O peso do que não existe

Por Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Carregar o que não é verdadeiro… pesa.

Dizer que adora rock, quando se gosta é de pop.

Usar roupas coladas no corpo, quando se gosta é de moletom.

Comer salmão, quando se gosta é de frango frito e linguiça calabresa.

O que não existe é chato de manter – as aparências podem até reluzir, mas são ocas e pesadas, te deixam vazio e te inundam de angústia… Nunca está bom o suficiente!

O que não é seu, mas você se propõe a carregar e expor na sua vitrine, te rouba horas e dias preciosos de vida. É tanta preocupação e esforço para manter… que cansa. Vida chata. Quando isso vai acabar mesmo?

Pode acabar agora.

Olha aí dentro e me diz: o que realmente é seu?

Quais ideias você que pensou? Quais gostos foi você que descobriu que tem? Quais sonhos e ambições fazem seu coração se encher de alegria?

Pronto – isso existe. Tudo isso é seu e, portanto, é mais leve. Não existe esforço em construir e manter – existe entusiasmo, persistência, coragem… verdade pura que te move para frente e pra cima!

Esquece o que não existe, para de carregar peso que não é seu.

Para de carregar o peso da aparência.

Viva o que, realmente, existe em você – viva feliz e leve.

Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve este artigo a convite do jornalista Mílton Jung.

Fora-da-Lei

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Photo by Andre Furtado on Pexels.com

Quer conhecer o verdadeiro caminho da sua felicidade?

Seja Fora-da-Lei. Corra das Leis Sociais.

“Tem que tirar carteira de motorista aos 18”;

“Tem que ter casa própria”;

“Tem que casar e viajar de lua de mel”;

“Tem que ter o primeiro filho antes dos 30, e engatar o segundo logo – porque não é bom ter um filho só”;

“Tem que subir de cargo na empresa”;

“Tem que juntar dinheiro pra aposentadoria”;

“Tem que viajar 1 vez por ano porque isso é curtir a vida”…

Nossa, quanta lei, quanta regra! Quando isso acaba???

A resposta é: nunca.

A sociedade humana adora criar ideias do que é certo e errado e todo mundo se sente pressionado a seguir porque… “Vai que me criticam? O que vão falar de mim? E se todo mundo me odiar e me abandonar?”

Entre na onda das Leis Sociais e pronto – sua felicidade acabou.

Tem como ser feliz fazendo coisas que você nem sabe se gosta nem sabe se vai conseguir e se sente pressionado o tempo todo pra fazer? Quem consegue ser feliz assim?

Seja Fora-da-Lei.

Dirija carros ou não; compre uma casa ou não; tenha filhos ou não…

Antes de fazer qualquer coisa, pare e pense: “Por que vou fazer isso? O que vou ganhar? Vale a pena o esforço, a dedicação, o tempo de vida?”

Quebre as Leis Sociais.

Crie suas próprias Leis.

Eu, do alto do poder sobre minha própria vida, determino que minhas Leis são: … (preencha como quiser, como gostar, como fizer sentido pra você – use sua liberdade)”

Seja Fora-da-Lei.

Seja Dentro-das-Suas-Leis.

Seja, verdadeiramente, você;

seja, verdadeiramente, feliz

Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve este artigo a convite do jornalista Mílton Jung

Sinta raiva!

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Photo by Liza Summer on Pexels.com

“Sentir raiva é pecado”, “Raiva é um veneno”, “Raiva mata”.

Então… já pequei, já fui envenenada, já morri. 

E, vez ou outra, faço tudo de novo.

Você já sentiu raiva?

Se sim, me conta: você teve escolha?

Te pergunto porque do lado de cá, na minha mente e no meu corpo, a resposta é… não.

A raiva nunca me perguntou se poderia chegar, entrar, ficar. Ela sempre me atropelou tipo um trator desgovernado. É assim até hoje.

Revolta, incômodo, angústia… explosão. 

Raiva é emoção pura, visceral, animal. Não existe escolha.

Fome, sono, respiração… Natureza mostrando quem manda. A raiva está nesse grupo aí – é espontânea e independente da nossa vontade.

A raiva é seu corpo e seu cérebro te dizendo:

“Presta atenção, estão te invadindo, estamos sob ameaça, olha o ataque!” 

No fim, ela quer te proteger. Pra você sobreviver, ela te enche de noradrenalina e de cortisol e te faz uma máquina potente, pra lutar ou pra fugir, mas morrer – jamais.

Então… Sinta a raiva! 

Quando ela aparecer: perceba que ela chegou; dê nome pra ela; ouça de qual ameaça ela está te alertando.

Depois: dê um tempo, enquanto convoca seu córtex frontal, a “Sra. Razão”; construa um diálogo entre os dois.

Uma hora a Raiva fala, em seguida a Razão argumenta… a Raiva se revolta, a Razão pondera…

Pronto. A partir daí, a decisão está tomada – enumere as atitudes, uma a uma, que vão te levar ao resultado que você precisa: se distanciar, conversar num outro momento, tentar outro caminho (porque soltar é mais eficaz que insistir)…

Seja o que for, a Raiva chegou, fez o papel dela – te alertou do perigo – e se foi.

Não precisa temer. A Raiva não é inimiga, nem pecado, nem veneno e, muito menos, morte.

A Raiva é a Vida querendo sobreviver.

Sinta a Raiva. Depois, chame a Razão. E, depois, crie seu plano e caminhe pelo mundo, orgulhoso do seu autoconhecimento e do seu autodomínio.

Os fortes, os sábios, os bons… sentem Raiva, mas fazem dela um motor de Vida.

E então, me diz… Você faz o quê com sua Raiva? Foge… ou sente e vive?

Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve este artigo a convite do jornalista Mílton Jung

O verdadeiro amor não é correspondido

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Photo by Jonathan Borba on Pexels.com

Você gosta, cuida, demonstra amor. Então, você para e espera – O que será que vem por aí, o que vou ganhar de bom?

Vazio. Silêncio. Nada.

A pessoa só segue a vida, se arrumando no espelho, com olhos fixos no celular, fazendo o relatório do trabalho… Você espera mais um pouco, mais umas horas, mais uns dias… Vazio. Silêncio. Nada.

“Que ingratidão. Não valorizou meu esforço, minha dedicação. Isso não é amor.” – Esses pensamentos pulam na sua cabeça e martelam infinitamente (é ensurdecedor). Afinal, amor de verdade é quando é correspondido, dizem… Será?

O amor nasce de um sentimento de respeitar e gostar junto de uma decisão de cuidar e desejar o bem. Sim, amor é construção da pessoa dentro de si; ela tem um objeto-alvo ou uma outra pessoa-alvo, porém, o amor é dela e quem sente é ela.

As consequências boas do amor são o peito preenchido, o suspiro doce, a sensação de um cobertor aconchegante. Então, sentir o amor é bom, porque é bom. A gente sente e saboreia!

Você não precisa ser correspondido, não precisa que criem isso dentro de você – está nas suas mãos, no seu corpo… no seu coração.

Vamos aos exemplos… 

  • Você se ama porque sabe da luta que trava todos os dias pra levantar da cama, resistir à preguiça, fazer coisas que precisa, mas não gosta; 
  • Você se ama porque sabe da luta entre o bem e o mal, a generosidade e o egoísmo, a coragem e o medo… A luta entre a luz e a sombra que trava aí dentro, quando as coisas dão errado, quando se compara com outras pessoas, quando toma decisões sobre sua carreira ou seu relacionamento. 

E, pelos mesmos motivos listados acima, você ama pessoas ao seu redor.

Você merece ser amado por resistir, por seguir tentando, por lutar pra ser melhor. As pessoas merecem ser amadas por isso também.

Não precisa de retorno. Não precisa ganhar algo em troca. É respeito, admiração, consideração: por si mesmo e pelos outros. É amor. 

Então, se você amar e não vier nada em troca… Siga amando. 

Ame soltando – Porque estar ali oprime e sufoca.

Ame colocando limites – Porque o outro precisa aprender e você precisa se manter íntegro.

Ame sendo você uma pessoa melhor – Seja compassivo, compreensivo e sábio e entregue o melhor ser humano possível, se colocando como referência e como eixo para outras pessoas que não sabem amar.

O amor verdadeiro não é correspondido. 

O amor verdadeiro é autossuficiente, se preenche e se basta – É amor e ponto. 

Não economize. Ame.

Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve este artigo a convite do jornalista Mílton Jung