Mundo Corporativo: Gustavo Arns ensina que uma vida mais feliz no trabalho não é uma vida sem estresse

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“Se eu tento buscar a felicidade diretamente, eu corro o grave risco de me sentir ainda mais ansioso e angustiado”

Gustavo Arns, empreendedor

Tem uma parte da felicidade que é humana, portanto vale para todos os seres humanos do planeta. Tem uma parte que é cultural e por assim ser dependerá de fatores como a região e o meio em que você vive. Uma pequena parcela é individual ou seja subjetiva e vai se diferenciar de uma pessoa para outra. Quer um exemplo? Ao fazer atividade física você vai produzir hormônios como a dopamina e a endorfina que oferecem uma sensação de satisfação. Isso é humano! É do coletivo! Agora, se a atividade que vai lhe oferecer felicidade é a musculação na academia, o futebol com os colegas, a sessão de alongamento ou o yoga em casa, dependerá de uma escolha individual, daquilo que atenderá melhor suas expectativas.

Compreender as diferentes camadas que nos levam à felicidade é um dos papeis da psicologia positiva, tema para o qual se dedica Gustavo Arns, idealizador do Congresso Internacional da Felicidade. Na entrevista que fiz com ele no Mundo Corporativo da CBN, olhamos para dentro das organizações para entender se é possível ser feliz no trabalho. Antes de chegar a essa resposta, Gustavo recorre a definição de felicidade descrita por Tal Ben-Shahar, professor de Harvard e uma das maiores referências internacionais no tema. Para ele, a felicidade é a combinação de cinco elementos: o bem-estar físico, emocional, intelectual, relacional e espiritual.

“A gente pode levar esses mesmos conceitos para dentro das organizações e nós podemos, também, olhar com um pouco mais de calma para essa questão, também importante, do sentido do significado, do propósito, das realizações que são uma parte bastante tangível no trabalho”. 

O professor de pós-graduação de psicologia positiva da PUC do Rio Grande do Sul, com base em pesquisas científicas, diz que o investimento no bem-estar do colaborador tem relação direta com dois aspectos: a produtividade e a satisfação do cliente, que são fundamentais para o sucesso da empresa. Além disso, há redução do absenteísmo, maior retenção de talentos, cresce o engajamento e diminui o gasto com plano de saúde. entre muitas outras vantagens. O desafio é alcançar esse estágio conjugando vida pessoal e profissional diante da aceleração dos processos, da pressão por resultados e da comunicação instantânea que não respeita mais hora de expediente. 

É difícil ser feliz em um cenário desses? Sem dúvida! A tendência é depararmos com o estresse, a ansiedade e as angústias. Nessas situações, vale ressaltar que a ciência da felicidade não surge para encobrir esses problemas: 

“Muitas pessoas acreditam que uma vida mais feliz seria uma vida livre de tristeza ou livre de estresse ou livre de ansiedade. Isso é humanamente impossível. Todas essas emoções fazem parte da vida humana e vão nos acompanhar a vida toda. O que a ciência da felicidade nos mostra é que o bem-estar emocional está na forma como nós lidamos com cada uma dessas emoções”. 

Para tanto, Gustavo sugere que sejamos educados emocionalmente porque apenas assim saberemos lidar com essas situações complexas, caso contrário estaremos fadados a trocar de emprego diante de cada frustração na ilusão de que a felicidade está sempre na outra empresa. Ou no salário maior. Eis aqui outro aspecto que precisa ser mais bem entendido: reajuste salarial é bom mas não é a razão de ser da felicidade.  

“Aquelas pessoas que vão mudando de trabalho esperando encontrar menos ansiedade e menos estresse é pouco provável que isso aconteça, porque este é um trabalho que deve ser feito interno. Isso é um trabalho de autoconhecimento. Isso é um trabalho de autodesenvolvimento e que as empresas de alguma forma podem auxiliar os seus colaboradores”.

O papel dos líderes é fundamental para que se crie um ambiente saudável dentro das organizações, refletindo no bem-estar dos profissionais. No entanto, percebe-se que lideranças tóxicas persistem no comando de muitas empresas. Uma das opções seria trocar de chefe, possibilidade que não está à disposição de todos os profissionais. Nesses casos, Gustavo sugere que as pessoas se fortaleçam internamente de forma que a toxicidade do líder cause doença e desequilíbrio emocional:

“Você vai cuidando das condições básicas, físicas, sono, alimentação, exercícios que vão te dando disposição, vitalidade, energia pra gerir melhor essas emoções”.

Para entender outros aspectos da busca pela felicidade na vida —- incluindo a profissional — assista ao programa completo do Mundo Corporativo da CBN, com Gustavo Arns:

Colaboram com o Mundo Corporativo: Priscila Gubiotti, Rafael Furugen, Bruno Teixeira e Renato Barcellos.

Mundo Corporativo: Alessandro Saad ensina os 5 passos da metodologia do empreendedor compulsivo

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“Erre pequeno, aprenda rápido e cresça consistentemente”. 

Alessandro Saade, empreendedor

Buscar uma solução sempre que deparar com um problema, e ter uma sensibilidade aguçada para tudo aquilo que está no seu entorno, percebendo que algo pode ser melhorado e, portanto, podemos estar diante de uma oportunidade de negócios. Essas são algumas das características de um empreendedor compulsivo, expressão que Alessandro Saade explora tanto para enaltecer aqueles que têm disposição para ‘fazer acontecer’ como para alertá-los dos riscos que correm no instante que decidem fazer tudo junto e ao mesmo tempo. 

