Conte Sua História de SP: o poeta que casou com a cidade

 

Por Alceu S. Costa

 

 

Meu Tributo à Cidade de São Paulo.

 

De olhos fechados eu não sonhara.
Talvez, cerrados de fato não os tivera.
Então, se acordado, tudo aquilo era verdade,
Uma piscada, um flerte…o futuro conluio,
Que virou namoro, noivado…
Foi assim que me casei com esta Cidade.

 

25 de outubro de 1965.Tarde primaveril.
De costas para o passado, nova realidade.
A busca pelo sustento sem conhecer o relento,
A mão do amigo, a simplicidade do abrigo,
A distância do perigo…
Serena viagem nas asas do tempo.

 

De olhos abertos, construí o meu sonho.
Apesar da idade, a Cidade não perde o viço,
A nossa relação amadureceu, meu desvairado vício.
Não nego, estou tentado pelos acenos da outra,
Jovem, atraente, sedutora …ah!
-Trair, jamais!, descarta peremptória minh’alma sonhadora.

 

O Conte Sua História de São Paulo tem a sonorização do Cláudio Antonio, narração de Mílton Jung e  vai ao ar aos sábados, no CBN SP. Para participar, envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Jean Soldatelli mostra que o engajamento é uma via de mão dupla

 

 

 

 

O engajamento é um conjunto de conexões racionais e emocionais que gera resultado positivo para o funcionário e para a empresa, em uma relação de mão dupla: “isso é sempre bom de salientar, o profissional tem de ser engajado com a empresa e a empresa tem de ser engajada com o profissional”. O alerta é de Jean Soldatelli, sócio da consultoria Santo Caos, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

 

O consultor explica que, conforme estudo desenvolvido pela Santo Caos, foram identificado cinco pilares que fundamentam o nível de engajamento nas empresas:

 

 

conscientização – o funcionário tem de conhecer a empresa e a empresa tem de conhecer os funcionários que tem.
Compromisso – relacionado ao compromisso e dedicação que o funcionário tem com o trabalho que realiza e a empresa tem com ele.
Pertencimento – o funcionário tem de estar identificado com a empresa e ele não pode ser visto apenas com mais um no grupo ou simplesmente um número na equipe de trabalho.
Orgulho – o funcionário e a empresa tem de estar conectados pelas mesmas causas e valores.
Compartilhamento – o funcionário exerce função que vai além do seu trabalho, tem de ser um recrutador de talentos ou ser um consumidor do produto ou serviço que a empresa desenvolve, por exemplo.

 

 

De acordo com Soldatelli, as empresas costumam trabalhar de maneira pontual com o tema do engajamento e analisam sua performance apenas com um ou dois desses pilares. Porém, para que os resultados sejam efetivos, o nível de satisfação se eleve e a produtividade seja alcança de forma eficiente, é necessário olhar para os cinco pilares.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10, no programa Jornal da CBN, da rádio CBN. Tem a colaboração de Juliana Causin, Carlos Mesquita e Débora Gonçalves

“Como Eu Era Antes de Você”: para amar a nossa própria vida

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“Como Eu Era Antes de Você”
Um filme de Thea Sharrock
Gênero: Drama
País:USA

 

Will, um playboy gato, bem sucedido, esportista, tipo a reencarnação do Jonh Jonh Keneddy, sofre um acidente e vira tetraplégico. Sua nova condicão o torna uma pessoa depressiva e cínica, fazendo seus pais contratarem Louisa, uma moça divertida e simpática para alegrá-lo.

 

Por que ver:

 

É uma comédia romântica? HUMM, não! Está mais para um “híbrido” de comédia romântica e drama pesado… Pesado pois discute a eutanásia…

 

O filme nos coloca na situação da personagem várias vezes e nos faz amar nossa própria vida! É muito louco o efeito que a desgraça alheia causa em nós.

 

Os personagens são razoáveis, em especial o Sam Caflin, que consegue fazer sem tropeços a transição do papel de galã para tetraplégico. Ponto para ele.

 

Roteiro um pouco previsível, apesar do final…Não vou contar, juro!

 

Vale o entretenimento.

 

Como ver:

 

Acho melhor ver sozinho(a).Eu chorei horrores.

