Depois dos times da Europa, o e-Sport é o novo desafio para o futebol brasileiro

 

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Hoje, Juca Kfouri chamou atenção para o comportamento abusivo de torcedores que insistem em levar sinalizadores para os estádios e a forma como a CBF trata o tema incentivando esta atitude. Ontem, alertou para a dificuldade de o Brasil organizar melhor a principal competição do seu calendário, o Campeonato Brasileiro, especialmente quando a realidade da Champions League nos é esfregada na cara, como aconteceu no belo jogo e espetáculo de sábado, em País de Gales, no qual o Real Madrid confirmou sua superioridade diante da Juventus.

 

A audiência da TV brasileira esteve a altura do show proporcionado pelos europeus e mobilizou milhares de torcedores que se reuniram em suas casas, bares e outros locais para assistir ao jogo. Diante disto, não surpreende que nossas crianças nas escolas e nos campos de futebol  têm vestido camisas de times da Espanha, França, Itália e Inglaterra.

 

Nossos times mal sabem como enfrentar a concorrência europeia e, desde já, deparam com outra disputa: a dos esportes eletrônicos.

Sim, lá vou eu falar de e-Sport para desespero de torcedores conservadores que ainda perdem tempo nas redes sociais negando que CG:GO, Lol e outros jogos eletrônicos possam ser colocados na categoria de esporte. Enquanto negam, vemos sites e canais de TV paga dedicando cada vez mais espaço para o e-Sport. E os estudos sustentam essa decisão, como veremos mais à frente.

 

Hoje, volto ao assunto, após ler “L.E.K. Sports Survey — Digital Engagement Part One: Sports and the “Millennial Problem”, escrito Alex Evans and Gil Moran, executivos da L.E.K. consulting. Nos dados apresentados temos a ratificação do que havia sido publicado, semana passada, no maior e mais profundo estudo sobre tendências da internet, produzido pela analista Mary Meeker, em parceria com a Kleiner Perkins, sobre o qual escrevi também neste blog  

 

Conforme Evans & Moran, embora os Milleniuns representem um segmento enorme e cada vez mais integrado da base de fãs de esportes nos Estados Unidos, ao contrário das gerações anteriores (Baby Boomer e GX), eles seguem uma gama muito mais ampla de esportes, incluindo os tradicionais e os eletrônicos. E, mesmo com menos tempo à disposição, têm muito mais alternativas para assistir aos eventos.

 

Essa geração já ignora parte dos canais por assinatura de televisão, até então uma das principais fontes de engajamento dos jovens ao esporte, especialmente nos Estados Unidos. Dados recentes da ESPN-EUA, mostram que o número de assinaturas diminuiu em 10%, em apenas três anos, estando agora com 90 milhões de telespectadores. Seu público mais jovem busca os eventos esportivos nas plataformas de mídia digital.

 

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Se o público com mais de 65 anos de idade mantém sua performance diante da televisão, assistindo a cerca de 450 minutos por dia, em média, de acordo com pesquisa Nielsen; o tempo diante da TV tem diminuído, anualmente, desde 2010, em alta velocidade para os Milleniuns: 4,7% entre os jovens de 18 a 24 anos – hoje, dedicando menos de 300 minutos por dia) e 2,8% para os de 25 a 34 anos, que dedicam menos de 250 minutos.

 

Outra comparação capaz de revelar esta mudança de tendência: 20% do consumo total de mídias pelos Millenius são dedicados a videos online gratuitos ou serviços pagos OTT – over-the-top, que são os serviços de áudio e video pela internet, dos quais os mais conhecidos no Brasil são Netflix e iTunes; apenas 13% é dedicado a TV Tradicional.

 

Ao avaliar a mudança de atitude da geração Millenium, os consultores alertam para o risco de os esportes tradicionais perderem espaço no coração e memória dos fãs.

 

A maioria das pessoas entrevistadas disse ter passado a admirar determinada atividade esportiva devido as transmissões na televisão, tanto quanto por praticar essas modalidades quando jovens.Concluem assim os consultores que, diante do fato que a TV tem sido o canal histórico para apreciação do esporte, o declínio na audiência aponta para uma queda simultânea de ‘fandom’ esportivo no futuro.