Em entrevista ao Mundo Corporativo, Alessandro sinaliza que ao analisar o comportamento do empreendedor compulsivo está, de verdade, se olhando no espelho. Chegou a ter cinco empresas ao mesmo tempo, estudou no exterior, ensinou no Brasil e, um dia, teve de vender a casa da família para pagar as contas. Formado em Administração de Empresas e mestre em Comunicação e Mercados, Alessandro especializou-se em empreendedorismo pela Babson College e em Inovação por Berkeley. Hoje, é professor em pós-gradução na ESPM, FIA e BSP, superintendente executivo do ESPRO – Ensino Social Profissionalizante e autor de uma série de livros sobre empreendedorismo. Ou seja, também é um educador compulsivo:

“A maneira de compensar a minha compulsão (pelo empreendedorismo) foi ajudando as outras pessoas a montarem as suas próprias empresas, compartilhando as minhas cicatrizes”.

Errar — ou as cicatrizes que esses erros deixam — faz parte da jornada do empreendedor. Para Alessandro, o erro é um grande aprendizado que não pode ser desperdiçado. Sempre que se identifica uma falha no projeto, na execução das tarefas ou na gestão do negócio deve-se aproveitar aquela lição, entender o que aconteceu, ajustar a rota e seguir a diante, sabendo que, talvez ali na frente, um novo erro ocorra. 

“Se você erra e só, eu acho que não faz muito sentido, mas se você consegue sair daquela situação e seguir em frente, vale à pena compartilhar com os outros.  Não não para falar assim: “olha como eu sou bacana”. É, principalmente, dizer “não vai por ali não!”. Talvez você ganhará seis meses, um ano não é indo por aquele caminho. Talvez você economize dezenas ou centenas de milhares de reais”. 

A longo dos estudos, Alessandro criou metodologia própria para colaborar com os empreendedores compulsivos como ele. São cinco etapas que se iniciam com o “você”, que é o momento que devemos entender se temos as competências necessárias para montar o negócio, se precisamos trazer outras pessoas nas áreas que somos mais vulneráveis, se é melhor buscarmos um sócio ou se podemos aprender aquilo que nos falta. 

A segunda etapa do método é a “modelagem do negócio”. Neste momento, devemos imaginar, por exemplo, se o produto ou serviço será vendido através do comércio eletrônico, em uma loja física, no porta a porta ou em todos esses canais. Pense se será necessário fazer estoque, qual o tamanho da produção e de que maneira pretende cobrar, entre outras coisas essenciais para o negócio.

No terceiro momento, temos o “plano de ação”. Aqui precisamos responder a questões como o tempo para viabilizar o negócio, quais os equipamentos, quanto de dinheiro e qual o tamanho da equipe que teremos de formar.

Na quarta etapa definimos os “indicadores de gestão”, fundamentais para entendermos se os negócios estão seguindo o caminho desejado ou precisaremos fazer alguma mudança de direção. Coloque na lista de indicadores, por exemplo, o faturamento, a margem de lucro, a felicidade dos colaboradores ou a presença em redes sociais. Crie indicadores que façam sentido para o seu empreendimento. 

A quinta etapa é o que Alessandro Saad chama de a “Casa da Bruxa” — uma referência ao jogo do tabuleiro em que ao cair na Casa da Bruxa, você volta ao ponto de partida. A tal casa tem nome mais bonito na metodologia do empreendedor compulsivo: “desenho de futuro”. É quando se analisa para onde o mercado está indo e se algo está para surgir que exigirá mudanças no seu negócio. Coisas como troca dos canais de venda, aceitar diferentes formas de pagamento e prazos e se há necessidade de mexer no produto ou o serviço oferecido. A sugestão de Alessandro é que a cada seis meses se revisite a “Casa das Bruxas”. 

“Não tenha medo de mudar, você tá indo nessa direção, você percebeu que se for um pouquinho mais para cá é melhor, tenta! A gente brinca: erre pequeno, aprenda rápido e cresça consistentemente. Tá dando errado, testa de novo. Tenta de novo até dar certo, mas pequeno. Não espera montar um negócio grande, estruturado para errar”.

Alessandro exalta o erro mas não esquece dos acertos. Para ele precisamos valorizar o esforço que fizemos na construção do negócio até o erro surgir. Todo esse período anterior, lembra nosso entrevistado, foi feito de acertos que devem ser considerados. Isso, no mínimo, diminui nossa frustração diante do resultado não alcançado, mas também nos ajuda a recomeçar, sem a necessidade de jogar fora tudo aquilo que foi feito até então.

Um último recado aos compulsivos:

“Se apaixonar pela ideia e tentar protegê-la é uma maneira certa de não dar certo. Você não tem que se apaixonar pela ideia, você tem que se apaixonar pela solução do problema. No empreendedorismo, a gente fala de qual dor a gente resolve”

Eu disse que era o último recado, mas é o último aqui no texto porque na entrevista que está disponível na sequência tem várias outras lições e sugestões de Alessandro Saad que ajudarão você a montar o seu próprio negócio.

Bom empreendimento!

Mundo Corporativo: Gustavo Narciso, do Instituto C&A, diz como os ativistas corporativos transformam empresas

“A gente traz pra pra lógica da empresa as discussões sociais a gente traz pra lógica da empresa as inquietudes da sociedade”.

