Um livro para o pai: que baita orgulho!

 

 

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“Nunca pensei em ter um livro meu”, disse-me com a voz baixa, que revela a idade, e um leve sorriso no rosto, que transmitia uma mistura de orgulho e falta de jeito. Tudo isso veio acompanhado das sobrancelhas levantadas, uma de suas marcas mais expressivas. Estávamos no sofá da sala da casa onde o pai foi meu pai quase desde os primeiros anos de vida, na Saldanha Marinho, pertinho do antigo estádio Olímpico, no bairro do Menino Deus, em Porto Alegre, quando ele recebeu das mãos do Christian e da Jacque, meus irmãos, um exemplar do livro escrito pela jornalista Katia Hoffman: “Milton Ferretti Jung: gol, gol, gol, um grito inesquecível na voz do rádio” (editora AGE), que será lançado nesta quarta-feira, 17h30, na Feira do Livro.

  

 

O pai sempre me deu a impressão de que não tinha certeza da dimensão dele para seu público, seja os que acompanhavam estáticos diante do rádio as últimas notícias do Correspondente Renner seja os que vibravam com as emoções transmitidas por ele nas partidas de futebol. Andei muito ao lado dele, especialmente pelo interior do Rio Grande do Sul, e via como as pessoas o admiravam. Eu ficava inchado de orgulho. Ele continuava a construir sua obra. Ao contrário de muitos de seus colegas que faziam sucesso nos tempos áureos da rádio Guaíba, não se considerava artista, celebridade ou estrela. Era um operário do microfone, ao qual dedicou quase 60 anos de sua vida.

  

 

A Katia, autora do livro, assim como muitos de nossos colegas de profissão e o público dele, ainda bem, sempre souberam reconhecer o talento incrível com que o pai reproduzia os fatos da vida e da bola, com uma voz que acompanhava a importância de cada momento e com uma precisão que não nos deixava dúvida sobre o que falava e pensava. Graças a Kátia, que foi colega do pai por 26 anos, na Guaíba, parte desta história está agora contada em livro.

  

 

Li com emoção e carinho a primeira prova que me foi enviada pela autora. Pouca coisa mudou do texto original. Minha emoção e meu carinho, principalmente. Olho para a capa, folheio uma história, leio outras, relembro de alguns instantes vividos ao lado dele, e tendo a me emocionar.

  

 

Nesta quarta-feira, dia 15 de novembro, quando o livro estará em festa, na praça da Alfândega, em Porto Alegre, na mais simpática feira dedicada a literatura que tenho conhecimento, terei muito a me emocionar. Ver a Kátia, meus irmãos, os netos e os muitos amigos e fãs reunidos, ao lado do pai, no Pavilhão de Autógrafos, para homenageá-lo será a melhor resposta para aquela indagação feita por ele lá na Saldanha, semana passada, quando estivemos juntos.

  

 

Sim, pai, este é um livro só seu. Só sobre você. Você e seus admiradores.

  

 

Que baita orgulho!

  

 


O livro já está à venda, no site da editora AGE: é só clicar aqui

Avalanche Tricolor: Brasileiro é Brasileiro, Libertadores é Libertadores

 

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Brasileiro – Alfredo Jaconi/Caxias-RS

 

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Luan no Alfredo Jaconi (reprodução Premier)

 

O mando era nosso, o campo não. E quem joga profissionalmente sabe que isso faz diferença. A grama é diferente; o piso, também. A distância muda. As “marcas” que são referência para o posicionamento, o lançamento e o cruzamento desaparecem. Até mesmo a infraestrutura de atendimento dos jogadores gera desconforto.

 

É bem provável que tudo isso foi o que fez Renato reclamar, às vésperas da partida, por não poder jogar na Arena, neste domingo. Nada disso, no entanto, é suficiente para justificar o empate contra um time que ainda está no sufoco para escapar do rebaixamento e jogou boa parte do segundo tempo com um a menos.

 

Eis aí uma curiosidade: segundo jogo seguido que atuamos contra 10, no Brasileiro, e encontramos dificuldades para chegar ao gol.

 

A resposta para o que aconteceu talvez esteja mesmo no fato de times retrancados se transformarem em uma encrenca para nós que preferimos jogar de igual para igual, com toque de bola rápido, movimentação intensa e deslocamentos dentro da área. Essa coisa truncada, em que cada pedaço do gramado é disputado à foice, paredões se formam na frente da área e o adversário abre mão de jogar bola, tem trazido dificuldade para o Grêmio – e já vimos isto várias vezes neste campeonato.

