Avalanche Tricolor: torcendo contra o racismo

 

Grêmio 3 x 1 Passo Fundo
(São Luiz 2 x 2 Grêmio)
Campeonato Gaúcho

 

 

Escrevo antes mesmo de a partida deste domingo ter se iniciado, pois, convenhamos, se é para falar de jogo jogado, o que nos interessa, nesta maratona que encaramos, é a quinta-feira, dia 13 de março, quando teremos o New’s Old Boys como adversário, na Arena Grêmio. Independentemente dos resultados desses últimos jogos, inclusive o de sexta-feira, sobre o qual sequer dediquei uma Avalanche – apesar de todo o meu respeito aos jogadores que estiveram em campo – , temos é que repetir o desempenho que entusiasmou o torcedor, na próxima rodada da Libertadores. O Campeonato Gaúcho, por enquanto, está bem resolvido com nossa presença garantida na fase eliminatória. Antecipo-me na escrita mesmo porque o assunto ao qual quero me dedicar pouco tem a ver com a bola rolando e muito mais com que nós somos ou queremos ser.

 

Hoje cedo, na missa dominical, na paróquia da Imaculada Conceição, próxima de casa, encontrei o Pe. Jose Bertoloni, meu conterrâneo e torcedor do Grêmio. E posso lhe garantir que frequentar as missas de um padre gaúcho e gremista, aqui em São Paulo, não passa de coincidência (eu juro que é uma coincidência). Ele acabara de celebrar a cerimônia e, como sempre fazemos, trocamos algumas rápidas palavras de despedida. Ao contrário das vezes anteriores, porém, o recado do Pe Bertoloni não tinha o tom otimista que sempre emprega quando se refere ao nosso Grêmio. Ele me chamou atenção para a tristeza que sentia desde que soube, pela rádio CBN, do incidente racista que havia ocorrido em Bento Gonçalves, cidade em que nasceu e onde alguns dos seus parentes ainda moram. Imagino que você tenha ouvido falar dos insultos proferidos contra o árbitro Márcio Chagas da Silva por torcedores do Esportivo, durante partida contra o Veranópolis, no estádio Montanha dos Vinhedos, pelo Campeonato Gaúcho, quarta-feira à noite. Além de chamá-lo de macaco, alguns estúpidos sujaram com bananas o carro do árbitro que estava estacionado do lado de fora do estádio. O acontecimento se deu um dia antes de torcedores do Mogi Mirim usarem as mesmas palavras ofensivas contra Arouca, do Santos, no interior paulista.

 

É bem provável que os dois casos que mancharam a semana futebolística avancem pouco, quando muito serão publicados alguns artigos reprovando a atitude dessas pessoas, proferidas palavras de apoio às vítimas e, na melhor das hipóteses, alguma punição sem consequência será anunciada. Sem precisar muito esforço, vamos nos lembrar do que aconteceu com Tinga, do Atlético Mineiro, alvo de ofensas racistas, em partida contra o Real Garcilaso, no Peru, pela Libertadores. Faz pouco mais de um mês e até agora os torcedores e o clube não sofreram nenhuma sanção. Independentemente do que vier ocorrer, porém, é fundamental que esses casos nos ajudem a refletir sobre estes atos inaceitáveis. É preciso entender que isto não é parte apenas do futebol, pois não se leva para a arquibancada comportamento diferente daquele que cultivamos no nosso cotidiano. Acreditar que existe uma conduta no estádio e outra na rua é querer esconder um desvio grave da nossa sociedade que pode ser percebido no mercado de trabalho e na sala de aula, apenas para ficar com dois exemplos mais conhecidos.

 

Como o futebol, porém, é um componente importante na formação do caráter da sociedade brasileira, e não apenas consequência deste, se poderia usar o esporte para corrigir este comportamento, assim como Nelson Mandela fez com o rugby para reduzir diferenças profundas que persistiam na África do Sul pós-apartheid. Nos discursos oficiais, há uma tentativa de transformar a Copa do Mundo no Brasil em um grito contra o racismo, mas será preciso muito mais do que isso. Os clubes poderiam começar a educar seus torcedores sobre o papel primordial dos negros na nossa história. Lá mesmo em Bento Gonçalves, cenário de cenas racistas na quarta-feira, no início do século passado, surgia o primeiro clube genuinamente negro a excursionar pelo interior gaúcho, batizado, aliás, com o nome da cidade. Como gremista me orgulho de saber que a estrela dourada que faz parte de nossa bandeira oficial é homenagem ao lateral Everaldo, tricampeão mundial pelo Brasil, assim como o hino que cantamos foi escrito por Lupicínio Rodrigues – dois ícones negros em suas artes.