 

Quando não ver:

 

Bom, vou pegar o gancho da pergunta acima…Não veja com muita gente…Vai passar vergonha…

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

 

A retórica de Donald Trump: exagerada, colorida e fácil, até uma criança entende

 

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Era muito cedo ainda quando analistas tentavam explicar a vitória de Donald Trump na corrida presidencial dos Estados Unidos. Dos muitos aspectos que ouvi nas entrevistas que rodaram na CBN ou circularam por outros meios e tive acesso, quero me ater a um que considero fundamental: a comunicação.

 

Há três meses, o cientista político e especialista em comunicação Martin Medhurst, da Baylor University, no Texas, já havia analisado a retórica do novo presidente americano, repetindo estudo que realiza há mais de 40 anos: “sua linguagem é muito colorida, é fácil ouvi-lo” – isso não significa, reforço eu, que tenhamos que gostar do que ele diz, mesmo porque Trump não fala para mim ou para você. Fala para o americano mediano, medíocre. E aqui não vai crítica, apenas uma constatação.

 

Trump não usa sintaxe ou pontuação regular, prefere frases curtas e vocabulário mais restrito: “até mesmo uma criança pode entender”, lembra Medhurst.

 

Passa portanto no teste da linguagem simples, desenvolvido pelo jornalista Todd Bishop do The New York Times, sobre o qual trato no livro “Comunicar para liderar” (Editora Contexto,2015), co-escrito com a fonoaudióloga Leny Kyrillos.

 

Para avaliar a qualidade do discurso, Bishop criou quatro índices:

 

  1. Índice de palavras duras – é assim considerada qualquer palavra que tiver mais de três sílabas, ou seja, todas as polissílabas. São difíceis de articular e exigem atenção muito maior do ouvinte. Quanto menos palavras duras você usar na sua fala, melhor.

  2. Índice de frases curtas – o cérebro é preguiçoso e só entende aquilo que pode assimilar rapidamente. Frases com orações subordinas, apostos e muitas conjunções só funcionam na escrita. Quanto mais curtas forem as frases mais fácil de se fazer entender.

  3. Índice de densidade léxica – indica a facilidade ou dificuldade em ler um texto.

  4. Índice de legibilidade – sugere a quantidade de anos de escolaridade que um leitor teoricamente requer para compreender o discurso.

Trump é useiro e vezeiro em utilizar essa estratégia: repete slogans como letras de música pop, martela o ouvido das pessoas até impregnar na mente delas algumas expressões como “construir paredes” e “fazer a América grande novamente”, ensina Medhurst.

 

Usa a hipérbole como estratégia de guerra. Exagera nos exemplos e grifa ideias com ênfase suficiente para entorpecer sua mente, fala de maneira dramática, sem medo de errar. Aliás, o erro é proposital. “Um pouco de hipérbole nunca dói”, escreveu no livro “A arte da negociação”, publicado aqui no Brasil pela Campus, em 1987.

 

Seus exageros ultrapassam qualquer limite da responsabilidade, pois é capaz de despejar palavras e suspeitas contra seus adversários sem perdão: por exemplo, disse que Obama poderia ser o fundador do ISIS, e colocou em dúvida a origem americana do atual presidente.

 

Acusação e difamação que, cuidadosamente, vem seguidas de expressões como “não sei bem se é isso”, “talvez”, “quem sabe” ou “é o que costumam dizer” – lembra muito aquele seu amigo que compartilha posts com denúncia, mas tenta se defender escrevendo que “não sei se é verdade, mas ….”.

 

A propósito, como comunicação é tema que há muito é estudado pelos americanos, foi de um analista ouvido pela americana CNN, na madrugada dessa quarta-feira, e lembrado por Dan Stulbach, no nossa bate-papo no Hora de Experiente, do Jornal da CBN, o paralelo traçado entre três presidentes dos Estados Unidos:

 

“JFK entendeu como ninguém a retórica da televisão, Obama a da internet e Trump a das redes sociais”.

 

Tem razão, Trump sabe como poucos fazer o discurso que “faz acontecer” nas redes: é polêmico, usa frases de efeito, cria vilões, transforma-se em vilão, agride se necessário; apaga tudo e começa de novo, como se nada tivesse dito.

