Tenho uma história do rádio para contar. Aliás, a história não é minha. É, sim, da minha mãe. Minha mãe Ruth que faleceu em 2018 com 93 anos bem vividos. Uma pessoa de muita personalidade e corajosa.
Dona Ruth nasceu em 1924, e, creio que essa história foi por volta de1950. Ela era a pessoa da família que saía para resolver todos os problemas de seus parentes. Então, era normal sair de Osasco — na época apenas um bairro de São Paulo — para o centro da cidade. Às vezes dava entrada em uma documentação e a solução seria no mesmo dia só que bem mais tarde. Então, o que fazer?
Enquanto esperava na cidade, minha mãe assistia aos programas de rádio que na época tinha auditório. Ela sempre gostou muito disso, creio que se fosse jovem, hoje em dia, não perderia um show.
Bem, mas voltando lá atrás. Coincidiu que estava num auditório e adivinha? O cantor a se apresentar seria Nelson Gonçalves. Ela adorava a voz dele, adorava suas músicas. Quando foi anunciado e Nelson Gonçalves apareceu no palco foi a maior decepção de sua vida. Como poderia alguém tão baixo, tão magro nem tão bonito ter uma voz tão maravilhosa!
Enfim, esse era o encanto do rádio naquela época. Você podia imaginar o seu ideal para voz que ouvia.
Valdicilia C. Tozzi de Lucena e sua mãe, Dona Ruth, são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história da nossa cidade e envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br
O rádio capela “Philco Grand Cathedral´´ foi manufaturado antes de outubro de 1936. Tem 11 válvulas e 15 bandas, três delas em ondas curtas. Foi comprado por meu pai no início dos anos 1940 para que pudesse ouvir as notícias da guerra. Oitenta anos de vida e ainda funciona.
Esse rádio nos acompanhou por décadas. Enquanto para meu pai interessavam as notícias de guerra e para meu irmão mais velho as partidas de futebol transmitidas aos domingos, para mim e minha mãe o que nos mantinha coladas ao aparelho eram outras transmissões: a escolinha da dona Olinda, criação do incrível Nhô Totico, um gênio; o teatro aos sábados e domingos do Manuel Durães e Edith Morais; a primeira novela radiofônica a que ouvi foi “O Direito de Nascer” que se prolongou por meses.
Quando chegou a televisão, eu já tinha quinze anos mas nunca abandonei a escuta do rádio. Os aparelhos, hoje, já não tem o mesmo charme, pequenos, portáteis, com pilhas, sem pilhas, mas sou fidelíssima a sua escuta até hoje.
Tenho um rádio na cozinha e outro na minha cabeceira que deixo ligado a noite toda para acompanhar minhas insônias. Durmo e acordo ouvindo a mesma estação.
Sei que posso visualizar os jornalistas das novas emissoras mas prefiro imaginá-los através de suas vozes como fazia com o velho rádio ou como faço com os personagens dos livros que leio. O velho Philco está com meu irmão que mora nos Estados Unidos. Uma preciosa relíquia da família no meio de tantas outras.
Cláudia Signorini é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antônio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outras histórias visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Sou nascido e criado na Penha nos idos de 1960. O primeiro aparelho de televisão da família só veio quando eu tinha 10 anos. Logo, minha infância era ilustrada pelo rádio e pelas imagens que ele me fazia tecer na mente. O som das músicas que meus pais ouviam, embalavam meus sonhos de menino pobre na distante periferia da cidade de São Paulo.
Aos seis anos, por causa da Copa de 1970, eu descobri o futebol e nos anos seguintes as transmissões esportivas, foi uma festa! Quantas vezes não nos emocionamos com os gritos de gol de Fiori Giglioti, Oscar Ulisses, Dualcei Camargo, Waldir Amaral, Osmar Santos .… Também Cantamos com Chico, Caetano, Gil , Elis , Paulinho da Viola …
Comecei a ouvir a Rádio Nacional que anos depois viraria a Rádio Globo. Tinha a portentosa voz de Pedro Luís, que preenchia todos os espaços da sala. Achava o máximo ouvir as ondas curtas, que sintonizava o futebol do Paraná, do Rio Grande do Sul e de tantos outros lugares .
