Mundo Corporativo: Hélio Rotenberg, da Positivo Tecnologia, explica como a empresa evoluiu dos PCs aos superservidores de IA

Bastidor da entrevista online de Rotenberg ao Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“O empreendedor é inquieto.”
Hélio Rotenberg

A Positivo Tecnologia nasceu ligada à educação, ganhou escala fabricando computadores e hoje mira o fornecimento de infraestrutura e serviços para inteligência artificial. A mudança, segundo o presidente e cofundador Hélio Bruck Rotenberg, foi resposta direta às oscilações do mercado e às novas demandas das empresas. Este foi o tema da entrevista concedida por Rotenberg ao programa Mundo Corporativo, da CBN.

Da fábrica de PCs à infraestrutura de IA

Rotenberg relembra que, no auge do mercado de computadores no Brasil, em 2012, a empresa produziu 2,5 milhões de unidades. A partir de 2013, com a retração do setor, veio a necessidade de diversificar. “Quando o mercado brasileiro de computador cai, despenca, a gente também aproveita essa oportunidade, que poderia ser uma crise, mas se torna uma oportunidade para diversificar a empresa”, afirma.

Essa diversificação incluiu servidores, tablets, máquinas de pagamento, serviços de TI e segurança, além de contratos públicos como a urna eletrônica. Na frente de IA, a aposta está no lado da infraestrutura, tanto para data centers quanto para soluções on-premise em empresas — um sistema de TI em que a infraestrutura (hardware e software) é instalada e mantida nas próprias instalações físicas da empresa.

“Nós acabamos de vender o maior servidor de inteligência artificial do Brasil”, diz. A companhia também passou a oferecer implementação e manutenção desses ambientes após a aquisição da Algar Tech (atual Positivo S+), integrando hardware e serviços.

A leitura de comportamento do consumidor é fundamental para as transformações e soluções que a Positivo Tecnologia oferece. Foram essas informações que orientaram, por exemplo, a evolução do portfólio de PCs. Rotenberg conta que, em parceria com a consultoria IDEO, a empresa passou dias em lares de classe média no Rio e em São Paulo para entender hábitos e expectativas. O resultado influenciou decisões de design e posicionamento. “A gente aprendeu que para a população de classe média, o computador era muito importante, era um bem muito caro. Então, ele ficava na sala, não ficava no quarto. Então, ele tinha que ser bonito”, recorda, ao descrever a presença do desktop como peça central da casa.

IA distribuída e uso prático

Para além dos grandes data centers internacionais, Rotenberg vê expansão do processamento de IA em ambientes locais por razões de custo, soberania e privacidade. “Algumas das inteligências artificiais […] vão ser processadas em data centers menores ou nas próprias empresas, que a gente chama de on-premise.” Por isso, a empresa se posicionou em parceria com fabricantes globais de chips e placas para atender bancos, governo e grandes organizações no país.

Na ponta, ele projeta crescimento do uso de NPUs nos computadores corporativos e pessoais. E aponta um desafio educativo: muitos usuários tratam os modelos de linguagem como um buscador tradicional. “A gente […] notou que as pessoas que usam inteligência artificial pela primeira vez […] usam hoje os LLM como se fossem um browser.” A Positivo trabalha numa interface que oriente o público a explorar melhor esses recursos.

Gestão, cultura e qualificação

Ao falar de liderança, Rotenberg descreve um estilo baseado em participação direta e adaptação. “A minha liderança é muito mais pelo exemplo, pelo ‘vamos lá, vamos fazer junto, vamos vencer mais essa’.” Ele reconhece, porém, a necessidade de ampliar estruturas e delegar com o crescimento da organização. “A cultura da empresa é uma cultura empreendedora […] as pessoas vibram com as vitórias […] mas a empresa foi mudando, […] tem mais níveis hierárquicos.”

Sobre qualificação, ele destaca a engenharia nacional envolvida em projetos como a urna eletrônica e a disputa por talentos de software. A educação segue como fator crítico: “Quanto melhor a educação, melhor nós seremos em tecnologia.”