 

O discurso da vitória, que ouvimos logo cedo, assim que se iniciava o Jornal da CBN, já revelava um personagem diferente do que conhecemos na campanha eleitoral. Trump falou com respeito de Hillary e chamou os Estados Unidos a se unirem, novamente. Fez o papel conciliador. Talvez já se preparando para sua nova versão: a de presidente dos Estados Unidos.

 

Diante das incertezas, fiquemos com uma frase do próprio Trump escrita no livro “Arte da Negociação”:

 

“Sempre entro num negócio esperando pelo pior. Se você espera pelo pior, o melhor virá por si mesmo”.

O varejo avança e a “loja do futuro” pode ser do passado

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

  

 

  

 

Com o acentuado avanço da tecnologia e da expansão do comercio eletrônico, as lojas físicas estão diante de um cenário de rara oportunidade e simplicidade. Na medida em que a experiência de compra se torna o diferencial para as lojas físicas, é hora de atentar para o relacionamento humano com os clientes.

  

 

A reinvenção necessária do varejo físico deve considerar tanto a aplicação dos recursos tecnológicos à disposição quanto os antigos métodos de aproximação com os consumidores.

  

 

Por exemplo, é possível evitar as filas nos caixas e não se entende porque as lojas ainda não eliminaram esta função, criada dentro das condições de séculos atrás. Sob a luz da Teoria das Filas, de fácil acesso na Pesquisa Operacional, e usando aplicativos atuais, os vendedores podem executar esta tarefa, eliminando custos e melhorando o atendimento.

  

 

Através de CRM – Customer Relashionship Management, conceito originado há décadas, as informações disponibilizadas podem antecipar necessidades e desejos dos consumidores. E aplicadas na loja com o necessário calor humano.

  

 

A customização, a interatividade produto-consumidor, o co-branding e o conceito 24/7, que significa disponibilidade total em 24 horas 7 dias por semana, são opções que podem ser oferecidas e reconhecidas.

  

 

Nesse contexto, um bom exemplo é Jack Mitchell. Com duas lojas e um livro sobre gestão humana de varejo, Jack foi convidado para a NRF – National Retail Federation, de 2005, para expor aspectos de seu sucesso como lojista e autor. “Hug yours customers”, traduzido pela Sextante como “Abrace seus clientes”, teve excepcional avaliação pelos presidentes da Coca Cola, Ralph Lauren, Xerox, IBM, e Zegna, cujo comentário é bem elucidativo ao nosso texto:
 

 

 

“Devido à combinação de valores de ontem e de hoje, e também ao conceito de acolhimento, creio que a parceria Mitchells/Zegna – duas empresas familiares – sobreviverá aos desafios desta nova era de incertezas e oportunidades”.

  

 

E, Warren Buffett, não deixou por menos:

  

 

“Este livro é uma joia”

 
 

 

Jack Mitchell não decepcionou a plateia, sua palestra foi um sucesso. E, onze anos depois, com o avanço dos canais de varejo, vemos que a sua abordagem é a solução para a formatação da loja física atual.

  

 

O balcão, tirado há décadas das lojas, permite agora o abraço nos clientes. Vamos a ele.

  

 

Ilustra este post, palestra realizada há 4 anos por Jack Mitchell e disponível em seu site.
 
 

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: dava pra ser diferente, mas como não pensar naquilo?

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Brasileiro – Arena Grêmio

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Tava confuso … foto de LUCASUEBEL/GrêmioFBPA no Flickr

A semana começou com jornada tripla.

Madrugando como sempre, apresentei as três horas e meia de Jornal da CBN com destaque para os mais de 5 milhões de estudantes que realizaram o ENEM no fim de semana, o descontrole das contas públicas no Brasil e a política dos Estados Unidos.

À tarde, estava em um dos maiores encontros sobre gestão e negócios, realizados no Brasil que ocorre anualmente em São Paulo, a HSMExpomanagement. No espaço de debates que a CBN mantém por lá, fui ao palco para conversar com Sérgio Chaia, comentarista do quadro O Terapeuta Corporativo. Bate papo saboroso e com participação de muitos ouvintes, alguns do Sul do País: Santa Catarina, principalmente. E havia gaúchos, também. A maioria gremista. Como sempre.

