Desinformação faz mal para o coração

Cardiologistas estão preocupados com os efeitos da desinformação na área da saúde e aproveitam o mês de fevereiro, quando temos o Dia da Internet Segura, para discutir o tema em videocast. Tive o privilégio de ser convidado para compartilhar parte da minha visão sobre o assunto e, ao mesmo tempo, entender o quanto é danosa a forma irresponsável com que conteúdos relacionados à saúde são abordados por influenciadores, alguns da própria área médica.

O programa foi mediado pelo dr Pedro Duccini, coordenador da Cardiologia do hospital Vivalle Rede D’or São Luiz, e teve a presença do dr Lorenzo Tomé, professor universitário e CEO da SDConecta, uma plataforma de comunidades médicas.

Duccini me provocou a lembrar de mentiras que circulam pela internet e estejam relacionadas à área da saúde. 

Por curioso, havia deparado com uma delas no mesmo dia da gravação. Um ouvinte do Jornal da CBN me enviou mensagem que circula em WhatsApp sobre um suposto vírus mortal e sem sintomas que estaria devastando comunidades e, claro, para o qual não se dava publicidade para não prejudicar o Carnaval brasileiro. Na mensagem, estava o link de uma fala de Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS, sobre o assunto. 

Fui pesquisar e logo descobri que a gravação de Adhanon se referia a um alerta para que os países estejam preparados para futuras pandemias e não se referia ao tal vírus “escondido pela grande mídia”. Apesar de essa desinformação não prejudicar a saúde da população, dissemina o pânico e tira o foco do que realmente é importante. 

Outra mentira disseminada nas redes sociais é a que assistimos no Brasil em defesa da venda de cigarros eletrônicos. Patrocinada por fabricantes do produto, a campanha pela liberação dos vapes tenta convencer legisladores, comunidade médica e população em geral de que esse “cigarro”em formato de pendrive reduz os danos do cigarro convencional. A verdade é que causa danos aos pulmões e mata.

Na lista de desinformação podemos incluir as fórmulas mágicas de emagrecimento, as dietas da moda que fazem milagres no corpo humano e os multivitamínicos que prometem curar uma enormidade de doenças e prevenir de tantas outras. 

E por aí vemos como é árdua a batalha contra o que se determinou chamar de “fake news” (contra a minha insignificante vontade). Há interesses milionários por trás dessas informações falsas, há a ansiedade das pessoas em encontrarem fórmulas fáceis para resolver problemas complexos, há falta de tempo e paciência para apurar a verdade e há tecnologia suficiente para engajar cidadãos a este conteúdo. Uma sinergia de fatores que pode levar as pessoas à morte, o que me permite dizer que desinformação faz mal para o coração.

O videocast Conexão SOCESP, produzido pela Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, estará no ar em breve.

Avalanche Tricolor: de pé em pé e evoluindo

Grêmio 2×0 Novo Hamburgo

Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre/RS

Comemoração do primeiro gol em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

De pé em pé e com paciência até as redes. Foi essa a estratégia do Grêmio para somar mais uma vitória na sua jornada recém-iniciada de 2024. Se no primeiro tempo, a bola teimosamente negou-se a entrar, no segundo, toques de talento e trocas de passes bem feitas forjaram o resultado, na Arena.

Desde o início do jogo percebeu-se um Grêmio mais à vontade no gramado, apesar da desconfiança que ainda existe por parte do torcedor.  Havia uma dinâmica diferente na movimentação dos jogadores se compararmos com as partidas anteriores. A bola rodava com mais velocidade a despeito da retranca montada pelo adversário.

Boa parte da evolução passa pelos pés de Pepê que já havia se destacado nos jogos anteriores desta temporada. Hoje, foi sua melhor atuação, jogando um pouco mais à frente, conduzindo a bola colada no pé, driblando a forte marcação, distribuindo o jogo, aparecendo para facilitar a vida dos companheiros e arriscando bons chutes de fora da área.

Foi André Henrique quem conseguiu furar o bloqueio com um belíssimo gol, logo no início do segundo tempo. Recebeu passe de João Pedro dentro da área. Puxou com a esquerda e de três dedos bateu com a direita, tirando do alcance do goleiro. Golaço!

