Conte Sua História de SP: desembarquei no Glicério, no 1º de maio

 

Por Paulo Afonso Pacheco
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

As afinidades com a cidade começam com o meu nome e aniversário: sou Paulo Afonso Pacheco, nascido aos 25 de janeiro de 1961, em Guidoval, Minas Gerais, no dia do aniversário de São Paulo.

 

Cheguei aqui em 1º de maio de 1979, um dia marcado por manifestações de trabalhadores metalúrgicos, desembarquei na extinta Rodoviária do Glicério, começando minha Via Crucis por esta metrópole.

 

Morei em Itaquera, Arthur Alvim, Cidade Patriarca, Vila Guilhermina, Penha, Tatuapé, Mooca e agora no Centro Velho descobri meu lugar definitivo.

 

A cidade sempre me fascinou muito, prova disso é que cheguei a morar nos Estados Unidos, mas o amor pela minha São Paulo já não permitia me separar dela.

 

À São Paulo, eu devo o que tenho e o que sou, diria que até muito mais do que sou.

 

São Paulo me deu família e me deu amores.
São Paulo me deu um casal de filhos. Filhos lindos!

 

A cidade que se tornou violenta pelo seu trânsito, ceifou a vida de minha filha Mariana aos 17 anos, em 2013, em um bárbaro acidente.

 

Já que viver é preciso, me coloquei de pé e continuo vivendo, lutando por uma cidade menos violenta, e me apaixonando cada dia mais por esta cidade a qual chamo de maravilhosa sem desmerecer àquela que é dona do título.

 

São Paulo dos meus encantos e dos meus amores, obrigado pela oportunidade que tenho de desfrutar cada dia mais um pouquinho de você!
Obrigado São Paulo porque você existe.

 

Paulo Afonso Pacheco é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte outros capítulos da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo – Nova Geração: “o jovem não quer ter, quer experimentar”, diz Otávio Juliato, do Omelete

 

 

“O jovem está mudando seu hábito de consumo, não quer mais ter coisas, quer experimentar coisas: ele prefere ir a um show ou visitar um amigo na Itália do que guardar dinheiro para ter a casa ou o automóvel; o conceito de propriedade vem mudando”. A constatação é de Otavio Juliato, diretor comercial do Omelete, maior empresa de entretenimento e cultura pop do Brasil, a partir de pesquisas realizadas com as novas gerações. Em entrevista a Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, Juliato falou de estratégias e cuidados que as empresas e marcas devem ter para se comunicar com esse público.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN, ou domingo, 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Causin, Luiza Silvestrini e Débora Gonçalves.

Mudança de comportamento no comércio é desafio para estatísticas, no BR e EUA

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Informações sobre lojas, publicadas há pouco, simultaneamente no New York Times e no Relatório Anual da ABRASCE Associação Brasileira de Shoppings Center, dão a impressão que estamos em mundos diferentes.

 

A manchete dos americanos é contundente:

 

“Lojas temem virar peça de museu concorrendo com a internet”.

 

Enquanto os brasileiros, menos enfático mas otimistas, apontam o crescimento do número de shoppings de 538 para 558 no último ano. Perfazendo acréscimo de 3,7%. Registram também aumento de 3,8% na ABL área bruta locável. Que é uma medida da quantidade dos espaços disponíveis para as lojas se instalarem.

 

Não obstante os dados positivos relativos ao desempenho do último ano, registram o potencial de desenvolvimento comparativamente ao atingido em outros países.

 

Tomando a ABL disponibilizada para cada 100 habitantes registram que nos EUA há 219ABLm2 /100hab, no Chile 20ABLm2/100hab, enquanto no Brasil temos 7,4ABLm2/100hab.

 

Esses dados da ABRASCE, embora reais são inócuos, pois considerar o crescimento de ABL é distorcer o resultado. Em virtude do grande espaço ocupado pelas âncoras este índice fica sem significado. É só percorrer a maiorias dos Shoppings brasileiros para atestar os espaços locáveis sem ocupação.

