Avalanche Tricolor: Festa na madrugada italiana

Direto de Roma
(e de um teclado com a acentuaçao diferente da nossa)

Do acolhedor apartamento na Via Merulana, é possivel caminhar até tres belas igrejas que ornamentam o bairro. Vizinho a nos, no subterraneo, uma cantina de moças divertidas esta sempre a disposiçao. Se der a volta na quadra, outras moças festeiras poderao nos recepcionar, mas o local nao é exatamente para as boas familias italianas. Prefiro manter distancia.

Daqui do terceiro andar deste antigo prédio que mistura residencias e dois ou tres espaços comerciais, quase nao se ouve nenhum barulho da rua. Os sons costumam sair dos apartamentos de cima. O salto da senhora do quarto andar nos acompanha o dia todo. Um pouco mais cedo, ouvi alguns aplausos de uma familia de espanhois comemorando o gol de Torres contra a Alemanha. Imagino que tenham saido para festejar o titulo na Eurocopa, pois nao ouvi nenhum som a mais, apos o fim da partida.

Com a madrugada, o silencio se destaca. Nada, além da ventuinha deste computador e da respiraçao cadenciada de quem ja dorme. Foi assim que assisti, pelo computador, ao Gre-Nal deste domingo, que terminou na segunda, em Roma. Estamos cinco horas a frente do Brasil.

Mesmo nestas condiçoes, foi possivel vibrar mais uma vez com o talento de Roger que marcou seu quarto gol de penalti neste Campeonato Brasileiro. Nao tive o privilégio de ver a imagem da cobrança, mas na transmissao do Terra, o redator escreveu “com direito a paradinha”. Fechei os olhos e relembrei a cena de domingo passado quando estava, ao vivo, no estadio Olimpico, e Roger desconsertou Galatto, do Atlético Paranaense. Clemer deve ter sofrido o mesmo vexame.

Engraçado: ao fechar os olhos, passei a ouvir o grito forte de torcedores gremistas que, em meio a foguetes, corriam em avalanche pela arquibancada, berravam de maneira estridente, e cantavam aos gritos o hino do tricolor.

Ao abrir os olhos, a familia deitada na cama me olhava com cara feia.

Boa Noite !

Avalanche Tricolor: De volta à casa



O arco-íris lá em cima, a Praça do Papa em primeiro plano e o Olímpico no horizonte


Grêmio 3 x 0 Atlético (PR)

Estádio Olímpico – Brasileiro

Fazia um ano que havia assistido a uma partida do Grêmio, no estádio. Era a final da Libertadores (as lembranças daquele dia você lê clicando aqui). Hoje, um domingo muito mais frio do que aquela quarta-feira à noite, estive de volta ao Olímpico e fui recepcionado por uma das mais belas imagens jamais vista deste estádio. Um arco-íris guiava o torcedor para um pote de emoções, que começam com a chegada da própria torcida. A batida do bumbo, os braços em movimento sincronizado, o pula-pula na arquibancada, as bandeiras que tremulam (sim, tem bandeiras tremulando no Olímpico), a avalanche que batiza esta coluna. Mesmo sozinho, encapotado até as orelhas, me sinto acompanhado. E feliz. Um ano depois, assisto a um jogo do Grêmio sem a intervenção das câmeras de baixa qualidade e da narração intrometida do pay-per-view.

Felicidade que se consagra ao ver um time em campo que sabe trocar passe. Parece pouco. Mas não é. Pelo menos no futebol brasileiro. Passe, aliás, é o que Roger, camisa 10, mais sabe fazer. Movimentando-se em campo com elegância. Esforçando-se para roubar a bola (sim, com a camisa do Grêmio, Roger se esforça). Se esforça para passar pelo adversário sem levar um pontapé. E quando leva, leva o adversário a ser expulso ou cava um pênalti.

Neste domingo, o Grêmio conseguiu três pênaltis a seu favor. Três cobrados por Roger que pode mostrar ao torcedor um variado cardápio: chute no canto do goleiro, chute em um canto e goleiro no outro, e a malcriada paradinha. Faltou apenas Roger pedir desculpas ao goleiro, afinal com a camisa do Atlético Paranaense estava o lendário Galatto, um dos protagonistas da Batalha dos Aflitos.

