Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quem a sua marca é no galinheiro?

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Nem todas as marcas disputam o mercado em pé de igualdade. Algumas lideram, impõem preço e ditam referência; outras sobrevivem tentando escapar da comparação direta. Esse foi o tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, com Jaime Troiano e Cecília Russo.

A conversa partiu de um estudo clássico da etologia — área que observa o comportamento animal — realizado em 1920 pelo norueguês Thorleif Schjelderup-Ebbe. Ao acompanhar galinhas em um aviário, ele identificou uma hierarquia clara: havia aves que só eram bicadas, outras que bicavam mais do que apanhavam, até chegar ao topo, onde uma galinha bicava todas e não era bicada por nenhuma. Nascia ali a teoria conhecida como “ordem das bicadas”.

Jaime Troiano explicou que essa lógica ajuda a compreender o funcionamento do mercado. “A ordem das bicadas é um indicador de prestígio, poder e admiração”, afirmou. A metáfora é simples e direta: marcas fortes “bicam” mais do que são bicadas; marcas frágeis são substituídas com facilidade.

O conceito aparece no dia a dia do consumidor, mesmo sem que ele perceba. Influenciadores digitais ocupam posições distintas na hierarquia de relevância. O mesmo ocorre com produtos e serviços. Quando uma marca é vista como referência, ela sustenta preço mais alto e reduz o risco de troca na hora da compra. Já as que estão abaixo precisam competir por desconto ou conveniência.

Cecília Russo reforçou que essa organização não é apenas racional. “As nossas preferências por alguma marca, por outra e até falta de interesse ou rejeição por outras, é essa organização mental, perceptual dessa hierarquia”, disse. Em outras palavras, o consumidor classifica marcas na mente, criando uma escala de prestígio.

Exemplos ajudam a tornar o conceito concreto. No mercado de construção, a Quartzolit costuma ser tratada como padrão de qualidade por profissionais da área. Em culinária, há quem insista no fermento Fleischmann para garantir que o bolo cresça. São casos em que a posição hierárquica está consolidada: a marca do topo é pouco questionada.

A diferença entre galinheiro e mercado está na possibilidade de mudança. Enquanto, no estudo original, a posição das aves era difícil de alterar, no branding — gestão estratégica de marcas — há espaço para reposicionamento. Exige consistência, entendimento profundo do consumidor e proposta de valor clara.

Jaime sintetizou a lógica com uma provocação: “A marca que você tem, o da qual você cuida, você tem uma marca que bica mais ou que é mais bicada?” A pergunta vale para empresas de todos os portes.

A marca do Sua Marca

O principal aprendizado: toda marca ocupa um lugar na hierarquia mental do consumidor. Reconhecer essa posição é o primeiro passo para fortalecê-la. Quem ignora essa dinâmica corre o risco de competir apenas por preço. Quem entende a lógica da hierarquia pode trabalhar para ganhar prestígio e reduzir vulnerabilidades.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: o teatro das segundas-feiras no fim de expediente

Cintia Capello Rezende

Ouvinte da CBN

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Em 1980, conquistei meu primeiro emprego com carteira assinada. Tinha 18 anos, morava no Imirim com meus pais e minha irmã. O Centro da cidade parecia um território distante, um mundo enorme para ser desvendado.

Fui trabalhar no Banco Noroeste, na rua Boa Vista. Era a mais jovem do departamento. Observava, aprendia e tentava me adaptar à rotina daquele mundo novo. 

Logo percebi que meus colegas mantinham uma tradição, um hábito curioso. Às segundas-feiras, saíam rapidamente do trabalho, atravessavam o Viaduto do Chá e seguiam para o Teatro Municipal. Ali assistiam às apresentações gratuitas de música, teatro e balé — um presente inesperado no começo da semana.

Resolvi acompanhar o grupo. Na primeira vez, assisti à peça Pedro e o Lobo, com participação de uma orquestra cujo nome, infelizmente, não guardei. Guardei, no entanto, algo muito mais importante: a emoção. Até hoje me faltam palavras para descrever o que sentiu aquela menina da periferia ao entrar no Teatro Municipal e ouvir uma orquestra ao vivo. Era mais do que cultura; era pertencimento.