 

A tristeza do Pe. Bertoloni deve ser compartilhada por todos nós que acreditamos na igualdade e no respeito ao próximo, mas tem de ser seguida por atitudes afirmativas. É preciso estarmos convencidos da ideia de que, sim, somos brancos, somos pretos, e, no caso dos gremistas, também somos azuis.

Avalanche Tricolor: torcedor está entusiasmado com o time

 

Cruzeiro 0 x 0 Grêmio
Gaúcho – Vieirão/Gravataí

 

 

O cartaz na mão da torcedora pedindo Barcos na seleção só percebi ao conferir as fotos publicadas no site oficial do Grêmio, nesta manhã. Deve ter aparecido durante a transmissão da TV, mas, confesso, não me chamou atenção, talvez porque estivesse mais preocupado em entender porque desperdiçamos tantos gols em uma só partida. De qualquer forma, a reivindicação da moça, que soa irônica diante do fato de o nosso atacante ser argentino e, claro, não ter a menor possibilidade de ser chamado pelo Felipão, demonstra o entusiasmo da torcida com o time neste início de temporada. Muitos amigos gremistas, por exemplo, não se cansam de me telefonar ou escrever por e-mail (ainda não inventamos o verbo emeiar, certo?) para elogiar Luan, que a cada partida revela-se melhor. Há os que preferem destacar o trabalho de Enderson Moreira, técnico que chegou sem tanta banca nem fama e tem imposto sua marca na forma de o time jogar.

 

A satisfação do torcedor faz sentido, pois apesar de sairmos de campo com um empate e sem marcar gols, ontem à noite, foi evidente o bom futebol demonstrado mais uma vez. Pode-se até lamentar os gols perdidos, mas é inegável que um time que finaliza 22 vezes e tem 17 oportunidades de marcar está produzindo bastante. Sem contar que no caso de ontem, o ponto conquistado foi suficiente para selar a passagem às quartas de final do Campeonato Gaúcho no momento em que estamos iniciando mais uma desrespeitosa maratona. Sim, desrespeitosa, pois um time que conquista o direito de representar o Brasil na Copa Libertadores não poderia ser punido pelo calendário como o Grêmio será, pois disputará seis jogos em apenas 15 dias. Para se ter ideia, amanhã, 48 horas após a partida com o Cruzeiro, em Gravataí, enfrenta o São Luis em Ijuí, e, no domingo, tem o Passo Fundo na Arena, antes do compromisso mais importante contra o Newell’s Old Boys, da Argentina, na quarta-feira, pela Libertadores.

 

Se por um lado nossos jogadores serão expostos a esse sacrifício, nós torcedores não temos o que reclamar: não faltarão partidas para vibrarmos com as boas jogadas do tricolor e, de preferência, com os gols que serão marcados.

Avalanche Tricolor: foi uma várzea só!

 

São Paulo 2 x 1 Grêmio
Gaúcho – Aldo Dapuzo (Rio Grande)

 

 

A mais de 300 quilômetros da capital, Porto Alegre, e bem ao extremo do Estado, Rio Grande é cidade com vida própria, personalidade conquistada talvez pela posição geográfica e pela força econômica proveniente do porto. Foi, aliás, a primeira capital do Rio Grande do Sul. Lembro das viagens até Rio Grande na época em que jogava basquete pelo Grêmio, que só não eram mais desgastantes do que enfrentar o Ipiranga, time que levava o nome da petrolífera instalada na cidade e de relevância no esporte gaúcho. É de lá, também, o mais antigo clube de futebol em atividade no Brasil, o Sport Clube Rio Grande, fundado em 1900, vinte três dias antes da Ponte Preta, de Campinas. Apesar do feito histórico, o Rio Grande disputa, atualmente, a segunda divisão do Campeonato Gaúcho e o time de destaque na cidade é o São Paulo, assim batizado para homenagear o estado de origem de um de seus fundadores. Foi campeão gaúcho em 1933, coincidentemente vencendo o Grêmio por 2 a 1, mesmo placar da partida disputada no sábado de Carnaval. Pela qualidade do estádio e do campo, imagino que ambos sejam patrimônio daquele época também, pois há muito tempo não assistia a um jogo disputado em local tão impróprio e capaz de colocar em risco a integridade de atletas profissionais.

