Conte Sua História de São Paulo – 464 anos: a chuva de prata no Viaduto do Chá

 

 

Por Julio Tannus
Ouvinte da rádio CBN

  

 

  

 

Foi aqui que cresci, me eduquei, me formei, constitui família e hoje desfruto da cidade com todos os seus lugares, praças, shoppings, restaurantes, cinemas, teatros, livrarias, exposições e sua vida incessante.

  

 

Assim que cheguei de Paraty, no fim dos anos 1940, morei na São Lázaro, travessa da São Caetano, hoje a “Rua das Noivas”. Era movimentadíssima com todo tipo de comércio, além, é claro, do Cine São Caetano. Minha primeira escola, aos cinco anos, foi o Recanto Infantil Jardim da Luz, do Departamento de Cultura, no Parque da Luz.

  

 

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Julio passeia ao lado do irmão, Carlos, no Viaduto do Chá

  

 

Após alguns dias na cidade, fui com minha mãe e meu irmão caminhar na São Caetano em direção ao Parque da Luz. Ao chegar na avenida Tiradentes, em frente ao antigo Liceu de Artes e Ofícios, hoje Pinacoteca do Estado, me deparei com o monumento a Ramos de Azevedo. Ramos de Azevedo foi o centro em torno do qual gravitou o renascimento arquitetônico da cidade de São Paulo. Aquele monumento hoje está na Cidade Universitária. Quando o vi, exclamei do alto de meus cinco anos de vida: “Olha mamãe, uma mulher de peito de fora!”. Foi uma gargalhada geral. “Fica quieto menino!” foi a reação de mamãe diante da imagem daquela mulher de peito nu na estátua.

  

 

Fui flamenguista por herança de pai. E de tanto ouvir “uma vez Flamengo, Flamengo até morrer” me sentia desajustado diante de tantos palmeirenses, são-paulinos, santistas … até que na celebração do Quarto Centenário da cidade, o Corinthians se tornou campeão e meu time paulista do coração. Por curiosidade, essa final contra o Palmeira só foi disputada em 6 de fevereiro de 1955.

  

 

O Quarto Centenário é de 1954. E teve imensa participação de toda a população, que invadiu as ruas de nossa cidade. Ocorreram festas maravilhosas. Recordo-me nitidamente da Chuva de Prata, que Randal Juliano, da Rádio Record, descreveu com precisão:

  

 

“O sentimento do paulista faz com que a cidade se locomova até o Viaduto do Chá. E aqui a multidão ergue os olhos para o céu, de onde caem lâminas metalizadas… Lâminas coloridas metalizadas sobre o Viaduto do Chá. Iluminadas por holofotes do exército, com o esplendor e luminosidade bonita. Traduzindo a alegria do povo paulista neste nove de julho, que comemorava uma derrota… talvez tenha sido o único povo a comemorar uma derrota.”

 
 

 

Palavras que me levam a recordar o hino do Quarto Centenário:
 

 

 

São Paulo, terra amada
Cidade imensa
De grandezas mil!
És tu, terra dourada,
Progresso e glória
Do meu Brasil!
Ó terra bandeirante
De quem se orgulha nossa nação,
Deste Brasil gigante
Tu és a alma e o coração!
Salve o grito do Ipiranga
Que a história consagrou
Foi em ti, ó meu São Paulo,
Que o Brasil se libertou!
O teu quarto centenário
Festejamos com amor!
Teu trabalho fecundo
Mostra ao mundo inteiro
O teu valor!
Ó linda terra de Anchieta,
Do bandeirante destemido.
Um mundo de arte e de grandeza
Em ti tem sido construído!
Tens tu as noites adornadas
Pela garoa em denso véu,
Sobre seus edifícios
Que mais parece chegarem aos céus!

 
 

 

Julio Tannus é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Vamos contar outros capítulos desses 464 anos: escreva a sua história para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo – 464 anos: minha primeira decepção de criança ao fim da II Grande Guerra

 

Por Aldo Bertolucci
Ouvinte da rádio CBN

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, para comemorar os 464 anos da nossa cidade, o texto do ouvinte da CBN Aldo Bertolucci, que completa 78 anos de vida e de São Paulo:
 

 

Meus pais eram italianos e morávamos na Alameda Ribeirão Preto, paralela a Paulista. De nossa casa, afinal o bairro era Bela Vista, víamos os prédios Martinelli e do Banespa, com toda uma várzea e casas pequenas aos nossos pés. Nossa rua era de paralelepípedos por onde todos os dias passava a velha Amulari – uma portuguesa que ficou assim conhecida porque ao trazer suas cabras para vender o leite sempre se desculpava que estava ali para “amulari as pessoas” ou incomodar as pessoas. Soube-se depois que ela, andrajosa e maltrata, era dona de várias casas de aluguel no bairro.