A vitória se realizou com a cobrança de pênalti de JP Galvão e a demonstração de apoio de todo o grupo de jogadores ao atacante que tem a cruel tarefa de ocupar o espaço de Luis Suarez. O lance da penalidade já havia sido mérito dele que serviu a bola para Nathan Fernandes entrar na área, por trás dos marcadores, e sofrer a falta (queira o santo protetor de todos os jogadores que a lesão sentida por Nathan seja leve). JP, vaiado até mesmo antes de a partida começar, saiu de campo sob o aplauso do torcedor. 

O Grêmio termina mais uma rodada do Campeonato Gaúcho na certeza da liderança, engata sua quinta vitória consecutiva, marcou dez gols e tomou apenas três. Sem querer iludir o caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, entendo que o futebol jogado nesta terça-feira à noite deu sinais de melhoras. Melhor assim!

O crime contra a autoestima

Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Foto de luna visceral

Você comete esse crime?

Vou fazer.

Vou falar.

Vou resolver.

Não fiz.

Não falei.

Não resolvi.

A preguiça e a inércia venceram.

É mesmo difícil de resistir. Descansar é mais fácil, não arriscar é mais “seguro”, evitar o conflito dá menos medo.

Mas um padrão de desânimo com a vida e de desconfiança em si mesmo contamina por completo quando isso vira a regra dos seus dias – prometer e não cumprir.

Quando você promete algo a si mesmo e não cumpre, está executando um crime – o assassinato da sua autoestima.

O seu compromisso não é de obedecer às outras pessoas – é de honrar a si mesmo; você é seu próprio chefe e, se fizer o que precisa ser feito, o lucro é seu!

Ter a disciplina de ao menos tentar concluir suas metas e seus objetivos é o que construirá seu sentimento de que você é capaz e confiável, uma pessoa digna de admiração.

Escolha se tratar com o respeito que deseja que os outros te tratem.

Não mate seu amor próprio.

Faça, fale, resolva.

Alimente e fortaleça, todos os dias, em cada tarefa realizada, o orgulho de ser quem você é.

Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: cinco tendências do consumidor para 2024

Photo by Andrea Piacquadio on Pexels.com

“Nós sempre buscamos estar atualizados com as  tendências e ver o que está acontecendo no mundo, não só dos negócios, mas de  outras áreas também.  Afinal, para entender de marca precisamos entender de gente, e isso nos ajuda a  entender a sociedade”. 

Cecília Russo


O humano, o relacionamento e o sustentável são algumas das tendências que surgem a partir do comportamento do consumidor e devem ser consideradas pelas marcas no planejamento de suas estratégias, em 2024. Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN, destacaram esses três comportamentos, a partir de um relatório global da Mintel, empresa de pesquisa de mercado. Este estudo, disponível online gratuitamente, serve como uma bússola para as marcas navegarem em um cenário em constante evolução.

A primeira tendência destacada por Cecília Russo é a valorização do “ser humano” nas marcas. Ela ressalta que, apesar da era tecnológica avançada, as pessoas ainda buscam “conexões verdadeiras e significativas”, procurando por marcas que transcendam números e dados. Essa tendência reflete a busca por um equilíbrio entre a conveniência tecnológica e a necessidade humana de interação autêntica.

“Essa tendência vai se acentuar no sentido como o (John) Nesbitt já falava lá na década de 70 quando ele trazia a ideia do hi-tech e do hi-touch não como coisas antagônicas mas complementares”

Cecília Russo

Jaime Troiano, por sua vez, enfatiza a importância do “renascimento do relacionamento” no contexto pós-pandêmico. Segundo ele, apesar do fácil acesso a comunicações digitais, as pessoas estão redescobrindo o valor das interações pessoais. “Relações interpessoais estão virando uma coisa rara”, afirma Troiano, sugerindo que marcas que facilitam encontros significativos e criam comunidades reais terão sucesso nesta tendência. 

“As marcas estão sendo desafiadas a promover essa busca; elas estão no momento de retirar as pessoas de seus casulos e fazer com que elas tenham experiências de conexão com outras pessoas de forma significativa”.