Passei a ser presença constante nas segundas-feiras do Municipal. O trabalho me abriu portas que eu sequer sabia que existiam. Caminhar do banco até o teatro era atravessar não apenas o centro da cidade, mas também limites pessoais que eu imaginava intransponíveis. 

Um dia, sem aviso, as apresentações foram interrompidas. O ritual terminou. A lembrança, não. Ela segue viva como você pode perceber nesta história de conto de São Paulo.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Cintia Capello é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: por que a marola do mercado não sustenta marcas sem posicionamento

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A marola passa. E, quando o vento muda, só permanecem as marcas que sabem exatamente o lugar que ocupam na mente do consumidor. Esse foi o eixo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, exibido no Jornal da CBN, com Jaime Troiano e Cecília Russo, ao tratar do risco de empresas confundirem momentos favoráveis do mercado com estratégia de marca.

Jaime Troiano explicou que a marola surge quando o ambiente econômico parece ajudar. O consumo cresce, novos negócios aparecem e muitas empresas decidem entrar em um setor apenas porque o mercado está favorável. O problema surge depois. “Marola é quando a empresa sente que o mercado está soprando a favor e acompanha esse movimento”, disse. O teste real vem na calmaria: a marca criou uma posição clara para continuar relevante?

Para explicar o conceito, Jaime recorreu a um clássico dos negócios: Posicionamento – a batalha pela sua mente, de Al Ries e Jack Trout. A ideia central é simples e poderosa. A disputa entre marcas não acontece nas prateleiras nem nos anúncios, mas na mente das pessoas. “As marcas de valor e de prestígio são as que, nas palavras deles, ocupam uma posição relevante num espaço escuro e úmido, de um centímetro cúbico, em nossas mentes“, destacou. O fato é que as marcas que ocupam um espaço claro resistem ao fim da marola. As outras desaparecem como espuma.

O exemplo concreto que os comentaristas trouxeram para o programa: no Baixo Pinheiros, em São Paulo, a abertura sucessiva de bares e restaurantes criou uma onda de novos negócios. Muitos entraram sem definir claramente o que ofereciam de diferente. Com o tempo, vários fecharam. Permaneceram os que tinham uma proposta reconhecida pelo público.

Cecília Russo avançou para o campo prático. Segundo ela, não existe improviso quando o assunto é marca. “Quando a marca entrar na avenida, a comissão de frente precisa ter uma mensagem clara, relevante e diferenciada”, disse. Isso significa estudar o mercado, entender os concorrentes e definir por que aquela marca merece existir.

Ela destacou três cuidados essenciais. O primeiro é entrar preparado, com um posicionamento definido desde o início. O segundo é o momento: quanto mais cedo se entra em uma tendência, maiores são as chances, embora isso não seja garantia de sucesso. O terceiro é saber sair. Se os sinais indicarem rejeição, insistir costuma ampliar o prejuízo. Cecília lembrou o caso das antigas linhas telefônicas, que perderam valor quando a tecnologia mudou, deixando muitos investidores com o “mico na mão”.

A marca do Sua Marca

O aprendizado central é direto: momentos favoráveis ajudam, mas não substituem posicionamento. Marcas que não definem claramente quem são e para quem falam dependem demais da marola. Quando ela passa, ficam expostas.

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Conte Sua História de São Paulo: a paixão por trás das câmeras

Neomar Leite Da Silva

Ouvinte da CBN

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Sou um jovem de 46 anos, casado com Silvana, dois filhos, Júlia e Felipe Noé. Comecei  a trabalhar muito cedo. Tinha 16 anos. Foi na rádio e TV Bandeirantes, como mensageiro, entregando correspondências internas para grandes nomes do rádio: José Paulo de Andrade, Mano Véio e Mano Novo …

Logo no início da minha carreira, perdi meu pai, que era a minha maior referência. Noe leite da Silva era um grande homem, honesto, digno e de enorme coração. 

Somos em cinco filhos: Noelmo, Nelson, Simone, Silvana e eu, Neomar. Minha mãe, dona Maria, criou a gente com todo amor. 

Aos 20 anos fui trabalhar no Shop Tour como assistente de câmera. Fiquei totalmente apaixonado pela profissão. Logo virei operador de câmera e corri atrás dos meus documentos para tirar o meu DRT. 