 

A desafiar ainda mais os gestores dos esportes tradicionais, está a crescente popularidade dos e-Sports já competindo diretamente na preferência do público como mostra o gráfico abaixo. Preste atenção na coluna dedica a todos os Milleniuns, tema de artigo anterior escrito neste blog:

 

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O relatório identifica que cerca de 61% dos seguidores de esportes eletrônicos ficaram menos tempo diante da TV, nos últimos 12 meses, 45% reduziram a visualização de esportes tradicionais e 35 compareceram menos a eventos esportivos devido ao maior engajamento com o e-Sports.

 

Um fenômeno que tem impactado negócios e um dos exemplos citados no relatório dos consultores foi o acordo de US$ 300 milhões pagos pela empresa de serviços de transmissão de vídeo e tecnologia BAMTech, criada para Major League Baseball, que lhe dá o direito de transmissão das competições de League of Legends.

 

Essa transformação já percebida e estudada em outros cenários parece ainda não ser levada em consideração pelos gestores do futebol brasileiro que, se antes tinham de se preocupar com a concorrência dos times europeus, que passaram a desfilar com muito mais freqüência na nossa tela, agora também correm o risco de serem atropelados pelas modalidades eletrônicas.

 

Mesmo que o futebol ainda tenha maior dimensão, maior base de fãs e muito mais dinheiro circulando em território nacional – situação que ainda vai demorar para ser superada -, é preciso lembrar que mercados tradicionais têm sido rapidamente abalados pelo surgimento de novas tecnologias. Por que o futebol estaria imune a essas transformações? Se ficarem esperando para ver o que vai acontecer, os clubes brasileiros e as instituições que os representam correm o risco de assistirem ao surgimento de uma geração de não-torcedores – uma legião que, por sinal, já aparece em pesquisas de opinião no Brasil.

Lamentável, diz Embaixador da UE sobre Trump sair do Acordo de Paris

 

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Donald Trump foi o centro das atenções no Jornal da CBN. Verdade seja dita, não fomos nada original ao fazer isso. Todo site de notícia que você abrisse nesta manhã de sexta-feira, daqui ou do estrangeiro, tinha a cabeleira do Trump em destaque, geralmente abaixo de uma manchete escandalosa sobre a decisão adotada por ele de tirar os Estados Unidos do Acordo do Clima de Paris.

 

Kennedy Alencar, em A Política Como Ela É, lembrou que “pessoas poderosas costumam achar que podem fazer tudo sem limites”.

 

Arthur Xexeo e Carlos Heitor Cony, em Liberdade de Expressão, concordaram que o anúncio foi um tiro no pé.

 

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Os meninos do Hora de Expediente, Dan Stulbach, Teco e Zé Godoy, fecharam questão, com apoio da maioria dos ouvintes que falou pela redes sociais: Trump foi o Gongo da Semana.

 

De minha parte, o ato falho ao chamar o Acordo de Paris de Acordo de Paz, cometido em um momento qualquer do programa, permitiu-me pensar sobre esta comparação. Afinal, é mais do que sabido que, no futuro, se Trump não fizer  estripulias ainda maiores na Casa Branca, as guerras entre países serão na busca de recursos naturais. A água, principalmente.

 

Aliás, Trump é um cara curioso. No comando dos Estados Unidos, ele é um risco permanente que pode acabar com o mundo em uma só tacada, provocando uma guerra nuclear, ou de forma parcelada, com a destruição do meio ambiente.

 

Apesar do susto diante do anúncio feito pelo presidente americano, prefiro ficar com a opinião do embaixador da União Europeia no Brasil, João Gomes Cravinho, que prevê reações contrárias dentro do próprio país, com governadores de alguns estados americanos perseverando nas medidas para reduzir o aquecimento global.

 

Conversei com Cravinho logo no início do Jornal da CBN para ter uma ideia da repercussão  nos países da União Europeia frente ao anúncio de Donald Trump. Reproduzo aqui a conversa com o embaixador, que considerou lamentável o recuo dos Estados Unidos, depois das longas negociações que culminaram com o Acordo do Clima de Paris, em 2015. Lamentável, mas não definitivo.

