Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: jingle bom é como chiclete e não esconde a marca

Imagem do comercial da Casas Pernambucana (reprodução Youtube)

“Se nós somos assim (musicais), seria muito difícil as marcas e sua comunicação não se encontrarem com música também”

Jaime Troiano

O Brasil sempre foi um país musical por excelência. A mistura de nossas heranças portuguesas, africanas e indígenas criou um sincretismo religioso, alimentar e comportamental muito especial, único no mundo. Uma riqueza que se revela na música que nos acompanha desde o início. Com todo esse histórico seria de se estranhar se as marcas não bebessem também dessa fonte. O resultado é que cada brasileiro tem em mente ao menos um jingle inesquecível.  

“Nossa cultura musical é muito forte e as marcas sabem se servir disso”

Cecília Russo

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo além de cantarolarem alguns desses refrões e mexer com nossa memória afetiva, também comentaram sobre os cuidados que as marcas devem ter ao explorar esse recurso:

“Quantas vezes a gente fala “eu vi um comercial lindo”,  mas não lembra  a marca “. 

Jaime Troiano

O talento está em fazer um jingle que conquiste o consumidor sem esconder a marca. Uma tarefa que não é fácil e apenas alguns artistas sabem fazer bem feito. Caso de Heitor Carillo criador de “Não adianta bater”, música do início dos anos de 1960, que anunciava as ofertas das Casas Pernambucanas:  

“Quem bate?
É o friiiio….
Não adianta bater, que eu não deixo você entrar. Nas Casas Pernambucanas, é que eu vou aquecer o meu lar. Vou comprar flanelas, lãs e cobertores, eu vou comprar. Nas Casas Pernambucanas, nem vou sentir o inverno passar.” 

O nosso maestro Paschoal Junior resgatou esse e outros jingles que ficaram famosos ao longo do tempo e foram lembrados por Jaime e Cecília no bate-papo matinal de sábado, no Jornal da CBN. Você pode ouvi-los no arquivo de áudio publicado a seguir. Antes, fica a recomendação dos nossos comentaristas:

“Jingle é como chiclete, gruda mesmo. Se você, empreendedor ou  que tem um pequeno ou médio negócio, se puder use esse recurso para sua marca”

Jaime Troiano

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: poucas marcas mostram as mulheres por inteiro

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“Há poucas marcas que mostram a mulher por inteiro, um pouco cada uma dessas coisas. Acho que falta sensibilidade por parte das marcas, de saírem dessa visão mais unidirecional”

Jaime Troiano

Quando estamos prestes a nos despedir do mês de março, surge a oportunidade de analisarmos o comportamento das marcas em relação às mulheres — homenageadas no dia 8 de março e por extensão no mês todo. Jaime Troiano e Cecília Russo observaram as ações desenvolvidas e alertaram para a necessidade de a comunicação ser mais completa, evitando ‘segmentar’ a mulher.

“É como se as marcas ainda mantivessem um olhar que fragmenta as mulheres, sem conseguir vê-las de forma integrada”. 

Na avaliação do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, ora as marcas exaltam força, mostrando mulheres poderosas e batalhadoras; ora mostram sua fragilidade e como as marcas podem ser as salvadoras; ora mostram sua face da sedução, como se o ser mulher fosse ser a expressão mais sexualizada por excelência.

É preciso sensibilidade para compreender essa mulher que é muito mais complexa do que a simplificação dos anúncios, por isso o que nossos comentaristas sugerem é que se trabalha mais a empatia, evitando esteriótipos e segmentações.

Diante do tema que provocamos, Cecília Russo pediu licença e compartilhou com os ouvintes, um manifesto às mulheres escrito por ela e suas colegas que atuam na TroianoBranding. Segue:

Um dia queimamos sutiãs em praça pública.

Símbolo do que aperta, restringe, limita.

Desde lá, queimamos muitas outras coisas também.

Muros, barreiras, preconceitos, estereótipos.

É hora de celebrar as vitórias.

Hoje, somos quem quisermos ser.

Ampliamos escolhas e oportunidades.

Podemos ser a princesa e também a heroína.

A professora e a astronauta.

A que joga vôlei e a que joga futebol.

A costureira, a médica, a bombeira e a enfermeira.

A que cuida, a que manda, a que faz o que quiser.

É hora de celebrar as possibilidades.

Mas ainda há muito o que queimar.

Há mais espaços a conquistar.

Há mais direitos a reivindicar.

