Conte Sua História de São Paulo: a minha casa da vovó, no Tatuapé

 

Por Vitor Monteiro

 

 

Vivi praticamente todos meus 31 anos no calmo bairro do Tatuapé. Boa parte da minha memória afetiva da infância está na casa da minha avó Ruth em uma rua estreita, a rua E do conjunto de cinco pequenas ruelas conhecidas como Conjunto Acrópole, que unem as ruas Emílio Marengo e Itapeti. Ruas estritamente residenciais, de pouquíssimo movimento, moradores de longa data, em suas casas com portões baixos, vizinhos conversando no meio fio, crianças correndo nas ruas, chutando bola ou brincando de esconde-esconde.

 

O futebol na rua era minha brincadeira predileta. Eu sempre fui goleiro e constantemente voltava ralado para os braços da minha avó, que corria para me ajudar a limpar os machucados dos joelhos e cotovelos no tanque nos fundos da casa. Aquele asfalto quente nos pés descalços, a bola batendo nos portões gerava certa animosidade na vizinhança calma, mas éramos crianças e a maioria relevava. Menos a Dona Ana do 86. Essa botava medo na gente depois de ter furado duas bolas nossas que acidentalmente caíram em seu quintal. Acho que ela não gostava de crianças e tinha a impressão que sua casa era parecida com a da Bruxa do 71, personagem do Chaves.

 

O café era o meu momento predileto com minha avó. Todas as tardes a casa era perfumada com o aroma da bebida que ela fazia. A partir dos meus 10 anos, eu o preparava e sempre recebia o elogio de fazer o melhor café. Era o momento de ver televisão e filmes juntos, conversar, comer um bolo, um queijo ou o doce de batata doce que ela tanto amava. Ali fui feliz, era compreendido, mesmo quando o silêncio imperava. O ambiente era de lar, repleto de carinho e amor. E continua sendo. A casa, no bairro que cresci, na rua que vivi, que aprendi a respeitar e entender. A cidade que amo, que vivo mesmo que seja dentro da cozinha da casa da vovó.

 

Infelizmente Dona Ruth faleceu e a casa passou por alterações, mas sua alma está lá. A rua também mudou, os portões estão todos altos, não há mais festa. Verdade que sinto que os vizinhos querem reviver aqueles momentos. E sinto que um dia vamos conseguir que a rua deixe de ser uma via de cortar o farol vermelho e volte a ser habitada pelas crianças, pelas festas, pela confraternização. A minha avó não está mais fisicamente lá, mas nossa raiz ainda está naquela casa aprazível na qual vivo hoje com minha amada esposa e querido filho. Que ele possa um dia invadir a rua, retomá-la, vivê-la como eu vivi.

 

Vitor Monteiro é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: líderes precisam saber que as empresas sempre vão precisar de gente

 

 

“O mundo está mudando, as empresas estão mudando, mas elas não vão deixar de ter gente, sempre gente vai fazer parte das empresas”. É o que diz Josué Bressane Junior, sócio-diretor da Falconi Gente, para alertar os líderes da necessidade de entenderem que é preciso usar o RH de maneira mais estratégica. Bressane foi entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Para ele, são os líderes que têm a responsabilidade de implantar as transformações efetivas nos negócios, no entanto nos trabalhos que desenvolve de consultoria percebe que nem sempre isso acontece: “a mudança não ocorre de baixo pra cima, a mudança ocorre de cima pra baixo; essa é a grande dificuldade das organizações porque muitos querem mudar no pensamento, mas na essência não querem essa mudança”.

 

No programa, Bressane falou também da relação entre gerações no ambiente de trabalho e da forma como uso de tecnologia está modificando os processos de avaliação de desempenho e de contratação. O Mundo Corporativo é gravado às quartas-feiras, 11 horas, com transmissão ao vivo pelo site e pela página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábado, no Jornal da CBN, e aos domingos, 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: propaganda é alimento para as marcas

 

 

“A propaganda é o alimento essencial que dá vida, valor e vitalidade para as marcas”, diz Jaime Troiano, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Ele e Cecília Russo defendem a necessidade de se investir neste recurso de forma planejada e orquestrada. A possibilidade de se usar diversos canais para propaganda pode ser um risco se a marca não tiver um maestro para dar coerência a comunicação da empresa.”Presença nas redes sociais não significa comunicação certeira”, diz Cecília.

 

No Dia Mundial da Propaganda, que se comemora em 4 de dezembro, Troiano e Russo lembram frase que teria sido dita pelo publicitário Davis Ogilvy: “propaganda é como poste, pode ser para você se encostar ou para iluminar”.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, 7h55, no Jornal da CBN.

