“Dez Por Cento Mais: Desvendando os Mistérios do Cérebro com o Dr. Renan Domingues”

Imagem criada por Dall-E

O cérebro humano é tão fascinante quanto cercado de mistérios. Para desvendá-los, é essencial desmistificar algumas “verdades” que comumente circulam. No programa Dez Por Cento Mais, o neurologista Dr. Renan Domingues desafiou um dos mitos mais difundidos sobre o cérebro ao revelar que, na verdade, utilizamos 100% de sua capacidade, contrariando a crença popular de que usamos apenas 10%.

Na conversa com a psicóloga Simone Domingues, uma das apresentadoras do Dez Por Cento Mais, Dr. Renan ressaltou a extraordinária complexidade do cérebro, composto por cerca de 86 bilhões de neurônios. Este órgão está constantemente ativo, processando uma ampla gama de informações, emoções, pensamentos e comportamentos. A descoberta de que empregamos toda a capacidade cerebral não só refuta um erro comum, mas também promove um entendimento mais profundo das habilidades e potencialidades do cérebro.

Além disso, Dr. Renan aprofundou-se na interconexão entre neurologia e psicologia, ilustrando como alterações no cérebro afetam diretamente nosso pensamento e comportamento. Ele enfatizou a importância de considerar o cérebro como parte de um sistema integrado, onde diferentes áreas trabalham conjuntamente no processamento de informações.

A entrevista também abordou a complexa relação entre mente e corpo. Dr. Renan desfez a ideia de uma separação rígida entre os dois, mostrando como os estados emocionais podem ter impactos físicos no corpo, e vice-versa. “Os estados emocionais… interferem, sim, no curso de doenças que afetam nossos pensamentos e sentimentos. Elas também são físicas”, afirmou, destacando a integração entre os aspectos físicos e mentais da saúde.

Alerta contra outros mitos sobre o cérebro

Dr. Renan desmentiu ainda outros mitos sobre o cérebro, como a noção de que seria possível “reprogramá-lo” de forma simples e rápida. Ele destacou a necessidade de empenho e atividades desafiadoras para desenvolver e expandir as capacidades cerebrais.

No programa, o neurologista discutiu um “suplemento” ideal para o cérebro, que inclui uma alimentação rica em vegetais, dieta saudável, atividade física regular, sono de qualidade e socialização. Pesquisas epidemiológicas enfatizam a importância da socialização para a saúde cerebral. Dr. Renan também explicou que a saúde geral do corpo é fundamental para a do cérebro, exemplificando como uma tensão arterial saudável é crucial para fornecer oxigênio às células cerebrais. Ele ressaltou que a ingestão de vitaminas é vital, principalmente em casos de deficiência, e que uma dieta equilibrada normalmente fornece as vitaminas necessárias, exceto a vitamina D3, que é sintetizada pela pele sob exposição solar.

Dica Dez Por Cento Mais

Finalmente, a entrevista destacou a importância do investimento em educação, ciência e pesquisa, ressaltando a necessidade de abordagens baseadas em evidências científicas na neurologia e na psicologia. Encerrando com uma nota poética, Dr. Renan citou Álvaro de Campos (Fernando Pessoa), incentivando os espectadores a desfrutar dos pequenos prazeres da vida e a se conectar com o momento presente: 

“Quando ele diz: ‘come chocolates, pequena; come chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates’. Então, nós falamos da mente falamos do pensamento. O passado  já acabou. Onde que ele vive? Ele vive na nossa mente. O futuro também é uma projeção da nossa mente. Então, na hora que a gente tá ali diante do chocolate, quanto menos o passado e o futuro interferirem naquele momento melhor será e isso é bastante saudável”.

Assista ao Dez Por Cento Mais

O Dez Por Cento Mais é transmitido ao vivo todas as quartas-feiras, às oito da noite, no YouTube, e também está disponível em podcast no Spotify. O programa é apresentado por Simone Domingues e Abigail Costa.

Mundo Corporativo: Victor Piana, do AC Camargo, propõe que saúde dos funcionários seja tratada como estratégia da empresa

Victor Piana em entrevista ao Mundo Corporativo. Foto de Priscila Gubiotti

“A empresa tem um papel muito importante na condução da saúde do seu colaborador e eu acho que terceirizar menos o “problema” para alguém é trazer ele para dentro de casa, e entender a saúde como um elemento estratégico da instituição”.

