Ouça o texto O Leiteiro
Por Antonio Quadrado
Ouvinte-internauta do CBN SP
Ao olhar do moleque, o estribo da velha carroça parece inalcançável. A mão forte do carroceiro, de um só empuxo, alça o garoto como se fora uma pluma.
– “Bom dia Seu Manolo.”
– “Bom dia garoto, usted ainda tá dormindo?”
Não era pra menos; seis horas do quase-escuro da manhã só não se tornava sacrifício, pelos trocados recebidos do trabalho e pelas histórias que, sem dúvida, o dia ainda iria render.
E mais, depois de tanto tempo na fila do rodízio, a oportunidade era como que uma vitória. O astuto leiteiro devia saber disso.
O friozinho da manhã, o balanço da carroça no piso de terra, o másculo relinchar do “puro-sangre”, os engradados superpostos dos litros do leite ainda quente; o direito a beber o quarto-de-litro do “mais puro leite do Brasil”; tudo soava a aventura, para cada um dos garotos que disputavam a oportunidade de entregar o leite nas casas da redondeza.