 

Agora, por que estou eu aqui desperdiçando linhas e parágrafos para falar de uma competição para a qual sequer temos dada a devida atenção?

 

Porque cada uma dessas partidas que antecedem a primeira decisão da Libertadores, dia 22 de novembro, é um experimento para Renato e nossos jogadores.

 

Hoje mesmo, ele trocou os laterais, devido a lesões, pois sabe que talvez tenha de usar recursos semelhante nas finais; testou dois atacantes pelo lado esquerdo para aumentar a pressão; testou outros dois dentro da área – fixando Barrios e permitindo que Jael saísse mais para buscar a bola.

 

Testes devidamente calibrados para não expor nenhum dos nossos ao risco de uma lesão que os tirem do que realmente interessa. E isso me remete a outro fator determinante para o resultado deste fim de tarde: para romper retrancas, mais do que bom futebol, é preciso esforço redobrado, dividida mais forte do que o normal, encontrão nos zagueiros … Se para o craque Didi “treino é treino e jogo é jogo”, para o Grêmio, nesta altura da temporada, “Brasileiro é Brasileiro e Libertadores é Libertadores”.

Mundo Corporativo: 10 princípios para o jovem que deseja sucesso nos negócios

 

 

“Independentemente de você ser executivo ou não, a veia de empreendedor deve estar presente dentro de você em tudo que você estiver fazendo dentro da sua vida”.

 

Para Ricardo Diniz, autor dessa frase, a melhor maneira de manter essa chama acessa é trabalhar ao lado dos jovens e, segundo ele, foi isso que o inspirou a escrever o livro “Como chegar ao topo nas empresas – os 10 princípios para o jovem que deseja o sucesso no mundo dos negócios”. Diniz foi entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, quando falou de alguns dos ensinamentos alcançados ao longo de sua vida profissional que começou como estagiário para depois trabalhar em bancos de investimento, atuar como empreendedor e sócio-fundador de uma empresa de teleinformática, ser diretor de agência de notícias até tornar-se o mais jovem presidente de uma multinacional no Brasil.

 

Aqui os 10 princípios de Ricardo Diniz publicados em livro:

 

  1. Um propósito todo seu
  2. Há sempre um lado humano
  3. A ciranda dos riscos
  4. A transparência é o seu escudo
  5. O cliente é seu melhor negócio
  6. A mente positiva gera soluções
  7. O mundo não para de girar
  8. Ultrapasse as fronteiras
  9. Seja seu próprio headhunter
  10. Trabalhe com prazer e viva em paz

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site ou na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Sua Marca: empresas tem de ser a ponte entre o que a mulher é e o que gostaria de ser

 

 

 

 

Uma coisa é como você se vê, outra é como gostaria de ser visto. Diante dessa realidade, Jaime Troiano e Cecília Russo foram entender como as mulheres reagem frente a essas questões. Uma das curiosidades encontradas neste estudo é perceber que as mulheres se veem de forma muito tradicional: são confiáveis, protetoras e dedicadas. Porém, elas querem ser vistas também como profissionais, inteligentes e assertivas.

 

 

O desafio para as marcas ao se comunicarem com essas mulheres é perceber que não devem ser espelhos, mas pontes que criem oportunidades para que elas cheguem onde realmente gostariam de estar: “comunicação não é um retrato; as marcas precisam alimentar sonhos nas pessoas”, diz Troiano.

 

 

Quanto as empresas que estão conseguindo se identificar com as mulheres, a pesquisa revela que no setor de automóveis são a Toyota e Hyundai que estão conseguindo se transformar em inspiração. Já no segmento de higiene e beleza aparecem três empresas conectadas com as aspirações femininas: Natura, Mary Key e Boticário. “O papel das marcas é ser esta ponte entre o que as mulheres são e o que gostariam de ser”, diz Cecília.

Quantos bitcoins são necessários para você estar com o “bolso cheio” ?

 

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É curioso como temos o hábito de repetir expressões que, ao pé da letra, não fazem mais sentido. Mas as repetimos porque nossos interlocutores ainda compreendem sua lógica e as recebem no sentido figurado. “Cair a ficha” é a das mais comuns. Aparece a todo momento, especialmente quando nos deparamos com algo surpreendente, inesperado. “Confesso que ainda não me caiu a ficha o fato de você sair de casa para trabalhar” disse para meu filho mais jovem. E ele entendeu (a expressão), mesmo jamais tendo visto como funcionava um Orelhão com fichas. No caso dele, nem os de cartões ele usou.