Jaime Troiano

Um terceira tendência da Mintel também mencionada por Jaime e Cecília é a “nova realidade verde”, que reflete a crescente preocupação com questões ambientais. As marcas são convidadas a adotar práticas sustentáveis em todo o seu processo produtivo, respondendo às demandas dos consumidores por um compromisso autêntico com o meio ambiente.

No relatório deste ano a Mintel ainda trouxe mais duas tendências: 

Mais do que Dinheiro: os consumidores reavaliarão o que é mais importante para eles, afetando não apenas o que querem e precisam, mas sua percepção do que constitui valor. 

Perspectivas Positivas: as marcas e os consumidores trabalharão juntos de novas maneiras para lidar com a incerteza.

A marca do Sua Marca

Este relatório da Mintel, conforme destacado por Troiano e Russo, é uma ferramenta valiosa para marcas que buscam antecipar e se adaptar às mudanças do mercado. As ideias  fornecidas podem ajudar as empresas a moldar estratégias eficazes de branding e marketing, alinhadas com as expectativas e desejos dos consumidores contemporâneos.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN, e tem sonorização do Paschoal Júnior.

Avalanche Tricolor: estávamos precisando de boas notícias

Avenida 0x1 Grêmio

Gaúcho – Estádio dos Eucaliptos, Santa Cruz/RS

Nathan Fernandes no caminho do gol em foto de Everton Silveira | Grêmio FBPA

Começamos a partida desta noite de sábado em busca de boas notícias. Havia uma certa agonia do torcedor na arquibancada – e no meu sofá de casa, também. Primeiro porque entramos em campo precisando de um bom resultado para manter a liderança da competição, perdida parcialmente no meio da tarde. 

Pior ainda era saber que iríamos ao jogo sem o principal jogador neste começo de temporada. Soteldo, recém-chegado e já admirado pelo torcedor, foi o primeiro grande revés do ano. Não bastava a falta de notícias sobre reforços para posições essenciais, ainda tivemos de amargar essa perda, por grave lesão, por ao menos todo Campeonato Gaúcho.

O paradoxo é que diante do que assistimos em Santa Cruz, o alento surgiu exatamente na posição do baixinho. 

Nathan Fernandes que vem sendo aproveitado aos poucos saiu como titular e pelo lado esquerdo. Depois de algumas tentativas de ataque frustradas, tivemos a parada técnica devido ao forte calor. E Nathan parece ter entendido o recado que veio da resenha ao lado do gramado. Na primeira bola que lhe chegou, foi vertical, usou da velocidade para escapar da marcação e do talento para conduzir a bola. Bateu de fora da área e longe do alcance do goleiro. Marcou o primeiro gol dele no Gaúcho e o segundo como profissional do Grêmio. 

No segundo tempo, Nathan foi substituído por Lucas Besozzi, o garoto argentino que chegou no ano passado e teve seu potencial limitado pela timidez. Desta vez, porém, atreveu-se a driblar. Atrevimento recompensando. Fez ótimas jogadas, deixou o marcador para trás em todas suas tentativas, driblou com categoria, meteu a bola no meio das pernas do adversário, cruzou para seus companheiros e protagonizou um chute que só não teve nota 10 porque o goleiro fez excelente intervenção. 

Nathan Fernandes, às vésperas de completar 19 anos, e Lucas Besozzi, recém completados 21, foram as duas boas notícias do Grêmio. Suficientes para nos manter como líderes do Campeonato Gaúcho.

Mundo Corporativo: Sérgio Zimerman, da Petz, revela as transformações e o futuro do mercado pet no Brasil

Séregio Zimerman em entrevista ao Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti

“Se alguém acha que isso é uma onda, está absolutamente equivocado. Isso aqui, na verdade, é o início de uma grande mudança em como tratar o pet”

Sérgio Zimerman, PETZ

O mercado pet no Brasil é um universo em constante expansão, representando um dos cinco maiores do mundo. E o que explica esse poder é o amor que os brasileiros têm pelos animais de estimação, na opinião de Sérgio Zimerman, CEO e fundador da Petz. À frente da maior rede de lojas do setor no país, ele destacou ainda a tendência crescente da humanização desses animais, que hoje são vistos como membros da família.