Um dia ganhei um rádio de pilha de seu Bene, o meu pai . Aí era um desfile de comunicadores quando voltava da escola: música, informação, notícia e, claro, muito esporte bretão aos fins de semana.
Cresci filho do rádio, quando já adulto e com alguns anos de profissão, veio a CBN Primeiras Notícias e Jornal da CBN. Como trabalhava o dia todo, só conseguia ouvir de novo na volta pra casa, mas eram vocês da emissora que como até hoje fazem me punham a par do que acontece no Brasil e no mundo. Sempre foram nossa janela para o mundo.
O rádio fez-se um de meus melhores amigos, e é como conhecêssemos cada um de vocês que estão sempre em nossos lares, nossos computadores, no rádio do carro: o Milton, a Cássia, o Paschoal, o Sardenberg, os meninos do Hora de Expediente, o PVC o Atala, o Rusty, a Andrea, a Natuza, o Lauro são nossa família estendida, com quem conversamos quando estão no ar, com quem nos preocupamos em saber se estão bem de saúde, quando voltam das férias, porque não estão no ar do dia de hoje. Aconteceu alguma coisa?
Somos sim uma grande família, nós os ouvintes somos gratos por vocês existirem e encherem nossas vidas de carinho e atenção. O rádio faz parte da gente, atentos ouvintes.
Viva o rádio, viva todos os profissionais que não medem esforços no microfone, na redação, nas externas, nas análises para nos nutrir com as notícias nossas de cada dia. Muito obrigado ao rádio e a vocês que fazem o rádio para nós!
Ismael Oliveira é personagem do Conte Sua História de São Paulo, especial 100 anos de rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio. A partir de outubro, voltamos a nossa programação normal. Então, aproveite e escreva agora mais um capitulo da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br
O rádio fez parte da minha vida desde muito cedo. Eu era criança, cursava o (antigo) grupo escolar e todas as noites, após o jantar, meu pai ligava o rádio na Rádio Nacional para ouvir o Repórter Esso.
Meu pai era metalúrgico nas Oficinas Dedini, em Piracicaba; cursou a escola rural só até o terceiro ano, mas gostava de ouvir as notícias e aprender. Ele me colocava sentada ao seu lado, abria um Atlas Geográfico que comprara e ficava a buscar os locais e a me ensinar quem eram as pessoas, onde ficavam os lugares e o que estava acontecendo.
E foi assim que, antes dos 10 anos, pude “conhecer” Patrice Lumumba, o líder anticolonial congolês assassinado em Catanga em 1961; aprendi também sobre Chiang Kai-shek, figura controversa que serviu como Presidente da República Popular da China e depois, de Taiwan.
Foram muitas descobertas sobre personalidades ligadas à política, à Igreja e ao cinema. Mesmo sem entender do assunto, conhecia muitos nomes da política nacional: Carlos Lacerda, Jânio Quadros, João Goulart, Brochado da Rocha e tantos outros.
Claro que eu e meu pai não sabíamos como era conduzida a linha editorial daquele jornal, mas era muito bom ouvir “Alô, alô, Repórter Esso” e “testemunha ocular da História”.
O tempo passou, cresci, vim de Piracicaba para São Paulo para estudar. Aqui conheci um gaúcho “do” Alegrete (RS), apaixonado pela Rádio Guaíba, onde ouvia pelas Ondas Curtas noticiário e futebol e torcia apaixonadamente pelo Grêmio! Imaginem, que ali conheci o “primeiro” Milton Jung!!!
Casamo-nos e ele trouxe consigo seu aparelho de Rádio Philips, com ondas curtas, médias e frequência modulada! Trouxe também um aparelho de rádio amador, sua outra paixão, onde conheceu muita gente e acompanhou jornadas como a de Amyr Klink.
Em razão do trabalho, mudamo-nos para Irecê, na Bahia, onde ficamos por três anos. Ali, o rádio era nosso maior contato com o mundo para saber as notícias; e o aparelho de rádio amador muitas vezes atendeu às necessidades de pessoas para falarem com suas famílias, principalmente os padres do local que, na época, eram italianos. Depois de mais algumas mudanças, retornamos a São Paulo, eu em 1998 e ele em 2000.
