A hora em que o jornalismo profissional se diferencia da rede social

 

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Esta quinta-feira transformou-se em mais um daqueles dias que devem servir de referência para nossas conversas com estudantes de jornalismo —- especialmente estudantes de jornalismo, apesar de que não custa nada estender o tema a todos que confundem mensagens publicadas em rede social com notícia. E não é pouca gente que faz isso.

 

Aliás, tem gente graúda que mistura essas coisas.

 

Alain de Botton, filósofo pop, nascido na Suíça e erradicado na Inglaterra, autor do livro “Notícia: um guia de sobrevivência” (Intrínseca), é um deles —- e que isso não seja visto como forma de desmerecer seu trabalho. Longe de mim ter essa pretensão. Respeito muito o que escreveu e tenho sua publicação não apenas guardada em lugar especial em minha biblioteca como cito o autor em todas as minhas palestras sobre comunicação.

 

Botton ao descrever um fenômeno típico da sociedade contemporânea que é a busca incessante por informação, provocada principalmente pela facilidade proporcionada pelas redes sociais, diagnosticou que somos viciados em notícia — o que justificaria, segundo ele, o engajamento do público diante de fatos que podem estar relacionados tanto a um desastre humanitário quanto ao relacionamento amoroso de celebridades.

 

Discordo do diagnóstico feito pelo filósofo.

 

Primeiro, porque se é verdade que o público é viciado em notícia e quem fornece essa “droga” é o jornalista, deixo de sê-lo para me transformar em traficante. Minha mãezinha querida que está lá no céu mas ainda conseguiu me aplaudir recebendo o diploma de graduação na faculdade de comunicação social da PUC, em Porto Alegre, certamente ficaria muito incomodada com o resultado do investimento que fez em minha carreira …. profissional.

 

Segundo, porque nem tudo que as pessoas consomem como se notícia fosse é notícia. Precisamos entender que informação não é sinônimo de notícia. O recado que seu filho mandou por WhatsApp para dizer que vai chegar mais tarde em casa é uma informação, mas não é notícia. A mensagem do amigo que está feliz com a promoção que recebeu no trabalho é informação mas não é notícia. O desaforo da namorada publicado em vídeo no Twitter porque você a desrespeitou é informação mas não é notícia.

 

Para ser notícia alguns requisitos são necessários, a começar por ser de interesse púbico ou afetar o público, direta ou indiretamente, ter relevância no meio em que circula, estar relacionado a um acontecimento novo ou esclarecimento de fatos, ter acontecido recentemente ou estar por acontecer.

 

Existem outros atributos fundamentais para que uma informação possa ser caracterizada como notícia. Tem de ter sua veracidade comprovada, estar baseada em fatos reais e ser devidamente apurada antes de ser apresentada ao público. Notícia é produto do jornalismo que precisa respeitar a hierarquia do saber, como me ensinou Zuenir Ventura, em entrevista que me concedeu, no Jornal da CBN, há alguns anos.

 

O jornalismo é a busca constante da verdade possível e isto exige apuração, construção de uma rede confiável de fontes, curiosidade para descobrir os fatos que estão encobertos e a precisão em seu relato.

 

O que mais recebemos ao longo do dia não é notícia, é apenas informação —- na maior parte das vezes de interesse privado e não publico. E essa diferença é fundamental para entendermos a doença que a sociedade contemporânea vem sofrendo. Por isso, em lugar de dizer que somos viciados por notícia prefiro dizer que sofremos de ansiedade informacional —- esse é nosso grande mal, que se expressa na pressa que temos em receber uma resposta a um WhatsApp enviado, assim como a enxergamos o “like” dos amigos na foto publicada no Instagram.

 

Essa ansiedade que é minha, é sua, é de todos nós jamais pode impactar a qualidade do serviço realizado por jornalistas profissionais. Se assim formos influenciados, deixaremos de cumprir a função para a qual nos dedicamos e desvalorizaremos o papel que exercemos na sociedade.