Em entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN, Sérgio Zimerman compartilhou sua jornada de empresário e falou da importância de se adaptar às mudanças do mercado e às necessidades dos consumidores. Ao refletir sobre a evolução do setor nos últimos 20 anos, Sérgio lembra que as pessoas passaram a entender que o cachorro não era mais o animal para ficar no quintal latindo e espantando as pessoas que se atrevessem a chegar perto. Os pets começaram a frequentar outras dependências da casa e estão na cama do quarto. 

“As crianças que nasceram nos últimos 10, 20 anos são crianças que estão vendo a naturalidade do pet indo para o restaurante, indo para o hotel, sendo tratado com todos os cuidados veterinários e cuidados de higiene. Essas crianças vão casar, vão ter filhos e, seguramente, essa memória afetiva vai retroalimentar esse movimento da humanização do pet”. 

O empresário lembra da primeira experiência profissional quando teve um fusca roubado e com o cheque do seguro decidiu comprar uma fantasia de palhaço para ele e para a namorada. Foi quando começou a trabalhar com animador de festas infantis. Depois do personagem divertido se aventurou nas barraquinhas de cachorro quente, pipoca e algodão doce, trabalhou em uma adega e no setor de atacado de alimentos e perfumaria. Foi, então, que teve o “privilégio de falir”:

“Eu digo o privilégio no sentido do aprendizado. É privilégio porque eu escolhi que fosse um privilégio ver aquele insucesso se transformado numa fonte de aprendizado, numa fonte de reflexões para que no próximo negócio eu pudesse usar. E esse próximo negócio veio ,foi justamente o mercado pet”.

Hoje, a Rede Petz tem cerca de 250 lojas no Brasil e 40% das suas vendas são online, modelo que cresceu de forma exponencial durante a pandemia e segue se expandindo. O mercado de produtos para cachorros ainda é o maior, porém o de gatos tem se destacado de forma considerável, constatou Sérgio Zimerman. 

Dentre os pontos cruciais para o sucesso da rede de lojas, o empresário fala da importância de se saber contratar profissionais de qualidade:

“Um dos grandes aprendizados de vida empresarial que eu tive foi que para crescer e tornar o que a Petz ficou, eu precisei ter a clareza de contratar gente muito melhor que eu,”

Falando sobre a evolução do negócio, Sérgio comenta sobre a necessidade de adaptar-se às demandas do consumidor. Ele observa que a indústria pet tem evoluído com alimentos de melhor qualidade, refletindo o cuidado dos tutores com a longevidade e a saúde de seus animais. 

“Hoje, os pets vivem notoriamente melhor e mais”

Sobre o desafio de gerenciar diferentes aspectos do negócio pet, Zimmerman destaca a importância de ter uma equipe competente e diversificada

“Eu tive algum mérito nessa história [foi] saber contratar pessoas que flagrantemente eram melhores do que eu no que se propunham a fazer,” explica ele.

A entrevista também aborda os desafios enfrentados pelo setor pet e pelo varejo em geral, incluindo questões tributárias e a concorrência com plataformas internacionais. Sérgio destaca a importância de políticas que apoiem empresas locais, em vez de favorecerem importações que não geram empregos ou impostos no Brasil.

Finalizando, o empresário oferece um conselho valioso para aspirantes a empreendedores no setor pet: 

“Se você pensar em ter um negócio, primeiro responda a seguinte pergunta: por que eu, como consumidor, compraria no seu comércio ou no nosso prestador de serviço? Se você não conseguir dar uma boa resposta para isso, não gaste o seu dinheiro.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, todas às quartas-feiras, às 11 horas da manhã, no canal da CBN no You Tube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, domingo, às dez noite, em horário alternativo, e está disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen. 

Conte Sua História de São Paulo: diálogos que nascem no Trianon e passeiam pela Paulista

Wagner Nobrega Gimenez

Ouvinte da CBN

Foto do perfil no Instagram de @poemesenmachine

Tarde de domingo. Caminho sozinho. Faz muito frio. 

