Relacionamentos na era da Inteligência Artificial: o que ainda é humano?

Pamela Magalhães

Psicóloga e Especialista em Relacionamentos

Foto de Pavel Danilyuk

Vivemos uma revolução silenciosa, que até recentemente parecia invisível, mas que agora se revela em cada mensagem respondida, música composta, imagem gerada ou conversa simulada por inteligência artificial. Em meio a tanta eficiência tecnológica, um novo dilema emocional surge: como preservar nossa autenticidade em tempos em que até as emoções podem ser imitadas?

Diferenciar o que é real do que é simulado se torna cada vez mais desafiador — e necessário. Uma pesquisa realizada com mais de 3,5 mil pessoas pela World no Brasil – uma rede da empresa Tools for Humanity que busca ajudar a diferenciar humanos de robôs e inteligências artificias – reflete esse contexto. Mais de 66% dos pesquisados se sentem preocupados quanto à possibilidade de encontrar bots ou perfis falsos em apps de relacionamento e 72% dos entrevistados disseram que já suspeitaram ou descobriram que algum de seus matches poderia ser um robô ou uma IA.

A IA não sente, mas simula sentir. Isso tem confundido a nossa percepção:

– Se um texto nos emociona, mesmo sendo criado por uma máquina, o sentimento é real?

– Se um avatar fala tudo o que queremos ouvir, isso basta?

Essa mistura entre o que é gerado artificialmente e o que vem de um ser humano está provocando um novo tipo de crise: a crise da identificação.

Começamos a nos perguntar:

– Isso foi feito por uma pessoa ou por uma IA?

– Essa emoção é verdadeira ou programada?

E nos relacionamentos?

Essa confusão não afeta apenas a forma como consumimos conteúdo — impacta diretamente a maneira como nos relacionamos. No mundo dos filtros, dos chats automatizados e das respostas perfeitas, começa a faltar espaço para o erro, a dúvida, o silêncio, a pausa, o imprevisto — ou seja, para o humano.

Relacionar-se de forma autêntica exige vulnerabilidade, mobiliza nossas emoções e, justamente nesse impasse, no emaranhado das sensações, é que nos conectamos e nos vinculamos realmente. Ainda assim, cada vez mais, estamos trocando essa vulnerabilidade por versões otimizadas de nós mesmos — versões editadas, práticas, seguras, agradáveis.

Estamos tentando ser o que “funciona”, não quem realmente somos.

O curioso disso tudo é que as ferramentas da IA otimizam e muito diversas atividades, encurtam etapas, nos poupam tempo e viabilizam caminhos. Mas quando o assunto é relacionamento entre humanos, a dinâmica natural das trocas fomenta o processo e é justamente nele que construímos pontes sólidas de interação, que nutrem nossos corações com o que mais necessitamos: amor.

Reconhecer, o quanto antes, se estamos nos comunicando com uma máquina ou um ser humano torna-se indispensável para nossa segurança. É preciso garantir que não estamos confiando o que temos de mais precioso — nossos sentimentos — a um robô que não sente e nunca foi o que se diz ser.

É preciso cultivar a autenticidade:

1.Reivindique o seu sentir

Não terceirize sua experiência à máquina. Sentir confusão, dúvida ou até tédio é humano — e essencial para amadurecer emocionalmente.

2. Exerça presença

A IA é rápida. Os vínculos reais, não. Eles exigem tempo, escuta, paciência e imperfeição. Conexão não se mede pela quantidade de interações, mas pela profundidade delas.

3. Questione a idealização

O relacionamento perfeito não existe. Buscar respostas exatas para emoções complexas é algo que nem mesmo a melhor tecnologia pode oferecer.

4. Seja curioso sobre si mesmo

A autenticidade nasce do autoconhecimento. Quem é você sem os filtros? O que te move, te toca, te paralisa? Cultive o olhar interno.

No fim das contas…

Talvez a grande pergunta da era da IA não seja o que é real ou irreal, mas sim: O que ainda é verdade para mim, mesmo em meio ao artificial?