 

Da mesma forma, apostar no potencial de disponibilidade futura da ABL por habitante, é crer no mesmo cenário do varejo, quando há clara sinalização que devido a novos canais e novas conexões, além de específicos lifestyles, haverá uma nova estruturação do comércio.

 

É o que diz o New York Times, apontando que nos últimos três anos o comércio eletrônico que vinha crescendo 30 bilhões ao ano, passou para 40 bilhões de dólares:

 

“A transformação vem esvaziando os shoppings center, levando marcas tradicionais do varejo à falência e causando perdas de emprego em volume espantoso: 89 mil vagas foram perdidas de outubro do ano passado para cá.”

 

Ao mesmo tempo, operações de sucesso digital como a Amazon abrirão lojas físicas.

 

Lojas físicas deverão comissionar vendedores que encaminharem compradores para a web, e lojas físicas abrirão lojas virtuais.

 

Aqui, haverá mudanças no mix, com preferência ao entretenimento. Cinemas, teatros, restaurantes, games, etc. deverão ampliar em muito sua presença.
Lá e cá, quem comandará será o consumidor. As estatísticas que se cuidem.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: Barrios começa a construir sua história no Grêmio

 

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Libertadores – Arena Grêmio

 

 

Intensidade. Eis uma palavra que está na moda no futebol. Raramente deixa de ser dita pelos jornalistas esportivos nas transmissões no rádio e na televisão. Costuma ilustrar o futebol jogado com marcação forte sobre o adversário, troca de passe rápida, velocidade no ataque e chutes a gol.

 

Poucas coisas foram tão intensas quanto o jogo jogado no primeiro tempo desta noite, na Arena. Em 10 minutos, já havíamos sofrido sufoco, retomado a bola, marcado um gol e perdido um dos nossos principais destaques por lesão. O que se seguiu não foi diferente: em pouco mais de 45 minutos, foram quatro gols, um pênalti perdido e uma expulsão. 

 

No segundo tempo, o ritmo diminuiu e a técnica despencou, mas não faltou intensidade: ao menos não faltou para Barrios, nosso camisa 18. Se o time já não tocava tão bem a bola e o adversário tinha dificuldade para jogar, nosso atacante desencantou de vez.

 

O argentino, naturalizado paraguaio, travestido de gremista tinha feito o primeiro lá no início da partida, após receber a bola na pequena área e desviá-la para o gol. Não demorou muito para marcar o segundo: Barrios estava novamente presente dentro da área e concluiu uma jogada da qual já havia participado em sua origem. 

 

Quando pouco coisa parecia acontecer em campo, no segundo tempo, Barrios surgiu novamente. Recebeu mais um presente nas costas dos zagueiros, olhou para a goleira e não perdoou: estufou as redes pela terceira vez na mesma partida.

 

O atacante que vem se chegando aos poucos no time titular, esperando com paciência suas oportunidades, já é o autor de seis gols na temporada em 12 partidas que disputou e começa a ser protagonista da história até aqui vitoriosa do Grêmio na Libertadores, no papel que mais queremos que ele represente: o de Matador.

 

Bem-vindo, Barrios!

 

 

Charge do @jornaldacbn: “vista a roupa meu bem”

 

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Em meio a tensão do debate da Reforma Trabalhista, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se envolveu em discussão com o deputado Assis Melo (PCdoB-RS) por causa da roupa vestida pelo parlamentar.

 

Melo entrou no plenário da Câmara como se fosse um metalúrgico, com uma roupa branca, avental, luvas e máscara de proteção. Teve o pedido da palavra negado por Maia sob a justificativa que no parlamento só se fala com terno e gravata.

