Avalanche Tricolor: vamos falar de André, o 77

Goiás 1×1 Grêmio

Brasileiro – Serrinha, Goiânia/GO

André recebe o abraço de Suárez em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Tem nome de goleador. E não foi qualquer goleador. Vamos lembrar: André, sobrenome Catimba, foi quem marcou o gol histórico que nos deu o Campeonato Gaúcho de 1977. Rememorar aquela competição é voltar ao instante em que, ainda adolescente, tive a maior alegria que o Grêmio poderia me dar naqueles tempos. 

Aos gremistas, caros e raros que visitam esta Avalanche, é desnecessário descrever o que representou o título estadual, após amargarmos sete anos de perdas. Hoje, é óbvio, os tempos são outros. Não apenas porque passou como sempre o tempo passa, mas porque as pretensões do Grêmio são muito maiores do que apenas manter a hegemonia estadual.

O André de hoje é bem diferente daquele, também. Quando Catimba entrou para nossa história, tinha idade avançada, 31 anos. Era experiente. Rodado, como se fiz no futebol. Seu apelido era autoexplicativo. De estatura mediana, conseguia furar bloqueios com talento, raça e muita malandragem. Encarava qualquer grandalhão que se atravessasse no seu caminho.  

O de agora é um guri. Apenas 21 anos. Nem apelido tem (ao menos não que valha destaque quando está em campo). Quando muito é lembrado pelo nome composto: André Henrique. Tinha apenas passagem em clubes de pequena expressão: Capivariano, do interior de São Paulo, e os catarinenses Marcílio Dias e Hercílio Luz, onde estava quando foi surpreendido com um convite para jogar na Arena. 

”Caraca, o Grêmio, clube gigante de A” — pensou consigo mesmo, como confessou na primeira entrevista já vestindo a camisa tricolor, em abril deste ano. Até aquele momento, André analisava convites de clubes da série B, lá por Santa Catarina mesmo. 

Se jogar na A era sonho distante, imagine ser o jogador reverenciado e abraçado por um dos maiores artilheiros da história do futebol mundial. Hoje, ao marcar de cabeça, após cobrança de escanteio de Ferreirinha, aos 48 do segundo tempo, foi de Luis Suárez o primeiro e efusivo abraço que recebeu na comemoração do gol que impediu que o Grêmio fosse derrotado, no fim da rodada deste domingo. 

Para marcar seu segundo gol com a camisa do Grêmio —- para mim o terceiro e mais à frente explico o motivo —, André primeiro disputou pelo alto com o zagueiro adversário e forçou o escanteio. Na cobrança que veio da direita, estava bem colocado e subiu muito para se safar da marcação e girar a cabeça em direção a bola, em movimento clássico de quem sabe o que está fazendo, que entende do riscado. 

A primeira vez em que havia comemorado seu gol com o Grêmio foi em jogo já decidido, uma goleada contra o Coritiba, na décima segunda rodada do Campeonato Brasileiro. Bem mais importante do que esse gol, porém, foi o que marcou nas cobranças de pênalti que nos valeram uma vaga à semifinal da Copa do Brasil — e esse não entra nas estatísticas, erroneamente. Depois do empate no jogo corrido e na primeira série de pênaltis, coube a André abrir a cobrança alternada. Teve segurança e categoria para superar o goleiro, estufar a rede, colocar o Grêmio à frente e jogar a pressão para o adversário. Como você deve lembrar, Gandro defendeu a última cobrança e o Grêmio está na semifinal.

André jogou pouco até aqui. Em raras partidas saiu como titular. Na maioria das vezes, entra nos minutos finais. Hoje, foi a campo aos 38 do segundo tempo quando já estávamos atrás do marcador e o empate parecia difícil diante da falta de criatividade do time. Seu esforço e talento no cabeceio nos renderam um ponto importante na disputa acirrada pelas vagas da Libertadores. 

Se alcançará os feitos de seu xará dos anos de 1970 é muito cedo para afirmar. O fato é que aos poucos parece estar se sentindo cada vez mais à vontade e confiante com a camisa do Grêmio, o “clube gigante da A”. E leva nas costas uma feliz coincidência. O número 77 do ano em que o pai dele nasceu (e essa foi a razão da escolha que fez) e do ano em que André Catimba entrou para a história do Imortal. 