A autenticidade, nesse cenário, é um ato de coragem. É escolher sentir, errar, experimentar e construir conexões reais, ainda que imperfeitas. Nenhum algoritmo, por mais avançado que seja, será capaz de substituir o impacto de uma presença viva, de um olhar que compreende ou de uma escuta que acolhe.

E você? Já se perguntou se está se relacionando com alguém — ou apenas com uma projeção que parece segura, mas não sente nada?

Caminhos para um futuro mais confiável

Neste novo mundo, em que as fronteiras entre humano e máquina se confundem, tecnologias como a que a World oferece surgem como uma tentativa de restaurar a confiança digital. A proposta é ousada: uma credencial digital pioneira baseada em prova de humanidade, permitindo que redes sociais e plataformas verifiquem se você está interagindo com uma pessoa real, e não com uma IA.

Esse tipo de solução ainda levanta debates importantes, mas já indica que a sociedade busca formas de reconhecer e valorizar o humano — não apenas no toque, no olhar ou na escuta, mas também nos espaços digitais, onde, cada vez mais, vivemos, amamos e nos relacionamos.

Pensar, ponderar, falar e pesquisar mais sobre o assunto pode ser justamente a forma de não nos tornarmos reféns da IA, mas termos o melhor dela.

Pamela Magalhães é psicóloga (CRP:06/88376) e especialista em relacionamentos.

Participe do debate sobre o futuro da cidadania italiana, em São Paulo 

Protesto contra decreto Tajani, na praça Cidade de Milão, em SP

A cidadania italiana sempre foi mais do que um direito: é um elo que atravessa gerações, une famílias e reafirma nossa identidade. Agora, diante do novo Decreto-Lei 36/2025, que limita severamente o reconhecimento da cidadania por descendência, esse vínculo corre sério risco.

Depois do sucesso do nosso encontro, no sábado, na praça Cidade de Milão, em São Paulo, temos um novo compromisso: 

Amanhã, dia 29 de abril, às 19 horas, no Colégio Dante Alighieri, em São Paulo, você está convidado a participar de um encontro fundamental para quem valoriza suas raízes e acredita na força da comunidade ítalo-brasileira. Um evento que não é apenas uma conversa — é um ato de cidadania.

O encontro contará com a presença de Daniel Taddone, sociólogo, genealogista e Conselheiro no Conselho-Geral dos Italianos no Exterior (CGIE), do jurista Walter Fanganiello Maierovitch, presidente do Insrtituto Giovanni Falcone, referência na defesa de direitos constitucionais, e Giuliana Patriarca Callia, Diretora da AEDA –  Associação dos ex-Alunos Colégio Dante Alighieri.

Será uma oportunidade para entender, em linguagem clara e direta:

  • O que muda com o Decreto-Lei 36/2025;
  • Como essas mudanças afetam descendentes de italianos no Brasil e no mundo;
  • O que está sendo feito para reverter ou minimizar esses impactos;
  • Como podemos agir de maneira coordenada e respeitosa para defender nossa italianidade.

Mais do que nunca, precisamos estar informados, organizados e unidos. A história da emigração italiana é feita de coragem, resiliência e amor pela pátria de origem. Não podemos aceitar que, por decreto, milhões de descendentes sejam relegados à condição de estranhos.

Sua presença é essencial. Porque somos italianos de verdade — siamo italiani davvero — e não vamos nos calar diante da tentativa de nos excluir da história que ajudamos a construir.

Participe. Compartilhe. Faça parte deste movimento.

Faça sua inscrição no Sympla (é de graça)

Data: 29 de abril
Hora: 19h
Local: Colégio Dante Alighieri — São Paulo
Transmissão online: revista @revistainsieme

Ítalo-descendentes protestam contra ameaça à cidadania italiana, em São Paulo

No próximo sábado, 26 de abril, estarei na Praça Cidade de Milão, em São Paulo, para caminhar ao lado de ítalos-descendentes que acreditam que nossa história merece respeito. A manifestação começa às 10h e carrega uma mensagem direta: protestamos contra o Decreto-Lei nº 36/2025, proposto pelo ministro italiano Antonio Tajani, que ameaça restringir o direito à cidadania italiana por descendência.