 

As arquibancadas acanhadas e abertas para oito mil torcedores não chegam a ser um escândalo, pois devem estar a altura do público que costuma assistir às partidas dos dois principais clubes da cidade. No sábado, foram pequenas para tanta gente, especialmente os gremistas que moram na cidade e queriam ver o clube pela primeira vez em 20 anos. Não conseguiram ver muita coisa, além de estar próximo de seus ídolos, já que o alambrado fica encostado na linha lateral, e, se agiram como eu diante da televisão, torceram tanto por uma vitória quanto para que nenhum dos nossos atletas deixasse o campo machucado. O gramado, não bastasse estar enxarcado pela chuva, tem uma quantidade inimaginável de buracos que impedem a troca de passe e surpreendem os goleiros a cada chute a gol. Há um trecho da intermediária em que a grama simplesmente morreu e levou junto a qualidade técnica do futebol jogado, o que talvez explique a dificuldade que o São Paulo está tendo para escapar da zona de rebaixamento. Verdade que ambas as equipes perdem diante deste palco, mas não há como pedir aos jogadores do Grêmio, que tem pretensões que vão muito além do Campeonato Gaúcho, que se exponham a riscos. Aliás, era de se rever a escalação da equipe neste sábado, pois atletas importantes para a campanha da Libertadores estiveram em perigo.

 

Dizer que o jogo foi disputado na várzea não é exagero. Campos de futebol na periferia de São Paulo, e creio que em Porto Alegre, também, têm gramado em melhores condições do que aquele. Sem contar a presença de um árbitro que parecia estar deslumbrado com o fato de apitar jogo do Grêmio e ter entrado em campo com a pretensão de aparecer em cima do time grande da capital. Era agressivo nas marcações de falta, cobrava de forma exagerada bom comportamento dos jogadores e inventou um pênalti que deu a vitória para o São Paulo. Para a várzea ficar completa, o Canal Premier FC, a quem pago para ver às partidas do Grêmio, passou a transmitir o jogo do Atlético Paranaense quando ainda faltavam os três minutos de acréscimo. A imagem só voltou à Rio Grande no lance final de partida.

 

Uma várzea só!

Mundo Corporativo: como a antropologia explica a cabeça do consumidor

 

 

“Por que alguém escolhe a minha marca e não a outra? O que é que me leva a atravessar a cidade para comer uma carne no tal restaurante e não comer aqui do lado? O que me faz pagar 20, 30 mil reais em uma bolsa de luxo em vez de comprar na 25 de março?” É para responder a essas e outras tantas perguntas que o antropólogo Michel Alcoforado decidiu investir seu conhecimento na criação da Consumoteca, empresa dedicada a decifrar a cabeça do consumidor. Entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Alcolforado diz que muitas vezes o próprio consumidor não sabe explicar os motivos que o levam a tomar determinadas decisões no momento da compra. Uma resposta que pode decidir o destino de uma marca ou produto, principalmente em mercados que estão sendo fortemente influenciados pelas novas tecnologias.

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, toda quarta-feira, às 11 da manhã, no site da rádio CBN (www.cbn.com.br) com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br ou pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, depois das 8 horas da manhã, no Jornal da CBN.

Avalanche Tricolor: Dá-lhe, Luan! Dá-lhe, Grêmio!

 

Grêmio 3 x 0 Nacional COL
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

Escrever não consigo, mas compartilhar com você minha alegria, é tudo que eu quero nesta noite. Quando estiver em condições, volto e deixo minhas impressões. Se é que você não sabe no que estou sonhando agora. Por enquanto, fica o nosso grito: DÁ-LHE, GRÊMIO!