Avalanche Tricolor: Eu sou TRI da América, pai! Obrigado!

 

Lanús 1×2 Grêmio
Libertadores – La Fortaleza/Lanús-ARG

 

 

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Pai,

 

Mesmo distantes, eu aqui em São Paulo e você em Porto Alegre, nunca estive tão próximo de você como nesta noite de decisão. E desde que ela começou a ser escrita, semana passada, naquele gol de Cícero, na reta final da primeira partida, têm sido frequentes as lembranças de nossos muitos momentos juntos e em torno do Grêmio.

 

Você não tem ideia, pai, foi uma avalanche de emoções antes mesmo de a bola começar a rolar na Argentina. E a cada lembrança, aumentava a vontade de ligar para você e dizer muito obrigado por tudo que você fez por mim. Na louca escapada de Fernandinho; na molecagem de Luan que saçaricou com a bola dentro da área; na defesa de Marcelo Grohe; em todo momento gigante que vivemos nesta noite até o apito final, lembrei de você pai! Queria abraçar você! Porque se eu sou TRI da América, e sou TRI por sua causa!

 

Foi você que me fez gremista! E por isso eu agradeço.

 

Obrigado, pai, por sua intervenção em 1969 quando um primo engraçadinho aproveitou-se da minha ingenuidade, vestiu-me com o uniforme daquele outro time, me deu uma bandeira e me ensinou a cantar “papai é o maior”. Imaginava ser uma homenagem para você. Descobri que era uma provocação barata. Dizem os parentes que apanhei com a bandeira. Sempre pensei que essa era uma piada em família até o dia em que você confessou, constrangido, o ocorrido. Sem constrangimento, pai. Foi pedagógico e definitivo. Aprendi a lição. Comecei ali a ser forjado gremista. E eu só tenho a agradecer.

 

Obrigado, pai, por me comprar a primeira camisa do Grêmio, daquelas com um tecido meio grosseiro, que encolhia e desbotava sempre que a mãe lavava no tanque. Foi com ela que você me levou para a escolhinha de futebol em um campo de terra que ficava atrás do Olímpico. Como você sofria me vendo tentar jogar bola, despachando os atacantes a pontapé, brigando com o adversário e discutindo com o juiz. Quantas vezes você veio brigar junto comigo. Nós dois formávamos um só time. Lembra, pai?

 

Foi assim no basquete do Grêmio, também. Puxa, você aceitou até virar cartola pra sentar no banco e estar ainda mais perto de mim. E aguentava o meu choro a cada derrota, e era capaz de justificar até minha mediocridade. Obrigado, pai, era você me fazendo gremista!

 

E quantas vezes, fomos ao Olímpico assistir aos jogos do Grêmio de mãos dadas – mãos que passaram a se soltar a medida que a adolescência surgia. Mas lá estava você, ao meu lado, sempre. Comemorando gols, esbravejando as jogadas mal jogadas, justificando os erros dos nossos craques, me ensinando a ser gremista. Sendo campeão!

 

Pai, obrigado! Foi no Olímpico, que construi minha personalidade. Foi lá que você me apresentou algumas das pessoas mais marcantes da minha vida. Lembra quando eu “rodei” na escola e não tinha coragem de contar para você? Você usou o Seu Ênio Andrade para chegar até mim e me mostrar que não deveria ter medo, afinal você era meu pai, era meu amigo. E eu contei e você me acolheu com um abraço.

 

Lá dentro do Olímpico você me colocou ao lado de Telê Santana que me deu puxão de orelha porque inventei de passar a bola com o lado de fora do pé; do Seu Ênio que me fez parte do time ao me convidar para ser gandula e transmitir suas instruções à equipe; de Loivo que me mostrou como apaixonante era jogar pelo Grêmio; de Iura que chorou comigo dentro do vestiário porque perdemos um campeonato. Obrigado, pai!

 

Se sofri a pressão argentina, se levei medo quando eles reagiram e nós perdemos um jogador. Se sorri a cada gol, cada defesa, cada bola bem tocada, cada drible desconcertante;  se chorei hoje à noite abraçado nos meninos aqui em casa; se sou TRI da América;  sou porque você me fez gremista.

 

Obrigado, pai!

Se o varejo ouvisse mais Warren Buffet evitaria prejuízo ao ambiente urbano

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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No Top of Mind 2017 o meio ambiente não se destacou. À indagação qual a marca vinculada a preservação do meio ambiente, 66% dos pesquisados não citaram nenhuma.