É um gesto simbólico, mas necessário. Uma resposta de quem não aceita ser tratado como estrangeiro no solo dos seus antepassados. A proposta que tramita no Senado da Itália limita a cidadania apenas a filhos e netos de italianos nascidos no país — excluindo os demais descendentes, mesmo que tenham mantido vivas, ao longo de gerações, a cultura, a língua e os laços familiares com a Itália. Para muitos, essa exclusão não é apenas uma questão legal, mas uma ferida afetiva.

A mobilização é pacífica, apartidária e aberta a todas as idades. É liderada pelo juiz aposentado, meu colega e amigo Walter Fanganiello Maierovitch, um nome reconhecido na luta pelos direitos civis, e tem o apoio de centenas de ítalo-descendentes que vivem em São Paulo e outras cidades brasileiras.

Na terça-feira seguinte, 29 de abril, às 19h, teremos um encontro no auditório do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo, com o tema “Italianidade e o decreto restritivo da cidadania italiana”. Terei a honra de mediar esse debate, que contará com a presença de Walter Maierovitch, de Giuliana Patriarca Callia, diretora da AEDA (associação dos ex-alunos do Dante), e Daniel Taddone, conselheiro do CGIE (Consiglio Generale degli Italiani all’Estero – Conselho Geral dos Italianos no Exterior) .

Será uma oportunidade valiosa para aprofundar o entendimento jurídico e político do decreto, trocar experiências e reforçar a mobilização em defesa da nossa cidadania. O evento é gratuito, com inscrições pela plataforma Sympla, e tem capacidade limitada a 300 pessoas.

De minha parte, não se trata apenas de herança legal — é a preservação de uma identidade que foi construída com esforço, saudade e pertencimento. Convido você a caminhar conosco no sábado e a refletir juntos na terça. Porque nossa história vale mais do que uma assinatura em decreto. Ela pulsa nas praças, nos auditórios, nas vozes que não se calam.

Leia também: “O decreto que ameaça milhões de ítalo-descendentes”

SERVIÇO

📍 Manifestação pública
Data: 26/04/2025 (sábado)
Hora: 10h
Local: Praça Cidade de Milão – São Paulo/SP

📍 Debate público
Tema: Italianidade e o decreto restritivo da cidadania italiana
Data: 29/04/2025 (terça-feira)
Hora: 19h
Local: Auditório do Colégio Dante Alighieri – Alameda Jaú, 1061
Inscrição gratuita via Sympla (vagas limitadas)

Avós: novos tempos, novas regras

Martin Henkel

CEO da SeniorLab e Professor de Marketing 60+ na FGV

A imagem da avó dedicada integralmente aos netos, um arquétipo arraigado no imaginário popular, está sendo drasticamente reformulada. Um estudo da SeniorLab Mercado e Consumo 60+, com base em dados de 18.604 homens e mulheres 60+ de todo o Brasil cadastrados na Maturi, revela que “cuidar dos netos” ocupa apenas a 18ª posição na lista de hobbies preferidos das mulheres dessa faixa etária. Essa descoberta não apenas desafia estereótipos, mas também sinaliza uma mudança crucial no comportamento do consumidor sênior, com implicações significativas para o mercado. O mito da avó totalmente dedicada à família obscureceu por muito tempo a individualidade e os desejos das mulheres 60+. A pesquisa evidencia uma mudança de paradigma: essa persona está se transformando em um consumidor com novas demandas, aspirações, foco no seu cuidado e limites.

A longevidade crescente e a melhoria da qualidade de vida criaram um novo segmento de consumo: mulheres 60+ que buscam autonomia e realização pessoal. A aposentadoria, antes vista como um declínio, agora é percebida como uma oportunidade para investir em experiências e atividades que proporcionem bem-estar e prazer. A atividade física lidera o ranking de hobbies, seguida por viagens, culinária e atividades sociais. Esse perfil de consumo busca produtos e serviços que promovam saúde, bem-estar e experiências enriquecedoras onde a tecnologia desempenha um papel fundamental na vida das mulheres 60+, conectando-as ao mundo e abrindo novas oportunidades de consumo. A internet e as redes sociais são canais essenciais para alcançar esse público, oferecendo informações, produtos e serviços personalizados.

