Avalanche Tricolor: esperança driblada no final

Grêmio 1×1 RB Bragantino
Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Cristian Oliveira foi um dos destaques. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Há um cansaço emocional em torcer por lampejos de melhora quando a realidade insiste em repetir os mesmos erros. Passamos a temporada em busca de sinais de recuperação: um empate nos minutos finais, uma classificação nos pênaltis, a simples melhora técnica de um jogador ou o surgimento promissor de alguém da base. Mas, a cada novo alento, a realidade se impõe — e fala mais alto.

Neste início de noite de sábado, a esperança se renovou especialmente no segundo tempo, quando Mano Menezes corrigiu o time com dois pontas de qualidade e um meio-campo mais criativo. A defesa já dava sinais de estabilidade desde o início da partida, apesar de alguns sustos pontuais. O problema estava do meio para frente: faltava agressividade e criação.

Com Monsanto no lugar de Nathan – o que ele estava fazendo em campo? – e Amuzu aberto pela ponta, o Grêmio passou a produzir mais. Cristian Oliveira, que havia sido destaque na etapa inicial pelo lado esquerdo, trocou de lado e manteve o ímpeto — até onde o físico permitiu. Arezo entrou e tornou o ataque mais contundente. As chances apareceram, e o torcedor, enfim, teve a sensação de que o time se encontrava.

O gol de Amuzu, aos 42 minutos da etapa final, parecia confirmar esse pressentimento. Não foi obra do acaso. A jogada começou no campo defensivo, com Arezo, passou por Braithwaite — que fez um lançamento longo e preciso — e chegou aos pés do atacante belga. Amuzu driblou seus marcadores e, de fora da área, finalizou com categoria, sem chances para o goleiro.

A vitória estava ao alcance, pronta para mudar o rumo da temporada. Ledo engano. Menos de dois minutos depois, uma rara desatenção defensiva, na partida de hoje, nos custou o empate. A frustração retornou com força, diluindo o otimismo que mal havia se formado.

Há pontos positivos? Sim. A defesa, mesmo com mais um gol sofrido — o 12º no Brasileiro —, demonstrou evolução tática. Jemerson, frequentemente alvo da torcida, jogou com mais segurança. Os dois laterais, Igor Serrote e Marlon, seguem como os mais confiáveis do elenco. Monsanto, saindo do banco, teve sua melhor atuação recente. No ataque, Cristian Oliveira e Amuzu foram os nomes mais perigosos, criando oportunidades com dribles e velocidade.

A esperança agora — e eu rejeito a falência da esperança — é que o time, sob o comando de Mano Menezes e observado por Luiz Felipe Scolari, continue evoluindo. Que essa evolução, finalmente, se transforme em vitórias. Porque só elas, no fim das contas, sustentam qualquer projeto.

Avalanche Tricolor: vamos comemorar!

Grêmio 1×0 Santos
Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Uma vitória. É o que temos a comemorar. Independentemente do futebol apresentado, das dificuldades na articulação, da sofrência no ataque e da desconfiança na defesa — vencemos. Foi com um único gol, contra um adversário também em crise, mas foi uma vitória. E era disso que mais precisávamos nesta retomada do trabalho de Mano Menezes e Felipão.

Posso estar sendo comedido (ou ranzinza?) ao dizer que a vitória é o único grande motivo para comemoração neste domingo na Arena. Mas há, sim, outro: a qualidade técnica de Cristian Olivera. O atacante uruguaio, que fez o caminho inverso ao de Luis Suárez — trocou o futebol norte-americano pelo Grêmio — tem sido, desde sua estreia, a melhor contratação da temporada. Incisivo no ataque, dono de bom drible e velocidade, ele ainda recompõe a marcação, algo essencial diante da fragilidade defensiva que ainda carregamos.

Foi dele o gol da vitória, ao aproveitar a sobra de uma jogada iniciada pela direita e construída por outra boa notícia deste elenco: Alyson – ops, não é que encontrei mais uma razão para comemorar?!? Com apenas 19 anos, o atacante tem sido aproveitado nos segundos tempos e, na maioria das vezes, deixa sua marca com algum bom lance ou finalização. Hoje, roubou a bola do adversário, escapou pela linha de fundo e cruzou para a área, originando o lance decisivo.