 

Pra entender porque  Cravinho acredita que nem tudo está perdido, ouça a entrevista:

 

Millenium já gosta tanto de e-Sport quanto de esportes tradicionais, diz relatório de tendência na internet

 

 

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O futebol ainda tem muito mais a minha atenção do que qualquer esporte eletrônico, apesar da convivência  íntima que tenho mantido com as modalidades virtuais, nesses últimos tempos. Por outro lado, já frequentei bem mais vezes arenas de e-Sport do que de futebol, ao longo do último ano: estive no Recife, no Rio, em ginásios e estúdios de competição eletrônica para ver partidas de League of Legends.

 

 

Minha presença nesses ambientes de competição do e-Sport está relacionada ao envolvimento profissional de um dos meus filhos, e a paixão exercitada pelo outro. Ambos, desde pequenos, se esforçaram para me apresentar esse mundo e, apesar de não me arriscar a jogar, hoje me considero minimamente informado e transformado pelo que acontece no cenário nacional e internacional.

 

 

Minha proximidade com o e-Sport, motivada por questões familiares, portanto, não pode ser vista como uma referência. Ou seja, não significa que pessoas da minha geração, acima de 50 anos, estejam admirando mais essas modalidades do que os esportes tradicionais. Sou um ponto fora da curva. Mas se me permite sugerir: preste atenção no que está acontecendo neste mundo. É surpreendente.

 

 

 

 

Um dos mais importantes relatórios de tendências da internet (que você tem acesso nos slides acima), produzido pela analista Mary Meeker, em parceria com a Kleiner Perkins, divulgado há dois dias, dedica parte de seu estudo ao fenômeno dos esportes eletrônicos e dos games. Ela argumenta que os games são muito mais importantes do que se imagina, tantas foram as tendências que surgiram neles para depois tomar conta da internet. Um exemplo são os emojis que podem ser vistos como consequência de emblemas, originalmente introduzidos pela Activision, no início da década de 1980.

 

 

Os números levantados no trabalho e o engajamento alcançado são de causar espanto. Segundo o relatório, existem 2,6 bilhões de jogadores online no mundo, em comparação aos 100 milhões em 1995. A receita global de jogos é estimada em cerca de US$ 100 bilhões, em 2016. A idade média dos jogadores, nos Estados Unidos, também surpreende: 35 anos – consumidor na veia.

 

 

A audiência do e-Sport está subindo rapidamente. De 2013 para 2014, o aumento foi de 22%; de 2014 para 2015, de 28%; e no último levantamento, de 2015 para 2016, o número de pessoas que assistem ao e-Sport explodiu: 40% mais, chegando a 161 milhões de pessoas. Ou você acha que SporTV, Fox e ESPN abrem espaço para uma variado leque de esportes eletrônicos, aqui no Brasil, porque acham que este negócio é uma brincadeirinha de criança.

 

 

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A maior parte do público que assiste aos jogos é da geração Millennium, tem entre 21 e 35 anos. Eles representam 53% da audiência. E chama atenção o fato de os esportes eletrônicos e os tradicionais já dividirem sua preferência – algo inédito. Os pesquisadores pediram para eles responderem se “preferem significativamente” seu e-Sports ou o esporte tradicional. Dentro da mesma perspectiva, poderiam responder que “preferem um pouco” ou não tinham preferência.

  

 

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Resultado: 27% têm significativa preferência por e-Sports e 27% pelos esportes tradicionais.

 

 

Quando a pergunta foi feita aos que nasceram antes desta geração, 45% disseram ainda ter significativa preferência por esportes tradicionais e 13% por e-Sports.

 

 

Como eu não sou Millenium, sim, ainda prefiro os jogos de futebol do Grêmio aos de Lol. Mas se quiser saber, já deixei de ver uma partida do meu time do coração por completo para torcer por um time no CBLol. E justifico: era o time no qual um dos meus filhos é técnico.