A mudança de prioridades das avós exige uma revisão das estratégias de marketing quando o ponto de interesse é a família. O foco não deve ser apenas nos produtos e serviços para netos, mas também nas necessidades e desejos das avós como consumidoras independentes. O mercado de produtos e serviços para o envelhecimento ativo e saudável está em franca expansão. As mulheres 60+ são um público-alvo promissor para empresas que oferecem soluções para saúde, bem-estar, lazer e educação. O novo Luxo da Consumidora 60+ é oautocuidado e o bem-estar. As empresas que oferecem produtos e serviços que promovam a autoestima, a saúde mental e a beleza têm um grande potencial de crescimento nesse mercado.

As marcas que desejam se conectar com o público 60+ precisam quebrar estereótipos e adotar uma nova narrativa, que valorize a autonomia, a individualidade e a diversidade das mulheres nessa faixa etária. A maturidade feminina é diversa e multifacetada. As empresas precisam adotar estratégias de marketing personalizadas, que primeiramente entendam e depois atendam às necessidades e desejos específicos de cada segmento. A mídia e o marketing têm um papel fundamental na reafirmação e consolidação de novas narrativas sobre a maturidade feminina. É preciso dar voz às mulheres 60+, mostrando suas histórias, seus desafios e suas conquistas.

As empresas que desejam se destacar no mercado 60+ precisam adotar uma postura de responsabilidade social e inclusão, oferecendo produtos e serviços acessíveis e adaptados às necessidades desse público. O futuro do mercado 60+ é gigante e trilionário, com um grande potencial de inovação e oportunidades. As empresas que forem bem orientadas e aprenderem a compreender as necessidades e desejos desse público estarão à frente da concorrência. Ao adotar práticas inclusivas e valorizar a diversidade, as empresas contribuem para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.

O conceito de “Aging in Market” emerge como um pilar fundamental neste momento de redefinição estratégica para o mercado 60+. À medida que a sociedade evolui e os estereótipos tradicionais se desfazem, torna-se imperativo ajustar bússolas, narrativas e mensagens para refletir a realidade multifacetada desse público. Não se trata apenas de reconhecer o envelhecimento populacional como um fato, mas de compreender as nuances desse processo e como ele molda o comportamento do consumidor sênior e o quanto a indústria criativa ainda se baseia em preconceitos disfarçados de percepções. Ao adotar uma abordagem centrada no Marketing 60+ as empresas podem aperfeiçoar criar produtos, serviços e campanhas de marketing que ressoem autenticamente com o público 60+, construindo relacionamentos duradouros e impulsionando o crescimento.

Impactos no Brasil do afrouxamento da regulamentação da IA nos EUA

Pedro Capello

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A recente revogação, pelo governo norte-americano, de um decreto do ex-presidente Joe Biden, que visava garantir o uso seguro, protegido e confiável da IA nos EUA, representa uma mudança substancial na política norte-americana, ao extinguir, em nível federal, o arcabouço regulatório que Biden havia implementado para coordenar o setor de IA. Na prática, as empresas que atuam com IA podem enfrentar, agora, um cenário de incerteza regulatória, tendo em vista a possibilidade de surgirem padrões díspares tanto em âmbito estadual quanto internacional.

Sem um direcionamento federal unificado, diferentes estados e órgãos reguladores estrangeiros poderão estabelecer exigências diversas, potencializando a complexidade do compliance para organizações que desenvolvem e aplicam IA. Além disso, a falta de diretrizes uniformes pode acarretar lacunas na governança de dados, aumentando o potencial de vieses, falhas de segurança cibernética e utilização indevida de informações sensíveis.

Não obstante, empresas que adotarem padrões internos mais elevados de ética e segurança de dados, ou aquelas sediadas em países como o Brasil, que já possuem ou estão implementando legislações abrangentes para regulamentar o uso e o desenvolvimento de sistemas de IA, podem enfrentar desvantagens competitivas em relação àquelas que seguirem critérios menos rigorosos.