 

Do outro lado do vale havia um campo de futebol, ali perto da Rua dos Ingleses, onde os times do bairro jogavam peladas nos fins de semana. Durante a guerra, os poucos automóveis a gasogênio não nos incomodavam e jogávamos futebol na rua mesmo. Às vezes, éramos interrompidos pelo Salomão, o verdureiro, que vinha com sua carroça puxada pelo Caxambu, um cavalo alazão que estacionava à espera dos clientes. Quando o cavalo fazia cocô, meu avô saia correndo de casa para catar o esterco que ele punha nas suas plantas. Alguns meninos mais corajosos de nossa rua entravam em um bueiro de um lado da rua, passavam pelo cano que ia até o outro lado e saiam pelo outro bueiro.
 

 

Em frente de casa havia um convento de freiras de clausura, cercado de muros muito altos, que ocupava todo o quarteirão desde a Ribeirão Preto até a São Carlos do Pinhal, a Rua Pamplona a Alameda Campinas. Parte desse espaço é ocupado agora pelo Hotel Maksoud. Nós garotos subíamos até o segundo andar de nossas casas para espiar alguns movimentos das freiras que mantinham uma horta. Havia uma capela onde íamos à missa. Mas era construída em duas asas. Nós ficávamos em uma e as freiras em outra sem que pudéssemos vê-las.

 

Um dos passeios mais esperados era atravessar a Paulista em direção aos Jardins – que não tinham ainda se consolidado – e chegar ao ponto final do bonde 40 – Jardim Paulista, na Rua Veneza. Do ponto final seguíamos a pé em direção ao que é hoje o Itaim Bibi, andando no meio do mato e do brejo para chegar aos sítios onde se criavam os cavalos que corriam no Jóquei. Hoje a Avenida São Gabriel substituiu as chácaras.
 

 

Lembro o fim da guerra mundial com as rádios festejando a paz e meu pai com uma bomba manual enchendo os pneus de seu Chevrolet 1938, que estava parado havia vários anos, para ir comprar gasolina e darmos uma primeira volta. Ficamos decepcionados, meu irmão e eu, porque nossa mãe se apoderou do assento da frente que achávamos ser de nosso direito.

 

Lembro também que, naquela época, a Cruz Vermelha abriu um posto ao lado do Correio Central para receber doações para vários países europeus. Fomos com minha mãe levar um saco de roupas para nossos avós e tios que tinham sobrevivido ao conflito, na Itália.
  

 

Aldo Bertolucci é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha comemorar os 464 anos da nossa cidade: escreva o seu texto para milton@cbn.com.br.

Avalanche Tricolor: jovens, aprendizes da vida

 

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Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Os guris da VivoKeyd em foto da Riot Games

 

Foi um sábado destinado aos mais jovens. Todos envolvidos em competições e com seus desafios próprios. Fui observador (e torcedor) em todos esses momentos, mesmo porque, por mais que creia na longevidade que me será oferecida, já passei dos tempos em que era um jovem competidor. Não me incomoda esse fato, posso lhe garantir, caro e raro leitor desta Avalanche. Pois vivi intensamente aquela fase, seja no futebol seja no basquete – neste por muito mais tempo. Em uma ou outra modalidade, dediquei-me a vestir a camisa do Grêmio, do colégio Rosário, no qual estudei boa parte da vida escolar, e do Rio Grande do Sul, nas poucas oportunidades para as quais fui convocado. Jogos e títulos perdi muito mais do que ganhei. Experiência e valores para a vida, ganhei muito mais do que desperdicei.

 

Logo no início da tarde de sábado, estive no estúdio em que foi disputada a partida de abertura do CBLol2018, competição nacional de League of Legend, a mais proeminente modalidade de e-Sports que temos notícia. Se duvida no que escrevo, arrisque assistir às transmissões ao vivo no canal SporTV, sábados à uma da tarde. Você vai se surpreender. É só deixar esse preconceito besta de lado. A cada ano que passa – e eu os acompanho ao menos há quatro – é melhor, maior e mais confortável a estrutura oferecida aos pro-players, que são os atletas que formam cada uma das oito organizações credenciadas a disputar o título nacional da “primeira divisão”.