Victor Piana, AC Camargo Cancer Center

Na esfera corporativa contemporânea, a saúde dos colaboradores emergiu como um fator crítico, impactando não só o bem-estar individual, mas também a eficiência organizacional e a sustentabilidade financeira. Esta realidade foi enfatizada por Victor Piana, diretor-geral do A.C. Camargo Cancer Center, em uma entrevista no programa “Mundo Corporativo” da CBN. Através de suas observações, Dr. Piana fornece uma perspectiva valiosa sobre a importância da gestão proativa da saúde no ambiente de trabalho.

O entrevistado ressalta uma preocupação predominante no cenário atual: muitas empresas ainda tratam a saúde dos colaboradores como um mero benefício, similar a um vale-alimentação ou refeição. Esta abordagem resulta em uma gestão ineficaz da saúde, onde o uso dos serviços médicos é relegado a situações de emergência, elevando os custos sem promover uma saúde efetiva. Ele observa que o ingresso frequente em pronto-socorros inicia “a jornada do desperdício”, destacando a necessidade urgente de uma mudança de mentalidade nas empresas.

“É hora do CEO e de toda a diretoria entende qual é o momento de saúde do time que você cuida e de que forma a gente pode ajudar essas pessoas a trabalhar muito mais no campo da prevenção do que o consumo pontual de pronto-socorro, que a gente sabe: não faz bem ao paciente, não faz bem o sistema”.

O exemplo prático do A.C. Camargo Cancer Center, conforme descrito por Dr. Piana, ilustra como uma abordagem proativa pode trazer benefícios significativos. Desde a implementação de seu programa de saúde “Viva Bem” em 2017, a instituição observou não só uma melhoria notável na saúde e bem-estar dos colaboradores, mas também uma redução substancial nos custos. Dr. Piana revela que “em seis anos, pagamos 3 milhões a menos para o plano de saúde do que em 2017”, mesmo com uma inflação médica acima de 100%. Este dado ressalta a eficácia do investimento em prevenção e gestão da saúde.

Essas informações reforçam a ideia de que cuidar da saúde dos funcionários vai além da responsabilidade corporativa; é uma estratégia inteligente e rentável. Dr. Piana sugere que as empresas devem adotar uma visão mais holística e preventiva da saúde, transformando-a em um componente estratégico crucial para o sucesso organizacional. Ele enfatiza que a saúde dos colaboradores pode estar atrelada a resultados financeiros positivos, vinculando diretamente o bem-estar dos funcionários ao sucesso da empresa.

O caso do A.C. Camargo é um exemplo poderoso de como a gestão eficiente da saúde dos colaboradores beneficia todos – os próprios funcionários, a empresa e a sociedade. Investir na saúde dos funcionários não é apenas uma questão ética, mas uma estratégia essencial para criar um ambiente corporativo saudável e produtivo. Como Dr. Piana aponta, é imperativo que as empresas “entrem no jogo” da gestão da saúde, adotando práticas que promovam o bem-estar e a sustentabilidade.

“Se você cuidar da saúde do colaborador ou daquele indivíduo, ele percebe que você está cuidando dele e ele cuida da empresa, também”.

Esta perspectiva abrangente sobre a gestão da saúde corporativa não só melhora a qualidade de vida dos funcionários, mas serve como um catalisador para um ambiente de trabalho mais saudável, produtivo e financeiramente sustentável. Portanto, as empresas que buscam não só a prosperidade, mas também a responsabilidade social, devem considerar seriamente a implementação de estratégias focadas na saúde e no bem-estar dos seus colaboradores.

Assista ao Mundo Corporativo

A gravação do Mundo Corporativo pode ser assistida, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no canal da CBN no YouTube e no novo site da CBN. O programa vai ao ar e aos sábados, no Jornal da CBN, domingos, às dez da noite, em horário alternativo. Também está disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: minhas mémórias gastronômicas e auditivas da cidade

Joabedan Mariano

Ouvinte da CBN

O estádio do Palmeiras na foto de Sergio Souza

Aos cinco anos, nos longínquos anos de 1980, fiz uma viagem de três dias de Alagoas a São Paulo. Minha mãe, um primo e eu. Como era criança, não paguei passagem, e também não tive direito ao assento: dormia embaixo do banco no qual sentavam minha mãe e meu primo.