 

Lembro-me da campanha eleitoral de 2014 quando lamentavelmente o avião do candidato e ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos caiu em Santos, no litoral paulista. A informação do acidente chegou durante evento no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, e fez com que o então governador Geraldo Alckmin se retirasse de forma precoce da solenidade oficial. Os indícios da tragédia passaram a circular em alta velocidade. As redes sociais —- ocupadas por alguns colegas de profissão, inclusive —- já anunciavam a possibilidade da morte do político. Sim, a possibilidade porque a confirmação ainda não existia. As redações eram pressionadas pelo tempo, pelos chefes, pelo público e pela nossa própria ansiedade a transformar o rumor em notícia. Alguns se precipitaram, outros preferiram esperar. Infelizmente, todos acabamos noticiando a morte de Campos, porém em tempos diferentes. O tempo da prudência e da responsabilidade.

 

É isso que diferencia o jornalismo profissional dos protagonistas em rede social — estes não têm compromisso com a verdade, nós jornalistas somos reféns dela. Se entendemos nossa função diante da sociedade, temos de respeitá-la e buscarmos incansavelmente a verdade, com a agilidade que os novos tempos exigem e com a responsabilidade que a profissão demanda. Se ao público interessa a informação em primeira mão, ao jornalista cabe informar a notícia certa em primeira mão.

 

A ansiedade em ser o primeiro a dar as últimas, levou profissionais e outras pessoas a se precipitarem nessa quinta-feira, divulgando informações em rede social e em sites que não tinham sido confirmadas, causando constrangimento àqueles que eram afetados diretamente pelos rumores que circulavam e antecipando uma comoção de maneira irresponsável no público. Pode até ser que esses fatos se confirmem ao longo das próximas horas, mas nenhum jornalista profissional deve se orgulhar de tê-los publicado antes de se certificar da verdade. Principalmente quando esses rumores se referem à vida humana.

 

É nesta hora que o jornalismo profissional se difere — ou deveria — das redes sociais.

Fique atento: nova lei pode mudar seu bairro, sua rua e a sua casa em São Paulo

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Foto de Ana Lucia Vieira Santos FLICKR CBN SP

 

A lei de Zoneamento em vigor na cidade de São Paulo foi criada em 2016, mas está prestes a ser modificada pela prefeitura. Uma das principais mudanças é em relação a altura máxima permitida em construções na cidade.

 

Em zonas centrais, o limite em vigor é de 48 metros e pode passar para 60 metros — um prédio de nove andares teria autorização para ter de 16 a 18 andares. Em áreas mistas, dos atuais 28 metros, as construções poderão chegar a 48 metros.

 

Diante do incômodo de mexer em tão pouco tempo nas ainda novas regras levou o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Fernando Chucre, a dizer que as mudanças não afetarão a Lei de Zoneamento. É até vantajoso, disse ele, pois ter um prédio mais alto é melhor do que ter dois baixos. Como se vigorasse apenas a taxa de ocupação, e volume não entrasse na conta e no conceito de zoneamento.

 

Ocorre que zoneamento é o conjunto de índices urbanísticos que definem a tipologia das construções. E o coeficiente de aproveitamento é parte integrante destes índices.

 

Ainda justificando a necessidade de mudança em Lei tão nova, o secretário argumentou que havia necessidade de responder a compromissos estabelecidos. Ao ser arguido com quem eram esses compromissos, não respondeu, o que voltou a acontecer no caso de algumas perguntas feitas durante o evento.

 

A fala dele se deu na primeira audiência pública do Projeto de Lei de alteração da Lei 16402/2016 do Parcelamento do Uso e Ocupação do Solo. Realizada sob a direção da Secretaria Municipal De Desenvolvimento Urbano, no dia 13, na região Sul. A seguir virão as audiências nas regiões Norte, Oeste e Leste.