Entrevista: Torquato Jardim diz que “não tem por finalidade demitir ou nomear quem quer que seja”, na Polícia Federal

 

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De poucas palavras, mas aceitando falar. Falou ontem em entrevista coletiva, falou à noite, no Jornal Nacional, e já havia falado para alguns jornais antes mesmo de assumir o ministério da Justiça. Hoje, Torquato Jardim falou ao Jornal da CBN. Manteve a mesma estratégia: dizer poucas palavras e questionar perguntas. Às vezes, até elogiá-las se for necessário, mesmo que isso possa soar como ironia (não que o seja).

 

Mesmo tendo falado tanto, até agora Torquato Jardim não havia convencido jornalistas – ao menos os jornalistas – que assumiria o Ministério da Justiça sem mexer na Polícia Federal e na Operação Lava Jato. Para esta, ele até havia reservado a expressão “blindada”; para aquela, porém, sempre deixara uma porta aberta às mudanças.

 

Hoje, no Jornal, seja por insistência, foi mais claro quanto a possibilidade de mudanças na Polícia Federal. Disse que a avaliação que pretende fazer “não tem por finalidade demitir ou nomear quem quer que seja na diretoria da Polícia Federal”. Quer mais: quer aprender com o chefe da instituição, delegado Leandro Daiello, com quem viajará no mesmo avião para Porto Alegre. Quando voltar do Sul espera ter “quase que um mestrado” de Polícia Federal, falou o ministro.

 

Sobre Michel Temer, atua como os advogados de defesa – não que seja esta a função que exercerá. Nega veementemente esta possibilidade. Prefere esperar o desenrolar das investigações e da perícia no áudio entre o presidente e o empresário Joesley Batista. Aliás, perguntei se a escolha dele para substituir Osmar Serraglio, no Ministério da Justiça, estava relacionada aos problemas que Temer enfrenta desde a delação: “não seria nenhuma motivação dessa natureza. É um reajuste administrativo de resultado e é só isso”

 

A entrevista completa, você acompanha aqui:

 

Entrevista: Modesto Carvalhosa quer ser anticandidato em eleição indireta

 

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Foram dois amigos que o convidaram e, segundo conta, mais um monte de jovens estudantes. E ele aceitou. Modesto Carvalhosa, aos 85 anos, quer ser candidato à presidência da República,  caso haja eleição indireta para substituir Michel Temer. Na verdade, um anticandidato, lembrando papel exercido pelo deputado Ulysses Guimarães  (MDB) que, em pleno regime militar, decidiu disputar à presidência no Colégio Eleitoral contra o candidato oficial, o general Ernesto Geisel, mesmo sabendo que não teria qualquer chance, em 1974. Ulysses viajou pelo Brasil e criou fatos políticos denunciando a ditadura e a falta de liberdade.

 

Carvalhosa quer denunciar a corrupção e a forma de se fazer política atualmente no Brasil,  por isso, não vai pedir voto no Congresso. Espera ter o apoio popular na sua anticanditatura. Quer provocar parlamentares e fazê-los aceitar um candidato de fora do Congresso, que não tenha mandato nem filiação partidária. Para ele, o Congresso não pode decidir sozinho quem vai comandar o país: “a sociedade civil tem que ter voz nas eleições indiretas”.

 

Experiência de luta política e jurídica não faltam nem a ele nem aos amigos que o lançaram para esta empreitada: Hélio Bicudo, 94 anos, e José Carlos Dias, 78. Plataforma eleitoral também não: quer aprovar as reformas trabalhista e da Previdência; combater a corrupção e convocar Assembleia Nacional Constituinte.

 

A entrevista completa você ouve aqui:

 

Rádio Sucupira: “fui vítima de um atentado ‘inescrupulento’ e traiçoeiro”

 

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Se grandes homens cometem grandes erros, Odorico Paraguaçu já acredita que Deus se passou pra oposição. Sucupira continua inundada em escândalos, mas o prefeito sabe que tem companheiros leais, capazes de morrer por sua causa. Com a alma enxaguada e lavada na aflição, Odorico faz um apelo dramático.