A São Paulo que vi, senti e provei era fria. Nas bandas do nordeste, não somos acostumados a temperaturas baixas. A cidade era cinza, por onde passava havia pouquíssimo verde e muito concreto; era inóspita, também. Meus familiares viviam na Favela de Heliópolis. Lá havia uma sinfonia de uma nota só: bang, bang, bang … E quase toda noite, era o que se ouvia.

Talvez por ser muito novo, eu até achava curioso e, não raro, preferia acreditar que aqueles sons eram estalos de São João. Ah, esses os conhecia muito bem.

Tive boas experiências, também! 

Gastronômicas, em especial: conheci sabores que nunca havia provado. Almeirão, sagu, groselha e uma mortadela deliciosa da qual nunca mais provei. 

Houve experiências visuais: fui ao Museu do Ipiranga, ficando em minha mente tudo o que vi: as armas do Brasil-Império e a Coroa Real; os caixões de Dom Pedro e de sua respectiva esposa; a tela de Pedro Américo, “Independência, ou Morte!”. 

E, claro, mantenho na memória as experiências auditivas. Minha tia, a que morava em Sampa, era assim que ela chamava o lugar, ouvia uma estação de rádio que transmitia um programa humorístico chamado “A Turma da Maré Mansa”. Eu adorava e me divertia!

Curiosamente, nunca mais voltei para São Paulo. Fui algumas vezes a Guarulhos, apenas para os voos em conexão. Sinto a necessidade de retornar à cidade para completar uma missão que eu mesmo me dei: conhecer o Brás, o Bexiga e a Barra Funda, lugares descritos com maestria pelo meu autor favorito, Alcântara Machado. Ah, e também realizar dois sonhos: conhecer as instalações da rádio CBN São Paulo (e, com muita sorte, conhecer Petria Chaves, da qual sou fã de carteirinha  – mas com Menção Honrosa a Milton Jung) e o Allianz Parque, palco dos shows do meu time do coração, o Palmeiras.

Joabedan Mariano é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também um personagem da nossa cidade. Escreva seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br e ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: a despedida memorável de Suárez no palco do Maracanã

Fluminense 2×3 Grêmio

Brasileiro – Maracanã, Rio de Janeiro, RJ

Suárez prestes a marcar em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Era a última dança. Assim os cronistas esportivos se referiam a partida final de Luis Suarez no futebol brasileiro. Do Grêmio e seus torcedores, Luisito despediu-se no fim de semana, na Arena. Foi uma festa muito particular, Linda e emocionante! Para nunca mais esquecer! Havia, porém, um último ato a ser realizado e este deveria ser no maior palco do futebol mundial: o Maracanã. 

É uma daquelas coincidências que somente os deuses, que interferem nos destinos deste esporte, são capazes de desenhar. O gramado em verde e bola jamais havia assistido a um gol de Suárez. E estava lá, disposto a lhe dar essa oportunidade na hora do adeus.

A música que as torcidas cantavam, a voz ao fundo dos locutores esportivos e a batucada proporcionada pela chuteira em choque com a bola estavam sintonizadas para acompanhar o ritmo imposto por Suárez. Aos 36, véspera dos 37 anos, consagrado por todos os lugares que jogou, o craque uruguaio demonstrava um desejo que somente os apaixonados pelo futebol são capazes de ter. Quase juvenil!

Era o jogo derradeiro do nosso craque, aquele que com seus pés fez poesia, que com dribles delineou sonhos no campo, que com gols escreveu história — algo que ele não se cansa de repetir a despeito de um joelho que teima em doer. Foi a superação desta dor, somente possível pelo prazer que tem em jogar, que o permitiu chegar até o espetáculo final. 

Ele não desperdiçaria as circunstâncias.