 

No dia 31 de outubro, o prefeito Bruno Covas divulgou a minuta do Projeto de Lei proposto que altera o zoneamento de São Paulo, fato que chegou ao meu conhecimento através do Movimento Defenda São Paulo por sua diretora executiva, a arquiteta Lucila Lacreta. Conhecedor da sua performance urbana no contexto da cidade de São Paulo, procurei ouvir o seu relato sobre o acompanhamento do tema, a começar pelo acima exposto.

 

Lucila, conjuntamente com o Instituto dos Arquitetos e 18 entidades representativas de moradores, está arguindo a Prefeitura. Querem saber:

Se fez os estudos técnicos para justificar o aumento da verticalização?

 

Se a capacidade de suporte da infraestrutura aguentará o volume construtivo?

 

Se as áreas verdes serão mantidas?

 

E se a sustentabilidade ambiental estará garantida?

 

De um lado busca acompanhar todas as etapas desse processo para conferir o cumprimento da lei, que exige a participação dos moradores desde o início do projeto. Pretende também que as entidades representativas da população tenham a mesma atenção que as corporações.

 

Daí a importância da solicitação de uma reunião com Bruno Covas para que além dos aspectos técnicos, econômicos e jurídicos envolvidos, possa cobrar isonomia no atendimento. Notoriamente há uma disponibilidade maior às entidades empresariais. Tanto que os compromissos estabelecidos, dito por Chucre, levam a crer que sejam com as corporações do mercado imobiliário.

 

Esta é uma pauta que poderá mudar seu bairro, sua rua e sua casa. E a minha também.

 

Vamos monitorar.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Sua Marca: a história da pasta de dente que quis virar lasanha e os cuidados ao investir na extensão da marca

 

 

“Extensão de marcas é só para quem já está maduro e para quem enxerga o que sua marca tem de único para levar às outras categorias de produto” —- Jaime Troiano

A possibilidade de levar uma marca de sucesso para outras linhas de produtos é uma enorme oportunidade para as empresas — e muitas já desenvolveram projetos nesse sentido com resultados incríveis. No entanto, há riscos que devem ser levados em consideração antes de investir tempo e dinheiro nessa ideia. Jaime Troiano e Cecília Russo falaram sobre extensão de marca, com Mílton Jung, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN.

 

Se levarmos em consideração que a maior parte das marcas que conhecemos hoje foi criada no século passado, portanto já estão amadurecidas, faz todo o sentido planejar o uso desse ativo em outras linhas de produto, diz Cecília Russo. Porém, devem ser levado em consideração alguns fatores que são determinantes para o sucesso da ação, como lembra Jaime Troiano:

“Quando você quiser estender a marca, pense o que é que ela é, o que tem de único, que está no coração desta marca, que a representa mais do que tudo”.

Um bom exemplo foi o que a Dove desenvolveu ao identificar que a marca de seu produto original era o de um sabonete que hidrata a pele. Assim, decidiu-se lançar uma diversidade de produtos, mas todos relacionados a ideia de hidratação.

 

A Colgate, por sua vez, experimentou os dois lados da moeda. Com o sucesso de sua pasta de dente, estendeu sua marca a uma série de produtos de higiene bucal. Porém, errou feio quando associou o nome a uma lasanha, lançada na Itália.

 

A Bic que soube muito bem levar a ideia de produto descartável das canetas para linhas de isqueiro, entre outros segmentos, deu-se muito mal quando produziu calcinhas femininas descartáveis.Algumas regras básicas para quem planeja estender sua marca, segundo Jaime Troiano e Cecília Russo:

 

  1. Entenda o que sua marca tem de único
  2. Não negue a essência da marca-mãe
  3. Evite a arrogância corporativa
  4. Não fique refém de suas crenças
  5. Ouça seu consumidor

Avalanche Tricolor: o som das vaias

 

 

Grêmio 0x1 Flamengo
Brasileiro — Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

 

Gremio x Flamengo

Pepê em jogada de ataque, na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Foram tempos difíceis os que vivemos no início dos anos de 1970. Os campeonatos se sucediam e as derrotas se acumulavam. Nem estadual nem nacional. Jogar fora do país, apenas em amistosos. A pressão das arquibancadas era intensa. Derrubava-se técnico, trocava-se cartola e a vaia se misturava ao som da corneta de ar comprimido, marca registrada de nossa primeira torcida organizada, a Eurico Lara.