Avalanche Tricolor: alucinações de um torcedor

Grêmio 0x2 Flamengo

Copa do Brasil – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Reprodução de ClicRBS, foto de André Avila/Agência RBS

Um a zero no primeiro; dois a zero, no segundo tempo. E Grando resolve na cobrança de pênaltis. O roteiro para mais uma virada histórica do Imortal, no Rio de Janeiro, já está escrito no coração do torcedor gremista — aquele que lotou a Arena e cantou e cantou e cantou mesmo após o apito final de uma partida em que perdemos por dois gols de diferença e tivemos de jogar mais de meia hora com um jogador a menos contra o time mais rico e poderoso do Brasil. 

Para quem ainda precisa de mais uma pitada de alucinação, pouco antes de o jogo se iniciar, leio no ex-Twitter de Edu Cesar, titular e editor do @PapodeBola, uma frase clássica de Armindo Antonio Ranzolin, um dos maiores narradores esportivos que o rádio gaúcho já teve: eu disse que acreditassem, eu pedi que acreditassem, eu nunca deixei de acreditar” — o grito do locutor foi proferido ao fim do título da Libertadores da América, em 1983, e virou estrofe de música dos Engenheiros do Hawaii.

Quem me convence de que deparar com essa lembrança em um tuíte (ou agora se chama “xiste”?) sem pretensão, escrito sei lá por qual motivo, não seja um sinal dos céus para apaziguar o coração angustiado deste torcedor que lhe escreve, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche. 

Acabo de ver meu time ser derrotado em casa,  sair atrás na decisão da vaga à final da Copa do Brasil e perder seu principal zagueiro e capitão, Kannemann, por “duplo” cartão amarelo — aplicado por um árbitro que foi pouco criterioso na distribuição das punições —, no início do segundo tempo, o que lhe tira da próxima partida, no Maracanã. Tudo isso acontecendo em uma noite na qual o futebol gremista pouco apareceu, com exceção dos 20 primeiros minutos de jogo quando Suarez tentou mais uma vez aquele gol antológico à longa distância e Villasanti desperdiçou um gol frente a frente do goleiro quando o placar ainda estava zerado. 

A persistirem os sintomas de alucinação desta Avalanche, pode começar a levantar uma estátua para Gabriel Grando, porque iremos agradecer muito a ele por ter defendido um pênalti ainda no primeiro tempo do jogo de hoje. Será graças aquela defesa que nos habilitaremos a cometer mais um desvario no futebol brasileiro, nos classificando à final contra todos os prognósticos e crenças.

Avalanche Tricolor: eu vim ver o Grêmio e venci!

Grêmio 1×0 Atlético MG

Brasileiro – Arena Grêmio

Ronald comemora o gol da vitória em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Estar em Porto Alegre é estar em família. É reviver o passado. É relembrar a vida que se foi e me trouxe até aqui. É homenagear os que me legaram a carreira que percorri e reencontrar o principal protagonista da minha história nas casas que frequentei quando criança, nas ruas pelas quais passei na adolescência e nas esquinas que me provocavam a escolher um caminho em busca do amadurecimento — eu mesmo.

Todas essas sensações percorrem as veias e mexem com as emoções quando chego à cidade. Estando aqui não há como esquecer o quanto minha história com o Grêmio foi importante — mais do que o time de futebol, aquele espaço que hoje é ruínas, muito próximo da casa em que vivi e me abriga sempre que visito a capital gaúcha foi meu palco de vida, onde forjei parte da personalidade que me representa, construí relações familiares e fraternais e aprendi a valorizar tanto vitórias quanto derrotas.

Estar na Arena, na noite desse sábado, ao lado do Christian, meu irmão, e da Jacque, minha irmã, é evocar aos céus a presença daquele que me fez gente e gremista — meu pai, que nos deixou há quatro anos em um 28 de julho. Por isso, mais do que o resultado, o que me importava era a solenidade do ato: vestir a camisa do Grêmio, sair de casa em direção ao estádio com meus irmãos, sentar-me em uma cadeira e ao lado deles torcer pelo que desse e viesse.

