Mundo Corporativo: Paulo Alvarenga, da thyssenkrupp, defende o papel do Brasil como protagonista na economia do hidrogênio verde

Reprodução da gravação do Mundo Corporativo no YouTube

“Quem quiser ter perenidade, quem quiser ter sustentabilidade, precisa rever os seus processos e garantir que a gente vai atingir a neutralidade na emissão de carbono.”

Paulo Alvarenga, da thyssenkrupp da América do Sul

O Brasil pode se tornar uma potência energética global ao aproveitar a matriz elétrica descarbonizada que já possui. A afirmação é de Paulo Alvarenga, CEO da thyssenkrupp na América do Sul, que defende o uso do hidrogênio verde como vetor de transformação econômica e ambiental. O executivo foi o convidado do programa Mundo Corporativo, em que discutiu o papel da indústria e da liderança na transição para uma economia de baixo carbono.

Segundo Alvarenga, o hidrogênio verde permite substituir fontes fósseis em setores industriais de difícil descarbonização, como a siderurgia. “Quando você usa hidrogênio para reagir com o minério de ferro, ao invés de gerar CO₂, você gera H₂O. É a produção de aço sem emissão de carbono.”

Descarbonizar é estratégia, não tendência

A thyssenkrupp lidera globalmente a produção de plantas industriais para geração de hidrogênio verde e, segundo Alvarenga, já investe em soluções para transformar esse hidrogênio em derivados como amônia verde e combustível sustentável de aviação. “Nós temos essa tecnologia há mais de 60 anos, mas só recentemente ela ganhou escala industrial e interesse de mercado.”

Para o executivo, a principal barreira à expansão ainda é econômica. “A vantagem é ambiental, mas não é econômica. Então a gente precisa criar mecanismos, como mandatos ou incentivos temporários, para estimular essa transição.”

Ao falar da experiência da empresa, Alvarenga contou que a thyssenkrupp está investindo 3 bilhões de euros para transformar a primeira linha de produção de aço na Alemanha em uma unidade de aço verde. “A siderurgia responde por 7 a 8% das emissões globais. Se quisermos reduzir de verdade, temos que mudar o processo industrial.”

Ele também destacou o papel do Brasil nesse cenário. “A gente tem energia renovável em abundância, uma indústria existente e mão de obra versátil. O Brasil pode ser exemplo de descarbonização e ajudar o mundo alimentando com energia limpa.”

Liderar é servir às pessoas

Além da pauta ambiental, Paulo Alvarenga abordou sua visão sobre gestão. Para ele, a liderança está diretamente ligada ao propósito e à capacidade de mobilizar pessoas. “Quando você percebe que as suas mãos não vão dar conta de fazer todo o trabalho, você precisa das pessoas. Seu trabalho passa a ser criar as condições para que elas possam fazer o que precisa ser feito.”

Ao ser questionado sobre o desenvolvimento de habilidades humanas ao longo da carreira, ele foi direto: “Você começa sendo bom em algo técnico, mas depois percebe que o impacto vem daquilo que você alavanca nos outros.”

Alvarenga também defendeu o engajamento entre governo, indústria e academia para acelerar a transição energética, e chamou atenção para a criação do marco legal do hidrogênio de baixo carbono no Brasil. “Essa regulamentação pode impulsionar uma nova indústria. Estamos falando de uma neoindustrialização baseada em sustentabilidade.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Dez Por Cento Mais: Gabi Roncatti fala do poder transformador do riso nos hospitais

Foto Divulgação


“O hospital é um palco pouco iluminado, mas grandiosamente iluminado pelo resultado que ele dá.”

Gabi Roncatti

Pode um nariz azul abrir portas que uma expressão séria jamais conseguiria? Para Gabi Roncati, atriz, humorista e fundadora do projeto Humor Riso, essa é uma certeza construída em anos de trabalho em hospitais, onde a arte se transforma em companhia, escuta e cuidado. Gabi leva o riso como terapia a pacientes em situação de fragilidade, transformando ambientes marcados pela dor em espaços de acolhimento. Essa experiência foi o centro da conversa com Abigail Costa no programa Dez Por Cento Mais.