Pode parecer pouco para quem ainda nutre pretensões de título em uma das três competições que disputamos (Brasileiro, Copa do Brasil e Sul-Americana). E é mesmo. Mas você, caro — e cada vez mais raro — leitor desta Avalanche, há de concordar comigo: diante da escassez de boas novas, vencer uma partida e sair daquela zona-que-você-sabe-qual-é já são razões mais do que suficientes para comemorar.

O resultado deste domingo dá um respiro ao elenco e à dupla Mano-Felipão, que poderão pensar nos próximos adversários com um pouco mais de tranquilidade — a começar pelo desafio da Sul-Americana no meio da semana. Há muito a ser ajustado: o posicionamento dos defensores na marcação por zona, a movimentação e a troca de passes no meio-campo, a chegada mais precisa no ataque.

Mas, só por hoje, vamos comemorar!

Avalanche Tricolor: o desafio de Mano e Felipão

CSA 3×2 Grêmio
Copa do Brasil – Rei Pelé, Maceió (AL)

Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

Mano Menezes e Luiz Felipe Scolari terão muito trabalho pela frente. A tarefa da dupla de velhos conhecidos do torcedor gremista vai além do posicionamento tático em campo. A impressão é que os jogadores perderam completamente a autoestima — e isso impacta de forma contundente a confiança nas decisões tomadas durante as partidas.

Na noite de hoje, mesmo considerando que jogamos fora de casa e diante de uma torcida ensandecida, é impossível ignorar que enfrentamos um time da Série C. Nas fases anteriores da Copa do Brasil, nossas classificações também foram sofridas contra adversários distantes da elite do futebol brasileiro.

É preciso reconhecer que vivemos um novo momento. Mano chegou há pouco mais de uma semana. Felipão desembarcou de madrugada em Maceió para iniciar seu trabalho na coordenação técnica. O elenco mal teve tempo para treinar e assimilar as ideias do treinador. O ajuste acontece durante os jogos.

Com boa vontade, é possível identificar mudanças de comportamento e posicionamento em campo, em comparação ao que víamos sob o comando de Quinteros. Ainda assim, seguem evidentes — e fatais — as falhas de marcação e a dificuldade de afastar a bola da nossa área. A todo momento, o adversário ameaça nosso gol. E, de tanto insistir, acaba sendo recompensado. Desta vez, nem o empate conseguimos manter, mesmo após termos virado o placar.

Alguns jogadores parecem receosos ao receber a bola. Têm medo de arriscar jogadas mais ousadas e hesitam na escolha dos passes que podem levar ao ataque. Quando pressionados, sofrem para afastar o perigo e cometem faltas desnecessárias, como se esse fosse o único recurso para frear o adversário.

Resgatar a confiança do elenco e dar um mínimo de organização tática ao time são os grandes desafios de Mano e Felipão. Resta-nos, mais uma vez, acreditar que a história e a experiência de ambos sejam suficientes para superar as limitações que o Grêmio tem apresentado nesta temporada.

Avalanche Tricolor: a rotina dos empates

Vitória 1×1 Grêmio
Brasileiro – Barradão, Salvador BA

Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Empate no Gre-Nal, empate na Sul-Americana e mais um empate no Brasileiro. Desde a goleada sofrida no interior de São Paulo, há pouco mais de dez dias — que sacudiu as estruturas do clube e provocou mudanças no comando técnico —, tem sido essa a rotina do torcedor gremista: degustar empates e entender o sabor de cada um deles. Falamos disso na última edição desta Avalanche.

A curiosidade de todos esses empates é que o Grêmio saiu na frente nas três partidas, gerando a ilusão de que seríamos capazes de uma vitória, mesmo contra adversários difíceis e em partidas fora de casa. Mas os três pontos não vieram, e as falhas defensivas voltaram a ocorrer — e seguirão frustrando nossas expectativas se insistirmos na ideia de apenas nos defendermos.

Na partida deste início de noite de domingo, respiramos um pouco mais aliviados apenas depois de sofrermos o empate — o que pode parecer contraditório. Foi quando se decidiu que era preciso ficar com a bola no pé, trocar passes curtos, movimentar-se e arriscar no ataque. Tivemos mais oportunidades de gol na parte final do jogo do que no restante da partida.

