Avalanche Tricolor: a homenagem a Valdir Espinosa

 

 

Grêmio 3 x 0 Juventude
Gaúcho — Arena Grêmio

 

 

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O luto por Espinosa em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPS


 

 

Havia algo especial naquele ambiente. E não era o fato de a partida se iniciar às 11 da manhã, em um sábado pós-Carnaval — coisa rara e justificável diante das prioridades do nosso calendário futebolístico, em 2020. Nem mesmo a escalação proporcionada por Renato com três dos reforços contratados este ano formando o time principal: Caio Henrique, Orejuela e Thiago Neves, que se juntaram a Vanderlei, Lucas Silva e Diego Souza —- estes últimos também novos no elenco mas que já vinham atuando há mais tempo entre os titulares.
 

 

Meu olhar a cada instante se perdia da bola que era trocada com habilidade, no gramado bem acabado da Arena, atraído pelas homenagens a Valdir Espinosa, que morreu aos 72 anos, na quinta-feira, após complicações pós-operatória, no Rio de Janeiro. Havia trapos estampando o rosto dele e faixas estendidas com mensagens de carinho, pelas arquibancadas. Em campo, nossos jogadores ostentavam a braçadeira de luto com a imagem de Espinosa e os dizeres “Eterno Campeão”. Na casamata, Renato vestia a camisa com o número 72 às costas e o agradecimento no peito: “Obrigado Espinosa”.
 

 

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A homenagem de Renato em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA


 

 

Temos muito a agradecer a Espinosa. Nos deu o maior de todos os títulos que poderíamos sonhar. Foi o técnico campeão do Mundo, em 1983. Antes, já havia nos feito campeão da Libertadores e comandado a equipe em partidas épicas que forjaram nossa identificação com a Imortalidade.
 

 

Em 2017, quando tive oportunidade de conversar com ele pela última vez, em entrevista ao programa Bola da Vez, da ESPN, demonstrou uma das suas grandes habilidades em vida: contar histórias. Seus títulos, seus feitos e sua experiência por si só eram gigantescos —— pergunte ao torcedor do Botafogo e do Cerro Portenho —-, porém quando contados por ele próprio tornavam-se ainda mais extraordinários.
 

 

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O dia em que tive o prazer de entrevistar o ídolo, reprodução ESPN


 

 

Espinosa era ser humano especial. Tratava as pessoas com carinho. Era simpático e divertido. O admiro desde criança quando meu pai, pelas mãos, me levava ao estádio Olímpico para ver o Grêmio treinar, no início dos anos de 1970. Era uma época em que arriscava chutes e caneladas jogando na escolinha de futebol gremista na mesma posição que ele, lateral. Mais tarde, quando foi técnico, entre os anos de 1982 e 1984, compartilhava com o pai seu conhecimento estratégico em montar equipes.
 

 

Para chegar ao título de 1983, por exemplo, Espinosa foi inteligente ao perceber que a maneira como o Grêmio jogava era semelhante ao do seu adversário na final, o Hamburgo, e por serem os alemães mais bem preparados fisicamente do que os brasileiros teríamos de surpreendê-los. Foi quando decidiu, com a diretoria do Grêmio, liderada por Fábio Koff, contratar jogadores com a habilidade de Paulo César Caju e Mário Sérgio, que dariam ainda mais talento ao nosso meio de campo, conseguiriam segurar a bola e conter a correria do adversário, oferecendo espaço para que Tarciso e, especialmente, Renato brilhassem lá na frente.
 

 

Quando Espinosa e o pai se encontravam, havia quase que um ritual: o pai o chamava de Alan Delon, devido a aparência física e os olhos azuis que sempre foram marcantes; e Espinosa engrossava ainda mais a voz para imitar o grito de gol-gol-gol que marcou a carreira do pai. Eu, orgulhoso e em silêncio, assistia ao encontro dos meus dois ídolos.
 

 

Hoje, nenhum deles está mais por aqui. O pai morreu ano passado. Espinosa na semana que passou. Os dois me deixam saudades. E o Grêmio, como ponto a unir nossas lembranças.