 

O deputado trocou de roupa, falou, reclamou e a discussão dele com Mais inspirou a equipe do Jornal da CBN:

 

Entrevista: juiz do trabalho tira dúvidas sobre mudanças aprovadas na Reforma Trabalhista

 

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A Reforma Trabalhista foi aprovada pela Câmara dos Deputados e traz mudanças importantes na relação das empresas com os trabalhadores. Para tirar dúvidas dos ouvintes, o Jornal da CBN convidou o juiz do trabalho Marlos Augusto Melek, que participou da redação do texto que vai ser encaminhado agora para o Senado.

 

Melek defende a ideia que a reforma não retira direito dos trabalhadores. Independentemente do que você pense sobre o tema, é bom estar preparado e bem informado sobre as mudanças que vêm aí.

 

Ouça a entrevista completa com o juiz Melek:

 

De museu particular a viagens exclusivas, livros sugerem turismo de luxo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Ir ao Louvre é programa da maioria dos turistas que vai a Paris. Só no ano passado, o museu recebeu mais de 7,3 milhões de visitantes. É o mais visitado do mundo. Pense agora na possibilidade de conhecer as obras de arte que fazem parte desse museu de uma maneira bem particular: fora do horário de expediente. Esse é um programa para poucos e privilegiados. Um luxo.

 

E são luxos como esse passeio privado no Louvre que fazem parte das experiências que se destacam em uma série de cinco livros com os melhores destinos do mundo, lançada recentemente na Preview da SP-Arte/2017, o Luxury Travel Book 2017.

 

Além da programação em Paris, você encontrará nos livros produzidos pela PrimeTour, agência de viagens com foco no turismo de luxo, outras atrações incríveis como um exclusivo concerto de piano na Basílica de San Marco, um roteiro de balão sobre os exóticos templos de Myanmar e um show de dança privativo na Tailândia.

 

Entre as atrações sugeridas, você é convidado ainda para um piquenique no topo de uma montanha, o prazer de se hospedar em um quarto em um castelo medieval, uma nova massagem no mais exclusivo spa ou uma rede à sombra em praia particular.

 

São vivências totalmente personalizadas – exatamente o tipo de exclusividade que busca o viajante que movimenta o turismo de luxo no mundo. Jornadas por paisagens únicas. A descoberta de um segredo guardado para poucos. Retiros silenciosos ou viagens de aventura. Acessos privilegiados e vantagens exclusivas. Serviço discreto e ágil. Equipe especializada selecionada. Conforto e entretenimento de alta categoria.

 

No mundo atual, tempo é o nosso bem mais raro. Luxo a ser alcançado por muitos. Hoje o consumidor contemporâneo de alto poder aquisitivo entrega à sua agência de viagens todos os seus desejos, anseios, curiosidades, sonhos…o desafio das agências é cada vez mais não apenas atender, mas entender e encantar esses clientes tão exigentes. O relacionamento com o cliente é fundamental, pois é possível aprofundar-se nos interesses e desejos individuais de cada um e atendê-los de forma personalizada, tornando a viagem perfeita e uma experiência inesquecível.

 

Os livros ajudam nessa tarefa. Estão reunidos em um box e foram segmentados nas categorias Art&Culture, Love, Happiness, Body&Soul e Trend&Cool.

 

Aproveite e sonhe com o seu próximo destino!

 

Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e colabora com o Blog do Mílton Jung.

Reforma: campeão ou não, o Brasil bate um “bolão” quando o tema é ação trabalhista

 

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A Reforma Trabalhista está em discussão na Câmara dos Deputados e o governo aposta que conseguirá aprovar o relatório com as mudanças na CLT ainda nesta terça-feira. Há controvérsias … aliás, muitas controvérsias.

 

A proposta defendida pelo governo vai acabar com os diretos trabalhistas?

 

Empresas poderão reduzir salários dos trabalhadores?

 

Todo mundo vai ser terceirizado?

 

Essas são algumas das perguntas que os trabalhadores (e os desempregados, também) fazem neste momento. Por isso, o Jornal da CBN, nesta terça-feira, ouviu alguns dos seus comentaristas sobre o tema e foi além: convidou a Agência Lupa para checar informações usadas pelo presidente Michel Temer em defesa da Reforma Trabalhista e promoveu debate com participação de dois deputados que integram a comissão que vai votar as mudanças.

 

Por curiosidade, os deputados Vitor Lippi (PSDB-SP) e Chico Alencar (PSOL-RJ) divergiram sobre os motivos que levam o Brasil ao título de campeão mundial de ações trabalhistas. Para Lippi, é sinal da falta de garantia que os empregadores têm com as regras atuais. Para Alencar, prova da má-fé de empregadores.

 

A afirmação de que o Brasil é campeão mundial de ações trabalhistas também é repetida pelo presidente Michel Temer em suas entrevistas em defesa da Reforma Trabalhista, porém não há dados oficiais que mostrem esta “distinção”  brasileira no cenário, conforme apurou a Agência Lupa.

 

Em entrevista que foi ao ar pouco antes do debate, Cristina Tardáglia, diretora executiva da Agência, disse que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) informou não ter “conhecimento da existência de dados que comparem o número de ações trabalhistas em diferentes países” e que a “comparação não é possível” uma vez que existem “enormes diferenças entre leis trabalhistas, sistemas jurídicos e disponibilidade de estatísticas” nos diversos países do mundo.

 

A Agência consultou o  Tribunal Superior do Trabalho (TST).  Em nota o TST destacou que “não tem dados para verificar tal hipótese” e que, apesar de vários países terem leis trabalhistas, muitos não tem Justiça do Trabalho.

 

Foi o sociólogo José Pastore quem fez  estudo sobre ações trabalhistas e publicou artigos comparando a situação do Brasil com a de Estados Unidos, França e Japão. Neste universo, o Brasil está na frente no número de ações trabalhistas.

 

Dizer que o Brasil é campeão mundial talvez não seja o mais preciso, mas não há como negar que no quesito “ações trabalhistas” estamos batendo um bolão:

 

Acompanhe o debate entre os deputados Vitor Lippi e Chico Alencar:

 

 

Ouça a entrevista com Cristina Tardáglia, da Agência Lupa, e a checagem de outras afirmações feitas pelo presidente Michel Temer sobre reforma trabalhista e terceirização:

 

Entrevista: se tem imposto a pagar, não deixe declaração do IRPF para último dia

  

 

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“Quem tem imposto a pagar não deve deixar para entregar declaração do Imposto de Renda na sexta-feira”, alerta o consultor Carlos Martins, sócio da Ernst & Young, em entrevista ao Jornal da CBN. O prazo termina na sexta-feira, dia 28 de abril, mesma data em que vence a primeira parcela ou a parcela única do tributo vencido.

  

 

Nesta segunda-feira, a quatro dias do encerramento do prazo, Martins chamou atenção para os erros mais comuns cometidos pelos correntistas quando fazem a declaração na última hora:

  

 

por falta de coleta de informação, o contribuinte usa o modelo simplificado em lugar do completo ou vice-versa: depois do prazo, apesar de ser possível fazer retificação nos dados, não é permitido a troca de modelo;

  

 

erro de digitação: ao transferir as informações enviadas pela empresa ou outras instituições corre-se o risco de trocar alguns dados; ao cruzar os dados, a Receita identifica a irregularidade e o contribuinte cai na malha fina

 
 

 

O consultor também citou duas das dúvidas mais comuns:

  

 

aquisição de imóvel: como reportar o valor quando compra-se uma casa ou apartamento e o imóvel está financiado?

  

 

VGBL e PGBL: onde lanço um o outro investimento?

 
 

 

A resposta para estas e outras dúvidas, você ouve aqui:

  

 

Avalanche Tricolor: “nos pênaltis, ora bolas!”

 

 

Novo Hamburgo 1×1 Grêmio
Gaúcho – Estádio do Vale/Novo Hamburgo

 

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Barrios marca o gol do Grêmio, reprodução de imagem da SPORTV

 

Porto Alegre foi onde estive nesses últimos dias, após uma rápida estada em Gramado, interior do Rio Grande do Sul. Cheguei de lá na noite deste domingo quando o Grêmio já estava em campo decidindo uma vaga à final do Campeonato Gaúcho.

 

Estar com a família, relembrar histórias das quais fomos protagonistas juntos, entender como cada um de nós chegou até aqui e perceber que fomos feitos de alegrias e tristezas, sendo que ambos sentimentos deixaram suas marcas, tornaram esses dias intensos ao lado de minha irmã e meu irmão, e junto com minha cunhada e sobrinhos.

 

Rever o pai, então, é sempre uma sensação única. Gosto de abraçá-lo fortemente para agradecer pela sua presença entre nós e, em especial, para deixar nele a certeza de que tudo que vivemos até aqui valeu a pena, independentemente do que tenhamos enfrentado no passado.

 

Até porque naquele passado, filhos e pais nem sempre se abraçavam e se beijavam com o desejo que esta relação sempre mereceu. Sei lá, parece que rolava uma timidez, uma vergonha sem explicação de dizer o quanto te amo. Coisa de adolescente, talvez.

 

Verdade que o pai sempre se esforçou para mostrar isso para mim. Eu só não entendia.

 

Quando eu chegava tarde em casa, ele me esperava acordado, fumando um cigarro atrás do outro, sempre imaginando que o pior poderia ter acontecido. Sobrava bronca pra todo mundo. Eu achava desnecessário e desconfortável. Hoje percebo tudo isso com maior nitidez: era apenas amor.

 

Ao lado dos campos de futebol e das quadras de basquete, onde tive o prazer de representar o Grêmio por anos a fio, ele sofria desesperadamente, esbravejava contra o juiz e dizia palavrões desajeitados. Tiveram cenas hilárias, como o dia em que correu atrás do árbitro, cansado de tanto vê-lo apitar contra nós. Que vergonha! Vergonha, nada! Era apenas amor.

 

Naqueles tempos, abraços intensos e desavergonhados só mesmo quando assistíamos aos jogos do Grêmio. Eram momentos em que parecíamos ter a mesma idade. Socávamos as cadeiras azuis do Olímpico a cada lance desperdiçado. Saltávamos efusivamente para comemorar nossos gols. Os títulos mereciam celebração especial que se iniciava no estádio, seguia com a gente pelas escadarias até o vestiário e se estendia pelo caminho de volta a nossa casa, que ficava bem pertinho dali.

 

Diante do revés, ele voltava a ser meu pai. Pois era quem sabia me consolar, usando às vezes a razão outras apenas a ilusão para explicar os motivos de uma derrota. Nem sempre havia coerência na justificativa, mas ele insistia naquela história para não ver seu filho triste. Era mais um sinal de seu amor.

 

Hoje, voltei para São Paulo e, depois de um abraço bem apertado, deixei o pai lá em Porto Alegre antes de a partida se iniciar. Precisávamos vencer para estar na decisão. Nem que fosse nos pênaltis. Repetimos os feitos (ou defeitos) do primeiro jogo da semifinal quando saímos na frente e não foi necessário muito esforço do adversário no ataque para entregarmos o empate. Jogamos fora a possibilidade de classificação em pênaltis mal cobrados.

 

Estivesse aqui ao meu lado, em São Paulo, arrisco dizer que o pai encontraria uma desculpa qualquer para não me ver abatido com a desclassificação. Talvez tentasse me convencer que mais importante é conquistar a Libertadores.

 

Eu sei, pai, mas nós sempre queremos ganhar todos os títulos que disputamos.

 

Quem sabe, me lembraria que somos os atuais campeões da Copa do Brasil, o Rei de Copas, título nacional de muito mais destaque do que um regional.

 

Você tem razão, pai, mas eu ando com saudades de um título gaúcho. E você, também.

 

Ora bolas, mas só perdemos nos pênaltis! – tentaria uma última cartada.

 

É, ele é assim mesmo: para me consolar, o pai não desiste nunca. É amor, eu sei!