 

Imagine aquele garoto que acabou de chegar na sua empresa. Estagiário, cheio de ideias, passa o dia tentando convencer você da mesma coisa. Cansado, você pede: “amigo, vira o disco”. Apesar dele jamais ter rodado um vinil na eletrola (ah, não sabe que som iria escutar!), entende que está na hora de trocar de assunto. Aqui apenas uma observação: cuidado quando sugerir para um garoto na sua empresa mudar de assunto, talvez você não tenha tido paciência suficiente para entender que a sugestão dele pode transformar seu negócio.

 

Há outras expressões que usamos por força do hábito, mesmo diante das enormes transformações tecnológicas vividas nos últimos tempos: “pegou o bonde andando”, “deu tilt”, “tá tudo magiclick” – ok, ok, esta última foi forçação de barra, nem você lembrava mais daquele aparelho elétrico que ajudava a gente a acender o fogo no fogão.

 

Outra que há algum tempo já deixou de ter sentido é dizer que o fulano de tal “tá com o bolso cheio”, no sentido de dizer que ele meteu a mão em uma grana preta, ou acertou no bicho, ou pegou a mega-sena, ou fechou aquele contrato dos sonhos. Vem de um tempo em que recebíamos o salário em dinheiro vivo, geralmente dentro de um envelope. Imagino que, assim como eu, muitos de vocês, caros e raros leitores deste blog, há tempos não botam a mão no salário. Não porque o dinheiro é curto, mas porque é depositado eletronicamente na sua conta do banco. De lá, você transfere para pagar a luz, a água, o gás, a escola das crianças, a prestação das compras, a fatura do cartão, o posto de gasolina …. Nem o cafezinho no bar da esquina você paga mais com dinheiro. Se tirar uma nota de R$ 50 da carteira, a moça vai olhar com cara de incomodada: “tô sem troco!”

 

Arrisco dizer que o salário vai embora sem que você veja, literalmente, a cor do dinheiro.

 

Desde o fim do século passado, o papel-moeda passou a ser substituído pelo cartão de plástico, o chipe de silicone e, mais recentemente, por bits. Sim, podemos negociar moedas digitais que já circulam no planeta, apesar da desconfiança que paira sobre a novidade. A mais famosa de todas é o Bitcoin, o qual você compra e vende em corretoras especializadas, inclusive aqui no Brasil. Há quem já aceite fechar negócios nesta moeda que não tem lastro nem lustro, pois é “invisível”.

 

Arrisca-se dizer que esta é a quarta revolução monetária que assistimos desde o surgimento do dinheiro, há cerca de 3 mil anos, criado na Lídia, que resultou no sistema de mercado abertos e livres, como descreveu em livro Jack Weatherford. Em “A História do Dinheiro”, o autor identifica a segunda revolução na Renascença italiana, período que se entende entre os séculos 14 e 16, que criou o sistema de bancos nacionais e o papel-moeda. A terceira revolução iniciou-se no fim do século passado com a circulação do dinheiro eletrônico ou virtual.

 

O dinheiro já teve diferentes formatos desde conchas, chocolates, pedras enormes até chegar a moeda e as notas como conhecemos atualmente. Fizemos dele cheque, nota promissórias e mais uma montoeira de papéis que devidamente registrados valiam ouro no mercado. Todos eram suficientes para encher o bolso de seu proprietário. Hoje, a riqueza pode estar acumulada em sinais eletrônicos ou bits no seu celular, conforme você decidir armazená-lo.

 

Quantos bits são necessários para encher o seu bolso?

 

Foi com essa pergunta que iniciei a conversa com três jovens que têm se dedicado a usar, explorar e trabalhar com a criptoeconomia, que é o resultado de combinações de criptografia, redes de computadores e teoria de jogos que fornecem sistemas seguros que exibem algum conjunto de incentivos econômicos – definição esta encontrada no wikisite do Ethereum, outra moeda virtual que circula, porém sem a mesma fama do Bitcoin.