Há mais respeito a buscar.

Há ainda violência a nos ameaçar. 

É por isso que o 8 de março faz sentido.

Uns podem achar um dia bobinho, de mimimi.

Mas é nesse dia que paramos para olhar para nós.

Nos colocamos no centro de nossas próprias vidas.

O que seria natural, precisa de um dia como pretexto apenas para isso.

Equilibristas girando os pratinhos que não se veem no direito de parar.

Vem o dia 8 como um freio, um sinal de pare.

Que possamos usar esse dia como um espaço para comemorar.

Aquilo tudo o que já somos.

E também tudo aquilo que ainda podemos ser.

Feliz mês da mulher. É hora de celebrar. 

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, sonorizado por Paschoal Júnior

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: três lições da SXSW 2023 

Palestra de Emmy Webb em foto de Jacqueline de Bessa Santos, da TroiannoBranding

“Nunca podemos perder as pessoas de vista, a lição é repetir nosso mantra – só constrói marcas fortes quem entende de pessoas. O SXSW, ao lado de ver o que é novo, cabe nosso olhar para aquilo que é permanente, a alma humana”

Jaime Troiano

 

Nenhuma viva alma que se dedica à criação e inovação deixou de bisbilhotar os acontecimentos em Austin, nessa última semana. A capital do Texas, de vocação musical, transformou-se em ponto de encontro de pensadores, pesquisadores, futuristas, artistas, intelectuais e todo tipo de gente que está interessada em descobrir o que pode haver de mais novo no mundo. A SXSW — South by SouthWest — surgiu da necessidade de os artistas locais se abrirem para o mundo e da percepção de que o mundo poderia se abrir para todos, inspirado pela riqueza cultural de Austin.

Desde 1987, quando cerca de 700 pessoas se reuniram por lá — número bem acima da expectativa inicial que era de apenas 200 —, a SXSW construiu a imagem de ser o palco de apresentação das grandes tendências mundiais. Sabe o Twitter, esse que Elon Musk está se esforçando para acabar? Foi apresentado pela primeira vez em Austin, em 2007. O mesmo aconteceu com o Foursquare, em 2009; o GameSalad, em 2013; o Waymo, carro autônomo do Google, que ainda não tinha sido assim batizado, em 2016. 

Diante desse fenômeno é claro que a turma do branding não poderia ficar de fora. Com base nas informações enviadas pela colega Jacqueline de Bessa Santos — que passou a semana em Austin e  trabalha com Jaime Troiano e Cecília Russo —, nossos comentaristas do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, elencaram três lições que precisam ser bem entendidas pelas marcas, a partir do que aconteceu na SXSW, neste ano.

A primeira é que nada substitui o clima de interação humana. Mesmo que todo o conhecimento da SXSW esteja exposto ao mundo através das informações publicadas e acessíveis, o evento presencial tem o propósito de fazer com que as pessoas troquem ideias, vejam outras pessoas e construam relacionamento

“Interação humana, é isso que marcas devem sempre buscar, mesmo quando estão no digital” 

Cecília Russo

A segunda lição vem da atração das pessoas por celebridades. A futurista Emy Webb, a atriz de Bollywood Priyanka Chopra, e a modelo Miranda Kerr, que tem a marca Kora de cosméticos, tiveram suas salas lotadas, com filas intermináveis. O curioso é que esse fascínio é atemporal, pois mudam-se os temas, os ambientes, as formas de exposição, mas as pessoas correm atrás dos nomes badalados. Não à toa marcas gastam fortunas para contratá-las. É preciso, porém, saber escolher qual celebridades tem ou não sintonia com a marca que representarão.

O terceiro ponto destacado por Jaime e Cecília é a forma como o debate sobre a inteligência artificial ganhou nova dimensão, mesmo não sendo algo novo. O ChatGPT, lançado no fim do ano passado, tornou esse conhecimento acessível às pessoas e Austin repercutiu as inúmeras possibilidades que surgem. Na análise dos nossos comentaristas, surgiu um paradoxo, considerando a ideia de que devemos conhecer pessoas para alimentar marcas fortes:

“Vemos uma tendência de algumas iniciativas de IA tornarem alguns processos mais humanos, ou seja, mesmo parecendo um paradoxo, é a tentativa de humanizar as máquinas, trazendo conforto para as pessoas, por exemplo, com procedimentos médicos menos invasivos”.