Nariz azul, escuta ativa e um show particular

Formada em risoterapia, Gabi desenvolveu um modo próprio de atuação nos corredores hospitalares. Tudo começa com o respeito: “A gente sempre vai pedir licença para entrar no quarto. Se o paciente disser não, a gente agradece e vai embora. Isso devolve a ele o direito de dizer o que quer.” É o primeiro passo de uma abordagem sensível, pensada em cada detalhe — da maquiagem suave ao nariz azul — para não assustar, mas conectar.

A escuta ativa, mais do que o riso em si, é um dos pilares do trabalho. “Tem dias em que a pessoa só precisa falar. O desabafo já é um alívio enorme. E quando você vê, já está batendo um papo muito mais risonho do que no começo.” Gabi entende que, antes de provocar uma gargalhada, é preciso se fazer presente: “A presença ativa também cura.”

Cada encontro é único. Não há roteiro. “O riso é singular, é cultural. O que funciona com um não funciona com o outro.” É por isso que Gabi prefere dizer que sua metodologia é intuitiva, alimentada por conhecimentos em psicologia, neurociência, arte e espiritualidade. “Eu testo tudo em mim antes de testar nos outros. Acordar sorrindo muda o seu dia. Eu garanto.”

Felicidade é treino

Segundo Gabi, o riso é uma musculação da alma. “Você precisa praticar. Ele pode ser provocado, mesmo sem estímulo externo. Seu cérebro não distingue se é uma risada genuína ou forçada — os benefícios são os mesmos.” E completa: “Se você escolher encarar seus problemas com mau humor, seu dia vai ser insuportável. Se encarar com bom humor, ele vai ser muito mais leve.”

Essa filosofia a acompanha mesmo diante dos momentos mais difíceis. Como quando visitou uma menina em estado terminal que, com esforço, sentou na cama e sorriu. “A mãe dela chorava, emocionada por ver a filha brincar mais uma vez. Isso me marcou profundamente. Às vezes, o que a gente faz ali é só permitir que o último sorriso aconteça.”

Assista ao Dez Por Cento Mais

O Dez Por Cento Mais, apresentado pela jornalista e psicóloga Abigail Costa, pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, ao meio-dia, pelo YouTube. Você pode ouvir, também, no Spotify.

O super-poder

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Foto de Vlad Deep

Como tomar decisões melhores? Como aumentar as chances de conquistar o que quer? Como ter mais paz e sossego?

Em resumo: como ser melhor?

Existe uma habilidade que, se construída, nos dá um super-poder.

Essa habilidade nos fornece mais informações, daquelas que poucos têm e fazem muita diferença no resultado final; nos fornece autodomínio, ou seja, nos ajuda a regular nossos sentimentos ao invés de sermos arrastados por eles… Essa habilidade nos dá poder, liberdade e mais felicidade.

Contemplar.

A atitude de contemplar vem em 3 passos: parar, observar, raciocinar. Por vezes, dependendo da grandeza da situação, ou de sua complexidade, precisamos refazer os passos, até chegarmos a um lugar de estratégia determinada e início da ação.

Contemplar é um treino que ninguém nos ensina com clareza, mas que diferencia aqueles que são leves e livres dos que ruminam e ruminam e sentem a vida empacada e pesada.

Comecemos pelo pequeno. Contemplar sobre a rotina desse dia de hoje; depois, contemplar sobre as mudanças de hábitos mais urgentes; então, contemplar sobre aquele problema familiar ou financeiro que está escondido embaixo do tapete (mas insistindo em incomodar seu sono e sua paz).

Nada de grandes saltos. Treinar essa habilidade com grandes problemas gerará angústia, desistência e frustração. Aqui, quanto mais lento o processo, mais robusto e eficaz o resultado.

Seja super-poderoso. Escolha se ajudar a viver uma rotina que flui, que é suportável e mais – desejada e com muitas pitadas de alegria.

Seja você o herói que irá te resgatar. Contemple, passo a passo, dia a dia… E comemore suas vitórias poderosas!

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é psiquiatra, psicoterapeuta e sócia fundadora da LuxVia Health Center. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Quarenta anos depois

Texto originalmente escrito para o LinkedIN

Faz exatamente 40 anos que subi ao palco do teatro da PUC, em Porto Alegre, para receber meu diploma de jornalista. Era o orador da turma. Na plateia, os amigos, os sonhos e uma esperança desajeitada de quem acreditava que podia mudar o mundo com palavras.