Por lá, ouvi orientações sobre o papel do líder, a necessidade de estarmos focados nas nossa metas e os riscos de perdemos o controle quando estamos sob pressão. Chaia também lembrou de quanto nossas preocupações acabam prejudicando as conquistas do presente. Sim, porque nos preocupamos com algo que vai ou pode ocorrer no futuro. Ou seja, algo que não aconteceu ainda e talvez sequer ocorra. Perdemos tempo com coisa pouca, em bom português.

À noite, foi a vez da entrega do prêmio Época Reclame Aqui, no Espaço das Américas, que se iniciou com a sempre talentosa apresentação do maestro e pianista João Carlos Martins. Emocionante. Como sempre. No palco, o desfile ficou por conta de representantes de empresas que souberam tratar seus clientes de maneira ética, com correção e respeito. A festa se encerrou tarde, bem tarde.

Diante da maratona de compromissos, pouco tempo sobrou para acompanhar o desempenho tricolor na noite de segunda-feira pelo Campeonato Brasileiro. Foi um dos convivas que estavam na festa da noite que me recebeu ao pé do palco para registrar o resultado negativo contra o Sport.

Soube depois que fomos vítimas de três golaços e dois deles de uma craque que não apenas vestiu mas ainda respeita, e respeita muito, a nossa camisa. Há quem levante suspeitas sobre a estratégia do “corpo mole” que teria levado ao resultado de forma proposital para prejudicar o co-irmão – como se o co-irmão precisasse de nós para ser prejudicado neste campeonato.

Independentemente do time que estivesse em campo, da falta de força no ataque e do desfalque do lado direito da defesa e mais do que qualquer teoria de conspiração, o que aconteceu nós sabemos muito bem: foco.

Torcida e jogadores desde a semana passada não pensam em outra coisa. A cabeça, o corpo e a alma estão voltados para a Copa do Brasil. Mais do que na Copa do Brasil: sonhamos com a possibilidade do título do qual tanto tempos saudades.

Sei que não deveria ser assim. Teríamos de ter encarado a partida de ontem à noite como a chance de deixar uma pegada no G6 e na vaga da Libertadores. Agora, – eu, por excesso de trabalho; você, pelo excesso de expectativa -convenhamos, quem de nós, gremistas, conseguiu se concentrar naquela partida?

Quintanares: Verão

 

 

 

Poema de Mário Quintana
Interpretação de Milton Ferretti Jung
Publicado em Antologia Poética

 

No capinzal, o meu cabelo cresce;
Pende, polpa madura, o lábio teu no fruto;
Todo o calor te diz: “Amadurece
Mais, ainda mais e tomba!”
Eu não espero
Vento nenhum que te derrube, eu quero
que tombes, doce e morna, por ti mesma, onde
mais sejas desejada e apetecida… vem!
Faremos
De verdura acre
E doce polpa
Manjar que reses lamberão
E virão farejar os animais noturnos

 

Antes de que nos sorva, lentamente, o chão…

 

Quintanares foi ao ar, originalmente, na rádio Guaíba de Porto Alegre

Conte Sua História de SP:”chocar” no bonde era a minha diversão, na Penha

 

Por André D’Elia Neto
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Na Penha de antigamente, o modo mais barato de se chegar era de bonde. Tinha o bonde aberto e o bonde camarão (todo fechado).

 

Meus avós moravam na rua Comendador Cantinho que, para chegar no Largo da Penha, tinha um forte aclive e uma curva.

 

Na época, por volta de 1954, eu tinha 11 anos e minha distração preferida quando ia visitar meus avós era ficar no inicio da curva, quando a velocidade era reduzir para “chocar” – isto é, pegar o  bonde andando e ir até o Largo da Penha.

 

Como você vê, não tínhamos noção dos perigos que nos causar. Mas era muito gostoso e rendeu esta história para contar.

 

Saudade dos bondes!