Veio uma vitória que nos projetou à vice-liderança do Campeonato Brasileiro. Vitória sofrida! Nem tanto pela forma como se construiu. O gol chegou cedo em uma cobrança de escanteio que foi concluída nas redes por Ronald, de apenas 20 anos, que está no clube desde pequeno e estreou hoje realizando o sonho de todos nós que já fomos um guri gremista.

O sofrimento deu-se na sequência quando o adversário se adonou da bola. Mesmo que não tenha sido capaz de transformar esse ato em superioridade técnica, exigiu uma atenção redobrada dos nossos marcadores. Nesse quesito, Walter Kannemann foi a referência do torcedor, foi gigante ao anular toda e qualquer tentativa de ataque. Nas vezes em que as ações passavam distante da intervenção de nosso zagueiro, Grando voltou a ser grande. Defendeu as bolas que por ventura não eram interceptadas por nossos defensores. E o fez mesmo naquelas em que o nível de dificuldade exigia rapidez e habilidade.

Saber sofrer é preciso. E o gremista ontem aprendeu mais um pouco. Entendeu o momento da equipe, apoiou do início ao fim, e comemorou de gol marcado a bola despachada pela lateral; de gol anulado a cartão amarelo para o adversário —- foi a primeira vez que assisti à revisão do VAR no estádio, e gostei, especialmente porque foi providencial. Sabia que os três pontos se faziam necessários e a torcida esteve ao lado do time — uma prévia do que acontecerá na quarta-feira, na Copa do Brasil. 

Nenhuma ausência no gramado me fez frustrar a expectativa de estar na Arena, porque vim a Porto Alegre, vi o Grêmio e venci (dentro e fora do campo)!

Procrastinação: na volta a gente fala sobre isso

Com o fim das férias se aproximando em alta velocidade, paro alguns minutos (apenas alguns porque não quero perder tempo de descanso) para pensar sobre o que havia planejado para esses dias, tarefas que fiquei de fazer enquanto estivesse longe do trabalho e projetos que havia programado para a volta. Talvez tenha feito mais do que devesse — considerando as recomendações dos especialistas em saude mental e relaxamento — e bem menos do que imaginei há três semanas. Com certeza li muito e de tudo um pouco. Hoje mesmo, assim que acordei, deparei com a newsletter de Leo Calcio, um italiano especialista em gestão de marcas, que trazia artigo com o título: “Vamos conversar sobre isso em setembro?”.

A frase-título do artigo, escrita na forma de pergunta, costuma ser dita em tom de afirmação, especialmente em ambientes profissionais, na Itália, de acordo com Calcio. É o jeito italiano de procrastinar decisões neste período do ano, quando se iniciam as férias de verão.  É algo como nós, no Brasil, deixando os temas mais relevantes para depois do Carnaval. A intenção por trás do “deixa para setembro” ou do “depois do Carnaval” é não lidar com o problema imediatamente e postergá-lo para um momento futuro e indeterminado. A atitude cria uma falsa sensação de alívio, mas acaba afastando todos de uma solução imediata e até mesmo de uma transação financeira vantajosa — já que estamos falando aqui de projetos profissionais.

Os motivos por trás da escolha de setembro

Embora a escolha de setembro como o mês para retomar as discussões possa parecer arbitrária, existe um contexto cultural e psicológico por trás disso, explica Calcio. Muitos veem setembro como o mês do “recomeço”, um período em que se sentem mais motivados e dispostos a enfrentar novos desafios — no caso europeu, devido as férias de verão no meio do ano, uma segunda chance de recomeçar, já que a sensação de janeiro é a mesma. Além disso, a volta ao trabalho tende a despertar um senso de urgência em retomar os compromissos. Então, deixemos para quando as férias terminarem.

Comportamento humano diante de compromissos

Seja com a justificava de quando setembro chegar ou quando o Carnaval passar, a procrastinação é um traço comum do comportamento humano quando se trata de compromissos e responsabilidades. Ela pode ser causada por diversos fatores, como medo do fracasso, falta de motivação ou desejo de preservar a zona de conforto. Compreender esses motivos nos ajuda a lidar de forma mais eficaz com a procrastinação e melhorar nossa produtividade.

