Avalanche Tricolor:  de calcanhar, para driblar a melancolia

Grêmio 0x1 Athletico Paranaense

Brasileiro — Arena Grêmio

Foi no começo da semana que se completaram 50 anos de um dos gols mais bonitos marcados com a camisa do Grêmio. Quem refrescou minha memória, carcomida pelo tempo e excesso de preocupação, foi Ricardo Wortman. E o fez de forma especial: enviou-me o post publicado em seu blog Corneta do RW e o arquivo de áudio do grito de gol narrado por Milton Ferretti Jung, na rádio Guaíba, naquele 7 de junho de 1971. 

A partida era contra o Inter de Santa Maria e o autor do feito, o argentino Chamaco. Era um tempo em que as disputas dos campeonatos regionais é o que tínhamos para sonhar. Tempo, também, em que o pai ainda não havia criado sua marca registrada —- o grito de “gol-gol-goooool”. Mas já desfilava seu talento no gogó e no teclado das máquinas de datilografia. 

Caro e cada vez mais raro leitor deste blog, com o devido pedido de licença para não tomar seu tempo com palavras ao vento sobre a melancólica apresentação gremista nesta tarde de domingo, na Arena, reproduzo a crônica do gol que o pai escreveu na revista do Grêmio, publicação oficial do time que registrava os grandes feitos do tricolor. 

O gol foi fantástico. O texto, primoroso:

O calcanhar tinha olhos

‘Baixada Melancólica” é como chamam, lá em Santa Maria, o estádio do Internacional. E, olhem, com aquela chuvinha miúda que caía, no domingo em que o dono do local tinha que jogar com o Grêmio, até que o apelido ficava bem. Mas, mesmo assim, com a chuva e com o frio, os torcedores foram chegando e apertando-se nos degraus molhados das arquibancadas. E havia muitos com bandeiras do Grêmio, todos com um mesmo desejo: ver Chamaco e Scotta, o bigodudo com jeito de líder, e o sardento atacante, de poucas falas e muita habilidade. A partida começou e o primeiro tempo foi um quase nada de jogo, uma tristeza, afinando em tudo com o tempo ruim. Mas, no segundo período, Otto Glória mexeu no time. Fêz de Caio um companheiro para Scotta e a apatia do jôgo quebrou-se em dois gols do argentino. Depois disso, já ninguém esperava grande coisa. Os colorados consolavam-se com o gol que Maneco havia feito, empatando a partida numa alegria que durara pouco. Scotta logo marcou o segundo. De repente, um lance como que explodiu dentro do campo. Inesperado, como tôdas as explosões. Inédito no seu contexto. Scotta , que tinha chegado à linha de fundo, levantou a bola para a área do Internacional. Chamaco vinha se intrometendo pelo meio, o gramado meio que lhe escapando debaixo das chuteiras, cujas travas não se agarravam à grama molhada. E aquela bola caindo na área. Só que Chamaco tinha mais pressa do que ela. Uma pressão que não era dêle, mas do chão mentiroso. Estava saindo do lance, tal e qual um ator ao qual coubesse, na peça, uma única fala e que passasse pelo palco sem conseguir dizê-la. Valdir, o goleiro, nem ficou com mêdo. A defesa parecia tão fácil, o lance tão seu. Chamaco tão por fora. Chamaco patinava. Onde terminaria naquele impulso todo? A bola sempre mais para trás. Êle cada vez mais à frente. Quem estava lá, aquém do corpo que deslizava. O corpo foi. A perna, não. Para trás! Distendeu-se. Procurou, quase que tateando a bola fugidia. O peito do pé tem olhos quando chuta. O calcanhar, aquela protuberância cega, criou-os. E encontrou a bola, Transformou-se em espoleta, gatilho, catapulta. Sei lá. No choque com o calcanhar, o couro ergueu-se num volteio interminável, num arco inatingível para Valdir. E caiu novamente, raspando o travessão, escorrendo pela rêde. GOL! Pelo amor de Deus, GOL! Incrível, como seu dono, Don Carlos Chamaco Rodrigues.  

Ouça o gol narrado por Milton Ferretti Jung e com a participação do repórter João Carlos Belmonte. A voz que abre a gravação é do zagueiro Souza, do Inter de Santa Maria:

Sua Marca: “comunicar é namorar”

Reproduçao da cena de “Breakfast at Tiffany’s”

“Esqueçam aquele mito de que marca se escolhe é na hora da compra” 

Jaime Troiano

Audrey Hepburn, no papel de Holly, tem uma bebida em uma das mãos e come um sanduíche diante da vitrine da loja de luxo Tiffany, em Nova Iorque. O olhar está vidrado nas joias de uma das marcas mais desejadas do mundo. Essa cena que abre o filme “Breakfast at Tiffany’s” ou “Bonequinha de Luxo”, como foi batizado no Brasil, ilustra como funciona a relação das pessoas com as marcas.