Vou até um evento do ‘Poèmes en Machine’ no Trianon. As conversas dos passantes com os artistas geram poemas datilografados na hora. “Não somos capitalistas. Escrevemos e não cobramos!”, falam com orgulho os poetas. 

Ouço a senhora nordestina: “Nossa, nunca ninguém fez uma poesia para mim. O que eu fazia antes de me aposentar? Era costureira em uma fábrica de guarda-chuvas, lá na Penha, onde moro.” 

Saio do parque. Na Paulista, por acaso cruzo com um gaúcho conhecido. Muito alto, com cara de alemão. Está com uma garota. Baixa. Ele fala, gesticula, enquanto anda. Não consigo ouvir o que  diz. 

Na banquinha, peço bolo de bacalhau e um suco. O recolhedor de latas reclama com o outro, seu concorrente: “Vamos combinar: eu não atrapalho a sua vida e você não se mete comigo, tá bom?” 

Um rapaz, nervoso, para o outro: “agora acabou tudo, ela está grávida.” 

Sigo. As garotas lésbicas em grupo alertam: “atenção, gente, vamos tirar uma self nossa!” 

O rapaz moreno, alto, no megafone sobre o palanque de sindicato: ”… então, a solução agora é a convocação de novas eleições para Presidente. Temos aqui um abaixo-assinado…”.

Pessoas estão paradas ouvindo uma banda tocar “Light My Fire”. É da década de 1960. Recordo meus 13 anos quando namorava com a Veridiana. Uma vez, no cine Universo nos beijamos. Qual era mesmo o filme? Não lembro mais. 

O som agora é outro:  “Camon baby light my fire…”.

Cruzo a avenida. Ouço ciclistas, skatistas, caminhantes, passantes, casais hetero e homo, crianças encapotadas, passeadores com cachorros, pessoas das mais variadas. A Paulista é uma festa urbana! Mas está na hora voltar. E é o som do metrô que me acompanha até em casa, no Belenzinho.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Wagner Nobrega Gimenez é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Esta história é inspirada no texto que ele enviou para contesuahistoria@cbn.com.br . A sonorização é do Daniel Mesquita. Venha participar você também e ouça outros capítulos da nossa cidade no meu blog miltonjung.com.br ou no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: tributo ao Seu Ênio

Grêmio 1×0 Juventude

Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre.RS 

Era bem cedo ainda quando uma mensagem em rede social me fez o coração apertar. Era o perfil do Grêmio, no Instagram, celebrando o aniversário de Ênio Andrade. Lembrar dele é sempre um instante de alegria tanto quanto de saudades. Seu Ênio foi campeão como jogador e um dos técnicos mais vencedores do futebol brasileiro. No particular, foi das pessoas mais influentes na minha adolescência. Falei dessa minha admiração e respeito em Avalanche de 2014:

A experiência mais gratificante que tive com um técnico de futebol foi com Ênio Andrade quando, pela primeira vez, treinou o Grêmio, em 1975. Anos difíceis aqueles, nos quais o título gaúcho era quase uma utopia e sequer tínhamos direito de sonhar com o Brasil ou o Mundo, apesar de já estar escrito pelo destino que haveríamos de conquistá-los. Foi, por sinal, o próprio Ênio quem abriu caminho para essas vitórias quando voltou a ser nosso treinador nos anos de 1980, mas este foi outro momento da nossa vida como torcedor. 

Seu Ênio, como sempre respeitosamente o chamei, foi muito mais do que o técnico do meu time de coração. Adotei-o como padrinho pelo carinho que sempre teve comigo desde que fui apresentado a ele por meu pai, Milton Ferretti Jung, que você, caro e raro leitor, conhece muito bem. 

Além de acompanhar a todos os treinos do Grêmio ao lado do gramado, tinha o privilégio de assistir às conversas que eles travavam ao fim dos trabalhos em uma mesa que lhes era reservada na cozinha do bar que funcionava dentro do estádio Olímpico. 

Aprendi muito sobre futebol naqueles tempos e não apenas sobre estratégias em campo, mas do jogo de tramoias e injustiças que se desenrola na maioria das vezes distante dos olhos do torcedor. 