“Certo? Errado? Provavelmente a última opção. Exceto pelo fato de estarmos no verão, a vida é mais do que trabalho e, por uma vez, talvez pudéssemos parar de nos perguntar “por que” das coisas e “deixar ir”, sem forçar algo que claramente não é forçado porque faz parte da cultura de nosso país desorganizado, mas também virtuoso”.

Leo Calcio

Dados sobre a procrastinação e suas consequências

Somos muito parecidos, brasileiros e italianos, em relação a procrastinação. Mas não somos apenas nós. É do ser humano  a despeito dos males que essa prática exagerada possa causar. Estudos têm mostrado que a procrastinação pode ter efeitos negativos tanto no ambiente de trabalho quanto na vida pessoal. Ela leva a atrasos, aumento do estresse e redução da qualidade do trabalho. É importante reconhecer essas consequências para buscar soluções e estratégias que nos ajudem a superar a procrastinação.

Estratégias para lidar com a procrastinação

Calcio brinca ao fim de seu artigo, perguntando aos leitores se devemos falar desse assunto, a procrastinação, agora ou devemos deixar para setembro. Por brasileiros que somos e diante do fato de que estarei retornando ao trabalho em três dias e, portanto, não terei mais como fugir de alguns compromissos que posterguei, vamos a algumas estratégias para lidar com a procrastinação — esse hábito que nunca tira férias:

  • a) Conscientização: Reconheça os padrões de procrastinação em sua vida e esteja ciente dos momentos em que está adiando compromissos importantes.
  • b) Defina metas claras: Estabeleça metas específicas e mensuráveis, e divida-as em etapas menores para torná-las mais alcançáveis.
  • c) Gerencie seu tempo: Utilize técnicas de gestão do tempo, como a técnica Pomodoro*, para ajudar a manter o foco e a produtividade.
  • d) Encontre motivação: Descubra o que o inspira e motive-se com recompensas ou prazos estabelecidos.
  • e) Busque apoio: Compartilhe seus objetivos com outras pessoas, que possam lhe fornecer suporte e prestação de contas.

*Técnica Pomodoro é um método de gerenciamento de tempo desenvolvido por Francesco Cirillo no final dos anos 1980. A técnica consiste na utilização de um cronômetro para dividir o trabalho em períodos de 25 minutos, separados por breves intervalos.[1] A técnica deriva seu nome da palavra italiana pomodoro (tomate), como referência ao popular cronômetro gastronômico na forma dessa fruta. O método é baseado na ideia de que pausas frequentes podem aumentar a agilidade mental (Wikipedia)

Avalanche Tricolor: o Grêmio de Grando é Grande!

Grêmio 1×1 Bahia

Copa do Brasil – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

jogadores vibram com Grando após classificação em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O Grêmio de Lara, o Craque Imortal

É o Grêmio de Mazarópi, o Campeão Mundial;

É o Grêmio de Danrlei, Sempre Eterno Danrlei;

É o Grêmio de Corbo, Goleiro do Meu Gauchão;

É o Grêmio de Leão, Campeão Brasileiro;

É o Grêmio de Manga e suas defesas incríveis;

É, sim, o Grêmio de Picasso, com quem tanto sofri e virei fã;

É o Grêmio de Galato, da Batalha dos Aflitos;

É o Grêmio de Marcelo Grohe, nossa Paixão;

E agora, é, também, o Grêmio de Gabriel Grando, o Grande!!!

Avalanche Tricolor: no limite!

Grêmio 0x2 Botafogo

Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Suárez em destaque na foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O Grêmio joga no limite. Com o seu limite. 

Luis Suárez é quem melhor representa essa verdade, ao não conseguir esconder mais a expressão de dor no rosto, a passada marcada pelo arrastar da perna direita e o segurar de joelhos com as mãos sempre que a bola para. Sofre em campo e não desiste. Não se entrega. Tira do limite do corpo o melhor que seu talento consegue oferecer. Tabela com os companheiros, antevê a jogada, se posiciona para receber e não desperdiça uma oportunidade de chutar a gol. Hoje, por duas vezes, esteve próximo de ser antológico. Na primeira, a bola desviou no travessão; na segunda, o goleiro adversário impediu o gol. Entre uma e outra jogada, chutou como poucas vezes se viu nesses últimos jogos. Desta vez, sem sucesso. 