Empreender é ajustar rota

No encerramento, Rotenberg sintetiza o recado para quem pretende abrir ou ampliar negócios: “O empreendedor tem que ser resiliente. Ele tem que estar totalmente aberto a corrigir rumos. Tenta um rumo, não dá certo, vai para outro, mas não desiste.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Luis Delboni.

Dez Por Cento Mais: projeto propõe psicoterapia “sem fila de espera”

Foto de SHVETS production

“O autocuidado é direito de todos.”
Vanessa Maichin, psicóloga

Em um ano, um projeto de atendimento psicológico formou uma rede com 45 psicólogos e chegou a quase 600 pessoas atendidas, oferecendo psicoterapia sem fila de espera e valores sociais a quem está em vulnerabilidade. Esse foi o ponto de partida da conversa sobre o Psicoterapia para Todos, tema da entrevista no programa Dez Por Cento Mais, apresentado por Abigail Costa, no YouTube, que tamém participa do projeto ao lado da psicóloga Vanessa Maichin e Gislene Gomes Koyama, suas duas entrevistadas.

Como nasceu e para quem é o projeto

Idealizadora do Psicoterapia para Todos, Vanessa relatou a origem da iniciativa: “O projeto nasceu de uma meditação e o que aparece em uma meditação nunca vem do nada.” Ela explicou que a iniciativa reúne dois propósitos: ampliar o acesso de quem não conseguiria pagar por terapia e apoiar o aprimoramento de psicólogos clínicos. Segundo Vanessa, a estrutura inclui requisitos e suporte profissional: “O psicólogo precisa ter CRP ativo, estar em supervisão e em terapia”, além de participar de curso de extensão e de um núcleo de estudos em análise existencial.

A expansão do atendimento, contou Vanessa, aconteceu rapidamente: “Hoje nós estamos com 550 pessoas sendo atendidas no projeto, quase 600 pessoas.” Um diferencial citado por ela é o compromisso de disponibilidade: “A gente entrou também com esse lema no projeto… psicoterapia sem fila de espera.”

Da clínica ao ambiente de trabalho

Gislene Gomes, que é a coordenadora do núcleo corporativo, descreveu a chegada ao projeto a partir de sua trajetória organizacional e de redes de parceria. Para ela, a demanda por cuidado é concreta e cotidiana: “Nós somos seres relacionais, né?” No contato com empresas e instituições, Gislene reforça o foco em prevenção e acolhimento, lembrando que os efeitos da saúde mental atravessam o trabalho e a vida.

Do ponto de vista do acolhimento clínico, Gislene destacou o que o paciente pode esperar: “Nós não estamos aqui para dar conselho ou para dar resposta mágica”, disse. “Não tem solução mágica, não tem receita de bolo… o que tem é você se descobrir, se permitir se conhecer.”

Qualidade e permanência do cuidado

Vanessa ressaltou que valores sociais não significam atendimento “barato” nem precarizado: as sessões seguem o padrão de 50 minutos a 1 hora, e o tempo de permanência na terapia depende da necessidade clínica de cada pessoa. Outro ponto é a orientação pública da iniciativa: quando alguém tem condições de arcar com honorários integrais, há encaminhamento para profissionais da rede fora do braço social — preservando o objetivo central de garantir acesso a quem mais precisa.

Ao definir o que está em jogo na psicoterapia, Vanessa resumiu: “Psicoterapia tem a ver com cuidadoé um espaço para a gente falar do que a gente sente e pensar no sentido de vida … e o que a gente tá propondo para essas pessoas, justamente, é um espaço para elas se cuidarem.”

Você tem mais informações sobre o Psicoterapia para Todos no instagram do projeto.

Assista ao Dez Por Cento Mais

O Dez Por Cento Mais traz episódios inéditos, quinzenalmente, às quartas-feiras, no YouTube. Você pode ouvir, também, no Spotify. Inscreva-se no canal Dez Por Cento Mais e receba alertas sempre que uma nova entrevista estiver no ar.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o preço da liberdade no pequeno varejo

Pexels

Ser dono do próprio nariz é o grande sonho de muitos brasileiros e também o maior peso sobre os ombros de quem decide empreender. Entre os pequenos varejistas de alimentos, a liberdade e a sobrecarga caminham lado a lado. Esse foi o retrato revelado em uma pesquisa conduzida pela Troiano Branding e a Gouvêa Experience, tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN.