No âmbito nacional, em 10 de dezembro de 2024, o Congresso Nacional aprovou, no Brasil, o PL 2338/23 (“PL”), que estabelece normas gerais para o desenvolvimento e o uso ético e responsável da IA. Em contraste com a recente revogação da ordem executiva de Joe Biden nos EUA, essa legislação reforça a centralidade da pessoa humana e a proteção de direitos fundamentais como pilares de governança, além de introduzir a figura do Sistema Nacional de Regulação e Governança de Inteligência Artificial (“SIA”).

O PL tem como objetivo estabelecer diretrizes para a implementação de sistemas de IA seguros, confiáveis e alinhados ao respeito à privacidade, à inclusão e à não discriminação, além de prever a classificação de sistemas de alto risco e medidas como avaliações de impacto algorítmico e transparência nos processos decisórios automatizados, especialmente naqueles empregados no funcionamento de infraestruturas críticas, como controle de trânsito e redes de abastecimento de água e eletricidade.

Num cenário de rápidas transformações globais e de inovações disruptiva,s já evidenciadas nos últimos anos com a própria disseminação de ferramentas de IA, a decisão do novo governo dos Estados Unidos e a recente aprovação do PL no Brasil revelam caminhos contrastantes na abordagem regulatória da tecnologia. Enquanto o Brasil busca estabelecer um arcabouço sólido que equilibre inovação tecnológica e proteção de direitos fundamentais, a revogação norte-americana reabre o debate sobre a relação entre liberdade regulatória e os riscos éticos e sociais associados ao desenvolvimento de IA.

Esses movimentos ressaltam a importância de se refletir sobre as prioridades que cada país define em relação à inteligência artificial: como promover avanços tecnológicos sem comprometer valores éticos e democráticos? A resposta a essa pergunta moldará o impacto da IA em nossas sociedades e os desafios que teremos de enfrentar no futuro.

Pedro Capello é advogado no DSA Advogados – Donelli, Nicolai e Zenid Advogados

Rádio, cinema e mais uma emoção

“O rádio ao vivo é uma paixão antiga…” Foi com essa frase que iniciei meu texto de ontem, no qual relatei a emoção de transmitir aos ouvintes a vitória do tenista João Fonseca no Aberto da Austrália. Não imaginava que encontraria motivo para retomá-la tão rapidamente.

Hoje, durante a apresentação do Jornal da CBN, ao lado da Cássia Godoy, vivemos mais um daqueles momentos que guardaremos para sempre na memória e no coração. Anunciamos, em primeira mão e ao vivo, para a atriz Valentina Herszage que o filme do qual ela é uma das protagonistas, Ainda Estou Aqui, acabara de ser indicado como finalista do BAFTA, o principal prêmio do cinema no Reino Unido.

Valentina, que interpreta Veroca, a filha mais velha de Eunice Paiva, reagiu visivelmente emocionada à notícia:

“Meu Deus, gente! Gente, que fantástico! É tanta coisa boa, a gente nem sabe mais como reagir, vai ficando sem palavras assim…” disse a atriz, aos 26 anos.

No silêncio que fiz após o anúncio, para acolher a emoção da atriz, acabei me emocionando também, como imagino ter acontecido com muitos dos ouvintes que nos acompanhavam.

Fazer rádio é bom demais!

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o case infeliz da Jaguar

Mudanças radicais em marcas são tentadoras, porém nem sempre são bem recebidas. O caso recente da Jaguar, marca de um dos carros mais icônicos do mundo, que alterou drasticamente sua identidade visual e gerou reações negativas foi o foco do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

Ao analisar o tema, Jaime destacou que “marcas pertencem aos seus consumidores, são eles que dão vida e significado emocional para elas”. A decisão da Jaguar de remover o tradicional felino de sua identidade visual e adotar um novo estilo mais moderno, com referências visuais ousadas, foi considerada por Jaime como uma “mudança radical e até adolescente de identidade”. Ele alertou que esse tipo de transformação, desconectada da essência da marca, pode alienar os consumidores fiéis.