O passe que recebeu de Villasanti e a posição dos seus marcadores pareciam sincronizadas para permitir que o campo ficasse livre para Suárez correr em disparada ao gol, aos 43 minutos do primeiro tempo. Em uma jogada que há algum tempo tem evitado para não aumentar o desgaste físico, ele escapou dos marcadores e, em uma corrida cadenciada pela bola que conduzia, foi se aproximando da área. Quando todos esperavam um chute à distância, Suárez imaginava um lance ainda mais lindo. Driblou o goleiro e chutou com precisão para deixar definitivamente sua marca nas redes do Maracanã.

Ele queria mais. E os deuses voltaram a interferir. No segundo tempo, quando o Grêmio já havia virado o placar a seu favor, um novo lance para o estádio. Um pênalti! Um dos raros momentos do futebol em que todos são convocados a assistir. Como se estivesse no roteiro deste filme, o Maracanã se perfila para ver Suárez brilhar. Ele brilha e se diverte com a bola. Dá uma cavadinha, tira o goleiro de cena, e sai para beijar seus três dedos pela última vez jogando no Brasil.  

A última dança termina! Mas a memória desse momento permanecerá para sempre. No olhar de cada um de nós, torcedores e apaixonados pelo futebol, havia um brilho de lágrimas nos olhos e um sorriso de agradecimento pela jornada que compartilhamos nestes últimos 11 meses.

E se não bastasse a beleza desta dança final, Suárez antes de soltar nossa mão nos deixou um presente inesperado: o vice-campeonato brasileiro!

Quem acolhe as pessoas idosas que vivem com HIV?

Por Diego Felix Miguel

Foto de Anna Shvets

O Dia Internacional de Luta contra a AIDS, celebrado em 1º de dezembro e instituído em 1988 pela Organização das Nações Unidas, visa aumentar a visibilidade das demandas de pessoas que vivem com HIV, contribuir para a desmistificação e promover uma compreensão mais aprofundada da infecção na sociedade, tratando-a como uma questão de saúde pública.

A intersecção do idadismo, que é o preconceito e discriminação pela idade, com a sorofobia, que é a aversão contra pessoas vivendo com HIV, representa um dos grandes desafios enfrentados por profissionais que atuam com idosos e se empenham em reforçar as boas práticas em Geriatria e Gerontologia.

Quando levamos em conta aspectos diversos que formam nossa identidade, como gênero, raça, cor, orientação sexual e etnia, torna-se evidente a iniquidade no acesso a informações e orientações eficazes sobre prevenção e tratamento digno disponíveis para todos.

A desigualdade social agrava a vulnerabilidade e expõe as pessoas idosas a várias formas de violência. Entre elas, destaca-se a solidão e a falta de uma rede de apoio que permita compartilhar, com confidencialidade, desejos e práticas sexuais sem o medo de julgamento ou de exposição vexatória em redes sociais, o que perpetua a ideia ultrapassada de uma velhice assexuada, heteronormativa e conservadora.

Por isso, esclareço o título deste artigo: “Quem acolhe as pessoas idosas que vivem com HIV?”.

A palavra “acolher” aqui não deve ser entendida como um reforço do estereótipo de que pessoas com HIV sejam dependentes e necessitem de ajuda, mas sim que a ciência mostra diariamente o quanto é possível gerir a doença e manter uma vida saudável e ativa com o tratamento adequado.

Acolhimento, neste contexto, significa o quanto estamos dispostos a eliminar preconceitos. Sabemos que qualquer pessoa sexualmente ativa pode estar sujeita a Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e isso não está associado à promiscuidade, mas à necessidade de repensar os ‘juízos de valores’ baseados em visões conservadoras.

No que diz respeito a autocuidado e prevenção, o importante não é o número de parceiros(as) sexuais, mas sim como cada um cuida de si, os métodos de prevenção escolhidos e, fundamentalmente, um processo de autoconhecimento.

Devemos também atualizar nossa abordagem. O preservativo é apenas uma das várias opções de prevenção disponíveis.

Refletir sobre o impacto traumático de imagens de pessoas com infecções avançadas é crucial; abordagens que geram medo apenas reforçam estigmas e culpabilizam, perpetuando preconceitos e discriminações enraizados em nossa percepção do que é aceitável na intimidade e prazer entre pessoas.