Considerando o limite do seu grupo de jogadores — que não é apenas físico, como no caso de Suárez —, o Grêmio surpreende até aqui ao permanecer entre os primeiros colocados do Brasileiro, especialmente se pensarmos que chegou na temporada alvo de desconfiança. Dentre os descrentes muitos dos nossos torcedores — alguns, é verdade, apenas oportunistas a espera de um revés para exalar suas discordâncias. Mesmo diante de todas as restrições, o Grêmio vem acumulando bons resultados, alguns construídos na última hora, como os da Copa do Brasil. 

Temos indícios de bom futebol, também. Na partida de hoje, assistimos nossos jogadores se aproximando e tabelando apesar do pouco espaço diante da marcação forte do adversário. Toques curtos e de primeira permitiram que avançássemos em direção a área. Houve boas viradas de jogo, passes qualificados e entrega na marcação que permitia a roubada da bola para iniciar o ataque. As chances se acumularam no primeiro tempo. Infelizmente, foram desperdiçadas.

Desta vez, pagamos caro por não transformar nosso esforço em gol. Contra um adversário que também surpreende a lógica do futebol ao disparar na liderança do campeonato após entrar desacreditado na competição, fomos incapazes de conter a precisão de seus ataques e amargamos uma rara derrota em casa. Foram dez meses e 24 jogos de invencibilidade na Arena,  o que, convenhamos, também desafiava nossos limites. 

O resultado não nos tira do topo da tabela. Seguimos entre os três primeiros classificados no Brasileiro. Na Copa do Brasil, vamos para mais uma decisão, na quinta, outra vez diante da nossa torcida. A medida que a temporada avança novos limites surgirão e caberá ao Grêmio reconhecê-los e superá-los como sempre fizemos ao longo da nossa história. 

Avalanche Tricolor: não dá pra elogiar!

Bahia 1×1 Grêmio

Copa do Brasil – Arena Fonte Nova, Salvador/BA

Bitello e Reinaldo iniciam jogada que resulta no gol de Cuiabano Foto: LucasUebel/GrêmioFBPA

Calma! Não se precipite! O título que abre esta Avalanche não se refere ao Grêmio que conquistou mais um bom resultado no desenlace da primeira partida das quartas de final da Copa do Brasil. É uma referência a conversa que tive com você, caro e cada vez mais raro leitor, sobre minha experiência com a internet durante meus períodos de férias ou, para ser mais preciso, minhas aventuras para assistir ao Grêmio onde quer que eu estivesse.

Hoje, com toda a tecnologia disponível, 5G no celular, banda larga de alta velocidade e outras traquitanas que nos colocam em contato com qualquer (ou quase) parte do mundo, ainda encontramos barreiras que nos afastam do prazer de um jogo de futebol. Chuvas e raios registrados há alguns dias aqui em Ansedonia, litoral do Tirreno, onde aproveito minhas férias, teriam atingido o sinal de internet da casa — a operadora promete resolver tudo nesta quarta-feira. Além disso, aqui no alto da montanha  o celular teima em navegar no velho e lento 3G, o que torna impossível assistir a imagens ao vivo. 

Diante desses problemas da tecnologia e de a partida ter se iniciado às duas da madrugada, hora local, pouco me restou a fazer a não ser driblar a ansiedade, fechar os olhos, dormir e esperar por boas notícias na manhã seguinte.

Claro que não tive sucesso. Assim como algumas das nossas tentativas de ataque, ontem à noite, no Brasil, fui desarmado pelo adversário —  a inquietação. De tempos em tempos, acordava e acessava o celular para saber o que estava acontecendo lá na Bahia. 