Gustavo Narciso, C&A
Trabalho voluntário com empreendedorismo social Foto: divulgação C&A

Queria ser jornalista, os pais preferiam que fosse doutor, formou-se engenheiro bioquímico e, hoje, se apresenta como ativista corporativo, apesar de, formalmente, ser diretor-executivo do Instituo C&A. Gustavo Narciso, entrevistado do Mundo Corporativo da CBN, aproveitou-se de sua história de vida para ilustrar o tema central de nossa conversa: a importância da diversidade nas empresas. Sim, voltamos a esse assunto — que havia sido tratado na semana passada, com Eduardo Migliano, da 99Jobs.com, e em outros episódios do programa —  devido a sua relevância e, como percebi em comentários deixados em publicações anteriores, da intolerância que é resistente.

Foi quando chegou à C&A, antes de assumir o cargo executivo no instituto, que Gustavo encontrou espaço para expressar sua identidade. Na consultoria em que atuava anteriormente era o único negro no escritório, situação que, segundo ele, causava estranheza, em especial diante dos clientes, pois não tinha o perfil que eles esperavam. Quando migrou para o setor de varejo, dividiu lugar com outros negros e, especialmente, foi quando se encorajou a assumir para seus pares de que era homossexual:

“Era uma outra questão que eu escondia. E gastava muita energia para esconder isso. Então, eu encontrei um ambiente um pouco mais inclusivo e  isso permitiu com que eu me desenvolvesse, com que eu criasse mais vínculo com as pessoas e isso fez com que minha carreira deslanchasse”.

A partir daquele momento, Gustavo conheceu outros ativistas corporativos que falavam sobre o tema da diversidade e inclusão no mercado de trabalho; e isso o inspirou a sugerir a criação do comitê de diversidade na C&A, o qual liderou, a partir de 2017. Uma de suas tarefas foi entender como conectar as discussões sociais e as inquietudes da sociedade com a dinâmica do negócio. Uma rede de varejo como a C&A atende cerca de 1 milhão de clientes diariamente, em todo o Brasil, portanto, perceber se a atenção oferecida a pessoas com deficiência está a altura da necessidade delas, se os consumidores são valorizados pela intenção de compra que têm ou se o respeito é igualitário no serviço prestado, têm um impacto enorme na sociedade. 

Uma das mudanças propostas por Gustavo foi redirecionar o trabalho voluntário que os cerca de 16 mil funcionários são incentivados a realizar — com dias de trabalho que podem ser dedicados a essas ações. Em lugar de atuar nos programas voltados à educação das crianças —- o que ocorria até então — decidiram focar no tema do empreendedorismo social para mulheres em situação de vulnerabilidade, aproveitando a expertise da C&A na área do varejo:

“Criamos uma oficina de costura no meio da Cracolândia, em São Paulo, com coletivo de mulheres dependentes químicas que produzem brindes corporativo e outros itens de moda, para gerar renda. Além disso, elas têm atendimento psicossocial com a intenção de tirá-las da situação de rua e da dependência química”.

Outra medida de impacto foi incentivar a moda autoral brasileira conectando empreendedores LGBTQIA+ e periféricos com o negócio da C&A e oferecendo espaço em seu marketplace, com isenção de taxas e contratos competitivos, dando-lhes acesso ao mercado de consumo. 

Mesmo que tenha encontrado um ambiente que lhe permitiu se expressar e se desenvolver profissionalmente, Gustavo diz que há muitos desafios a serem vencidos no tema da diversidade e inclusão dentro da C&A. Apesar de haver na empresa um número considerável de negros, ele é o único a ocupar cargo executivo. A ideia é incentivar novos líderes negros para assumirem outras áreas. Assim como proporcionar oportunidades a mulheres que atualmente estão em cargos de média gestão a ascenderem na hierarquia do grupo. Avançar na inclusão de pessoas transgêneras e com deficiência é o que Gilberto identifica como “desafio gigantesco”. 

No programa Mundo Corporativo, Gustavo Narciso trouxe outros exemplos de projetos em desenvolvimento no instituto visando a inclusão, abordou o conceito do aquilombamento e respondeu a dúvidas de ouvintes. Assista à entrevista completa:

O Mundo Corporativo tem a participação de Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen. 

Mundo Corporativo: Eduardo Migliano, da 99Jobs.com, quer capacitar até 10 mil jovens negros a cargos de liderança

“Quem de fato tem que atuar de forma mais efetiva são as pessoas brancas. Se você nunca se perguntou a respeito, comece a se perguntar; se você ainda não entende o motivo pelo qual esse é um tema, que ele é caro para a sociedade brasileira hoje, comece a se perguntar”.

Eduardo Migliano, 99Jobs.com

Mudar o mundo ajudando as pessoas brancas a fazerem o que amam. Imagine o escândalo que seria uma empresa adotar publicamente esse propósito. Pois foi essa proposta que Eduardo Migliano, empreendedor por criação e um ‘revolucionário’ por opção, fez aos colaboradores da plataforma de recursos humanos criada por ele e um sócio, em 2013. Após alguns anos de atuação e percebendo que o seu negócio pouco ajudava na colocação de negros no mercado de trabalho, Eduardo chamou toda a equipe e decidiu dar um chacoalhão na turma. 