Mesmo que tenhamos feito o gol ainda no primeiro tempo, isso foi resultado de uma rara jogada ofensiva que provocou o escanteio. No restante do tempo, apenas nos defendemos — e o ditado, velho e surrado, já nos ensinou: “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.

A boa e necessária intenção de reforçar a defesa, aproximando os jogadores e diminuindo os espaços do adversário, não pode servir de desculpa para abdicarmos do ataque. Entendo que era preciso estancar a sangria defensiva, mas não estamos sendo competentes o suficiente para deixar de sofrer gols — e, ao mesmo tempo, temos limitado (ou quase anulado) nossa criatividade na frente.

É preciso encontrar rapidamente um ponto de equilíbrio antes que a presença naquela “zona-que-você-sabe-qual-é” deixe de ser transitória e volte a nos assombrar como um velho pesadelo.

Avalanche Tricolor: o sabor do empate

Godoy Cruz 2×2 Grêmio
Sul-Americana – Malvinas Argentinas, Mendoza, ARG

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Empate é o tipo de resultado curioso no futebol. Você não ganha, mas também não perde. Costuma-se dizer que, fora de casa, ele tem um valor; dentro, outro. No entanto, o que realmente define seu sabor são as circunstâncias da partida. Quando seu time sai atrás — tomando três gols ainda no primeiro tempo, por exemplo — e consegue se recuperar, sai de campo como se tivesse vencido. Quando está na frente — como fez o Grêmio duas vezes nesta noite — e cede o empate ao adversário, fica sem saber bem o que comemorar.

Pensando no futuro do Grêmio na Copa Sul-Americana, empatar contra o time que briga pela liderança da chave, fora de casa, deveria ser considerado um excelente resultado. O Grêmio segue no topo da tabela, mesmo com desvantagem no saldo de gols, e disputará duas das três partidas restantes diante de sua torcida. Uma delas, provavelmente decisiva pela liderança do grupo, será contra o adversário desta noite.

Por que, então, essa dúvida que paira na cabeça do torcedor neste momento? Pelo menos na cabeça deste torcedor que escreve?

A ideia de começar a nova jornada de Mano Menezes no comando do Grêmio com uma vitória fora de casa era animadora. Renovaria a esperança depois dos tropeços no início da temporada. A vitória nos faria, mais uma vez, acreditar que os astros estariam se alinhando e o universo conspiraria a nosso favor. Tudo dependeria apenas da boa vontade dos deuses do futebol.

Infelizmente, as coisas não funcionam dessa maneira. A crença de que existe uma mística que determina o que vai acontecer nos gramados se encaixa bem no imaginário do torcedor e no romantismo dos cronistas esportivos — especialmente daqueles que sabem tratar o texto com o refinamento de um camisa 10.

O futebol, no entanto, é mais pragmático do que parece. Para vencer, é preciso mais do que vontade, raça e determinação. É necessário treinamento apurado, inteligência tática, refinamento na movimentação e posicionamento, esmero na construção das jogadas e precisão na finalização. Também é indispensável um ajuste fino na marcação para reduzir os riscos que o adversário inevitavelmente vai impor.

Mano Menezes, que reestreou na casamata gremista, não teve tempo para tudo isso. Nos poucos dias de treino, fez os ajustes possíveis. Praticamente repetiu o time do Gre-Nal. Reforçou o espírito de luta que já havia se destacado no fim de semana. E, por pouco, não saiu com êxito. Por duas vezes teve a vitória nas mãos, com os gols de Edenílson, no primeiro tempo, e Aravena, no segundo. Por duas vezes viu seu sistema defensivo falhar e ceder o empate.

A despeito de tudo que aconteceu esta noite, na Argentina, e do que vem se repetindo com o Grêmio nesta temporada, sendo tão pragmático quanto o futebol exige, o empate fora de casa, contra um adversário direto, e que ainda virá à Arena, é para ser comemorado. Mas, confesso: fiquei com um gosto amargo na boca. Porque, por instantes, provei o doce sabor da vitória.

Avalanche Tricolor: Kannemann voltou!

Grêmio 1×1 Inter
Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Foto: Lucas Uebel/GrêmioFPBA

Seis meses após ser submetido a uma nova cirurgia no quadril, Kannemann voltou. E voltou em grande estilo: no Gre-Nal deste Sábado de Aleluia, substituiu Wagner Leonardo aos 29 minutos do primeiro tempo. Foi ovacionado pelo torcedor e aplaudido a cada bola interceptada na defesa.