Acordei algumas vezes ainda no primeiro tempo e o placar permanecia no 0 a 0, o que para mim já estaria de bom tamanho, considerando que a vaga será decidida na nossa Arena. Como minha fonte de informação era o “placar em tempo real” do Google, não soube da ausência de Luis Suárez, que sentiu dores enquanto fazia o aquecimento pré-jogo. Nem sofri com os constantes chutes a gol do adversário.

Por uma generosidade de Morfeu, após ser informado que tínhamos ido para o intervalo no 0 a 0, o sono se estendeu por mais tempo e só fui acordar quando tudo já estava resolvido — sem o sofrimento de assistir ao gol do adversário nos primeiros minutos da segunda etapa e a pressão de um time embalado pela torcida nem o prazer de comemorar mais um resultado positivo conquistado nos acréscimos. 

Restou-me conferir os melhores momentos da partida que sequer foram tantos — ao menos na ótica do editor do vídeo do GE. E vibrar —- acredite, comemorei no “videotape” — com o gol de Cuiabano que concluiu nas redes, em lance que lembrou o da vitória de domingo. Uma chegada forte pela esquerda, um passe preciso de Bitello, o deslocamento de Reinaldo em direção a linha de fundo e o cruzamento dentro da pequena área. No jogo passado foi Ferreirinha quem fez as vezes de Reinaldo e Gustavo Martins as de Cuiabano. Bitello seguiu sendo Bitello.

Este Grêmio que estamos assistindo conecta muito bem a experiência e a juventude, o talento e a intensidade, a paciência e a raça que nos impedem de desistir enquanto houver um sinal de esperança. Claro que a medida que essa conexão estiver funcionando pouco importa meu sinal de internet — mas que o pessoal da TI resolva logo os problemas por aqui porque tem mais decisão nas próximas semanas.

Avalanche Tricolor: com o Grêmio onde a internet estiver

Bahia 1×2 Grêmio

Campeonato Brasileiro – Arena Fonte Nova, Salvador/BA

Gustavo Martins comemora o gol da vitória em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Férias nunca me afastaram do Grêmio. Para acompanhar seu desempenho e seus resultados, usei de todos os artifícios que encontrei. Já “assisti” a partidas a bordo do navio e com internet à lenha (o máximo que conseguia era atualizar o placar em um site); investi em uma “caixa mágica” que replicava minha TV a cabo em qualquer parte do mundo; e, confesso, recorri a transmissões alternativas quando nada mais me restava. Nem sempre esse esforço foi recompensando. Uma passagem de olhos em Avalanches escritas em tempos de férias mostra quão difícil já foi nossa vida para manter a audiência e a torcida — derrotas retumbantes, performances frustrantes e placares desfavoráveis me ajudaram a escrever essas crônicas no exterior.

A vida hoje é bem mais simples. Pouco antes da meia-noite, aqui na Itália, acessei a internet, preenchi uma ou duas vezes os pedidos de confirmação de email e senha, e as imagens do canal Premier estavam à disposição na tela do computador. Verdade que a internet do hotel em Orbetello ameaçava me deixar na mão em alguns momentos, atrasando a conclusão da jogada para  aumentar minha ansiedade. Nada parecido com que já sofri no passado. 

Assim como a tecnologia avançou, o Grêmio e seu futebol, também. Mesmo com os riscos que sofremos e o gol de empate que tomamos ainda no primeiro tempo, o desempenho gremista nesse início de rodada de Campeonato Brasileiro foi muito bom. Comemorei até gol anulado pelo VAR. A jogada que fez Suárez concluir às redes, no que deveria ter sido o gol da vitória, foi simbólica, desde o passe de costas de Villasanti, o cruzamento em um só toque de Bitello até o chute de primeira de nosso atacante.

Nos deixamos dominar pelo adversário em parte do primeiro tempo, apesar de termos iniciado melhores e marcado logo de início através de Cristaldo. Voltamos no segundo tempo com uma intensidade alucinante. Fico pensando o que teriam conversado no vestiário para sermos capazes de retomar o ritmo e a forma brilhante de passar a bola, se deslocar, receber e chutar. 

Villa e Bitello foram incríveis. Suárez com todas as limitações físicas e visíveis, consegue ser muito superior a qualquer outro vivente que se atreva a jogar futebol. Cuiabano entrou muito bem.

