Avalanche Tricolor: “juiz ladrão!”
Grêmio 0 x 1 São Paulo
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio
Calma lá! Este gremista que lhe escreve ainda não perdeu por completo as estribeiras. Foi-se o tempo no qual me travestia de atleta e, em quadra ou em campo, aprontava poucas e más com os árbitros de futebol e basquete com os quais mantive relação belicosa e, provavelmente, injusta, pois nem eles eram tão ruins como eu os acusava nem eu era tão inocente quanto me fazia passar. Não me orgulho das brigas que tive enquanto joguei os dois esportes, sempre vestindo a camisa do Grêmio, apesar de hoje, ao contar as histórias daquele tempo, achar graça das cenas que repasso na memória. Tenho consciência que faziam parte de uma personalidade competitiva que se construía sob a influência de hormônios adolescentes. Mudei muito desde que deixei de jogar pra valer, isso lá pelos anos de 1980. Sou muito mais controlado nas minhas reações e, beneficiado pela experiência, tento canalizar aquela energia que beirava a violência para minhas tomadas de decisão e desenvolvimento das funções que preciso exercer no jornalismo e na vida. Bem verdade que o esporte ainda mexe comigo e, às vezes, diante da televisão ou nas raras oportunidades em que vou ao estádio me pego esbravejando contra o árbitro. Para que ele não se sinta perseguido, adianto que o alvo da minha ira muda dependendo a situação. Pode ser o craque que perde gol feito ou o zagueiro que erra feio. O adversário, é claro, tem preferência nessa lista.
Hoje, o árbitro Felipe Gomes da Silva concentrou boa parte das minhas reclamações, especialmente porque a precisão de seu olhar funcionou tão bem a ponto de perceber Rhodolfo tocando o pé do adversário na dividida de bola, dentro da área, o que resultou em pênalti, mas não teve a mesma competência para ver que a bola lançada para Barcos, em condições de marcar o gol que abriria o placar, ainda no primeiro tempo, saiu do pé de outro adversário e, portanto, não havia nenhuma irregularidade. Veja que reclamo do juiz porque errou ao anular jogada legal para o Grêmio tanto quanto porque marcou de forma acertada pênalti contra o Grêmio. Nós torcedores somos assim mesmo. Injustos e intempestivos no momento de encontrar culpados para as coisas que não estão dando certo. Reclamamos porque o juiz deu cartão amarelo para nosso jogador em uma entrada mais forte e pedimos cartão à primeira falta que um dos nossos recebe. Xingamos porque o auxiliar enxergou o impedimento milimétrico e nos impediu de fazer o gol (tava pouca coisa na frente!) e voltamos a xingar porque não levantou a bandeira quando nossos zagueiros já não eram mais capazes de segurar o contra-ataque, mesmo que a reprodução na TV mostre que ele estava correto.
Cabeça no lugar, tempo para pensar e razão retomada. Tudo isso ajuda a ver melhor os motivos que impedem seu time de conquistar a vitória esperada. Percebe-se que o erro do juiz não foi maior do que do atacante que desperdiçou a oportunidade de marcar logo no início da partida, como aconteceu com Luan, mais uma vez. Entende-se melhor que falta precisão nas cobranças de falta e escanteio, fato que nos tirou a fama de ser um time forte nas bolas paradas (muitas vezes usada de forma pejorativa, como se fosse nossa única arma). Impossível não incluir nessa análise o potencial do adversário que sabe usar a experiência e qualidade do passe de alguns de seus jogadores. Teve o juiz, também, claro que teve. Foi inseguro, trocou marcações e fez aumentar a intranquilidade de um time que há algumas rodadas ronda o G-4 e não o alcança em definitivo. Mas não a ponto de chamá-lo de ladrão.
Então, porque o título desta Avalanche? – deve estar se perguntando você, caro e raro leitor. Por que lembrei do meu colega de rádio CBN e torcedor do São Paulo, Carlos Alberto Sardenberg, depois do jogo deste sábado. Ele costuma brincar que só existem dois resultados no futebol: ou meu time ganha o jogo ou o juiz é ladrão. O time dele ganhou. O meu … você já sabe.