Conte Sua História de São Paulo: os jogos de bola na Rua do Bispo

 

Sérgio Sayeg
Ouvinte da CBN

 

 

Quando criança, costumava jogar futebol a 50 metros de casa, em um terreno baldio, no Paraíso. Ficava numa rua simpática e pouco movimentada que começava onde os bondes faziam um balão, no início da Av. Paulista, e terminava próximo a um campo de futebol de várzea por onde viria a passar a Av. 23 de Maio. Chamava-se Rua do Bispo.

 

Muitas ruas carregavam normalmente nomes singelos. Uma ou outra recebia um nome de algum personagem histórico. Mesmo nesses casos, a população tratava de adotar uma simplificação, dispensando-se de memorizar nomes extensos. A Av. Brigadeiro Luís Antonio virou Brigadeiro; a Rua Teodoro Sampaio, Teodoro; a Praça Ramos de Azevedo, Praça Ramos etc.

 

Moleques peraltas, não nos incomodávamos de jogar bola em campos improvisados sobre paralelepípedos desencontrados. Os automóveis passavam numa frequência inimaginável para os padrões atuais, ao que conferíamos ao solitário usuário da via, reverência, interrompendo o jogo até o proprietário do veículo importado acabar de desfilar sua altivez motorizada.

 

Aquela região concentrava igrejas importantes e suntuosas, como a N. Sra. do Paraíso (árabe melquita), a Ortodoxa e a Sta. Generosa, sem contar o colégio religioso Maria Imaculada. Nada mais natural que denominar aquela rua, que ladeava o circuito episcopal de Rua do Bispo.

 

Todo o fim de semana reuníamo-nos ‘religiosamente’ na Rua do Bispo, para jogar uma nada pecaminosa ‘pelada’. Simpática rua. Vivíamos no paraíso, até revogarem o nome da Rua do Bispo, que passou a se chamar rua Desembargador Eliseu Guilherme.

 

As placas afixadas nos muros das casas, que outrora exibiam aquele prosaico letreiro de apenas cinco caracteres, estamparam a nova denominação, onde dezenas de letras se atracavam para não ficarem de fora daquele nome que ninguém conseguia decorar. Os encontros futebolísticos, agendados para a rua do bispo, passaram a ser marcados ‘para a esquina’.

 

Pode ser que esteja empenhado nesta insana cruzada para recuperar o título sagrado do pontífice anônimo, cometendo irreparável injustiça com o Dr. Guilherme. É possível que fosse alguém de bem. A verdade é que lhe criei certa antipatia, talvez improcedente, pelo fato de ter usurpado o nome original daquela rua tão marcante de minha infância. O homem…nageado deve estar se remoendo no caixão por ser tratado de maneira tão vil e descortês por esse escriba fariseu mal informado. Preferiria talvez ter o desembargador esse assunto desembargado de polêmica. O fato é que o seu nome ficou fincado na Rua do Bispo, como eu, insubordinadamente, continuo a chamar, indiferente aos olhares perplexos dos atuais moradores, desinformados das peculiaridades históricas daquele logradouro.

 

O tempo passou, o leviatã urbano irrompeu, rendeu os paralelepípedos irregulares, os bondes, os campos de várzea e os prelados anônimos, o Paraíso virou inferno. Mas continuo a lembrar-me da Rua do Bispo com saudade…

 

Sérgio Sayeg é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br

Sua Marca: as lições de Machado de Assis

 

 

“Entenda muito mais profundamente as pessoas, os consumidores, ao invés de vê-los superficialmente apenas” Jaime Troiano

No conto “O espelho — esboço de um nova teoria sobre a alma humana”, de Machado de Assis, o personagem principal é um alferes da Guarda Nacional, chamado Jacobina, que ficava encantando com a reverência dos outros diante de sua farda, e passou a se identificar não pelo que era, mas pelo que aparentava ser. Inspirados nessa que é uma das mais conhecidas histórias do escritor, Jaime Troiano e Cecília Russo chamam atenção dos gestores de marcas para a responsabilidade que devem ter na relação com os consumidores.

 

Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília diz que quando usamos um relógio, um computador ou consumimos um determinado alimento, estamos pegando emprestado os atributos daquela marca. É como se fosse o fardamento de Jacobina ou a criação de um nova persona, que segundo Carl Gustav Jung, é uma máscara social com a qual nos apresentamos diante das outras pessoas:

“A armadilha, o perigo é quando essa máscara social, ou quando essa marca nos engole, ela representa quem eu sou, já não consigo me ver sem usar aquela marca”.