A conversa com os três você acompanha neste vídeo:

 

Um dos participantes da conversa foi João Paulo Oliveira, co-fundador da FoxBit- Bitcoin no Brasil, corretora especializada em criptomoeda, que acaba de se transferir para a XP. Epa …. A XP do Itau tá contratando gente que entende de criptomoeda? Tem coisa boa por aí! Estava com a gente ainda o Diego Perez, sócio fundador da LatoEx, que deu boas explicações sobre como o blockchain pode ser usado em diversos segmentos, para quem ainda desconfia de seu uso no sistema monetário. E para completar a roda: Patrick Negri, criador da Iugu, uma plataforma que facilita a vida de empresas na hora de cobrar, pagar e receber de seus clientes. Verdade que ele trabalha no formato mais tradicional de negócios, mas também investe uma pequena parcela do seu dinheiro em bitcoin.

 

De minha parte, que fiz apenas o papel de mediador e como tal curioso em entender o tema, fiquei com a impressão que, apesar do entusiasmo dos convidados e diante das ressalvas que eles próprios fizeram, muitos dos que assistiram ao encontro, ao vivo, saíram com a impressão que o bitcoin pode encher o bolso de muita gente, mas o perigo de o investidor se transformar em um “pé rapado” de uma hora para outra e sem nenhuma garantia de recuperação do dinheiro é grande ainda. No entanto, a tecnologia que move este cenário será transformadora nos mais diferentes setores para os quais for aplicado. Portanto, é bom ficar muito atento a esta discussão.

 

A propósito: 1 bitcoin vale hoje R$ 25.279,00.

 

Avalanche Tricolor: haja paciência!

 

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Brasileiro – Moisés Lucarelli/Campinas-SP

 

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foto de arquivo

 

 

Meu Deus do Céu! A coisa tá pior do que eu imaginava. A ansiedade tá matando com minha razão e me levando ao delírio. Se ontem foi dia 8 de novembro e as finais serão dias 22 e 29 de novembro, evidentemente que faltavam 14 dias e não 7 como este escriba registrou na Avalanche publicada logo após a partida da Ponte Preta. Como tenho caros, raros e bons leitores, foram eles, Nelson Zambrano e Moacir Carvalho, quem me alertaram para o absurdo da minha matemática. Diante dos fatos, além de agradecer o carinho deles e pedir desculpas, resta me internar até lá ou buscar ajuda para controlar a ansiedade da final. Vou até ali e já volto, gente ….(publicado em 9 de novembro)

 

 

1, 2, 3, 4, 5, 6, … 7 (e mais 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14) dias ainda nos faltam até o início da decisão da Libertadores. Somente daqui uma duas semanas, o Grêmio que queremos ver, voluntarioso, preciso, veloz e sufocante estará em campo. Aquele Grêmio que nos capacitou a ser o melhor time brasileiro na competição e um dos mais encantadores da temporada, na visão dos próprios críticos. Um time que é capaz de manter uma fortaleza na defesa sem abrir mão do jogo ofensivo. Firme na marcação e talentoso no ataque.

 

A espera para que esse momento se realize exige paciência de cada um dos seus torcedores. E de seus jogadores, também. Já escrevi sobre isto no domingo, após a vitória incontestável na Arena Grêmio. Não seria diferente depois do jogo desta noite, em Campinas, de onde também saímos com uma vitória, apesar de neste caso não se aplicar o mesmo adjetivo. Houve muita contestação por parte do adversário: Marcelo Grohe que o diga. O nível de exigência foi impressionante. E a performance de nosso goleiro, inquestionável.

 

Na partida desta quarta-feira, fomos apenas o esboço daquele time ideal. Nem poderia ser diferente, haja vista a escalação que Renato levou a campo. Sei que poderíamos esperar um pouco mais, afinal tinha gente ali com capacidade de se apresentar melhor. Agora confesso a você, quando comecei a perceber a força com que o adversário entrava em cada jogada, principalmente após o lance sobre Ramiro, que resultou na expulsão, já estava achando melhor terminar a partida por ali mesmo. Perder um jogador a esta altura da temporada é de tirar a tranquilidade de qualquer um. Imagine o que se passava na cabeça desses jogadores.

 

De positivo, ficou a capacidade de resistência do time e a agilidade de Grohe, diante de um adversário que se lançou de forma desesperada para o ataque. Na partida anterior já havíamos sido suficientemente maduros para buscar a vitória mesmo saindo atrás no placar. E esses serão fatores que podem desequilibrar a decisão da Libertadores a nosso favor se assim formos exigidos.

