O último engarrafamento, por Veríssimo

O texto foi publicado em O Globo de quinta-feira (11/04) e reproduzo aqui porque não há como acessar a página do jornal na internet se você não estiver cadastrado por lá:

Boa notícia é que nunca se viu tantos carros nas ruas. A má notícia é que nunca se viu tantos carros nas ruas. Carros sendo produzidos e comprados como nunca significam fábricas e fornecedores funcionando e empregando mais, mais gente com mais dinheiro ou crédito no mercado, uma classe média em expansão, uma economia em crescimento. Carros sendo produzidos e comprados como nunca significam engarrafamentos inéditos e acidentes de trânsito em níveis de massacre, sem falar no aumento da poluição do ar que respiramos e no agravamento generalizado das neuroses. É bom que muitas pessoas que não tinham condições de comprar seu carro agora tenham, é ruim que em todas as grandes cidades brasileiras hoje exista uma grande nostalgia pelas chamadas horas do rush, ou os horários de pique no trânsito, de antigamente, pois agora toda hora é hora do rush.

O que há é que, na surrada analogia de uma Bélgica dentro de uma Índia para descrever o Brasil, a Bélgica cresceu e os belgas e neobelgas têm mais carros, mas continuam obrigados a circular nas ruas e estradas da Índia. Quanto mais cresce a Bélgica, mais aparecem as precariedades da Índia. A publicidade dos carros sendo lançados prefere ignorar esta realidade e anunciar máquinas flamantes feitas para zunir por ruas e estradas de um país que não apenas não é a Índia como não é nenhuma Bélgica reconhecível, mas uma terra fantástica onde o trânsito sempre flui e os carros voam. Uma ironia que se repete diariamente: o cara chega em casa depois de algumas horas preso num engarrafamento de qualquer grande cidade brasileira, liga a televisão e, entre notícias de terríveis acidentes com morte em estradas inadequadas por excesso de velocidade, só vê propagandas de carros vendendo a grande aventura da velocidade. E da potência sem impedimentos, muito menos de carros na frente e dos lados.

Como fica cada vez mais improvável que conheceremos essa terra de sonho, resta esperar que a indústria automobilística se prepare para o engarrafamento final que vem aí, quando o trânsito se tornará, literalmente, impossível. Esqueçam velocidade e potência. Interiores com beliches, quitinete e mesas para carteado, para passar o tempo. Rojões de sinalização, para pedir o resgate por helicóptero. Sei lá.

Foto-ouvinte 1: Perua também é cultura

Foi em uma das viagens (com “g”) de lotação que costuma fazer entre a zona leste e o centro da cidade que a ouvinte-internauta Bianca Iaconelli encontrou o alerta acima. O celular, além de fotografar a pérola lingüística, serviu para que ela fizesse contato com a prefeitura e sugerisse (ainda com “g”) uma revisão ortográfica nos avisos que circulam pela cidade.

Prefeitura diz que coleta seletiva é de quase 5%

Alguns dados enviados pela prefeitura de São Paulo em resposta a crítica do coordenador do Nossa SP, Maurício Broinizi (veja nota abaixo):

a) Em 2007 foram recolhidas 29.666 toneladas de material reciclável;

b) As centrais de triagem coletaram 11.560 toneladas, enquanto as concessionárias Loga e Ecourbis, 18.106;

c) Isto representa 4,9% do total de resíduo passível de ser coletado em São Paulo;

d) Dos 96 distritos existentes na cidade, 71 são contemplados pela coleta de materiais recicláveis realizadas pelas centrais e concessionárias;

e) Mais de 1.000 pessoas trabalham nas cooperativas;

f) Os trabalhadores deste setor recebem cerca de R$ 600 por mês

Nossa SP discute destino do material reciclável

Havia cerca de 70 pessoas, algumas em pé, no auditório do Sesc Vila Mariana, onde se realizou, na manhã dessa quinta-feira, debate sobre o destino do material reciclável (resíduos sólidos) gerados na cidade de São Paulo. Calcula-se que a capital produza em torno de 9 mil e 700 toneladas por dia de material que poderia ser reaproveitado, mas apenas pequena parcela (1%) vai parar nas cooperativas, disse Maurício Broinizi, coordenador do Movimento Nossa São Paulo, ao CBN SP:

Prefeitura envia lei para impedir invasão no Ibirapuera

Projeto de lei que limita a altura dos prédios na região do entorno do parque do Ibirapuera foi encaminhado pela prefeitura à Câmara dos Vereadores de São Paulo, nesta manhã. A medida foi uma resposta a discussão que ocorre no Conpresp, conselho do patrimônio histórico da cidade, que pretende mudar resolução que permite edificações de até 8 andares na região. A proposta do departamento de patrimônio histórico da cidade, órgão ligado a Secretaria Municipal de Cultura, é que possam ser levantados prédios de até 18 andares.

Reportagem do jornal O Estado de São Paulo, desta quinta-feira, mostra que se a medida proposta pelo DPH for aprovada o valor dos terrenos na região vai triplicar.

Ouça a entrevista do líder do Governo na Câmara, vereador José Police Neto (PSDB):

Estatais paulistas demitem servidores sem direito trabalhista

TAC. Esta é a sigla que está tirando o sono de milhares de funcionários públicos das estatais de capital misto, no Estado de São Paulo, como Sabesp, Cetesb, Cesp e Dersa. TAC é termo de ajustamento de conduta, apresentado pelo Ministério Público estadual que pretende ver atemdida regra de contratação de servidores que estaria em vigor desde a Constituição de 88 e não teria sido cumprida pelas empresas. Segundo esta medida todos os servidores contratados pelo regime de CLT, sem concurso público, têm de ser afastados dessas empresas.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Helifax Pinto de Souza, explicou a situação destes servidores no CBN SP:

Foto-ouvinte: O ataque dos pichadores


Clique nas imagens e veja o álbum de fotos com as pichações

A seqüência de imagens foi feita pelo ouvinte-internauta Rubens Peterlongo que montou sua escola no prédio Santa Victória, na esquina da rua Dom José de Barros com a avenida São João, em frente a Galeria Olido, tombada pelo patrimônio histórico e alvo de ataques de pichadores, todas quintas-feiras à noite, quando se realizam encontros de jovens naquela região. As reclamações foram levadas à Secretaria Municipal de Cultura e à Ouvidoria da Prefeitura, que têm sede no local, e à Polícia Militar.

“O problema é localizado, tem dia e hora certos! Estou tentando convencer a PM a colocar uma guarita móvel, na esquina somente neste dia e horário, mas está muito difícil”, escreveu Rubens Peterlongo.