Aqui, logo descobri a CBN e passei a ouví-la em casa e depois no carro, até chegar ao trabalho ou durante o dia enquanto rodava pela cidade, também a trabalho, ou retornava à casa. E sozinha, contestava alguns comentários ou esbravejava em voz alta com algumas notícias.
Na época, o Jornal da CBN era ancorado por Heródoto Barbeiro e uma das minhas comentaristas preferidas era Lúcia Hippolito: “porque você sabe, né, Heródoto, que o PMDB não é para amadores”… Saudades dela!!!! E, em 2000, também conheci o Milton Jung Jr., comandando o CBN SP e mais tarde, a partir de 2011, o Jornal da CBN. E continuo a acompanhar as notícias.
E continuo a ouvir, a concordar e a discordar de algumas análises, ainda contestando as falas em voz alta. Sim, me permito às vezes discordar de grandes comentaristas porque disso é feita a Democracia: da possibilidade e liberdade de discordar civilizadamente de conceitos, opiniões e análises.
Ouço Sardemberg, Dan, Teco Medina, José Godoy, Merval, Miriam Leitão e os excelentes comentários sobre Educação de Ricardo Henriques, além do O mundo em meia hora. Não posso esquecer dos muitos outros comentaristas de política, saúde, esportes, tecnologia, agro, cozinha, etc.
E há algum tempo, a possibilidade de ouvir todos esses comentários em podcast, tornou o rádio ainda mais companheiro.
O rádio está completando 100 anos e eu acompanho a evolução no Brasil há aproximadamente 60; creio ter sido uma grande jornada em ótima companhia
Maria Dusolina Rovina Castro Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo, especial 100 anos do Rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br
O Conte Sua História de São Paulo, em homenagem aos 100 do rádio, segue neste mês de outubro, porque os ouvintes foram muito carinhosos em compartilhar com a gente a experiência que viveram ao nosso lado, ao longo do tempo. E aproveito o texto deste sábado, também, para agradecer a todos os ouvintes que estão com a CBN nesses nossos 31 anos de vida.
Minha história com o rádio está sempre conectada à história de minha mãe, Maria Amélia. Ela quem introduziu o hábito de escutar rádio desde muito cedo em casa. Nascida nos anos 1940, é uma ouvinte da Era do Rádio, que, tal qual as lembranças que Woody Allen traz no filme homônimo, de 1987, tinha o rádio como maior meio de comunicação e informação, além, claro, do jornal.
E esse hábito foi também uma herança de família: meu avô adorava escutar as modas de viola, apreciava muito música – lembro até hoje como ele ficou encantado ao ouvir Bruce Springsteen comigo, já nos anos 80, tocando sua guitarra com a voz rasgante. Meu bisavô, por sua vez, tinha daqueles rádios embutidos, em suntuoso armário de madeira, uma joia que infelizmente não foi mantida na família.
Já na infância, o som do rádio vinha pra mim como uma referência de que estávamos atrasadas para a escola… com aquele ‘repita’ reverberando no carro cedinho de manhã.
Todas as notícias mais urgentes, sempre chegavam ao nosso conhecimento via rádio; e uma lembrança de infância que tenho muito viva até hoje, ainda mais depois da cinebiografia recente vista nas telonas, é da minha mãe chorando, na cozinha, abraçada ao rádio de cor púrpura com uma alça preta, ao saber da notícia da morte de Elvis Presley. Eu tinha 4 anos e, de tanto ouvir a notícia sobre sua morte, durante muito tempo uma simples ida de minha mãe ao banheiro (onde Elvis foi encontrado morto) me causavas arrepios, caso ela demorasse…
Ainda falando sobre a magia que o rádio exerce na vida das pessoas, há a relação com a infância de minha mãe, que teve a sorte de crescer junto com a história do rádio, e como todas as ouvintes, somente depois, com a chegada da televisão, pôde imprimir imagens às vozes e sons que habituara ouvir. Ela narra uma passagem curiosa, quando minha avó a levou à rádio e ela conheceu seu então ídolo, Osny Silva, que digamos, estava um tanto distante da imagem que ela tinha feito dele quando o ouvia no rádio,..