A sorofobia cria uma desigualdade de poder ao ignorarmos a confidencialidade e ao nos fecharmos para novas realidades e práticas sexuais. Enxergar as ISTs de maneira estigmatizante apenas fortalece a noção de culpa em indivíduos que são, na realidade, vítimas de um sistema injusto.

É essencial estarmos abertos para entender a sexualidade em toda a sua complexidade, incluindo estratégias de prevenção atualizadas como a Profilaxia Pré-exposição (PrEP), Profilaxia Pós-exposição (PEP) e a Prevenção Combinada, que engloba a redução de riscos, todas disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Além disso, é importante ressaltar que pessoas que vivem com HIV têm acesso a tratamentos eficazes que garantem sua qualidade de vida e, quando estão com carga viral indetectável, não transmitem o vírus através de práticas sexuais.

O debate sobre o HIV não deve ser limitado aos profissionais de saúde ou gestores de políticas públicas; é um tema pertinente a todos nós, cidadãos que formamos a sociedade, e devemos participar ativamente dessa luta, unindo-nos contra a sorofobia.

Mais informações no site da Unaids

Diego Felix Miguel é especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e membro da Diretoria da SBGG-SP, gerente do Convita – Patronato Assistencial Imigrantes Italianos, mestre em Filosofia e doutorando em Saúde Pública pela USP. Escreve a convite do blog

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: como evitar que marcas “gringas” causem a mesma decepção do Starbucks, no Brasil

Foto de Well Naves

“Saber entrar no mercado brasileiro, especialmente para essas marcas que vêm de fora, é uma mistura de entender nossa identidade e não querer forçar algo que não combina com nossa cultura”

Cecília Russo

No cenário atual de globalização, a entrada de marcas estrangeiras no Brasil se tornou um tópico de grande relevância. Entender a identidade cultural local sem forçar conceitos que não se alinham com a marca é a estratégia que pode definir o sucesso ou o fracasso de um serviço ou produto oferecido por uma empresa “gringa”. Jaime Troiano e Cecília Russo compartilharam suas percepções sobre este fenômeno no “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, do Jornal da CBN.

Um exemplo emblemático é o do Starbucks. Conhecido mundialmente, a marca americana enfrentou desafios no Brasil, apontando para uma desconexão cultural. O “cafezinho” brasileiro, mais do que uma bebida, é um símbolo de sociabilidade e afetividade, algo que o Starbucks, com suas propostas como o “Pumpkin Spice Latte”, não conseguiu replicar integralmente 

Na Itália, por exemplo, o Starbucks teve uma entrada totalmente diferente. Ao se instalar em Milão, aliou-se à Princi, uma tradicional rede de padarias italianas, com paninis e  focaccias de morrer de boas, que também servia café. Enfim, não era apenas o Tio Sam chegando na Itália e pontificando sua autoridade em café, mas ele, humildemente, ancorando numa marca local e amada para conquistar o exigente paladar dos italianos.  

Cecília Russo chama atenção para o fato de que as dificuldades enfrentadas pelo Starbucks passam por outros temas estratégicos para o funcionamento de um negócio no Brasil, mas não há como deixar de lado a discussão que interessa ao branding:

“Eu acho que eles não tiveram talvez essa mesma sabedoria de compreender a nossa cultura e trazer uma proposta que fizesse sentido. Além disso, o cafezinho na nossa padaria custa X e um café no Starbucks custa um valor muito mais alto. Então para entrar no Brasil tem que entender muito nossa origem, nosso jeito de tomar café. Eu até brinco: será que eles escreveram Brasil “s” e não com “z”?”

Cecília Russo

Casos de marcas “gringas” de sucesso

Na contramão da frustração causada pelo Starbucks, marcas como o McDonald’s e o Eataly apresentam casos de sucesso. O McDonald’s, mantendo sua essência americana, soube incorporar elementos locais, como o “pão de queijo” em seu menu, aproximando-se do consumidor brasileiro. O Eataly, por outro lado, combinou a culinária italiana com pratos brasileiros, demonstrando uma integração respeitosa e eficaz da marca no mercado local. A curiosidade é que essa marca tem, aqui no Brasil, o mesmo dono do Starbucks.