 

A Rádio Sucupira, programa de humor político que encerra o Jornal da CBN às sextas-feiras, tem falas da novela O Bem Amado, cedidas pelo Acervo da TV Globo, texto de Dias Gomes e interpretação de Paulo Gracindo. Todo o resto, é material cedido pela vida real dos políticos brasileiros.

 

A edição é de Fábio Portugal e Claudio Antonio.
 

 

Taxistas terão de ir além do sorriso e da simpatia para se manterem vivos na cidade

 

 

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Passeie pelo Rio por três dias e fiquei bem impressionado com o atendimento que recebi da saída do aeroporto à porta do hotel. Funcionários simpáticos e atenciosos me receberam nos lugares que visitei. Foram poucos é verdade, mas diversificados. Rodei de táxis pela cidade e fui transportado por motoristas que fizeram questão de me dar informações sobre o Rio e os lugares pelos quais passamos. Um deles, assim que percebeu que eu havia descido em local errado fez questão de retornar para me levar mais adiante. Pediu desculpas, pois se soubesse que eu queria entrar na Arena Jeunesse teria me deixado mais à frente para facilitar. Em resumo, uma simpatia.

 

 

Para todos os cariocas com quem conversei, e fiz questão de compartilhar esta minha boa impressão, fui alertado que “antigamente” as coisas não eram assim, especialmente nos táxis. A mudança de comportamento teria sido o efeito Uber. Motoristas perceberam que teriam que incluir no seu cardápio sorriso e bom atendimento para competir com os aplicativos. No meu caso, funcionou, mesmo com a corrida saindo um pouco mais cara.

 

 

As mudanças, porém, terão de ir além do comportamento.

 

Ainda nesta semana, e já aqui em São Paulo, leio em “O Diário do Transporte” que os motoristas do Táxis Preto – que surgiu no fim de 2015 como alternativa de alto padrão ao Uber Black – tiveram de receber socorro extra da prefeitura pois não têm conseguido pagar as parcelas do alvará, que custa R$ 60 mil, valor que pode ser dividido em 60 prestações de R$ 1 mil. A administração municipal anunciou que o prazo de pagamento será ampliado e aqueles que desistirem de prestar o serviço poderão devolver a licença sem a obrigação de fazerem o pagamento integral, terão apenas de acertar os atrasados.

 

Na outra ponta do sistema, os jornais informam que o presidente executivo da startup 99, o americano Peter Fernandez, anda feliz da vida com os US$ 200 milhões que foram colocados na empresa por investidores (ou seja dinheiro privado): US$ 100 milhões da chinesa Didi Chuxing e US$ 100 milhões da japonesa SoftBank. Com muito mais dinheiro no caixa, Fernandez diz que será possível acelerar a missão da empresa de fazer o transporte ficar cada vez mais barato, rápido e seguro para os brasileiros.

 

Fico sabendo, no texto assinado pelo jornalista Alexandre Pelegi, que a prefeitura de São Paulo tira do seu caixa (ou seja dinheiro público) R$ 250 milhões por ano para os taxistas transportarem 1,5% das pessoas que são atendidas pelo transporte público, na capital. Pelegi compara: cada paulista que usa táxi recebe subsídio cinco vezes maior do que os que andam de ônibus.

 

Os números mostram que a concorrência entre os táxis e os carros que atendem pelos aplicativos é desleal. E digo isso não no sentido de revelar uma irregularidade. Pelo contrário. Digo pelo simples fato de que o dinheiro privado é muito mais abundante e rentável do que o dinheiro público.  Sorrisos e bom atendimento não serão suficientes para a sobrevivência da categoria. Taxistas e prefeituras terão de repensar a gestão do sistema, e, temo, ainda chegarão a conclusão – na marra ou por reflexão  – que o transporte individual tenha de ficar nas mãos dos empresários, cabendo à administração municipal a fiscalização rígida do serviço prestado.

 

Na ponta do lápis, faz muito mais sentido a prefeitura investir cada tostão em um sistema que atenda muito mais gente – ônibus, trem e metrô, por exemplo – do que desperdiçá-lo no transporte público individual, especialmente se o setor privado é capaz de oferecer o mesmo serviço, com mais carros  e por um custo menor.