Aliás, Osny, em 1951 tinha lançado a marcha Campeão dos Campeões, de Lauro D’Ávila, que posteriormente se tornou o Hino do Corinthians. Ele cantou com vibração especial, em virtude de torcer pelo Corinthians. Foi contemplado com o Troféu Roquette Pinto de Melhor Cantor de Música Internacional e, no ano seguinte, passou a integrar o elenco da Rádio Nacional paulista.
Está aí uma outra paixão que cresceu comigo, minha mãe Maria Amélia, meu avô Álvaro, e passei para os meus filhos, a de sofrer com as narrações de futebol nas rádios, sempre tão mais emocionantes do que visto pela televisão. E depois do futebol, sempre vinham os programas para comentar a partida, e também os humorísticos sobre as desventuras em quadra.
Pensando no rádio e sua influência, nestes 100 anos de existência, e, trazendo para a atualidade, sempre houve aqueles que também viam o rádio como os games são vistos hoje – um vilão. Em uma das cenas do já citado filme A Era do Rádio, o personagem principal, o pequeno Joe, ouve do rabino um sermão sobre como o rádio induz a maus valores, sonhos falsos e hábitos preguiçosos,
Numa divertida passagem em que ele e seus colegas roubam as moedas conseguidas em doação para o Fundo Nacional Judeu, com o intuito de comprar o anel do vingador mascarado, um herói do rádio. É, sempre o que é visionário acaba sofrendo uma perseguição…
Na adolescência, minha relação com a rádio acabou por se basear nas rádios de música, e a vontade de gravar as músicas prediletas, para fazer a própria “setlist” e ouvir depois no walkman. Tinha um rádio vermelho, que minha mãe me deu, uma inovação, que vinha com fita cassete e gravava. Lá ficava eu, com os dois dedos nas teclas Rec e Play, aguardando a música preferida. E não é que muitas vezes, o radialista, depois da música iniciada, mandava o slogan da rádio e acabava com a faixa..?
Já trabalhando, nunca me desliguei do rádio, para me manter atualizada. No meu caminho diário de ida e vinda ao trabalho, venho escutando a CBN, com Mílton Jung, depois Carlos Andreazza e Marcela Lourenzetto, e volto ouvindo Rodrigo Bocardi e suas ‘horas dobradas’ no Ponto Final da CBN.
E para quem achava que o rádio iria desaparecer com o advento das novas tecnologias, muito se enganou… A rádio ainda é o meio mais rápido da chegada da informação, o mais inclusivo e que preza a diversidade, e que estará por aqui por muito e muito tempo.
Às radialistas e aos radialistas da CBN, meu muito obrigada, por dar som à voz da cidade.
Chegamos na cidade em 1957, vindos de Inúbia Paulista. Meus pais, eu ainda bebê, meu irmão mais velho e meus avós paternos. Por muitos anos moramos em um local que não tinha ruas asfaltadas, saneamento básico, sequer energia elétrica: no bairro de São Domingos, no Butantã. Em meados de 1961, finalmente chegou a energia elétrica instalada pela Light. Daquele momento em diante tudo mudou. Até então não tínhamos sequer um radinho de pilha.
Com a instalação da energia elétrica, meu pai compra um extraordinário rádio, da marca Semp, em móvel de madeira envernizada, com 4 faixas de ondas, via carnê na Mesbla da Rua Butantã, em Pinheiros. Assim começamos a ouvir rádio pela manhã, ao longo do dia, até a hora de dormir. Vale frisar que os aparelhos transmissores à época tinham válvulas, ao acionar o botão “on” demorava alguns segundos para esquentar e ligar o aparelho de fato.
Meu avô não perdia nenhuma edição do “Primeira Hora” e de “O trabuco” com o Vicente Leporace, ambos na Rádio Bandeirantes. Já o meu pai gostava de ouvir, na Rádio Piratininga, o jornalístico “Rotativa no Ar” e o “Grande Jornal Falado Tupi”, na rádio Tupi, com os comentários de Corifeu de Azevedo Marques.