 

Prometo que não me estenderei em explicações sobre o assunto, pois temo perder a atenção do leitor que caiu neste texto acreditando que falaríamos só de futebol. Mas devo dizer que minha presença na competição eletrônica justifica-se pelo envolvimento de meus dois filhos na atividade, um como jornalista e admirador e o outro como “head coach” (sim, eles costumam ser chamados assim em vez do nome em português para a função). Esse último é um dos comandantes do time favorito ao título de 2018 e estreou com uma “sonora vitória” – como descreveu o site do SporTV. Deixou-me feliz e me deixará mais anda se seguirem nesta toada, pois ainda lembro dele e seus comandados – muito já em outros times – tristes e com lágrimas nos olhos quando perderam a final do ano passado, no primeiro semestre.

 

É sempre melhor ver jovens sorrindo e satisfeito com suas conquistas. É revigorante. Pois sabemos que para conquistarem o direito ao sorriso, muitos passaram por dificuldades, às vezes tiveram de dar as costas à família que não entendia sua opção de jogar em lugar de se formar doutor, sofreram em treinamentos exaustivos para melhorar a técnica e o físico, se frustraram ao não serem chamados para compor o time principal, caíram em depressão com a crítica contundente ou choraram diante da derrota.

 

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Os guris do Grêmio em foto de Lucas Uebel/Grêmio Oficial

 

Na minha segunda etapa como observador (e torcedor), diante da televisão onde o Grêmio se apresentava com sua equipe de garotos, os sentimentos de alegria e tristeza se misturaram. Via-se o sorriso dos guris quando seguiam em direção ao ataque; quando conseguiam se livrar do adversário com a bola grudada no pé ou uma gingada de corpo; quando deixavam o companheiro mais bem colocado para o gol. O sorriso era gigantesco na comemoração do tento: e sorriram assim por três vezes, todas no primeiro tempo de partida.

 

No entanto, a alegria de jogar bola se desfez a medida que o adversário reagia, empatava, virava e ganhava a partida. Um dos nossos chorou antes de deixar o gramado. Saiu com a camisa escondendo o rosto. Outros devem ter acordado neste domingo sem ainda entender o que aconteceu? Talvez estejam com vergonha de sair de casa. De trocar mensagens com os amigos no WhatsApp. E temem pelo que ouvirão de seus superiores na volta aos treinos. Sem contar o que estão ouvindo nas redes sociais de gente incapaz de perceber que eles são apenas jovens diante de enormes desafios. Jovens em busca de afirmação, obrigados a tomar decisões, carregar nossas pretensões e amadurecer muito antes do que cada um de nós. Simplesmente, jovens. Que vão vencer, sorrir, perder, chorar. Vão viver!

 

O importante é que sejam capazes de aprender com cada um desses momentos. Se conseguirem, não perderam. Aprenderam. É o que desejo, tanto aos jovens que saíram vencedores, no Lol, quanto aos que sentiram o dissabor da derrota, no futebol.

Conte Sua História de São Paulo – 464 anos: a praça com o nome do meu pai

 

Por Natanael Boldo

 

 

Sou o filho mais novo de uma família de sete irmãos: seis homens e uma mulher. Meu pai, Sr. João Boldo, veio de Itapira, no interior de São Paulo. Filho de imigrantes italianos, instalou-se na Freguesia do Ó, acolhido pelo cunhado dele, irmão da minha mãe, o Tio Paulino. Foi na Freguesia que trabalhou como almoxarife por 35 anos até se aposentar. Foi seu único emprego aqui em São Paulo.

 

Passados alguns anos da sua chegada, comprou terreno no Jardim Cidade Pirituba, na rua Silvino de Godoy, onde construiu a casa que moro até hoje com minha mãe, Dona Teresinha, que está com 89 anos. Meu pai foi um dos primeiros moradores do lugar, chegou ao bairro em 1966. Eu tinha apenas um mês de vida. Era uma casa humilde, com dois quartos, cozinha, sala e banheiro. No quintal, tínhamos galinheiro e várias arvores frutíferas. Da porta de casa, tínhamos uma vista privilegiada do Pico do Jaraguá, lugar onde passeávamos com frequência. Juntava toda a molecada da rua. As mães faziam lanches de mortadela e suco. E por lá passávamos o dia.