Os profissionais de branding precisam estar atentos aos efeitos dessa relação, tomando o cuidado para não permitirem que a marca provoque um eclipse ou uma ocultação da pessoa.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é apresentado por Mílton Jung e vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: inovar é poupar o tempo do seu cliente, diz Arthur Igreja

 

“Inovação é resolver algo de uma forma nova e mais eficiente, mais eficaz, então, se você conseguir fazer isso por simplificação de processos essa é uma belíssima inovação e que não depende de tecnologia alguma” — Arthur Igreja

O consumidor moderno é mais ansioso e bem informado — e assim tem maior capacidade de comparar produtos e serviços para escolher aquele que vai resolver o seu problema, poupando tempo e oferecendo simplicidade. Arthur Igreja, professor da FGV e palestrante, alerta que as empresas que não forem competentes para encontrar soluções e criar processos ágeis serão “engolidas” pelos concorrentes.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Igreja lembra que os gestores precisam entender a jornada do seu consumidor.

“Muitas pessoas são leais a uma empresa porque eles não encontraram uma alternativa; então, esse é que é o perigo: achar que o seu consumidor está satisfeito. A única forma de descobrir isso é sendo cliente da sua própria empresa e conversando, perguntando para o usuário final onde incomoda, onde ele perde tempo, onde tem muito documento, muita burocracia?”

Autor do livro “Conveniência é o nome do negócio —- descubra como a inovação pode facilitar a jornada do seu consumidor e multiplicar seus resultados” (Planeta Estratégia), Igreja recomenda que o empresário antes de pensar em desenvolver alguma solução própria, tendo de investir muito dinheiro —- o que acaba se transformando em uma barreira para a inovação —-, observe o que já existe no mercado.

“(é preciso) ter obsessão por poupar o tempo do usuário final … será que não podemos eliminar um formulário por dia, por exemplo?”

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, às 11 horas, pelo Twitter @CBNoficial ou pela página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, 10 da noite, em horário alternativo; e a qualquer momento em podcast.

Enquanto a vacina não vem, lave bem as mãos e ajude a combater a Covid-19

 

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Máscaras desaparecem das farmácias e passageiros já desfilam no metrô de São Paulo com a boca encoberta. Os estoques de álcool em gel são insuficientes para o tamanho da procura. Clientes suspendem compras (?) da China. Viajantes recém-chegados recebem olhares desconfiados. Um espirro exagerado assusta os mais próximos —- os descolados arriscam uma piada de mal gosto.

 

As agências de viagens atendem clientes inseguros e dispostos a adiar as férias no exterior, enquanto eventos estão sendo reavaliados e até se fala em cancelamento dos Jogos Olímpicos no Japão.

 

O surgimento do novo coronavírus há pouco mais de dois meses, na China, têm causado mudanças de comportamento, sustos e estragos de todo tipo: os mais graves são humanitários, com a morte de mais de 2,8 mil pessoas. Tem gente perdendo dinheiro, também. Investidores, na bolsa. Empreendedores, no bolso.

 

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Arte Hospital Albert Einstein

 

Por outro lado, laboratórios, farmacêuticas, médicos e cientistas estão em uma corrida pelo medicamento mais eficiente —- algo que funcione mais do que chá de erva doce, recomendado em uma dessas mensagens que contaminam a internet com velocidade maior do que a do próprio vírus.

 

A todo momento, surge a informação de testes e estudos que avançam no sentido de encontrar a vacina capaz de conter a disseminação da Covid-19.

 

A Novavax, com base na experiência com outros coronavírus, incluindo MERS e SARS, diz que concluiu com êxito as etapas preliminares para desenvolver candidatos viáveis à vacina.

 

A Moderna, concorrente no campo da biotecnologia, alardeia que em tempo recorde lançou o primeiro lote de mRNA-1273, vacina que entrará na fase 1 de testes, nos Estados Unidos.

 

É de lá também —- os Estados Unidos — que vêm informações de que um médico brasileiro —- gaúcho de Bagé, para ser mais preciso —- é o responsável pelo ensaio clínico que testa o remédio considerado de maior potencial para curar a Covid-19. Conforme o portal G1, o doutor André Kalil lidera uma equipe de profissionais, no centro médico da Universidade do Nebraska, que vai testar a eficácia da droga Remdesivir, antiviral da farmacêutica Gilead Sciences, desenvolvido para tratar a doença do vírus Ebola e infecções do vírus Marburg.

 

Abril, maio ou junho. Conforme a fonte da informação e o atrevimento do cientista, mudam os prazos para uma ou outra droga estar pronta. O certo é que quem conseguir oferecer o medicamento mais cedo e com maior precisão colocará à mão no dinheiro que empresas e governos estão dispostos a pagar para conter o avanço da Covid-19.

 

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Arte: Hospital Albert Einstein

 

Até aqui, gente bem conceituada aposta que o vírus veio para ficar. É o caso do chefe do Departamento de Epidemiologia da Universidade de Harvard, Marc Lipsitch. Calcula que entre 40% e 70% da população serão infectadas pelo novo coronavírus — o que não significa que todos morreremos. A maioria talvez nem saiba que esteve contaminada e outros tantos sentirão um mal-estar que mais se parecerá com uma “gripe”.

 

A propósito, o governo anunciou hoje que vai antecipar a campanha de vacinação contra a gripe e a expectativa é que, desta vez, a adesão seja altíssima —- devido ao coronavírus e não à gripe, que a maioria, erroneamente, ainda acha que é coisa pouca.

 

Hoje, também, uma rede de laboratórios, o Grupo Dasa, informou que coloca, nesta sexta-feira, 28, à disposição de seus clientes, o serviço de Atendimento Domiciliar para coleta do exame de diagnóstico coronavírus. “Temos mais de 800 unidades espalhadas pelo país, com grande circulação de idosos e pacientes com doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e câncer, que são grupos de risco. Para evitar a disseminação do vírus, disponibilizamos a coleta apenas via unidades hospitalares e Atendimento Domiciliar”, disse Emerson Gasparetto, vice-presidente da área médica da Dasa.

 

É preciso ter pedido médico e indicação clínica: febre acompanhada de sintomas respiratórios (tosse, espirros, aperto no peito, dificuldade para respirar, falta de ar), ter viajado para países com a epidemia instalada, como a China (nos 14 dias anteriores, período de incubação do vírus) ou ter tido contato com um caso suspeito ou confirmado do novo coronavírus.

 

Também tem de ter R$ 280,00 para pagar o exame.

 

 

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Arte: Hospital Albert Einstein

 

 

Diante desta “infodemia” — não me queira mal por usar a expressão, apenas repito o que ouvi o ministro da Saúde, Luis Henrique Mandetta, dizer em entrevista aos colegas jornalistas, em Brasília —-, faço o que me cabe: lavar bem a mão com água e sabão, cobrir meus espirros com o braço e cancelar por ora a roda de chimarrão.

Marcas que fazem a coisa certa

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

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USPS foi a marca mais confiável nos EUA foto: Pixabay

 

Ao ouvir o “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, de Jaime Troiano e Cecília Russo, no Jornal da CBN, quando apresentaram o resultado da pesquisa de satisfação das marcas no mercado americano da “Morning Consult”, automaticamente associei  a conceitos elaborados em “Posicionamento – a batalha pela sua mente”, de Al Ries e Jack Trout, desenvolvidos na década de 1980, que revolucionaram o conhecimento de Marketing.

 

Antes vamos a explicação de Cecília Russo sobre a pesquisa e a seguir a reprodução das 25 primeiras marcas:

“Quanto você acredita que esta marca faz a coisa certa? ” —- foi a pergunta que a Morning Consult fez aos consumidores para descobrir quais as mais confiáveis, nos Estados Unidos. Os pesquisados podiam responder “muito”, “pouco”, “não muito”, “não faz nada” e “não sei”. Para saber a opinião sobre cerca de 2 mil marcas, a consultoria ouviu em média 16.700 pessoas por marca, resultando no maior estudo do gênero já realizado.

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Na teoria de Ries e Trout:

– É melhor ser o primeiro no mercado, do que ser o melhor. É uma batalha de percepção, e de ocupar espaço original na mente do consumidor.

 

– Os líderes de categorias dificilmente perdem a posição, e isto pode ser constatado na comparação das marcas com 50 anos de mercado.

 

– É uma luta entre categorias mais do que de marcas.

Analisando a pesquisa, Troiano e Cecília chamam a atenção pela tradição do serviço postal, que naturalmente ocupa a primeira posição, correspondendo ao pioneirismo e ao currículo da marca, envolvido na história da nação americana. Evidenciam também o fato das contemporâneas marcas virtuais encabeçarem a seguir as primeiras posições. O que reafirma os princípios do pioneirismo e suas vantagens, de acordo com Ries e Trout.

 

Nesse aspecto, quem, há vinte anos, vivenciou as pioneiras atividades das empresas virtuais testemunhou a incredulidade da maioria dos agentes do mercado a respeito de sua continuidade.

 

Será importante que a descrença com o novo daquela época sirva de lição às gerações futuras, para poderem discernir e aproveitar novas categorias de negócios que certamente virão.

 

A durabilidade das marcas fica clara se atentarmos na tabela das 25 onde predominam ícones do mercado americano com 50 anos ou mais.

 

Nas marcas criadas por categorias específicas, podemos destacar, por exemplo, a Crest, “combate a cárie”; FedEx, “entrega de pacotes em 24hs”; Netflix, “streaming de preço acessível”.

 

Enfim, vale o recado de Jaime e Cecília, que é fundamental para a marca entregar o que se promete, para obter a confiança, moeda valiosa de troca.

 

Vale também ouvi-los.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Sua Marca: pesquisa diz em quem o consumidor mais confia, nos EUA

 

 

“Confiança é um atributo essencial, é um primeiro passo, sem isso você não cria alianças (com o consumidor)” —- Cecília Russo

“Quanto você acredita que esta marca faz a coisa certa?” —- foi a pergunta que a Morning Consult fez aos consumidores para descobrir quais as mais confiáveis, nos Estados Unidos. Os pesquisados podiam responder “muito”, “pouco”, “não muito”, “não faz nada” e “não sei”. Para saber a opinião sobre cerca de 2 mil marcas, a consultoria ouviu em média 16.700 pessoas por marca, resultando no maior estudo do gênero já realizado.
 

 

De acordo com a pesquisa, a USPS —- United States Postal Service se destacou em primeiro lugar com 42% das pessoas ouvidas dizendo que a empresa postal americana faz “muito” a coisa certa. Entre as cinco mais bem avaliadas, prevalecem empresas do setor de tecnologia, como pode-se perceber no quadro a seguir:

 

 

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No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo apresentaram os resultados da pesquisa da Morning Consult e chamaram atenção de empresas e gestores da importância de se medir a confiança do consumidor.

 

Em conversa com o jornalista Mílton Jung, eles lembraram que no Brasil também são desenvolvidos trabalhos semelhantes, como o da revista Seleções, que chegou a sua 18ª edição, tendo como destaque também marcas do mundo digital — casos da iFood e da Uber.

“Confiança é a moeda de troca mais importante no momento; a gente sabe quanto confiança gera possibilidades futuras de desenvolvimento” — Jaime Troiano

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de São Paulo: as brincadeiras com xiringa no Carnaval da Vila Bonilha

 

Helena Francisca de Oliveira
Ouvinte da CBN

 

 

Gosto de relembrar minha infância entre as décadas de 1960–1970. Morávamos num bairro da periferia, a Vila Bonilha, na rua então chamada “Dona Cecília”. Naquela época, como no romance, “éramos seis”: meus pais, dois irmãos, uma irmã, e esta que escreve — uma menininha magricela, cheia de alegria e imaginação. Nossa vida era simples, meus pais faziam o impossível para que não nos faltasse o essencial. E o essencial, tanto material quanto emocional, nunca nos faltou.

 

Lembro-me de quando nos sentávamos na cama da minha mãe, quatro pares de ouvidos atentos às histórias que ela nos contava enquanto esperávamos que meu pai chegasse do trabalho, no trem que se aproximava da “paradinha”. Na “paradinha”, hoje estação do Piqueri, nem todos os trens paravam. Não era uma estação de trem oficial, era uma Parada da companhia Estrada de Ferro Santos—Jundiaí. Sabíamos exatamente quando o trem havia parado ou não: acompanhávamos tudo pelo som! E quando ele parava, aumentava nossa alegre ansiedade, já que o pai bem podia ter chegado nele, e isso significava ganhar carinho, ouvir alguns “causos” e saborear as balinhas coloridas ou as deliciosas paçoquinhas que ele sempre nos trazia.

 

Lembro-me de datas especiais, como o Natal … como o Carnaval.

 

Brincávamos na rua de xeringa, cada um enchendo a sua com água e espirrando nos coleguinhas. Que farra! Íamos aos bailinhos da matinê no salão da subestação que ficava do outro lado da linha do trem. Minha mãe costurava alguma fantasia, nos abastecia com confetes e serpentinas e nos levava para a folia:

 

“ …menina, você é um doce de coco, tá me deixando louco, tá me deixando louco”…

 

Eu me lembro com clareza do tempo em que minha rua era de terra, depois recebeu um calçamento de paralelepípedos que a deixou ainda mais encantadora.

 

Brincávamos até tarde da noite: bicicleta, roda, boneca, pião, queimada, pega-pega … e o que mais nossa imaginação sugerisse. Ainda me recordo da noite em que as luzes de mercúrio se acenderam pela primeira vez na Rua Dona Cecília! Que festa fizemos! E, naturalmente, naquela noite a brincadeira terminou ainda mais tarde…

 

O tempo passou, a Dona Cecília, hoje com outro nome, continua lá, no mesmo lugar, mas há muito deixou de ser a rua da minha infância. Uma parte de nossos vizinhos teve que deixar suas casas, ainda na época da minha adolescência, por conta de uma tal avenida que passaria por ali – o que não aconteceu até hoje, quase trinta anos depois…

 

Minha rua encantada perdeu o encantamento, mas às vezes acontece, quando passo por ela, de eu vislumbrar um pedacinho de paralelepípedo meio descoberto por uma falha no asfalto e, então, é como se ela se reencantasse, me carregando de volta ao tempo em que, em sua simplicidade, era a rua mais linda que eu já vira. E nesse breve instante, envolvida pelas lembranças, consigo ouvir nossas vozes infantis em meio às brincadeiras, os risos e o alarido alegre… E, no fundo, lá longe, como num sonho… a voz de minha mãe me chamando de volta para casa.

 

Helena Francisca de Oliveira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br

Mundo Corporativo: Luiz Gaziri diz como a ciência da felicidade pode transformar sua relação com o trabalho

 

“As pessoas tem de ter uma consciência do que é verdadeiramente felicidade. Os cientistas definem como felicidade a alegria que a gente sente antes, durante ou depois de praticar certa atividade, especialmente atividades que usam os nossos pontos fortes” —- Luiz Gaziri, professor

Ser feliz no ambiente corporativo é meta impossível de ser alcançada para muitos profissionais, especialmente levando em consideração a tensão, a cobrança e a competitividade que encontramos nas empresas. A barreira, porém, pode estar não nas características do mercado de trabalho que vivemos mas nos aspectos em que depositamos nossos esforços em busca da felicidade

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, o consultor Luiz Gaziri chama atenção para o fato de que este sentimento, ao contrário do que se costuma acreditar, não depende de dinheiro, reconhecimento ou pensamento positivo”

“A relação do dinheiro com a felicidade está muito mais na forma como você gasta o seu dinheiro e muito menos relacionado com o quanto você ganha …”

“O reconhecimento também cai nesta parte da adaptação hedônica, porque chega em um certo momento em que a gente se acostuma a receber reconhecimento das pessoas então ele não traz efeito positivo ..”

“A gente acreditar que pensar positivo vai fazer o mundo, o universo conspirar ao nosso favor, não vai funcionar, porque a gente precisa de ação para fazer as coisas acontecerem na nossa vida”

No livro “A ciência da felicidade —- escolhas surpreendentes que garantem o seu sucesso” (Faro Editorial), Gaziri sugere que se use o dinheiro para ajudar outras pessoas ou para experiências que serão guardadas para toda a vida; que não se dependa do que o outro pense de nós, e, sim, se reconheça o valor das outras pessoas; e, finalmente, que se pense negativo, ou melhor, que se identifique os pontos negativos e os perigos que podem impedir que se alcance nossos objetivos.

 

Seis variáveis que podem ser usadas como meta para aumentar a nossa felicidade:

 

  1. Saber gastar o nosso dinheiro bem
  2. Ser grato, lembrar das coisas boas que se tem na vida
  3. Reconhecer os outros
  4. Ajudar as pessoas
  5. Cultivar emoções positivas
  6. Quando você estiver com alguma pessoa, esteja de verdade com ela (relacionamentos são previsor número 1 de felicidade)

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN, no Facebook. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN e tem as colaborações de Gabriela Varella, Arthur Ferreira, Rafael Furugen, Izabela Ares, Debora Gonçalves e Priscila Rubiotti.

Shoppings brasileiros têm números expressivos em 2019 e apresentam suas credenciais para 2020

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Um setor da economia que recebe mensalmente 2,4 vezes a população do país – 502 milhões de visitantes/mês – inegavelmente é um agente econômico importante. Pois bem, estamos falando dos Shopping Centers, que através da ABRASCE, entidade que os representa, relata os dados econômicos positivos de 2019, e expressa otimismo em relação a 2020.

 

Com o crescimento de 7,9% das vendas, perfazendo R$ 192 bilhões, demonstra força, refletida de forma fragmentada em outros índices:

 

— os 502 milhões de visitantes correspondem ao crescimento de 2,5%;

 

— aumento de 2,4% no número de Shopping Centers,

 

— aumento de 2,7% na ABL,

 

— aumento de 2,5% nas salas de cinema,

 

— aumento de 1,6% na criação de empregos,

 

— aumento de 0,6% no número de lojas.

 

Os números totais também são expressivos:

 

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A esta evolução, as datas marcantes apresentaram índices de aumento acima da curva, ou seja, Black Friday, 19,7%, dia das crianças 9,9% e dia das mães 9,7%.

 

O papel de ponto de entretenimento, convergência e conveniência desempenhado pelos Shopping Centers tem nos cinemas a expressão evidente desta configuração, pois abriga 77% de todas as salas do país.

 

Não é por acaso que os executivos de grandes empreendimentos do setor, se expressaram de forma seguramente positiva, no relatório da ABRASCE. Além dos dados favoráveis registrados, todos têm apostas fortes em ações inovadoras.

 

Marcos Carvalho, da Ancar Ivanhoe, está apostando na gamificação, nos aplicativos, no delivery e na realidade aumentada, para manter conectada a sua cadeia de Shopping Centers com novas demandas que já despontam. Aproveitando o fator localização privilegiada instalará em mais de 12 unidades, pontos físicos para a retirada de pedidos do e-commerce dos seus clientes, os lojistas. Para isto “iFood” e Delivery Center estarão atendendo todas as demandas.

 

Leandro Lopes, da Aliansce Sonae, ressalta a instalação de fazendas urbanas Be Green nos empreendimentos do Grupo, para a produção de hortaliças frescas sem uso de agrotóxicos. Água e tecnologia 4G para o controle da operação são suficientes. A presença do mundo virtual foi evidenciada pela parceria com o “IFood”, que continuará incrementando os serviços de entrega dos lojistas partindo dos hubs criados. Para acompanhar as tendências que virão no varejo foi feita a união com a Fábrica de Startups.

 

Vander Giordano, da Multiplan, acredita que a SUSTENTABILIDADE será o conceito que ditará as regras de consumo daqui para a frente. Por isso, no ano passado foram instaladas usinas fotovoltaicas gerando 100% da energia para o Shopping Village Mall. Reduzindo a conta de energia e a emissão de poluentes — equivalentes ao plantio de 16.720 árvores/ano ou, em 25 anos, a emissão de 227 mil toneladas de gás carbônico. Ao mesmo tempo, os investimentos na Delivery Center, operação que conecta o físico com o virtual, terá a função de facilitar a “omnicanalidade” dos lojistas.

 

É promissor observar que este gigantesco negócio dos Shopping Centers, que deixou passar ao largo o e-commerce dos Market Places, figurando só agora como coadjuvante, está vislumbrando a SUSTENTABILIDADE como uma oportunidade.

 

E é uma oportunidade única, porque envolve a tarefa de preservar, além de ganhar.

 

O Planeta agradecerá!

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.