Cecília Russo ampliou o debate, comparando o fenômeno a uma “pandemia de mudanças precipitadas”. Ela trouxe à conversa o conceito de “modernidade líquida”, do filósofo Zygmunt Bauman, ressaltando que muitas vezes as marcas tratam mudanças como algo descartável, sem considerar a permanência necessária ao branding. “Quando a gente pensa em mudança em branding, é preservar o essencial na busca do novo, e isso a Jaguar jogou fora o bebê junto com a água do banho”, enfatizou Cecília.

O exemplo da Riachuelo também foi citado. A marca tentou simplificar sua identidade para “RCHLO”, mas logo percebeu que a mudança não teve boa aceitação e voltou a usar seu nome completo. Para Cecília, esse movimento reforça que a impressão visual e emocional de uma marca é registrada na memória do consumidor e não pode ser ignorada.

A marca do Sua Marca

A mensagem principal do comentário foi um alerta claro: não sucumba à tentação de mudanças precipitadas e desconexas. Jaime sintetizou essa lição com uma recomendação direta: “Resistam ao canto da sereia. Ouçam a voz dos seus consumidores antes de qualquer mudança.” Para os pequenos e médios empresários, o conselho é especialmente valioso: preservar a essência da marca é mais importante do que seguir modismos ou ceder a vaidades profissionais.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. E a sonorização de Paschoal Júnior.

Blockchain revoluciona as compras públicas com mais transparência e segurança 

Por Marcus Vinícius Siqueira Dezem 

De acordo com pesquisa publicada há algumas semanas[i] pela Business Research Insight, o tamanho do mercado global de ferramentas de compras governamentais era de US$ 500 milhões em 2021 e, em 2032, deverá chegar a US$ 1,1 bilhão, o que representa uma taxa de crescimento anual de 7,99% no período.

Um dos motivos para isso é a utilização do blockchain, tecnologia em que cada registro ou transação é agrupado em blocos encadeados criptograficamente em uma cadeia linear. Segundo o relatório, a tecnologia blockchain tem ganhado força entre essas ferramentas: “à medida que os governos cada vez mais abraçam a transformação digital, a adoção do blockchain nos processos de compras cresceu”.   

O blockchain traz segurança, transparência e torna alterações impossíveis, sem a necessidade de um intermediário centralizado, aumentando a confiança entre as partes — características fundamentais para transformar diversas áreas da administração pública, principalmente em atividades que demandem controle, fiscalização e auditoria.  


Por essa razão, para identificar as áreas de aplicação de blockchain e de livros-razão distribuídos (Distributed Ledger Technology – DLT) no setor público, o Tribunal de Contas da União (TCU) realizou levantamento de auditoria, com o detalhamento dos principais riscos e fatores críticos de sucesso, além dos desafios para auditoria e controle (Acórdão nº 1.613/2020). 

Como destaca o relator do processo no TCU, ministro Aroldo Cedraz, “a característica descentralizadora das tecnologias blockchain e DLT pode acelerar a transformação digital do Estado, uma vez que a possibilidade de realizar transações autenticadas sem a necessidade de uma autoridade central facilita a implementação de serviços públicos digitais orientados ao cidadão”.  
  
Apesar dos benefícios, a adoção de blockchain pelos órgãos e entes da administração pública ainda enfrenta obstáculos, dada a falta de regulamentação governamental, o baixo número de profissionais com pleno domínio dos aspectos técnicos e riscos relacionados à segurança da informação.  
  
Não obstante as dificuldades, há iniciativas relevantes de utilização da tecnologia blockchain no campo das licitações e contratações públicas.  
  
Destaca-se, nesse sentido, a Solução Online de Licitação (SOL), um aplicativo para licitações, desenvolvido pelos Governos da Bahia e do Rio Grande do Norte, com apoio do Banco Mundial, que permite às organizações beneficiárias dos Projetos Bahia Produtiva (BA) e Governo Cidadão (RN) realizarem licitações para a compra e/ou contratação de bens, serviços e obras. Mais de 4 mil contratos foram efetivados pela plataforma, o que equivale a mais de R$ 30 milhões movimentados.  
  