Ao reescrever o propósito da empresa que até então era ‘mudar o mundo ajudando as pessoas (qualquer pessoa) a fazer o que amam’, Eduardo conseguiu seu objetivo. Abrir o olho do seu time para o papel que estava se prestando ao não atuar de forma proativa para ajudar pessoas negras a se desenvolverem profissionalmente. A partir desse movimento, ideias surgiram e medidas transformadoras foram adotadas.

No programa Mundo Corporativo da CBN, Eduardo Migliano, CEO e cofundador da jobs99.com (não confunda com a 99 que transporta passageiros), lembrou que foi a plataforma quem atuou ao lado do Magazine Luiza no recrutamento exclusivo de jovens negros, em 2020 — programa que teve enorme repercussão e causou muitas críticas de setores conservadores da sociedade brasileira. Prova de que a luta anti-racista é árdua. 

Eduardo apresentou, durante a entrevista, o novo projeto que a 99Jobs.com está engajada: promover 3 mil jovens negros a cargos de liderança, até 2030. Para isso, está no ar com o programa ’10.000 Trainees Negros’, que tem como objetivo capacitar os talentos negros em temas como racismo estrutural e democracia racial assim como em gestão e tecnologia. Faz parte de parceria firmada com a ONU na qual a plataforma brasileira de recursos humanos se transforma em embaixadora do Pacto Global das Nações Unidas no Movimento Raça é Prioridade.

Diante de tudo que você leu até aqui, era de se esperar que Eduardo Migliano fosse um líder negro atuando em defesa dos próprios negros. Quando você der uma espiada no vídeo da entrevista do Mundo Corporativo perceberá que não é bem assim. Eduardo é apenas um líder que decidiu transgredir a ordem e usar dos privilégios que teve na vida para criar oportunidade àqueles que tendem a ‘desaparecer’ no mercado de trabalho. Uma missão que, segundo ele, tem de ser assumida pelos brancos.

“Quando a gente olha para as organizações a gente vê apenas um público crescendo. É só você entrar na Faria Lima ou em qualquer rua que seja um polo empresarial e ver quem está entrando pela porta da frente. Essas pessoas têm uma cor. Isso está errado. Quando a gente fala de Brasil, 56% das pessoas são negras e pardas”.

Uma preocupação no programa desenvolvido é que os negros não sirvam apenas para ocupar cargos de liderança, por exemplo, na área de diversidade e inclusão —- sem nenhum desprezo a essa área, chamada de ‘biodegradável’ por Eduardo. Há necessidade que eles sejam capacitados para atuar em todos os setores da empresa. Eduardo explica que o risco que se tem é que um negro que ocupe uma função na área de marketing acabe sendo deslocado para a de diversidade — e a vaga anterior dele seja preenchida por um branco. 

“A gente provoca é para que as pessoas negras de alguma forma coloquem em seus contratos de entrada nas organizações que quando ela sair dessas cadeiras a pessoa que vai sentar no lugar dela também vai ser uma pessoa negra porque assim você vai trazendo legado”.

Para saber como participar do programa de desenvolvimento profissional de jovens negros, entender a importância de você se engajar nessa luta e aprender um pouco mais sobre os benefícios que as empresas e a sociedade têm a partir da ampliação das vagas para o público negro e pardo, assista à entrevista completa com Eduardo Migliano, CEO da 99Jobs,com.

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: descubra a sua essência e defina sua carreira, sugere o consultor Emerson Dias

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“Será que aquela escolha é norteadora para o resto da minha vida, será que eu preciso ficar nela?”

Emerson Dias, Consultor

As transformações no mundo do trabalho são inexoráveis e se aceleram a cada instante. Diante desse cenário, os profissionais precisam se adaptar e encontrar novas formas de atuação. Acima da forma, porém, está nossa essência que precisa ser respeitada para que se alcance aquilo que é nosso maior objetivo: a busca da felicidade. É o que defende Emerson Dias, consultor, doutor e mestre em administração, em entrevista ao programa Mundo Corporativo da CBN.

Autor do livro “Carreira, a essência sobre a forma”, Emerson ilustra sua ideia a partir de situações enfrentadas por atletas de alta performance, como é o caso de Usain Bolt —- um esportista de talento extraordinário que na pista conquistou os maiores prêmios e recordes até o momento que seu corpo permitiu. Sem as condições físicas necessárias para seguir carreira de atleta, Usain Bolt precisou se adaptar às novas exigências. Deixou as pistas, mas, provavelmente, jamais deixará o esporte, que é a sua essência. É a partir dela que o ex-velocista seguirá sua jornada profissional em busca da felicidade.

Como poucos são Bolt, ter consciência do que é a sua essência torna-se ainda mais importante a medida que é, a partir dela, que você avaliará se as escolhas feitas no início da sua carreira profissional ainda fazem sentido:

“Quanto mais eu me conheço, quanto mais eu sei a minha essência, as minhas inclinações, eu consigo abrir mão de coisas que não façam sentido para mim. Então. eu acho que o caminho, dada a nossa limitação de recursos, é buscar a se conhecer”.

Ao realizar um trabalho que tenha maior significado, as dificuldades são enfrentadas com mais suavidade, aumenta-se a tolerância ao estresse e a tensão, e se alcança segurança psicológica. Verdade que a situação sócio-econômica nem sempre permite que as pessoas façam escolhas apropriadas, mas desenvolver o autoconhecimento permitirá que, no instante em que houver uma estabilidade financeira, o profissional esteja preparado para redesenhar sua trajetória.