Há um ano, deixei o estádio Olímpico ao lado de meu pai, com a certeza de que havia visto o capítulo de uma história vitoriosa e lutadora, mesmo com o resultado favorável ao Boca Junior. Hoje, deixei o estádio sozinho (o frio fez com que meu pai ficasse em casa diante da televisão) no ritmo do canto entoado pela torcida. A sensação de que estava diante de um time que nasceu para vencer e lutar era a mesma. Voltei para casa, o arco-íris não estava mais lá, e o Grêmio … bem, o Grêmio segue líder do Campeonato Brasileiro.

É muito bom estar de volta à casa.

Avalanche Tricolor: Somos líderes


Nossa torcida em imagem reproduzida do PPV

Goiás 0 x 3 Grêmio

Campeonato Brasileiro – Serra Dourada

Foi o fim de um tabu que durava 12 anos. Não vencíamos o Goiás este tempo todo. Também não fizeram muita falta aqueles jogos. O de hoje, sim, foi importante. Pois marcou o início de uma relação que, acredito, será eterna (até que dure). O Grêmio é líder do Campeonato Brasileiro. Alguém haverá de escrever no espaço reservado aos comentários de que o líder é sei-lá-quem porque tem mais gols marcados e coisa-e-tal. Puro tecnicismo. Burocracia de cartola que nada muda nossa sensação nesta altura do campeonato.

Teremos uma semana inteira para curtir este início de namoro, vamos aproveitá-la com o carinho que o momento merece. A começar na noite deste sábado quando sairemos a passear de mãos dadas até a mesa que abriga um saborosa garrafa de vinho azul, preto e branco. Da melhor safra.

Avalanche Tricolor: Vingamos o Boca


Os “argentinos” comemoram a vitória contra o Fluminense (imagem do PPV)

Grêmio 2 x 1 Fluminense
Brasileiro – Estádio Olímpico

Renato, que estava no banco do Fluminense, é ídolo no estádio Olímpico. Jardel, que estava no camarote, também. Perea, que estava em campo, um dia será. E o caminho para chegar a esta condição o atacante colombiano trilha. É o goleador do time, e fez dois na vitória deste domingo. Ainda precisa de títulos em sua carreira no tricolor. Pode ser o brasileiro deste ano ou a Libertadores no ano que vem para onde o Grêmio pretende voltar.

A vitória no fim de semana além de nos deixar na disputa das quatro vagas para o torneio continental ainda nos proporcionou o sabor especial de vencer o finalista da Libertadores, já que o Fluminense escalou seu time titular. Sinal de respeito ao adversário, sem dúvida.

Como os gremistas costumam ser “acusados” de se parecerem muito mais com os argentinos do que com os brasileiros, daria para dizer que a vitória de hoje foi uma espécie de vingança pela derrota do Boca Junior, no meio da semana.

PPV é cultura

Reinaldo, do Grêmio, faz aniversário hoje. Igor, do Fluminense, é gaúcho. Felipe, ala direito tem 19 anos, é o único gaúcho no time titular do Grêmio. PPV é cultura inútil.

Avalanche Tricolor: Programa de sábado



Vasco 2 x 1 Grêmio

Brasileiro – Rio de Janeiro

Frio, muito frio. Assim foi o sábado. Logo cedo havia saído de casa para apresentar o CBN SP. Valeu acordar cedo. A conversa foi boa com os ambientalistas que estiveram no estúdio. Não conhecia duas delas, Nina e Marússia. Bocuhy é índio velho de guerra. Testei um novo formato para o blog. Aproveitando a presença deles, ao vivo, gravei rápido depoimento em meu celular para postar neste espaço (veja o da Marússia logo abaixo). Ainda preciso ajustar a qualidade de som e vídeo, mas gostei da experiência.

À tarde, assisti ao torneio de videogame promovido na livraria Siciliano, do Shopping Anália Franco. Uma garotada divertida dirigindo carrinhos virtuais em busca de mais diversão. Mesmo lá dentro, o café quente foi a opção para fugir do frio. Do lado de fora, no primeiro semáforo, a constatação de que a cidade, de sul a leste, e oeste, também, está dominada pelos investidores do setor imobiliário. Meu carro ficou cheio de papéis com ofertas de apartamento. Aqueles que a Lei Cidade Limpa proíbe, mas para a qual imobiliárias e empreendedoras dão de ombros.

No fim da tarde, com a temperatura ainda mais baixa ficar embaixo do cobertor foi, sem dúvida, a melhor das opções. Um copo de vinho para acompanhar alguns petiscos que apareceram à minha frente completou o início da noite. Na TV, aqueles programinhas sem graça, filmes sem emoção e futebol … bem, de futebol, a gente fala quando a temperatura aumentar.

