O texto foi publicado no caderno Aliás, do Estadão, e sugerido pelo ouvinte-internauta Roberto Neumann, autor do blog Apocalipse Motorizado:
A quem interessa a melhoria do trânsito em São Paulo? Se a interpretação for a de que é preciso melhorar as condições de circulação dos automóveis, ela está errada. É o próprio automóvel que atrapalha a fluidez do transporte coletivo e de cargas.
O Veículo Urbano de Carga (VUC), incluso na medida, é um intermediário razoável entre os caminhões, grandes demais, e as kombis e vans, muito pequenas.
O tamanho de um VUC é de 6,30 metros, o que equivale a um carro e meio. Ele transporta o que 6 kombis transportariam e ocupa muito menos espaço. Além disso, os dezenas de milhares de pequenos pontos comerciais da cidade não têm equipe e segurança para receber cargas noturnas.
Para terminar, proponho uma conta. Supondo que sejam tirados de circulação 40 mil caminhões e que cada um corresponda a 4 carros. Cerca de 500 novos automóveis entram na frota da cidade por dia. Em menos de 11 meses, o efeito dos 40 mil caminhões eliminados seria anulado.
É preciso tomar cuidado, porque, em breve, podemos concluir que é o pedestre que atrapalha o trânsito de São Paulo.
Horácio Figueira – engenheiro e consultor”