Cecília Russo

Já que nosso aqui é marcas, não dá pra deixar de perceber na foto que ilustra este post — feita pela Jacqueline em Austin — a presença de uma marca bem brasileira, o Itau, um dos patrocinadores do evento internacional. Qual a razão disso? Pense que a maior delegação estrangeira da edição deste ano é a brasileira, com cerca de dois mil inscritos.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso que tem a sonorização do Paschoal Júnior:

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: lições aprender com as empresas familiares

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“Num mundo em que as coisas, sentimentos, relações, significados são líquidos, como dizia o filósofo Sygmunt Bauman, a busca por um porto seguro, com estabilidade e consistência é um antídoto importante”

Jaime Troiano

A gestão de empresas familiares tem muito a ensinar sobre a preservação de valores e imagem das marcas. Especialmente aquelas que superaram a segunda e até a terceira geração tendem a ter um cuidado quase religioso com a sua razão de ser na sociedade e transformam sua marca em uma espécie de brasão familiar. 

Ao recomendarem que os gestores de marcas observem como esse trabalho é realizado nas empresas em que a família se sucede na direção e na propriedade da organização, Jaime Troiano e Cecília Russo demonstram a preocupação que têm com o costume de alguns gestores de esquecerem o passado da empresa em nome de oferecer ao público uma visão inovadora. 

“(Nas empresas familiares) a marca e seus significados são muito menos expostos ao risco de mudanças que eliminem seu passado. E isso é o pior que pode ocorrer: matar a galinha dos ovos de ouro!”

Jaime Troiano

Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília lembrou que um dos motivos para empresas familiares alcançarem a longevidade é  fazer uma passagem cuidadosa de uma geração para outra, sem pressa, quase cientificamente e com muita objetividade. Para ela, não é por ser filha ou filho que a transição pode ser automática:

“Em certo sentido, é um processo mais complexo do que contratar um profissional do mercado. Como eleger o sucessor da família que tem mais preparo, pendor e vontade sem ser discriminatório com os demais?”

Cecília Russo

Dentre as empresas que conseguiram fazer essa passagem de uma geração a outra com sucesso está a Algar, pautada por um propósito: gente servindo gente. Um tema que liga todas as preocupação e comportamentos ano após anos. A Aços Cearenses foi outro exemplo citado no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Pelas mãos do seu fundador, Vilmar, sua irmã e suas filhas Aline e Marie, conseguiram construir um caminho de êxito, mantendo a essência do negócio ao longo do tempo: uma forma de produzir e vender aço não apenas para grandes compradores, mas também para atender necessidades de pequenos e médios clientes. 

Conheça outras empresas familiares brasileiras que foram capazes de superar o período de sucessão mantendo sua essência e se tornando exemplo para quem trabalha com gestão de marcas, ouvindo o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: é o fim das marcas?

 

“Marca é aquilo que você não precisa, compra com o dinheiro que você não tem, para mostrar para as pessoas de quem você não gosta”

(o profeta do fim das marcas)

As profecias apocalípticas não poupam ninguém. Atue na área em que atuar, você deve ter ouvido alguém em algum momento prevendo o fim de alguma coisa: é assim com a profissão que você exerce, com o mercado em que sua empresa está posicionada ou com o produto que sustenta o seu negócio. Não seria diferente com as marcas.

Jaime Troiano e Cecília Russo, que apresentam o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, vasculharam o “livro do Apocalipse” do branding para entender melhor os argumentos usados por aqueles que preveem um mundo sem marcas. O primeiro deles é que as marcas servem somente para atrair o consumidor, gerar uma necessidade que eles não têm e fazê-los usar algo com a intenção apenas de se mostrar para os outros: 

“É uma ingenuidade pensar assim, porque não existem marcas apenas para produtos de auto-expressão e projeção social. Existem marcas para produtos básicos de cuidado com a casa, por exemplo. Ninguém chama o amigo para mostrar o sabão no tanque”.  

Cecília Russo

Outro argumento que sustenta a tese daqueles que veem o fim das marcas para breve é que as pessoas perceberão que, a medida que os produtos estão cada vez mais parecidos, as marcas se tornarão supérfluas. Convenhamos, essa não se sustenta de jeito nenhum, porque se realmente existe essa semelhança eis aí uma boa razão para as marcas existirem. Somente com elas, o consumidor saberá o que está comprando. Nesses casos, as marcas são a assinatura de alguém que se responsabiliza pela qualidade do que entrega.