 

Enquanto essa época não chega, seguirei chamando meu táxi na expectativa de ser atendido com sorriso, simpatia e segurança.

 

*na primeira versão deste texto, por engano deste blogueiro, o nome da startup 99 estava grafado errado. Corrigido, agora!

Lula e Temer são resultado de sistema político apodrecido, diz procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, à CBN

 

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“Pessoas vão ver nisso um cenário de terra arrasada, eu vejo um cenário de oportunidade para reconstrução …  Se nós não tivéssemos esse diagnóstico tão claro na nossa frente seria muito difícil olharmos para reformas”.

 

Herói para alguns e vilão para outros. Por função, apenas procurador da República. Deltan Dallagnol construiu sua história na coordenação da força-tarefa da Operação Lava Jato e conta parte dela em livro, lançado nesta terça-feira, em São Paulo. Diz que não é super-herói nem o Brasil precisa de um. Aliás, não acredita que seja esse o caminho para atacar o “sistema político apodrecido” – fenômeno que, segundo ele,  se manifesta tanto nas denúncias contra o ex-presidente Lula quanto na situação enfrentada agora pelo presidente Michel Temer:

 

Se não tratarmos a causa desse problema, nós continuaremos com esse problema. Vão mudar as lideranças, vão mudar os rostos, mas o problema vai continuar existindo”.

 

 

Em entrevista ao Jornal da CBN, na manhã desta terça-feira, Dallagnol puxou conversa para dois temas de sua preferência: o livro “A luta contra a corrupção – a lava jato e o futuro do país marcado pela impunidade” (Primeira Pessoa)  e as 10 medidas de combate a corrupção, encaminhadas ao Congresso Nacional com apoio popular e controvérsia política.

 

Tanto um assunto como o outro tratam diretamente sobre o que assistimos nesse momento no País: ontem, Lula foi denunciado mais uma vez por corrupção e lavagem de dinheiro: hoje, dois governadores do Distrito Federal foram presos; e, por um bom tempo, Michel Temer vai ter de dar explicações sobre suas conversas pouco republicanas com um empresário que se aproveitou da bandalheira política que impera no Brasil.

 

Mesmo acostumado em investigar tantas falcatruas, o procurador disse que  “os novos acontecimentos nos estarrecem”. E se mostra incomodado com o fato de os políticos irem a público apenas para negar o que fizeram.

 

“Ninguém vem a público para reconhecer os crimes e se afastar da vida pública, como em outros países. Todo mundo vem a público negar, negar, negar. A mensagem implícita é de desrespeito a todos nós, como se estivéssemos sendo feito de bobos”

 

A safadeza dos políticos brasileiros também pode ser combatida com política, pensa o procurador. Ao mesmo foi o que entendi nas suas palavras quando defendeu que se não gostamos das pessoas que estão no Congresso, em 2018 teremos oportunidade para colocar outras no lugar delas: que não estejam sendo investigadas e processadas por um crime.

 

Ouça a entrevista completa com o procurador da República Deltan Dallagnol: 

 

 

 

Arquivos de Joesley e CBN têm tempos diferentes; interrupções podem ser causadas por sensor de áudio

 

Um áudio paralisa a Nação. Assim tem sido desde que foi divulgada a gravação feita por Joesley Batista com Michel Temer, semana passada.  Não é uma conversa qualquer: fala-se da maneira como a política é feita no Brasil.

 

Um mega-empresário se encontra com o Presidente da República, fora de agenda oficial, entra na casa de forma sorrateira e com nome falso, e conta que mantinha dois juízes e um procurador na mão e silenciava um ex-deputado preso, com pagamentos mensais. O Presidente não esboça reação negativa. Ao contrário: dá sinais que concorda e incentiva – apesar das controvérsias que seus defensores impõem a estas interpretações.

 

A delação premiada da JBS vai muito além daqueles 30 e poucos minutos de gravação, mas a discussão tem se centrado na veracidade do áudio porque é assim que Michel Temer tem tentado derrubar as suspeitas que recaem sobre ele. O perito contratado pelo Presidente disse que a gravação não pode ser considerada autêntica: é imprestável (assim como também são as negociações entre empresários e políticos, digo eu).

