Mundo Corporativo: Rodrigo Rivellino vai mudar a forma de você assistir ao seu filho no videogame

 

 

“Não tem volta, não é só mais um joguinho, não é uma brincadeira, é de fato estilo de vida de milhares de pessoas hoje; e ao redor desse ecossistema vão surgir as novas demandas, as novas necessidades que consequentemente vão virar as novas profissões” — Rodrigo Rivellino, Noline

O cenário de videogame e esportes eletrônicos no Brasil reúne cerca de 76 milhões de brasileiros, pessoas que se relacionam com esse universo seja jogando no celular e nos consoles, apenas para se divertir, sejam jogadores profissionais. Em torno desse universo há uma série de profissões que surgem ou se potencializam, exigindo pessoal bem qualificado, tais como streamer, cosplayer e cosmaker —- apenas para citar algumas das novas funções que esse mercado proporciona. Mas, também, outras mais conhecidas como gestores de carreira, desenvolvedores de conteúdo, nutricionistas, psicólogos, narradores e comentaristas.

 

Para entender as oportunidades que existem nesse mercado, o Mundo Corporativo da CBN entrevistou Rodrigo Rivellino, um dos sócios da Noline, empresa que desenvolve estratégias e conteúdo para o setor de videogame, e idealizador da Live Arena, espaço disponível para jogos, eventos e educação, em São Paulo. Na conversa com o jornalista Mílton Jung, Rivellino chamou atenção para a necessidade de as marcas explorarem de forma correta o potencial do universo gamer:

“As corporações, as franquias, as produtoras dos jogos, os times, as ligas, os eventos — tudo que vai surgir ao redor —, vai ser necessário ter investimento das marcas não endêmicas; as marcas que, sim, suportam ou suportaram até hoje os esportes convencionais, vão ter de começar a suportar o esports e esta comunidade”

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, na página da CBN no Facebook e no Twitter. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10h30 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo, Guilherme Dogo, , Izabela Ares, Rafael Furugen, Debora Gonçalves.

Sua Marca: Qual é o sonho que move você? Qual o sonho que move a sua carreira?

 

“A iniciativa é alimentada pelo sonho, mas é preciso ter “acabativa”, ou seja, fazer com aquele sonho se materialize” Jaime Troiano

As empresas e as marcas precisam ter no seu comando pessoas que sonham alto, capazes de inspirar seus colaboradores e conquistar seu público. Porém, é necessário que a equipe de trabalho seja formada por profissionais com capacidade de execução. Jaime Troiano e Cecília Russo falaram desse tema com Mílton Jung, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

 

É preciso muito cuidado para que a ideia do sonhador —- o responsável pela prosperidade de muitas empresas e negócios —- não seja traduzida como a daquele empresário que “vive nas nuvens”, que não tem um projeto ou um plano de ação.

 

Um bom exemplo de um sonhador que sabia executar era Steve Jobs à frente da Apple. Mas há casos bem mais próximos de nós.

 

Cecília Russo lembrou de uma marca que atua no varejo de vestuário, a Caedu, destinada ao público da classe C, que tem no comando a empresária Leninha da Palma:

“A magia da marca que ela carrega é alimentada pelo sonho que mais pessoas podem ter acesso a ter roupa e de qualidade”.

Como sonhar é preciso, pense agora: qual é o seu sonho? O que move você na sua carreira? Ou na sua empresa?

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar, aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Capriche na letra porque escrever à mão ajuda na memória e desenvolve o pensamento

 

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Sobre a mesa do estúdio sempre tenho papeis em branco ou um caderno em mãos à espera de anotações. Começo a entrevista e copio o nome do entrevistado. Ouço uma resposta, uma palavra dita me pega e logo é reproduzida na folha. Penso em dizer algo e algumas palavras-chave são registradas à caneta. Capricho na letra, prefiro a de forma em lugar da cursiva. Capricho tanto que às vezes exagero e a letra se torna ilegível. Escrever é hábito que tenho há algum tempo, mesmo que aquela escrita se transforme apenas em rabisco sem sentido e acabe no lixo.

 

O exercício de escrever à mão foi tema do Jornal da CBN a partir da foto registrada por uma ouvinte, que ficou impressionada com o que considerou uma raridade: um curso de caligrafia. A placa na fachada de um prédio com cara antiga, em São Paulo, leva o nome da família mais conhecida dessa arte, a De Franco, que mantém a escola que hoje está sob a responsabilidade de Antonio De Franco Neto — que persistiu na história iniciada pelo avô, em 1915. O dono da marca garante que, mesmo diante da frequência com que se usa computadores e outros equipamentos digitais, não faltam alunos interessados em melhorar a caligrafia.