 

No fim de semana ainda teremos mais um jogo pelo Campeonato Brasileiro. Lá estarão nossos jogadores, sendo cobrados porque vestem a camisa do tricolor e porque a expectativa em torno do Grêmio é sempre grande. A vitória é sempre uma demanda. Mas tudo bem, porque agora só é preciso um pouco mais de paciência. A final está logo ali … pensando bem, ainda faltam  7  14 dias, não é mesmo? 

 

Haja paciência!

Menos impostos para maior arrecadação e menos seguridade para mais empregos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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“Nem tudo que reluz é ouro”

 

Eis aí um provérbio tão antigo quanto atual para o nosso país, que vive a contingência de aumento de impostos e de redução de direitos trabalhistas. O fato é que as verdades aparentes podem encobrir a realidade, que somente poderão ser alcançadas pelo conhecimento. E neste ponto vale lembrar o artigo publicado neste Blog ontem, de autoria de Jaime Pinsky, ao colocar com propriedade que é necessário buscar o conhecimento com aqueles que possuem autoridade nas respectivas matérias.

 

Impostos e empregos são assuntos da alçada de economistas, que podem até apresentar análises diversas, mas sempre dentro do conhecimento inerente ao tema.

 

A “Curva de Laffer”, por exemplo, usada por Arthur Laffer para demonstrar que a partir de determinado ponto da taxação a arrecadação cai e, consequentemente, abaixando o imposto o recolhimento aumenta, pode ser contestada, mas não pode ser ignorada.

 

A esse respeito há muitos estudos que indicam que 33% é o ponto máximo para a taxação de impostos.

 

Do mesmo modo que o aumento da arrecadação poderá ser obtido pela redução de impostos, o crescimento dos empregos também poderá vir através da diminuição de alguns direitos trabalhistas. O empregador com menos encargos demitirá mais e admitirá também mais, gerando aumento de empregos. Embora aqui não haja métrica que possa indicar com precisão a exata correlação entre os fatores.

 

Ao mesmo tempo, outro postulado da Economia pode ajudar no entendimento destas correlações. É o principio da otimização em relação à maximização.

 

Ou seja, ao utilizarmos um equipamento 24hs por dia, sem descanso, estaremos maximizando sua produção. Entretanto, a vida útil dessa unidade de produção será menor do que aquela em que se opere, por exemplo, apenas 80%, reservando 20% do tempo restante à sua manutenção.

 

A otimização vale para serviços e até mesmo como estilo de vida. A maximização deveria ficar apenas para a busca do conhecimento real.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Onde estarão os leitores de livros?

 

Por Jaime Pinsky
historiador e editor
doutor e livre docente da USP
professor titular da Unicamp

 

Texto escrito originalmente para o site de Jaime Pinsky, ótima fonte de consulta e conhecimento

 

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A questão da leitura no Brasil é difícil de formular. Por um lado envidam-se esforços no sentido de proporcionar acervos de livros adequados para leitores em escolas e universidades, centros de juventude, bibliotecas públicas e particulares. Por outro se treina as novas gerações em mídias digitais, o que não seria problemático, não fossem elas utilizadas quase que exclusivamente para mensagens e informações apressadas e superficiais, quando não levianas. Ao dar o mesmo valor a qualquer blog do que se dá a uma fonte criteriosa, como um bom jornal, o leitor se torna vítima fácil de notícias plantadas, informações maliciosas, ou simplesmente mau jornalismo. Todos nos tornamos médicos, advogados e historiadores após uma rápida consulta ao que disse tia Cotinha no Facebook da família, ou no Whatsapp da turma da escola. Há professores que simplesmente mandam pesquisar “na internet”, como se tudo que se encontra na web tivesse equivalência. Nem damos bola para o fato de que a especialidade de tia Cotinha é uma deliciosa sopa de legumes com ossobuco e que o primo de Paraguaçu Paulista não se notabiliza pela capacidade de selecionar informações. Confunde-se espaço democrático e direito de expressão com competência e divulgam-se asneiras de todo tipo sob o argumento de que todos têm o direito de se expressar. A única ressalva é que direito de se expressar não pode ser confundido – uma vez mais – com qualificação em todas as áreas. Para dar um exemplo extremo e obvio Dr. Paulo não me consultou sobre a técnica que deveria usar para implantar o marca-passo no meu peito. E eu ouso dar aulas e fazer palestras sem perguntar a opinião dele sobre fatos históricos. A qualificação existe, senhores…