Curiosamente, falava sempre para o meu irmão Nelson, que me dava carona todos os dias para o trabalho, ao passar em frente a sede da TV Globo, ali na Marginal Pinheiros, que eu ainda trabalharia lá.

Sonho realizado em 2006, contratado como técnico de sistemas. Na Globo permanecei até 2023, quando fui contratado pelo SBT. É lá que trabalho atualmente. No próximo dia 1º de abril, completarei 30 anos de carreira. Sou apaixonado pela profissão. E agradeço a São Paulo pelas oportunidades que me ofereceu.

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quando a comunicação em excesso vira incômodo

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A exposição constante pode enfraquecer uma marca. Quando a comunicação ultrapassa o limite, ela deixa de gerar lembrança e passa a provocar rejeição. Esse foi o ponto de partida do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, com Jaime Troiano e Cecília Russo.

A ideia de que “quanto mais aparece, mais forte a marca fica” ainda circula no mercado. A prática mostra outra coisa. A superexposição gera cansaço. “Quando uma marca não sai da sua frente, ela não vira lembrança. Vira incômodo”, alertou Cecília. O consumidor não se sente lembrado; sente-se invadido. Alerta no celular, e-mail, SMS, WhatsApp e redes sociais ampliaram os canais, mas também ampliaram o risco de excesso.

O efeito aparece no comportamento cotidiano. Silenciar marcas nas redes, desativar notificações ou bloquear mensagens virou hábito. “Hoje, silenciar uma marca virou uma forma de auto-respeito”, disse Jaime. O gesto protege o tempo e a atenção — dois recursos escassos. Nesse cenário, branding deixa de ser disputa por visibilidade a qualquer custo e passa a ser construção de respeito.

Outro ponto sensível é a intimidade artificial. Marcas que tentam se passar por “amigas”, adotam gírias e simulam proximidade forçada costumam gerar estranhamento. A confiança não nasce de emojis ou de excesso de informalidade. Ela se constrói com coerência, eficiência e consistência. Nem toda marca precisa ser próxima; muitas precisam, antes, ser claras e confiáveis.

Há, também, o outro extremo. A ausência total de comunicação causa estranheza. Na pandemia, marcas que desapareceram do radar foram sentidas. Comunicação, no seu sentido básico, informa o público sobre o que é relevante. O desafio está no equilíbrio. Não é entupir nem deixar no vácuo. É dosar.

O caminho proposto é simples e exigente ao mesmo tempo. Não é falar mais, é falar melhor. Não é estar em todo lugar, é ser legítima onde está. Não é automatizar tudo, é colocar intenção em cada contato. A metáfora do coquetel ajuda a entender: quem fica parado é visto; quem gira freneticamente vira distração. Marcas que exageram acabam parecendo “mosca de padaria”, pulando de um espaço a outro sem propósito.

A marca do Sua Marca

Marca forte não grita. Respeita. Presença sem propósito vira ruído e não constrói valor. Cuidar da atenção das pessoas, gerando valor em cada contato, é o aprendizado central do comentário.

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O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o retrato do brasileiro e os pilares que conectam marcas às pessoas

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Uma pesquisa nacional com mais de 10 mil entrevistas reforça três forças que organizam a vida do brasileiro: família, fé e música. O tema foi analisado no comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, a partir de um estudo encomendado pela Globo à Quaest.

O levantamento, batizado de Brasil no Espelho, mostra como esses pilares influenciam decisões, expectativas e vínculos. Para 96% dos entrevistados, a família é a coisa mais importante da vida. O dado não apenas confirma uma percepção comum, como dá escala ao sentimento. Cecília Russo observa que “só constrói marca forte quem entende de gente” e lembra que, quando os números aparecem, “fica ainda mais claro” o peso da família nas relações e escolhas do dia a dia.

Esse centro familiar orienta sonhos e comportamentos. O maior desejo declarado é ver a família feliz. No campo das marcas, a consequência é direta: ignorar esse valor custa caro. “Qualquer marca que fira o sentido de família tem altas chances de ser descartada”, afirma Cecília. Não se trata de romantizar, mas de reconhecer um vetor real de decisão.