Convidado por ele, me travesti de gandula para funcionar como “pombo-correio” do técnico que, na época, não podia sair da casamata, como era chamado o banco de reservas. Seu Ênio me passava as instruções e eu corria até atrás do gol gremista para transmiti-las ao goleiro Picasso. Inúmeras vezes, percebia que a orientação tinha um sentido e jogávamos a bola para o outro. 

O aprendizado mais importante se deu no campo pessoal: foi ele o responsável por me convencer de que eu seria muito mais honesto se procurasse meu pai para contar-lhe que havia rodado de ano na escola, notícia que eu relutava em anunciar, apesar de todos na família já saberem.

Honestidade, amizade, correção, companheirismo, criatividade, inteligência, e bom humor. Alguns dos muitos valores que Seu Ênio dividiu com todos que tivemos o privilégio de conviver com ele. Alguém que sempre fará falta ao futebol, ao Grêmio e ao meu coração. 

Na noite em que o Grêmio venceu e assumiu a liderança do Campeonato Gaúcho, mesmo tendo sofrido muito mais do que deveria, em sua casa, dedico esta Avalanche a Seu Ênio, um treinador e um ser humano que deveria ser referência a todos que vestem a nossa camisa.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o que se aprende diante da cancela de trem

“Nas estradas de ferro do interior, havia sempre um aviso antes de cruzar os trilhos: pare, olhe, escute” 

Cecília Russo

A construção de uma marca não é apenas uma questão de criatividade ou sorte; ela envolve uma série de estratégias e práticas fundamentais. Os ensinamentos para que a empresa, o produto ou o serviço que essa marca representa trilhem um caminho de sucesso podem ser encontrados em diversos lugares. Até mesmo diante da cancela de um trilho de trem, como destacaram Jaime Troiano e Cecília Russo, no comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, da CBN.

Jaime e Cecília se inspiraram nos três alertas que estão na placa de segurança que costuma fazer parte deste cenário: pare, olhe e escute. São três atitudes essenciais, baseadas em palavras simples que ajudam no processo de construção e ajuste de marca eficaz.  

“Vamos lembrar que pare, olhe, escute é sempre o verbo conjugado no imperativo. Tem o sentido assertivo de algo a fazer”.

Jaime Troiano


Os três sinais de alerta

O “pare” representa uma atitude de cautela e reflexão. Nessa fase, é crucial evitar julgamentos precipitados e estar aberto a novas ideias, uma prática especialmente valiosa para marcas em fase inicial. Este momento de pausa permite absorver informações, sem a interferência do orgulho ou preconceitos.

A segunda fase, “olhe”, é descrita como um período de observação e análise. Aqui, a marca deve absorver as impressões recebidas anteriormente e começar a formar uma visão analítica. Esta etapa envolve olhar tanto para o mundo externo quanto para o interno da marca, garantindo que as estratégias façam sentido para ambos os lados. Esta fase ativa no processo de branding é crucial para construir os alicerces da marca.

Por fim, “escute” é a etapa onde as reações e feedbacks do público são recebidos. Troiano enfatiza a importância da humildade e atenção nesta fase, pois as reações negativas podem ser desafiadoras, mas são essenciais para o refinamento da marca. A eficácia das fases anteriores de “parar” e “olhar” se reflete aqui, pois uma abordagem dedicada e honesta tende a minimizar reações adversas.

“Uma regra é sempre verdadeira: as reações serão menos negativas na fase do escute quanto mais você tiver sido dedicado e honesto consigo mesmo no pare e olhe”.

Jaime Troiano

Além dessas estratégias, é importante reconhecer que, mesmo seguindo essas etapas cuidadosamente, o sucesso não é garantido. No mundo dinâmico do branding, a agilidade e a capacidade de adaptação são fundamentais. 

“Mesmo com todos esses cuidados, não existe segurança total nesses  processos de branding. Tem sempre um trem passando sobre o Pica-Pau – lembra dos desenhos animados?”

Cecília Russo

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

Jaime Troiano e Cecília Russo, com sua experiência no campo do branding, oferecem uma perspectiva prática e realista, essencial para qualquer pessoa envolvida na criação ou gestão de marcas. A aplicação dessas estratégias pode ser a chave para cruzar a linha do trem do mercado com segurança e sucesso. O comentário vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A sonorização é do Paschoal Júnior:

Avalanche Tricolor: sobre confirmações, pronúncias e o gol de sinuca

Brasil 0x1 Grêmio

Gaúcho – Bento Freitas, Pelotas/RS

André comemora o gol da vitória em foto de Everton Silveira / Grêmio FBPA

É contra a retranca, o gramado ruim e o torcedor no alambrado. Tem bafo na nuca, correria do adversário e chute na canela, sem direito a VAR. Campeonato Gaúcho é assim mesmo. Já foi bem pior!

Jogar em Pelotas, então, nem se fala. A coisa lá pegava antes de a partida começar. No caminho para o estádio havia pressão. E se você fosse repórter de campo, como fui por algum tempo no início da carreira, tinha de estar disposto a ouvir todo tipo de impropério, porque na melhor das hipóteses você era o adversário a ser atacado. 

Hoje, me parece que a vida dos colegas é um pouco mais simples, apesar das confusões que assistimos na partida deste domingo à tarde, em que os burocratas da federação e os auxiliares do árbitro fizeram algumas trapalhadas diante das substituições de jogadores. Na volta do intervalo, chegaram ao ponto de sacar JP Galvão em vez de Nathan Fernandes. Era o que estava registrado na súmula, segundo o repórter de televisão. Do ponto de vista técnico, talvez até tenham feito melhor escolha.

Gostaria de assistir ao Grêmio com dois jogadores incisivos nas pontas: Soteldo na esquerda e Nathan pela direita. Quando tivemos um não tivemos o outro, o que deixa o time jogando por um lado só e facilita a vida do adversário que se arma para não levar gol. De certa maneira, foi o que se buscou na partida. Esse equilíbrio na movimentação de ataque. Não foi o que se conseguiu. O jogo aconteceu quase todo pela esquerda, onde Nathan esteve no primeiro tempo e Soteldo no segundo.

Não surpreende que o gol tenha saído pelo lado esquerdo. Após ativação de Reinaldo e Soteldo que abriram espaço para Villasanti. Nosso volante uruguaio foi inteligente e preciso. Primeiro, por buscar a jogada ofensiva com um movimento de corpo que deslocou o marcador — me dá nos nervos a frequência com que se prefere recuar a bola, e isso não é só no Grêmio. Depois, pela assistência na medida certa e dentro da área pequena.

André foi quem completou a jogada, marcando um gol de sinuca na segunda oportunidade que surgiu depois que entrou no intervalo. Na primeira, recebeu o cruzamento pelo alto e cabeceou conscientemente, obrigando o goleiro a uma defesa difícil. Na segunda, não deu chance ao deslocar de “prima” a bola bem passada por Villasanti. Nosso atacante ainda participaria de mais um ou dois bons lances ao ser acessado por seus colegas, reforçando a boa impressão que tem deixado sempre que a ele é dado tempo para jogar. Quem sabe não esteja na hora de André sair jogando em um dos próximos compromissos pelo Campeonato Gaúcho.

Lá atrás fomos bem pouco pressionados. Na única intervenção em que foi exigido, em uma excelente cobrança de falta que tinha o endereço das redes, Agustín Marchesin cumpriu seu papel com excelência. É para isso que precisamos de goleiro: nas bolas ordinárias demonstrar segurança, nas extraordinárias, brilhar. 

A propósito: Marchesin é argentino e por argentino que é seu sobrenome deve ser pronunciado com o som de “tche” e não de “que”, como seria se italiano fosse. Ele próprio já recomendou os jornalistas que assim o chamem: “Martchesin” ou “Martche”, para os íntimos.

Ao fim e ao cabo, deixamos o alçapão de Pelotas com mais três pontos na conta, uma performance segura, apesar de não ter sido exuberante, e com subsídios para avaliar alguns jogadores que estão chegando ao clube – casos de Marchesin, Soteldo e Dodi – e outros que estão se firmando no elenco – Nathan Fernandes e André, por exemplo.