O trabalho de conclusão — aquele que hoje chamariam de TCC — foi escrito em uma Remington verde-clara, no meu quarto, nos fundos da casa onde morava. Um teclado barulhento, sem “desfazer” nem corretor automático. Reescrevi tudo depois que minha orientadora, professora Dóris Hausen, com generosidade e firmeza, apontou: o conteúdo estava ótimo, mas o texto, entregue às pressas, tropeçava nas teclas. Era um documento importante demais para ficar arquivado com erros de datilografia. Eu, mesmo contrariado, datilografei tudo outra vez. Ela tinha razão.

Naquela época, computador era coisa de ficção científica. Celular não existia. Rede social era sinônimo de amigos de verdade — aqueles que nos ajudavam a carregar equipamento, gravar programas no estúdio improvisado da faculdade e, se tudo desse certo, entregar fitas para algum jornalista de rádio ou TV disposto a nos escutar. Distribuir nossas reportagens era um desafio técnico e financeiro. Muitas ficavam guardadas na gaveta, à espera de uma chance.

Hoje, qualquer pessoa pode abrir uma câmera, escrever um texto ou publicar um áudio e alcançar o mundo inteiro. Não precisa mais ser jornalista para contar uma história — e isso, longe de ser uma ameaça, é uma conquista da sociedade. Ganhamos vozes. Ganhamos perspectivas. Perdemos o monopólio da informação, e ainda bem.

Mas justamente porque vivemos mergulhados num tsunami de conteúdos, verdades parciais e versões distorcidas, o jornalismo profissional nunca foi tão necessário. Somos ainda aqueles que vão atrás do que está escondido, que checam antes de publicar, que dão nome aos fatos e contexto às manchetes. Somos os que erram e corrigem. Os que incomodam. Os que resistem.

Quarenta anos depois, ainda carrego o mesmo orgulho daquele diploma. O mesmo compromisso com a ética, com a escuta, com a palavra bem dita. E a mesma certeza de que escolhi o caminho certo — mesmo quando o caminho é difícil.

Afinal, poucas profissões têm o poder de iluminar o mundo com perguntas bem feitas.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: por que o IBGE é um aliado estratégico das marcas

Sem os dados do IBGE, marcas e empresas correm o risco de navegar no escuro. Essa é a principal mensagem do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, conhecido por retratar o país com rigor e profundidade, fornece subsídios cruciais para entender o perfil da população e planejar ações com base em quem realmente somos.

Jaime Troiano lembra que o Censo, realizado a cada dez anos, não é uma simples pesquisa, mas “um retrato completo” da sociedade brasileira. “Quando queremos conhecer o perfil da população de uma região para calcular como posso fazer uma amostragem dessa população, os dados do Censo têm um papel fundamental”, afirmou. Na última edição do Censo, por exemplo, descobriu-se que o ritmo de crescimento dos evangélicos, embora ainda presente, foi mais lento do que o esperado, com o grupo representando 26,9% da população, diante de 56,7% de católicos. Cecília Russo reforça que essas informações são imprescindíveis para os estudos que realizam com marcas e veículos de comunicação. “Sem eles, é como navegar no escuro”, resume.

Cecília chama atenção para um dado que causou surpresa: apenas 1% da população se declarou umbandista ou candomblecista, número que, segundo ela, pode estar subnotificado. “Num país em que 54% da população é negra, o número 1% é difícil de engolir”, disse. Ela explica o fato com base em frase que ouviu do professor Matheus Pestana: A subnotificação é explicada pelo preconceito em admitir que frequenta essas religiões. Cecília aproveita para reforçar uma lição que todo profissional de marketing e branding têm de considerar: é preciso ler os números com viés interpretativo e não apenas usá-los friamente, sem pensamento crítico.

A marca do Sua Marca

Consultar o IBGE é uma prática que deve ser incorporada por todos os profissionais que atuam com marketing, comunicação e desenvolvimento de marcas. É por meio dos dados que se toma decisão com base em realidade — e não em suposições. Como destacou Cecília, “os resultados que o IBGE produz alimentam os projetos de empresas e marcas”.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Avalanche Tricolor: com os olhos mais velhos e abertos

Fluminense 1×0 Grêmio
Brasileiro – Maracanã, RJ/RJ

Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Foi um fim de semana de reencontro, abraços e presença da família. Completei 62 anos, na sexta-feira, e recebi a visita dos meus parentes de Porto Alegre. Um deles, meu irmão, ainda mora na casa da Saldanha, onde praticamente nasci. É o endereço vizinho ao saudoso estádio Olímpico, ambos parte de um território afetivo que ainda pulsa em mim — cenário de muitas das minhas histórias da infância e adolescência, algumas já confessadas nesse espaço.