Ao lado da família, a fé aparece com força semelhante. Também para 96% dos brasileiros, Deus está no comando da vida; mais de 80% dizem ter fé em algo. A religiosidade ajuda a explicar a positividade apontada pela pesquisa e pede cautela na comunicação. Jaime Troiano reforça que “no campo da fé, as marcas precisam de muito respeito”, sem uso oportunista, traduzindo crença em mensagens de confiança e futuro.

O terceiro pilar é a música. Quase a totalidade da população ouve música, com preferência majoritária pela produção nacional. Aqui, identidade fala alto. “No Brasil, música não é fundo, é protagonismo”, diz Jaime. Quando marcas escolhem trilhas, artistas e ritmos com atenção ao território, comunicam pertencimento: “estão dizendo ‘eu entendo quem você é’”.

Da análise emerge um recado simples e exigente. Marcas não podem ser apenas funcionais; precisam ser simbólicas. “Marcas que entendem o brasileiro não vendem apenas produtos, vendem proteção, cuidado, esperança e pertencimento”, resume Jaime. Por isso cenas de mesa cheia, riso solto e pequenas celebrações funcionam: vendem o que está no coração.

A marca do Sua Marca

Entender pessoas vem antes de vender produtos. O comentário mostra que estratégias eficazes partem do reconhecimento de valores centrais — família, fé e música — tratados com respeito e coerência.

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quem manda no seu pedido de comida é o restaurante ou o aplicativo?

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Pedir comida virou um gesto automático: alguns cliques no celular e o jantar está a caminho. Esse hábito cotidiano ajuda a revelar uma disputa silenciosa que vai além da fome e do cardápio. O tema foi analisado no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN de sábado, a partir de uma pergunta simples e incômoda: quem está influenciando a escolha do consumidor: a marca do restaurante ou a do aplicativo?

A discussão parte de um dado concreto da vida urbana. Mochilas de entregadores se multiplicam pelas ruas e mostram como os aplicativos passaram a ocupar um espaço central no consumo. Para Cecília Russo, houve uma inversão relevante na lógica de decisão. “Hoje, muitas vezes, a escolha começa pelo app”, observa, ao lembrar que antes o consumidor pensava primeiro no tipo de comida e depois no restaurante. Agora entram em cena descontos, tempo de entrega e destaque na tela. A fome continua mandando, mas o algoritmo ajuda a decidir.

Esse novo caminho traz consequências diretas para quem produz a comida. Nos ambientes de marketplace, o restaurante perde parte de sua identidade. Fotos padronizadas, descrições genéricas e pouca história dificultam a diferenciação. Cecília alerta para o risco de a marca virar apenas “mais uma opção com 30% de desconto”. Quando tudo se organiza por promoção e velocidade, o valor simbólico some e o preço vira o único argumento.

O cenário fica ainda mais complexo com a expansão das dark kitchens, cozinhas que não existem no mundo físico e operam apenas para atender aos aplicativos. São marcas criadas para performar no algoritmo, pensadas para o clique e não para a experiência. Nesse modelo, o cliente escolhe pela nota, pela imagem e pelo prazo, não pela trajetória ou pelo vínculo. Construir relacionamento, aqui, é tarefa árdua.

Do outro lado da tela estão as marcas dos aplicativos. Jaime Troiano chama atenção para a mudança de confiança do consumidor. “Hoje, muitas vezes, a confiança não está no restaurante, mas na marca do aplicativo”, afirma. É o logotipo do iFood, do 99Food, do Rappi ou do Keeta que garante segurança na entrega e recebe a reclamação quando algo dá errado. Essas plataformas não vendem sabor nem memória afetiva. Vendem tempo, conveniência e menos esforço.

A estratégia passa por ocupar cada vez mais espaço na rotina doméstica, com entregas que vão além da comida: farmácia, mercado, serviços para pets. Na tentativa de se diferenciar, acabam se parecendo. Jaime lembra que há um ponto sensível nessa equação: a relação com entregadores e restaurantes. “A respeitabilidade e a construção de reputação passam por como essas marcas tratam as três pontas do sistema”, diz. Consumidor, parceiro e trabalhador formam uma triangulação que precisa ser equilibrada.