“Muitas vezes, eu escolho aquilo que está diante de mim, da minha possibilidade, do meu acesso, mas não, necessariamente, eu deveria escolher aquilo se eu tivesse possibilidades de acessar outros lugares, outros espaços, e aí sim falar ‘nossa, isso aqui é mais legal do que aquilo que eu tinha’. Então, acho que o contexto social também influencia nas nossas escolhas”.

Das mudanças que a pandemia prometia deixar no ambiente de trabalho, talvez a mais evidente, na opinião de Emerson, seja a necessidade de as pessoas discutirem temas que não eram bem-vindos no passado, como o da saúde mental. Percebe-se agora que as relações humanas são extremamente importantes e mesmo os líderes demonstram maior interesse em escutar sobre o assunto. A eles (os líderes), aliás, o consultor deixa um recado:

“Se o seu papel é liderar, você nunca pode esquecer que você tem que produzir resultados. Agora, para produzir resultados, se fosse só a parte técnica, o Google resolvia. Não é! É a parte da coesão social. É a parte do desafio, do desenvolvimento do indivíduo, de você estabelecer objetivos e de você apoiar um indivíduo na construção desse objetivo”.

Assista ao vídeo com a entrevista completa com Emerson Dias em que falamos, também, de estratégias para nos prepararmos para as mudanças no mercado de trabalho e para realizarmos melhores escolhas na nossa jornada:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscilla Gubiotti e Rafael Furugen. 

Mundo Corporativo: “o maior limite é a imaginação”, diz Nuno Lopes Alves, da Visa

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“Se a gente acha que sabe tudo vai dar errado; a gente prefere muito mais ter uma postura de aprender tudo”  Nuno Lopes Alves, Visa

No senso comum, por óbvio, empresas de cartão de crédito nos fornecem cartão e crédito. Na vida real, nem uma coisa nem outra. O cartão sequer é fabricado por essa empresa e, convenhamos, cada vez mais se faz desnecessário diante dos avanços tecnológicos, pagamentos por aproximação ou indução, por exemplo. Já o crédito, vem do banco ou da instituição financeira parceira da empresa que fornece a tecnologia para que todas essas transações se realizem. 

Considerando tudo o que foi dito no primeiro parágrafo, Nuno Lopes Alves, country manager da Visa do Brasil, define sua empresa como sendo uma empresa de tecnologia. Definição que vai ao encontro do que o fundador da Visa, Dee Hock, previa há 60 anos. Esse americano, nascido em Utah, que morreu em julho deste ano, entedia que no futuro os pagamentos seriam feitos por meio de prótons e elétrons. Razão pela qual, na entrevista ao Mundo Corporativo, Nuno  não tem dúvida em dizer que a Visa foi a primeira ‘fintech’ criada no mundo.

“O nosso maior limite é a imaginação; é a gente entender como pode facilitar a vida do consumidor e dos estabelecimentos comerciais no seu dia a dia. Quando a gente entende onde tirar a fricção, a tecnologia está lá disponível para ser aplicada”

A Visa informa que são mais de 10 milhões de estabelecimentos comerciais no Brasil que aceitam seus “cartões”. E o volume de pagamentos digitais, entre abril e junho de 2022, triplicou em comparação com o mesmo período de 2019. Nas compras online, quadruplicou. 

Participando de um número gigantesco de transações diariamente, e todas através de tecnologia, imagine a quantidade de dados que a Visa acumula — um capital acumulado que tem ajudado comerciantes e empreendedores a tomarem decisões dos mais variados tipos, segundo Nuno. A partir das informações armazenadas é possível entender a jornada do consumidor, o fluxo de pessoas em determinadas áreas comerciais, o tíquete médio do público-alvo e os interesses que movem os clientes.

“A gente precisa de ter uma foto muito nítida para poder agregar esse tipo de valor aos nossos parceiros, mas o dado é essencial nessa dinâmica de ter uma decisão de melhor qualidade e a resposta é, sim, isso é mais do que parte da nossa estratégia, é nossa obrigação para continuar agregando valor a todos os nossos parceiros, inclusive ao consumidor porque altera ofertas mais relevantes baseado no seu padrão de consumo”.

Das tecnologias, a que vai crescer exponencialmente, agora, é a que permite as transações feitas por aproximação — que podem ser feitas, sim, com aquele plástico que carregamos na carteira, mas, também, com o celular, o relógio, a pulseira ou qualquer outro gadget que surgir. Os próximos passos, segundo Nuno, serão os pagamentos vinculados à identidade digital e o aproveitamento do que chama de ‘Economia das Coisas’, baseada na conversão da internet das coisas, blockchain e moedas digitais.

Diante de todas as possibilidades, é fundamental que a empresa crie um ambiente de inovação e se mantenha constantemente em contato com o conhecimento que pode surgir desde a academia até o pequeno ponto de comércio. Por isso, Nuno ressalta a necessidade de estamos sempre dispostos a aprender:

“ … então, menos respostas, mais perguntas; menos um impulso de achar que a gente já entendeu o problema até realmente ter entendido o que que a gente tem que resolver. O achismo não pode ter lugar, não é?”.

Assista ao Mundo Corporativo, com Nuno Lopes Alvez, country manager da Visa do Brasil, em que também falamos sobre o fenômeno do PIX, o investimento em cripto e estratégias para um ambiente inovador nas empresas:

O Mundo Corporativo tem as colaborações de Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Raquel Scherer, da Melissa, fala do desafio de ser sustentável em uma fábrica de calçados de plástico

“A experiência sempre está em primeiro lugar. É isso que faz um cliente voltar. É isso que faz um cliente se encantar”. 