Os entrevistados, donos de minimercados, mercearias e empórios, mostraram que o dia a dia desses negócios é movido por dedicação e acúmulo de funções. “Eles compram, arrumam a loja, conversam com o cliente, precificam o produto e treinam a equipe. Tudo fica na mão do dono ou da dona”, explicou Cecília Russo. Entre os principais desafios, ela destacou os temas ligados às finanças: do fluxo de caixa à disputa com concorrentes e aos impostos.

Mas o que mantém essas pessoas de pé, apesar da rotina exaustiva? Para Jaime Troiano, há dois grandes motores: a independência e o sentimento de conquista. “Eles não são malucos nem masoquistas”, afirmou. “A moeda da autonomia e da liberdade compensa a carga pesada que enfrentam, as horas de dedicação e os sacrifícios que fazem.”

Muitos desses empreendedores relatam, ainda, o orgulho de estar em um degrau acima de seus pais e a esperança de ver os filhos subirem mais um. Essa percepção de ascensão social, mesmo diante das dificuldades, é o que alimenta o sonho de continuar.

A marca do Sua Marca

Empreender é caminhar sobre uma corda bamba: liberdade de um lado, responsabilidade do outro. Como lembraram os comentaristas, “não é para todo mundo”, mas é, para muitos, a única forma de viver com propósito e autonomia.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Joca Oliveira, da Unico Skill, explica por que educação deve ser benefício tão essencial quanto saúde

Entrevisa online com Joca Oliveira Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Daqui 5 anos a gente vai olhar para trás e vai ser que nem plano de saúde… algo super necessário e essencial para qualquer colaborador.”

Joca Oliveira, Unico Skill

A ideia de tratar educação como benefício corporativo — com acesso amplo a cursos, faculdades e certificações — ganhou corpo dentro de uma empresa de tecnologia e virou negócio próprio. A Unico Skill, liderada por Joca Oliveira, oferece às companhias um “plano de educação” ilimitado para colaboradores e dependentes, com rede de instituições no Brasil e no exterior. Os desafios para empreender neste setor foi o tema da entrevista no programa Mundo Corporativo, da CBN.

Joca descreve o modelo de forma direta: “A Unico Skill é o primeiro benefício de educação ilimitada do Brasil; de uma forma simples, é como um plano de saúde, só que para educação.” No desenho do serviço, a empresa escolhe entre quatro planos e o colaborador recebe uma “carteirinha” que dá acesso a uma rede credenciada. Segundo ele, “hoje a gente tem no total mais de 100 instituições de educação, são mais de 26 mil cursos… é acesso a fazer uma pós-graduação na GV, uma graduação, curso de inglês em mais de nove escolas, curso de tecnologia, inclusive no exterior”.

O produto que virou empresa

A tese nasceu dentro da Unico, companhia de identidade digital, e migrou para operação independente para ganhar foco e escala. “O spin-off é quando você separa esse produto e ele vira uma empresa com CNPJ próprio… com time isolado, processos e cultura, ainda conectado à holding, mas com muito mais independência.” A separação, relata, acelerou a tração e reduziu conflitos de prioridades.

No modelo de negócios, a Unico Skill atua como orquestradora B2B2C: “A gente basicamente compra educação no atacado… aplica muita tecnologia. Nós somos uma empresa de tecnologia, não de educação. A gente orquestra todo esse ecossistema, mas eu não crio educação.” A curadoria e a hiperpersonalização por IA buscam orientar o uso efetivo do benefício — inclusive por dependentes.

Engajamento e a pressão por requalificação

A demanda acompanha a mudança do mercado de trabalho. Joca cita o diagnóstico de que até 2030 a maior parte da força de trabalho precisará de requalificação, puxada por automação e inteligência artificial. “O colaborador tem visto isso como uma janela para continuar crescendo, e a empresa entende que ela precisa disso para manter a mão de obra extremamente qualificada.” Entre os conteúdos mais buscados estão tecnologia (IA, cibersegurança, dados), graduações e cursos técnicos, além de idiomas. No formato, cresce o interesse por cursos de curta duração com certificação e por aulas síncronas ao vivo: “Não é verdade que todo mundo só quer presencial; e o EAD sozinho, às vezes, faz falta na interação. O síncrono ao vivo tem sido um dos grandes formatos do futuro.”

Crescimento com qualidade e a dor de escalar

A expansão traz desafios operacionais. “A dor do crescimento ela é latente”, admite Joca. “Se a gente esperar tudo ser perfeito, às vezes a gente vai desacelerar crescimento, mas garantindo que eu consiga manter a qualidade e consiga manter tanto colaborador quanto a empresa extremamente satisfeitos com o produto e com a entrega.” Para sustentar o padrão, ele enfatiza pessoas e liderança: “Contratar pessoas melhores do que você… um talento bom toca o problema, resolve o problema, não esconde o problema.”

Educação como política estrutural do setor privado

A visão de longo prazo mira a mesma abrangência de outros benefícios já consolidados. “O acesso à educação privada no Brasil é um problema gigante… a gente, como parte da iniciativa privada, [precisa] resolver isso de forma estrutural.” Na comparação com outras políticas corporativas, a defesa é explícita: “A gente acredita que a educação, sim, deveria ser tão grande quanto o plano de saúde.”

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Conte Sua História de São Paulo: o abraço que não dei no Doutor Sócrates

Humberto Andrade

Ouvinte da CBN

Foto: Acervo/Gazeta Press – 11/12/1982

Pouco depois que me mudei para São Paulo, no fim dos anos de 1990, eu trabalhava em uma obra no Brooklin Novo, próximo à Av. Berrini e fui almoçar no shopping D&D. Num dos corredores, eu o vi saindo com a esposa de um restaurante. Ele passou por mim na direção contrária e foi … eu fiquei paralisado olhando. Era ele, Doutor Sócrates, meu ídolo de infância.

Aquele time do Corinthians do bicampeonato paulista, 82/83, da Democracia Corintiana, me marcou muito. Foi a afirmação de um menino de nove, dez anos, que me dera a certeza que seria corintiano por convicção. Até então, era corintiano apenas por influência do meu pai, desde o nascimento. 

Naquele instante, que não sai da minha lembrança, hesitei em chegar até ele. Tive vergonha e pensei que se o chamasse poderia ser indiscreto e atrapalhar.

E Sócrates foi caminhando em direção ao fim do corredor, lentamente, até sumir de vista.

Me arrependo de não ter puxado assunto e ter falado com ele qualquer coisa.

Fico pensando como seria. Poderia ter gritado:

Sóócrateesss!

E apertando sua mão, agradeceria:

Obrigado!

– Obrigado pelo quê? – imagino que ele perguntaria, sério e em tom filosófico.

Obrigado por tudo, por tudo! – eu responderia, nervoso e sem jeito. Como quem quisesse agradecer por ele me ter feito corintiano.

– Obrigado por fazer uma criança feliz, Sócrates!

Depois que ele morreu, em dezembro de 2011, eu percebi que essas oportunidades podem ser únicas. Hoje em dia, quando vejo um jogador que eu goste, de qualquer time, eu sempre puxo um assunto bobo, que seja, cumprimento e peço para tirar uma foto.

Daquele time excepcional, tive a chance mais tarde de conhecer o Zenon. Sempre fui muito bem tratado por todos, inclusive os que jogam ou jogaram pelo Palmeiras. Os ex-jogadores, principalmente, adoram esse carinho.

Certo dia foi incrível, encontrei o Dudu, ex-Palmeiras, ex-Cruzeiro, agora no Atlético Mineiro. Encontrei duas vezes no mesmo dia. De manhã na Pompeia, numa escolinha de futebol. Cheguei na cara de pau: – Você tira foto com corintiano? E ele gentilmente disse: – Claro!

À tarde, num açougue gourmet em Perdizes. “E agora, faz vídeo com corintiano?” Mais uma e eu já posso pedir música no Fantástico.

Quando eu estou com meu filho e vejo que ele está envergonhado em se aproximar de algum jogador, eu o incentivo a participar da tietagem. Eu sei que ele gosta, e se perder a oportunidade vai se arrepender —  assim como eu com o Doutor Sócrates.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Humberto Andrade é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: o prazer de ver o Grêmio jogar futebol está de volta, na Nossa Arena

Grêmio 2×0 São Paulo
Brasileiro – Nossa Arena, Porto Alegre (RS)

“Vini da Pose” comemora mais um gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

A melhor versão do Grêmio se fez presente, hoje, no belo gramado da sua Arena — que eu tomo a liberdade de, a partir de agora, chamar orgulhosamente de Nossa Arena. Há muito tempo não assistia a uma partida gremista em que a bola fosse tão bem tratada como na noite desta quinta-feira. Uma performance premiada com uma vitória, conquistada de maneira perene e tranquila, na qual o torcedor pôde sentir o prazer de torcer por um time, verdadeiramente, de futebol.

O suprassumo desse futebol que se expressou em Porto Alegre foi Arthur — meio-campista excepcional e essencial para a transformação da maneira de o Grêmio jogar. Desde que o filho pródigo voltou para casa, retomamos o domínio da bola e reconquistamos o protagonismo do jogo. Mesmo nas partidas em que sofremos reveses — e não foram poucas —, o bailado de Arthur no meio de campo se impunha e nos oferecia alguma esperança de transformação. Já se ouvem vozes pedindo sua presença na seleção brasileira.

Hoje, fomos além. Depois de alguns momentos de desacerto, a defesa ajustou seu posicionamento, o time diminuiu os espaços e reduziu os riscos — a ponto de terminar o jogo sem tomar gols, o que não acontecia há sete rodadas. Evidentemente, não foi apenas o ajuste defensivo que nos deu vantagem sobre o adversário. O meio de campo — com o já devido destaque a Arthur — se impôs também pela intensidade de Edenílson e pela atuação sempre regular de Dodi.

Lá na frente, aplaudir Carlos Vinícius, autor dos dois gols da partida, é fácil. Primeiro porque, desde que chegou, o atacante tem demonstrado um ímpeto que agrada ao torcedor. Depois, porque começou a ser protagonista com seus gols e a comemoração que lhe rendeu o apelido de Vini da Pose. Hoje, foi o farejador de gols que tanto desejamos. Com um só toque, concluiu para as redes a bola que havia rebatido na defesa, após o chute de Amuzu, abrindo o placar no primeiro tempo. E, no segundo, cobrou com segurança o pênalti sofrido por Edenílson.

Aliás, o ganês também merece destaque pelo que tem proporcionado nos últimos jogos. Atrevido, Amuzu provoca dribles, acelera o ataque e não tem medo de arriscar a gol. Parece cada vez mais à vontade em campo. Às vezes, é capaz de brincar com a bola — e isso torna o futebol muito mais divertido.

Como disse em parágrafos anteriores, aplaudir o goleador é fácil. Difícil é admitir que Pavón foi fundamental para a virada do Grêmio na partida de hoje. A entrada dele, ainda no primeiro tempo, após a lesão precoce de Alysson, mudou o domínio do jogo, que até então era do adversário. O atacante argentino, que por muitas razões causou desconforto no torcedor e foi vaiado com frequência — a meu ver, de forma exagerada —, fez o Grêmio melhor no ataque.

Quando falo das vaias, é porque, mesmo quando não conseguia apresentar um futebol mais qualificado — às vezes autor de jogadas bizarras —, Pavón sempre me mostrou algo que valorizo na vida: um esforço descomunal, uma entrega acima da média, uma dedicação que merecia ser recompensada com algo melhor. Hoje, ele foi premiado. E nós também.

Na noite em que o Grêmio, definitivamente, passou a ser o dono da Nossa Arena, o placar foi 2 a 0, mas o resultado maior foi outro: o reencontro com o prazer de ver o Grêmio jogar futebol.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a força das memórias que não se apagam

foto: divulgação

Há marcas que não se apagam com o tempo. Permanecem vivas na memória como o cheiro de um lugar, a textura de um objeto ou o som de uma escada antiga. São parte de um “patrimônio histórico na mente das pessoas”. Esse foi o ponto de partida do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN..

Durante uma viagem a Poços de Caldas, cidade mineira onde viveu parte da infância, Jaime reencontrou lembranças de 70 anos atrás, intactas. “Antes de passar pelas portas das termas, eu já sabia qual o cheiro que iria sentir. E bingo, senti o mesmo cheiro de décadas atrás”, contou. Mas não foi só o olfato que o transportou no tempo. “A escada de madeira escura, de embuia, ainda estava lá. O mesmo ranger dos degraus me fez voltar setenta anos em alguns segundos.”

Essas sensações, segundo ele, são matéria-prima para quem trabalha com marcas. “Quem não se lembra de sons famosos que as marcas usam brilhantemente? O plim-plim da Globo, o tan-tan-tan-tan da Intel…”

Cecília Russo acompanhou a viagem e observou como certas experiências ficam gravadas com nitidez na memória. “Quando o Jaime ficou frente a frente com o Palace Hotel, os olhos dele marejaram. A fachada e os jardins estavam preservados no ‘patrimônio histórico da mente dele’.” Para ela, o episódio mostra que, embora as marcas precisem evoluir, há elementos que devem ser mantidos. “Modernizem, façam o rebranding que quiserem, mas nunca apaguem o padrão de imagem original com que a marca apareceu no mercado e ficou registrada em nossas mentes.”

A marca do Sua Marca

Toda marca relevante ocupa um espaço afetivo na lembrança de quem a vive. Como disse Jaime Troiano, “sua marca somente será um sucesso se ela não se perder pelo caminho”. É preciso atualizar-se sem apagar o passado, conservar o som dos degraus e o perfume das termas, porque é neles que mora o verdadeiro patrimônio histórico de uma marca: aquele guardado na memória das pessoas.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Bertier Ribeiro-Neto, da UME, explica como empreender com tecnologia e supervisão humana

Bastidores da entrevista online com CTO da UME Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“A minha visão é sempre muita tecnologia com supervisão do humano.”
Bertier Ribeiro-Neto

Empreender começa menos pelo plano de negócios e mais por um incômodo real: “O que que te incomoda? Qual o problema que você gostaria de resolver? Por que que você gostaria de resolver esse problema?” A partir dessa provocação, Bertier Ribeiro-Neto, CTO da UME, conecta a prática do empreendedorismo ao uso criterioso de tecnologia para resolver dores concretas de clientes. Esse foi um dos temas sobre os quais conversamos no Mundo Corporativo.

Tecnologia que resolve problemas (com gente no circuito)

Para Bertier, automatizar decisões é útil, mas não basta: “O resultado não é verídico, o resultado não é final, o processo precisa de supervisão.” Ele descreve a operação da UME no varejo — concessão de crédito no ponto de venda em minutos — como um arranjo que combina dados públicos, relacionamento do cliente com o lojista, informações de renda e um “motor de crédito”, isto é, “um núcleo de inteligência artificial que combina todos esses sinais e toma uma decisão de forma automatizada”.

Mesmo assim, o critério é manter controle humano sobre o que o modelo decide: “A gente treina o modelo, coloca o modelo no ar, faz uma série de testes e a gente pergunta: ‘O modelo tá tomando decisão boa ou não?’ Quando o modelo toma decisão ruim, como é que a gente para o modelo e passa a decisão para um agente humano?”

Essa postura, diz ele, vale para qualquer empreendimento que adote IA: não aplicar tecnologia “de forma cega”, mas medir impacto e qualidade continuamente. “O propósito não é usar a tecnologia. O propósito é resolver um problema que aflige o seu cliente.”

Siga o cliente, o resto é consequência

A bússola de produto segue uma regra simples aprendida nos tempos de Google: “Follow the user. All else is a consequence.” Em português: “Siga o usuário, o resto é consequência.” No contexto da UME, isso significa observar necessidades diferentes por segmento (da “super compra” de uma geladeira ao crédito atrelado a um celular com garantia via bloqueio remoto) e desenvolver produtos que façam sentido no momento da decisão.

Ao falar com quem quer empreender, Bertier volta ao princípio: antes de crescer, encontre a solução que melhora a experiência de quem usa. “Você vai criar uma solução para aquele caso de uso, se a solução for boa, as pessoas vão adotar a solução, o resto é consequência.”