 

É uma realidade evidente que mostra que a maioria dos brasileiros não se detém na ecologia. E a relação entre a preservação ambiental e a exploração econômica fica desequilibrada.

 

Neste cenário, o Morumbi é um bom exemplo. O Morumbi é o bairro paulistano que possui a maior área verde da cidade, ao mesmo tempo em que abriga alguns ícones da capital. A fundação Eng. Oscar Americano, Hospital Albert Einstein, Hospital São Luis, Casa da Fazenda, Casa de Vidro de Lina Bo Bardi, Clube Paineiras, Estádio do Morumbi e o Palácio dos Bandeirantes.

 

A Avenida Morumbi, sua principal artéria, vem há anos sendo cobiçada por comerciantes e construtoras, em contenda com uma pequena população ambientalista, que mesmo sem o apoio da Prefeitura vem sempre lutando. De qualquer forma até hoje se conseguiu que a atividade comercial se aglutinasse apenas nas proximidades da Ponte do Morumbi.

 

Entretanto, nesta semana, deverá inaugurar mais uma loja do grupo RaiaDrogasil, maior rede de farmácias do país, nos arredores do Palácio dos Bandeirantes, no cruzamento da Av. Morumbi com a Av. Dr. Alberto Penteado. Com uma arquitetura absolutamente inadequada ao entorno.

 

O grupo certamente não acredita nas premissas de Warren Buffett, que assegura que o formato do varejo atual está morto. Para o investidor americano que acumula riqueza de US$ 70 BI, as grandes cadeias terão que rever estratégias e dar atenção à internet. Suas projeções sobre as dificuldades da Sears e Kmart se efetivaram e seus relatos sobre o fechamento de centenas de lojas dos grandes varejistas americanos, como Wal-Mart, Macy’s, JC Penney, apontam para esquemas vitoriosos como o da Amazon.

 

Se Warren Buffett estiver certo e esperamos que esteja, o e-commerce, quem diria, além de conforto pessoal trará benefício extra ao meio ambiente.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Projeto de lei ajudará cidadão a controlar gastos públicos pelo WhatsApp

 

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Escrevi esses dias sobre minha participação em apenas um grupo de WhatsApp, ao contrário da maioria das pessoas que conheço. Limite imposto pela minha incompetência em gerenciar tantos canais falando ao mesmo tempo. Imagine que ao receber mensagens de um e outro, individualmente, já me vi em saia justa ao responder o outro em lugar do um. Em grupo, seria uma …

 

O grupo que acompanho é o do Adote um Vereador porque há regras restritas e uma turma disciplinada conversando por ali. Porém, a persistirem às intenções de projeto de lei que corre no Senado talvez tenha de mudar este meu comportamento, em breve.

 

Explico: há um mês, quando estive na Câmara dos Deputados para fazer palestra sobre cidadania com base nas experiências que desenvolvi trabalhando com comunicação e ao lado do pessoal do Adote um Vereador, fui procurado pelo senador João Capiberibe, do PSB/AP. Por telefone, ele gostou de saber da experiência do Adote e me apresentou projeto de sua autoria que acabara de ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. É o PL 325/2017.

 

A ideia do projeto é criar a Gestão Compartilhada, permitindo que grupos de cidadãos, através do WhatsApp ou Telegram, acompanhem os gastos públicos de obras, prestação de serviços públicos e compra de material e equipamentos. Pelo projeto, pessoas interessadas em controlar, por exemplo, o andamento de uma obra na sua região se reúnem em grupo nos aplicativos e se cadastram em um órgão público. Esse órgão, por sua vez, tem a obrigação de colocar um agente seu no grupo para prestar informações.

 

Pode-se pensar em pais de uma escola pública dispostos a saber como o dinheiro investido pelo município está sendo usado no colégio. Ou moradores de uma rua onde se inicia projeto de construção de uma praça. Ou motoristas que acompanham a construção de uma ponte na região por onde passam. Ou cidadãos que queiram saber qual o ritmo das obras do metrô no seu bairro.

 

Hoje já existe uma volume considerável de informações nos Portais de Transparência – verdade que em alguns lugares bem mais estruturados do que em outros – mas com a Gestão Compartilhada o cidadão teria acesso mais rápido às informações, acompanhamento mais preciso dos gastos públicos e em áreas de seu interesse. Para o senador, a Gestão Compartilhada é um passo adiante à Lei da Transparência. Ele próprio faz este exercício oferecendo aplicativo que permite que o eleitor tenha acesso às informações do seu mandato.