 

**************************

 

(Publicado quarta-feira, 10h39)

 

Depois de dormir extasiado com o futebol jogado ontem à noite, como se percebe no parágrafo publicado logo após a partida, já quase à meia-noite, nesta quarta-feira acordei feliz, sem dúvida, mas com uma ponta de preocupação. A caminho da CBN, ouvi o comentário do Juca Kfouri, no Momento do Esporte, no qual meu colega jornalista  fazia rasgados elogios a Luan. Lembrou de conversa que teve, recentemente, com o presidente Fábio Koff, que comparou Luan com Ronaldinho Gaúcho. Juca está entusiasmado com nosso atacante (preferem chamá-lo de meio-atacante, mas, convenhamos, ele é atacante por inteiro), assim como estamos todos nós que o assistimos vestindo a camisa do Grêmio no início desta temporada já no Campeonato Gaúcho. Agora há pouco, antes de começar a escrever este texto, também vi pela internet que o comentarista Wianey Carlet traça paralelo entre Luan e Garrincha devido a tranquilidade com que nosso jogador encara qualquer desafio. É capaz de disputar jogo pelo time principal da mesma forma que se estivesse na equipe de base; entra em campo para enfrentar adversários do interior gaúcho ou da Libertadores mantendo o mesmo comportamento atrevido e elegante de jogar. Ontem à noite, aliás,  durante a transmissão do jogo pela Fox, um dos repórteres já havia informado que os torcedores apelidaram o menino de Luanel Messi, uma brincadeira com o nome dele e do craque argentino. Entendo tudo isso.

 

Com tantas críticas favoráveis, onde mora o perigo? Por que acordar com a tal ponta de preocupação? É que apesar de Luan merecer todos os elogios feitos até agora, prefiro que, por enquanto, ele seja visto apenas como Luan, um garoto de 20 anos que jogava futebol de salão, foi descoberto por um grande clube brasileiro, ganhou a posição de titular, a confiança do técnico e a admiração da torcida. Estamos cansados de ver protótipos de craques surgirem nos mais diferentes clubes do País, e no próprio Grêmio. A maioria se perde pelos caminhos tortuosos do futebol, vai parar em clubes do exterior sem expressão e tem seu nome e futebol esquecidos.Neste momento, o melhor que podemos fazer é deixar Luan jogar sua bola, fazer gols, colocar os companheiros em condições de marcar os seus, driblar os adversários, passar de calcanhar e com talento. Sem taxá-lo ou compará-lo, apenas respeitá-lo como ele.

 

Dito isso, peço permissão para minha tietagem: que baita jogador este Luan! E dá-lhe, Grêmio!

Avalanche Tricolor: Barcos, Luan, Dudu e o backup garantido

 

Grêmio 3 x 0 Novo Hamburgo
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

Cheguei em casa minutos antes de a partida se iniciar no início desta noite de sábado. Ainda tive tempo de ver a escalação do time na tela da televisão e perceber que estávamos com uma bela equipe em campo, mesmo que o anúncio oficial fosse de que não jogaríamos com os titulares. Quase me atrasei porque tive de correr até o shopping mais próximo para comprar um substituto para o meu Airport Time Capsule, equipamento da Apple de dupla função: roteador de internet e backup automático. O anterior havia pifado após uma série de cortes de energia elétrica no bairro em que moro, em São Paulo. Por aqui é comum a luz cair quando chove e, apesar de raros neste verão, os rápidos temporais foram suficientes para causar problemas na rede elétrica que com sua fiação aérea está exposta às intempéries como chuva e fortes ventos. Não é o primeiro equipamento eletrônico que perco nesta brincadeira sem graça, recentemente tive de trocar o Sling Box, aquela caixinha mágica que me permite assistir aos jogos do Grêmio mesmo quando estou longe do Brasil. A corrida para comprar o equipamento de backup da Apple, neste sábado, se justifica, pois jamais devemos arriscar o conteúdo que desenvolvemos ao longo do tempo e armazenamos em nossos computadores. São fotos, textos, áudios, vídeos e apresentações de uso pessoal e profissional de valor inestimável. Costumo tratar este tema do armazenamento de dados tendo como inspiração uma máxima do futebol: quem tem dois, tem um; quem tem um, não tem nenhum.