 

Criou os filhos com muita dificuldade. Éramos muito humildes. E sempre nos cobrou que fossemos pessoas honradas, honestas … e exigiu que estudássemos. Ao lado da minha mãe, que também é uma mulher guerreira, que nunca frequentou os bancos da escola, puderam nos orientar pelo melhor caminho que a vida tinha a oferecer. Como recompensa, viram seus filhos se formarem.

 

Meu pai também era um músico dos bons, tocava bandolim como ninguém. Aos sábados bem cedo, íamos a Praça da República passear pela feira de artesanato e depois passávamos na loja de instrumentos Del Vecchio, na Rua Aurora. Ali se encontrava com Evandro do Bandolim e seu regional. Não tinha hora pra sair, pois a música rolava solta.

 

Eu ainda era muito criança, mas lembro que aos domingos depois da missa meu pai reunia a família antes do almoço para tocar. Era maravilhoso, música de qualidade e família reunida. Era um autodidata, estudou bem pouco, mas sabia de coisas que doutores não tinham conhecimento. Era um homem que lia muito e estava sempre à frente do seu tempo.

 

Perto de casa havia um brejo onde começou a plantar árvores. Hoje, este mesmo local foi transformado em um parque municipal, o Rodrigo de Gaspari. Fez o mesmo na rua onde moro, a Silvino de Godoy. No terreno que chegou a ter um campo de futebol, passou a plantar todo tipo de árvore: ipês, paineiras, jambo. De tão verde que ficou, transformou-se em praça: a Praça João Boldo, em Pirituba, bairro considerado o segundo mais arborizado de São Paulo.

 

Natanael Boldo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Vamos comemorar os 464 anos da nossa cidade juntos: escreva o seu texto para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: práticas de governança evitam corrupção na empresa, diz Anna Maria Guimarães

 

 

“Governança corporativa é o sistema pelo qual as empresas são dirigidas e monitoradas. São quatro pilares: transparência, prestação de contas, responsabilidade corporativa e equidade entre as partes”. Quem explica o funcionamento desse sistema nas empresas é a consultora e conselheira Anna Maria Guimarães.

 

Em entrevista ao jornalista Roberto Nonato, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Anna Guimarães falou sobre como as empresas brasileiras estão adotando práticas de governança principalmente após os grandes casos de corrupção no país. Ela explicou o funcionamento do modelo e o processo para formação dos conselhos nas corporações.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Causin, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Sua Marca: nas redes sociais, fuja da banalidade e invista na utilidade

 

 

 

 
 

 

As redes sociais são enorme oportunidade para as marcas construirem sua imagem e se comunicarem com o público, porém alguns cuidados são necessários para que o meio digital não se transforme em um desastre. Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo apresentam quatro dicas que devem ser levadas em consideração pelos gestores de marcas, nas empresas – e valem para você, também, profissional que precisa ocupar o espaço digital com propriedade para desenvolver a sua imagem no mercado:
 

 

 

  1. no ambiente digital, sua marca continuará sendo a sua marca, com a mesma razão de ser, mesma personalidade e mesma alma.

  2. com tantas plataformas à disposição, tenha um maestro para que as mensagens publicadas estejam alinhadas.

  3. comunique coisas úteis

  4. evite o “overposting”, o exagero leva a banalidade

  

 

Jaime Troiano lembra, ainda, que as mensagens publicadas nas redes sociais devem ser relevantes do ponto de vista do cliente. E Cecília Russo acrescenta: “o espaço digital serve para construir imagem; fuja da banalidade, invista na utilidade”.

  

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é apresentado por Mílton Jung e tem a participação de Cecília Russo e Jaime Troiano. O quadro vai ao ar, aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN. A produção de vídeo é de Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo – 464 anos: os primeiros passos com meu avô

 

Por Carlos Garabet Giovoglanian

 

 

Nasci nessa cidade, que já foi chamada de São Paulo de Piratininga, em 7 de janeiro de 1958. Filho do Senhor Kaspar, imigrante da Grécia, descendente de armênios, que aqui chegou em 31 de outubro de 1951 e da Dona Maria que também aqui nasceu.