Avalanche Tricolor: Coincidência e ironia

Torcer no PPV é sempre um sofrimento mesmo quando seu time marca gol


Grêmio 2 x 0 Náutico

Campeonato Brasileiro – Olímpico

Jung (o Carl Gustav), mestre na arte da terapia, parece não acreditar em coincidências. No meu caso foi. Para testar novo programa no celular capaz de baixar vídeos direto do YouTube, sem titubear, fui nas imagens da final da Batalha dos Aflitos. Confesso: me emocionei. Mais uma vez me emocionei. É sempre assim quando lembro daquele jogo que marcou a final do Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, de 2005. Um dos momentos mais incríveis do futebol.

Neste sábado, Grêmio e Náutico se encontraram no estádio Olímpico, para terceira partida do Brasileiro da Primeira Divisão. Em campo, com a camisa do Grêmio, daqueles que protagonizaram o feito histórico, havia apenas Pereira. Com a bola rolando, as emoções eram bastante distintas, sem dúvida. O momento é outro, a situação, também, apesar de estarem disputando o primeiro lugar da competição. Porém, da mesma forma que há três anos, a torcida deixou o estádio comemorando a vitória, além da liderança do campeonato e o fato de continuarmos sendo o único clube invicto do Sul do país.

Sofrível é ser torcedor de PPV e depender da boa vontade da emissora que transmite os jogos. No de hoje, assim que se encerrou a partida em vez de ouvir os jogadores do Grêmio festejando o resultado, apareceu a choradeira dos colorados que haviam perdido para o Flamengo, no Rio. Se for uma ironia, a gente até aceita. Jung (o Carl Gustav) também gostava dela.

Avalanche Tricolor: Para Míriam e Lúcia não reclamarem

Seneme foi tão chato quanta as traves que impediram o gol do Grêmio

Grêmio 0 x 0 Flamengo

Estádio Olímpico – Brasileiro

Uma trave incomoda muita gente, duas traves incomodam muito mais. Um juiz incomoda muita gente, Wilson Luiz Seneme e seus auxiliares incomodam muito mais. Junta tudo isso em campo e mesmo que tenhamos dois ex-campeões do Mundo, da Libertadores e do Brasil tentando jogar futebol, o torcedor vai para casa sem assistir aos gols que tanto gostaria. E torcedores não faltaram no estádio Olímpico, na tarde deste domingo. Mais de 42 mil estiveram por lá na certeza de que veriam um jogo no qual o destaque fossem os jogadores, não o árbitro que se atravessou no caminho do bom futebol, chegou a tirar uma bola dos pés de Roger, impedindo um contra-ataque gremista, e esqueceu que se o adversário é derrubado dentro da área tem de marcar pênalti.

Traves e juízes incomodam a todos. E torcedor chorão, muito mais. Por isso, fico por aqui com o consolo de que se o goleiro Bruno, do Flamengo, tirou o time nas costas (ou nas mãos) era para não entristecer as minhas colegas de manhã, Lúcia Hippolito e Miriam Leitão, que nos últimos tempos andavam cabisbaixa com os resultados de seu time.

Avalanche Tricolor: Passado e presente


O placar foi igual ao da final do Brasileiro de 1981

Não lembro bem se estava frio como neste sábado. Sei, porém, que no gol do Grêmio havia Leão, elegante e mais baixo do que Victor, titular de hoje.

Um dos laterais também era Paulo, como atualmente. Mas Roberto, não Sérgio. A defesa ainda tinha Newmar, De Leon e Casemiro. Por mais que se aposte em Léo que hoje dá segurança a cozinha tricolor, falta muito para o garoto revelado nas categorias de base ter a mesma fama.

Nosso meio de campo era formado por China, Paulo Isidoro e Vilson Tadei. Em campo, somente Roger poderia ser comparado a eles.

Se jogava com três atacantes: Tarciso, Baltazar e Odair. Os atuais, Soares e Perea precisam rodar muitos quilômetros para alcançá-los.

Quando olhei para o banco, no lugar do padrinho Ênio Andrade, estava Celso Roth.

A camisa era muito parecida, apesar de que a atual ganhou um pano azul nas costas que ninguém soube me explicar para que serve.

Sem dúvida, o Grêmio que enfrentou o São Paulo, neste sábado, tem muitas diferenças daquele que conquistou o Campeonato Brasileiro no dia 3 de maio de 1981.

Algumas coisas, porém, não mudaram: minha paixão gremista e o placar de 1 a 0.