A defesa, depois dos primeiros desacertos de posição, manteve-se segura e foi decisiva nos dois gols. No primeiro, a jogada começou com um desarme de Kannemann na intermediária adversária. E o segundo teve a conclusão do jovem Gustavo Martins — naquela altura do jogo, um zagueiro aparecer dentro da área para marcar é sinal de muita disposição, fôlego e crença. 

A ressaltar a assistência de Ferreirinha que entrou nos minutos finais, depois de uma lesão que o tirou por mais de três meses do time, e com drible e precisão nos proporcionou a oportunidade dos três pontos que nos mantém na vice-liderança do Campeonato Brasileiro — uma posição alcançada apesar de derrotas que havíamos sofrido contra dois dos principais concorrentes ao título, que seguem atras de nós. Aliás, uma verdade que apenas confirma o que sempre pensei nestas competições de longo alcance. O título jamais se conquista em um só jogo ou contra um só adversário — li muitos gremistas vaticinando o pior depois daqueles placares adversos (“nos restará o meio da tabela” e “temos times só pra não cair”  — não adianta apagar porque eu já li). É o equilíbrio e a constância das vitórias que mantém vivas as nossas chances.

Se seremos capazes de manter esse ritmo considerando as duas competições que temos pela frente e as dificuldades que a necessidade de dar folgas a Suárez e seu joelho direito pode gerar, só o tempo dirá. De minha parte, esteja onde estiver, sempre depositarei esperança na vitória e meu esforço será jamais perder um só jogo do Grêmio, claro, desde que a tecnologia siga colaborando (já basta ter ficado longe da goleada contra o Coritiba por causa de compromissos com o lançamento de “Escute, expresse e fale!”).

Avalanche Tricolor: o prazer de assistir a Luis Suárez com a camisa do Grêmio

Grêmio 3×1 América-MG

Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre/RS

Suárez comemora mais um gol em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

Vou te contar uma coisa. Há muito tempo não tinha tanto prazer em assistir ao Grêmio em campo. Nem é porque estamos jogando o melhor futebol do Brasil. Até porque não estamos. Esboçamos um bom jogo mas ainda há a necessidade de azeitar a máquina. Vemos a tentativa de um toque de bola mais refinado — e às vezes esse toque até aparece —, mas ainda tropeçamos na finalização do passe, do movimento ou do chute. 

Defensivamente também pecamos como no gol que abriu o placar e nos colocou em risco, nesta noite de quinta-feira. A bola foi cruzada no meio da pequena área e não havia razão de deixamos o zagueiro deles cabecear daquela forma contra as nossas redes. Foi o décimo sexto gol que tomamos em 11 partidas disputadas. É gol demais. E isso não me dá prazer. 

O prazer está mesmo em assistir a Luis Suárez com a camisa do Grêmio. Vê-lo caminhando com nosso grupo de jogadores pelo túnel que leva ao gramado da Arena é algo que ainda tenho dificuldade em acreditar. 

Quando a bola começa a rolar, desejo que haja uma câmera que apenas mire os movimentos do quarto maior atacante do mundo em atividade — sim, infelizmente, neste momento em que temos um Craque (assim mesmo, com letra maiúscula) em campo, só tenho a possibilidade de ver o Grêmio pela televisão. Se morasse em Porto Alegre, não faltaria um só dia de futebol na Arena.

Em tempo: por que a Arena não estava lotada nesta retomada do Campeonato Brasileiro? 

Pela TV, fico à espreita de Suárez. Quero entender o movimento que fará a medida que o time avança. Espero seu deslocamento e torço para que nossos jogadores o enxerguem e sejam capazes de colocar a bola no espaço em que ele ocupa. Vibro quando a bola chega aos seus pés e me deleito com a tentativa de drible, com o passe rápido, com a entrega de corpo, alma e dor que o nosso atacante oferece em cada lance que protagoniza. 

Suárez conseguiu fazer do lateral — a jogada mais desperdiçada do futebol mundial —- um lance de perigo, seja porque se desloca com rapidez para receber a bola, geralmente de Reinaldo, seja porque cobra a lateral, como fez na partida de hoje, se assim for necessário para agilizar o jogo. Sim, pode me chamar de deslumbrado, mas vibro até com a cobrança de lateral.