 

Os ouvintes foram convidados a escrever à mão e publicar seus textos nas redes sociais —- por sugestão de outra ouvinte, Rosana Hermann. Pela quantidade de mensagens recebidas, curtiram a brincadeira. J.F.Trolezzi disse que fez aulas de caligrafia na infância por imposição da mãe. Léa Assis, além de dar uma “cornetada” neste apresentador, usou o próprio caderno de caligrafia —- muito comum na minha época para darmos um contorno melhor à letra. Alguns preferem —- e eu estou nesta turma — escrever em letra de forma, como é o caso da Soraia Mergulhão, aliás quem provocou toda essa conversa ao fotografar a placa das aulas de caligrafia.

 

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Por mais que você considere a prática da caligrafia antiquada, novas evidências sugerem que escrever à mão facilita o aprendizado das crianças, além de desenvolver a capacidade delas gerarem ideias e reterem mensagens. Para adultos, ao mesmo tempo em que digitar é mais rápido e eficiente, essa prática diminui a capacidade de processar as informações. Ao anotar em um papel, criamos novas vias neurais no cérebro.

 

Diz, em artigo, o Dr Sheldon Horowitz:

“A caligrafia é uma atividade multissensorial. Conforme você forma cada letra, sua mão compartilha informações com áreas de processamento de linguagem em seu cérebro. Enquanto seus olhos acompanham o que você está escrevendo, você envolve essas áreas.”

Pam A. Mueller, da Universidade de Princeton, e Daniel M. Oppenheimer, da Universidade da California, concluíram que escrever à mão ajuda a pensar:

“Quando os alunos param de escrever, param de processar e tornam-se receptores passivos de informação. Quando eles se tornam receptores passivos de informação, eles também se tornam pensadores passivos”.

Outra boa justificativa para continuarmos rabiscando, é que o simples ato de olhar para o papel nos obriga a se concentrar no que é importante. E a busca do foco é dos maiores desafios na sociedade contemporânea diante da quantidade de estímulos que estão soltos por aí seduzindo nossa atenção.

Avalanche Tricolor: um troféu pela melhor campanha do Gaúcho

 

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Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre

 

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Um amistoso de luxo. E com direito a taça. Era o que se tinha para esta noite de quinta-feira, depois da goleada acachapante de domingo, na primeira partida das quartas-de-final do Campeonato Gaúcho.

 

O Grêmio entrou classificado à semi-final e prestes a garantir a melhor pontuação entre todos os participantes da competição — importante porque leva a decisão do Gaúcho para a Arena, se seguirmos nesta caminhada até o final.

 

O adversário entrou disposto a parar a saraivada de gols que havia se realizado no jogo de ida. Postou-se atrás, fechou-se como pode, esforçou-se muito, catimbou com a anuência do árbitro e deve ter saído satisfeito em não perder.

 

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Diego Tardelli até marcou, mas juiz impediu — foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O gol até saiu, resultado do bom toque de bola gremista e da paciência de seus jogadores, especialmente os do meio de campo, que não se cansam em trocar de posição, movimentar-se com aproximação e triangular em busca de mais espaço. Foi assim que Luan em meio a um amontoado de marcadores encontrou Diego Tardelli que, em velocidade, recebeu a bola na entrada da área. Matou com um pé e fulminou com o outro.

 

Um golaço — se a auxiliar não tivesse se precipitado e sinalizado impedimento, o que as imagens da televisão deixaram muito claro que não houve. É curioso como os árbitros e seus bandeirinhas são incapazes de seguir a recomendação da International Board, que dá regras ao futebol. Recomenda o organismo internacional que no caso de impedimento a norma é “in dubio pro reo” — ou seja, na dúvida, segue o lance.

 

Sem o gol e com a classificação garantida, restou levantar o troféu em homenagem aos 100 anos da Federação Gaúcha de Futebol. Prêmio oferecido ao time que fez a melhor campanha da fase de classificação: 29 pontos ganhos — sete à frente do segundo colocado –, 9 vitórias, 2 empates, 29 gols a favor e apenas um contra.  