Escala com estabilidade e métricas

Os desafios atuais combinam crescimento e qualidade. “Estabilidade é muito importante… o sistema não pode cair.” Em paralelo, medir resultado passa a ser obrigatório: produtividade, capacidade de atendimento “com o mesmo time” e, sobretudo, a experiência do cliente e do varejista. Se a qualidade piora, “tem um problema”.

Ao olhar adiante, a aposta é que “o futuro do crédito não está mais nos bancos… está nas empresas que têm relacionamento direto com o consumidor”. Daí iniciativas como ferramentas de CRM para que o varejista “se comunique com o cliente do crédito” e refine sua visão sobre recorrência e preferências de compra.

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Conte Sua História de São Paulo: os craques do areião de Pinheiros

Newton Herrera Feitoza

Ouvinte da CBN

Em Pinheiros, havia o Cine Brasil

Tenho 82 anos de idade e de Pinheiros. Nas minhas mais antigas lembranças, o bonde rolava pela rua Teodoro Sampaio que tinha mão dupla.

Onde hoje está o Shopping Eldorado havia o famoso “areião”, por onde passaram astros do nosso futebol, como o goleiro Aldo e o ponta direita Roberto Bataglia, ambos do Corinthians, entre tantos outros.

A  Avenida Rebouças era calçada até a Av. Brigadeiro Faria Lima, antiga Rua dos Pinheiros. Dali para frente o piso era de terra e a ponte era de madeira.

Havia um cinema, o Cine Brasil que ficava lotando quando reproduzia os filmes da Atlântica, com os gigantes Oscarito e Grande Otelo; os irmãos Farney; e a linda Eliana.

O Mercado de Pinheiros era na junção das ruas Iguatemi e Teodoro Sampaio, tinha piso de paralelepípedos e barracas cobertas com lona. Quando chovia era um transtorno.

Uma época em que fui muito feliz, em São Paulo!

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Newton Herrera Feitoza é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Ocupação sem fim

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Celular, trabalho, séries, comida, sono, exercício físico, estudos, bebida alcoólica, submissão, silêncio…

O que isso tudo tem em comum?

A gente se enche de coisas pra fazer. Não é difícil achar uma ocupação, até porque as opções na vitrine são várias – sempre tem uma informação nova, uma reunião nova, algo imperdível ou urgente na lista do dia.

A gente entra, se afoga, tenta respirar na superfície, se afoga de novo, nada mais um pouco… E assim a gente vai vivendo – vivendo?

De repente, passou a semana, não fizemos o que era importante, continuamos tristes, irritados, cansados. De repente, tem um tanto de coisa que precisa mudar pra nossa vida melhorar, mas… passou.

Celular, trabalho, séries, comida, sono, exercício físico, estudos, bebida alcoólica, submissão, silêncio…

Quantas fugas.

Quantos jeitos diferentes temos de não parar, não olhar pra dentro, não encarar o que está torto ou o que dói.

Quantas maneiras encontramos de nos ocupar – inclusive, com atividades que, aos olhos da sociedade, parecem banais (celular) ou até muito úteis e admiráveis (trabalhar, conquistar mais e mais, fazer sucesso).

Aqui, vamos pensar além da forma: Por que fazemos o que fazemos? Estamos conectados e envolvidos com nossas escolhas e ações, elas têm um fim – ou seja, um objetivo bom para nós?

Por que fazemos o que fazemos? Estamos nos ocupando de atividades e tarefas que nos mantêm distantes de ter que olhar e sentir e lidar com aquilo que é pesado, sofrido, desafiador?

Natural fugirmos do que assusta; podemos fugir vez ou outra, como uma estratégia para respirar ou suportar. O que prejudica mesmo é essa ocupação sem fim – essa ocupação que afoga, que desconecta, que não tem um fim saudável e desejável, porque é só um “tapa-buraco”.

Que buracos estamos tentando evitar? Que vazios estamos tentando preencher?

Fica o convite… Vamos, sim, nos ocupar – com uma finalidade: o de, verdadeiramente, ser e viver. Ocupação com fim.

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é psiquiatra, psicoterapeuta e sócia fundadora da LuxVia Health Center. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.