
A produção literária do professor Heródoto Barbeiro é interminável. Seus livros não param de rodar nas editoras, mesmo quando distante do Brasil. Enquanto aproveita sua última semana em Londres e arredores onde, dizem, foi convencer Boris Berezovsky a devolver Tevez para o Corinthians a Boitempo e Edições Sesc-SP preparam o lançamento do livro Meu velho Centro, que integra a boa coleção Paulicéia.
O texto abaixo foi enviado pelos editores. Tomei a liberdade apenas de cortar o currículo do professor Heródoto, onde consta o ano de nascimento dele (1946). Não quero ser ser considerado cúmplice de qualquer informação que possa ser colocada em dúvida pelo ouvinte-leitor, apesar de ter tido a honra de escrever o prefácio:
O jornalista Heródoto Barbeiro nasceu, cresceu, e ainda hoje vive no Centro de São Paulo. As características e as mudanças pelas quais passaram esse lugar agitado são contadas com emoção em Meu velho Centro, que mescla a história da cidade com a vida do autor. O coração da metrópole é o tema do novo lançamento da Coleção Paulicéia, co-edição da Boitempo com a Edições Sesc-SP.
Em um livro delicioso, Heródoto conta da fundação de São Paulo por jesuítas perto da praça da Sé, ao renascimento do autor que, criança, sobreviveu a um atropelamento de bonde. Das transformações com o ciclo do café, as indústrias e levas de imigrantes, que fizeram da província uma metrópole, às suas aventuras de garoto com carrinhos de rolimã. As manifestações políticas na Sé, o carnaval paulistano, a convivência de japoneses, afro-descendentes, italianos, nordestinos e das polacas que fizeram a diversidade de São Paulo.
O livro traz ainda curiosidades do presente, como as missas em italiano e espanhol rezadas na igreja Nossa Senhora da Paz. E do passado, como o parque de diversões Shangai, campos de várzea, cinemas e mesmo rios que desapareceram, enterrados pelo crescimento desenfreado da cidade.
O lado íntimo e humano de São Paulo, tão esquecidos e negligenciados, são o grande charme e mérito de Meu velho Centro. O livro promove um reencontro dos paulistanos com sua identidade. Conheçamos o Centro, convida-nos Heródoto Barbeiro, e talvez descubramos que ele está mais vivo do que nunca