A marca do Sua Marca

O comentário deixa uma mensagem clara para negócios de todos os setores. Rapidez é requisito básico, não diferencial. O desafio está em entregar valor, criar significado e evitar a armadilha de competir apenas por preço ou conveniência imediata.

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: Tendências para 2026 pedem menos espuma e mais substância

“hoje a IA dirige o próprio consumo” Foto de ThisIsEngineering

Em 2026, marcas serão cobradas não apenas por presença, mas por relevância, eficácia e vínculo real com as pessoas. Esse foi o tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado no Jornal da CBN, ao abrir o ano com uma leitura atenta das tendências que devem orientar decisões em marketing e branding.

A inteligência artificial deixou de ser promessa e passou a interferir diretamente no consumo. Segundo dados citados no programa, cerca de 25% dos consumidores já recorrem a ferramentas de IA para escolher produtos. Cecília Russo chamou atenção para o novo papel dos gestores de marca nesse ambiente: “As marcas precisarão estar presentes nos modelos de inteligência artificial, porque hoje a IA dirige muitas vezes o próprio consumo”. Isso muda a lógica conhecida de busca e exige adaptação às recomendações geradas por essas plataformas.

Ao mesmo tempo, o avanço tecnológico não elimina o fator humano. Cecília reforçou que personalização e reconhecimento ganham ainda mais peso. “As pessoas querem ser lembradas, bem tratadas, vistas como únicas”, afirmou, ao destacar a valorização de ações dirigidas, ofertas customizadas e relações menos automatizadas.

Outro ponto levantado foi a necessidade de pertinência. Estar em todos os lugares deixou de ser sinônimo de acerto. Marcas que não identificam seu nicho, sua comunidade e o espaço onde fazem sentido correm o risco de falar sem ser ouvidas.

Jaime Troiano destacou que 2026 também será um ano de cobrança por resultados. “Será o ano de prestar contas, de mostrar a eficácia por trás de todos esses conteúdos gerados, quem gera valor e quem faz apenas espuma”, disse, ao tratar da produção de conteúdo e da necessidade de métricas claras.

Num calendário marcado por Copa do Mundo, eleições e muitos eventos, captar atenção exigirá mais do que criatividade isolada. Jaime resumiu o desafio como um “olhar duplo”: ideias consistentes, conectadas ao que a marca representa para as pessoas.

Ele também alertou para a construção de marcas dentro dos marketplaces, onde o produto muitas vezes se sobrepõe à identidade. “Noiva não se escolhe no altar”, lembrou, ao defender que o vínculo com a marca precisa ser criado antes da decisão de compra, mesmo quando a venda acontece em grandes plataformas.

A marca do Sua Marca

Menos espuma e mais substância. Em 2026, marcas serão chamadas a provar valor, combinar tecnologia com sensibilidade e trocar presença dispersa por relações com significado.

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: Redescobrir o Brasil para entender a força das marcas locais

Imagem reprodução site da marca Piracanjuba

Quase metade da riqueza do país é gerada longe do eixo São Paulo–Rio–Distrito Federal, como mostramos na semana passada, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Esse é um dado que desafia visões concentradas e pede uma revisão de rota. O tema foi retomado na conversa com Jaime Troiano e Cecília Russo para aprofundar o estudo ‘Brasil Plural’ que mapeou a força das marcas locais espalhadas pelo Brasil e entender de onde vem a conexão tão sólida que elas constroem com as populações das regiões onde nasceram.

Jaime explicou que a conexão entre consumidores e marcas locais nasce de fatores simples de reconhecer por quem vive nessas regiões. Um deles é o vínculo afetivo. Ao relatar uma experiência em Jaboatão dos Guararapes, ele contou o depoimento espontâneo de uma moradora que fazia questão de passar em frente à fábrica da Vitarella. “Eu adoro passar aqui na frente. Primeiro, porque sinto o cheiro do biscoito. Segundo, porque tem parentes meus que trabalham aí. Me dá uma sensação de que isso é muito parte da minha vida”, relatou.

Outro elemento é o orgulho. Jaime lembrou o depoimento de uma consumidora de Manaus ao falar de uma empresa local: “É um sonho, uma família manauara ir tão longe”. Para ele, intimidade e orgulho ajudam a explicar por que essas marcas se tornam parte da identidade regional.