 

Lembro de um jogo pelo Campeonato Brasileiro, em 1975 —- acredito que tenha sido contra o Sport/PE —, em que torcedores revoltaram-se contra nosso time e passaram a explodir rojões próximo a casamata, onde ficavam o técnico e os reservas. Eu estava ali, ao lado deles enquanto os foguetes ensurdeciam nossos ouvidos e colocavam em risco a saúde de todos que estivessem à beira do gramado.

 

Apesar de muito guri, travestido de gandula, auxiliava Ênio Andrade levando e trazendo instruções para a equipe. Foi invenção dele, um dos maiores técnicos que o Brasil já teve e meu padrinho por adoção. Seu Ênio —- assim como todos os treinadores de futebol da época — não podia sair do banco de reservas, então criou a função de “pombo correio”, para a qual fui convocado e aceitei como um soldado diante de uma missão de vida.

 

Ao longo das partidas, seu Ênio me chamava, passava as orientações e eu caminhava até atrás do gol de Picasso, nosso goleiro, e transmitia o recado. Foi quando aprendi como é difícil a vida de treinador. Você dizia uma coisa e o time imediatamente fazia outra.

 

Naquela partida, foi triste ver que o time não andava como queríamos. E a torcida não perdoava. Vaiava. Gritava contra nossos jogadores. E passou a protestar com rojões. Saímos de campo protegidos pela polícia militar e assim que cheguei ao vestiário, comecei a chorar e fui consolado pelo abraço de um dos meus grandes ídolos, Yura. Ele chorou, também.

 

Minha tristeza não estava no resultado negativo e em mais um campeonato sem título, mas ao ver os torcedores do meu time protestarem daquela maneira. Para mim sempre foi muito frustrante ouvir a vaia do torcedor contra seu próprio time. Nunca gostei da ideia de atacar aqueles que vestem nossa camisa, por mais que muitos que a vestiram tenham feito por merecer.

 

Lembrei-me desta história ao longo do jogo dessa tarde, em Porto Alegre.

 

Ao menos dois dos nossos jogadores foram vaiados intensamente, André e Michel. Longe de imaginar que eles mereçam aplausos pela performance nesta temporada — especialmente nosso atacante deixou a desejar. Mas a vaia em um momento como o que estamos vivendo me parece injusto com o time. Pois, com certeza, mesmo que dirigida a um ou a outro atleta, sensibiliza o grupo e não faz justiça a tudo que eles, como grupo, já nos ofereceram de alegria.

 

Nós torcedores estamos sempre em busca de um bode expiatório e assim que o identificamos personificamos nele nossas fraquezas e frustrações. O time não ganhou, culpa dele. Jogou mal, é dele, também. Venceu mas não levou o título —- ah, se não fosse ele! É a justificativa que encontramos para não assumirmos que o adversário possa ser superior a nós.

 

Apesar de nossa vaga para a Libertadores do ano que vem ainda estar sob nosso controle, o resultado desta tarde não me deixou feliz. Lógico que não! Quero ganhar sempre. Mas foi o som das vaias que me entristeceu neste domingo.

 

É provável que muitos desses que estavam por lá reclamando nas arquibancadas da Arena não tenham ideia do que foram aqueles primeiros anos de 1970, no estádio Olímpico.

Conte Sua História de São Paulo: o autógrafo do Adoniran Barbosa

 


Jairo Marra
Ouvinte da CBN

 

 

No dia 24 de julho de 1978, fui ao antigo prédio do Estadão, na Rua Major Quedinho, ali na República, onde funcionava a Rádio Eldorado, para retirar o disco de chorinho do Carlos Poyares, gravado pelo Estúdio Eldorado, que funcionava no mesmo endereço. O LP ou o “long play” não estava ainda sendo comercializado nas lojas e era vendido diretamente pelo Estúdio, onde deveria ser retirado.