 

No Cambuci, bem perto do Pátio do Colégio, dei meus primeiros passos junto com minha avó que me levava para passear. Encantava-me escorregar em caixas de papelão, no jardim diante da Paróquia São Joaquim, igreja imponente que se destaca naquele velho bairro. Era dia de festa quando íamos caminhar no Jardim da Aclimação, com seu lindo lago, que recebeu esse nome inspirado pelo ”Jardin d’Acclimatation”, de Paris. Era lá que aves e gados trazidos do interior se aclimatavam na Capital, daí Jardim da Aclimação.

 

Ainda me lembro de todos aqueles trabalhadores que passavam diante de casa vendendo leite quentinho, ordenhado diretamente das cabras com seus sinos badalando anunciando sua chegada; do vendedor de biju com sua matraca; do floricultor espanhol com suas lindas rosas e palmas e do verdureiro Argemiro com sua carroça.

 

Fui estudar no Externato José Bonifácio, escola de idioma armênio, no bairro do Bom Retiro, que fica atrás da Catedral São Jorge na Avenida Santos Dumont. Depois no Colégio Nossa Senhora da Glória, dos irmãos Maristas, cuja imagem do Irmão Justino me acompanhará pelo resto dos meus dias.

 

Visitar meu primo que morava em Santo Amaro era uma viagem emocionante. De táxi alcançava o Largo Ana Rosa e de lá tomava o bonde que me levava até a Estátua do Bandeirante Borba Gato, pertinho do Clube Banespa com suas lindas piscinas onde no verão íamos nos refrescar. Santo Amaro parecia muito distante pois era repleto de áreas verdes, matas e riachos que ainda não haviam sido devastadas pelas construções. Na volta, a passagem pelo Parque do Ibirapuera era obrigatória para nos divertir e nos instruir, com seus jardins, balanços, sorveterias, Museu da Aviação, que já não está mais lá, o planetário e o Pavilhão Japonês, homenagem a esse povo que tanto fez por nossa cidade.

 

Todos os meses ia ao centro e descia na Praça da Sé, caminhava pela Rua Direita até alcançar a Praça do Patriarca e entrava na Galeria Prestes Maia para comprar passe de ônibus da CMTC. A cidade se modernizava e em plena Praça da Sé tive o enorme prazer de fazer uma chamada por telefone diretamente da cabine recém instalada, em 1972.

 

Em 1974, já estudando no Colégio Arquidiocesano, no bairro da Vila Mariana, fiz minha primeira viagem pelo metrô recém-inaugurado que nos levava da Estação Santa Cruz até a Estação Jabaquara. Em 1976, ingressei na Escola de Engenharia Mauá onde me formei. E em 1992, me casei com a Rose, que vinda de Marília também adotou São Paulo.

 

Carlos Garabet Giovoglanian é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha comemorar os 464 anos da nossa cidade: escreva a sua história para milton@cbn.com.br.

O Varejo entra na Política: seja bem-vindo!

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Flavio Rocha

Flávio Rocha durante fala na NRF/NY

 

Flávio Rocha da RIACHUELO encabeçou o lançamento do Manifesto Brasil 200 anos, onde propôs a participação dos empreendedores e demais agentes econômicos na política nacional. Ao lado de ícones do comércio brasileiro presentes em Nova York por ocasião do principal evento do varejo mundial, a NRF National Retail Federation, tais como Luiza Trajano MAGAZINE LUIZA, Alberto Saraiva HABIB’S, Sebastião Bonfim CENTAURO e Sônia Hess DUDALINA, Flávio Rocha assinalou que o Manifesto é uma proposição política de direita: liberal na economia e conservadora nos costumes.

 

Enfatizou os absurdos do Estado e sua inviável trajetória futura a continuar colocando nas costas dos brasileiros o ônus de manter salários e privilégios de funcionários públicos e políticos, distantes da realidade do mundo privado. Cenário acentuado pelos critérios de uma economia administrada de forma não liberal e retrógrada.

 

Em 2022, o Brasil completará 200 anos de independência. Data em que se dará o término do próximo mandato presidencial. Para que possamos estar no prumo certo, o Manifesto sugere que esta eleição coloque um presidente que realmente seja de direita. Para isto será apresentado a todos os candidatos um perfil para avaliar aquele que estará dentro do ideal de economia liberal e comportamento conservador – idealizado pelo grupo que compôs o Manifesto. Rodrigo Maia, Geraldo Alckmin e Bolsonaro, segundo Rocha, não preenchem esse ideal.

 

Ao declarar que não é candidato, e que ainda não surgiu dentro do grupo de varejistas nenhum proponente, é visível a simpatia por Henrique Meirelles, embora não exista nenhum sinal de aproximação ao tema.

 

O fato é que vemos aspectos positivos nesta movimentação, sob um olhar neutro.

 

A participação de inteligências oriundas de outras áreas trarão efetivamente boas novas à Política. Que venham outros grupos novos, com diferentes posicionamentos.

 

Plagiando Philip Kotler, o expert contemporâneo do Marketing, que um dia disse que “o Marketing é muito importante para ficar restrito aos especialistas de Marketing”:

 

“A Política é muito importante para ficar restrita aos políticos”

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.
 

Adote um Vereador: conversas cruzadas e satisfação pessoal

 

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Foi há quase uma semana, mas ainda lembro bem de alguns assuntos. Na mesa 17 em que a turma do Adote um Vereador se reuniu, sábado passado, no café do Pateo do Colegio, havia muitas conversas cruzadas: política, cidadania, participação ativa, reclamação do prefeito, do vereador e do próprio cidadão.

 

Logo cedo chegaram pai e filho, Ary e Gabriel. O pai participa de vários grupos aqui na capital e seu objetivo é “polinizar” – levar aos outros ideias e inspirações para que se transformem em novas ideias e inspiradores. O filho estuda em Assis. E um dos programas lá no interior é visitar a Câmara Municipal para assistir ao trabalho dos 13 vereadores. Tem a ajuda de um advogado da região que aponta erros e enganos nos projetos de lei e procedimentos dos parlamentares.

 

Os dois queriam saber o que nos levava àquela mesa todo segundo sábado do mês. Satisfação pessoal, falei de bate-pronto, sem autoridade sob o grupo. É possível que os outros tenham dito coisas diferentes: cidadania, ativismo, realização, transformação .. não cheguei a ouvir bem porque, como disse, as conversas eram cruzadas.

 

E nessa troca de palavras, dois santo-andreenses se identificaram: Almir de Azevedo, também novato no grupo, e Gabriel Vasconcelos, recém-chegado, que ainda não adotou ninguém, mas tem consultado nomes e participado de discussões na Câmara de São Paulo. Esteve lá na Virada Paulista. E demonstra interesse em persistir.

 

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Aliás, persistência é outra palavra que tem muito a ver com o trabalho que realizamos há 10 anos. Pois não faltaram motivos para acreditar que fazemos pouco e nossos desejos jamais se realizarão. Quantas vezes perdemos colegas que pareciam dispostos a mudar a cidade, mas desistiram da caminhada? E cada vez que um se vai, um pingo de frustração aparece.

 

Em compensação, quando fico sentado naquela mesa do Pateo do Collegio – e chego cedo para assistir a essas cenas – e vejo a chegada de um por um sinto respingos de ânimo e satisfação. Aquela satisfação pessoal sobre a qual comentei com o Ary.

 

O Alecir, a Lúcia, a Rute e a Gabriela – mãe e filha sempre ativas -, o Moty, a Silma e o Vitor, todos velhos conhecidos, e persistentes como eu, estiveram por lá e ajudaram a transformar esses respingos em uma enxurrada.

 

Confesso que, sem demérito a nenhum dos companheiros que estão há mais tempo conosco – tenho certeza que eles entenderão o que vou dizer -, a coisa fica ainda melhor na aparição de gente nova como o Ary, o Gabriel, o Almir e o Adriano de Souza, que também se aprochegou, puxou a cadeira, pediu um café e com brilho nos olhos revelou seu entusiasmo em fazer algo para melhorar a cidade.

 

Estar no Adote me traz satisfação pessoal, sim. Mesmo que a descrença teime em surgir quando enxergo nossos limites e incapacidade de organização e mobilização. E me traz essa satisfação pois toda vez descobrimos que em algum lugar, por mais distante que seja, tem alguém que ouve falar do nosso trabalho e por conta própria renova sua esperança no poder do cidadão.

 

A propósito, e você: por que está no Adote? Ou por que não está no Adote?

Conte Sua História de São Paulo – 464 anos: não era comum menina no estádio

 

Por Dalva Rodrigues

 

 

Uma das primeiras paixões na cidade foi o futebol. Desde menininha, ouvia meu pai contar histórias do time da empresa na qual trabalhava; das encrencas  e brigas que arrumavam. Dos jogadores viajando na carroceria do caminhão até o campo do adversário.