Desde então, o rádio faz parte do meu universo. Aquele aparelho sonoro, tal qual uma caixinha mágica, exerceu um encantamento sem igual, extrapolando a imaginação do menino de apenas seis anos.
Ao som de locutores extraordinários, grandes jornadas esportivas, eu acompanhei a alegria contagiante na conquista do bicampeonato na Copa do Mundo de 1962, no Chile, e as lágrimas pelo fracasso na derrota do Brasil contra Portugal, em 1966, na Copa da Inglaterra.
Ao som do rádio, o garoto cresceu. Virou hábito acompanhar as jornadas esportivas, alternando no dial, entre uma emissora e outra para comparar a precisão do narradores, sempre vibrando ou sofrendo com o tricolor. Acostumara, de madrugada, sintonizar emissoras de outras localidades, navegando nas quatro ondas, que o aparelho oferecia, como fazemos hoje navegando na internet. Mamãe também tinha seus momentos, novelas e mais novelas na Rádio São Paulo.
Chegara a adolescência, e com ela o prazer de ouvir músicas que atendiam o público jovem e, bem antes da disseminação das emissoras em FM, tenho boas lembranças da Excelsior — A maquina do som, com Antonio Celso, e da Difusora com o “Disco de ouro”, na voz de Darcio Arruda.
Aos quinze anos consegui emprego em uma empresa do setor agropecuário, com sede em Santo André, com escritórios em Pinheiros. No período em que lá permaneci, conheci um grande apresentador de rádio daqueles tempos, Rubens de Moraes Sarmento, cujo programa na Rádio Tupi tinha o patrocínio da empresa. Eu cuidava do envio dos spots em disco vinil, no formato de um compacto, em 78 rotações, para a veiculação no seu programa, fazia a checagem das inserções comerciais e, pessoalmente, do pagamento do seu cachê. Isso, e mais a minha infância toda ouvindo rádio, exerceram forte influência na minha escolha profissional.
Hoje, publicitário aposentado, continuo sem dispensar a companhia do Rádio, quer seja no carro, na cozinha, no quarto, no celular, no computador, na rua, na chuva, na fazenda, ou numa casinha de sapé.
Samuel de Leonardo é personagem do Conte Sua História de São Paulo, especial 100 anos de rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio.
Tenho 70 anos e sou natural da Vila Guilherme, zona norte de São Paulo. Desde que me conheço por gente sou fascinado pelo rádio. Creio que por influência da minha família. Meu avô, em 1932, foi o primeiro proprietário de um aparelho de rádio da minha rua. Modernidade rara naqueles tempos !!! Ele queria acompanhar melhor os acontecimentos da revolução de 32, os jornais em papel, já não o satisfaziam, ávido por notícias.
Eu desde pequeno ficava ao pé da minha mãe, outra fanática por rádio. Enquanto ela costurava ou fazia outros afazeres, eu brincava. E através de um Philips ou em outro de marca Belmonte, aqueles de válvula e um olho mágico, para auxiliar na sintonia das emissoras, ela ficava ouvindo as novelas da Rádio São Paulo, ou o programa “Parada de Sucessos” da Bandeirantes, notícias na Rádio Piratininga ou Nacional, músicas na Rádio Cultura ou Tupi. Ah… E religiosamente todas as tardes, às 18 horas, reunia os filhos e ouvíamos “A hora da Ave Maria” na rádio 9 de Julho.
Já meu pai, outro fanático por rádio, além de ouvir programas que tocavam fados, afinal era um português saudoso da “terrinha”, costumava ficar com o radinho de pilha ouvindo futebol na Panamericana, Gazeta ou Bandeirantes.
Quando eu já era adolescente, estar em casa era estar com o rádio ligado. Ouvir as estações jovens da época: Difusora, Excelsior e até Mundial do Rio de Janeiro e aproveitar para gravar as músicas preferidas no gravador de fita cassete. Afinal, comprar long-plays ou compactos simples era proibitivo.