Estes casos ilustram a importância de uma abordagem cuidadosa e adaptada ao entrar no mercado brasileiro. Não se trata apenas de transplantar uma marca e seus produtos; é crucial entender e respeitar as peculiaridades culturais e econômicas do país. 

“Eu acho que não dá para entrar de salto alto no mercado brasileiro, ele não é um mercado para amadores, não pode entrar com soberba”

Jaime Troiano

Essas reflexões são cruciais para qualquer marca internacional que busca estabelecer-se no Brasil. A lição é clara: entender e valorizar a cultura local não é apenas uma questão de respeito, mas uma estratégia de negócios inteligente e necessária.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar, todos os sábados, no Jornal da CBN, logo após às 7h50 da manhã:

Dez Por Cento Mais: Diego Cordeiro e a arte de cultivar relações humanas e bem-estar

Foto de Andrea Piacquadio

No panorama atual, onde a tecnologia acelera o ritmo da vida, um aspecto essencial para a felicidade e o bem-estar social vem sendo sublinhado: a importância das relações humanas. Diego Cordeiro, preparador físico e empreendedor, abordou este tema em sua participação no programa Dez Por Cento Mais.

Cordeiro começou sua jornada como estagiário na Bodytech em 2005, alimentado por um sonho intrínseco à educação física e ao desejo de atender pessoas. Ao longo de quase duas décadas, ele testemunhou e contribuiu para a evolução da empresa, que cresceu de cinco para cem academias. Sua trajetória é um testemunho da importância de perseguir sonhos e aproveitar oportunidades.

A Importância da Saúde Física e Mental

Na entrevista com Abigail Costa e Simone Domingues, Cordeiro abordou a importância da saúde física e mental, ressaltando o papel vital da atividade física no bem-estar geral. Ele enfatiza que cuidar do corpo é tão crucial quanto cuidar da mente, uma filosofia que ele pratica e encoraja nos espaços que gerencia, destacando que na Bodytech o foco vai além do exercício físico.

O sucesso da Bodytech, segundo Cordeiro, deve-se a uma estratégia centrada no cliente, que oferece instalações de alta qualidade e experiências personalizadas. Esta abordagem transformou a Bodytech em uma das principais redes de academias do país, com atendimento diferenciado e foco no cliente.

Impacto Além da Carreira Profissional

Cordeiro se destaca não apenas por sua carreira na Bodytech, mas também pelo seu papel ativo em iniciativas sociais e na promoção do bem-estar físico e mental. Sua trajetória, marcada pela determinação e inovação, revela ideias valiosas sobre crescimento profissional e impacto social.

Ele falou sobre a construção de chalés na Bahia, um projeto pessoal que surgiu da paixão compartilhada com sua esposa pela região. Este empreendimento representa a realização de um sonho e ilustra a importância do equilíbrio entre trabalho e lazer.

Fora do âmbito profissional, Cordeiro lidera o “Projeto Remar São Paulo”, uma iniciativa social que fornece alimentos e necessidades básicas aos desabrigados, refletindo sua crença na responsabilidade social e na importância de contribuir para a comunidade.

Dica Dez Por Cento Mais: Paciência e Cuidado nas Relações

Cordeiro reforçou a necessidade de paciência e cuidado nas interações humanas, essenciais para construir relações saudáveis e felizes. Ele encoraja as pessoas a dedicarem tempo e energia nas relações humanas, considerando isso essencial para a resiliência e o bem-estar em tempos de mudança:

“Preste atenção nas pessoas. Invista seu tempo observando o comportamento das pessoas. Sem julgamento. Em um mundo cada vez mais tecnológico, eu venho percebendo que as pessoas estão mais impacientes, estão cada vez mais intolerantes. Tenha paciência. Tenha cuidado porque a gente precisa dessas relações. Gaste energia nessas relações porque são elas que vão te ajudar a superar os momentos de altos e baixos”.

Assista ao programa Dez Por Cento Mais

O Dez Por Cento Mais tem uma entrevista inédita toda quarta-feira, às oito da noite, ao vivo. Você pode participar com perguntas em tempo real e tirar suas dúvidas com os nossos entrevistados. O programa também pode ser ouvido em podcast, no Spotify. Assine (de graça) o Dez Por Cento Mais, no YouTube e no Spotify e nos ajude a levar mais à frente o conhecimento e as inspirações apresentadas por nossos convidados.