Outro exemplo é a criação do Portal Nacional de Contratações Públicas pela nova Lei de Licitações (Lei Federal nº 14.133/2021), que tem por objetivo a concentração da divulgação dos principais atos procedimentais das contratações públicas em todo o território nacional. A ferramenta poderá ser decisiva para viabilizar a posterior adoção de blockchain nas contratações públicas por meio de uma possível integração com a Rede Blockchain Brasil (RBB), lançada em 2022, pelo TCU e pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).  
  
Observa-se que, pelas próprias dificuldades acima elencadas, a implementação da tecnologia blockchain no âmbito das contratações públicas deverá ocorrer paulatinamente, de acordo com as etapas do procedimento licitatório adotadas dentro da nova lei brasileira de licitações.  
  
Evidentemente, será necessário implementar metodologias no campo tecnológico computacional, promover a formação de profissionais multidisciplinares para aplicação e manutenção da tecnologia, bem como desenvolver e estabelecer parâmetros para a programação de contratos administrativos no formato smart contract.  
  
Dada essa complexidade, metodologias de criação de soluções como o Legal Design podem ser essenciais para o mapeamento dos problemas, elaboração de proposição de soluções efetivas, forma dos procedimentos, acesso às informações e experiência do usuário.  
  
Durante essa fase de design, uma análise de custo-benefício pode ser conduzida pela administração pública avaliando o emprego da tecnologia blockchain e suas várias configurações, considerando as atuais modalidades de processos de licitação.  
  
Em conclusão, a adoção de blockchain nas contratações públicas apresenta desafios, mas oferece significativos benefícios no que concerne à transparência, eficiência e segurança dos dados e informações. A implementação gradual, aliada a metodologias como o Legal Design, será essencial para superar obstáculos e maximizar os ganhos em governança e controle, pavimentando o caminho para uma administração pública mais moderna e orientada ao cidadão.  
  
Marcus Dezem é advogado especialista em Direito Público e Urbanístico do VBD Advogados.  

[i] https://www.businessresearchinsights.com/market-reports/government-procurement-tool-market-108844 

A quem interessa nossa “neutralidade”?


Diego Felix Miguel

Photo by fauxels on Pexels.com

Certa vez, em um grupo de WhatsApp, compartilharam uma notícia sensacionalista e enganosa, o que gerou desconforto entre os integrantes. Após dezenas de mensagens questionando o conteúdo, a remetente avisou: “por favor, sem política no grupo!”, e alertou que qualquer um que continuasse a discutir a matéria será excluído da rede social.

O que me chamou a atenção foi a superficialidade com que o conceito de “política” foi tratado. Política não se resume ao partidarismo, nem acontece apenas em períodos eleitorais. Ela está presente em todos os dias e em todos os lugares.

Gosto de pensar que, como seres políticos, cumprimos um papel social importante desde o momento da fecundação, que garantiu nossa existência, e até mesmo após a morte, por meio do legado que deixamos. Somos seres políticos porque temos a capacidade de intervir, positiva ou negativamente, na sociedade. Em micro ou macro realidades, atuamos como agentes de transformação diariamente, muitas vezes sem termos consciência de como nossas ações, ideias e palavras podem impactar outras pessoas e a sociedade como um todo.

A segunda reflexão que essa experiência no grupo de WhatsApp me proporcionou foi sobre o silenciamento imposto e a suposta neutralidade diante do assunto discutido. Tanto aqueles que questionaram a veracidade da notícia e foram silenciados, quanto os que preferiram ignorar o conteúdo para evitar discussões, representam formas de recuo em nome de uma falsa neutralidade.

Como disse Paulo Freire: “Que é mesmo a minha neutralidade, senão a maneira cômoda, talvez, mas hipócrita, de esconder minha opção ou meu medo de acusar a injustiça?” Será que, como seres políticos e racionais, devemos nos abster de expressar nossa opinião sobre os acontecimentos atuais? Ou, pela idade, devemos delegar essa responsabilidade aos mais jovens?

Compartilho essa reflexão com você, leitora e leitor, para que possamos nos unir neste momento político crucial: as eleições. Precisamos fazer valer nossas vozes e defender o que acreditamos ser fundamental para garantir um envelhecimento saudável e ativo.