À noite, um dos meus maiores passatempos era sintonizar as rádios de outras cidades, tanto em ondas médias como nas curtas. Fazia planilhas listando as rádios e as frequências que eu conseguia sintonizar. Era enorme a emoção de captar em ondas médias rádios de Buenos Aires, Montevideo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e até Salvador. E nas ondas curtas, captar rádios das mais diversas línguas e em plena “Guerra Fria” ouvir a “A Voz da América” ou a ” Radio de Moscou”.
Desde que surgiu a CBN – A rádio que toca notícias, passei a ouvi-la diariamente, tornei-me praticamente um dependente da melhor divulgadora de notícias do país. Até hoje nada me dá mais prazer do que ouvir uma boa música ou saber das últimas, numa boa rádio!!!
Américo de Oliveira Matos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio e a narração de Mílton Jung.
Sou viciada em ouvir rádio! Fazendo um monte de outras coisas, adoro ligar o rádio, ouvir notícias, a previsão do tempo, algum cronista que eu curto… Toda vez que ouço no rádio um jornalista dizendo: “Você pode acompanhar nossas imagens pela Internet ou pelo YouTube – e rádio para mim ainda é sem imagem – eu fico me perguntando se quero saber qual a aparência daquela criatura tão simpática e inteligente que eu ouço diariamente naquele horário.
Será que quero mesmo saber se ela é bonita ou feia? Se se veste bem ou se é cafona? Não. Definitivamente não!
O rádio não tem nada a ver com imagem, a não ser aquela mental que a gente faz de acordo com a sua voz, o que ela diz, seus comentários, se as julgamos inteligente ou não, informada ou nem tanto, se sua opinião “bate” com a sua ou se, na verdade, é daquelas “nada a ver” – e aí, desculpe, mas o que você está fazendo ouvindo essa “zebra”?
De onde vem essa mania, mais do que vício?
Lembrei-me da época em que fui morar com meu pai e minha avó, aos 9 anos. Todas as manhãs, grudada nesse pai que, dia a dia eu descobria ser mais e mais interessante, divertido, engenhoso e que fazia a barba “the old style”, ou seja, molhava o pincel, fazia um mundo de espuma e passava o barbeador com gilete, cuidadosamente para não se cortar.
Eu do lado, encostada na pia do banheiro, olhos fixos no ritual e ele com seu radinho de pilha na janela, ouvindo o noticiário e respondendo, pacientemente, “trocentas” perguntas: quem é esse cara chato, pai? Vicente Leporace, papai gostava muito das opiniões desse jornalista bastante ácido da época.
E quando acabar a pilha do radinho? Na época, radinho de pilha era super moderno, “made in Japan” (e não na China, como hoje) sendo que bem pouca gente tinha um portátil e ele explicava pacientemente que não seria assim tão rápido que elas iriam acabar.
Um dia vou ganhar um radinho também? “Mas você já tem o que está no seu quarto!” Não, quero um desses de “levar junto” retrucava eu, encantada com a ideia!
Um ano depois, no meu aniversário, ganhei um e me senti a dona do mundo, super importante! Já as minhas pilhas acabavam bem mais depressa, uma vez que, quando eu não estava na escola, estava grudada no “radinho de levar junto”…
E esse mesmo radinho me acompanhou por toda a adolescência: os programas de músicas que podiam ser pedidas, tipo Enzo de Almeida Passos.
E lá ia eu ficar pendurada no telefone, ligando para as rádios e pedindo os meus sucessos preferidos: Paul Anka, Neil Sedaka, Elvis Presley…
A primeira notícia de quando Kennedy foi assassinado, tive-a pelo rádio…
Ouço até hoje meus radialistas preferidos: Vera Magalhães, Milton Jung, Cássia Godoy, Carolina Morand, Carlos Alberto Sardenberg…
Há muito tempo não acompanho mais meu pai fazendo a barba, mas a curtição do rádio permanece até hoje, durante o dia todo, praticamente
Sylvia Márcia Belinky é personagem do Conte Sua História de São Paulo em homenagem aos 100 anos do rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio. Em outrubro, voltaremos à programação normal. Então, aproveite para escrever agora a sua história da nossa cidade e enviar para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Nasci no estado da Bahia, em uma pequena cidade chamada Irajuba, no vale do Jiquiriçá, sudoeste baiano. Cheguei em São Paulo por Guarulhos, em primeiro de janeiro de 1988, sempre ouvindo meu rádio. Hábito que aprendi na Bahia, quando meu pai levantava bem cedinho e já ligava o rádio de pilha para ouvir o Zé Bétio. E continuei.