De verdade, Kannemann já estava em campo antes mesmo de ele entrar. O zagueiro, que é símbolo maior de raça e determinação, lembrança dos maiores títulos que conquistamos nos últimos anos, esteve presente no espírito do time que entrou na Arena para o seu quarto clássico regional do ano.

Desde os primeiros minutos, era possível perceber uma postura diferente por parte dos jogadores escalados pelo interino James Freitas. De novidade, apenas Marlon na lateral esquerda e mais duas mudanças na escalação dos últimos jogos: Dodi e Monsalve entraram como  titulares. Todos os demais vinham jogando nas partidas anteriores, mas o comportamento em campo era completamente outro.

Jamais saberei explicar que fenômeno é esse que a demissão de um treinador provoca nos brios dos atletas. O fato é que o time apático das rodadas anteriores se transformou: impôs marcação forte na saída do adversário, soube jogar de maneira mais compacta e ofereceu menos espaço para o toque de bola. Não havia dividida perdida nem jogada desperdiçada. Quando partia para o ataque, colocava a bola no chão e explorava especialmente o talento de Cristian Oliveira. Houve até troca de passes no meio-campo como alternativa aos lançamentos longos.

Era como se o espírito de Kannemann tivesse sido incorporado pelos onze titulares antes mesmo de ele entrar em campo. Por isso, não surpreendeu a ninguém (a não ser alguns repórteres de campo) o fato de, ainda ao lado do gramado, enquanto esperava a autorização para substituição, Villasanti já haver passado a braçadeira de capitão ao nosso maior zagueiro. O time sabe o que ele representa e o poder de sua liderança.

Em campo, Kannemann voltou a brilhar com a nossa camisa e encheu de esperança o torcedor que, justificadamente, estava acabrunhado com o que vinha assistindo nestes primeiros meses da temporada. Infelizmente, o retorno não foi ainda mais marcante porque, mais uma vez, fomos claramente prejudicados pelo árbitro da partida (alguém sabe me dizer se, nas mudanças das regras, existe alguma proibição de marcar pênalti a favor do Grêmio?). Mas até nesse momento, foi Kannemann quem nos representou, reclamando da injustiça cometida.

Sim, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, Kannemann está de volta. Que o Grêmio e a sua história voltem aos gramados também neste ano de 2025.

Avalanche Tricolor: devolvam o meu Grêmio!

Mirassol 4×1 Grêmio
Brasileiro – Campos Maia, Mirassol (SP)

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Uma vergonha! Uma vergonha atrás da outra.

Despindo-me de qualquer romantismo, a campanha do Grêmio na atual temporada é medíocre — a despeito de tudo que, apaixonadamente, já escrevi até aqui.

Fui logrado pela ilusão, levado pela história de superação que sempre foi motivo de orgulho do nosso torcedor. Enxerguei heroísmo e bravura em resultados que deveriam ter sido alcançados com facilidade — como nos dois primeiros jogos da Copa do Brasil, contra equipes sem nenhuma expressão.

No Gaúcho, fechei os olhos para o fato de que nossos melhores desempenhos foram contra times de categorias inferiores. Diante dos dois clubes da Série A, primeiro quase perdemos a classificação à final e, depois, fomos superados com extrema facilidade — especialmente diante da nossa torcida.

Na Sul-Americana, onde sustentamos uma campanha invicta e com duas vitórias, minhas alegrias esconderam a fragilidade dos adversários que enfrentamos. O principal teste ainda está por vir, na próxima semana.

No Brasileiro, após uma vitória improvável na estreia — considerando as falhas cometidas no início da partida — acumulamos uma sequência de derrotas. A mais vexaminosa aconteceu na noite desta quarta-feira, no interior paulista: uma goleada sofrida contra um time estreante na Série A, que ainda não havia vencido nenhum jogo na competição.

Minha paixão cega pelo Grêmio não me permitiu entender o que estava acontecendo na (des)construção do time. Bastavam alguns rompantes individuais de jogadores mais comprometidos com o clube para que eu acreditasse que, a partir dali, viria uma reação. Entusiasmo fugaz!

Hoje, os erros do Grêmio foram escancarados. A marcação é frouxa, feita à distância. O posicionamento defensivo é frágil. Bastam alguns toques de bola para o adversário aparecer na frente do gol. No instante em que recuperamos a bola, a desarticulação se manifesta em passes errados e movimentos sem sintonia. A impressão é de que cada jogador busca uma solução por conta própria. Até nas bolas paradas, como nos escanteios, percebe-se que não há uma ideia a ser executada: cruza-se na área e torce-se para que algo dê certo. Nada dá certo!

O Grêmio que estamos vendo nesta temporada não merece a presença do seu torcedor no estádio — o que explica muito do que falamos na edição dominical desta Avalanche. Parece um time qualquer, irreconhecível, que sequestrou o manto tricolor para entrar em campo. Veste nossa camisa tradicional, mas se despiu da nossa história.

Por favor, devolvam o meu Grêmio!
Antes que a torcida esqueça como é vestir a alma junto com a camisa.
Antes que a paixão silencie.
Antes que a imortalidade vire apenas uma lenda esquecida nos muros da Arena.

Avalanche Tricolor: a Arena do desencanto

Grêmio 0x2 Flamengo
Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

A Arena quase vazia parecia ilustrar o que muitos sentiam: um torcedor sem esperança. Mas talvez a frustração não esteja apenas nos resultados. Pensando com frieza, o Grêmio perdeu apenas o Campeonato Gaúcho neste início de temporada — e foi dolorido, é verdade, por ter sido para o maior rival. Na Copa do Brasil, avançou nas duas primeiras fases. Na Sul-Americana, tem 100% de aproveitamento em dois jogos.

O desalento, no entanto, mora no que se vê em campo. Mesmo quando o time vence, há um vazio técnico que assusta. Foi assim nas classificações sofridas na Copa do Brasil contra adversários mais fracos, decididas nos pênaltis. E também nas vitórias da Sul-Americana, conquistadas mais na base do esforço do que da qualidade.

No Brasileiro, vencemos na estreia com a ajuda fundamental do nosso goleiro – aliás, se há consolo, ele veste luvas e atende por Thiago Volpi. Já no jogo seguinte, nem a leve melhora de desempenho impediu a derrota — e muito menos devolveu a confiança ao torcedor. Chegamos a este domingo com dúvida no peito e saímos com a certeza de que o desolamento fazia sentido.

O futebol que o Grêmio deixou de jogar hoje explica as cadeiras vazias. Mesmo que, nos meus tempos de Porto Alegre, eu nunca tenha deixado de ir ao Olímpico Monumental, compreendo quem se ausenta. É demais exigir que o torcedor, ainda ferido pela perda do Gauchão após sete anos de conquistas, pague caro pelo ingresso para incentivar um time que parece não acreditar em si mesmo. 

Avalanche Tricolor: com esforço, vitória e liderança

Grêmio 2×0 Atlético Grau

Sul-Americana – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Foto: Lucas Uebel/ GrêmioFBPA

Copa é para ganhar. O Grêmio e os gremistas sabem bem disso. Já conquistamos muitas copas superando todo tipo de obstáculo, às vezes, até nossas próprias limitações. Portanto, antes que alguém queira discutir aspectos técnicos, posicionamento tático, esquemas de jogo ou desempenhos individuais, o que realmente importa nesta Copa Sul-Americana, hoje, é que o Grêmio venceu as duas partidas disputadas até aqui.

Na partida desta noite, diante de poucos torcedores na Arena e muitos desconfiados em frente à televisão, o time entrou em campo decidido a mostrar que esforço não faltará. Mesmo os jogadores mais contestados lutaram muito para acertar e corrigir erros anteriores. Por isso, atrevo-me a dizer que boa parte das vaias direcionadas a Cristian Pavón foi injusta, decorrente mais do conjunto de sua temporada do que propriamente da atuação nesta partida. Foi dele a assistência para o gol de cabeça marcado por Arezo, o primeiro e providencial gol, em um momento em que a impaciência da torcida já era evidente.

A defesa, que recentemente tem sofrido muitos gols, desta vez evitou problemas maiores aos trancos e barrancos. Ficou claro que a dupla formada por Rodrigo Ely e Wagner Leonardo é, atualmente, nossa melhor opção para o miolo da zaga – ainda que sem criar grandes ilusões. Villasanti, que vinha irregular nos últimos jogos, finalmente assumiu o controle do meio de campo. Cristaldo, por sua vez, mostrou claramente que o time necessita, sim, de um articulador criativo. Foram dele os dribles em meio à marcação acirrada do adversário, iniciando a jogada que resultou no primeiro gol.

No ataque, Arezo é uma peça importante como substituto de Braithwaite, mas o destaque principal vai mesmo para Cristian Olivera, provavelmente a melhor contratação feita pelo Grêmio nesta temporada. O segundo gol, que confirmou a vitória sobre os peruanos, nasceu justamente do talento e precisão de Olivera no drible e na finalização. Ele já havia sido decisivo em outros momentos complicados do ano e voltou a marcar quando o time mais precisava.

Ninguém saiu da Arena empolgado com a atuação apresentada, é verdade. Mas o Grêmio conquistou a vitória e a liderança de seu grupo – e, no fim das contas, isso é o mais importante neste momento. Até que Gustavo Quinteros consiga encontrar o equilíbrio e a formação ideal, vencer partidas como a de hoje é fundamental para o nosso objetivo maior: ganhar a Copa.

Avalanche Tricolor: à espera de um roteiro melhor

Ceará 2×0 Grêmio

Brasileiro – Castelão, Fortaleza, CE

Foto: Lucas Uebel

Na noite deste sábado, o amor era o personagem principal no palco do teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Sentado na plateia, assisti ao musical “Território do Amor”, escrito por Gabriel Chalita. Sob as luzes cuidadosamente ensaiadas, nove atrizes brilhantes interpretavam cantoras que desnudavam suas histórias de paixão, glória e desencanto, tudo ambientado em um navio conduzido por Caronte, o mítico barqueiro encarregado de transportar almas recém-partidas.

Poucos minutos antes, meu olhar dividia-se entre o encantamento artístico e a expectativa futebolística no palco do Castelão. Lá, longe das perfeições das coxias, o Grêmio tentava encenar seu roteiro diante do Ceará. Era uma peça de improvisos constantes e falas esquecidas, com jogadores buscando o texto que talvez não tivesse sido suficientemente ensaiado.

Sei bem que o futebol não desfruta dos mesmos luxos do teatro. No palco teatral, cada passo é coreografado, cada fala decorada à exaustão, cada gesto antecipadamente combinado. Já nos gramados, o roteiro muda a cada minuto e as marcações são rabiscos rápidos no intervalo. Contudo, mesmo assim, quando “abrem-se as cortinas e começa o espetáculo” — como ouviamos na voz do saudoso Fiori Giglioti — esperamos ao menos reconhecer o enredo da peça, perceber coerência na trama e notar que houve algum ensaio durante a semana.

É evidente – e você, caro e raro leitor desta Avalanche, sabe bem disso – que o calendário caótico do futebol brasileiro desafia qualquer preparação mais minuciosa. Treinadores precisam criar soluções rápidas, jogadores lesionados são substituídos às pressas por atores coadjuvantes, e o espetáculo continua, mesmo que o desempenho não esteja à altura dos grandes musicais.

Ainda assim, como espectadores exigentes que somos, pedimos ao menos que alguns atos sejam mais bem planejados, que o sistema defensivo não esqueça suas falas, que o ataque entenda as deixas e conclua com precisão suas cenas finais. É curioso notar que, mesmo com tantas falhas recorrentes, no segundo tempo contra o Ceará, o Grêmio conseguiu ensaiar breves diálogos promissores entre seus personagens. Houve momentos em que quase vi algo semelhante à sintonia dos grandes palcos — mera ilusão. Talvez tenham jogado até melhor do que em outros espetáculos anteriores, quando aplaudimos o Grêmio muito mais pelo esforço que levou à vitória do que pelo talento. Desta vez, porém, deixamos a cena com um péssimo resultado.

Agora, o “diretor” Gustavo Quinteros precisa correr contra o relógio para garantir que o elenco esteja bem afinado nas próximas apresentações – a próxima já é na terça-feira. Caso contrário, arrisca-se a ser confundido com Caronte, levando o time a navegar por águas turbulentas, sem roteiro e, pior, sem destino claro.