 

E ver o Grêmio levantando troféu sempre me garante uma boa noite.

Adote um Vereador: o que vereadores propõem sobre coleta seletiva em SP

 

Da equipe do Adote um Vereador

 

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São 55 vereadores na cidade de São Paulo que representam os moradores da Capital e têm a função de propor leis, discutir projetos, provocar debates, fiscalizar o Executivo e atender as demandas do cidadão. Têm, também, gabinetes mantidos por dinheiro público — ou seja, o nosso dinheiro. Por isso, é de se imaginar que as equipes que atuam no gabinete estejam preparadas para responder às questões e demandas apresentadas pelo cidadão, seja presencialmente seja pelos canais de comunicação disponíveis.

 

Diante disso, o Adote um Vereador decidiu encaminhar a cada um dos vereadores, nominalmente, a mesma pergunta, por e-mail, no dia 11 de março, usando como base os endereços eletrônicos informados no site da Câmara Municipal:

 

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Além de entender a preocupação de vereadoras e vereadores em relação a coleta seletiva, estávamos curiosos para ver à disposição dos parlamentares em responder o cidadão.

 

Dos 55 apenas SETE registraram o recebimento de e-mail, duas semanas depois:

Aurélio Nomura (PSDB), Caio Miranda (PSB), Donato (PT), Eduardo Suplicy (PT), Janaína Lima (Novo), Isac Felix (PR) e Soninha Francine (PPS)

Dos sete, Isac Felix (PR), através de sua assessoria, foi o primeiro a se manifestar, no dia 12 de março. Escreveu que “gostaríamos de um contato para poder desenvolver melhor a ideia”. Enviamos outro e-mail informando que queríamos apenas uma resposta por escrito sobre o tema. E nada mais nos foi dito.

 

O gabinete de Eduardo Suplicy (PT) escreveu, no dia 20 de março, que “o questionamento enviado é bastante pertinente, e uma resposta completa sobre o tema será encaminhada por nossa assessoria nesta semana”. Estamos aguardando.

 

Soninha Francine (PPS), através de sua assessoria, informou que soube da pergunta feita pelo Adote um Vereador pelo Jornal da CBN, da rádio CBN. E depois identificou que o e-mail que havia sido enviado estava na caixa de spam: “estamos preparando a resposta com todas as ações e o esforço que nosso mandato tem feito no sentido de conscientizar e solucionar (envolvendo poder público, privado e sociedade civil), a questão da destinação correta de resíduos na nossa cidade”.

 

Aurélio Nomura (PSDB), Caio Miranda (PSB), Donato (PT) e Janaína Lima (Novo) foram os que registraram o que pensam, as propostas apresentadas ou as discussões promovidas.

 

O vereador Aurélio Nomura (PSDB) contextualizou o tema da reciclagem no mundo e destacou que diante da dimensão de São Paulo o problema se potencializa. Por isso, defende o uso dos Ecopontos — são 102 na Capital —- que “suprem a deficiência dos caminhões de coleta seletiva”. Informou que é coautor do projeto que proíbe o fornecimento de canudos plásticos nos estabelecimentos comerciais da cidade: o PL 99/2018, que está em tramitação na Câmara. E destacou que está envolvido na luta contra a instalação da Estação de Transbordo de Resíduos Sólidos de Vila Jaguara — que chama de lixão — e a retirada de outros existentes na cidade:

 

“…é um tipo de construção que degrada o ambiente, prejudica a qualidade de vida no entorno e traz riscos à saúde. Seria preciso, sim, investir em usinas de incineração, pois além de favorecer o meio ambiente, trazem a vantagem de produzir energia elétrica limpa”.

 

O vereador Caio Miranda (PSB), que diz incentivar o cidadão a usar os Ecopontos, informa que apresentou projeto que dispõe sobre a logística reversa de lâmpadas fluorescentes (PL 474/2017)  e de eletroeletrônicos (PL 368/2017)  —- pelo que se percebe, nenhum deles ainda aprovado. Na mensagem enviada ao Adote um Vereador, falou, também, da necessidade de o vereador fiscalizar o Executivo:

 

“… como a coleta de lixo é realizada por empresas selecionadas através de processo licitatório, o melhor a se fazer para ajudar nela, enquanto membro do legislativo, é fiscalizar os procedimentos contratuais e se a execução está nos conformes, sempre cobrando para que as empresas que atendem aqui na capital cumpram integralmente com o que foi licitado”.