Avalanche Tricolor: Luis Suárez, o Imortal!

Grêmio 1×0 Vasco

Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre RS

Luis Suárez comemora o gol na despedida da Arena, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Eu vi Anchieta e Tarciso. 

Vi Iura e André Catimba.

Eu vi Danrlei e Baltazar.

Vi Jardel e Paulo Nunes.

Eu vi Renato jogar.

Vi o Grêmio campeão gaúcho de 1977. Brasileiro, em 1981 e 1996. Vi a Batalha dos Aflitos; os cinco títulos da Copa do Brasil, os três da Libertadores e o Mundial de 1983.

Quando imaginava já ter visto muito mais do que mereceria ver, eis que deparo com 2023: o Ano de Suárez! Por onze meses, me permiti sonhar assistindo a um dos maiores jogadores do futebol mundial em atividade vestindo a camisa do meu Grêmio. 

Na estreia, um hat-trike como cartão de visita. Repetiria o feito no Campeonato Brasileiro. Nas duas finais que disputou, a confirmação da nossa hegemonia regional. Em três Gre-nais, marcou duas vezes. Da primeira, um gol que ficará para sempre na nossa lembrança. O movimento do corpo, o forjar do passe que ludibriou seus marcadores e um chute à distância no ângulo do goleiro adversário. 

A cada partida, a identificação de Suárez com a torcida e com o time só se fazia maior. A luta para fazer do Grêmio o melhor que poderia ser feito, o esforço para superar as dores no joelho, a irritação com a jogada desperdiçada e o incentivo ao colega que sofria algum revés, se somaram a gols e assistências. Participou de quase metade dos gols marcados pelo Grêmio, nesta temporada. E não foram poucos. 

Nos momentos mais difíceis, Suárez chamou para si a responsabilidade. Liderou o Grêmio em algumas viradas expressivas. Arrancou gols de onde sequer se esperava que pudesse surgir. E graças a sua dedicação manteve o Grêmio competitivo por toda a temporada nos devolvendo a Libertadores.

Sempre a altura de sua história, não se contentou em apenas receber as homenagens em sua despedida da Arena do Grêmio. Queria retribuir a tudo e a todos. Como se ainda fosse preciso fazer mais.

Fez mais um gol. E um daqueles gols que os mortais não seriam capazes de fazer. Com a frente tomada de jogadores, pouco espaço para a bola passar e o ângulo fechado pelos zagueiros e goleiro. Foi lá, de fora da área, com um toque refinado, assim como seu futebol, que Suárez encontrou o caminho para mais uma vitória gremista, que nos coloca no G4 a uma rodada do fim do campeonato brasileiro.

Para todo e sempre, vamos lembrar de 2023, o Ano de Luis Suárez, o Imortal!

Mundo Corporativo: impulsionando o desenvolvimento profissional através de viagens de incentivo

Bastidor da gravação do Mundo Corporativo. Foto de Priscila Gubiotti

“… tem um outro lado que é usar as viagens para preparar os executivos para os desafios que eles têm pela frente. Você vai preparar, por exemplo, um grupo de diretores. Evai ajudar esse grupo a adquirir certas competências que são necessárias para o sucesso deles”

Flávia Leão, líder da Russell Reynolds no Brasil

No ambiente corporativo contemporâneo, as viagens de incentivo assumem um papel crucial, não apenas como uma forma de recompensa, mas também como um meio de enriquecer as relações profissionais e fomentar o desenvolvimento dos colaboradores. Essas viagens, caracterizadas por Rodrigo Klas, diretor comercial da Klas Viagens de Incentivo, como “viagens de relacionamento”, são escolhidas estrategicamente pelas empresas para estreitar laços com clientes e premiar colaboradores. A seleção de destinos é meticulosa, visando ressonar com temas atuais da organização.

As informações sobre essa prática foram discutidas em uma entrevista concedida ao programa “Mundo Corporativo” da rádio CBN, onde Flávia Leão, líder da Russell Reynolds no Brasil, e Rodrigo Klas ofereceram um panorama detalhado sobre a dinâmica e os efeitos das viagens de incentivo no mundo empresarial.

