Avalanche Tricolor: para lembrar das peladas jogadas na Saldanha

 

 

São Paulo 1×0 Grêmio
Gaúcho – Aldo Dapuzzo/Rio Grande

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Uma luta contra a bola, na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA


 

 

Tem um posto Ipiranga ali na esquina. Aqui próximo, um galpão com calhetão. E do lado de lá das cabines de rádio e TV, um muro ocupa o espaço que deveria ser de arquibancada. Em meio a tudo isso, o pessoal mantém um campinho de futebol que intercala grama com buraco. Às vezes, a turma chuta a bola meio alta, seja por falta de habilidade seja por intercorrências do campo, e vai parar lá em cima do telhado. Por sorte, o telhado é inclinado e a bola volta para alegria da gurizada.
 

 

Foi assim, diante destas cenas e com todo o respeito a história do time da casa que assisti ao jogo da noite de ontem, o último do Grêmio pela fase de classificação do Campeonato Gaúcho. Tinha cara de várzea apesar da pompa e circunstância no início da partida. E apesar da importância do jogo para o adversário que precisava de um bom resultado para não cair à Segunda Divisão.
 

 

Ao Grêmio, no máximo, definiríamos o confronto da próxima fase, pois a classificação entre os quatro primeiros já estava garantida, por isso levou-se time “alternativo” a campo – ao péssimo campo em Rio Grande, que, aliás, foi um dos motivos da dificuldade na troca de passe, além da falta de entrosamento e alguma limitação técnica.
 

 

Talvez a falta de ambição do time tenha me dado tempo para olhar para a partida com todas as peculiaridades descritas no primeiro parágrafo – sim, tudo aquilo acontecia em um jogo de futebol oficial e com a chancela da Federação Gaúcha – e me levado a lembrar dos tempos do futebol no campinho perto de casa.
 

 

Lá no Menino Deus não tinha posto de gasolina, mas tinha a porta de ferro do açougue do Seu Bernardo que servia de goleira. Tinha a venda do seu Ernesto na outra esquina, onde bebíamos água no intervalo da pelada. Tinha um bordel, tratado com todo o respeito pela gurizada que jogava bola. E tinha muros para tabelar e telhados sem inclinação que mantinha a bola refém como pena pelo chute mal chutado.
 

 

Bons tempos aqueles do futebol jogado lá na Saldanha Marinho, bem do ladinho do saudoso Olímpico. Tempos em que aos grandes do Rio Grande bastava jogar bola para estar na final. Hoje, tem gente que quase nem se classifica à próxima fase.

Avalanche Tricolor: dias de emoção e felicidade no esporte (e no e-Sports)

 

Grêmio 4×0 Juventude
Gaúcho – Arena Grêmio
(e outras conquistas)

 

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Grêmio comemora mais um na goleada de sábado, foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Foram dias intensos no esporte estes últimos que vivi. Antes mesmo do fim de semana marcado por vitórias – assim mesmo, no plural -, tive a oportunidade de estar ao lado de um dos grandes nomes da história do Grêmio, na quinta-feira. A convite da ESPN e sob o comando de João Carlos Albulquerque, participei do programa Bola da Vez com Valdir Espinosa.

 

Na entrevista que vai ao ar provavelmente nessa terça-feira, Espinosa lembrou de cenas que nos levaram ao título da Libertadores e, em seguida, ao do Mundial, em 1983. Com a emoção típica dos gremistas, ele contou curiosidades ocorridas nos bastidores, diálogos que manteve com os jogadores e discussões técnicas que levaram a transformação do time entre uma competição e outra.

 

Das muitas histórias, sempre recheadas de romantismo, disse que no primeiro encontro que teve com o elenco, no início da temporada, brincou ao pedir que os jogadores fizessem com ele uma grande sacanagem. Como tem pavor de voar, queria que eles o obrigasse a viajar de avião até Tóquio no fim do ano. E que baita viagem todos nós gremistas fizemos naquele ano.

 

No programa, nosso atual coordenador técnico contou como conheceu Renato e Mário Sérgio, dois de seus grandes amigos. Amizades que começaram a ferro e fogo, pois Espinosa os conheceu em campo, no esforço para impedir que eles passassem pela marcação dele. Jura que não perdeu uma só bola nem para um nem para outro.