 

Assim, que me desculpem os palpiteiros, mas competência é preciso. Claro (não finjam que não entenderam meu argumento) que não me refiro a assuntos e temas sobre os quais qualquer cidadão pode e deve se manifestar. Qualquer um pode e deve opinar, por exemplo, sobre reforma política (menos partidos? Voto distrital? Fim das coligações? Financiamento oficial? De empresas? Só de pessoa física?). Todos podem e devem entrar na discussão sobre se questões de saúde pública (como o aborto) devem ser confundidas com questões religiosas. Se foro especial não é uma prática antirrepublicana que beneficia apenas os já beneficiados e cria cidadãos de classes diferentes em uma sociedade que deveria privilegiar a igualdade de oportunidades. Se já não chegou o momento de acabar com essa folga de autoridades requisitarem aviões oficiais para passar o fim de semana em seus feudos (feudos, sim senhor) eleitorais, etc, etc, etc…

 

É evidente que não se deve tolher o exercício pleno da cidadania, que inclui o direito à manifestação, pelo contrário. O que defendo é o direito à informação séria, responsável, relevante. É fundamental ficar alerta, selecionar criteriosamente as fontes, evitando-se divulgar notícias falsas, textos apócrifos, supostas opiniões de figuras conhecidas que nunca disseram aquilo, trechos truncados que distorcem o conteúdo e, não menos importante, provocações irresponsáveis. E aí voltamos à questão da leitura de livros. Se você, improvável leitor deste artigo, não for um leitor de livros eu sinto muito. Ainda é neles que está depositado grande parte do patrimônio cultural da humanidade. Em livros estão registrados desde os textos sagrados das três mais importantes religiões monoteístas do mundo até as reflexões mais sofisticadas dos pensadores contemporâneos, passando por todos os teóricos sociais, estudos de economia, avaliações históricas das principais organizações sociais criadas pelo homo sapiens. Há livros para adultos e para crianças, para ler na praia, no metrô, no escritório, na cama. E se pensarmos em ficção, com livros a gente cria o personagem do nosso jeito, não fica sujeito aos caprichos do diretor do filme, por isso melhor que ver um bom filme é ler um bom livro.

 

Em uma sociedade em que o celular fica obsoleto em dois anos e uma relação amorosa não costuma durar nem isso; em que não temos tempo para conhecer as pessoas, elas nos aborrecem antes de sabermos quem elas são; em uma sociedade em que não degustamos, devoramos; em que não sabemos mais apreciar os caminhos, só queremos chegar; em que aprendemos a ler “por cima”, pulando linhas, letras e sentidos, sem curtir a construção elegante, o uso correto das palavras, o texto coeso, a mensagem clara; Quem teremos para ler livros nas próximas décadas?

Avalanche Tricolor: Grêmio ganha de virada, segura a ansiedade e conta os dias

 

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Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Comemoração do gol na foto de LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

 

Ansiedade é o mal da sociedade moderna me disse ainda nessa semana Jairo Bouer, colega psicólogo que trabalha no meu programa de rádio. É resultado da maneira como encaramos nossas tarefas e desafios, profissionais ou pessoais. Queremos acelerar mais do que o tempo permite. Esperamos para agora resposta para algo que só poderá ser respondido amanhã. Impossível de ser alcançado. Pois tudo tem o seu momento certo.

 

Os torcedores gremistas, desde quarta-feira passada, temos percebido essa sensação de maneira ainda mais exarcebada. Queremos que o tempo voe, os dias se acabem, a semana passe e o 22 de novembro chegue o mais rapidamente possível. Tivéssemos esse poder, daríamos um salto no calendário para o 29 de novembro, data da última partida da Libertadores, quando esperamos (toc-toc-toc) estejamos todos comemorando o TRI.

 

O problema é que daqui até lá teremos longa espera e partidas intermináveis pelo Campeonato Brasileiro. Como a desta tarde de domingo, em Porto Alegre. Um jogo que para muitos sequer precisaria ter acontecido.

 

Dá pra deixar do jeito que dá?

 

Não, não dá!

 

E Renato está consciente disso. Até porque o tempo é seu melhor companheiro neste momento. Sabe da necessidade de decidir-se por este ou aquele jogador no time titular. Precisa recuperar fisicamente os mais desgastados e, principalmente, os lesionados, como Barrios, nosso comandante no ataque. Tem chance de testar jogadas ensaiadas, arriscar variações na forma de atacar e posicionar da melhor maneira possível nossa defesa, adaptando-se ao adversário da final.