 

Pois bem, nesse feliz dia, encontrei o Adoniran —- sim, o Adoniran Barbosa —- sentado em uma poltrona na sala de espera que havia no estúdio. Bem vestido, usava gravata borboleta e segurava o seu inseparável chapéu — se não me falha memória.

 

Quando me entregaram o LP dentro de um envelope grande, branco, não tive dúvida e pedi o autógrafo do autor de Samba do Arnesto que guardo até hoje, com os dizeres: “

 

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Jairo Marra foi personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha contar mais um capítulo da nossa cidade. Escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: transformação digital cria empregos novos, diz Fernando Martins

 

 

“Cada tecnologia de automação elimina emprego. Isso não há dúvida. Mas ela também gera novos empregos. Então, a gente tem o desafio, não é de manter as pessoas no emprego de pouca utilização do cérebro …. é de capacitar essas pessoas para que elas possam ser, dar a manutenção nesses sistemas” —Fernando Martins, consultor em transformação digital

O impacto provocado pela transformação digital nos negócios e na vida das pessoas é inevitável e a velocidade com que isso tem ocorrido é cada vez maior. É preciso saber tirar proveito desse processo, com as empresas aprendendo a trabalhar com o enorme volume de dados gerados e os profissionais buscando o caminho do conhecimento em áreas e funções que não possam ser simplesmente substituídas por uma máquina.

 

O consultor de transformação digital Fernando Martins fala dessas mudanças em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN. Ele foi CEO da Intel por pouco mais de 19 anos e tem se dedicado a fomentar negócios com potencial para crescimento no cenário digital.

 

Um dos setores que têm se beneficiado do uso da inteligência artificial no Brasil é o agronegócio e várias têm sido as experiências desenvolvidas no campo que trazem maior eficiência ao produtor rural, conta Martins.

 

Um exemplo que ele apresenta é das máquinas computadorizadas que espalham esterco na terra onde será realizado o plantio. Uma função que era realizada por pessoas sem a precisão necessária para tirar o maior proveito do produto. Se por um lado esses trabalhadores perderam sua utilidade, por outro o agricultor precisou contratar especialistas em mecatrônica.

 

Para Martins são forças econômicas que estão causando essa transformação digital no mundo, a começar pelo fato de o custo computacional ter diminuído muito:

“Quanto custa tirar um foto no celular? Custa nada. Em 1984, custava U$ 100 armazenar uma imagem dessas em uma hard drive que custava U$ 2 mil e tinha capacidade de armazenar 20 megabytes; hoje, você consegue armazenar dados cada vez maiores, dados interessantes que antigamente você não conseguia armazenar”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo Twitter (@CBNoficial) e pela página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. O programa tem a colaboração de Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Isabela Ares e Débora Gonçalves.

Adote um Vereador: um bate-papo sobre cidadania, tecnologia e política municipal

 

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Havia um ar de agitação no entorno da mesa que reúne os integrantes do Adote um Vereador, no café do Pateo do Collegio, centro de São Paulo, no sábado à tarde. Pouco a ver com o que aconteceria a alguns quilômetros dali, na avenida Paulista —- onde cidadãos se pronunciariam a favor da prisão para condenados em segunda instância —-, ou bem mais distante do que já se realizava em São Bernardo do Campo —- onde Lula, livre, falava para seu público.

 

Ali, diante de uma mesa que acumulava copos de suco, xícaras de café, pratos de alguma refeição já consumida e muita curiosidade, estávamos todos sentados por uma mesma ideia —- mesmo que nossas ideias nem sempre sejam as mesmas. É uma característica do Adote um Vereador desde seu início, em 2008, reunir pessoas que pensam de maneira diferente mas se aproximam quando o assunto é valorizar o papel do cidadão.

 

A convite da Silma e da Lucia, que circulam também pelos conselhos de segurança de bairros da região central, o vereador paulistano Caio Miranda do PSB esteve por lá para conversar de política municipal, processos legislativos e outras pautas que surgissem ao longo da conversa.

 

Os encontros mensais do Adote não costumam ter pauta nem decisão formal. São informais por convicção. A partir das duas da tarde —- até um pouco antes —-, a mesa vazia começa a ganhar a presença das pessoas. Puxa-se a mesa vizinha a medida que as cadeiras não têm mais espaço. Há sábados —- e os encontros sempre ocorrem no segundo do mês —- em que basta uma mesa pequena. No desse fim de semana, tivemos de arrastar mesa e cadeira para caber todo mundo.

 

Os “velhos” agitadores de sempre estavam por lá. Uma gente que se mexe no bairro em que mora ou nas causas que defende. No Adote tem cidadão que milita pela saúde, pelo meio ambiente, pela limpeza pública, pelo uso da tecnologia ou pela melhoria de vida do outro e da sua região. Tem que milita por tudo isso e ainda mais.

 

Na mesa do café do Pateo não se faz nada —- além de conversar de maneira entusiasmada ou indignada. O que se faz, se faz longe dali. Na associação de bairro e na associação comercial, no conselho de seguranças e no conselho de parques, nos mais diversos fóruns e reuniões que ocorrem em algum canto da cidade. Se faz na câmara municipal, assistindo às reuniões de comissões, as votações em plenário e às audiências públicas. Participa-se de outros encontros promovidos na Casa, também.

 

Ao vereador, coube-me apresentar o grupo e nossas motivações. Não deixei de contar o que fizemos no “verão passado”, vivido nos primeiros cinco anos do Adote, quando éramos muito mais, espalhados, diversos e fuçadores — a ponto de provocarmos algumas mudanças de comportamento no legislativo e alcançarmos algumas conquistas como a publicação dos gastos dos vereadores e as transmissões de audiências e reuniões das comissões, na internet —- , um avanço importante que mexeu com a atitude de parlamentares e aumentou o quorum.

 

Caio Miranda expressou surpresa ao descobrir que quando começamos há 11 anos era tudo mato —- claro que a expressão é exagerada, mas que tínhamos acesso restrito às informações da câmara municipal de São Paulo, não tenho dúvida! Falou de procedimentos que atrapalham o trabalho legislativo, como o excesso de projetos de lei apresentados — a maioria sem respaldo jurídico para ter seguimento na casa, mas que muitas vezes vão em frente, congestionam a pauta e geram custo.

 

Ouviu sugestões de alguns dos nossos, especialmente da necessidade de se abrir cada vez mais a Câmara para a tecnologia, que ajuda no controle do gasto, na fiscalização dos atos e na agilidade dos processos. O tema da tecnologia seguiu na conversa quando falamos de limpeza pública e o vereador disse que pretende propor uma espécie de “ubernizarção” da coleta, como forma de evitar que o lixo permaneça mais tempo do que necessário na calçada e se combata os “pontos viciados”, onde a demora na retirada do material incentiva outras pessoas a acumularem ainda mais lixo.

 

Foi uma conversa saudável que tivemos, como sempre costuma ser.

 

Em particular, motivadora, pois confesso que esmoreço ao medir o resultado do Adote nesses últimos cinco ou seis anos. Mas quando deparo com a energia dessa turma e a crença de que se faz algo para melhorar a qualidade de nossa cidade, recarrego as forças para o próximo encontro, para o próximo ano.

Avalanche Tricolor: lição (fora) de casa

 

Chapecoense 0x1 Grêmio
Brasileiro — Arena Condá, Chapecó/SC

 

Gremio x Chapecoense

Luciano marca de bicicleta, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Em cinco jogos, cinco vitórias. Essa é a campanha do Grêmio desde que foi obrigado a se dedicar exclusivamente ao Campeonato Brasileiro. Nessas cinco rodadas, tinha um objetivo traçado, o qual está cada vez mais próximo, apesar de ainda não estar confirmado: voltar pela porta da frente a Libertadores. Para isso, precisa estar entre os quatro primeiros colocados até o fim do Brasileiro.

 

Sabia que para alcançar a meta precisaria recuperar os pontos deixados no meio do caminho quando ainda tinha foco em outras competições.  E passou a fazê-lo, jogo após jogo. O que interessava era a vitória. Algumas vieram com tranquilidade, outras com emoção e ainda houve as com sofrimento. Seja como for, fez a  lição de casa (e fora de casa, também) e contou com a ajuda de adversários diretos pela classificação que tropeçaram aqui e acolá. 

 

Desde o meio de semana, ocupa espaço no G4 e encerrou mais uma rodada com a posição consolidada. Terá jogos difíceis daqui até o fim do Campeonato e, por isso, essa sequência de vitórias foi importante, mesmo que na de hoje tenha resumido seu desempenho aos dois primeiros minutos de jogo — e que dois minutos incríveis foram aqueles. 

 

O gol de Luciano — que parece começa a se sentir mais à vontade na equipe — foi genial tanto quanto oportuno. Após a cobrança de escanteio e o cabeceio de David Braz, nosso atacante acertou uma bicicleta dentro da pequena área. Falo de o gol ter sido tão genial quanto oportuno porque desconstruiu com o ânimo e a energia do adversário, acostumado a pregar peças no Grêmio em outras épocas. Por exemplo, no primeiro turno, em casa, empatamos em 3 a 3. Lembra?

 

Do gol em diante, tive a impressão de que o Grêmio não via hora de a partida acabar —  como se já tivesse feito a lição (fora) de casa pedida pelo professor. Arriscou algumas jogadas no ataque, manteve a bola no pé enquanto pode e se esforçou para reduzir os danos lá atrás. Depois dos riscos que corremos na partida do meio da semana, quando também havíamos aberto a vantagem logo no início da partida, era bom não bobear. 

 

 

 

 

 

Avalanche Tricolor: foi sofrido mas foi gostoso

 

 

Grêmio 2×1 CSA
Brasileiro — Arena Grêmio

 

Gremio x CSA

Everton deu passe para os dois gols Foto de LUCASEUBEL/GRÊMIOFBPA

 

Dias difíceis e ocupados esses últimos que vivi. Seja pelo excesso de compromissos, seja pela densidade do noticiário. Nesse escaninho —- o do noticiário —-, tivemos PEC para colocar a Previdência de estados e municípios no prumo, tivemos PECs para por a conta do estado brasileiro no rumo, tivemos leilões de petróleo para embolsar uma grana —- e entrou menos do que calculavam —- e tivemos votos para liberar geral —— ops, liberar aqueles que a Justiça disse que meteram a mão no nosso bolso e reservaram uma parte para contratar bons advogados que vão recorrer até o juízo final.

 

No escaninho dos compromissos, ocupado por causas bem mais nobres, vivenciei experiências incríveis, como falar para uma centena de jovens que estão entrando no mercado de trabalho ou pretendem fazer isso assim que a economia der uma melhorada —- o que fiz nessa quinta-feira, patrocinado pelo CIEE, em Goiânia. Ou falar com profissionais, gestores e empresas sobre a importância de se investir na diversidade, como fiz na quarta-feira na HSM Expo Management, a convite da CBN.

 

Coloque na agenda de compromissos —- e nesse caso nem tão ricos assim —- os transtornos proporcionados pelas companhias aéreas que chegam atrasadas para levar você a algum lugar e se atrasam ainda mais para entregar você naquele lugar. Foi assim no fim de semana passado quando estive em Porto Alegre. Foi assim na noite de quinta-feira quando estava em Goiânia. Por coincidência, com o patrocínio da mesma empresa aérea. Estaria na hora de repensar minha fidelidade?