 

Viajei nas lembranças de Espinosa e nas minhas também. Afinal, foi inspirado nele que acabei jogando como lateral no time da escolinha de futebol do Grêmio; foi na maneira irreverente dele se vestir que ganhei dos meus pais uma calça com uma perna de cada cor, obra do alfaiate Reis que vestia boa parte do elenco gremista; e foi graças a ele e ao time que comandava que chorei como criança ao ver o Grêmio campeão da Libertadores e do Mundial.

 

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Falamos pouco sobre o time atual do Grêmio, mesmo porque o objetivo do programa era outro. Mas nas conversas paralelas foi possível perceber que Renato e ele estão muito afinados e otimistas em relação a formação do atual elenco, apesar das inúmeras lesões que comprometem o entrosamento.

 

Imagino que você, caro e raro leitor desta Avalanche, também esteja entusiasmado com o time, especialmente após assistirmos à apresentação da noite desse sábado, na Arena. Tive a impressão que voltamos a jogar futebol com a excelência que nos deslumbrou no ano passado.

 

Até aqui, no Campeonato, havíamos visto um ou outro esboço de boas jogadas; às vezes um dos nossos se destacava individualmente; outras, dominávamos momentos da partida, mas sem manter o mesmo ritmo ao longo de todo o jogo. Exceção talvez tenha sido a estreia da Libertadores.

 

No sábado, Miller Bolaños foi genial em campo, mas se o foi deve-se também a forma como Renato montou a equipe e a performance de seus companheiros. Tivemos movimentação estonteante do meio de campo pra frente, que impediu qualquer tentativa de marcação. A troca de passe rápida e certeira desmontou a retranca que o adversário ensaiou no vestiário. E o time de poucos gols, fez um, fez dois, fez três e fez quatro sem permitir qualquer reação.

 

A alegria proporcionada pelo Grêmio foi para mim o complemento de um sábado de emoção no esporte.

 

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É provável que você ainda não tenha lido em outros textos de minha autoria, afinal são raros e caros meus leitores, mas desde o início do ano tenho dividido meu sofrimento entre o Grêmio e o e-Sports. Sim, o esporte eletrônico, que muitos ainda perdem tempo discutindo se pode ou não assim ser considerado, apesar de estar na programação de todos os canais esportivos de televisão, tem tido uma atenção especial aqui em casa.

 

Meus dois meninos – paulistanos de nascença e gremistas por origem – vivem intensamente o cenário do e-Sports, especialmente do League of Legends, considerado o jogo mais jogado do mundo. Um é estudante de jornalismo e cobre o assunto, além de estar na produção de um documentário sobre o tema; o outro é técnico estrategista da Keyd Stars, que neste fim de semana garantiu presença na final do CBLol, o campeonato brasileiro da categoria, a ser disputada em Recife, dia 8 de abril.

 

Jamais imaginei que algum outro time pudesse me fazer sofrer na busca pelo resultado além do próprio Grêmio. Nos últimos fins de semana, porém, tenho me visto com o coração apertado, com os punhos cerrados e os olhos marejados a cada abate alcançado, torre destruída e nexo conquistado.

 

Vi os guris da Keyd enfrentando as dificuldades de um time em formação, como o nosso Grêmio; e a cobrança dos torcedores que, passionais, atacam e defendem aqueles que são seus ídolos. Percebi o esforço de cada um da equipe para não se abater com os primeiros resultados ruins e a dificuldade para a classificação às finais. E curti muito ao perceber como o revés forjou este time e o fortaleceu para o momento certo: na melhor de cinco da semifinal, venceu por três partidas a um o campeão do ano passado, a INTZ.

 

Se eles se sagrarão campeões nesta primeira parte da temporada, isso é uma outra história. Mas que este marmanjo aqui tem sofrido diante das disputas no mapa do LoL como já sofreu pelo Grêmio, em 1983, e sofre agora em busca de uma nova Libertadores, não tenha dúvida.