Brinquei nas calçadas da Saldanha, joguei taco, bola de gude e futebol; andei de bicicleta, pulei corda (sempre desajeitado) e fiz mais um monte dessas coisas comuns para a época. O trajeto até o estádio, sem precisar da companhia dos pais, era sinal de autonomia, mesmo que a distância não fosse grande. Considerando que no início nem atravessar a rua era permitido, quando fui autorizado a ir ao Olímpico sozinho era como se tivessem expedido minha carteirinha de “gente grande”.

No Olímpico, vivenciei momentos marcantes. E não estou falando apenas das emoções dos dias de futebol. Fiz amizades, tive aprendizados, amadureci nas perdas e me lambuzei nas conquistas. Uma série de situações com as quais me deparei jogando futebol e basquete, mas, também, conversando com pessoas mais velhas, compartilhando confidências com mais jovens e observando o comportamento humano.

Parcela do que sou depois de mais de seis décadas de vida foi construída por lá. Isso explica por que o Grêmio se tornou tão importante para mim. Por outro lado, o tempo me fez trocar o fanatismo insano pela paixão racional. Gritava com o juiz antes mesmo do apito, encontrava um culpado externo para cada tropeço em campo e acreditava que bastava vestir a camisa para vencer. Hoje, continuo fanático — não perco um jogo, sofro a cada passe errado, vibro com cada gol. Mas minha paixão ganhou um contorno mais racional. Passei a entender melhor o que somos capazes de entregar, a reconhecer as limitações do time e a aceitar que, muitas vezes, a culpa não está lá fora, mas dentro de casa. Sigo acreditando, mas com os pés no chão e os olhos abertos.

E o que vi na noite de sábado, no Maracanã, me deixou pouco confiante em relação ao que podemos alcançar nas próximas rodadas do Campeonato Brasileiro — que as mudanças ocorram o mais breve possível. Consola saber que, na sala de casa, aqui em São Paulo, de onde assisti ao Grêmio, eu estava cercado pela família que veio comemorar meu aniversário.

Mundo Corporativo: Christina Bicalho, da STB, destaca o crescimento da busca de executivos por aprendizado contínuo fora do Brasil

Reprodução do vídeo da entrevista com Christina Bicalho, no Mundo Corporativo

“Essa dificuldade de também estar lá fora, longe da família, escutando outro idioma o dia inteiro… é isso que nos torna grandes líderes.”

Christina Bicalho, SBT

Executivos brasileiros estão cada vez mais interessados em se desafiarem em busca de aprimoramento e se desenvolverem profissionalmente. A procura por programas de educação executiva no exterior cresceu 20% neste ano, segundo Christina Bicalho, vice-presidente do STB – Student Travel Bureau, em entrevista ao Mundo Corporativo. A tendência, impulsionada por mudanças tecnológicas e comportamentais, revela que o desenvolvimento de líderes passa não apenas por conteúdo acadêmico, mas também por experiências internacionais transformadoras.

De acordo com Christina, os programas variam de três dias a três meses e atendem desde gestores que buscam capacitação rápida até profissionais interessados em aprofundamento técnico ou mudança de carreira. “O executivo precisa estar sempre aprendendo. As matérias mudam muito rapidamente e o mundo está muito plano.”

Especialização, imersão e pensamento crítico

Para além da formação acadêmica tradicional, a executiva destaca o valor da imersão internacional. “Quando você sai do ambiente que lhe é familiar, enfrenta um clima novo, diferentes nacionalidades, professores com uma cabeça completamente diferente… você começa a abrir novas janelas.” O contato com metodologias práticas, estudos de caso e mentoria com profissionais de diversas culturas amplia o pensamento crítico e analítico dos participantes.

A personalização dos programas também é parte essencial da proposta do STB. “A gente tem uma política de fazer entrevistas individuais, levantar onde está a necessidade do executivo e propor programas alinhados ao momento de vida dele”, explicou. O portfólio de opções abrange não apenas os Estados Unidos, mas também destinos como Alemanha, Canadá, Espanha, Portugal e Austrália.