 

Foi ao ver o Grêmio em campo mais uma vez com ótimo desempenho, mesmo tendo parte de seus jogadores principais descansando para a disputa mais importante que será terça-feira à noite, pela Libertadores, que lembrei do providencial ditado. Afinal, o talento de alguns de nossos “reservas” mostra que, ao contrário de todas as previsões, estamos construindo um elenco mais completo do que na temporada passada. Verdade que o maior destaque de hoje foi um titular absoluto: Barcos. O atacante fez gol de pênalti, deu passe para gol e recebeu passe para fazer gol. Ou seja, voltou a executar seu papel: marcar muitos gols, no caso um por partida e já assumiu a artilharia do Campeonato Gaúcho. Ao seu lado, Luan novamente apareceu bem e fez das jogadas mais bonitas da noite ao dar assistência para o terceiro gol. Dudu foi outro que deu gosto de ver jogar, seja pela velocidade que o levou a iniciar e concluir a jogada do segundo gol, seja pelo desejo de chutar a gol ou seja pelo toque refinado que coloca seus colegas em condições de gol. Para se ter ideia de como esta definição de quem tem capacidade ou não de sair jogando como titular é complexa, entraram no segundo tempo Max Rodrigues e Jean Dereti. Alguém colocaria em dúvida a qualidade deles?

 

Sei que não devemos nos iludir com vitórias no Campeonato Gaúcho, os adversários não estão com esta bola toda, mas convenhamos que tem sido um prazer assistir aos jogos do Grêmio. Contra esses adversários, em temporadas anteriores, não pudemos dizer o mesmo. Além da satisfação do jogo bem jogado, hoje à noite tivemos uma prova de que o elenco tem ótimas peças de reposição. O nosso backup está garantido (o meu e o do Grêmio).

Avalanche Tricolor: não dá pra não ver

 

Caxias 2 x 3 Grêmio
Gaúcho – Centenário (Caxias-RS)

 

 

Começo esta Avalanche com um pedido de desculpas. Com a quarta-feira lotada de compromissos desde às cinco horas da manhã e sem direito a adiá-los, sendo alguns extremamente complexos, já havia me comprometido a não ver o jogo do Grêmio, com horário marcado para começar às 10 da noite, momento em que deveria estar na cama, dormindo e recuperando a energia para nova maratona nesta quinta-feira. Além disso, era mais uma partida pelo Campeonato Gaúcho de pouco risco a medida que estamos muito bem obrigado na tabela de classificação. O trabalho realmente se estendeu por boa parte do dia e ao chegar em casa ainda faltavam alguns textos e projetos a serem desenvolvidos. Coincidentemente, as tarefas se encerraram às 10 da noite, quando fui para o quarto dormir. Liguei a televisão para relaxar e lá estava o Grêmio.

 

Não sei se você teve a oportunidade de assistir ao jogo. Mas desde o início viu-se uma dinâmica interessante da equipe, com nossos jogadores se movimentando de forma harmoniosa, mantendo o domínio da bola, trocando passes de pé em pé e driblando os marcadores com talento. O gol de Zé Roberto foi resultado claro desta variação de jogadas com uma conclusão de categoria desviando a bola do goleiro. Tivemos percalços na defesa, vacilos que permitiram a virada no placar após dois gols de cabeça em que o adversário estava sozinho dentro da área. Nem isso porém parecia abalar o jeito do Grêmio jogar, a ponto de termos conseguido o empate ainda no primeiro tempo com um gol e tanto do atacante Barcos. Ele queria cruzar ou chutar a gol? Pouco importa. Seja qual tenha sido a intenção, sinalizou que a sorte está mudando para o argentino. Tanto é verdade que foi o próprio Barcos quem, no segundo tempo, definiu a vitória em jogada inusitada que se iniciou com um chutão do goleiro Busatto, na cobrança do tiro de meta, que caiu atrás da defesa adversária e foi muito bem aproveitado pelo goleador redivido.

