetivo definitivo, arrasador, incontestável – LI…MI…TADO.
De tudo isso, a lamentar – se é que após assistir à esta goleada é possível lamentar alguma coisa – apenas o fato de saber que jamais terei o prazer de ouvir, novamente, Osmar Santos gritar goooooooooooooooooooooooool do Grêmio. Como deste prazer estou privado, me consolo pondo as mãos no Troféu que leva o nome do Garotinho.