Tu podes até achar exagero de minha parte. Não é! 

Quando tu vês um cara com a estatura de Suárez cobrando lateral é porque esse cara está realmente muito comprometido com os objetivos do seu time. Claro que não é essa a diferença dele em campo. O que o faz genial são lances como o do segundo gol em que mete a bola do outro lado do ataque no pé de Reinaldo, que cruza para Villasanti cabecear e marcar. Ou o do terceiro em que ele recebe a bola e de primeira  encontra novamente Reinaldo (esse também esta jogando muito) do lado esquerdo. Imediatamente, corre em direção a área e se coloca em posição de receber, por trás da marcação, e bater forte em direção às redes. 

Sei lá por quanto tempo Suárez conseguirá vestir a camisa do Grêmio. Tentaram nos convencer de que o tempo já havia se esgotado. E ele, em campo, provou que é capaz de superar a dor  que sente no corpo e que causa nos invejosos. A expressão do seu rosto é reveladora. Não há como negar as dificuldades físicas que enfrenta. Até aqui, porém, se mostrou muito maior do que qualquer revés que surja no seu caminho.

A despeito do tempo que possa permanecer em campo ou na ativa, Suárez já cumpriu sua missão ao aceitar o convite de vestir o manto tricolor: nos deu o prazer de assistir a um dos maiores jogadores do planeta com a nossa camisa. E isso, caro e raro leitor desta Avalanche, não tem preço. E é para poucos!

Avalanche Tricolor: o dia em que a bola fez um trato com o Diabo!

Flamengo 3×0 Grêmio

Brasileiro – Maracanã, RJ/RJ

Suárez em mais uma tentativa de ataque, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Tem dia que não entra. E o dia foi hoje. Foram 25 chutes em direção ao gol — quase o dobro do adversário. Foram oito chutes no gol — o dobro do adversário. Luis Suárez fez de tudo um pouco. Driblou, serviu, lutou e atacou. No segundo tempo, quando já mancava de um das pernas, mesmo sob forte marcação, chutou de primeira de fora da área e a bola bateu no poste de um lado, correu sobre a linha e bateu no poste do outro lado. Na sequência, mais um lance do nosso time, e a bola se chocou no travessão. Já havíamos testado por baixo, por cima, de fora e de dentro da área. Quando não era um poste, havia um zagueiro. Quando não tinha zagueiro no meio de caminho, era o goleiro a impedir nosso gol – convenhamos, é para isso que estão lá.

Tem dia que não entra. E o dia foi hoje. Ao contrário do adversário que o que fez, fez bem. Nós fizemos muito. No primeiro tempo, menos. No segundo, mais. Nem assim fomos capazes de abrir o placar a nosso favor. Sair do Maracanã com um empate já teria sido lucro, considerando a pressão do estádio, o embalo do time da casa e o gramado mal acabado. Seria suficiente para nos manter entre os quatro primeiros antes da parada de 10 dias da competição. Não conseguimos. Perder estava na conta, também. Ninguém imaginava que seria fácil. Não precisava ter sido com esse placar elástico.

Assim como tem dia que não entra, tem árbitro que não ajuda. Pior, atrapalha! É caseiro. Passa pano para os de casa, pune com rigor o forasteiro. Eu não daria o pênalti reclamado, em que a bola bate na mão do zagueiro. Mas várias vezes, fomos vítimas dessa interpretação. Erraram contra nós nas vezes anteriores. Não erram a nosso favor ou contra eles. Faz parte do jogo e a gente sabe que o jogo tem de ser jogado assim. 

Além disso, precisamos aceitar que neste campeonato também ganhamos partidas sem ter o mesmo volume de jogo do adversário.Portanto, ganhar ou perder é da vida. O importante é entender o que pode ser aproveitado daquilo que fizemos no Maracanã, investir mais para consertar os erros de marcação, aprimorar o acabamento das jogadas e torcer para que tenha sido hoje — e apenas hoje — o dia em que a bola fez um trato com o Diabo.