Considerando a importância do nosso papel político e do legado que queremos deixar, é essencial estarmos aliados a candidatos que se comprometam com o fortalecimento do SUS, a ampliação e consolidação dos serviços de atenção e cuidado às pessoas idosas (como NCIs, Centros Dia e ILPIs), além do fomento à arte, cultura e esportes.

Neste momento, é fundamental analisar propostas, questionar os candidatos e avaliar se eles merecem nossa confiança. E, independentemente de quem for democraticamente eleito, é essencial acompanhá-los e exercer nossa participação social, para moldar a política que queremos e precisamos, tornando-a representativa.

Diego Felix Miguel é doutorando em Saúde Pública (FSP USP), Especialista em Gerontologia pela SBGG, Presidente do departamento de Gerontologia da SBGG-SP e Gerente do Convita – Patronato Assistencial Imigrantes Italianos.

Do rádio à liderança corporativa: conheça Mílton Jung, jornalista, escritor e especialista em comunicação

Texto produzido por Rovella & Schultz Boutique Press

Na CBN, Mílton Jung apresenta o Jornal da CBN e o Mundo Corporativo (foto)

Natural de Porto Alegre, Mílton Jung começou sua trajetória na área da comunicação desde cedo, seguindo os passos de sua família de radialistas e jornalistas. Ainda criança, já frequentava redações e estúdios em sua cidade, onde desenvolveu sua paixão pelo jornalismo. Esse interesse o levou a se formar em Jornalismo pela PUCRS – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e, posteriormente, a complementar sua formação com uma especialização em Marketing Digital pela Digital House Brasil.

Jung iniciou sua profissão nas rádios Guaíba e Gaúcha passando pelo jornal Correio do Povo. Na televisão, foi repórter da Rede Globo em 1992, logo depois apresentou o Jornal da Cultura e o programa 60 Minutos pela TV Cultura até 1999 e, em seguida, comandou o Leitura Dinâmica na Rede TV. Com uma carreira sólida, Milton é um dos nomes mais respeitados do jornalismo brasileiro. Habilidades como ouvir, aprender e ter empatia, além, claro, da sua competência, o levaram a ser atualmente âncora nos programas Jornal da CBN e Mundo Corporativo, da rádio CBN e também a atuar como Associate Professor da WCES.

Mesmo com todo o seu sucesso na rádio, Mílton Jung também tem muito êxito como autor de cinco livros. Seu primeiro lançamento foi “Jornalismo de Rádio” (2004), pela editora Contexto, seguido de “Conte Sua História de São Paulo” (2008), pela editora Globo, e “Comunicar para liderar” (2015), em coautoria com a fonoaudióloga Leny Kyrillos, também pela Contexto. Logo depois vieram “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com os nossos filhos” (2018), pela Best Seller do Grupo Editoral Record, e sua mais recente coautoria “Escute, expresse e fale!” (2023), pela editora Rocco, onde explora a comunicação eficaz e a expressão pessoal.

Os atributos do Milton não param por aqui, como especialista em comunicação e liderança, ele também é palestrante, frequentemente convidado por empresas e instituições para compartilhar seus conhecimentos sobre como melhorar habilidades de influência e comunicação no ambiente corporativo. Sua expertise foi construída por meio da governança de equipes e da moderação de discussões sobre temas relevantes no rádio.

Ao longo de sua carreira recebeu prêmios importantes como o Comunique-se 2014, que o reconheceu como o melhor âncora de rádio do Brasil e o prêmio especial do júri da APCA, também em 2014, na categoria rádio.

Para saber mais sobre Mílton Jung visite seu site  https://miltonjung.com.br/ e acompanhe suas reflexões e entrevistas no programa Mundo Corporativo, que vai ao ar todos os sábados às 8h15 na rádio CBN. Fique também por dentro de suas atualizações e conteúdos nas redes sociais pelo perfil @miltonjung.

Informações para a imprensa:

Rovella & Schultz Boutique Press

Marta Rovella Schultz – Roberta Rovella Radichi

Fones: (11) 3039.0777 e (11) 96459.1070

www.rovellaschultz.com.br / @rovellaschultz