 

Luan é o melhor exemplo. Depois de mais de 50 dias lesionado, voltou aos poucos, viu sua performance melhorar partida a partida e, como demonstrou hoje, está em plena ascensão. Voltou a marcar gol aparecendo como homem mais adiantado do time e por trás dos zagueiros. Da mesma maneira que na primeira partida da semifinal da Libertadores. Vai chegar à decisão nos trinques, expressão que costumava ouvir do Tio Ernesto, personagem que já lhe apresentei, caro e raro leitor, nesta Avalanche.

 

O tempo ajudará Renato a decidir-se, por exemplo, por Fernandinho ou Everton no time titular, apesar de eu ser adepto da ideia de que ambos foram feitos para entrar com a bola rolando – e não me pergunte porque eles têm essa característica.

 

Os dois gols da virada de hoje confirmaram o bom momento do menino que joga com sorriso no rosto e cara de “cebolinha” – perdão, já soube que ele pediu para que esquecêssemos seu apelido. Esqueceremos em breve. Quem sabe depois do dia 29. Everton dá mais velocidade, mas nem sempre mantém a performance quando sai jogando. Até para isso Renato terá tempo para testar.

 

Falei em gol da virada: eis aí mais uma boa notícia desta tarde.

 

Apesar de sairmos atrás do placar, mantivemos a mesma calma no toque de bola, na busca dos espaços e na tentativa de chegar ao gol. O que para muitos de nós às vezes é irritante, pois queremos ver aquela avalanche de chutes a gol. Somos ansiosos, eu sei. O time não foi, seguiu jogando seu futebol, dono da bola e contou com astúcia do seu técnico que encontrou no banco de reservas as duas soluções que faltavam para alcançar a vitória: Beto da Silva e Everton.

 

Disse tudo isso até aqui, elogiei a calma gremista e a tranquilidade do nosso técnico no planejamento para a final, estou consciente que devemos controlar nossa ansiedade e dar tempo ao tempo, mas, confesso, enquanto assistia à partida pelo Brasileiro, não saia da minha cabeça a festa que estamos preparando para receber o Grêmio na Arena, no dia 22 de novembro.

 

Só faltam 17 dias! Ainda faltam 17 dias!

Conte Sua História de São Paulo: a contadora de filme

 

Por Susana Menda
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Fui a São Paulo pela primeira vez em julho de 1954 para as comemorações
do 4o. Centenário. Na verdade, detestei e disse que nunca moraria nessa
cidade: “isto e um formigueiro de gente, comparado com a minha outrora
calma Porto Alegre”.

 

Paguei pela boca.

 

Aí há um hiato de muitos anos. Fiquei adulta, namorei um paranaense, até que um dia ele me disse: “vou embora para São Paulo, fui transferido”. Levei um baque, gostava muito dele , mas não sou de me afogar num copo d’agua, tratei de arrumar uma transferência no meu trabalho e tocar para Sampa.

 

Comprei um apartamento numa ruazinha pequena bem próxima a Av. Paulista e … cheguei eu. Telefonei para o trabalho do namorado e escutei a seguinte frase: “foi transferido para o Paraná”. Respirei fundo. Ele se foi, mas eu fico. Fiz todos os programas de um recém-chegado: Vila Madalena, Butantã, Teatro Municipal, Rua Augusta, Pinheiros, Masp, Mooca e o escambau.

 

Nesse ínterim minha irmã, o marido e a filha vêm para São Paulo. Por quê? Minha irmã, jornalista, veio para trabalhar na rádio CBN, dai minha ligação com a rádio .

 

Dia 21 de março de 1981, fui ao Cine Copan ver o “Touro Indomável”, com Robert de Niro. Lá me seguiu um nissei (o outro namorado também era) que me fez um pedido inusitado: “conte o filme para mim, acabo de chegar”. Anos depois, ele emendou: “eu estava no cinema a horas te vi chegar e te segui”.

 

Faz 35 anos que estamos contando filmes um para o outro e os responsáveis são o ex-namorado, aquele que foi para o Paraná, o Cine Copan, e, claro, São Paulo.

 

Susana Menda é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história, escreva seu texto para milton@cbn.com.br.