Há os saudosistas que lembram que há uns 150 ou 200 anos quase não havia marcas no mundo e as coisas funcionavam muito bem. Se você está entre os que pretendem defender o tal mundo sem marcas pense duas vezes antes de sacar esse argumento da cachola. Corre o risco de deparar com uma realidade bem diferente: naqueles tempos também não havia vacinas, automóveis mais seguros, serviços médicos acessíveis, comunicação rápida e expectativa de vida longa. 

“.. e  mais uma coisa: as marcas tiram o caráter meramente mecânico das escolhas em nossa vida como consumidores. As marcas preenchem de significado as escolhas que fazemos. Ou seja, elas traduzem um pouco mais do que eu quero ser e como quero ser identificado”. 

Jaime Troiano

Concorde ou não com as ideias dos nossos comentaristas de branding, aproveite para ouvir o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso e leve depois essa discussão para os seus grupos de amigos. Será que eles acreditam que um dia viveremos em um mundo sem marcas? Eu não!

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: riscos e oportunidades dos programas de fidelidade

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“Lealdade a marcas só funciona bem quando o consumidor ou cliente continuar se sentindo o centro das decisões”.

Cecília Russo

A Nívea, das mais tradicionais marcas de cremes do mundo, lançou recentemente um programa de fidelidade em parceria com a Droga Raia e Drogasil, as duas redes de farmácia do Grupo DR, aqui no Brasil. É a primeira iniciativa nesse modelo da multinacional alemã em todo o mundo. O Nívea Mais oferece pontos aos consumidores que poderão ser revertidos em descontos na compra da sua linha de produtos. A intenção é levar essa fórmula para outros países, em breve.

A estratégia da Nívea chama atenção para a importância dos programas que buscam manter a fidelidade do consumidor com a marca. Uma iniciativa que, segundo Jaime Troiano, do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, costuma funcionar quando a marca já tem prestígio:

“Cresça e depois apareça. Antes disso, é prematuro. Nívea tem história, chão rodado, já é suficientemente conhecida para dar esse passo”.

Jaime Troiano

Mesmo grande, as marcas precisam ter cuidado ao investirem nesse modelo de relacionamento. Um dos aspectos a serem considerados é a regra de resgate dos pontos que precisa ser simples e acessível a todos. Por isso, cabe o alerta para o risco de a marca oferecer benefícios em nome da lealdade do cliente e entregar uma experiência ruim:

“(O ideal) é ele sentir que é tão bem vindo quando entra no programa como quando resgata seus pontos ou prêmios”. 

Cecília Russo

Algo que incomoda demais os clientes desses planos são os pontos que vencem. Talvez seja necessário pensar em um modelo de negócio em que haja a renovação automática ou alertas para que o consumidor troque os pontos que estão para expirar. 

“Empresas que sabem usar bem o programa de fidelidade transformam a relação num verdadeiro programa de amizade. E amizade de verdade é sempre regida pelo sentido de reciprocidade” 

Jaime Troiano 

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” que vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h50 da manhã:

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: as lições que aprendemos com os nossos pais

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“Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço
A Bahia já me deu, graças a Deus, régua e compasso”

Gilberto Gil

Antes de dar início a esse texto, pense e responda a si mesmo: que lição você aprendeu com os seus pais que aplica hoje na sua vida profissional? Foi esse exercício que os meus dois colegas de Sua Marca Vai Ser Um Sucesso fizeram. As respostas foram incríveis. Do bolo feito pela mãe às planilhas de papel do pai, Jaime Troiano e Cecília Russo reuniram uma série de aprendizados que atualmente são aplicados na gestão das marcas. E não apenas delas.

Começa pelo formão que se destacava aos olhos de uma criança curiosa em meio as ferramentas bem organizadas na oficina de casa, mantida pelo pai do Jaime. Tão útil quanto perigoso, especialmente se for manuseado de maneira incorreta: 

“Assim, como formão machuca a madeira se não for bem usado, algumas ferramentas de comunicação podem fazer o mesmo. Exemplo, e é algo que me entristece, usar crianças em filmes de algumas marcas de carro, para comover os pais”.

Empatia foi uma das lições que a Cecília aprendeu com a mãe Anna Machado Russo e a avó Maria Isabel Salgado Machado. Lição essencial seja para a gestão de marcas seja para a psicologia, outra atividade exercida pela nossa comentarista. No branding, por exemplo, empatia é aquilo que faz você calçar os sapatos dos outros, daqueles que são os potenciais consumidores da marca. E assim ver o mundo, os desejos, os sonhos dessas pessoas a partir deles próprios.

