Por Adamo Bazani
Em meio à divulgação do polêmico filme “Tropa de Elite”, que mostra abusos praticados pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, surge em São Paulo uma denúncia semelhante e grave. Ela envolve policiais da ROTA, a tropa de elite da PM paulista. Numa entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, um soldado da corporação, identificado apenas como P, diz que seus colegas de farda simularam atentados e atribuíram os ataques a facção criminosa que age nos presídios do Estado.
Segundo o soldado, a manobra teria o objetivo de justificar a morte de pessoas consideradas suspeitas. A notícia surpreendeu a ouvidora da Polícia de São Paulo e especialistas na área de segurança. Porém, as informações sobre abusos e crimes cometidos por PMs no Estado surgem com freqüência.
Recentemente, 19 policiais militares foram afastados das ruas por suspeita de integrar um grupo de extermínio na cidade de Osasco. Esse grupo teria assassinado ao menos 30 pessoas na região no período de Um ano.
O Comando da Rota informou que desconhece a denúncia feita pelo soldado P. Porém, a própria entidade reconhece que seus agentes tem ordem expressa para agir com rigor, mesmo que isso represente, também, atos violentos. O Coronel Joviano Conceição Lima, que comanda o Batalhão de Choque da PM, um órgão que integra a Rota, confirma a orientação. Ele diz que o crime organizado só pode ser combatido com pulso firme, como fazem, teoricamente, os soldados da Rota.
A Ouvidoria das Policias Militar e Civil de São Paulo diz que os relatos sobre abusos de policiais continuam sendo freqüentes. O ouvidor Antônio Funari garante que as denuncias do soldado da Rota serão investigadas.
A truculência policial é um tema corriqueiro para os pesquisadores do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo. Para Paulo de Mesquita Neto, um dos especialistas do grupo, a presença de maus policiais militares nos quartéis mancha a imagem da corporação. Na opinião dele, denúncias como estas que envolvem a Rota provocam um sentimento de frustração nos PMs honestos.
O coronel Joviano Conceição Lima não informou se será aberta um investigação interna para apurar a denúncia do soldado P. Ele disse, porém, que a Rota está à disposição do Ministério Público, da Corregedoria e da Ouvidoria da Polícia para fornecer os dados sobre as ocorrências envolvendo policiais da corporação e que terminaram em morte.
A reportagem completa você ouve na edição desta segunda-feira do CBN SP