 

Como você deve ter percebido, ao contrário da minha promessa, assisti à toda partida, sem tirar o olho da televisão, sofrendo com a virada e vibrando com as boas jogadas. Não tive coragem de dormir antes do apito final, mesmo sabendo o preço que pagaria nesta quinta-feira. Aí você deve se perguntar, então, por que o Mílton pede desculpas? Peço desculpas ao Grêmio, a este Grêmio que nos tem admirado nos últimos jogos, por ter levantado a possibilidade de não ver a partida de ontem à noite. Com o futebol que o time de Enderson Moreira está apresentando, mesmo diante de algumas falhas como ontem, não dá para ficar sem o Grêmio.

Avalanche Tricolor: programa de domingo

 

Esportivo 1 x 3 Grêmio
Gaúcho – Bento Gonçalves (RS)

 

 

A costela foi salgada e levada à churrasqueira pouco fora do horário, o que se justifica pelo desacerto entre o relógio biológico e de parede, que teve de ser atrasado ontem à noite para se adaptar ao fim do horário de verão. Depois de 199 dias tentando se acertar com a hora que foi tirada no fim de outubro, precisamos de alguns dias para voltar ao normal. Por isso, ninguém se incomodou ao ver o fogo sendo feito mais tarde. O importante era acertar o ponto da carne, desafio bem mais complicado a medida que costela não é minha especialidade. Prefiro imensamente a que é feita pelo meu irmão Christian, um comandante e tanto de churrasqueira, até porque, apesar de gaúcho, sou quase um forasteiro ao lidar com carnes. Seja para dar apoio moral a este churrasqueiro seja porque sou um cara de sorte, todos (mulher e filhos) elogiaram a carne servida. E, sinceramente, também curti roer o osso que estava com sabor especial. Aliás, esse domingo estava com um jeito especial. Além da carne e do fim do horário de verão, ficamos livres do calor absurdo que tomou conta da cidade de São Paulo nestes dois primeiros meses do ano. Não apenas a temperatura ficou amena como choveu boa parte do dia. Para completar havia o Grêmio na televisão, de volta da Libertadores e disposto a se manter na liderança do grupo no Campeonato Gaúcho.

 

Verdade que não era nenhum jogo especial, o adversário era o Esportivo, tradicional time do interior gaúcho, que passa por fase bastante complicada. O estádio Montanha dos Vinhedos, onde já tive oportunidade de cobrir partidas pelo Gauchão, nos tempos de repórter de campo, é acanhado e tem gramado irregular, capaz de atrapalhar o domínio de bola dos mais talentosos. E o Grêmio entrou com time misto, misto quente, formado por titulares, que estavam em Montevidéu, na quinta-feira à noite, e reservas, alguns bem qualificados, mas desacostumados a jogarem juntos. Mesmo diante desse cardápio, a simplicidade com que o Grêmio decidiu o jogo transformou a partida em excelente programa de domingo (principalmente para quem precisava resistir ao sono provocado pela carne que ainda pesava no estômago). Sem forçar muito, ensaiando alguns bons lances e dribles, deixando a marcação mais frouxa do que de costume, marcamos três gols de forma bem interessante pelo desenho das jogadas. O pênalti cobrado por Maxi, antes dos cinco minutos de partida, foi resultado da movimentação e talento de Luan que aproveitou passe perfeito de Riveros. O gol de cabeça de Werley veio depois de falta cobrada por Alán Ruiz, que havia sido derrubado após driblar dois adversários na lateral do campo. E a confirmação da vitória chegou com a triangulação entre Maxi Rodriguez, Moisés e Everaldo, que concluiu no gol.

 

Depois do sofrimento da quinta à noite, que só se encerrou no início da madrugada de sexta, merecíamos mesmo um fim de semana tranquilo e sem preocupação. Por falar nisso, Alán Ruiz deu sinais de que pode ser bastante útil na temporada e se tornar em grande preocupação para os adversários.

Avalanche Tricolor: a cara do Grêmio na Libertadores

 

Nacional 0 x 1 Grêmio
Libertadores – Montevidéu (URU)

 

 

Já passava da meia-noite quando o Grêmio garantiu a vitória na estreia da Copa Libertadores, contrariando parte das previsões, apesar da estatística ser totalmente favorável a nós. Uma vitória merecida, mesmo com os riscos que corremos, especialmente nos minutos finais do jogo quando o Nacional nos empurrou contra o gol. E foi quase de dentro do gol que Edinho tirou uma bola, Marcelo Grohe defendeu outra e nos safamos do que seria um empate injusto. O Grêmio foi maduro a começar pelo jogo jogado por seus jovens, que tiveram liberdade para criar, enquanto os “veteranos” lhe davam segurança. Acima de tudo, foi equilibrado, pois se soube usar da técnica para trocar passes e se movimentar com rapidez com a bola de pé em pé, quando o adversário tentava jogar, marcava sobre pressão e com precisão (exceção a alguns lances nos quais poderíamos ter nos adiantado e evitado os riscos de gol).