 

O vereador Antonio Donato (PT) também fala em fiscalização do trabalho da prefeitura e entende que a coleta seletiva é limitada, assim como o paulistano precisa estar mais bem preparado para lidar com a questão:

 

“Como membro da Comissão de Administração Pública da Câmara Municipal de São Paulo, vou requerer junto à Amlurb (Autoridade Municipal de Limpeza Urbana) informações detalhadas sobre quais bairros são atendidos pelo serviço porta-a-porta da coletiva seletiva, e, ainda, onde as concessionárias (Loga e Ecourbis) estão investindo em educação ambiental para orientar a população sobre separação e recolhimento de material reciclável, conforme estipula o contrato celebrado com o município. A partir daí poderemos estudar outras providências para melhorar este serviço”.

 

A vereadora Janaína Lima (Novo) diz que, além de acompanhar todas as discussões sobre o tema na Câmara, aborda questões relacionadas a educação ambiental, a expansão de espaços verdes no meio urbano e a outros assuntos correlatos em projeto que defende a desburocratização dos serviços de zeladoria. O PL 30/2018  permite o pagamento desses serviços pelos próprios munícipes e autoriza a prefeitura a criar um canal de plataforma on-line de financiamento coletivo —- tendo como referência proposta em vigor na cidade de Nova York.

 

“Muitas vezes a própria sociedade civil em parceria com o setor privado está disposta a arcar com os custos desses serviços e, ainda, melhorar o espaço comum com a instalação de novos e melhores mobiliários urbanos”.

 

Seguiremos à espera da posição dos demais vereadores.

 

À medida que outras respostas forem enviadas para nosso e-mail, publicaremos neste site para que você tenha ideia de como os vereadores de São Paulo atuam diante do tema da coleta seletiva.

31 de março ou 1º de abril?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Golpe ou revolução?

 

Eis aí um fato que pode contribuir para dirimir a questão da melhor distância para analisar um acontecimento histórico, sem acentuado juízo de valor. Pelo menos para a nossa observação. Afinal, se passaram 55 anos e, universitário da PUC SP com 22 anos, vivenciei aqueles tensos momentos políticos e sociais. Como testemunha da diferença entre o início do movimento e sua continuidade entendemos o viés analítico que esta metamorfose gerou.

 

Por isso nos parece difícil para as gerações que vieram uma análise que neutralize pré-qualificação política. Principalmente porque o movimento militar foi gerado por forças políticas e sociais contrárias a um status quo beligerante e anárquico.

 

João Goulart pagava a conta de Jânio Quadros, que o mandara para a China e renunciara. Para assumir teve que enfrentar militares contra a sua posse. Ocupou a presidência através de plebiscito, anulando o parlamentarismo então criado como alternativa de poder.

 

A verdade é que a gestão de Jango foi desastrosa. Criando agressividade e emulando a luta de classes bem como acirrando um desmonte da hierarquia em todas as organizações. Principalmente nos quadros militares. A animosidade que hoje vivemos nas eleições e que até agora incita posições políticas antagônicas nada sociáveis não chega ao nível de intensidade daquele 1964.

 

Em 13 de março, João Goulart em comício na Central do Brasil, diante de 200 mil pessoas, assinou documento intitulado de Reformas de Base, que desapropriava refinarias e colocava sujeito a desapropriação terras subutilizadas para efeito de reforma agrária e urbana. Anistiou os participantes da Revolta dos Marinheiros encabeçada pelo cabo Anselmo, em flagrante provocação da hierarquia militar. Defendeu o voto dos analfabetos e da baixa hierarquia militar.

 

Em 19 de março, os conservadores e os representantes das classes empresariais e religiosas reagiram e criaram a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, liderados pelos governadores de São Paulo, Adhemar de Barros e da Guanabara, Carlos Lacerda, e pelo Presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, com a participação da União Cívica Feminina e da FIESP. Essa manifestação realizada por uma multidão de 500 mil pessoas, com forte apelo político, econômico, religioso e feminino, se alastrou pelo resto do país.

 

Acionados, portanto, pelas lideranças civis, os militares atenderam o chamamento e destituíram Goulart. Contextualizando, é possível entender o movimento militar. Mas, o poder transfigurou o movimento. O poder não foi devolvido aos civis, que foram esmagados – Lacerda, Adhemar, Magalhães, Kubitschek, etc.
O poder só voltou aos civis depois de 21 anos.