Foto do álbum oficial do Grêmio no Flickr
Conte Sua História de SP: embalei meu filho no samba da Vai Vai
Maria da Conceição Pereira nasceu em Sabinópolis, Minas Gerais, em 1951. Neta de portugueses, cresceu em ranchos feitos pelo pai, que trabalhava na agricultura como meeiro. Aos oito anos foi morar na casa do padrinho para poder estudar. Com 13, mudou-se para São Paulo onde começou a trabalhar com arte. Vivia em Santo Amaro, mas gostava mesmo de passear nos Jardins, sempre acompanhada da irmã e amigas. Foi lá, ainda com 18 anos, que conheceu o marido: homem bonito, de bigode e sempre com um carrão. Não era dele, era do dono do banco para o qual trabalhava. Motorista exemplar, era respeitado por todos os colegas, podia até levar o carro para casa. A mãe e a irmã providenciaram o enxoval, todo comprado na loja do Mappin. E Maria da Conceição Pereira casou-se, em uma igreja no Piraporinha, zona sul da cidade. Orgulhosa, diz que todo povo do banco compareceu. Foi morar no Bixiga, bem onde a escola de samba Vai Vai ensaiava para o Carnaval. No depoimento, gravado pelo Museu da Pessoa, Dona Conceição lembra de como o samba da Vai Vai a acompanhou durante toda a gravidez:
Maria da Conceição Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento dela foi gravado no Museu da Pessoa. Você pode contar mais um capítulo da nossa cidade, e registrar suas memórias, agendando entrevista, em áudio e vídeo, pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Se quiser, mande seu texto para mim: milton@cbn.com.br e leia outras história de São Paulo aqui no Blog.
Mundo Corporativo: Luiz Felipe Marques, da WMcCann, e o novo comportamento do consumidor
Nos últimos dez anos, o brasileiro transformou-se em um consumidor mais maduro, mudança que impactou a estratégia de vendas das empresas e marcas. Para Luiz Felipe Marques, planejador da WMcCann, uma das diferenças que se percebe, atualmente, é que este consumidor se vê sempre em clima de compra, ou seja, acabou a história de sair para comprar, isto pode acontecer a qualquer instante. Ao mesmo tempo, o brasileiro está muito mais bem informado sobre seus direitos, benefícios que pode obter e vantagens oferecidas pelos concorrentes. Depois de ouvir 10 mil pessoas em 10 países, Marques conta como as empresas devem se adaptar aos novos hábitos, às vendas pelo celular e ao e-commerce, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.
O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo site http://www.cbn.com.br com participação dos ouvintes no e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a produção e edição de Paulo Rodolfo, Douglas Matos e Ernesto Foschi.
A margem de erro de pesquisas eleitorais
Por Julio Tannus
As pesquisas eleitorais assumem importância fundamental no processo de eleições. Não somente balizam os candidatos para orientarem seus trabalhos de convencimento de eleitores, mas também podem orientar e influenciar o eleitor durante o processo eleitoral. São instrumentos de prospecção e de condução do processo. Por isso, as autoridades que ordenam o processo de eleições fazem exigências como o registro de pesquisas, a nomeação de um responsável técnico e a declaração da margem de erro. Sendo assim, na apresentação do resultado de pesquisas de intenção de voto, as empresas de pesquisa declaram que a margem de erro é tantos por cento, para cima ou para baixo, com tal porcentagem de confiança.
Isto posto, afirmamos que:
1. a amostragem conduzida pelo IBOPE/Datafolha/outras empresas não é probabilística, ela se baseia no esquema de cotas, ou seja, nem todo eleitor tem a probabilidade de responder a pesquisa, como ocorre na amostra probabilística;
2. o esquema de cotas é usado, em que pese o reconhecimento das “vantagens” de um esquema probabilístico, por questões de tempo de execução e pela dificuldade de uma amostra probabilística nos tempos atuais;
3. somente o uso correto de amostragem probabilística possibilita a determinação e uso da margem de erro.
A amostragem por cotas, largamente usada em pesquisas de opinião e em pesquisas de mercado, não pode ser considerada alternativa válida à amostragem probabilística se considerada a inclusão da margem de erro. Problemas de presteza na execução e de orçamento não servem como justificativa.
As margens de erro declaradas, como afirmam o IBOPE/Datafolha/outras empresas, são baseadas em fórmulas de amostragem aleatória simples. Mas as margens de erro não se aplicam à amostragem por cotas ou a qualquer método de amostragem não probabilística.
Não há uma justificativa matemática, logicamente correta. Infelizmente, somos obrigados a dizer que as justificativas apresentadas são, em si mesmas, falsas, pois não tem anteparo técnico.
Outro aspecto à consideração diz respeito à questão do acerto e erro das prévias eleitorais. Já citei, em outros momentos, o texto escrito, em 1896 (século XIX) por Gustave LeBon “The Crowd” – que dizia algo assim: :
sejam quais forem os indivíduos componentes, sejam ou não semelhantes seu modo de vida, suas ocupações, seu caráter ou sua inteligência, o fato de terem sido transformados em multidão confere-lhes a posse de uma espécie de cérebro coletivo, que os faz sentir, pensar e agir de modo completamente diverso do que cada um dos indivíduos sentiria, pensaria ou agiria em um estado de isolamento. Há certas ideias e sentimentos que não surgem e não se transformam em atos exceto no caso de indivíduos formarem uma multidão…
O fenômeno multidão aqui considerado por LeBon refere-se a situação de aglomeração com a presença física dos indivíduos. Assim, o ato de sair à rua, como ocorre nos dias de eleição, efetivamente introduz um caráter de multidão. É esse caráter que descarta a ideia absoluta de prévia na pesquisa eleitoral, pois não se pode contar com algo que ainda não se constituiu.
Fica evidente a função da pesquisa eleitoral não como uma ação que visa antecipar resultados, mas sim como balizamento para a Opinião Pública, permitindo o acompanhamento do processo eleitoral pelo seu principal ator: o cidadão.
Ou seja, as prévias eleitorais não acertam ou erram, mas sim são tecnicamente bem feitas ou mal feitas.
Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier)
Small Luxury Hotels of the World lança residências privativas
Por Ricardo Ojeda Marins
Turistas de alto poder aquisitivo ao redor do mundo cada vez mais buscam algo que vai muito além de hotéis elegantes ou destinos urbanos. Desejam viver experiências memoráveis e inusitadas, capazes de atender não apenas às suas necessidades particulares, mas também aos seus sonhos. A privacidade e a intimidade são itens cada vez mais valorizados por esses consumidores tão exigentes. Seguindo essa tendência, a Small Luxury Hotels of the World (SLH), rede que reúne exclusivos hotéis de luxo em mais de 80 países, criou agora o Private Residences by SLH: residências que oferecem aos clientes o serviço personalizado de um pequeno hotel de luxo com o espaço privado de “villas”, chalés em destinos de esqui, propriedades diversas e iates, tudo selecionado rigorosamente, com opções que variam de tamanho. Há casas com dez quartos, por exemplo, perfeitas para grupos de amigos ou familiares que buscam passar férias ou comemorar algo especial. Os destinos são muitos, como Mykonos, Bali, Filipinas, Maldivas e outros.
Além de incontestável privacidade, essas residências oferecem estrutura que inclui facilidades e serviços cinco-estrelas: a sensação do luxo de ser hóspede em sua própria casa. Afinal, são casas reservadas por completo, ou seja, cada propriedade será habitada exclusivamente pelos clientes que fizerem a reserva. O tempo também tem valor importante, uma vez que hoje muitos consumidores tem poder de compra, mas não têm tempo de usufruir e, em viagens assim, há uma liberdade e flexibilidade maiores, uma vez que o cliente decide a hora de seu spa, por exemplo, diferentemente de um hotel de luxo, onde alguns serviços têm períodos de funcionamento.
A palavra-chave para atender esses clientes é customização. Cada um tem necessidades e gostos peculiares e busca algo feito sob medida, diferentemente de pacotes ou roteiros prontos. O viajante de luxo hoje almeja o produto “feito para ele”, para as suas necessidades e desejos específicos, sempre com segurança, privacidade e conforto.
E você, já escolheu o seu próximo destino?
Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.
Como escolher e lembrar o nome do candidato que você escolheu
Bateu o desespero no eleitor brasileiro. Depois de adiar por meses a escolha de seus candidatos, descobre que a eleição está logo ali, no próximo domingo. Lembra que além de escolher o presidente da República e o Governador, nomes que muitos já têm em mente, terá de preencher a cédula digital com o número ou o nome dos candidatos ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa (Câmara Distrital, para quem está em Brasília). Pesquisas recentes mostram que a maioria dos cidadãos não tem a menor ideia em quem votar. Quem sabe arrisca e vota no mesmo da eleição passada? Impossível, poucos lembram em quem votaram. Não sabem nem se o elegeram. Fenômenos comuns do comportamento eleitoral brasileiro que, a propósito, me motivaram a lançar a ideia da rede Adote um Vereador, em 2008. Perdão, falar em vereador a esta altura da campanha só vai atrapalhar a cabeça do eleitor. Continuemos refletindo sobre senadores e deputados.
Apesar do pouco tempo ainda é possível qualificar um pouco mais a sua decisão, afinal qualquer coisa é melhor do que teclar o número de alguém que você conheceu quando lhe entregaram um “santinho” antes de entrar na seção eleitoral. Conversar com os amigos e parentes, pode ajudar. Talvez consultar o Google ou ler jornais que costumam destacar alguns nomes de candidatos, também. Existem sites e aplicativos que permitem procurar os nomes, mas lembre-se são milhares de candidatos a cada um dos cargos legislativos em disputa (só em São Paulo se tem 1909 candidatos para 94 cadeiras na Assembleia Legislativa). Uma opção é votar na legenda, ou seja, no número do partido que você entende ser o mais próximo das suas convicções – se é que os partidos as tenham.
Caso você tenha tido a sorte de lembrar de algum nome, vá até o site excelencias.org.br e verifique as informações disponíveis sobre ele. O serviço é mantido pela Transparência Brasil e costuma incluir nos dados se o cidadão que pede seu voto tem pendência na Justiça (lembre-se: para ser Ficha Suja precisa ter sido condenado em segunda instância). No Estadão Dados você pode ver de forma clara quem doou dinheiro para a campanha do candidato, um critério que talvez lhe ajuda a fazer a escolha. A Associação dos Magistrados do Brasil publicou um guia eleitoral completo que pode lhe dar alguma orientação sobre o caminho a seguir.
A medida que os nomes forem decididos, não esqueça de anotá-los em algum lugar pois é muito número para lembrar no dia da eleição. A anotação é interessante, também, para você guardar pelos próximos quatro anos na carteira, na gaveta ou em qualquer outro canto seguro da sua casa. Assim na eleição de 2018 (está logo ali) quando perguntarem em quem você votou quatro anos antes, você não vai titubear na resposta. Nesta sexta-feira, quatro entidades que atuam em defesa do cidadão e combatem a corrupção na política lançam o aplicativo “Eu, Eleitor” no qual é possível fazer um cola digital para domingo e salvar o nome do candidato em que votou para acompanhar o trabalho dele caso seja eleito. De acordo com o promotor Roberto Livianu, do Movimento do Ministério Público Democrático, o aplicativo trará outras funcionalidades integradas, sempre com o objetivo de facilitar para o cidadão a tarefa de acompanhar a vida política de seus candidatos. Neste primeiro momento, o eleitor terá informações dos políticos do Estado de São Paulo.
Dica final: para ajudar a sua memória, assim que escolher o nome dos seus candidatos preencha o formulário do newsletterincancelavel.com.br. É de graça e a empresa que produziu o serviço garante informações sobre seus candidatos nos próximos quatro anos que serão enviadas pela internet. Eu já gravei o nome de todos os meus candidatos por lá.
Por revanchismo, vereadores mudam nome de avenida em Porto Alegre
Por Milton Ferretti Jung
Duvido que exista em São Paulo – refiro-me à capital – quem não se preocupe, um pouquinho que seja, com o Adote um Vereador.A ideia partiu da cabeça do Mílton. Quem lê o blog inserido no site da CBN sabe que se trata do meu filho. Acho tão importante o trabalho que a turma do Adote realiza – e hoje é bem grande – que não tenha encontrado seguidores em outros municípios brasileiros,nos maiores,pelo menos,porque quanto maior a cidade,mais vereadores elege. Não pensem que,em São Paulo,os representantes dos munícipes sejam policiados. Podem ser,isso sim,cobrados por aquelas pessoas que os puseram na Câmara,caso não façam o esperado pelos seus eleitores.
Estou tentando saber o que o povo votante da minha Porto Alegre pensa,agora que a eleição está tão próxima, de um projeto que passou pela nossa Câmara:refiro-me à troca de nome de uma avenida da cidade. Alega o prefeito José Fortunati que a comunidade porto-alegrense não foi consultada sobre a alteração que a Câmara aprovou.E fez bem. Talvez surja quem entenda que o chefe do município,como não vetou nem sancionou a lei,teria ficado em cima do muro. O texto da lei voltou para os vereadores. A Casa,no momento,está sendo comandada por um presidente em exercício – o petista Mauro Pinheiro. Este terá de sancionar a lei. O titular do cargo,Professor Garcia,peemedebista,está licenciado.
Não esclareci para quem não é porto-alegrense e,por porventura,esteja lendo o meu texto,qual é a via,importante porque é por ela que se sai da capital gaúcha,cujo nome está provocando a polêmica:Castelo Branco é o atual;Avenida da Legalidade e da Democracia,talvez venha a ser o novo. Como não poderia deixar de ser,Fernanda Melchionna e Pedro Ruas,ambos do PSOL,se surpreenderam com a posição de José Fortunati. Eles são autores do projeto. Para mim,a ideia de troca tem cheiro de revanchismo rançoso. Não lembro de ter notícia de avenida que mudou de nome por razões eivadas de politicagem.
Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)
A notícia que está na editoria do “Deus, eu não acredito!”
Para comemorar os 23 anos da rádio, a CBN abriu o seu microfone aos ouvintes-internautas, que foram convidados a fazer perguntas aos comentaristas, repórteres, âncoras e toda a nossa equipe de jornalistas. Muitas mensagens foram enviadas nos últimos dias, as perguntas foram selecionadas e, hoje, durante todo o dia, na programação da CBN, nós ouvimos os ouvintes que, assim, pautaram as discussões, interferiram nos temas e influenciaram na produção de nosso trabalho. Fui contemplado com a pergunta de Ademar Matsuoka, de Valinhos, interior de São Paulo, que estava interessado em saber qual a notícia que eu gostaria de anunciar e qual anunciei e disse: “Deus, eu não acredito!”
Em 30 anos de jornalismo, imagine a quantidade de notícia que eu já transmiti. Só de CBN são quase 16 anos. Uma pergunta como essa exigiu um exercício de memória e, durante o Jornal, desta quarta-feira, pedi ajuda aos ouvintes para que eles dissessem qual notícia gostariam de um dia ouvir na rádio. A maioria sugeriu o anúncio da cura de doenças graves como o câncer, vacinas para prevenir da AIDS, evitar o EBOLA. Muitos, embalados pela discussão eleitoral, sonham com o fim da corrupção. E eu concordo que qualquer uma delas seria excelente notícia. Até fiz agreguei mais uma sugestão: o desenvolvimento de um remédio do bom senso que impediria boa parte das barbáries que temos no mundo.
Como tudo isso é muito utópico, aproveite a pergunta do Ademar para relembrar uma notícia que adorei contar para o público, na época em que trabalhava como narrador esportivo da Rede TV!.
A pergunta do Ademar e a minha resposta, você confere a seguir:
Datafolha pesquisa o Minhocão e gera confusão
Por Carlos Magno Gibrail
Somente 7% da população da cidade de São Paulo aprovam a demolição do Minhocão, enquanto 76% são contra, e 53% querem mantê-lo como está. Estes dados foram publicados na terça feira, 23, pela Folha ao divulgar pesquisa Datafolha. A partir daí a difusão da notícia rapidamente se espalhou pelos canais de comunicação, que lembraram ainda que a desativação do Minhocão está contida no recém-aprovado PDE Plano de Desenvolvimento Estratégico da cidade. Restando apenas a decisão entre a demolição e uma nova ocupação.
A alta velocidade de propagação da pesquisa foi inversamente proporcional à análise que deveria ocorrer junto com a notícia, antes de sua divulgação. O Datafolha não diferenciou no resultado os usuários, os usuários frequentes, os não usuários, e os moradores. O jornalista Dimenstein, por exemplo, em entrevista na CBN se preocupou em defender a manutenção na forma de um parque, mas não questionou o levantamento do Datafolha.
Já era sabido que os moradores tinham se manifestado em audiência pública na Câmara cobrando a demolição, pois não querem nem o parque. Na origem, em 1971, data da inauguração, o Minhocão destruiu bens e qualidade de vida de 200mil pessoas. Fato não menos cruel é que o número de usuários é menor do que o número de habitantes afetados negativamente. Além do que, aqueles passam e vão para suas casas, deixando o ônus para os que ficam.
Ainda bem que o jornalista Leão Serva redimiu o veículo que serve, abordando segunda-feira em sua coluna na Folha: “O Minhocão e seus vizinhos”, cujo subtítulo denunciava “Pesquisa sobre temas urbanos devem identificar grupos de interesse e suas opiniões específicas”.
Milton Jung nesta mesma segunda dizia em seu post que os jornalistas não devem temer os meios eletrônicos como fonte de notícias. É verdade. Se algum temor caiba, que seja de si próprio.
Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.