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, no CBN SP, tem a sonorização do Cláudio Antonio e narração de Mílton Jung

Mundo Corporativo: Simone Bambini propõe uma relação mais saudável entre empresas e funcionários

 

 

A forma como as empresas costumam se relacionar com seus funcionários tem causado transtornos e distorções de comportamento. Hoje, os profissionais não se satisfazem mais com o salário ou com o fato de se reconhecerem qualificados para a função que exercem. Para sobreviver, precisam do reconhecimento do outro, estão constantemente em busca da visibilidade, fenômeno que pode ser observado na maneira como atuamos nas redes sociais em busca de curtidas e likes.

 

A avaliação é da doutora em comunicação e semiótica Simone Bambini feita em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ela é autora do livro “O corpo como posicionamento de marca na comunicação empresarial” resultado de pesquisa sobre a relação de poder dentro das empresas e como o ambiente de trabalho tem impactado a saúde dos trabalhadores. Ao conversar com médicos que trabalham nas empresas, identificou que é muito comum encontrar entre os funcionários doenças como depressão, estresse e síndrome do pânico.

 

Bambini lembra que somos provocados a trabalhar e a trabalhar muito para alcançarmos o “reino dos céus”, que no caso das corporações é o cargo de CEO, porém ao chegar no topo muitos descobrem que estão isolados e a sensação de alegria plena não se realiza. Há uma insatisfação permanente que leva as pessoas a adoecerem e ficarem mais tristes.  Bambini convida empresas e profissionais a se conscientizarem da importância de se buscar uma nova forma de comunicação interna capaz de melhorar o relacionamento no ambiente corporativo.

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site www.cbn.com.br e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN.

Policial bom é policial inteligente

 

 

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No rádio e no jornal entregue em casa, encontrei números coletados pelo Instituto Datafolha, em pesquisa de opinião encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Cada publicação privilegiou um aspecto diferente do mesmo estudo.

 

 

A CBN chamou atenção para os 57% dos brasileiros que concordam com a máxima que “bandido bom é bandido morto”. Ou seja, entendem que a polícia não pode ter perdão contra a bandidagem.

 

 

O Globo puxou para a manchete o fato de a maioria dos brasileiros ter medo da polícia: 59% têm receio de ser vítima de violência por parte da Polícia Militar enquanto 53%, da Polícia Civil. Esses percentuais são ainda maiores entre os jovens. Da turma que tem entre 16 e 24 anos, 67% temem a violência da PM e 60%, da Civil.

 

 

Como não ter medo da violência policial, se nós mesmos incentivamos esta violência?

 

 

A percepção do brasileiro sobre a atuação da polícia no Brasil, identificada na pesquisa, sinaliza uma contradição e, ao mesmo tempo, explica o cenário de violência no qual vivemos. A cada dia, em média, nove pessoas são mortas por policiais: 3.345 pessoas em todo o ano de 2015. Os policias são vítimas desta mesma violência: apesar de uma queda em relação a 2014, ainda foram registrados 393 assassinatos de policiais – em serviço e fora do horário de expediente -, no ano passado.

 

 

Este quadro tende a piorar se continuarmos incentivado a polícia a matar como estratégia de segurança pública.

 

 

Defende-se uma polícia violenta contra bandidos, sem que a lei precise ser respeitada, e, imediatamente, passamos a ser vítima deste discurso, pois entregamos à autoridade policial o direito de julgar e aplicar a pena de morte por conta própria. Mas só contra bandidos, lógico!

 

 

Ao propagar esta lógica – e ela está escrita em milhares de comentários nas redes sociais, em emails enviados a este jornalista e no bate papo de gente que se diz do bem – permitimos que o policial aja de forma violenta diante de qualquer atitude suspeita – seja lá o que isso possa significar. E sabemos que, no Brasil, temos os suspeitos preferenciais: preto, pobre e jovem.

 

 

Diante de um policial com esse poder só resta ter medo. E medo não é sinônimo de respeito e confiança. Menos ainda de segurança.

 

 

Em lugar de bandido bom é bandido morto, temos de defender a ideia de que policial bom é policial inteligente. E para isso é preciso oferecer às policias Civil e Militar condições de trabalho, mais tecnologia e informação, além de atuação próxima das comunidades.

 

 

Com inteligência, investiga-se e pune-se mais. Mata-se menos. Morre-se menos ainda.