 

É possível comemorar?

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: erga-se a estátua

 

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Gaúcho — Alfredo Jaconi, Caxias do Sul/RS

 

 

Teve gol de peito, de falta, de cobertura, de carrinho e até gol de Marcelo Oliveira —- aliás, foi dele o gol que abriu a goleada nesta tarde, no estádio Alfredo Jaconi, na primeira partida das quartas-de-final do Campeonato Gaúcho. Gol que surgiu depois de o adversário ter um de seus defensores expulso por jogada violenta, em uma tentativa desesperada do marcador de impedir mais uma chegada com velocidade pelo lado esquerdo. A expulsão foi aos 18 minutos do primeiro tempo e o primeiro gol foi sete minutos depois.

 

Daí para frente, o Grêmio tocou bola com qualidade, superando até mesmo as irregularidades do gramado. Seus jogadores trocavam de posição, apareciam para receber, recebiam e davam sequência à jogada — às vezes com mais um bom passe e em outras com um ou dois dribles. Assim como a superioridade numérica em campo fazia sobrar espaço de um lado e de outro, a superioridade técnica fazia sobrar talento.

 

O desavisado haverá de desmerecer o placar elástico dizendo que contra 10 é mais fácil. É mesmo. Bem mais fácil, especialmente se o seu time souber jogar com a bola. Mas essa facilidade só se torna possível porque o Grêmio provoca as expulsões —- e não é de hoje nem com violência. Lembro de já ter tratado do assunto na Libertadores, de 2017, e no Gaúcho, de 2018, nesta mesma Avalanche.

 

A velocidade das jogadas, a forma como o time se movimenta em campo, a quantidade de passes trocados e a precisão desses passes faz com que os espaços se abram. Por mais esforçado que seja o adversário é preciso correr mais, dobrar a marcação e ser muito cirúrgico na roubada de bola —- escrevi há cerca de um ano e mantenho minhas palavras. Na ânsia de retomar a bola e parar de correr atrás do nosso time, o marcador erra no bote e na batida. Cartão vermelho. E surge mais espaço para o Grêmio esbanjar qualidade técnica.

 

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O sorriso no rosto de quem gosta de jogar bola, na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Esse Grêmio que fazia o olho brilhar, em 2016, nos fez ser o maior da América, em 2017, e teve seu futebol reverenciado, em 2018, é o Grêmio que tem a assinatura de Renato —- um técnico com a capacidade de levar para o vestiário o espírito vitorioso que o acompanhou na carreira de jogador.

 

Mais do que isso: um cara que, a despeito de suas frases de efeito e provocações verbais, entendeu a importância de estudar as mais modernas táticas do futebol, analisou cuidadosamente as estratégias usadas pelos times de melhor desempenho no mundo, montou uma comissão técnica capaz de identificar jogadores com potencial e que se encaixavam na sua ideia de futebol e, com tudo isso em mãos, agregou seu carisma e identificação com o torcedor gremista.

 

Como jogador nos deu os maiores títulos que sonhamos: a Libertadores e o Mundial, de 1983; além de ter sido campeão Gaúcho, em 1985 e 1986. Como técnico praticamente repetiu a dose: campeão da Copa do Brasil, em 2016; campeão da Libertadores e vice do Mundo, em 2017; da Recopa Sul-Americana e do Campeonato Gaúcho, em 2018; e da Recopa Gaúcha, em 2019.

 

Mais do que todos os títulos que conquistou —- mas também graças a eles —-, Renato quando voltar para a praia no Rio de Janeiro terá deixado um legado na maneira de o Grêmio jogar bola.

 

Acabou a era do brutamonte que tanto nos fez vibrar, chorar e sofrer —- e nada contra aquelas batalhas campais, pois sei que foram elas que forjaram nossas conquistas históricas. Sei também que não fugiremos à luta se assim for necessário no amanhã para alcançarmos novas vitórias.

 

Renato deixou para trás os tempos em que se despachava a bola pra qualquer lado porque não se sabia bem o que fazer com ela; em que se deixava os adversários jogarem, torcendo para que em uma bobeada deles fizéssemos o gol salvador; em que o gol era apenas um detalhe na nossa trajetória.

 

O Grêmio de Renato nos ensinou a gostar do jogo bem jogado, a se deslumbrar com o talento, a não ter medo do drible e a valorizar a técnica em detrimento a brutalidade.