Raquel Scherer, Melissa

O encantamento que os calçados de plástico da Melissa provoca nas consumidoras é reconhecido internacionalmente e foi construído ao longo de quatro décadas. Os desafios, porém, não se encerraram na conquista de um público fiel que vê na marca um estilo de vida e é mais do que consumidor, é um embaixador. Precisamos lembrar que a sociedade é dinâmica e temas que no passado não estavam no foco das pessoas, tornaram-se essenciais. A sustentabilidade é um deles —- uma pauta que influencia decisões de compra e poderia ser uma barreira para quem tem o plástico como matéria prima. 

Na entrevista com Raquel Scherer, gerente geral da Melissa, no Mundo Corporativo da CBN, feita às vésperas do início da COP-27, no Egito, falamos de como a fabricante de calçados da Grendene se adaptou às novas exigências. Ela explicou que a jornada de sustentabilidade do grupo se iniciou há cerca de 15 anos com uma série de ações, muitas das quais passaram a ser informada para o público em geral, efetivamente, em 2019: 

“A Grendene sempre foi uma empresa que se preocupou muito em ser para depois parecer. Desde 2019, mais concretamente, a Melissa tem falado muito sobre o tema de sustentabilidade para o consumidor final. E a gente tem alguns pilares que regem nossa caminhada na sustentabilidade. O primeiro deles é a logística reversa”.

Raquel contou que todos os ‘Clubes Melissa’ — como a fabricante chama suas lojas — são pontos de recolhimento de produtos onde os consumidores podem entregar seus calçados. Existem dois caminhos para esse material recebido nos cerca de 350 coletores disponíveis: voltar para a fábrica para compor um novo calçado ou ser entregue a recicladores homologados. 

Pesquisar e usar fontes renováveis como material são alternativas consideradas pelo fabricante. Segundo Raquel, a Melissa tem investido no uso de plástico de matéria-prima vegetal e um exemplo é o lançamento da linha ‘Possession’, ícone da marca, que chega ao mercado a base de PVC oriundo da cana-de-açúcar. O modelo Sun, de 2021, por sua vez, usa até 20% de material de origem vegetal, como a casca de arroz. Considerando a capacidade de produção da Grendene  — e da Melissa, especificamente — esses movimentos precisarão ser alavancados nos próximos anos para que a marca não sofra os impactos da forte pressão que já existe por parte do consumidor e de diversas instituições que atuam em defesa do meio ambiente.

A imposição para que a marca atenda o tripé ESG —da gestão ambiental, social e de governança — aumenta a medida que a Melissa se internacionaliza. Ao chegar nos mercados dos Estados Unidos, Europa e Ásia, a fabricante de calçados se viu obrigada a acelerar seus planos na área de sustentabilidade. Apesar disso, Raquel entende que esse movimento ocorreu de forma natural, porque a empresa já vinha se preparando para atender essas demandas. 

A gerente geral da Melissa destacou, ainda, as ações relacionadas à diversidade  e à inclusão que, segundo ela, são um diferencial competitivo pois trazem diferentes visões de mundo para dentro da empresa e proporcionam iniciativas mais criativas. Apesar de não haver metas estabelecidas para contemplar gênero, raça e faixa etária, Raquel diz que é muito claro aos gestores, no momento da contratação, que é preciso pensar em times diversos.

Uma das maneiras de proporcionar o desenvolvimento de seus profissionais é a participação deles na “Universidade Grendene” que oferece uma plataforma de cursos, desde treinamentos específicos para cada área até a formação de novos líderes. Raquel ressalta que, neste momento, a empresa está incorporando a gestão das franquias, até então responsabilidade de um parceiro externo, o que a levará a ampliar sua equipe até fevereiro do ano que vem. Interessados, podem procurar as vagas no Linkedin da Grendene.

Assista à entrevista completa com Raquel Scherer, gerente geral da Melissa, que fala, também, de como a fabricante de calçados conseguiu criar uma legião de fãs e transformar suas lojas em ponto de convivência dos consumidores:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscilla Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Leandro Faria, da CBA, destaca os dois grandes desafios da COP27

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“É fundamental dizer que o efeito da mudança climática já acontece hoje, e a ação precisa ser já”

Leandro Faria, CBA

A presença de empresas e indústrias tem aumentado nos debates sobre as mudanças climáticas da mesma forma que cresce a responsabilidade da iniciativa privada no cumprimento de metas e normas discutidas na conferência do clima —- como a COP27, que se inicia neste domingo, no Egito. Essa maior participação se dá porque o setor produtivo está convencido de que as mudanças são relevantes para a sustentabilidade dos negócios, de acordo com Leandro Faria, gerente geral de sustentabilidade da CBA — Companhia Brasileira de Alumínio, em entrevista ao Mundo Corporativo.

“O Fórum Econômico, por exemplo, posiciona a mudança do clima ou o combate aos efeitos de mudança climática como o principal risco na matriz de riscos global. Então, dito isso, é fundamental que empresas que na sua atividade influenciam a mudança do clima se preparem para contribuir”

A conferência do clima é o maior evento de negociações da pauta climática do mundo. As diretrizes e acordos negociados entre nações e organizações sociais e empresariais influenciam diretamente as tomadas de decisão das corporações. Para este ano, a expectativa é enorme porque será o primeiro encontro desde que se superou a pandemia da Covid 19 e, ao mesmo tempo, se enfrenta um crise energética provocada pela Guerra da Rússia na Ucrânia:  

“Nós esperamos especialmente para esse ano da COP27 que mecanismos e métodos, do mercado de carbono e do sistema de financiamento de descarbonização, avancem”.

O processo de descarbonização deve acontecer através da redução das emissões de carbono, passando de uma economia baseada em combustível fóssil para combustível renovável; na implementação de tecnologias que removam da atmosfera carbono que já esteja presente; e através da adaptação daquelas regiões afetadas pelas mudanças climáticas:

“Por exemplo, há regiões onde ocorre a produção de alimentos que sofrem atualmente com a alteração do ciclo de chuva que cria condições difíceis ou reduze a produtividade. Será preciso, então, realizar a adaptação desse cenário para que os impactos que hoje nós já sentimos sejam mitigados ou eliminados ao longo dos próximos anos”.

De acordo com Leandro Farias, a descarbonização é um eixo central na estratégia da Companhia Brasileira de Alumínio e, atualmente, já se produz alumínio com impactos cinco vezes menores do que a média global. Isso significa dizer que a CBA emite 2,56 toneladas de CO2 por tonelada de alumínio produzido enquanto a média mundial no setor é de 12,8 toneladas. A meta da companhia é ainda reduzir em 40% as emissões, alinhando-se as ambições da COP de alcançar a neutralização no futuro.

O financiamento para que haja a transição para uma matriz energética mais renovável é fundamental, segundo Leandro. Será necessário encontrar uma solução a despeito das restrições orçamentárias, porque o custo das mudanças climáticas é muito maior — calcula-se que tenha atingido US$ 170 bilhões, em 2021. De forma prática, no primeiro semestre deste ano, a onda de calor na Europa causou preocupação em relação a dilatação dos trilhos ferroviários. Imagine o tamanho das perdas em caso de paralisação deste tipo de transporte no continente.

“(neste tema) é relevante a participação do alumínio, porque o alumínio está presente no painel solar, na pá eólica e na redução de peso de veículos que permitirá sua eletrificação. Então, é fundamental que mecanismos de financiamento criem um espaço para que a indústria possa buscar condição de reduzir ou de diversificar essa matriz energética”. 

Assista à entrevista completa no Mundo Corporativo e saiba a opinião de Leandro Farias, gerente geral de sustentabilidade da CBA, sobre a importância do Brasil no combate às mudanças climáticas, as principais fontes de emissão de carbono e soluções que a companhia tem buscado para colaborar nesse enorme desafio que o mundo tem pela frente.

O Mundo Corporativo tem as colaborações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti. 

Mundo Corporativo: “zero carbono” é prioridade para setor privado na COP27, diz Fabiana Costa, do Bradesco

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“Sustentabilidade não pode mais ser vista apartada da estratégia de negócios. Sustentabilidade é a estratégia de negócios.”

Fabiana Costa, Bradesco

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas  que se inicia na segunda semana de novembro, no Egito, está sendo posta como a derradeira discussão entre países na busca de desviar o planeta terra de um desastre ambiental. Com as crises provocadas pelo coronavírus e a guerra da Rússia na Ucrânia, ficou mais difícil alcançar as metas propostas nas conferências anteriores e o desafio precisará ser encarado por Estados, agentes públicos e empresas privadas. O Brasil enviará delegação de empresários disposta a apresentar práticas desenvolvidas no país, baseadas no tema da sustentabilidade.

Uma das instituições que estarão representadas no Egito é o Banco Bradesco, um dos três maiores do Brasil. No programa Mundo Corporativo, Fabiana Costa, gerente sênior de sustentabilidade do Bradesco, chamou atenção para o fato de que as conferências anteriores deixaram claro que as mudanças climáticas não são mais um risco emergente, são um risco consolidado e, portanto, as empresas precisam atuar em relação a essa agenda:

“Quando a gente olha a agenda climática, nós temos alguns desafios que é  entender qual que é o risco de tudo isso dentro da nossa atuação. Mas, também, de nos comprometer a apoiar os nossos clientes nessa agenda de descarbonização”.

Para a executiva, a agenda da sustentabilidade é colaborativa, depende de todos os setores e o privado é quem executa as estratégias de atuação. Explica que na COP as ideias são debatidas e, ao fim, todos levam do encontro lições de casa que precisam ser implementadas.  Às empresas cabe o papel de motor que alavanca a agenda de forma estratégica e convergente.

“Minha expectativa é alta (para a COP), eu acho que a gente tem uma pauta que é muito significativa que é a questão de descarbonização. Foi muito forte na última COP e eu acho que o ‘net zero’, toda essa agenda todo esse processo de implementação também vai ser muito relevante nessa COP”.

Fabiana lembra que o Bradesco foi um dos primeiros bancos brasileiros a mensurar a emissão de sua carteira de crédito e identificar qual o impacto disso no meio ambiente. Dentro da política de desenvolvimento sustentável foram criados três pilares: cidadania financeira, negócios sustentáveis e a agenda climática, sobre a qual falamos no início deste texto.

Para Fabiana , a cidadania financeira é a estratégia do banco comprometida em potencializar a a agenda de inclusão e educação financeira, e sintonizada as ODS — objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU:

“Como instituição financeira, nós temos um compromisso de trabalhar a educação financeira dos nossos clientes, da sociedade, por isso quando nós estruturamos a nossa agenda de sustentabilidade, olhando quais seriam os pilares principais de atuação do banco, a educação financeira foi um deles”.

No pilar de negócios sustentáveis a intenção é Impulsionar negócios de impacto positivo que fomentem o desenvolvimento socioambiental e, conforme, proposta do banco, a meta corporativa é direcionar R$ 250 bilhões para negócios sustentáveis até 2025 — até junho deste ano, 52% dessa meta já foi alcançada. 

“Além da meta nós fizemos todo um esforço aqui de capacitação e  engajamento de todos os nossos times corporativos para que eles tenham também esse entendimento e clareza; e levem isso para os clientes”.

Esse trabalho para capacitar e envolver todas as equipes internas, colaboradores e parceiros de negócio é um dos desafios do Bradesco, segundo Fabiana . Para ela é preciso desmistifica o assunto, falar de uma forma assertiva e ter uma estratégia que as pessoas entendam do que está sendo tratado. 

No programa Mundo Corporativo, Fabiana Costa também falou sobre políticas de diversidade, projetos apoiados pelo banco, formas de promover o tema da sustentabilidade na sociedade e como pequenos e médios empreendedores podem se engajar na agenda ESG. Assista ao programa completo:

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, no canal da CBN no Youtube, toda quarta-feira, 11h. O programa tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: José Marcelo de Oliveira, do Hospital Oswaldo Cruz, fala do desafio de ser inovador aos 125 anos

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“Essencial é trazer a visão do cliente para dentro. Essa visão de cliente é o que desempata os dilemas e as discussões e o que alinha os interesses de uma discussão que muitas vezes é interna e não está sendo endereçada na perspectiva do paciente”.  

Dr José Marcelo de Oliveira, Hospital Oswaldo Cruz

O corpo clínico que oferece qualidade no atendimento e a cultura aberta para que o conhecimento seja compartilhado e a inovação se expresse. São dois dos elementos que permitiram que o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, chegasse aos 125 anos de fundação, a despeito de ter enfrentado duas grandes guerras mundiais e duas pandemias de alta periculosidade —- a última bem conhecida de todos nós, a da Covid-19. Essa é a opinião do Dr José Marcelo de Oliveira que assumiu o cargo de diretor-presidente da instituição, em junho do ano passado.

Em entrevista ao Mundo Corporativo, Jota, como costuma ser chamado pelos colegas,  explica que a cultura aberta se realiza a partir de ferramentas colaborativas que permitem a coleta de ideias de qualquer um dos 3.500 profissionais e cerca de 4 mil médicos diante de temas ou desafios que surgem na instituição. Os colaboradores oferecem soluções que são analisadas pelos gestores e classificadas pelo próprio grupo, que participou da elaboração das propostas, e selecionará aquelas que serão implementadas na prática

“A gente usa essas ferramentas no nosso dia a dia para manter, mesmo com essa tradição dos 125 anos, esse time conectado”

Uma dessas soluções surgiu na pandemia, quando no auge da demanda de respiradores criou-se uma forma de ampliar o número desses equipamentos, que foram inicialmente construídos em impressoras 3D até que se chegasse a versão final do produto. Foram desenvolvidos mais de 300 desses respiradores no hospital e o código que permitia sua construção foi aberto e compartilhado a todas as instituições, grupos ou pessoas interessadas em levar a ideia à frente.

A cultura da qualidade e segurança para o paciente também é fomentada na instituição e precisa ter o engajamento dos diversos grupos de profissionais que atuam dentro do hospital, não apenas do corpo clínico, destaca José Marcelo de Oliveira: 

“Todos os membros dessa organização são profissionais de saúde, mesmo sendo da área financeira, da área de TI, de suprimento, etc e tal. Porque isso coloca uma postura de serviço. Porque o nosso modelo é um serviço de alta complexidade em função da vida das pessoas”.

A crise sanitária que se iniciou em 2020 obrigou a aceleração de outras tantas soluções. Mais do que isso, exigiu adaptação e agilidade no aprendizado diante de uma situação nova para a comunidade médica. O setor que avalia as tecnologias em saúde e busca o conhecimento que vem sendo trabalhado em todo o mundo passou a estruturar dados para que as tomadas de decisão fossem em curto prazo e no dia a dia da pandemia. 

A saúde mental dos profissionais também foi impactada, o que levou o hospital Oswaldo Cruz a criar programas de cuidadores mentais, que passaram por treinamento para que os colaboradores de qualquer grupo de trabalho se capacitassem a fazer um diagnóstico e a ajudar o colaborador que emitisse algum sinal de sofrimento. 

Para José Marcelo de Oliveira, os avanços tecnológicos virão no sentido de colaborar com a gestão da jornada do paciente, a partir de plataformas que facilitarão o acesso para agendamento e consulta de resultados de exames até o monitoramento de sintomas em um quadro pós-operatório — neste caso, melhorando a relação custo-benefício do lado da sustentabilidade:

“Antecipar o cuidado quer dizer que você vai gastar menos, o paciente vai ficar menos tempo internado, vai sair com menos intervenção e com menos sequela, eventualmente. E vai estar pleno para sua vida no convívio das doenças crônicas. O futuro da medicina será cuidar de doenças crônicas”.

Assista à entrevista completa com o Dr José Marcelo de Oliveira, diretor-presidente do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, ao Mundo Corporativo, em que também falou de como a instituição está implantando medidas pautadas pela diretrizes ESG:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.