Quem nunca recebeu mensagem eletrônica anunciando o mais escabroso e novo golpe na praça seja ele qual for – pode pular este nota. Tem a do menino encontrado dentro da banheira de gelo sem um rim, ou do assaltante que surge escondido no porta mala do carro, após o motorista deixar o estacionamento do restaurante. Na minha caixa de correio faço coleção destas lendas que sempre existiram, mas ganharam poder de publicação com a internet.
Na maioria das vezes, são notícias criativas e com pormenores capazes de fisgar um trouxa no fim da linha. Versões modernas do golpe do bilhete premiado (que, aliás, ainda é aplicado no centro de São Paulo). Incrível é que sempre encontram pessoas dispostas a acreditar por mais absurda que seja a informação.
Apesar da coleção ser extensa, a da armadilha escondida na chave do hotel para mim ainda era novidade. Foi o gerente de uma das grandes redes quem me enviou preocupado com a reação de seus clientes às mentiras que circulam na internet.
De acordo com o e-mail, as chaves eletrônicas usadas em boa parte dos melhores hotéis da cidade guardariam informações tais como o CPF, números do cartão de crédito e a validade, além do endereço parcial do hóspede, número do quarto e datas de entrada e saída. Qualquer funcionário teria condições de copiar os dados em um scanner magnético logo após a saída do cliente.
A melhor forma de se proteger deste sistema vulnerável seria não devolver a chave ao hotel, levar embora e destruí-la com uma tesoura, cortando, principalmente, a tarja magnética. As recomendações, consta na mensagem, seriam do Departamento da Polícia Federal.
Pobres gerentes de hotéis, infernizados por esta falsa informação, devem estar calculando prejuízos com o sumiço das chaves.
Saibam os incrédulos que a chave armazena informações sobre o número do apartamento e o código de identificação dela própria, o suficiente para gerar um registro na fechadura do hotel que facilita o rastreamento de quem entrou no quarto.
O resto é mentira, lorota, conversa para boi dormir.