Intercâmbio para além da liderança

O perfil dos interessados é amplo. Jovens de 28 a 35 anos em fase de transição profissional compartilham espaço com executivos de 50 a 65 anos que buscam atualização frente às novas gerações. “Hoje, todo mundo quer fazer um programa de liderança. Mas o que é ser um bom líder dentro do seu contexto?”, provoca Christina.

Além de liderança e negócios, os temas mais procurados incluem tecnologia, neurociência, ESG e gestão ambiental. “A educação executiva é muito nichada. Não adianta ser um grande generalista. Você tem que se especializar e ser muito bom naquilo que você faz.”

A questão do idioma, no entanto, ainda é um obstáculo. Muitos interessados não têm o nível de inglês necessário para acompanhar os cursos. “A gente faz um teste. Se não estiver adequado, recomendamos um programa intensivo de inglês voltado para negócios.” Christina relatou casos de executivos que iniciaram com cursos de idioma e, depois, conseguiram participar de programas mais avançados.

A executiva também observou uma mudança nos destinos preferidos. A Europa tem ganhado destaque em razão do custo reduzido e da possibilidade de acesso a universidades públicas por brasileiros com dupla cidadania. O Canadá também atrai pela possibilidade de levar a família, estudar e trabalhar com vistos legalizados.

Na avaliação de Christina, o investimento feito nos programas traz retorno não só na formação, mas também na reputação. “Você volta com uma bagagem gigantesca. E, na hora da entrevista, quando consegue demonstrar o que aprendeu, isso faz a diferença.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: as oportunidades que encontrei nas barracas da feira livre

Flabenilto Machado Parreira 

Ouvinte da CBN

Feira livre em foto de Flávio Rodrigues/Flickr

Meus pais viviam da lavoura, no Paraná. Quando eu tinha cinco anos, houve uma das maiores geadas já registradas no estado. As perdas foram assustadoras. Eles trabalhavam de boia-fria, ficaram sem ter como sustentar a família e o sofrimento foi enorme. Era 1975 e tenho na memória a imagem de uma caminhonete Toyota Bandeirante azul, com carroceria de madeira, onde colocamos tudo o que tínhamos. Era do tio José Parreira que havia se estabelecido em São Paulo e foi socorrer meus pais, levando a todos nós para a capital paulista.

Ficamos em um pequeno barraco cedido pelo Tio Pedro, no Jardim Peri Alto, na Vila Nova Cachoeirinha. O pai tinha pouca leitura, aplicava injeção, cortava nosso cabelo e não tinha nenhum conhecimento de cidade grande. Ele que já costumava beber um pouco a mais, tornou-se alcoólatra, ainda assim arrumou emprego de vigilante. A mãe era analfabeta — apesar disso nunca conheci pessoa mais sábia. Ela lavava roupas para os vizinhos. A água vinha de um poço de 42 metros e servia para todos os afazeres.

Com seis anos, eu já vendia durex. O pouco dinheiro que recebia ajudava no sustento da casa. Aos oito, fui trabalhar na feira. Primeiro, na Feira de Terça, na barraca do Zezinho. Lembro daquela madrugada em que percorri as barracas perguntando se precisavam de ajudante. Quando perguntei ao Zezinho, que vendia verdura e legumes, ele me respondeu: – Menino, você é tão pequeno que não aguenta um saco de batatas. Mesmo triste, agradeci: – Muito obrigado, Deus te abençoe! Já caminhava para a barraca seguinte quando Zezinho me chamou: – Menino, não estou precisando, não; mas como você é muito educado, fica trabalhando aqui comigo. 

Da barraca do Zezinho passei a fazer carretos em outras feiras usando ora um carrinho de rolimã alugado ora as próprias mãos. – Vai carreto aí moça! 

Depois que conheci o Francisco e o Itamar virei vendedor de frutas, de terça a domingo. Foram alguns meses nessa função até ser contratado para office-boy da J.P. Martins Aviação, no Campo de Marte. Já estava com 17 anos e estudava muito. Na feira, tive o apoio da Dona Paula, Dona Dora, Dona Sônia, Dona Guiomar e tantos outros. Pagaram meu curso de datilografia, na escola Real, no Largo do Japonês, o que me ajudou muito. 

Assim que conclui o colegial e já como encarregado do setor de cobrança da J.P Martins fui incentivado por uma amiga, Cristina Helena Dezena, a prestar concurso público para a CMTC. No início resisti a pagar a taxa de inscrição, pois pensava que era só uma maneira de a prefeita Luiza Erundina arrecadar dinheiro para a prefeitura. Foi a Cristina quem insistiu. 