Cecília Russo acrescentou novos aspectos a essa relação. Um deles é o impacto direto das marcas na vida das pessoas. “Elas não são só uma transação funcional. É o quanto impactam na minha vida pessoal e da minha família”, afirmou, ao destacar a geração de empregos e a melhora da qualidade de vida nas regiões onde essas empresas atuam.

Há também o peso da memória afetiva. Cecília citou o relato de uma consumidora de Goiânia ao falar de uma marca de leite: “Quando você pensa em leite, em afeto, em mãe, não dá para comprar outro”. Segundo ela, nostalgia, orgulho e proximidade criam vínculos duradouros, difíceis de romper.

Na avaliação final, marcas nacionais têm muito a aprender com essas experiências regionais. O caminho passa por observar, ouvir e circular pelo país, atitude que Jaime costuma chamar de “voyeur social”. Cecília resumiu com uma referência cultural conhecida: redescobrir o Brasil é parte essencial para entender como pessoas e marcas constroem relações que resistem ao tempo.

Leia e ouça a primeira parte do comentário ‘Redescobrindo o Brasil’

A marca do Sua Marca

Mostrar que a força das marcas locais nasce de vínculos humanos: afeto, orgulho, oportunidades reais e memória compartilhada com as comunidades onde elas surgem.

Acesse aqui o estudo Brasil Plural produzido pela Troiano Branding

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: Redescobrir o Brasil é também repensar os negócios

Comigo foi uma das marcas que se destacaram no estudo Foto: divulgação

Quase metade da riqueza do país é gerada longe do eixo São Paulo–Rio–Distrito Federal, um dado que desafia visões concentradas e pede uma revisão de rota. Esse foi o ponto de partida do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com Cecília Russo e Jaime Troiano, que abordaram estudo que mapeou a força das marcas locais espalhadas pelo Brasil.

A pesquisa foi encomendada pelo CENP, fórum de autorregulação do mercado publicitário, e jogou luz sobre um Brasil que costuma ficar fora do radar. Segundo Jaime Troiano, “quando nós saímos desse eixo SP, RJ e DF, vimos um Brasil plural, que aliás é o nome do estudo”. O levantamento mostra que 11 estados fora desse centro econômico — entre eles Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Bahia e Goiás — respondem juntos por 45% do PIB nacional.

Mais do que números, o estudo chama atenção para quem produz essa riqueza. Empresas locais, muitas vezes pouco conhecidas nacionalmente, sustentam economias regionais inteiras. “Estamos redescobrindo o poder que as marcas e empresas dessas outras regiões têm no PIB do país”, afirmou Troiano, ao destacar como o olhar autocentrado das grandes metrópoles costuma ignorar esse protagonismo.

Cecília Russo trouxe exemplos concretos desse Brasil empresarial fora do eixo tradicional. Ela citou a cooperativa COMIGO, de Rio Verde, em Goiás, especializada em grãos, industrialização e varejo; o Grupo Líder, de Belém, que nasceu de um pequeno comércio e hoje reúne supermercados, hipermercados e lojas de departamento; a rede DMA, de Belo Horizonte, que saiu de uma mercearia para se tornar uma das maiores do varejo alimentar em Minas Gerais e no Espírito Santo; e o Grupo Muffato, de Cascavel, no Paraná, com atuação que vai do varejo ao setor financeiro. Ao comentar essas trajetórias, Cecília observou: “todo negócio começa pequeno”, lembrando que crescimento e relevância não dependem de CEP privilegiado.

Provocado a definir a lição de casa, Troiano foi direto: “atenção e humildade”. Atenção para enxergar além do perímetro conhecido. Humildade para aprender com empresas e marcas que prosperam fora do centro das decisões. Segundo ele, somente com essa postura será possível compreender, dialogar e apoiar negócios que ajudam a mover a economia brasileira.

A marca do Sua Marca

Reconhecer o valor das marcas regionais exige abandonar a visão limitada das grandes metrópoles e aceitar que o Brasil econômico é mais diverso, mais amplo e mais distribuído do que costuma aparecer no noticiário.

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