 

Tem perito que fala em 50 pontos de edição, tem quem conte 14 e tem quem diga que nada dá para dizer.

 

O  arquivo de áudio em questão começa e se encerra com o som da programação da rádio CBN, uma forma que teria sido encontrada pelo empresário para deixar registrado o dia e o horário da conversa deles.

 

Hoje, a reportagem da CBN, após usar um software profissional de edição, comparou a gravação do empresário com a programação original da rádio e identificou que existe uma diferença de 6 minutos e 21 segundos.

 

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Ouça a reportagem produzida por Julio Lubianco e André Coelho:

 

 

Em outro trabalho produzido pela CBN, profissionais de investigação e inteligência afirmaram que gravações feitas através de aparelhos com sensores de áudio ambiente podem provocar a impressão de que foram editadas. E afirmam que gravadores que entram em modo de espera diante da ausência de ruídos podem apresentar um áudio menor do que o tempo que durou uma conversa.

 

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Ouça a segunda reportagem produzida por Julio Lubianco e André Coelho

 

 

Como fiz questão de ressaltar no Jornal da CBN, desta segunda-feira, ainda antes de termos o resultados dessas duas reportagens, somente perícia oficial e juramentada é capaz de resposta definitiva. E disse isso porque levantamento prévio, baseado em registros manuais de produção da CBN, apresentado ainda na sexta-feira passada, mostrava que o tempo do áudio da gravação era condizente com o tempo de intervalo entre os dois programas da rádio que aparecem no arquivo entregue por Joesley à Justiça. A apuração mais precisa e comparando os arquivos de áudio, agora, mostra o contrário. A contradição apenas reforça a necessidade de análise técnica e isenta para que se tire qualquer conclusão.

O pior é que “eles” acreditam que é assim mesmo que se faz política

 

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Foi Michel Temer, o primeiro: “não renunciarei”, “sei o que fiz e sei a correção de meus atos”, disse com cara de indignado durante pronunciamento oficial, no Palácio. Não tinha ouvido o áudio que Joesley Batista, da JBS, havia gravado na conversa que teve com ele no Palácio do Jaburu. Depois de ouvir, dizem, respirou aliviado:“a montanha pariu um rato”.

 

Em seguida, vieram alguns poucos ministros e somente os mais próximos, porque os demais se calaram.

 

Moreira Franco, fiel escudeiro, disse a Jorge Bastos Moreno, na CBN, que os fatos são manipulados e a interpretação não corresponde a verdade. Afirmou que o país não pode perder tempo e o povo brasileiro já está acostumado com o espetáculo que se produz em alguns fatos.

 

Eliseu Padilha, fiel como Moreira, falou a Miriam Leitão, que o Governo havia passado apenas por uma tempestade. Para ele, a divulgação do áudio dissipou a crise: “ele não tem todo esse comprometimento que foi num primeiro momento sinalizado”.

 

Para um e para os outros, o presidente receber um empresário às escondidas, faz parte das funções dele. Os dois falarem de falcatruas, como dar dinheiro a um ex-deputado, preso por corrupção, é ajuda humanitária. Ambos trocarem palavras de apoio quando o empresário confessa ter um procurador e dois juízes na mão, é próprio do exercício do cargo.

 

Temer, Moreira e Eliseu realmente acreditam que é assim que se faz política, aceitam a regra do jogo e a defendem sem pudor. Consideram tudo normal. Assim, quando as suspeitas são investigadas e a verdade apurada, é conspiração. Quando os jornalistas escancaram os fatos nas manchetes, querem audiência.

 

O pior neste cenário talvez seja o fato de que eles fazem desse comportamento sua própria verdade. Mais do que isso: reproduzem pensamento deles, de seus partidários e de grupos que, aparentemente, estão em espectro político oposto a eles, mas que atuam da mesma forma. Não assumem seus erros, porque não consideram errados os seus atos.

 

Ou seja, eles não têm conserto.

 

A nós, cabe encontrarmos outros “eles” que pensem e se comportem de forma oposta. Mas para isso, precisamos decidir antes se nós realmente somos diferentes deles.