 

Um aspecto que pode ajudar na aprovação e implantação do projeto é a sua simplicidade. Os aplicativos são acessíveis e usados com facilidade pela maioria da população, especialmente nas áreas urbanas. União, estados e municípios, por força de lei, mantém pessoal para fornecer informações. Facilita a comunicação e reduz a burocracia.

 

Uma encrenca que percebo no sucesso deste projeto é a falta de estrutura especialmente de municípios para atender as demandas do cidadão. Haja vista, a dificuldade que encontramos em algumas cidades quando se pede dados da prefeitura ou da Câmara Municipal através da Lei de Acesso à Informação Pública, um direito que todos nós temos e uma obrigação do poder público.

 

Falta estrutura e, claro, de interesse. Recentemente assistimos na cidade de São Paulo um assessor de comunicação flagrado em áudio no qual confessava que não mediria esforços para impedir que jornalistas tivessem acesso a determinadas informações públicas. Ele foi afastado da função. A cultura do medo e da falta de transparência, duvido.

 

O projeto de Gestão Compartilhada, como disse, foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e vai para a Comissão de Transparência em caráter terminativo. Se aprovado não precisa passar em plenário e vai direto à Câmara dos Deputados.

 

Acho que vou ter de me acostumar com esses grupos de WhatsApp!

Avalanche Tricolor: um cara curioso, sortudo e com muito talento

 

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Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Renato no comando do Grêmio em foto de LUCASUEBEL/GrêmioFBPA

 

 

Éramos apenas oito mil torcedores na Arena nesta tarde de domingo. Era possível identificar alguns pais e seus filhos, mães, amigas, colegas, talvez de trabalho, de escola ou daqueles que se conhecem no estádio mesmo e têm sua amizade restrita às arquibancadas. Para todos era mais um programa de domingo, sem muitas pretensões, afinal estávamos de passeio. O Campeonato termina semana que vem e estamos apenas guardando posição.

 

Verdade que ao lado do gramado via-se Renato tentando por ordem na casa, irritado com o baixo desempenho de alguns jogadores, esbravejando pelo desperdício de passes, pelo deslocamento mal feito, pela bola mal dominada. Para ele pouco interessa que o time seja do terceiro escalão: se é Grêmio tem de suar, tem de lutar e tem de vencer.

 

Nosso técnico é uma figura curiosa, mesmo.

 

Sempre passou a imagem de um playboy que apreciava tanto a bola quanto a balada. Aprontou muito na noite. Divertiu-se o quanto pode. Falou mais do que devia. Fez galhofa. Pagou pela língua. Da mesma maneira, com suas palavras e provocações foi essencial na motivação dos colegas com que jogava ou do time que comandava.

 

Em campo, com o 7 estampado nas costas, era um gigante disposto a vencer qualquer barreira. Se uma tropa de uruguaios o prensava contra a linha lateral, não se fazia de rogado. Sem mesmo olhar para o lado, despachava a bola para o alto e a jogava dentro da área. Foi assim que marcamos o gol da vitória que nos deu o primeiro título da Libertadores, em 1983. Se uma blitz de alemães se portasse diante dele, despachava-os com uma sequência de dribles para um lado e para o outro, assim como o fez duas vezes na final do Mundial, no mesmo ano.

 

Como técnico, soube se reinventar. E o fez porque estudou muito o futebol e os adversários, ao contrário do que a afirmação polêmica feita ano passado tenha dado a transparecer. Haja vista a diferença do comandante que tivemos nas primeiras passagens pelo Grêmio (em 2010, 2011 e 2013) e deste que assumiu em 2016 para conquistar a Copa do Brasil e oferecer ao torcedor o futebol mais bonito do país, em 2017. Entendeu que não haveria mais espaço apenas para chutões, jogadas diretas e chuveirinho – apesar de ter consciência de que às vezes são recursos necessários. Que o diga o gol que nos dá vantagem nesta final de Libertadores.

 

Renato percebeu que tinha de reproduzir no time que comandava a mesma simbiose que o tornou um craque: talento no drible, velocidade na jogada, precisão no passe e um desejo incrível de se superar, suar, lutar e vencer a qualquer custo. Técnica e raça. Soma-se a isso, uma pitada de sorte, aquela que costuma acompanhar os melhores. Senão, vejamos: na quarta passada, Jael e Cícero que tinham recém-entrado foram os protagonistas do gol da vitória; hoje, em jogo que sequer valia muito, quem empatou a partida de cabeça no segundo tempo? Lucas Poletto, primeira substituição feita por Renato.

