Avalanche Tricolor: Inesquecível

Grêmio 1 x 0 Santa Cruz
Campeonato Gaúcho – Estádio Olímpico

O adversário tem sete ex-gremistas no elenco e para você que é entendido em futebol esta informação é suficiente para compreender as dificuldades que o Grêmio enfrentaria em campo, na terceira rodada do Campeonato Gaúcho.

Isto, no entanto, não foi empecilho para o Grêmio manter sua invencibilidade no mais forte campeonato estadual do Brasil. O jovem time gremista teve estilo (não me pergunte qual, por favor ?) e segue irresistível na competição.

A coluna “Avalanche Tricolor” surgirá sempre neste blog no momento em que os jogadores do time adversário ainda estarão disputando a tapa a camisa de um dos craques do Grêmio. Por falar em craque, você mal-acostumado que assiste ao Adriano, Acosta e Valdívia no Campeonato Paulista não tem idéia do que é torcer para um time que tem em Wilson Magrão seu goleador na temporada – marcou dois gols até agora. Faça esta experiência. Será inesquecível.

Avalanche Tricolor: Invicto no Sul



Sapucaiense 1 x 1 Grêmio

Você talvez nunca tenha ouvido falar do Sapucaiense. Não lhe culpo por esta falha. Impossível exigir do torcedor conhecimento aprofundado dos fatos do futebol mundial. Aposto que você nem lembra mais da escalação do seu time no primeiro jogo da temporada de 1963. Por tanto, irei desconsiderar esta expressão de dúvida, sobrancelhas cerradas e beiço em posição de nunca-ouvi-falar.

O Sapucaiense que resistiu heroicamente ao poder tricolor é …. (Ah! Pesquisa na internet)

O que interessa é que o Grêmio segue invicto no mais forte campeonato estadual do País, o Gauchão, motivo de extrema satisfação para a coluna Avalanche Tricolor que estreou no sábado passado, neste blog, com o intuito de deixá-lo por dentro do que acontece com o tricolor gaúcho, jogo a jogo.

Fosse você não deixaria de acompanhar esta seção. Quando seu time estiver diante do meu, não vai dizer que não avisei.

A avalanche está de volta

Grêmio 3 x 0 XV de Campo Bom
Campeonato Gaúcho, 1a rodada

A partir deste sábado, a coluna “Avalanche Tricolor” ganha espaço neste blog com o objetivo de ser o post esportivo menos imparcial possível. Falarei da saga do Grêmio no ano de 2008. Para o Grêmio, jogos de futebol, campeonatos e copas, sempre se transformam em uma saga. Sejam bons ou maus os resultados, a intenção é mostrar que o planeta Terra seguirá girando e o Grêmio continuará grande.

Por mais parcial que seja, o espaço está aberto para a turma do blog deixar o seu comentário sobre as coisas que acontecem no esporte – se você for colorado corre o risco de ter seu comentário apagado, mas vale a tentativa.

Volto para casa abraçado no meu troféu

Airton Ferreira da Silva, o Pavilhão, zagueiro como poucos que tiveram na história do futebol brasileiro, chegou acompanhado por amigos e apoiado em uma bengala. Tive o atrevimento de apertar-lhe a mão e dirigir-lhe um sincero “muito prazer”. O rosto está envelhecido, sinal de uma doença que não perdoa nem os merecedores da imortalidade.

Iúra, que um dia chorou emocionado ao me ver, menino, entristecido por uma derrota qualquer, também estava lá. Muito mais gordo do que na época em que era conhecido como o Passarinho, mas com o mesmo sorriso. Tarciso também sorria e foi saudado pela torcida assim que perceberam a presença dele. Apesar da idade, ainda conserva muito do Flecha Negra que conquistou o título mundial de 1983.

China, que na função de capitão ergueu o troféu de um dos muitos títulos que comemorei, está bem mais largo do que na época em que dominava o meio campo gremista. Anchieta, o capitão dos Andes, elegante como seu futebol, desce as escadas de cabelos grisalhos. Mazaropi passa correndo, o jogo estava para começar, incentivando aqueles que o aplaudiam.

O desfile de ídolos na noite desta quarta-feira no Olímpico Monumental foi intenso, assim como meu orgulho de ver que parte da história deste clube reverenciava a presença de meu parceiro de torcida. Após muitos anos, nós dois não conseguimos lembrar quando foi a última vez, voltei ao estádio ao lado de meu pai, aquele que me levou para comemorar o primeiro título de campeão, em 1977.

E não eram apenas meus ídolos que faziam questão de estender a mão para ele. Antes mesmo de cruzarmos o Pórtico dos Campeões, torcedores gritavam seu nome e acenavam. Já nas cadeiras cativas, a saudação acompanhada do grito de gol que marcou sua carreira (gol-gol-gol) sinalizava a lembrança ainda viva na memória daquela legião de gremistas.

Os místicos lamentavam a ausência dele no microfone da radio Guaíba: – Você era pé-quente ! O compositor gaudério o homenageou com um apelido que nos fez rir: – Este é o Frank Sinatra do rádio gaúcho. Havia os que se cutucavam e comentavam em voz baixa como se não quisessem incomodar. Mesmo destes não consegui esconder minha satisfação pela homenagem.

Há 30 anos, quando deixei a casa onde morava em direção ao estádio, de mãos dadas com ele, caminhávamos em busca de um título jamais comemorado por mim; nessa noite de quarta, fiz o caminho inverso, saí do estádio para a casa, com o braço sobre os ombros do meu pai na certeza de que, tendo acontecido o que tinha de acontecer dentro de campo, aquele era meu maior troféu.

Obrigado, Boca

É um privilégio decidir um título de Libertadores com um time que tem a história do Boca Juniors.

Em memória

A imortalidade não se perde em uma final de campeonato; se conquista com uma história de vida.

E para sair de férias

Muito obrigado aos amigos, leitores, ouvintes e internautas que me escrevem desde o fim da partida. Fico feliz de saber que enquanto assistiam ao jogo de alguma maneira lembraram deste jornalista. É muito mais do que eu poderia merecer.

É HOJE !

Da casa, na Saldanha Marinho, dá para ouvir o grito de gol e assistir ao desfile de uma torcida que no ritmo do hino de seu clube do coração segue a pé a caminho do Olímpico. Morei ali por quase três décadas. Em 1977, repetindo mesmo trajeto e gesto que havia anos realizava, deixei a casa para trás de mãos dadas com meu pai em direção ao estádio. Não era um jogo qualquer como tantos outros que acompanhara nos meus 14 anos de vida. Era o jogo.

O Grêmio não vencia havia oito anos o Campeonato Gaúcho. Com Telê Santana no comando montara um time e tanto: Corbo, Eurico, Oberdan e Ladinho; Vitor Hugo, Tadeu e Iura; Tarciso, André Catimba e Éder. Havia sido o melhor da competição e só, só precisa de mais uma vitória.

No caminho para o estádio, ouve-se apenas uma expressão: “É hoje”, repetem os torcedores que se engajam na caravana.

“É hoje, pai, que eu vou ser campeão ? “É hoje”, responde confiante.

O estádio lotado em azul, preto e branco. Das cadeiras cativas, como se fosse um presente, diante de mim, Iura passa para André que crava a bola na rede. É gol ! É gol do Grêmio.

Lembro como chorei, chorei muito. Era a primeira vez que via meu Grêmio ser campeão.

Daqui a pouco, deixo a mesma casa, na Saldanha Marinho. Como se estivesse de mãos dadas com meu pai, sigo para o Olímpico com a mesma confiança daquele menino. É hoje, é hoje que vamos construir mais um capítulo das façanhas do Imortal Tricolor.


Na cambalhota, André se machuca, sai de campo, mas já era campeão