Jaime Troiano e Cecília Russo, especialistas em branding e comentaristas do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso dizem que a transformação do consumidor em cliente se assemelha a aproximação de duas pessoas que descobrem que têm coisas em comuns ou complementares:

“Não se escolhe noiva no altar. Ou seja, consumidores namoram marcas, ficam noivos e a compra é apenas a celebração do compromisso” — Cecília Russo

Aproveitando o sábado, em que se comemora o Dia dos Namorados, Jaime lembra que independentemente das formas que os namoros têm assumido, existem coisas que são clássicas:

“Uma certa química que aproxima: o olhar, o jeito, o toque ou qualquer elemento que o outro projeta e que te engancha …. o namoro não acontece porque se tem uma necessidade fria pelo outro, acontece porque tem os ingredientes típicos de um enamoramento”

As marcas também emitem sinais, mensagens, traços de sua personalidade, que são valorizados e compreendidos pelos consumidores. Cecília Russo ensina que para essa relação ser um sucesso é preciso alimentar esses sentimentos e a comunicação tem papel essencial:

“A comunicação traz esses ingredientes do namoro. Comunicar é namorar”.

Como o casal que apresenta o programa também está enamorado há muitos anos, sabe que a manutenção desta atração é sensível e precisa ser cuidada no dia a dia para que, se a relação não for eterna, ao menos seja “infinita enquanto dure”, como escreveu Vinícius de Moraes.

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso e saiba, também como a ideia de transformar o namorado em noivo, ou melhor, o consumidor em cliente funciona nos relacionamentos digitais:

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ao ar, sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN 

Conte Sua História de São Paulo: o sino azul tocou no coração da telefonista

Sílvia Pohiani dos Santos

(in memorial)

Aos dezoito anos, minha mãe, Diva Pohiani, deixou a cidade do interior onde morava para trabalhar na Companhia Telefônica Brasileira, em São Paulo. O mundo estava em guerra e ela deixou seus pais trazendo junto de si o salvo conduto — uma autorização especial que permitia que viajasse apesar de ser de origem italiana e, portanto, considerada inimiga por nosso país que apoiava os aliados.

Em São Paulo, na cidade que mais crescia no mundo,  ela se sentiu uma rainha. Com seus saltos altos, cabelos cuidadosamente arrumados trabalhava no setor mais moderno da nossa economia que era o de prestação de serviços. 

Ela era uma telefonista.

Fizera os testes e fora aprovada graças a sua boa dicção, capacidade de atenção e delicadeza no trato com o público. 

O trabalho exigia muita prontidão para realizar as ligações que eram pedidas quando as luzinhas vermelhas se acendiam no painel, além de muita discrição para não ouvir os diálogos que se iniciavam ou também para interromper, gentilmente, qualquer tentativa de conversa com os clientes mais ousados.

Durante o horário de almoço, ela e suas amigas visitavam o Parque do Trianon, já que trabalhavam ao lado do bairro do Paraíso. Lá faziam caminhadas e leituras —- liam, entre outras publicações, a revista Sino Azul, editada pela Companhia Telefônica Brasileira, entre os anos de 1928 e 1973. Leituras e passeios que permitiam que ela e suas amigas descobrissem uma fascinante cidade.

Foi no caminho do trabalho que foi marcado o primeiro encontro entre Dona Diva e Seu Joaquim —- Joaquim Henriques dos Santos, aquele que viria a ser o meu pai. 

Na Praça da Sé, no mais famoso relógio público da cidade, ela desceu do bonde no ponto final onde ele a esperava para acompanhá-la ao Paraíso —- digo, o bairro do Paraíso. Em plena praça, provavelmente pela emoção ou pelo salto muito alto,  ela caiu no chão. Seu Joaquim hesitou entre correr para auxiliá-la ou fingir que não tinha visto para não constrangê-la. Como minha mãe foi rápida em se levantar, ele optou pela segunda ideia.

Beijaram-se assim que se viram. Dona Diva jura ter ouvido sinos azuis. 

Casaram-se e minha mãe deixou o emprego tão querido, porque, por contrato, ela deveria trabalhar em diferentes turnos, com o que meu pai não concordava. Era preciso cuidar da casa e dos filhos que viriam a seguir. 

Apesar de sair da Companhia Telefônica, Dona Diva nunca esqueceu essa experiência profissional, naquele momento efervescente e glamouroso. Época em que ela, uma mulher independente e dinâmica, ajudava a escrever a história das comunicações de São Paulo.

Em sua memória também ficou a imagem e a companhia de uma gerente, chamada Sílvia, de origem alemã. Mulher elegante. Inteligente. Muito fina. Que orientava e tratava as jovens telefonistas de forma humana e com muita competência. 

Uma admiração que justifica meu nome de batismo, Sílvia, filha da Dona Diva — mulher corajosa e moderna que muito me ensinou e a quem lembro no momento em que faço aquilo que mais gosto: contar a história.

Diva Pohiani é personagem do Conte Sua História de São Paulo. O texto foi escrito pela filha da Dona Diva, Silvia Pohiani dos Santos, historiadora, que morreu há oito anos. Seu filho, Renato Santomauro, ouvinte da CBN, compartilhou com a gente um capítulo das histórias escritas por Dona Silvia. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto também para contesuahistoria@cbn.com.br E ouça outras histórias da cidade no meu blog miltonjung.com.br ou no podcast do Conte Sua História de São Paulo 

Mundo Corporativo: Helen Andrade, da Nestlé, ajuda a hackear barreiras que limitam a diversidade e a inclusão

Foto de fauxels no Pexels

“Não existe lugar que não é para você. Existe lugar que você ainda não chegou” 

Helen Andrade, Nestlé

Ao ler um anúncio de emprego oferecendo vaga para coordenador de manutenção, a primeira mensagem que profissionais recebem é de que a empresa está em busca de um homem. Pode parecer apenas um detalhe, mas a maneira como a vaga é descrita revela um viés inconsciente e reforça um preconceito. Observar as peculiaridades, identificar os desvios e incentivar a diversidade e inclusão são algumas das funções que Helen Andrade assumiu, no ano passado, em plena pandemia, na maior fabricante de alimentos e bebidas do mundo.

Em entrevista ao Mundo Corporativo, Helen, que é líder de Diversidade e Inclusão da Nestlé, chamou atenção para outros aspectos que influenciam na forma como as empresas selecionam seus profissionais ou oferecem oportunidades de crescimento:

“Uma grande empresa tem fluxo de pagamentos de 60 a 90 dias e isso é muito ruim para os pequenos fornecedores. Como a pessoa vai se sustentar recebendo daqui dois ou três meses? É preciso apoiar essa cadeia de fornecedores e, para isso, ampliar algumas políticas, sobretudo na forma de pagamento”.

No caso do anúncio de vaga, ela sugere que se tenha uma linguagem neutra na comunicação e as pessoas do setor de recursos humanos influenciem as lideranças em relação a não limitar a busca, já que o potencial pode ser encontrado em qualquer lugar. Helen alerta para cuidados que se deve ter na entrevista de emprego, porque uma pergunta pode estragar o processo seletivo e leva a empresa a perder talentos.

“Temos de entender como hackear o viés”

Mulher e negra, Helen também teve de superar as barreiras que existem para chegar a um cargo de comando dentro de uma grande empresa, apesar dela se considerar privilegiada por ter nascido em uma família na qual sempre teve o apoio da mãe para estudar e entrar na universidade. A educação fez diferença na vida dela. A indignação a levou em frente:

“É preciso ficar indignada e transformar essa indignação em ação”.

Ações afirmativas já vinham sendo desenvolvidas ao longo do tempo. Em 2015, com a inauguração da fábrica da Dolce Gusto, em São Paulo, se criou o desafio de transformá-la em exemplo de equidade de gênero. Em um ambiente estigmatizado como muito masculino, hoje 44% do corpo de funcionários são mulheres. Na fábrica da Garoto, em Vila Velha, Espírito Santo, são 100 profissionais surdos, de um total de 900 empregados com deficiência que atuam em toda a empresa, no Brasil.

A Nestlé inaugurou o centro de competência de diversidade e inclusão, área que funciona dentro da vice-presidência de gestão de pessoas e compliance, com a intenção de envolver todos os colaboradores e lideranças para que essa discussão —- na pauta racial, de gênero, de pessoas com deficiência, de LGBTi+, de jovens e com mais de 50 anos —- tenha efeitos internamente e reverbere nas demais comunidades que estão no entorno da empresa.

Logo que chegou à Nestlé, Helen promoveu um senso interno no qual identificou que 43% dos cerca de 30 mil empregados são pretos e pardos. Hoje, é possível saber onde estão, e em que nível da hierarquia se encontram —- informações que ajudam no planejamento de atividades. Para ajudar esses profissionais, foi lançado um programa de mentoria no qual são acompanhados por executivos da empresa, o que permite o desenvolvimento na carreira. Houve reformulação no recrutamento e seleção de pessoal: o programa de trainee, por exemplo, levou a contratação de 75% de negros e mais de 60% de mulheres.

“Não é uma questão unicamente de fazer para mostrar que está fazendo, é fazer o que é o correto e que vai te trazer resultado sim, sem dúvida, mas que você acredita nisso. e você só vai acreditar se você conhecer o tema”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no canal da CBN no Youtube, no site e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. E pode ser ouvido, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Avalanche Tricolor: melhor prevenir do que remediar. E use máscara!

Brasiliense 0 (0)x(2) 0 Grêmio

Copa do Brasil – Serejão, Taguatinga DF

Ferreirinha arrisca o chute em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Em uma semana na qual supostos candidatos a títulos se despediram precocemente da Copa do Brasil, cautela era a melhor estratégia. Pouco exagerada, verdade, dada a escalação de dois volantes mais fixos atrás — até porque tínhamos Geromel e Kannemann em campo, o que por si só é uma garantia de redução de riscos. O Grêmio havia saído do jogo de estreia, na Arena, com a impressão de que desperdiçara a oportunidade de decidir a classificação antecipadamente, mesmo que a vantagem de dois gols desse a impressão de que a vaga seria sua nas oitavas-de-final. Mas vai que …

Nunca é bom apostar com o azar. 

Um chute desviado daqui, um pênalti mal ajeitado logo ali e tudo se complicaria no Serejão, também conhecido por Boca do Jacaré — um estádio acanhado para dizer o mínimo. O gramado, então, um desrespeito ao futebol profissional. Em péssimo estado e com buracos no meio do caminho. 

A primeira vítima foi o goleiro adversário que teve o pé preso na grama e uma torção logo no início que o prejudicou no restante da partida. Depois, o talento e o toque de bola. Perdoe-me quem pensa o contrário: piso ruim atrapalha muito quem sabe jogar mais, porque reduz a velocidade da bola, distorce a direção do passe e costuma chegar na canela do companheiro, quando deveria ser tocada de pé em pé. Vimos isso durante o jogo.

Seja como for, desde o primeiro movimento, ficou claro que o Grêmio não queria jogar. Ao menos não queria se expor no jogo. O primeiro passe foi para trás e o segundo mais para trás ainda. A bola circulou entre os zagueiros muito mais do que pelos jogadores de meio de campo. Para um lado, para o outro. O marcador não vinha. Para um lado, para o outro. O marcador arriscava e voltada. Para um lado e para o outro. Às vezes, um avanço. Nada convincente.

No segundo tempo, com Diego Souza e Ferreirinha o nível da partida subiu.

Não que precisasse muito esforço para isso. A bola ficou mais no campo de ataque. A proximidade do gol não foi suficiente para colocá-la lá dentro. Além de um chute no travessão do nosso atrevido ponteiro esquerdo, pouco coisa se viu na partida desta quinta-feira à tarde.

O zero a zero ilustrou bem a qualidade do jogo, do gramado e do estádio. E o Grêmio cumpriu seu papel nesta etapa da Copa do Brasil, o que diante do desastre de gente graúda, convenhamos, está de bom tamanho. 

Tiago Nunes, nosso técnico, invicto até aqui, ao lado do campo —- na única derrota, ele estava em casa se recuperando da Covid-19 —, gaúcho como eu, deve ter ouvido muito sua avó recomendar: melhor prevenir do que remediar. Cumpriu a risca o ensinamento.

A propósito: se é melhor prevenir do que remediar no futebol, quando o que está em jogo é a vida, o ditado é ainda mais pertinente. Portanto, a despeito do que este lunático que comanda o Brasil tenha dito hoje, cuide-se, previna-se, mantenha distância, evite aglomeração e use máscara. Tenha tomado vacina ou sido contaminado pela Covid-19, use máscara, pelo amor de Deus!

O amor faz um bem danado

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Foto de Jasmine Carter no Pexels

“E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida”

Vinicius de Moraes e Tom Jobim

Como explicar o que é o amor?

Na tentativa de decifrar esse fenômeno que acompanha a civilização humana desde os seus primórdios, surgiram mitos, lendas, poesias, músicas e, mais recentemente, estudos científicos bastante elaborados, como experimentos que utilizam a Ressonância Magnética Funcional para investigar a atividade cerebral relacionada ao amor romântico e a formação de vínculos.

Uma das áreas de maior ativação cerebral relacionada aos vínculos afetivos envolve o sistema de recompensa, um circuito cerebral que processa a informação diante da sensação de prazer.

Esse sistema é bastante antigo em termos de evolução e está relacionado à sobrevivência, permitindo que os animais tenham motivação, se engajem e mantenham comportamentos, como buscar alimento ou o sexo, possibilitando a perpetuação da espécie.

Diante de situações prazeirosas, ocorre uma liberação de substâncias químicas no cérebro, a dopamina, responsável por ativar esse sistema de recompensa. Assim, se a ação executada trouxer satisfação, prazer ou alegria, o cérebro vai registrar essa consequência e ações repetidas se seguirão, na busca por obter novamente essas sensações.

Com o amor vai acontecer algo semelhante.

Diante da pessoa pela qual se está interessado, a dopamina será liberada, ativando o sistema de recompensa cerebral, promovendo euforia e bem-estar.

Isso vai gerar o desejo de estar cada vez mais próximo dessa pessoa, repetindo-se esse ciclo, que poderia ser chamado, não à toa, de círculo vicioso.

Os estudos também apontam que outras substâncias, como a vasopressina e a oxitocina, poderiam influenciar a formação de vínculos afetivos, porém estariam associadas a maior estabilidade e segurança dos relacionamentos, reduzindo a necessidade de estar constantemente ao lado do ser amado.

De maneira simples, poderíamos associar a dopamina com a fase da paixão e o amor companheiro, mais maduro, com a oxitocina.

Mas vamos combinar, se há milênios tentamos explicar o que é o amor, não parece muito romântico, na semana do dia dos namorados, dizer que se resume a uma liberação de substâncias químicas e ativação cerebral!

Se a flecha de Eros, o deus do amor, nos atingiu, em vez de pensar em dopamina, talvez possamos nos concentrar naquelas borboletas no estômago, no coração que bate mais forte, naquele desejo de estar junto, abraçar e poder manifestar, para quem se quer bem, todo o nosso amor.

Como disse Carlos Drummond de Andrade:

“O amor foge de todas as explicações possíveis”.

Então, viva o amor! Isso faz um bem danado!

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento no canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

De sofrimento ao perdão, da falta de controle à resiliência: filmes, livros e histórias de um fim de semana

Reprodução do documentário Unrest

Acachapado no sofá, com o corpo imóvel diante da TV e a mente impressionada, passei pouco mais de uma hora e meia desse domingo assistindo ao americano Unrest, no Netflix. É um documentário dirigido, roteirizado e elencado por Jennifer Brea, estudante de doutorado em Harvard, que aos 28 anos, após uma febre, iniciou uma jornada incrível para descobrir que sofria da Síndrome da Fadiga Crônica.

É uma doença neurológica, segundo a Organização Mundial de Saúde, que pode se desenvolver após infecções virais —- aliás, por isso mesmo, voltou ao noticiário com a pandemia da Covid-19. Das pessoas afetadas, 75% ficam incapazes de trabalhar e 25% ficam presas à cama. Calcula-se que de 15 a 30 milhões de pessoas sofram deste mal, no mundo. As causas ainda são incertas, e o desconhecimento se expressa em crueldade e preconceitos de familiares, comunidades e médicos, como fica escancarado em Unrest. . 

Jennifer realiza quase todo o documentário de sua cama de onde mal consegue levantar, e quando o faz é por períodos curtos. Entrevista médicos, conversa com outros pacientes, mobiliza pessoas, chora, sofre e nos faz sofrer com ela e com as histórias que são contadas. 

Uma das mais chocantes é a da jovem dinamarquesa que é retirada da casa dos pais pela polícia para receber tratamento em uma clínica comandada por um médico que acredita que a doença é psicológica e a pessoa precisa ser afastada de seu habitat natural e das pessoas que supostamente realimentaram o mal que mantém o paciente doente. Sim, isso acontece na Dinamarca.

Sabe-se pelo documentário do triste fim de algumas pessoas que não suportaram a si mesmo e por não se compreenderem nem serem compreendidas desistiram de viver. 

De outro lado, vê-se a ação dedicada e generosa de pais, irmãos, amigos, médicos e maridos. Um deles é o de Jennifer que está boa parte das vezes ao lado dela nas filmagens e aceitou expor suas fragilidades, dúvidas e dramas, nos permitindo vivenciar a intimidade deles através da câmera que os acompanha —- um dos efeitos é nos deixar prostrados enquanto a história se desenvolve, como se tivéssemos sido acometidos pela fadiga (que fique claro, é apenas uma sensação que tive, porque nada, nada se compara ao que essas pessoas sofrem no cotidiano).

No coquetel de emoções  gerados por Unrest, chorei ao ouvir o marido de uma das pacientes acometidas pela síndrome revelar seu arrependimento por ter deixado a esposa na cama e as duas filhas sozinhas em casa. Abandonou a família e diz que o fez por acreditar que ele seria o motivo daquela reação da mulher. Não entendia o sofrimento dela. E sequer entendeu seu papel na relação. A dúvida que expôs, de volta ao lado da cama da esposa, era se conseguiria se redimir do tempo em que ficou afastado. Queria perdão! A medida que a luz do conhecimento se fez, os dois recasaram.

Arrependimento e perdão. Temas que também me acompanharam no fim de semana por outros caminhos. 

José Carlos De Lucca,  juiz de direito, escritor e espírita, entrevistado no canal Dez Por Cento Mais, no Youtube — que revi no sábado —- ensinou que não existe nenhum processo de desenvolvimento espiritual que não seja feito em função do amor. Ao próximo, claro, mas começando com você mesmo. E sem a pretensão de idealização. De Lucca lembra que travamos uma briga constante com o perfeccionismo:

“Querem ser um Jesus Cristo, uma Irmã Dulce, uma Madre Tereza de Calcutá, embora todos esses, à exceção de Cristo, tenham sido figuras humanas que tiveram suas rachaduras, mas que a despeito delas não se deixaram contaminar pela revolta, pelo desamor à vida” 

José Carlos De Lucca

Sugere que saibamos nos aceitar como somos, sejamos mais amigos de nós mesmos, mais pacientes. Sejamos melhores, mas não perfeitos. É na tensão que a perfeição exige de nós que se cancela o direito ao perdão. A si e aos outros. Motivo de doenças, como escreve o dr. Cláudio Domênico, no livro “Em suas mãos”, que tive oportunidade de ler também nessa folga de Corpus Christi. 

Domênico é profeta da medicina da qualidade de vida —- aquela que trata pessoas de forma preventiva, e não apenas a doença.  Há um instante em que o doutor e escritor se pergunta: “como ajudar nossos pacientes a lidar com emoções negativas, como a culpa, o arrependimento, a angústia, o medo, o egoísmo, a mágoa?”.

Fatores psicológicos negativos, escreve, com base em estudos da Associação Americana de Cardiologia, podem estar relacionados a uma série de problemas de saúde. O pessimismo aumenta a mortalidade por doença coronária em duas vezes, enquanto a ansiedade faz crescer em até cinco vezes a chance de espasmo das artérias do coração.

De acordo com pesquisadores do Centro Internacional de Saúde e Sociedade, no Reino Unido, a principal diferença entre pessoas muito ou pouco estressadas não consiste em fatores genéticos ou psíquicos, mas na sensação do indivíduo se sentir dono do próprio destino. 

E como sofremos quando estamos diante de situações que não dependem de nós. Não estão sob nosso controle.

Vivo essa experiência diariamente. Porque são esses os desafios do ser humano na sociedade contemporânea. Deparamos com diversas situações —- de nossa responsabilidade ou não —- em que a solução independe de nós. Ao mesmo tempo, assumimos riscos e fazemos escolhas, muitas erradas, que nos tornam mais vulneráveis do que somos e o destino tão incerto quanto esse mundo pode ser.

Se não nos perdoamos pelo que fizemos, não podemos pedir que sejamos perdoados. Se não aceitamos quem somos, não é justo cobrar que sejamos aceitos. Exercitar a resiliência é talvez o que esteja em nossas mãos. E para isso, convido que você assista ao TED da Dra Lucy Hone, psicóloga, do Instituto do Bem-Estar e Resiliência da Nova Zelândia, que enumera três estratégias que podem nos ajudar nessa batalha da vida e pela vida:

  1. Entender que o sofrimento faz parte da vida humana
  2. Buscar o lado bom na situação adversa
  3. Compreender se a atitude que está tomando frente ao problema está ajudando ou piorando ainda mais a situação.

Que venha o próximo fim de semana!

Avalanche Tricolor: É campeão! É campeão!

Grêmio 3×0 Santa Cruz

Recopa Gaúcha – Arena Grêmio

A Recopa é nossa, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O almoço dominical em família ainda não estava servido e o Grêmio já havia levantado mais um troféu. Na transmissão da TV, rolou vinheta com o título de campeão e sobe som do hino. Em campo, montaram palanque, teve entrega de medalha e fumaça colorida para erguer o troféu. O segundo no ano. 

Sei que o título não é daqueles que vira DVD, filme no cinema ou será lembrado para sempre nas conversas com os filhos. Mas ganhar é sempre bom, mesmo que o adversários seja o humilde e honesto Santa Cruz —- time que vem de uma terra famosa pelas plantações de fumo e, pessoalmente, pelos tradicionais e, às vezes, violentos embates que meu time de basquete encarava sempre que enfrentávamos a equipe da cidade,  que leva o nome de Corinthians.

O Grêmio teria compromisso importante pelo Campeonato Brasileiro, mas o destino nos permitiu o adiamento da rodada e o agendamento da decisão regional. Providencial adiamento. Estamos com 11 integrantes do elenco contaminados por Covid-19: de goleiro a atacante, de lateral a técnico — sem contar os dois convocados para a seleção olímpica. Tantos desfalques seriam fatais. Não para essa final, quando pudemos selecionar apenas os mais jovens ou os menos aproveitados do grupo.

Dos que entraram em campo, Fernando Henrique, o volante pifador, foi talvez a melhor das notícias na manhã deste domingo.

Com uma personalidade rara para a idade, distribuiu jogo de um lado e do outro com talento e precisão no passe. Ainda arriscou-se a chutar de fora e quase marcou o que seria o terceiro gol gremista. Não por acaso, ganhou lugar de destaque na foto do título, sentado atrás do troféu e tendo Geromel — nosso líder —- como guarda-costa.

Havia uma expectativa grande quanto ao desempenho do lateral esquerdo Guilherme Guedes, jovem da base que está voltando à ativa depois de uma série de problemas físicos. Cumpriu bem o seu papel e deu demonstrações de que sabe bater bem na bola, na única falta em que teve oportunidade de cobrar.

Os jovens atacantes Guilherme Azevedo, Léo Pereira e Jhonata Robert —- esse tendo entrado apenas no segundo tempo —- deixaram suas marcas, com tentativas de dribles, sendo agressivos no ataque e marcando cada um o seu gol.

Ninguém ficará para a história devido ao Bi da Recopa Gaúcha, mas é provável de que alguns dos que vestiram a camisa gremista nesta manhã de domingo estejam começando a escrever sua passagem pelo tricolor —- e que bom que comecem essa história de maneira vitoriosa.

Conte Sua História de SP: fui aluna da professora Zelinda, no Liceu

Odila Vitória Rocha da Costa

Ouvinte da CBN

Você encontra alguém na rua, descobre que estudou no Liceu. E a pergunta é inevitável:

— Foi aluno da Zelinda?

Professora Zelinda. É assim que a gente a conheceu. É assim que ela será para sempre. 

Zelinda Casella lecionava história, moral filosófica e filosofia, no Liceu Pasteur, em São Paulo, na Vila Mariana, zona sul. Deu aula para várias gerações. Muita gente famosa aprendeu a pensar com ela. Juizes de direito, prefeitos de São Paulo, doutores … tudo bem, até o Doca Street passou na sala de aula dela. Ela tentou, mas cada um é responsável pelo seu próprio destino. 

Séria, reservada, não se intimidava com nada. Quando alguém conversava durante a aula, ela chamava atenção: “oh, fulano!” e dava batidinhas na lateral da mesa com a caneta. Ninguém mais ousava respirar.  Rita Lee, sua aluna, também a descreveu: ”Mestra-fera que não engolia qualquer deslize dos alunos”

Nunca soubemos dela ter faltado a um dia de trabalho. Sabia tanto que jamais usou um livro em suas aulas. A lousa ficava vazia. Era a professora Zelinda, seu conhecimento e sua fala. E ela falava e a gente anotava. Palavra por palavra. Parecia ter vivido cada uma daquelas histórias que contava.

Impecável e elegante. Ano após ano o mesmo modelito. Cabelo curto, bem ajeitado, sempre preto — mesmo com o passar do tempo. Saia reta: azul marinho, marrom e raríssimas vezes branca. Uma variedade de casos de crochê coloridos. Combinava camisa, sapato e brinco.  Foi motivo de comentário na revista Marie Clarie, claro lá também trabalhava uma ex-aluna dela.

Professora Zelinda era vaidosa e extremamente elegante: no falar, no agir e no pensar. Irônica, a la Voltaire, nos fazia pensar muito antes de perguntar. E nos ajudou no exercício da reflexão.

Tivemos oportunidade de revê-la em alguns reencontros de turma. Sempre pontual. E reclamava que cada um chegava em um horário diferente para o que seria apenas um descontraído almoço. Mantinha-se atualizada e bastante crítica. Seguia nos oferecendo o espaço do pensar

O que falaria do momento atual na sala de aula? Deixa pra lá. Porque, hoje, queremos homenagear nossa professora, que morreu de morte morrida no dia 17 de abril, aos 92 anos. Uma personagem de São Paulo que participou da construção do que pode haver de melhor em uma cidade, ajudou a formar cidadãos.

E antes de me despedir, um aviso aos anjinhos no céu: “acabaram as conversas paralelas” …

Professora Zelinda Casella é personagem do Conte Sua História de São Paulo, em texto escrito por sua ex-aluna Dila Rocha. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você também o seu texto sobre a nossa cidade e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos de São Paulo visite o meu blog miltonjung.com.br e coloque entre os seus favoritos o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: primeiro a metodologia, depois a tecnologia, ensina Hendel Favarin, da escola de negócios Conquer

Foto de Vlada Karpovich no Pexels

“Construa o produto com o cliente e não para o cliente” 

Hendel Favarin, Conquer

Fechar a porta das salas de aula e abrir acesso às salas virtuais. Levar o conteúdo para a internet. Planejar com os professores como essa migração deveria ocorrer. E contar com a experiência de alunos. O desafio que a escola de negócios Conquer encarou em março do ano passado foi o mesmo de todas as demais instituições de ensino, no Brasil. Com a pandemia decretada não era mais possível manter a mesma estrutura de ensino e foi necessário agilidade dos gestores e capacidade de adaptação diante do cenário de incerteza que surgia. 

Algumas escolas tiveram mais sucesso do que outras nessa transformação digital. Um dos motivos para isso, segundo Hendel Favarin, co-fundador da Escola Conquer, entrevistado no programa Mundo Corporativo, foi entender que primeiro vem a metodologia e depois a tecnologia:

“Nossa taxa de desistência foi de cerca de 1,5%. A falta de engajamento (em algumas escolas) não foi por causa da tecnologia, mas porque a metodologia foi colocada à prova e o aluno não estava no centro da experiência”.

A Conquer foi fundada, em 2016, por Hendel Favarin, Josef Rubin, e Sidnei Junior, em Curitiba, a partir da insatisfação dos três jovens empreendedores com o ensino tradicional. Para eles,  especialmente as faculdades e os cursos de pós-graduação tinham conteúdo desconectado do mercado de trabalho, metodologia ultrapassada e professores muito teóricos e com pouca experiência no dia a dia dos negócios. 

“Nós surgimos para desenvolver softskills que fazem toda a diferença para um profissional alavancar seus resultados, independentemente da sua formação”

Hendel conta que a Conquer tinha 2 mil alunos em aulas presenciais até o início da pandemia. Com o conteúdo online, criação de cursos gravados e a oferta de graça de um curso sobre inteligência emocional, a escola passou a atender 30 mil alunos nos meses seguintes e, desde sua fundação, já conseguiu alcançar 1 milhão de pessoas de 80 países:

“O alcance e o impacto dos cursos digitais durante a pandemia proporcionaram maior acesso, maior democratização, porque os preços naturalmente caíram. Os cursos digitais permitem uma redução de preço, não têm todo aquele custo da infraestrutura presencial. Então os cursos acabaram diminuindo o seu tíquete médio e aumentando o alcance. É muito interessante porque hoje a gente vê alunos não só de todo o Brasil, mas também de muito mais classes sociais”.

A maior perda com o ensino à distância, de acordo com Hendel, foi com a criação de redes de relacionamento que é incomparavelmente maior no presencial do que no digital. O trabalho remoto também trouxe novas demandas aos líderes e gestores, aspectos que têm sido levado em consideração nos diversos cursos oferecidos pela escola: 

“As empresas que se destacaram foram as empresas que priorizavam a gestão pautada em pessoas, focada na conexão e empatia para as pessoas O líder fez toda a diferença. Gerando empatia, compartilhando suas vulnerabilidades, falando de suas falhas, seus acertos, seu aprendizado. A humanização líder: esse é o grande pulo do gato para se conectar à distância com suas equipes”. 

Com apenas 30 anos, Hendel, assim como seus dois sócios fundadores, também usam de sua experiência no empreendedorismo para ajudar outras pessoas a alavancarem os seus negócios. No programa Mundo Corporativo, ele deixou algumas sugestões para quem pretende iniciar seu empreendimento:

  • Construa o seu produto com o cliente e não para o seu cliente
  • Experimente, não tenha medo de errar
  • Esteja disposto a testar
  • Lance o MVP ou o Produto Mínimo Viável
  • Leve para o mercado o mais rápido possível
  • Observe, escute, aprenda e mude

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no canal da CBN no Youtube, no Facebook e no site da CBN. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo, e pode ser ouvido a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.