 

O Renato do Grêmio nos ensinou a sorrir — e a sorrir com o mesmo sorriso que estará estampado em seu rosto, na estátua que será erguida nesta segunda-feira, dia 25 de março, na Esplanada da Arena.

 

Ali, pertinho de onde conquistamos nossos últimos títulos, sob o comando de Renato, estará a imagem de nosso atacante, em bronze e com quatro metros de altura, no momento em que ele comemorava um dos gols do Mundial de 1983. Uma homenagem ao maior nome que já passou pelo Grêmio. Para lembrar a cada um de nós, gremistas, porque somos o Imortal Tricolor.

 

O Renato merece essa estátua. O Grêmio merece Renato.

Conte Sua História de São Paulo: 

a frieza dos olhares colados em relógios e celulares

 

Por Marcelo Kassab

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto do ouvinte da CBN Marcelo Kassab, publicado originalmente no livro “Vamos falar de São Paulo”

 

É pela manhã que São Paulo mostra a sua cara. 
Pelas janelas, uma paisagem cinza e carrancuda. Os vidros acolhem as gotículas trazidas pelos frios e bons ventos. Assim, a famosa garoa paulistana convida para mais alguns minutos de sono e preguiça.

 

Com feiura imponente e autoestima  elevada, São Paulo ensina que nem todas as obras de arte são coloridas e que o cinza é só mais uma cor entre tantas outras, emolduradas pelas janelas dos arranha-céus da mais paulista das avenidas.

 

Sempre enxerguei em São Paulo e na sua escuridão um tom melancólico repleto de tristeza, onde as frequentes  garoas  pareciam lágrimas que escorriam por rostos vítreos que as observavam com o desânimo de uma segunda-feira qualquer. Talvez um olhar pessimista, visto que também se pode chorar de alegria e é no escuro que habitam e convivem harmonicamente todas as outras cores com seus pigmentos.

 

A frieza dos olhares colados em relógios e celulares, bem como a pressa cotidiana do paulistano, contrastam com o calor da sua receptividade, trazendo o mundo para casa e matizando seu cinza com as cores de outras cidades e nações, abrigando as diversas raças, castas e credos.

 

Basta um breve passeio pelas ruas e avenidas de São Paulo para aprender a conviver com a insanidade e a imprevisibilidade.

 

Do céu, surgem aviões que parecem tocar os capôs dos automóveis antes de pousos nem sempre certeiros nas pistas do Aeroporto de Congonhas. Carros, motos, pessoas e bicicletas concorrem pelo pouco espaço como em um disputado jogo de futebol numa tarde de um domingo qualquer, no Pacaembu ou em Itaquera, lotados e coloridos de preto e branco pela fiel alvinegra.

 

Apesar dos diversos tipos de poluição e da fumaça sufocante, a  cidade ainda respira e transpira. E acreditem ou não, em São Paulo há fotossíntese! Talvez mais do que o imaginado e menos do que o necessário. Que o digam as famílias que transitam pelos parques do Ibirapuera, do Carmo, da Cantareira, da Juventude ou da bela Aclimação, entre tantos outros.

 

Sem dúvida, uma cidade de clima ilusório onde a Terra parece realizar uma dança frenética ao redor do Sol, propiciando em um único dia seu movimento de translação, exibindo suas quatro estações e obrigando o paulistano, como em um afamado desfile de modas, antecipar e misturar todas as tendências e estilos, ostentando as coleções de cada temporada no mesmo dia.

 

As praias dos paulistanos são os pomposos shoppings da metrópole. Por lá é possível navegar e banhar-se com a variedade cultural que faz justiça à cidade que nasceu ao redor de um colégio; assim como uma gastronomia que não se encontra na mesma proporção nas areias de qualquer outra grande capital brasileira.

 

Nas ruas, o comércio atende a todo os gostos e classes sociais; desde um badalado e falsificado sábado na 25 de março ao nariz empinado e endinheirado da Oscar Freire.

 

E no final do dia, o céu cinza da manhã, menos carrancudo e mais generoso, abre-se para o sol poente e as mesmas janelas que emolduravam a paisagem plúmbea, agora refletem a luminosidade do Astro, guiando e acompanhando os paulistanos para suas casas após um longo dia de trabalho.

 

Descanso merecido em uma cidade que não dorme, esperando para começar tudo outra vez ao cantar da primeira buzina da manhã seguinte.