Um exemplo mencionado na entrevista foi uma viagem organizada ao Butão, focada no conceito de felicidade. Esta experiência proporcionou aos participantes uma compreensão profunda de como a felicidade pode ser avaliada e cultivada, indo além dos parâmetros convencionais. A interação com líderes locais e a exploração de práticas sustentáveis e culturais diferenciadas ofereceram uma perspectiva única, destacando a importância do bem-estar e da satisfação no contexto corporativo.

Além de expandir o conhecimento e a visão de mundo dos participantes, as viagens de incentivo são fundamentais para a retenção de talentos e clientes. Como apontado por Rodrigo, essas experiências, quando bem planejadas e executadas, podem aumentar significativamente a lealdade e o comprometimento dos colaboradores e clientes para com a empresa.

“Hoje, a gente tá buscando muito mais abrir empresas e entender o que os líderes dessas empresas estão fazendo na prática porque você vivencia esse dia a dia e essa experiência acaba sendo muito mais rica”

Rodrigo Klas

O mercado de viagens de incentivo, segundo informações de Rodrigo, está em crescimento no Brasil, com São Paulo no epicentro desse desenvolvimento. Flávia Leão enfatizou a importância dessas viagens na preparação dos executivos para desafios futuros, salientando a necessidade de experiências práticas e a exposição a diferentes mercados e culturas.

Em síntese, as viagens de incentivo no setor corporativo são mais do que simples recompensas ou luxos; elas são uma ferramenta estratégica que promove o crescimento profissional, fortalece relações corporativas e influencia positivamente a cultura e a estratégia empresarial.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, toda quarta-feira, às 11 horas, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às dez da noite, em horário alternativo. Está disponível, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: o passeio na inauguração do Ibirapuera e o monumento que não resistiu ao tempo

Por José Carlos Vertematti

Ouvinte da CBN

Imagem de arquivo da “Aspiral”, de Oscar Niemeyer

Eram 21 de Agosto de 1954. Eu tinha apenas cinco anos de idade mas me lembro muito bem deste dia maravilhoso! Meus pais, José e Vicentina, levaram minha irmã Rosinha e eu a uma grande festa: a inauguração do Parque do Ibirapuera, em comemoração ao IV Centenário da cidade de São Paulo.

Uma área verde imensa, gramada, arborizada, com lagos, aves, chafarizes e vários prédios culturais que, para um garotinho como eu, parecia ser o mundo todo!

Passeamos muito a pé e o que mais me intrigou foi o sistema de som do parque: podia-se ouvir claramente as mensagens e as músicas, em qualquer lugar e com o mesmo volume. Eu, ainda pequenino, não entendia como isso era possível, mas hoje imagino a complexidade de se instalar um sistema de alto-falantes em árvores e prédios, ao longo de todo o parque, e garantir um som perfeito e equilibrado, naquela época!

Durante o passeio vimos um monumento lindo que tinha uns 17 metros de altura e que é difícil de descrever: algo como uma espiral com as extremidades unidas entre si por uma reta, fundeado no chão com uma inclinação de cerca de 60 graus.

Soubemos que era uma obra de arte criada pelo magnífico arquiteto Oscar Niemeyer. a “Aspiral” ou “Voluta Ascendente” era um desenho que representava o crescimento e o progresso paulista. Estava instalada próxima à entrada principal do parque. Era para ser a imagem da cidade de São Paulo, assim como o Cristo Redentor é do Rio de Janeiro.

Infelizmente, por motivos estruturais, este monumento não resistiu às forças da natureza e, em pouco tempo, veio abaixo e foi destruído! Hoje, só o vemos impresso na embalagem dos Dadinhos, aqueles chocolates com sabor de amendoim, que existem desde 1954. Aparece também na fachada de algumas casas que resistiram ao tempo. 

Outra atração marcante foi a intensa chuva de prata, feita através de triângulos de papel metalizado que refletiam a luz criando um clima mágico. Após uma longa caminhada, maravilhados com a imensidão e beleza do novo parque, descansamos e fizemos um merecido piquenique no Ibirapuera.

Conheça aqui a história da Aspiral, a estátua que desabou no parque

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

José Carlos Vertematti é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.