 

Que nosso técnico siga sendo esse cara curioso, sortudo e, principalmente, de muito talento e inspiração para todos nós!

Conte Sua História de São Paulo: o telefone do “bar” que me garantia as noitadas livres

 

Por Miguel Chammas
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Anos de 1960, a boemia fazia parte da minha existência. Eu tinha fôlego de sobra e sono de menos. A música de uma forma geral corria por todas as minhas veias. Era na realidade um pé-de-valsa, dançava se preciso fosse de segunda a domingo.
A rotina era marcante. De segunda à segunda, eu freqüentava os night-clubs da “boca do lixo” , desde a Avenida Duque de Caxias até as imediações da Avenida Ipiranga e da Rua da Consolação. Ali, todas as noites, encontrava com meus camaradas para os altos papos que precediam as noitadas dançantes.

 

Na Rua Marques de Itu, entre as Rego Freitas e Bento Freitas, dois inferninhos tradicionais: de um lado o Quitandinha Night Club e do outro lado o Havana Night Club. Era na porta do segundo que nos reuníamos: eu, o Nino (baterista e boêmio), o João (porteiro da casa), e ainda, o Sr Jair Rodrigues.

 

Naquela época, Jair Rodriguez lançava o primeiro 45 RPM, tendo do lado A o samba “Deixa que digam…” e do lado B o “Feio não é bonito”. Esse disco havia sido gravado sob os auspícios de uma famosa dupla formada por Venâncio e Corumba que muito ajudou o Jair nas suas primeiras investidas musicais. Eu, na minha humilde condição de amigo da noitada, ajudei o Jair a “caitituar” seu disco em muitas boates da época.

 

Mas as lembranças chegando a borbotões me fizeram alterar o rumo da prosa, voltemos ao roteiro principal.

 

Aos sábados, o programa era diferente. Os Duques de Piu-Piu, depois de devidamente infatiotados e devidamente jantados, se dirigiam até a Praça das Bandeiras, canteiro central, onde embarcavam no ônibus especial que os levava até os salões do “Recreio das Carpas”, na Cidade Adhemar. Foi ali que conheci a Ana, uma morena linda e elegante, que trabalhava no Laboratório Lily (um dia ainda conto como nos conhecemos).

 

O relacionamento com essa moça foi muito forte e se eu não fosse o pilantra que era poderia ter atravessado muitos anos da nossa existência. Mas eu era partidário da liberdade e, então, não querendo perder a tal liberdade ou a “mina” deixava as coisas flutuando.

 

Eu nunca disse a ela onde morava para não ficar pegando no meu pé. Mas se quisesse falar comigo era só ligar para o 34-40-11 que eu disse ser do dono de um bar em frente a minha casa. Mentira. Era o meu próprio telefone. Quando o aparelho chamava, meu irmão atendia:

 

-Alô… 34-40-11, o Miguel? Um instante que eu vou mandar chamar.

 

Eu dava um tempo, atendia a ligação e batia os maiores papos. Ela realmente nunca desconfiou de nada. E eu mantive o romance sem precisar me prender por ninguém.

 

O amor mais uma vez provava que era cego, surdo e mudo!

 

Miguel Chammas é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte voce também mais um capitulo da nossa cidade: escreva para milton@cbn.com.br

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: três dicas para pequenos e médios empreendedores

 

 

Aprender com o que fazem os grandes essa é uma das lições para pequenos e médios empreendedores que querem cuidar melhor da sua marca. A sugestão é de Jaime Troiano que lembra frase dita por Isaac Newton: “se consegui ver mais longe é porque estaca aos ombros de gigantes”. No programa Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Troiano e Cecília Russo apresentaram três dicas que podem ajudar donos de lojas, salão de beleza, barbeiros e mais uma série de prestadores de serviço.

 

A lição 1º, baseada no que disse Isaac Newton, é que o empreendedor tem de ter cuidado para não cair na tentação de começar zero, já que se tem tantos bons exemplos e referências a serem seguidos.

 

A lição nº 2 é que se deve ter muito cuidado com o habitat da marca: “sua alma, seu estilo é que devem influenciar o espaço da sua loja, oficina ou local de serviço”, ensinam. A recomendação se deve ao fato de ser comum o erro dos proprietários entregarem para profissionais de decoração ou arquitetura a construção deste habitat sem que estes tenham consciência da personalidade do negócio.

 

A lição nº 3 é que os empreendedores aproveitem o conhecimento disponível: busque o máximo possível de informação, procure cursos de branding e leia livros sobre o assunto.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar, aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.