Em 1989, prestei o concurso e ligeiramente esqueci. Segui meu rumo até dois anos depois, minha mãe disse que havia chegado um telegrama em casa: era a convocação para assumir a vaga de escriturário na CMTC. Na época o salário da J.P.Martins já permitia ajudar e muito lá em casa. Estávamos até construindo uma de alvenaria no lugar do barraco de madeira. Ainda assim, encorajado pela Dona Luciene Santos, sócia gerente da J.P, encarei o desafio e fui para a CMTC que posteriormente foi privatizada e se tornou SP Trans – São Paulo Transporte S.A.

Hoje, 34 anos depois, olho para trás e vejo uma trajetória que só foi possível em razão do acolhimento das pessoas que vivem na cidade de São Paulo. Atualmente, vivo em Osasco e pastoreio a Primeira Igreja Unida de Osasco, desde 2005.  

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Flabenilto Machado Parreira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br e ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: vitória a se comemorar!


Grêmio 2 x 1 Fortaleza
Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre RS

Braithwaite comemora em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Vitória é bom. E eu gosto!

Se veio no sufoco, contra um time da parte de baixo da tabela… que diferença faz? Não estamos em posição de escolher adversário nem estilo de jogo. O Grêmio precisava pontuar — e pontuou. Três pontos na conta, o suficiente para afastar, ao menos por ora, aquele fantasma que ninguém quer nomear.

Pelo jeito, vai ser assim mesmo: jogo a jogo, com o coração na mão. Até que os reforços cheguem e o time encontre algum encaixe, vale a velha máxima: se der pra ganhar, ganhe; se não der, empata. E se perder… levanta, sacode a poeira e tenta de novo.

Houve quem lembrasse dos dois pênaltis logo no início, mas foram fruto de jogadas construídas com velocidade, inteligência e precisão — algo que andava em falta por aqui. Mérito de quem armou, mérito de quem correu, e mais ainda de Braithwaite, que cobrou com a frieza dos artilheiros de verdade.

Levamos um gol, sim, mais uma vez pelo alto. E isso já virou trauma. Mas desta vez não desabamos. Houve equilíbrio na marcação — apesar das trapalhadas de sempre, que insistem em colocar à prova o nosso coração tricolor.

Jogamos com o que temos. E com o que temos, fomos suficientes.

Quando virá a próxima vitória? Ninguém sabe. Por isso mesmo, hoje, a gente comemora.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o uso ético da IA na publicidade é inegociável

Foto de Chee KahHay

A cassação de prêmios concedidos a uma campanha brasileira no Festival de Cannes deste ano acendeu um alerta sobre os limites éticos e a responsabilidade no uso da inteligência artificial na publicidade. A campanha da marca Consul perdeu o Grand Prix e um Leão de Bronze após denúncias e uma investigação da organização, que concluiu que conteúdos gerados por IA simularam eventos e resultados como se fossem reais.

Esse é o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN. O episódio colocou em xeque não apenas a seriedade de uma peça publicitária, mas atingiu a imagem da publicidade brasileira como um todo. “De certa forma, quase que se confirma uma impressão que se tem de que é uma atividade criativa, mas abre mão de ser séria”, afirmou Cecília Russo. Ela também apontou o impacto na imagem do país: “Colocamos luz em traços da nossa identidade nacional que há anos tentamos afastar — de um país menos sério, não confiável”.

Jaime Troiano vê nessa crise uma possível inflexão positiva, ainda que provocada por um tropeço: “O trabalho ficou mais complexo, mas eu acho que vai ficar muito mais sólido, mais profissional”. Para ele, a partir de agora, os anunciantes estarão mais atentos aos cases enviados a festivais e à comunicação cotidiana, exigindo embasamento e idoneidade. Troiano destaca que a inteligência artificial não é o problema em si, mas sim o uso que se faz dela. “A inteligência humana é hoje mais do que nunca necessária. Esse é um grande alerta que a crise de Cannes acabou por estampar”.

A marca do Sua Marca

A mensagem central do comentário é clara: o uso ético da inteligência artificial é inegociável. A credibilidade da publicidade — e da marca — depende do compromisso humano com a verdade, com o caráter e com a responsabilidade profissional. Como resume Cecília Russo, “isso se tornou mandatório agora”.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.