Conte Sua História de SP: a lição de meu avô que foi prefeito de São Paulo

 

Por Maria de Lourdes Figueiredo Silo
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Tive um tio avô revolucionário. Foi prefeito de São Paulo, em 1932, e, apesar de ser engenheiro, um dos fundadores da Escola Politécnica, era um grande filósofo! Por isso custei muito a entendê-lo, achava suas conversas cifradas, num código que não dominava e ouvia-o mais pelo agradável que era como pessoa do que pelo que dizia. Seu nome era Henrique Jorge Guedes.

 

Como todo bom paulista da época, era anti-getulista, morava na Avenida Higienópolis e ainda plantava café em sua fazenda São Pedro perto de Pinhal. Havia mesmo, é claro, participado da Revolução Constitucionalista de 32, fato que, naquele tempo, não admitia releituras; orgulhava-se disso!

 

Porque lembro do tio Henrique hoje é o que tento me explicar.

 

Talvez só agora, ao lembrá-lo, entenda muito de seus sábios pensamentos!  Lá pelos anos 1950 visitei-o pelas últimas vezes, vizinha quase que era dele, pois havia ido estudar em São Paulo e morava em um pensionato na rua Maranhão. Já com mais de 80 anos, uma cabeça branquinha, mas muito inquieta, percorria comigo o mundo, talvez para testar meus parcos conhecimentos e informações, não sei.  Sua voz ainda era linda! Grave e forte como de um moço; sabia usá-la de maneiras diferente, imprimindo emoção adequada a cada palavra. Foi nesta época que recitou-me um verso que teimosamente recordo agora:

 

 

“Saudade, triste saudade

único bem que me resta.

Por toda parte que vou

eu sinto cheiro de festa,

e sei que a festa acabou…”

 

 

Lembro que ao ouvi-lo, senti em sua voz uma grande nostalgia do passado, do qual era agora passivo observador….

 

Acredito que este pensamento se dê aos poucos, devagar, quase imperceptivelmente. Uma manhã, não encontramos nenhum conhecido na rua, no outro não recebemos convite para a festa, certa noite está muito vento para sairmos, e aos poucos vamos ficando à margem desta grande festa que é a vida.  Festa com dia marcado para começar e acabar. Preparam-nos tanto para ela, mas não para o final, quando tudo se resume no “cheiro de festa” que termina. Entramos nela carregados de supérfluos, aos poucos vamos nos desvencilhando dos enfeites, bijuterias, presilhas, laços e terminamos limpos, como nascemos.

 

Valemos nela, quase sempre, pelo que temos, ostentamos, acumulamos, pelo que “carregamos” e pouco pelo que somos. E tudo isso pesa, incomoda, não permite que, soltos, dancemos a valsa, provemos as iguarias, escutemos a música, percebamos o perfume das flores que enfeitam o salão e muito menos o clarão da lua. E cada vez queremos mais, porque é isso que vale, é isso que conta nesta festa, onde cada um aproveita como pode, já que todos são convidados e, obrigatoriamente, devem estar presentes….

 

Diz a sabedoria popular que quando o passado se torna muito presente, é sinal que a “festa está no fim”. Será?

 

Maria de Lourdes Figueiredo Sioli é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais um capitulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br.

Avalanche Tricolor: um bom empate no Vale

 

Novo Hamburgo 1×1 Grêmio
Gaúcho – Estadio do Vale Novo Hamburgo/RS

 

 

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O pessoal da crônica esportiva usa algumas expressões que viram moda rapidamente. Apesar de não serem precisas, costumam ser simbólicas.

 

Uma delas tacha o jogo de duas equipes que disputam posição na tabela de classificação, lá em cima ou lá embaixo: “este é um jogo de seis pontos” dizem com a boca cheia. A gente sabe que o jogo só vale três pontos, (é o que diz a regra) mas nos deixa claro que a partida pode ser decisiva no confronto direto das duas equipes. Pura licença poética.

 

Outra expressão comum, que me veio à memória enquanto assistia ao jogo do Grêmio, é a já famosa “final antecipada”. Geralmente usada quando duas equipes grandes, favoritas ou qualificadas se cruzam na competição antes mesmo do jogo decisivo.

 

Essa é mais perigosa, pois dá a entender que se passar por aquela partida, ninguém mais segura o vencedor. É um desdém aos demais adversários que pode custar caro.

 

Na noite de ontem, depois de ser obrigado pela televisão a assistir a uma outra partida que, me parece, valia os tais seis pontos, e disputada por dois times que lutavam para sobreviver na competição (jogo aliás que terminou empatado e sei lá por que teve gente comemorando), sentei-me para ver o Grêmio e entender melhor o adversário que lidera o campeonato desde seu início.

 

No Estádio do Vale, em Novo Hamburgo, havia dois times qualificados em campo com boas chances de estarem na final do Gaúcho se não se cruzarem antes nas etapas intermediárias. E de tanto se respeitarem fizeram um jogo no qual o espaço no gramado era disputado centímetro a centímetro. Quase não conseguiam trocar passe devido a marcação forte e poucas chances de gol surgiram. No primeiro tempo desperdiçamos a nossa. No segundo, eles aproveitaram a deles. E diante disso quase amargamos uma derrota.

 

Foi a insistência gremista e a percepção de que do outro lado havia uma equipe disposta a fazer historia nesta temporada que mudaram o cenário da partida. E de tanto tentarmos, a bola foi parar nos pés do competente Leo Moura que teve a tranquilidade para fazer aquilo que a juventude dos nossos atacantes não havia conseguido: o gol de empate.

 

Tenho a impressão de que muitos dos nossos jogam preocupados com os riscos que correm em campo, o que se justifica frente a quantidade de lesões que acumulamos no elenco e o tamanho do desafio que a Libertadores nos impõe. Isso acaba prejudicando o desempenho e impedindo um jogo mais solto, aquele que nos deu o titulo da Copa do Brasil. Ao mesmo tempo, otimista que sempre sou, percebo que na hora necessária, nosso futebol voltará a fluir.

 

Ao contrário das expressões que gostamos de usar, ontem não foi uma decisão antecipada, apesar de haver boa probabilidade de as duas equipes estarem na final disputando o titulo gaúcho este ano. Mas quando isso realmente acontecer, tenho certeza de que a coisa vai ser diferente. Na hora do vamos ver, confio mais o Grêmio.

Avalanche Tricolor: é preciso de tempo para que todos falem a mesma língua

 

Grêmio 1×1 Veranópolis
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

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Luan e Ramiro se entendem muito bem, foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Foi no intervalo do jogo que Lucas Barrios ensaiou seu portunhol para falar com a repórter da televisão e reclamar do último lance do primeiro tempo em que o árbitro anulou a jogada que seria concluída por ele a gol. E ao tentar explicar que Ramiro estava em posição legal, em lugar do português ou do espanhol, usou a expressão em inglês: “não foi offside?”, perguntou.

 

Ouvi offside e a memória voltou no tempo. Para um tempo em que a língua original do futebol ainda dominava nossos campos. Se impedimento era offside, escanteio era corner, o zagueiro era o quarterback e o goleiro era o goal keeper. Não que eu seja desse tempo, mas quando joguei bola na escolinha do Grêmio, lá pelos anos de 1970, a influência inglesa ainda se refletia nos bate-papos do futebol, especialmente quando ouvíamos o pessoal das antigas.

 

Era uma época em que o Campeonato Gaúcho era disputado por apenas dois times, sendo todos os demais coadjuvantes. Não que as partidas no interior não fossem difíceis. Eram batalhas disputadas na lama e no alambrado. Sangue, suor e frio faziam parte do cardápio regional. No entanto, jogava-se uma competição inteira apenas para cumprir tabela, pois sabia-se que ao fim e ao cabo o Gre-nal é que decidiria o título.

 

Hoje, de tão curto, o Gaúcho é quase todo disputado no verão. Os termômetros nem começaram a sentir os reflexos do outono e o campeonato já está chegando ao seu final. Com o interesse voltado para outras disputas, tem de se aproveitar o regional para acertar o time, testar novas formações, lançar novidades e reafirmar algumas convicções. Passar a fase de pontos corridos em posições intermediárias é mais comum do que gostaríamos. Encontrar adversários com o time bem ajeitado, mesmo quando se joga em casa, faz parte do jogo.

 

Na tarde deste domingo, não foi diferente. O toque e o domínio de bola do adversário surpreenderam, enquanto nós tínhamos a impressão de estarmos tentando nos acostumar com uma nova forma de jogar. Em lugar da troca de passe até a proximidade do gol, testava-se bolas mais lançadas para a área, sem, porém, o entrosamento necessário para que origem e destino funcionassem com precisão. Meio campo e ataque não falavam a mesma língua.

 

Foi somente após tomarmos o gol e voltarmos para o segundo tempo que a engrenagem dava sinais de que funcionaria. A mudança de Renato, ao abrir mão de um dos novos volantes e apostar no talento de Lincoln mais à frente, deu resultado. O Grêmio dominou o restante da partida, mesmo encontrando dificuldades para jogar com seu centroavante mais avançado.

 

O gol acabou saindo mesmo de um lançamento para dentro da área, mas, não por acaso, em jogada da qual fizeram parte dois velhos companheiros, que se entendem há muito tempo. O entrosamento de Ramiro e Luan que desde o ano passado tem tido ótimos resultados voltou a dar certo. Em campo, o diálogo deles funciona muito bem.

 

Aliás, que baita gol … falasse espanhol, Luan teria crônicas inteiras dedicadas a bola matada no peito, ao movimento de corpo que tirou o zagueiro da jogada e ao toque para a direita que desconsertou o goleiro. Tudo isso realizado em um espaço curto do campo e marcação acirrada. Mas Luan fala português e parece que alguns não entendem a linguagem que usa com a bola nos pés: a linguagem universal dos craques.

 

Fizemos por merecer o segundo gol. Controlamos a partida. Jogamos pela direita, jogamos pela esquerda, tabelamos no meio e atacamos intensamente. O empate foi injusto mas nos manteve na parte de cima da tabela, o que nos proporcionará vantagens no mata-mata que se aproxima e nos dará tempo para que todos falem a mesma língua.

Avalanche Tricolor: saldo positivo em empate, no Bento Freitas

 

 

Brasil 1×1 Grêmio
Gaúcho – Bento Freitas/Pelotas

  

 

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Ramiro voltou a marcar, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA


 

 

Tem alguns recantos do Rio Grande que dão saudades. Pelotas é assim. Assim também é o Bento Freitas, estádio onde já fui torcedor e repórter – cada coisa ao seu tempo, às vezes ao mesmo tempo. Assisti a algumas partidas do Grêmio na carona da Veraneio que levava para o interior a equipe da Rádio Guaíba. E em outras trabalhei como jornalista de rádio pela própria Guaíba, lá pelos anos de 1980.
 

 

A viagem era longa e os jogos duros. Uma das mais fanáticas torcidas do futebol rio-grandense está por lá. E ter essa turma no cangote enquanto se tentava reportar as coisas que aconteciam dentro do gramado era um desafio. Em um tempo no qual o radinho de pilha ficava colado no ouvido do torcedor qualquer informação que colocasse o time da casa sob suspeita era imediatamente respondida aos palavrões.
 

 

Sabe essas coisas que se assiste nas redes sociais? No Bento Freitas, era ao vivo e a cores, como costumam dizer os mais antigos.
 

 

Por tudo isso, ver o Bento Freitas nas imagens de televisão hoje, no início da noite foi curioso, pois me fez lembrar de muitos dos momentos vividos lá em Pelotas. E não me surpreendeu, apesar de ser informado que o estádio está com uma nova ala para a torcida. Time e torcedores disputam cada bola como se fosse a última. E se o árbitro não tiver pulso, a partida corre o risco de descambar para a violência. Intimidar o adversário no berro e no pontapé faz parte do negócio.
 

 

Até que o Grêmio se comportou bem diante de um adversário disposto a tudo. Colocou a bola no chão, trocou passes, se movimentou, fez tabelas bonitas na entrada na área e chegou ao gol inimigo algumas vezes. Marcou em uma jogada típica das partidas encrespadas: Ramiro, Ramito – novamente ele – não teve medo de dividir uma bola na entrada da área e meteu o pé do jeito que dava; a bola desviou no zagueiro e encobriu o goleiro.
 

 

Pena nos ter faltado precisão nos chutes, termos encontrado um goleiro inspirado e tomado o gol de empate ainda no primeiro tempo. Merecíamos mais sorte.
 

 

Diante do resultado final e da posição em que estamos ao fim da sétima rodada do Campeonato Gaúcho, o placar pode ser comemorado – apesar de esse negócio de comemorar empate ser esporte preferido de uma outra turma que está mais embaixo – aliás, bem embaixo – da tabela.
 

 

Meu maior temor nesta noite era mesmo colocar mais alguém na temida lista dos lesionados, principalmente pela forma violenta com que o jogo se desenvolvia. Já bastava ter sido informado que Marcelo Grohe foi obrigado a ficar no banco porque sentiu lesão muscular antes da partida.
 

 

Manter a integradade dos nossos titulares e nos mantermos no alto da tabela a poucas rodadas do fim desta fase foram o saldo positivo desta jornada.

Avalanche Tricolor: começamos bem na Copa que queremos

 

 

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Libertadores – Agustín Tovar/Barinas-VEN

 

 

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Leo Moura comemora seu primeiro gol, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

#QueremosACopa

 

 

A hashtag que nos embalou no título da Copa do Brasil se renova e veio para nos motivar na Libertadores.

 

 

Como a do Brasil, a Libertadores também é Copa. E a Copa que sempre quisemos ter. São 17 participações, quatro finais e dois títulos. Tem a nossa cara.

 

 

E foi com os caras que temos hoje é que vencemos na estreia, fora de casa e sob calor de mais de 30 graus, apesar de ser início de noite na Venezuela.

 

 

E olha que os nossos caras não puderam contar com ao menos cinco dos titulares que venceram a Copa do Brasil há cerca de três meses. Algumas das ausências foram figuras cruciais no título nacional: Geromel e Douglas, por exemplo.

 

 

Por tudo isso, pelas mudanças de última hora e pela necessidade de reencontrar o entrosamento que nos fez destaque do Brasil, em 2016, não deveríamos esperar muito da atuação gremista nesse primeiro jogo.

 

 

O início titubeante e com espaço para o toque de bola adversário, porém, não durou muito. A medida que o tempo avançava, passamos a dominar o jogo, trocar passes de um lado para o outro e ameaçar algumas investidas. A paciência foi nosso mérito e permitiu que impuséssemos nossa superioridade.

 

 

O gol quase ao fim do primeiro tempo teve a cara do Grêmio que ganhou a Copa do Brasil. A triangulação pelo lado direito e o passe preciso permitiram que Leo Moura, nosso ala, aparecesse na frente para receber a bola, surpreendendo a defesa. O giro e o chute bem executados completaram a jogada. Foi o primeiro dele com a camisa do Grêmio.

 

 

No segundo tempo, o time já era senhor do jogo. Com a defesa mais bem protegida e as escapadas para o ataque feitas com prudência, não demorou para construirmos jogada pelo lado esquerdo: a velocidade de Pedro Rocha e o surgimento de Ramiro à frente dos zagueiros provocaram o pênalti convertido por Luan.

 

 

Sem alternativa, o adversário partiu para cima do jeito que podia. Apesar dos sustos e da pressão que sofremos, eles esbarraram em um sistema defensivo muito mais firme e valente: Kannemann, Ramiro e Thyere, nesta ordem, tiraram bolas que tinham nosso gol como destino. O primeiro fez as vezes de goleiro ao ver que Marcelo Grohe já estava batido; o segundo meteu a cara quando a bola se encaminhava para as redes; e o terceiro abortou com os pés jogada na entrada da pequena área.

 

 

Era evidente o cansaço pelo desgaste da viagem, da estreia e do calor. Tudo, porém, foi superado pelo desejo de iniciar muito bem uma Libertadores, pois os nossos caras – e todos os demais que estão chegando ao grupo apenas agora – sabem o que eu, você e toda a torcida do Grêmio querem neste ano:

 

 

#QueremosACopa

Avalanche Tricolor: o talento de Miller Bolaños

 

Grêmio 2×2 Inter
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Miller, o craque em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O Grenal disputado na noite deste sábado – quem diria que o clássico já mereceu um domingo só pra ele – teve muitos dos ingredientes que se espera para uma partida com esta tradição.

 

Teve chuva, provocação, boas jogadas e algumas pixotadas.

 

Teve jogador que fez o jogo maior, teve quem foi a campo apenas para provocar.

 

E, claro, teve um pênalti que não foi marcado logo nos primeiros minutos de partida, que poderia ter feito uma baita diferença (ou você também acha que aquilo não é pênalti?). Mas isso não chega a ser nenhuma novidade.

 

Diante de tantos fatos ocorridos, pontapés desnecessários e variação no placar, permita-me, caro e raro leitor desta Avalanche, falar daquele que considerei o mais importante: Miller Bolaños.

 

Nosso gringo desencantou de vez, após uma temporada abortada por um cotovelaço que também não foi punido pelo árbitro. Joga com autoridade e coragem. Tem passada larga e passe refinado. Corre de cabeça em pé e enxerga o jogo com facilidade. Por isso, é solidário, também. Abre espaço para os companheiros chegarem em condições de marcar. Chuta forte e sempre no gol.

 

Por falar em gol: abriu o placar ao receber bola de Pedro Rocha em contra-ataque e o fez com talento, pois apesar de chegar à frente da defesa tinha pouco espaço para disparar o chute. Deu um toque para ajeitar a bola e outro para colocá-lo no ângulo. A maioria bateria de primeira e com grande possibilidade de despachar pela linha de fundo. Miller não. É preciso quando precisamos dele.

 

A qualidade do equatoriano o torna alvo dos adversários. É combatido o tempo todo e muitas vezes de forma violenta. É lamentável que os árbitros permitam que ele seja caçado por toda a partida. Não bastasse a impunidade à violência, ele é repreendido com cartão por cobrar justiça, como aconteceu hoje à noite.

 

Miller Bolaños foi protagonista do Grenal, e com seu futebol elevado a um nível superior dos demais promete ser protagonista da Libertadores, que começa semana que vem.

 

Obs:  tive a impressão que ao fim da partida e com o quinto lugar ameaçado na tabela de classificação do Campeonato Gaúcho, teve um time que comemorou o empate na Arena? É verdade?

Avalanche Tricolor: entusiasmo de Endres superou o da torcida, na Arena

 

Gremio 1×1 Ceará
Primeira Liga – Arena Grêmio

 

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O entusiasmo de Felipe Endres no comando do Grêmio, em foto de LUCASUEBEL/GremioFBPA

 

Tinha gente com nome estranho: Rex e Ty, por exemplo. Tinha jogador com nome de outros jogadores: Rondinelly e Jeferson Negueba. Tinham alguns que já havíamos assistido: Wallace Oliveira e Lucas Coelho. A maioria, porém, eu jamais havia ouvido falar – e perdão por esta minha ignorância.

 

O time que o Grêmio levou a campo sequer era o reserva. Nem de alternativo foi chamado pelos jornalistas. Era mesmo o time de transição, pois, soube por eles, costuma representar o clube na copa que a Federação Gaúcha de Futebol inventou para manter as equipes do interior em atividade depois do Campeonato Gaúcho.

 

Com muitos jogadores que provavelmente serão emprestados o mais breve possível, era de se esperar pouco daquela equipe que tinha pela frente um adversário com pretensões na Primeira Liga, coisa que não temos desde que começamos a disputar esta competição. Por isso, as falhas que nos fizeram tomar o gol no primeiro tempo não me surpreenderam. Nem a apatia e dificuldade para trocar bola no campo de ataque.

 

Contagiante para mim foi a presença do técnico Felipe Endres e sua barba que impõe respeito, no banco de reservas. Apesar de interino e no comando de uma equipe sem muita expectativa, mostrou-se disposto a acertar o passo e ajustar o time da forma que podia: gritava, sinalizava e esbraveja a todo momento. Tenho quase certeza que foi esta sua agitação e entusiasmo que mexeram com o time no intervalo, pois na volta para o segundo tempo havia um outro ânimo a empurrar o Grêmio.

 

Jogamos melhor do que o adversário, apesar de seguirmos colocando em risco nosso goleiro Bruno – o Grassi, esse sim velho conhecido e de bons trabalhos prestados. Estivemos mais tempo com a bola no pé, mesmo que em alguns momentos isto fosse motivo de trapalhadas. E mais próximo da vitória. Mas ficamos mesmo foi no empate com uma bola lançada dentro da área e cabeceada ao gol por Lucas Rex, um zagueiro grandalhão que promete muito.

 

Ao fim e ao cabo, o resultado foi bom e mantém o time a uma vitória da próxima fase da Primeira Liga que, pelo que entendi, será apenas no segundo semestre do ano.

 

Os menos de 3 mil torcedores que foram a Arena davam a dimensão do interesse do Grêmio na partida de ontem à noite. Até porque, convenhamos, na Semana Gre-nal o que mais pode nos interessar além do próprio Gre-nal? 

 

Em tempo: agora à noite, leio no ClicRBS que Felipe Endres é filho do doutor Alarico Endres, que salvou muita gente do tricolor nos anos dedicados ao departamento médico do Grêmio. Tá explicado tanto empenho ao lado do campo: tem pedigree. Parabéns a família Endres!

Avalanche Tricolor: sem exagero!

 

Cruzeiro 0x2 Grêmio
Gaúcho – Vieirão – Gravataí

 

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Miller e Ramiro marcaram os gols, foto de LUCASUEBEL/GrêmioFBPA

 

 

 

É exagerado este futebol, não?

 

O acanhado estádio da cidade de Gravataí, com direito a estacionamento logo atrás do gol e arquibancadas expostas ao sol intenso do verão gaúcho, tem, oficialmente, oito mil lugares. Dizem os registros que foi inaugurado em 2008 e batizado Antonio Vieira Ramos, um dos fundadores do Cerâmica, que alugou o local para o Cruzeiro, ex-Porto Alegre, levar suas partidas enquanto  espera a entrega do seu estádio próprio.

 

O fato de o estádio ser enxuto e ter dependências simples não impede de o pessoal da cidade chamá-lo de Vieirão. Soa quase como uma brincadeira entre amigos. Aliás, como fazíamos nos tempos de guri quando convidávamos os colegas para uma pelada no “Areião” ou no “Aterrão”, que nada mais era do que um pedaço de terra pura, com uma sequência de buracos a serem driblados a cada ataque e goleiras sinalizadas com pedaços de pau que, em todos os jogos, tínhamos de cravar novamente, porque um espírito de porco fazia questão de arrancá-los nos dias sem jogos.

 

O uso do aumentativo se disseminou com narradores esportivos que exageram na dose para compensar a baixa qualidade do espetáculo que transmitem pelo rádio e TV. Por exemplo, em toda minha vida vivida no Rio Grande do Sul e isso significa até 1990, só lembro de a competição estadual que disputávamos ser chamada por seu nome próprio: Campeonato Gaúcho. Hoje, quando sua importância é restrita, tem menos clubes e tempo de duração menor, é Gauchão.

 

Nada mais contraditório, porém, do que o apelido dado aos goleiros de futebol. Independentemente do tamanho do frango que engolem ou das falhas que cometem, todos invariavelmente são chamados de “goleirão”. Às vezes com ironia, mas na maior parte das vezes por mania.

 

Não vou entrar aqui em outro dos exageros comuns que cometemos ao falarmos de futebol que é o de transformar em craque qualquer um capaz de dar um drible a mais no adversário. Pode ser um passe de letra, uma pedalada sem sequência ou uma assistência que permita que o colega bote a bola para dentro, tudo isso já é suficiente para cutucarmos o amigo sentado ao lado na arquibancada: “bom de bola esse guri, bate um bolão que só vendo, heim!”.

 

Dito isso e colocando de lado os exageros, vamos a partida deste Sábado de Carnaval.

 

A vitória de 2 a 0, mesmo que não tenha tido desempenho capaz de agradar Renato, e é bom que seja assim mesmo, me marcou pelo desempenho de alguns de nossos jogadores:

 

Marcelo Grohe e suas defesas no primeiro tempo, especialmente a do pênalti, que convertido causaria um estrago tremendo, mais uma vez mostrou que é uma baita goleiro.

 

Miller com sua movimentação no meio de campo, distribuição de jogo e um golaço de fora da área quando o time não estava jogando lá essas coisas, deixou mais uma vez claro que é um baita jogador.

 

Ramiro com mais um gol na estatística, batendo de primeira a bola cruzada por Lincoln, tem se revelado um baita cara.

 

Tudo bem, não foi um jogão, mas podemos dizer que Grohe foi um goleirão, Ramiro bateu um bolão e Miller merece o título de o craque do jogo disputado no Vierão. Sem exagero!