 


Já casado e com seus dois filhos, papai jogou e dirigiu o Anchieta Futebol Clube, time de várzea da Vila Liviero, onde morávamos. Domingo na periferia era  dia de futebol, de alegria, de almoços caprichados, e de sacos cheios de uniformes sujos, uniformes que minha mãe e minha avó lavavam e reclamavam.

 


Naqueles tempos não me interessava realmente pelo esporte. Achava estranho aquele jogo só de homens correndo atrás da pelota, mas fazia parte da vida de meu pai e eu observava esse gosto com carinho,  sempre atenta aos causos que contava.

 

Em 1974, já com 12 anos, apaixonei-me pelo Palmeiras, apesar de meu pai ser são-paulino. Não era comum mulheres em estádios nem mesmo meninas jogarem futebol. Mesmo assim sonhava ser goleira. E treinava para isso. Queria ser como o arqueiro Leão, um de meus ídolos na época junto com Ademir da Guia.

 


Lia tudo sobre futebol: A Gazeta Esportiva; o Almanaque do Zé Carioca para aprender as regras do jogo; dormia com o radinho de pilha ouvindo programas esportivos. Aprendi tudo sobre o esporte e passei a entender porque ele era uma paixão.

 

Nunca esquecerei meu primeiro passeio a um estádio de futebol.

 

Foi em um clássico: Palmeiras x São Paulo, no Morumbi, o Cícero Pompeu de Toledo. Perturbei muito meu pai para convencê-lo a me levar pois aquilo não era coisa de meninas.

 

Enfim, chegou o grande dia: era um domingo, pegamos o ônibus até o centro, caminhamos até o Vale do Anhangabau – onde filas imensas de ônibus esperavam os torcedores para os levarem até perto do estádio. O resto do caminho era feito a pé.

 


Descemos depois de uma bagunça saudável dentro do ônibus, sem sinal de violência ou palavrões. Esses eram guardados para o juiz e bandeirinhas. 

 

A multidão descia a avenida larga que não me recordo o nome… Meu coração que já batia forte acelerava ao ver o estádio enorme lá embaixo, crescendo cada vez mais a cada passada. Sentia-me como uma ave em um bando a cruzar os céus para chegar ao seu destino, livre e juntas.

 


Meu pai, como muitos torcedores, levava um rádio de pilha nas mãos. No caminho, ouvíamos Fiori Gigliotti, que apresentava o programa Cantinho da Saudade. A música ao fundo era Bailarina Solitária… Até hoje essa música me remete aquele pequeno trajeto cheio de emoções no coração de uma menina que veria pela primeira vez seu time jogar.

 


E a emoção continuou lá dentro. O medo do balanço do estádio que vibrava com os pulos da torcida na hora do gol. Água, cachorro quente, picolé de limão e amendoim com casca eram as opções, embora minha mãe tivesse preparado um lanchinho tipo piquenique para nós… Coisa de mãe, que na época me causou vergonha durante a revista para entrar no estádio, mas na hora que a fome apertou, agradeci.

 


Vi meu Palmeiras vencer por  2×1 o glorioso São Paulo do meu pai que ficou muito bravo quando eu o abraçava de alegria na hora dos gols do meu verdão.

 

Nesse dia, tive o privilégio de assistir a duas feras em campo, Ademir da Guia e Pedro Rocha. Eles não rolavam a bola, eles bailavam com ela pelo gramado verdinho rumo ao ataque, como namorados nos bailes de outrora conduziam as damas. Sublime!

 


E veio o apito final, a comemoração dos vencedores na casa do rival e a vontade de ficar ali, eternizar aquela sensação enorme de alegria.

 

Realizara meu sonho.

 


Calmamente fomos deixando as arquibancadas para trás, a fumaça e cheiro de churrasco das barraquinhas nos perseguindo.. Ao som dos passos apressados, fizemos o caminho de volta pela cidade semi-adormecida. Cada um rumo ao seu destino. Amanhã  cedinho seria mais um dia de trabalho na cidade.

 


Naquela noite nem dormi direito. Que domingo feliz! Cada detalhe se repetia em minha mente insistentemente. Guardei para sempre em minha memória aqueles momentos junto ao meu pai que já se foi, guardei com ternura e sinceridade no meu cantinho da saudade, como dizia o saudoso Fiori Giglioti.

 

Dalva Rodrigues é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Venha comemorar os 464 anos da nossa cidade: escreva a sua história para milton@cbn.com.br.