“Num ambiente como o mundo atual, cada vez mais narcisista, a empatia é essencial para entender o papel que sua marca tem na vida dos outros”.

O palito sendo usado pela mãe para furar o bolo é imagem que Jaime jamais esqueceu. Quando criança imaginava ser um daqueles costumes que se tem sem que se saiba exatamente a razão. Curioso — lembra do olhar dele para o formão na oficina do pai? —, Jaime um dia perguntou à mãe o motivo daquele hábito: “se o palito sai seco é porque está na hora de desligar o forno”, disse a dona Julieta Curcio Troiano. Ou seja, se tirar do forno antes da hora, a massa fica embatumada:

“Vocês já devem ter visto por aí marcas embatumadas. Algumas que, como fruto da precipitação, digital em especial, atropelam as coisas. Pra mim, o próprio costume das versões beta é um palito que ainda não está seco”.

As planilhas de papel quadriculado sobre a mesa do pai Rubens Russo, que era engenheiro, influenciaram na forma planejada e organizada com que Cecília trabalha os projetos de branding.

“Branding é tudo, menos poesia. O sentido de organização com começo, meio e fim são essenciais. É como por porco do lado de cá pra sair linguiça do lado de lado”.

Da mesma forma que nossos pais nos influenciaram e deixaram sua lições a partir de hábitos do cotidiano, sempre bom lembrar que você também é referência para aqueles que vivem no seu entorno. Se não aos filhos, provavelmente aos colegas mais jovens. Já pensou, o que eles estão aprendendo com você?

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: seis dicas fundamentais para a gestão da marca

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“Segui-las não garante o sucesso, fazer o oposto é a certeza do fracasso”

Jaime Troiano

Com o fim das férias de janeiro e o Carnaval se aproximando, muitos pequenos e médios empresários começam a pensar nas novidades que pretendem apresentar para a temporada que se inicia. A tentação em renovar sua marca com a intenção de expressar um novo tempo é tão grande quanto perigosa. Portanto, antes de qualquer mudança, é importante considerar seis lições fundamentais em gestão de marcas, que foram apresentadas por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN.

Vamos a elas:

  • Marca não é tapume: não mostre o que não é, não prometa o que não pode entregar, especialmente nesse cenário digital em que todo mundo parece saber de quase tudo.
  • Noiva não se escolhe no altar: não esperem que o consumidor se apaixone pela sua marca apenas no ponto de venda, comece o namora antes. Crie canais de contato com os seus clientes potenciais e espere que o noivado venha
  • Quem não entende de gente, não entende de marca:  se você não gosta de fuçar na vida alheia, de entender os outros, deixe que outra pessoa da empresa cuide de planejar o conceito, o posicionamento da marca, seu estilo gráfico etc 
  • Consumidor diz o que pensa, mas faz o que sente: não caia na tentação de acreditar na primeira resposta que o seu público lhe oferece                                                                                                       

“Você quer saber porque ele comprou aquele terno e logo ouve: ‘Ah, eu comprei este terno porque o tecido é de qualidade, e a costura é bem feita’, além de outras explicações bem racionais. Lá dentro do provador, o cara experimentando o terno, fala consigo mesmo: putz, caiu muito bem em mim, acho que vou agradar na festa”. 

Cecília Russo
  • Evite mudanças bruscas: ou não jogue fora o bebê junto com a água do banho. Cuidado para as mudanças radicais na representação gráfica da sua marca, nas promessas que faz, no jeito de se comunicar com o mercado. Foi pode se tornar irreconhecível e perder o que demorou tanto tempo para construir.
  • Marca forte não resiste a produto ruim: de nada servirá uma marca muito bem planejada se o produtor e o serviço que você entrega não atende a expectativa do seu público-alvo.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com Jaime Troiano e Cecília Russo que foi ao ar no Jornal da CBN:

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quando a marca é cara do dono (ou da dona)

“A vida privada e a pública se mesclam, seja a favor ou contra as marcas”.