 

Apesar do adiantado da hora, e talvez pela excitação provocada pelo sofrimento e pela vitória, esperei para ouvir o que diriam os jogadores gremistas ao fim da partida. Gostei do equilíbrio das falas, semelhante ao que tivemos dentro do campo. E, principalmente, sorri ao ouvir Zé Roberto, um dos nomes que têm sido contestados neste início de temporada, que depois de um desabafo aos descrentes decretou: “esta é a cara do Grêmio”. Sempre racional, Zé foi ao ponto certo, pois o que assistimos no fim da noite dessa quinta-feira foi o Grêmio do jeito que gostamos de torcer.

 

Na estreia do Grupo da Morte, mostramos quem é o Imortal.

Avalanche Tricolor: empate no último jogo-treino antes da Libertadores

 

Grêmio 1 x 1 Inter
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

Choveu no domingo paulistano, ao menos na parte da cidade em que moro. Pela quantidade de água percebo, porém, que não foi o suficiente para melhorar a situação dos reservatórios, em especial o Cantareira, que atende cerca de 9 milhões de pessoas, quase metade da Região Metropolitana de São Paulo. Segundo os números divulgados, menos de 20% do reservatório têm água à disposição, a menor marca desde sua criação em 1974. Apesar de as autoridades insistirem que não haverá racionamento, vê-se cidades pelo interior com medidas de contenção. Nesta altura do campeonato, admitirem o corte no abastecimento é confessar que não se precaveram para o período de escassez. Sabe-se que políticas de prevenção são fundamentais, é preciso desenhar cenários possíveis e programar as ações para esses momentos mais críticos. Empresas e órgãos públicos têm de trabalhar no sentido de criar condições para que estratégias de redução de consumo, abastecimento e reaproveitamento de água sejam eficazes. Enquanto as pessoas têm de ser mobilizadas em torno da causa, a partir de campanhas permanentes de economia de água, não apenas quando está faltando.

 

O caro e cada vez mais raro leitor deste Blog talvez estranhe o fato de o primeiro parágrafo desta Avalanche ter se dedicado a escassez de água. Peço desculpa se isto lhe incomoda já que a ideia neste espaço é escrever sobre futebol, especialmente o Grêmio. O que eu quero, além de chamar atenção para o momento alarmante que São Paulo está enfrentando, é mostrar que planejamento é importante nas diversas áreas. O Grêmio, por exemplo, voltou aos trabalhos há pouco mais de um mês, identificou suas prioridades, traçou metas, preservou seus principais jogadores neste início de campeonato e os colocou em campo apenas três ou quatro vezes com a intenção de não desgastá-los e ao mesmo tempo mantê-los com ritmo de jogo. Um planejamento que tem como objetivo maior a Libertadores, competição que se inicia na quinta-feira, contra o Nacional, em Montevidéu, no Uruguai. E visando esta disputa é que digo que o Gre-Nal foi um bom jogo-treino, onde pudemos identificar pontos positivos, como a marcação forte e a pressão na saída de jogo, na primeira parte da partida; tivemos a certeza de que alguns jogadores têm lugar no time, outros ainda são incógnitas e há os que talvez só tenham espaço no banco; houve pontos negativos como o descuido da defesa que permitiu o gol adversário e a precipitação na troca de passe que atrapalhou a chegada ao ataque; mas teve a superação dos defeitos e das dores (caso particular de Marcelo Grohe), também.

 

Enfim, depois desse jogo-treino, ainda temos dúvidas em relação ao que nos espera na Libertadores, mas sabemos que há um plano em andamento e somado a isso há a disposição de uma nação inteira – a tricolor – em voltar para a competição sul-americana e conquistá-la. É isso que nos interessa. É isso que queremos