Todos os dias, assim que eu me levanto, já ligo também o meu rádio de pilha, na CBN, para ouvir o Mílton Jung com as melhores notícias. Mas adoro também a Débora Freitas, a Cássia Godoy e o Sardenberg. O rádio pra mim é tudo.
Os locutores falam as notícias. Fazem as críticas sem rodeios. A informação é mais acurada.
Sempre que viajo, levo comigo um pequeno rádio de pilha para ouvir as notícias locais. Pois no rádio, tudo é anunciado, desde a farmácia do seu Zé até o pequeno negociante de bijuterias. Assim, fico conhecendo toda a cidade em que eu estou passeando, mesmo ainda sem ter andado por ela. O rádio já me contou.
Vou vendo as lojas ou quaisquer comércios anunciados pelo rádio e comentando com minha esposa: olha aquela loja que o rádio anunciou, o açougue, a padaria na frente da praça. É muito bacana!
O meu desejo é que o sinal do rádio seja como o GPS que pega em todos os ermos deste país. Ou quem sabe, tão breve, se torne digital para melhorar ainda mais.
Desejo que os profissionais deste meio de comunicação sejam sempre nossos amigos, nossos companheiros, nossos familiares.
Salvador Borges de Souza é personagem do Conte Sua História de São Paulo, especial 100 anos de rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio. A partir de outubro, voltamos a nossa programação normal. Então, aproveite e escreva agora mais um capitulo da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br
O rádio é um meio de comunicação incrível, pois embora de origem antiga, acredito ser de 1896, venceu e seu deu bem com todas as novas tecnologias que surgiram. Não foi engolido pela internet, streaming, celulares, nem pelo grande avanço dos canais de televisão. Habilmente , o rádio funciona integrado com todas essas plataformas e cresceu em audiência. Eu até pensei que com a entrada de tevês digitais e a popularização da internet e dos celulares, o rádio perderia prestígio. Que nada! É tão forte na vida das pessoas que venceu todas essas tecnologias.
Na minha vida, o rádio começou por volta de 1970. Eu tinha oito anos, quando meu pai, o Senhor Geremias, ouvia o rádio durante seus trabalhos domésticos. Lembro também de minha saudosa mãe, Judite, que ouvia o rádio durante seu trabalho de costura e bordados. Com isso, cresci ouvindo rádio durante o trabalho de meus pais no lar.
O rádio é uma herança de pai para filho. Depois de aprender com o Seu Geremias, influenciei o meu filho, Gustavo, de 22 anos. Ou seja, passou de geração em geração.
Agora escutamos rádio enquanto trabalhamos com o computador, durante as viagens de carro, nas atividades físicas …
O rádio resume toda a informação que está nos sites, tevês, jornais e shows ao vivo. Antes tínhamos que ter um aparelho, que chamávamos de rádio para ouvir as transmissões. Hoje, usamos computador, celular e até a TV para escutar a rádio.
Um hábito desde jovem é ouvir o rádio enquanto tomo banho: é um momento de relaxar e ao mesmo tempo ficar atualizado. Porém, o melhor momento para eu ouvir rádio é na cama, na hora de dormir. Escuto cerca de uma hora, até que o sono toma conta. Dai, no dia seguinte ele me desperta já com as notícias do dia.
Das grandes vozes que marcaram minha vida e de meus pais, lembro de Zé Béttio, Gil Gomes, Afanásio, José Paulo de Andrade, Enia , Eli Corrêa, e o grande nomes atuais, como Mílton Jung e equipes CBN
Parabéns a todos vocês que fazem da rádio nosso maior e melhor meio de comunicação.
Jairo Brandão é personagem do Conte Sua História de São Paulo, especial 100 anos de rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio. A partir de outubro, voltamos a nossa programação normal. Então, aproveite e escreva agora mais um capitulo da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br