Jaime Troiano

Steve Jobs na Apple e Luiza Helena Trajano na Magalu. Um exemplo de fora e outro de dentro. Os dois são empresários e líderes que emprestaram sua imagem para construir as marcas que representam. Uso o verbo ‘emprestar’ porque mesmo sendo os ‘donos’ poderiam atuar como tantos outros que o público mal é capaz de lembrar o nome. Jobs e Luiza Helena são a cara das marcas em uma estratégia que pode dar muito certo. Ou não, como lembram Cecília Russo e Jaime Troiano, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

O envolvimento em escândalos, o exibicionismo em demasia ou às opiniões controversas resultam em perdas para a marca quando o líder está muito identificado com o produto ou serviço entregues: 

“Já tivemos líderes brasileiros envolvidos em casos de corrupção que tiveram suas marcas, ao menos temporariamente, machucadas. Envolvimento com política também não é sempre bem-vindo. Não é que não possa se posicionar, mas algumas vezes misturar marca e política nem sempre dá uma boa química”

Cecília Russo

O inverso é verdadeiro:

“O primeiro efeito positivo é a transferência de valores e personalidade do líder para a marca. Se pensarmos no Steve Jobs, todo seu lado criativo, ousado e inovador foi o que contaminou positivamente a marca que ele criou e que persiste até hoje. Seu nome é ainda muito citado, mesmo após mais de 11 anos de sua morte”. 

Jaime Troiano

Semelhantes aos casos da Apple e da Magalu, temos Chieko Aoki com os hotéis Bluetree, o Comandante Rolim e a antiga TAM e Antônio Ermírio de Moraes para a Votorantim, apenas para lembrar alguns dos mais expressivos no cenário nacional. 

A simbiose entre a imagem do dono e a imagem da marca exige muita sensibilidade, porque mesmo que se pense que a vida privada de alguém não deveria se misturar aos aspectos empresariais, a medida que essa relação está caracterizada um contaminará o outro: positiva ou negativamente: 

“Mesmo que uma coisa não necessariamente tenha a ver com a outra, mas quando o principal gestor tem uma vida pública muito tumultuada, expõe-se nas redes sociais em demasia, com shows de exibicionismo, por exemplo, isso pode impactar a reputação da marca”. 

Cecília Russo

Ouça aqui o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar no Jornal da CBN, edição de sábado, às 7h50 da manhã.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a força local em “Marcas dos Cariocas”

reprodução da capa de O Globo com o resultado do Marcas dos Cariocas 2022

“O Brasil é um país muito plural, e possui marcas nacionais e internacionais muito fortes bem estabelecidas por aqui, mas quando observamos com uma lupa certa região, as marcas regionais sempre têm força”

Cecília Russo

O Rio de Janeiro é uma cidade com identidade universal mas tem uma personalidade local, também. E isso fica evidente no resultado da pesquisa “Marcas dos Cariocas”, do jornal O Globo, que chegou a sua décima-terceira edição. Jaime Troiano e Cecília Russo, nossos comentaristas, é que estão à frente da elaboração deste estudo e têm visto, ano após ano, o fortalecimento de marcas tipicamente cariocas, como é o caso da Drogaria Pacheco e dos Supermercados Guanabara, por exemplo:

“…por que mais do que serem marcas nascidas no Rio, são marcas que entendem o carioca, que os representam de forma genuína, e que estão ali no dia a dia deles, sempre presente, para atendê-los”.  

Ceília Russo

A ideia do localismo, uma das tendências da gestão de marcas para o ano de 2023 — falamos disso no programa anterior a este que você também encontra aqui no blog — fica evidente quando os pesquisadores querem saber quais as as “Marcas que são a cara do Rio”, onde o consumidor elege aquelas que representam, em sua essência, o que é o Rio de Janeiro. Além da Pacheco e do Guanabara, a lista conta com a presença do Mate Leão, do Biscoito Globo e das Havaianas — que já são presença história no ranking realizado pela TroiannoBranding. Como se percebe, exceção a marca de sandálias de dedos, todas as demais são nativas.

Alguns destaques na lista de marcas eleitas pelos cariocas são aquelas que saltaram para o todo do ranking em suas categorias nesta edição: Nubank, Pic Pay, Claro, Shopee e Heineken. Atente-se para o fato de que as quatro primeiras revelam outra tendência nos últimos tempos que é o fortalecimento das marcas nascidas no digital. A Heineken, por sua vez, cresceu muito diante das ações relacionadas ao Rock in Rio.

Diante dos resultados completos que você pode acessar aqui, Jaime Troiano conclui:

“As (marcas) que estão nas primeiras posições trazem dois fortes recados: entender seu público e criar iniciativas que conversem corretamente com ele e, sem dúvida, se comunicar. O silêncio raramente cria marcas fortes e desejadas. 

Jaime Troiano

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso que foi ao ar no Jornal da CBN: