A Parada da Longevidade, em SP, convida você a olhar às diversas velhices

Diego Felix Miguel

Foto de Rene Asmussen

Por que falar de longevidade?

A pergunta deveria ser ao contrário: O por quê de não falar?

Penso que envelhecimento e velhice não sejam temas tão encorajadores para serem falados e refletidos socialmente em nosso cotidiano, sendo associados à ausência de beleza, doença, incapacidade e improdutividade. Talvez, por isso, negligenciamos esse aspecto que nos é tão caro: afinal, viver mais anos e usufruir da velhice é uma grande conquista social, apesar de ainda enfrentarmos tantos desafios que podem interferir diretamente nessa fase da vida.

O envelhecimento está em nós desde o nascimento e desejo fortemente que possamos vivê-lo por muitas décadas. Afinal, só deixaremos de envelhecer quando não mais vivermos.

Infelizmente, vivenciar o envelhecimento por muitos anos não é algo que depende apenas de nós. Vivenciamos ao longo da vida várias oportunidades que podem ou não favorecer esse processo, assim como, situações que podem afetá-lo diretamente, como é o caso da pobreza, violência e iniquidade.

A desigualdade social é um dos aspectos que mais preocupam a Organização Pan-Americana de Saúde – a OPAS, que estabeleceu a “Década do Envelhecimento Saudável nas Américas: 2021-2030” como forma de concentrar esforços do Estado e da sociedade, a fim de garantir que as pessoas vulnerabilizadas também tenham seus direitos garantidos para vivenciar uma velhice ativa, digna e saudável.

De acordo com o Mapa da Desigualdade da Rede Nossa São Paulo, em 2023, o município de São Paulo apresentou dados alarmantes sobre a média da expectativa de vida em bairros que são relativamente próximos, como é o caso de Jardim Paulista e Itaim Bibi, que estima 82 anos em contraponto à Anhanguera, que chega a 59 anos de idade.

Diante desses dados associados às regiões onde a violência e a pobreza são também desproporcionais, me pergunto: a quem cabe o direito de viver mais?

Sabemos que viver mais não é um triunfo meramente biológico, é também psicossocial, em que todos nós, direta ou indiretamente, somos responsáveis por esse contexto, enquanto cidadãos e cidadãs que vivem em sociedade.

É justamente para esse ponto que a OPAS chama atenção: precisamos ressignificar como vemos a velhice, romper com mitos e estereótipos que reforçam o preconceito e a discriminação em detrimento a idade e demais aspectos que podem nos colocar em condições de vulnerabilidades ainda maior.

Como será a velhice do outro?

A velhice é transversal — ou como dizemos nas Ciências Sociais, intersseccional — aos demais aspectos que compõem nossa identidade e nos colocam em lugares sociais específicos, permeados por oportunidades ou iniquidades.

Como será a velhice de pessoas negras numa sociedade racista? Elas, ao longo da vida, possuem as mesmas condições de acessos à saúde, educação e trabalho que pessoas brancas? Costumamos escutar e acolher suas percepções e vivências sobre esse assunto?

Qual lugar ocupam as mulheres idosas na sociedade? Elas tendem a se cuidar mais ao longo da vida, mas sabemos que também chegam na velhice com maiores complicações de saúde, principalmente com agravos crônicos. A sobrecarga do trabalho e a cobrança social que sofrem são extremamente perversas.

E as pessoas idosas LGBTQIA+? Como chegam na velhice? Quem são as pessoas que envelhecem com elas? Os serviços (e as pessoas que atuam nele) acolhem, respeitam e valorizam a diversidade sexual e de gênero? Quais são suas necessidades sociais e de saúde?

Pessoas idosas que vivem com demências ou com limitações funcionais ou cognitivas possuem acesso ao cuidado adequado? Suas famílias conseguem oferecer o melhor para essas pessoas nesse contexto?

Participe da Parada da Longevidade

Considerando a diversidade de envelhecimento e velhices, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – Seção São Paulo, alinhada às diretrizes da OPAS, organizou a Parada da Longevidade, que acontecerá na Avenida Paulista, no dia 24 de março às 09h, em frente da FIESP.

É um evento para todas as pessoas de diferentes realidades etárias e socioculturais.

O objetivo é justamente esse: dar visibilidade aos diferentes contextos do envelhecimento que vivemos e das velhices possíveis, assim como, fortalecermos vínculos em uma rede gerontológica composta por diferentes sociedades e conselhos profissionais, serviços sem fins lucrativos voltados às pessoas idosas, gestores de políticas públicas voltadas ao envelhecimento e serviços especializados em atendimento à pessoa idosa.

A programação foi organizada a partir das palavras de ordem  do Relatório Mundial sobre o Idadismo: como pensar, sentir e agir a favor do envelhecimento ativo e saudável.

Informações e inscrições gratuitas aqui

Diego Felix Miguel, doutorando em Saúde Pública pela USP, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – Seção São Paulo e Gerente do Convita – serviço de referência para atendimento de pessoas idosas imigrantes e descendentes de italianos. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: lição de casa feita!

Grêmio 2×0 Brasil Pel

Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre RS

Cristaldo comeora o gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O Grêmio termina o domingo com a lição de casa feita. No jogo de hoje, evitar riscos, não tomar gol de preferência e mostrar evolução do meio para frente eram os objetivos da equipe que está sendo construída ao longo da competição.

A retranca esperada e armada pelo adversário foi sendo avariada aos poucos e  com toques de bola de um lado para o outro. Às vezes com insistência de mais por um lado e se esquecendo que o time pode trabalhar bem pelos dois, especialmente com as escalações de Pavón, na direita, e Gustavo Martins, na esquerda. 

Do lado direito o entrosamento de João Pedro, lateral que tem melhorado bastante a cada partida, era maior com Pavón, do que no esquerdo, em que um comedido Mayek, assumindo a posição de titular com a lesão de Reinaldo, servia bem menos a Gustavo Martins. 

Curiosamente, foi deste lado direito e dos pés de Mayek que surgiu o passe para o gol aos 45 minutos do primeiro tempo. Nessa altura, o time já percebia que precisava variar mais a bola e jogar com velocidade no passe para quebrar a marcação. 

Franco Cristaldo recebeu desmarcado na entrada da área. Os zagueiros estavam mais preocupados com Diego Costa. O argentino, puxou para o lado direito e bateu com categoria para fazer o seu terceiro gol na temporada, o 14º com a camisa do Grêmio. Cristaldo é discreto, há quem reclame do desempenho dele, mas os números são claros:  é goleador e garçom, como já havia mostrado no ano passado.

No segundo tempo, o Grêmio melhorou ainda mais, foi seguro nas poucas tentativas de ataque do adversário e começou a empilhar jogadas por todos as partes do campo. 

O segundo gol chegou aos 23 minutos premiando o bom entrosamento de Pavón e João Pedro, e o esforço de Diego Costa. Nosso centroavante brigou com o zagueiro, venceu a dividida, chutou uma e precisou chutar a segunda vez para estufar a rede. Sua comemoração sinalizou ao torcedor que ele está “esfomeado”, não quer perder a oportunidade de mostrar porque fez a fama pelos clubes que passou. Duas partidas, dois gols. E que venham muito mais!

O Grêmio poderia ter feito mais, desperdiçou algumas jogadas e foi preciosista em outras. O placar poderia ter sido mais elástico, mas o desempenho do time mostra melhoras e soluções em relação a outros jogos do campeonato. Ainda há peças para serem mais bem encaixadas, um aproveitamento melhor nas tabelas de Diego Costa e seus colegas que entram na área, e demonstrar consistência no setor defensivo, que começa na marcação lá no campo do adversário. 

O importante é que a lição de casa está feita! Agora é começar a semana com o foco na semifinal do Campeonato Gaúcho que será em duas partidas.

Saiba quais os cuidados para investir em ‘franchising’, mesmo com o crescimento supreendente do setor, em 2023

Você já pensou em empreender, mas fica indeciso sobre qual caminho seguir? Talvez seja hora de explorar o mundo das franquias, um segmento que tem se destacado no cenário econômico brasileiro. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), o franchising surpreendeu as expectativas e registrou um crescimento significativo de 13,8% em 2023, atingindo um impressionante faturamento de R$ 240,661 bilhões.

Esse crescimento não é apenas uma estatística, mas sim o reflexo de uma tendência consolidada de mercado. Com mais de 1,7 milhão de empregos diretos gerados e um aumento de 7,1% nesse aspecto, as franquias se destacam como uma fonte sólida de oportunidades de negócios e crescimento profissional.

Dentre os diversos setores que compõem o universo das franquias, alguns se destacaram ainda mais no último ano. Segmentos como Alimentação – Food Service, Saúde, Beleza e Bem-Estar, e Hotelaria e Turismo registraram desempenhos excepcionais, com crescimentos que superaram os 15%. Isso evidencia a diversidade e a adaptabilidade do modelo de franquia a diferentes nichos de mercado.

Por trás desses números impressionantes, há uma série de fatores que impulsionaram esse crescimento. A melhora do cenário macroeconômico, a adoção de práticas mais eficientes e a digitalização dos negócios são apenas algumas das razões que contribuíram para o sucesso do setor, de acordo com os representantes da ABF. Além disso, a capacidade de adaptação das franquias, tanto em relação aos modelos de negócio quanto às demandas dos consumidores, demonstra a resiliência e a versatilidade desse modelo empresarial.

Entenda os desafios do “franchising’

No entanto, é importante destacar que, apesar das oportunidades promissoras, existem desafios a serem enfrentados. Questões como os impactos da pandemia, a pressão de custos e a complexidade do ambiente de negócios no Brasil ainda representam obstáculos para os empreendedores. É essencial estar preparado para enfrentar esses desafios e buscar soluções criativas e inovadoras para superá-los.

Para aqueles que estão considerando ingressar no mundo das franquias, é fundamental tomar precauções e realizar uma análise criteriosa antes de tomar qualquer decisão. Avaliar a marca, o modelo de negócio, o suporte oferecido pelo franqueador e o potencial de mercado são passos essenciais para garantir o sucesso do empreendimento.

Em uma entrevista que fiz no Mundo Corporativo com Sidney Kalaes, líder de um grupo que reúne marcas de franquia, é importante olhar para dentro de si antes de empreender. Não se trata apenas de seguir ordens, mas sim de seguir padrões. As franquias oferecem segurança aos empreendedores, mas é necessário estar preparado para colaborar e seguir os padrões estabelecidos.

É fundamental que os franqueados e os franqueadores trabalhem em parceria, como ressaltou Kalaes. Os franqueados têm ideias valiosas e os franqueadores precisam ter humildade para ouvi-los e aproveitar esse potencial. Essa parceria é essencial para garantir que o negócio alcance todo o seu potencial e proporcione o retorno esperado.

Leia essas dicas e faça um bom negócio

O nosso saudoso colega Carlos Magno Gibrail, em um dos artigos escritos neste blog, usou de sua experiência no setor e traçou dez dicas (e mais uma) para o sucesso da franquia: 

1.Reflexão – Se você já teve negócio próprio e quebrou, ou já ocupou alguma posição de Direção e tem bom nível de cumprimento de regras, tem as condições ideais.

2.Casamento de perfis – Você não tem que fazer o que gosta, mas tem que gostar do que faz.

3. Capacidade financeira – É preciso verificar o valor do investimento, o fluxo de caixa, o retorno, a sua necessidade mensal, para saber se possui o capital próprio. Não financie.

4. O Ponto Comercial – Depois da franquia em si, é o item mais importante do seu negócio. Atente para a localização e a contratação.

5. Concorrência – Analise os concorrentes mas considere que quanto à localização a existência de cluster pode ser positiva. Até mesmo multimarca não é ameaça, mas divulgação da marca, que você como franqueado sempre terá mais opções.

6. Franqueador – Procure saber os números financeiros, mercadológicos e operacionais, mas use o expediente do cliente misterioso.

7. Franqueados – Para conhecer é preciso desconsiderar os franqueados extremos. Os apaixonados e os indignados. Faça o cliente misterioso nas lojas.

8. Circular de Oferta e Contrato – Esqueça parentes, amigos e conhecidos, contrate um advogado especialista.

9. Decisão – A decisão tem que ser racional. Nunca por impulso.

10. Responsabilidade – Foque na sua responsabilidade. Não descumpra e nem extrapole. Ideias novas devem ser levadas ao franqueador. Steve Jobs seria um péssimo franqueado.

10+1 Perda do Ponto Comercial – Uma das causas é a não manifestação no prazo legal estabelecido no Contrato de Locação e/ou não renovação do seguro. Atente para este detalhe simples, mas causador de dissabores fatais.

E você, diante dos números e dos alertas, pensa em investir em franquia ou prefere partir para um negócio próprio?

Mundo Corporativo: a jornada de resiliência e autodescoberta de Leonardo Simão

Nos bastidores do Mundo Corporativo em foto de Priscila Gubiotti

“A gente não precisa controlar nada externo, basta a gente controlar a nossa reação” 

Leonardo Simão, empreendedor

No universo do empreendedorismo, a jornada de Leonardo Simão se destaca s pelo seu sucesso como empreendedor em série, mentor, investidor e autor, e também pela sua profunda compreensão da importância da resiliência mental e do autoconhecimento. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, Simão compartilha ideias valiosas sobre os desafios e estratégias para prosperar em um cenário de negócios altamente competitivo.

O autor do livro “Do zero ao Exit, um manual completo do mundo da criação e captação de recursos para startups” argumenta que o cerne do sucesso empresarial não reside na ideia ou na execução, mas na capacidade do empreendedor de lidar com adversidades.

“O maior fator do sucesso de qualquer empreendedor, de qualquer empresário, não está na execução apenas, não está na ideia, não está no negócio, está na sua resiliência mental, está na sua saúde mental para lidar com todos os desafios”.

A filosofia do estoicismo, que Simão adotou após um período de intensa reflexão e busca pessoal, tornou-se uma pedra angular em sua vida e negócios. Ao abraçar conceitos como a dicotomia do controle e a importância do julgamento individual na percepção de eventos, Simão encontrou um equilíbrio que lhe permitiu enfrentar as incertezas do mundo dos negócios com uma mente mais tranquila e focada.

“Quando a gente entende o mindset positivo, a gente vê que não tem nada bom nem ruim na nossa vida. As coisas simplesmente são. E o que torna elas boas ou ruins é o nosso julgamento. Então, a partir do momento que você começa a controlar o seu julgamento, controlar a forma como você, age, como você reage, tudo muda”.

Simão compartilha sua trajetória de altos e baixos, desde o apogeu com a Bebê Store, uma líder em e-commerce, até momentos de introspecção profunda que o levaram a questionar o verdadeiro significado da felicidade e do sucesso. Esta jornada o inspirou a desenvolver o método “Calma da Mente”, visando ajudar outros empreendedores a encontrar paz e clareza em meio às pressões do ambiente de negócios.

Ao discutir a aplicação prática da filosofia estoica no empreendedorismo, Simão destaca a importância de focar no que se pode controlar e adotar uma mentalidade positiva. Ele enfatiza que, ao mudar nossa reação às circunstâncias, podemos transformar desafios em oportunidades de crescimento e aprendizado.

“Foque sempre em você, nunca foque no que está tá fora de você”.

Além disso, Simão toca em um tema de crescente relevância: o impacto da saúde mental no desempenho e sustentabilidade dos negócios. Ele argumenta que a produtividade e o bem-estar da equipe estão intrinsecamente ligados à saúde mental dos líderes e colaboradores, fazendo um apelo por uma maior atenção a este aspecto essencial do ambiente de trabalho.

Assista à entrevista com Leonardo Simão

A entrevista com Leonardo Simão serve como um lembrete oportuno da complexidade do empreendedorismo e da importância de cultivar uma mente saudável e resiliente. Suas experiências e ideias oferecem valiosas lições para empreendedores que buscam não apenas o sucesso nos negócios, mas também uma vida mais equilibrada e significativa.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo; e está disponível no podcast do Mundo Corporativo. Colaboram com o programa Carlos Grecco, Letícia Valente, Débora Gonçalves, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Uma hora a gente cai

Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Foto de Josh Hild

Mal chegamos no mundo, já temos uma queda: a casa quentinha no útero da mãe dá lugar a um espaço barulhento, meio quente e meio frio, cheio de luz que irrita olhos que antes não precisavam fazer o esforço de ver…

Tudo parece fluir bem, mas uma hora a gente cai. Uma discussão no casamento, um problema no trabalho, uma dívida financeira… Um exame médico que dá um resultado suspeito, um acontecimento não planejado que muda o rumo do futuro…

Cair é inevitável.

Não, não quer dizer que temos que gostar. Aliás, ninguém “tem que” nada.

Essa constatação serve pra nos trazer pra realidade da vida e, a partir dela, decidir como viver.

O que fazer com os momentos de queda?

Dá pra chorar, gritar, se esconder.

Dá pra tirar um tempo pra pensar.

Dá pra fechar os olhos e se imaginar mudando de planeta.

Só quero que se lembre que não está sozinho.

Só quero que, nessas horas, olhe para os lados e perceba: mais cedo ou mais tarde, você verá todos que conhece caírem (e, por aí, quem você não conhece também estará indo ao chão).

Só quero que você sinta que, apesar das quedas, há momentos em que estamos em pé, caminhando, podendo apreciar o vento fresco no rosto, a luz do Sol, as belezas do mundo.

É… uma hora a gente cai.

E, ainda bem, outras horas a gente está em pé e podendo saborear momentos felizes.

Te desejo esperança na sua capacidade de se erguer, de se reerguer e de seguir em frente!

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

A inteligência artificial no divã: o risco à autonomia e à critividade do profissional

Imagem criada no Dall-E

Fui surpreendido recentemente com a fala de alguns alunos de uma turma de psicologia que alegaram não conhecer o ChatGPT. Não é que nunca tenham usado. Não sabiam o que era! Menos ainda tinham ideia do potencial desta ferramenta de Inteligência Artificial. Fui rasteiro na minha “pesquisa” e, portanto, não sei com clareza os motivos que levam esses futuros profissionais a desdenhar esse conhecimento. Com o devido cuidado para não ser tomado pelo Efeito Bolha, me impressiona que pessoas que já estejam no ensino superior ainda não tenham tido contato com essa revolução tecnológica que estamos assistindo desde a popularização da IA, há pouco mais de um ano. 

Se ainda temos uma camada considerável da população sem acesso ao acessível ChatGPT e seus primos-irmãos, imagino que boa parte de nós — os da Bolha — ainda use os recursos de IA de forma infantil. A quantidade de possibilidades que essas ferramentas nos oferecem para elaboração de texto, análise de pesquisa, desenvolvimento de projetos ou criação de produtos e procedimentos é inalcançável. Todo dia, você que tenha um pouco de interesse no assunto, encontrará uma nova solução de IA.

Dos riscos que corremos, assim como acontece com todas as demais tecnologias à disposição, um deles é o deslumbramento e a hiper-dependência. As IAs generativas facilitam uma série de atividades como a elaboração de um texto sobre qualquer assunto que você se propuser a escrever (ou copiar). Porém, se você, refém desse nosso cérebro que está sempre em busca de atalhos para facilitar a sua vida, entregar apenas à IA essa tarefa, sem interferência e referências, corre perigo enorme de ver sua criatividade definhar, com a perda da capacidade de refletir e desenvolver pensamento crítico, que são as habilidades que nos oferecem vantagens competitivas. 

Um estudo recente que investiga equipes de trabalho e a Inteligência Artificial (IA), principalmente o uso do ChatGPT, esclarece realidades que tanto surpreendem quanto instruem. Este estudo, conduzido por Kian Gohar, CEO da GeoLab, e Jeremy Utley, da Universidade de Stanford, revela nuances importantes sobre a aplicação da IA em processos criativos de resolução de problemas nas organizações.

Colaboradores de quatro empresas, duas na Europa e duas nos Estados Unidos, foram divididos em equipes para enfrentar desafios empresariais específicos. Alguns grupos contaram com a assistência do ChatGPT, enquanto outros abordaram os problemas sem qualquer apoio da IA. O objetivo? Avaliar o impacto prático da IA generativa na geração de ideias e solução de problemas em equipe.

Os resultados, porém, foram modestos. Enquanto as equipes assistidas pela IA demonstraram um aumento significativo na confiança em suas habilidades de resolução de problemas – um salto de 21% –, as ideias geradas, em média, superaram apenas ligeiramente aquelas criadas pelos grupos de controle, com um modesto aumento de 8% no volume de ideias. Mais intrigante ainda foi o fato de que, embora as ideias geradas com a ajuda da IA tendessem a ser menos ruins, elas não eram necessariamente mais inovadoras ou criativas.

O foco aqui, segundo Gohar, não reside na capacidade da tecnologia, mas na abordagem e utilização desta tecnologia. A experiência demonstrou que a incorporação eficaz da IA em processos criativos requer uma redefinição do fluxo de trabalho e o desenvolvimento de novas competências. As equipes que se saíram melhor foram aquelas que trataram a IA não como um oráculo infalível, mas como um parceiro numa conversa contínua, explorando e aprofundando as ideias através de interações com a ferramenta.

Dentre as recomendações para maximizar o potencial da IA, destacam-se a necessidade de definir com precisão o problema a ser resolvido, dedicar tempo à discussão de ideias antes de consultar a IA, e treinar rigorosamente a ferramenta com informações detalhadas e específicas do contexto em questão. Além disso, a importância de manter um diálogo crítico e construtivo com a IA, desafiando-a e refinando as sugestões oferecidas, foi uma lição valiosa.

Joe Riesberg, vice-presidente sênior da EMC Insurance, uma das organizações participantes, reforça essa visão, destacando a importância de questionar e desafiar a IA para extrair respostas mais criativas e úteis. Sua experiência pessoal reflete um aprendizado crucial: a interação eficaz com a IA requer uma postura ativa, questionadora e, por vezes, crítica.

De volta a surpresa pelo desconhecimento de parcela dos estudantes de psicologia: volto a eles para lembrar que, enquanto muitos não se interessaram por essa tecnologia disruptiva, outros tantos engatinham ao explorá-la, e alguns se preocupam com a perda de autonomia ou criatividade, já temos profissionais bastante avançados nesse mercado.

Um dos usos frequentes entre os “vanguardistas do divã”  é a combinação do ChatGPT com ferramentas de análise de linguagem. A partir de textos escritos por pacientes, revelam-se aspectos significativos do estado emocional ou de processos cognitivos do paciente, auxiliando na formulação de abordagens terapêuticas mais direcionadas. 

É possível ainda criar cenários detalhados e realistas que podem ser utilizados em terapias baseadas em simulação. Isso é particularmente útil em abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), onde a exposição simulada a certas situações pode ajudar os pacientes a desenvolver estratégias de enfrentamento mais eficazes.

Entre riscos e possibilidades, minha sugestão: desdenhar das oportunidades em virtude dos perigos ou do medo do desconhecido é muito mais nocivo à sua formação profissional. Nessa encruzilhada entre a inovação tecnológica e o genuíno potencial humano, está a chave para uma nova era de descobertas e crescimento profissional: não é a ferramenta que define nosso futuro, mas a maneira como escolhemos usá-la. E a inteligência artificial será tão melhor quanto for a inteligência humana.

Foi graças ao The Shift que tive acesso ao estudo publicado na Harvard Business Review que me inspirou a escrever esse texto.

Conte Sua História de São Paulo: os caminhos que me levaram a entrar na vida adulta

Por Sergio Damião

Ouvinte da CBN

Foto de Mert Kaya

Sou profissional da área comercial há mais de 40 anos, 63 de vida. Autor do livro “Se Vira! Você não é quadrado! Surpreenda, atenda bem, venda mais”

(Livraria Books). Sou paulista de Santo André, descendente de nordestinos. Apaixonado loucamente por São Paulo.

Minhas maiores lembranças de Sampa vêm do tempo do meu início de trabalho, aos 18 anos, quando me formei em técnico em artes gráficas, na Escola Senai Theobaldo de Nigris, na rua Bresser.

Traço um paralelo direto com o clima. Como era bom saber que passaríamos três meses seguidos em um outono, com neblina — a verdadeira São Paulo da Garoa. Minha mãe, Dona Toca, acordava cedo para fazer o café e preparar minha marmita. Ela sempre recomendava:

– Serginho, não esquece da blusa, do guarda chuva. É outono!

Eu pegava o busão da CMTC azul e creme, às 5 horas, daqueles monoblocos com  motor atrás, que quando lotava dava até para sentar sobre ele, escondido do motorista e do cobrador. Fazia o trajeto  São Matheus-Praca da Sé entre cochilos e conversa com os Dinos, um grupo de amigos que conhecemos desde de 1965 e até hoje nos encontramos.

Eu atravessava da Praca da Sé, via rua Direita, viaduto do Chá, 24 de maio, cruzando o Teatro Municipal, o Mappin, a Peter, a Casa Los Angeles e aquelas vitrines bonitas. De chamar atenção. Estar com aquela gente madrugadora toda manhã era o primeiro sinal de que entrara na vida adulta.

Em um primeiro momento de estágio e depois contratado, com carteira assinada, eu seguia até o Largo Paissandu  e embarcava em outro busão, em direção a Rua do Bosque. Passava a Avenida Celestino Bourroul e a rua do Estadão, no bairro do Limão. Esse  trajeto, ida e volta, fiz durante dois anos, tempo que me fez apaixonar ainda mais pelo centro da cidade e no qual testemunhava aquela febre diária das pessoas se movimentando seja no início seja no fim do dia.

Nesse período assisti às manifestações dos bancários, à presença da Polícia Militar e seus cavalos cruzando as ruas e avenidas, aos camelôs e vendedores de calças Lee, Levis, Gledson e Soft Machine

Dar um giro no Mappin, comer um cachorro quente com salsicha viena no Largo do Café, ir no segundo MC Donalds da Libero Badaró, me deliciar com o sanduíche grego. Momentos que jamais sairão da minha memória afetiva.

Após tantos anos mudei de empresa, trabalhei com grupos de outros estados, migrei para área comercial, tive novas oportunidades para conhecer a capital e o interior. Há 20 anos, estou em uma empresa de Campo Bom, no Rio Grande do Sul, a Box Print. 

Há alguns dias, vindo fazer uma visita no centro, na Brigadeiro Luiz Antonio, cruzei a Praca Duque de Caxias, a avenida Rio Branco, a Ipiranga, a  São Luis e, com saudade e tristeza, senti o que todos devem sentir ao encontrarem essa região degradada pelo crack: um enorme pesar, além de uma nostalgia do tempo que cruzávamos esses caminhos com segurança e não como hoje vendo o “avesso do avesso”, que Caetano canta no clássico Sampa.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Sérgio Damião é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Juliano Fonseca. Conte você também a sua história: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Impulso Digital: novo programa do CIEE capacitará jovens para o futuro do trabalho

Foto de Canva Studio

À medida que o avanço tecnológico redefine as fronteiras do emprego e do conhecimento, a capacitação dos jovens nesse setor se torna indispensável, não apenas como meio de inserção profissional, mas também como estratégia crucial de combate ao desemprego. No Brasil, a questão do desemprego juvenil é particularmente premente, com taxas que destacam a necessidade urgente de ação. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 15% dos jovens brasileiros estão desempregados, um número que, embora menor do que nos anos anteriores, ainda representa um desafio significativo para o país e sublinha a importância de iniciativas como o Programa de Aprendizagem Impulso Digital.

Lançado pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), nessa quarta-feira, em São Paulo, em parceria com Ada Tech, o Impulso Digital é um programa pioneiro com o objetivo de abrir até cinco mil vagas para jovens aprendizes no setor de tecnologia. Esse programa representa uma resposta concreta ao duplo desafio do desemprego juvenil e da demanda crescente por profissionais qualificados na economia digital.

Projetado dentro dos parâmetros da Lei da Aprendizagem, o Impulso Digital propõe uma formação integral que inclui desde competências básicas em língua inglesa até conhecimentos avançados em banco de dados e estatística, passando pela inclusão de aulas de português e matemática. Essa abordagem multifacetada não só atende às necessidades imediatas do mercado de trabalho, mas também fortalece as bases educacionais dos jovens, preparando-os para um futuro promissor no campo tecnológico.

O apoio do Movtech, uma coalizão de organizações dedicadas a fomentar investimentos sociais em educação e tecnologia, sublinha a importância de uma ação coletiva para abordar essas questões. Este grupo tem como meta mobilizar, capacitar e inserir um número cada vez maior de jovens no setor tecnológico até 2030, refletindo um compromisso com a sustentabilidade econômica e o progresso social.

Dessa forma, o Programa de Aprendizagem Impulso Digital, do CIEE, se estabelece como uma iniciativa fundamental não apenas para o enfrentamento do desemprego juvenil, mas também como um catalisador para o desenvolvimento de competências que são cruciais para o futuro do trabalho. Ao capacitar os jovens com as ferramentas necessárias para prosperar na economia digital, o programa joga uma luz de esperança sobre as estatísticas de desemprego e abre caminho para um futuro mais inclusivo e próspero para o Brasil.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a nova fronteira do “naming rights”

Foto de Denys Volpe

Naming right é tanto melhor quanto mais a marca tiver conexão com aquele espaço”

Jaime Troiano

É o fim da era dos Pereirão, Frasqueirão e Itaquerão? Ainda não! O futebol tem muito estádio espalhado Brasil a fora com nomes que serão eternamente folclóricos. Com certeza, porém, há mudanças evidentes nas oportunidades comerciais que o esporte oferece e a estratégia de naming rights chegou aos clubes e arenas movimentando valores até bilionários. Assim como também embarcou em estações de trem e metrô ou nas casas de evento. 

Considerando que a visibilidade e o reconhecimento da marca se tornam cada vez mais valiosos, o conceito de direitos de nome, emerge como uma estratégia de marketing inovadora e potencialmente lucrativa. Nesse contexto, Jaime Troiano e Cecília Russo, em “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, do Jornal da CBN, mergulham nesse tema, elucidando como a prática reforça a presença da marca no mercado e, também, estabelece uma conexão mais profunda com o público. 

“Aqui no Brasil, essa é uma tendência que começou a acelerar. Não é novidade, mas tem sido muito mais aproveitada recentemente”

Jaime Troiano 

A prática de renomear espaços públicos com marcas corporativas é um dos caminhos usados com sucesso. Um exemplo é a Estação Higienópolis-Mackenzie, da Linha 4 do Metrô, em São Paulo, que agrega o nome de um dos bairros servidos pelo modal e a faculdade que tem sede na região.  A Linha Vermelha do metrô paulistano, por sua vez, tem uma estação denominada Carrão Assaí Atacadista, que agrega o nome da popular rede de atacarejo. Para Jaime é evidente o ganho mútuo para as instituições e o público: 

“Não há dúvida de que essa nova identidade beneficia todos”

Jaime Troiano

Cecília rememora experiências nos Estados Unidos, onde a associação de estádios e arenas a marcas é uma prática comum e lucrativa, sugerindo uma crescente adoção dessa estratégia no Brasil. Um exemplo de sucesso por aqui é o Allianz Parque, arena do Palmeiras que ganhou esse nome ainda quando estava em construção pela WTorres. Um negócio de cerca de R$ 300 milhões por um período de 20 anos, assinado pela empresa alemã de seguros que já explorava essa estratégia em outras partes do mundo. 

O mais recente caso de naming rigths do futebol brasileiro foi o negócio fechado entre o São Paulo e a Mondelez, detentora da marca Bis. O tradicional estádio do bairro do Morumbi teve seu nome adaptado para MorumBis, fruto de contrato que renderá ao clube R$ 75 milhões por três anos, devendo ser renovado ainda antes do seu prazo final. 

O desafio das empresas que fazem o investimento para conectar suas marcas a uma arena esportiva é levar a opinião pública a adotar esse nome. Veja o exemplo da Arena do Corinthians, conhecida popularmente como Itaquerão, em referência ao nome do bairro em que foi construído. Apesar de ter sido entregue para a Copa do Mundo do Brasil somente há pouco mais de três anos fechou contrato de naming rights e foi rebatizado Neo Quimica Arena. O laboratório farmacêutico teria pago de R$ 300 milhões a R$ 350 milhões por 20 anos de contrato. Os meios de comunicação desde o início adotaram o novo nome. Quanto tempo será necessário para que o apelido Itaquerão caia no ostracismo?

Estratégia ainda mais apurada terá de ser a do Mercado Livre que pagará R$ 1 bilhão para explorar, por 30 anos, o nome do estádio do Pacaembu, um dos mais tradicionais do futebol brasileiro. O nome oficial será Mercado Livre Arena. Haverá necessidade de ações de marketing agressivas para que, especialmente os paulistanos, deixem de chamar o estádio que será reinaugurado em breve de Pacaembu.

“Então, eu diria o seguinte: como profissionais de branding, naming rights é um caminho muito promissor. É bem-vindo ao mercado! Mas não é só estampar a marca. Também tem de ter gestão.  Também tem que saber construir a marca”

Cecília Russo

A marca do Sua Marca

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso sinaliza três pontos cruciais na adoção dos direitos de nomeação: a importância da conexão da marca com a cidade e o espaço onde ela se insere; a necessidade de uma gestão cuidadosa e estratégica da marca; e, por fim, a observação de que estamos apenas no início de uma tendência que promete remodelar o panorama do branding e marketing nos próximos anos.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

Não perca a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos sobre as últimas tendências em branding e marketing. “O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN, com a apresentação de Jaime Troiano e Cecília Russo. Acompanhe esses e outros temas relevantes para manter sua marca sempre à frente no mercado.

Avalanche Tricolor: obrigado pela graça alcançada!

Grêmio 4×1 Guarany Bagé

Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre/RS

Geromel recebe o abraço pelo gol marcado em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Pavón, duas vezes, Geromel, de cabeça, e Diego Costa, na cobrança de falta. Duvido que eu pudesse ter pedido algo mais a Deus, nesta tarde de sábado, na partida disputada em Porto Alegre. Que se entenda o verbo poder conjugado no pretérito imperfeito do subjuntivo: o caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche sabe que não costumo demandar coisas mundanas ao Chefe Superior.  A Ele cabem as grandes causas humanitárias, os pedidos de súplica e a salvação eterna. O futebol tem seus deuses próprios – assim mesmo, com letra minúscula – que evocamos quando a coisa se complica para o nosso lado. 

Diante desse fato e do cuidado com as divindades é que nada solicitei para a partida de hoje. Desejava intimamente apenas um pouco de alívio após as últimas frustrações sofridas em campo. Aquele sinal positivo que me fará olhar com mais entusiasmo a temporada de 2024. Na última partida na Arena, quando também goleamos nosso adversário, pelo Campeonato Gaúcho, o sinal veio na forma de esperança, especialmente pela estreia dos reforços recém-chegados. 

Hoje, assistir a Diego Costa marcar um gol na estreia seria um consolo diante da perda mais sentida por todos nós na última temporada com a saída de Luis Suárez. Não que eu acredite que alguém que vista aquela camisa 9 será suficiente para substituí-lo. Mas já que investimos em um centroavante experiente que ele deixe sua marca logo de cara. E vibrei muito com o fato de o gol ter saído em uma cobrança de falta — e que cobrança!?! Sinto falta (ops, sem trocadilho) desse recurso no Grêmio. A última vez que havíamos marcado assim havia sido exatamente com Luisito, no Gre-nal de outubro do ano passado.

Na Avalanche em que exaltei os sinais de esperança vindos do campo, em 17 de fevereiro, também tinha registrado a felicidade de ver o estreante Christian Pavón que entrou no segundo tempo, deu duas assistências para gol e assinalou o seu primeiro com a camisa do Grêmio. Hoje, o atacante argentino mostrou talento mais um vez. Marcou o primeiro gol, aos seis minutos de partida, consolidou a vitória com o terceiro gol do Grêmio, já no segundo tempo, e deu mais uma assistência para gol. Pavón desponta como a mais produtiva contratação feita nesta temporada seja pelos gols seja pelo dinamismo que oferece ao lado direito do time.

E ainda teve o gol de Geromel! 

Bem, aí você vai me desculpar. Depois de dez anos assistindo-o com a camisa do Grêmio, ainda não tenho maturidade para equilibrar minha paixão por esse cara. A jornada que ele está concluindo no Grêmio é incrível! Histórica! Poucos jogadores que vestiram nossa camisa foram tão marcantes quanto ele. Mesmo diante das dificuldades físicas da última temporada e após ter tido a dignidade de oferecer o que havia de melhor na campanha da Segunda Divisão, Geromel segue imponente com a braçadeira de capitão. Hoje, Geromito apareceu dentro da área adversária para, de cabeça, colocar o Grêmio na frente do placar, no início do segundo tempo. 

Se o Camarada Lá de Cima ou os deuses do futebol forem realmente justos darão a Geromel, nesse último ano como nosso zagueiro, todas as alegrias que fez por merecer. Seja nos salvando lá atrás nos momentos cruciais, seja se impondo diante dos atacantes adversários, seja, mesmo que de vez em quando, marcando gols para nos dar o prazer de vê-lo correndo de braços abertos para a torcida. Mais do que isso, só desejaria mesmo estar ali no gramado a espera desse abraço!