 

Diante da agenda atribulada e das encrencas aéreas, apenas consegui me recuperar agora à noite quando lembrei que não havia cumprido com o compromisso de compartilhar minhas sensações e pensamentos com você, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche. Nosso Grêmio … melhor, o meu Grêmio havia jogado na noite passada e eu sequer havia aberto um post neste blog para exaltar nosso resultado.

 

Com os transtornos aéreos, fui levado a assistir à primeira parte do jogo de quinta-feira à noite na tela do meu celular. Até onde a prudência me permitiu, mantive o celular conectado a bordo. E tive o privilégio de assistir a um início de jogo arrebatador que culminou com o primeiro gol, após uma escapada veloz de Everton, um passe preciso dele e o arremate final de Diego Tardelli. Parecia o inicio de uma goleada, o que o tempo provou ser uma ilusão.

 

Após o piloto do voo usar de todas as estratégias para chegar à capital paulista antes de o aeroporto de Congonhas fechar —- o que nos obrigaria a aterrisar em Guarulhos, que representaria ao menos mais uma hora e meia de atraso para estar em casa —, voltei a acessar meu celular e conferir o que imaginava ser a goleada gremista. Foi quando descobri que havíamos passado por momentos de “sofrência” inimagináveis, se levarmos em consideração a superioridade técnica de nosso time em relação ao adversário.

 

Depois de sofrermos o empate em cobrança de falta quase no fim do jogo, Everton foi audacioso, mais uma vez. Partiu para cima do adversário, desvencilhou-se do marcador e cruzou uma bola traiçoeira para a área. Luciano forjou um cabeceio, mas quem acertou em cheio foi seu marcador que desviou a bola para dentro do gol.

 

Foi sofrido, mas foi gostoso. O jogo e a semana.

 

Ainda bem que já chegou o fim de semana.

Mundo Corporativo: Breno Paquelet ensina estratégias para negociar melhorias nas condições de trabalho

 

“Para avaliar o seu possível aumento é preciso analisar três aspectos principais: primeiro, merecimento; segundo, viabilidade; e, terceiro, e aí sim, convencimento dos tomadores de decisão” Breno Paquelet, consultor de negociação.

Sabe aquele reajuste de salário que você tem certeza que merece, mas morre de medo de pedir ao seu chefe? É possível abordá-lo para tratar do assunto sem causar constrangimento. E, claro, esteja preparado para ouvir um não. Breno Paquelet, consultor de negociação, falou do tema em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo. Ele alertou para o fato de que mesmo em um caso de negativa de aumento, o profissional pode tirar alguma vantagem dessa conversa:

“Uma derrota ou um fim em si mesmo, ali na negociação, é quando um não é seco e você não consegue extrair nada dele. Se um não vem com o seu entendimento de um compromisso que você precisa assumir, resultados que você deveria demonstrar, você aprende muito mais e pode voltar para uma segunda conversa uma segunda rodada com um entendimento muito melhor que você precisa fazer para você viabilizar o seu aumento”.

Paquelet é autor do livro “Pare de ganhar mal —- manual de negociação para aumentar seu salário e sua qualidade de vida” (Editora Sextante). Ele ressalta que a negociação precisa levar em consideração não apenas um reajuste salarial, porque esse nem sempre é possível, mas a possibilidade de se obter algum outro benefício ou vantagem que impacte na melhoria das condições de trabalho, na infraestrutura oferecida pela empresa ou na qualidade de vida.

 

Uma das sugestões do consultor é que antes de iniciar o processo de negociação, o profissional analise sua performance, identifique suas fortalezas e fragilidades:

“Quanto mais honesta for a sua auto-análise, mais chances de a sua estratégia ser bem sucedida, se você negar os seus problemas, negar a realidade você terá uma visão totalmente distorcida do que pode obter e com certeza vai ser uma estratégia furada”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, às 11 horas da manhã, pelo Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo: Guilherme Dogo, Gabriela Varela, Rafael Furugen, Clara Marques e Débora Gonçalves.