 

Marcelo Kassab é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Para conhecer o texto do Marcelo, visite agora o meu blog miltonjung.com.br Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: inclusão de pessoas com deficiência tem de ser genuína

 

 

“A questão de você trazer pessoas de minorias para o seu ambiente corporativo é uma coisa louvável, mas você realmente incluir e conseguir introduzir essas pessoas na realidade da sua empresa e conseguir extrair valor disso é outra coisa. É um outro estágio de evolução que ainda poucas empresas conseguiram chegar ou estão conseguindo chegar” — Marcos Kerekes, executivo e cadeirante

Desde 1991, empresas com mais de 100 funcionários são obrigadas a abrir vagas para pessoas com deficiência em percentuais que variam de 2 a 5%. Nem todas cumprem a lei. E parte delas vê a inclusão como um peso imposto pela legislação. Ou seja, torna a vida desse profissional ainda mais difícil e deixa de aproveitar os benefícios da diversidade no ambiente de trabalho. Hoje, existem cerca de 400 mil pessoas com deficiência empregadas, segundo dados oficiais do governo brasileiro, muito aquém da demanda.

 

Marcos Kerekes, executivo de marketing e cadeirante de 25 anos, conta parte de sua experiência na busca por um emprego. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo da CBN, Kerekes alerta para a necessidade de as empresas realizarem o que chama de inclusão genuína:

“A questão da inclusão tem de vir top-down, de cima para baixo, começando pelo CEO. Ele precisa estar envolvido nisso. Ele precisa estar comprometido com isso, porque aí a coisa deslancha, a coisa anda”

O Mundo Corporativo pode ser assistido às quartas-feiras, 11 horas, em vídeo, pelo site da CBN e nas redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às 10h30 da noite; e está disponível em podcast.

As criações que colocaram o mundo dentro do seu bolso

 

Por Calos Magno Gibrail

 

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No dia 27 fevereiro, o inventor da primeira calculadora eletrônica faleceu aos 86 anos, em Dallas. O fato que chama a atenção é que não houve repercussão — nem nos Estados Unidos.

 

Jerry Merryman, pesquisador da Texas Instruments, recebeu, em 1965, a tarefa de diminuir o peso da menor calculadora existente que era de 20,4 kg. Em 18 meses, Merryman apresentou um artefato que cabia no bolso e pesava 1,3 kg — mantendo a tradição da Texas que tinha lançado, em 1954, o rádio transistorizado com a função de portabilidade. Já era um ensaio para o bolso com o seu Regency TR – 1. Embora a Sony afirmasse, em 1957, que o Sony TR -63 era o rádio que “vai caber no bolso de sua camisa” — acontece que o bolso da camisa da Sony era enorme.
A segunda metade do século passado dá uma ideia da velocidade da evolução da tecnologia que se iniciava. O rádio, descoberto pelo gaúcho Roberto Landell de Moura, que comprovou quando apresentou uma transmissão na Avenida Paulista, em 1893, foi vendido comercialmente por Guglielmo Marconi, em 1912. E sua evolução veio em 1954.

 

 

Felizmente para o rádio, como mídia, a portabilidade chegou num momento excepcionalmente estratégico, pois a televisão se firmava. Para os negócios, a calculadora de bolso era uma feliz alternativa aos equipamentos existentes, desde que a régua de cálculo há muito já tinha sido aposentada.

 

A realidade é que a ideia de possuir produtos que pudessem ser carregados permanentemente dava uma sensação de eficiência e conforto inigualáveis.
De outro lado, os produtos recebiam inovações em ritmo cada vez mais acentuado. E vieram os novos, já aperfeiçoados, que convergiram nos iPhones.

 

Assim, rádio, calculadora, telefone, relógio, câmera, televisão, bússola, termômetro, cabem no iPhone —  o computador de bolso.

 

Portanto, o bolso que já era tido como o órgão mais sensível do corpo humano ganhou um componente essencial e vital. E graças aos pesquisadores da Texas Instruments ao portabilizar o rádio e com o mérito de Jerry Merryman ao desenvolver a calculadora de bolso.

 

Ao lado do tributo a Merryman, fica aqui os cumprimentos ao Rádio, como equipamento e instrumento, que desponta agora como a fonte de maior credibilidade, diante de tantas FAKE NEWS.

 

Leia “Adivinha em que os brasileiros mais confiam quando querem notícia de verdade

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung