A casa ainda está lá. Quando nasci em meados da década de 40, ela era muito mais bonita. Um sobradão amarelo com quatro janelas dando para a rua. As do andar superior exibiam duas pequenas jardineiras lotadas de lírios azuis, paixão de vovó. Tempos diferentes aos de hoje. Nossa porta permanecia sempre bem aberta para facilitar a entrada dos parentes e dos vizinhos. O único telefone disponível naquela rua era o nosso, exceto um outro que pertencia ao Lourenço da mercearia.
Pois é. Nasci e cresci ali, numa rua ainda sem asfaltamento e quase nenhum trânsito. De minha porta, podia perfeitamente avistar a pequena igreja de São José do Maranhão, onde fiz a primeira comunhão. Tínhamos dias comuns e bucólicos, com o verdureiro passando logo cedo com sua carroça de frutas, legumes e verduras. Sentadinha no degrau da porta da rua, eu acompanhava a cantoria das donas de casa batendo suas roupas nos tanques e seu vai e vem com bacias equilibradas nas cabeças, em direção ao gramado, onde estendiam sua fileira de roupas alvas e humildes.
Por volta do meio dia, o cheiro de frituras variadas invadia o ar. Vovó fazia uns bolinhos de polvilho sensacionais. A infância que vivi difere completamente da infância atual.
Meu local para brincar e aproveitar a vida era a rua. Com um bando de garotos, eu desaparecia por entre recantos fascinantes do meu querido bairro do Tatuapé. Gozei de uma espetacular liberdade de movimentos, onde não se cogitava ainda da presença de quaisquer perigos.
Muito pequena, aprendi a me virar sozinha quando foi preciso estudar um pouco mais distante de casa. O velho bonde era meu meio de transporte favorito. Eu esperava por ele ali na Celso Garcia e seguia até o bairro da Penha, descendo no ponto final. O colégio religioso ficava logo atrás da igreja da Penha. Durante sete anos, fiz este percurso. Expandi minhas andanças tão logo comecei a fazer um cursinho pré-universitário na região central de São Paulo. Acho que foi nesta época que caí de amores pela minha cidade. Ao relembrar as ruas de minha São Paulo antiga, muitas vezes ainda sou tomada por uma emoção marcante e singular.
Fui uma pequena exploradora que percorreu com amor e curiosidade todas aquelas ruas que ainda mantenho vivas na arquitetura de minha mente. Tomei o famoso chá no Mappin da Xavier de Toledo. Fazia meus lanches na Leiteria Americana. Comprei meus vestidos de baile nas butiques da rua do Arouche. E como namorei! Namoros ingênuos, regados a músicas românticas e passeios de mãos dadas. Hoje, tenho três filhos, seis netas e um casamento com o companheiro que está aqui ao meu lado há cinquenta anos.
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Waldizia Moniz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br.
Em uma sociedade onde a crítica, comparação e busca incessante pela perfeição frequentemente dominam nossos pensamentos, é fundamental acolher a nós mesmos com gentileza e compreensão, reconhecendo nossas imperfeições como parte essencial de nossa humanidade. Fenícia Andrade, psicanalista, destacou a importância da auto-compaixão em nossa jornada de autoconhecimento e bem-estar no programa Dez Por Cento Mais.
A entrevista conduzida por Abigail Costa e Simone Domingues começou com uma reflexão sobre como a mente humana muitas vezes se torna uma inimiga de nosso próprio crescimento. Fenícia ressaltou que nossa mente pode sabotar nossos esforços quando alimentamos crenças disfuncionais enraizadas em nossas experiências passadas, especialmente da infância, resultando em profecias autorrealizáveis que minam nossa confiança e nos impedem de buscar oportunidades.
O poder transformador do mindfulness
Fenícia também explorou como nossa atenção frequentemente é desviada por estímulos externos e internos, tornando desafiador manter o foco. Durante a entrevista, ela enfatizou a importância de viver o momento presente e como o mindfulness pode aprimorar nossa qualidade de vida. A mente humana muitas vezes se prende a pensamentos sobre o passado ou preocupações com o futuro, resultando em ansiedade e estresse. No entanto, o mindfulness nos permite direcionar nossa atenção para as sensações presentes, proporcionando uma experiência mais rica e equilibrada do mundo ao nosso redor.
Fenícia explicou que o mindfulness envolve a prática de observar nossos pensamentos sem julgá-los, permitindo-nos entender melhor nossos padrões de pensamento e nos afastar de pensamentos negativos ou preocupações desnecessárias. Ela também compartilhou técnicas simples que todos podem incorporar em suas vidas diárias para praticar a atenção plena, como prestar atenção às sensações ao escovar os dentes, tomar banho ou realizar tarefas comuns.
A necessidade de exercitar a auto-compaixão
Um aspecto crucial discutido na entrevista é a Auto-Compaixão. Fenícia comparou a autoestima, muitas vezes baseada em sucessos e realizações, com a auto-compaixão, que se estende ao cuidado e aceitação de nós mesmos em momentos de falha e dificuldade. Ela destacou como a cultura muitas vezes valoriza a modéstia em detrimento da auto-aceitação, especialmente no caso das mulheres, que são frequentemente ensinadas a não se elogiar.
Fenícia ressaltou a importância de reconhecer que somos seres humanos, não perfeitos, e que todos cometemos erros e enfrentamos desafios. A auto-compaixão nos permite abordar essas dificuldades com uma mentalidade de cuidado e compreensão, em vez de autocrítica severa.
Ela sublinhou que a jornada para a autodescoberta e o bem-estar requer a disciplina de reconhecer nossas próprias necessidades e tratar a nós mesmos com a mesma compaixão que estenderíamos a um amigo querido. É uma mensagem poderosa que nos convida a abraçar nossa humanidade e buscar uma vida mais plena através da auto-compaixão.
Dica Dez Por Cento Mais
“Bora ser feliz agora”. Aproveitando o bordão que usa no podcast que apresenta, Fenícia Andrade deixou sua Dica Dez Por Cento Mais. Lembrou que costumamos adiar nossos planos para segunda-feira, para o próximo ano, para quando os filhos crescerem, para quando nos aposentarmos:
“A vida está acontecendo agora, no presente. Então começa a agir. Use qualquer ferramenta. Pode ser as que eu tenho para dar, pode ser entrar na dança, no jazz. Qualquer coisa que tire um pouco desse turbilhão do dia a dia das preocupações e te faça relaxar, dar risada, igual quando a gente tinha 18 anos, que parecia boba alegre. É isso: resgatar essa alma mais livre e leve”.
Assista ao programa Dez Por Cento Mais
O programa Dez Por Cento Mais apresenta uma nova entrevista ao vivo toda quarta-feira, às oito da noite, e pode ser assistido no YouTube. A apresentação é feita pela jornalista Abigail Costa e pela psicóloga Simone Domingues.
Há momentos que fazem a história de um time. Há outros que os colocam em seu devido lugar. O Grêmio esteve nesse limiar, nesta noite de quarta-feira, em Porto Alegre. No seu pior momento no campeonato, deparou-se com seu maior algoz dos últimos anos. Em campo, não contava com toda sua força, começando pela ausência do principal reforço e quarto maior goleador do mundo, Luis Suárez. Nas arquibancadas, enfrentava um torcedor desconfiado.
Mais do que a performance em campo, a vitória era essencial para mostrar ao Brasil a grandeza do nosso futebol. Uma derrota nos relegaria ao oitavo lugar da competição, além do risco de entrar em uma espiral descendente sem retorno. E foi diante dessa iminência que se desencadeou uma reação surpreendente para quem vinha observando o time perder força, principalmente na segunda metade do Brasileiro.
Em 10 minutos, jogadores que vieram do banco, ainda muito jovens e sem a experiência das estrelas que brilhavam pelo adversário, revitalizaram o futebol gremista. Demonstraram uma desenvoltura que não se via durante quase toda a partida, muito menos nas anteriores.
O gol de empate veio dos pés de Ferreirinha, alvo de reclamações da torcida há algum tempo. O da virada foi de Nathan Fernandes, que, com apenas 18 anos, teve a audácia de enfrentar os grandalhões dentro da área e chutar cruzado para marcar. O gol da vitória veio de André, com apenas 21 anos, através de um chute seco e certeiro. Em todos os gols, a presença marcante de Villasanti, que lutou incansavelmente e se posicionou à frente para colocar seus companheiros em condições de marcar.
O resultado de hoje representa muito mais do que uma simples vitória. Mais do que apenas interromper uma incômoda sequência de derrotas para o mesmo adversário. Mais do que o fim de uma série de deslizes que nos afastaram do topo da tabela. O 3 a 2 desta noite evidencia que o Grêmio reconhece sua grandiosidade na história do futebol e honra a marca que o consagrou: a da Imortalidade!
Projeto Ka.ora ajuda mulheres com câncer de mama Foto: divulgação
Três mulheres unidas pelo propósito de informar, proteger e cuidar da saúde feminina alertaram sobre a necessidade de superar os tabus persistentes relacionados ao câncer de mama. Cristiane Valentini, Vanessa Faro e Claudia Talermann compartilharam suas experiências e enfatizaram a importância do apoio mútuo nessa jornada, no programa Dez Por Cento Mais, no YouTube.
A entrevista, comandada por Abigail Costa, foi emocionante e esclarecedora, e as três convidadas destacaram a necessidade de conscientização ao longo do ano, não apenas durante o mês do Outubro Rosa, que é dedicado a prevenção ao câncer de mama. Elas encorajaram as mulheres a falarem abertamente sobre essa condição que afeta tantas vidas.
As histórias de superação
Cristiane Valentini, neuropsicóloga clínica e membro da equipe do projeto Ka.ora, tem como objetivo a reabilitação física e mental de mulheres com câncer de mama na região de Santos, litoral paulista. Ela enfatizou a importância do exercício físico em todas as fases do tratamento, destacando o papel do remo como uma atividade que promove não apenas a saúde física, mas também o fortalecimento mental e emocional das participantes.
Vanessa Faro, uma jornalista esportiva e paciente oncológica que descobriu o câncer de mama em 2020, compartilhou sua experiência ao fazer parte do projeto Ka.ora e como o esporte, especialmente o remo, desempenhou um papel crucial em sua recuperação e transformação. Vanessa enfatizou a importância de enfrentar o câncer com positividade e humor, o que a levou a criar a persona “Patricinha Casca Grossa” nas redes sociais.
Claudia Talermann é fisioterapeuta com mais de 30 anos de experiência. Ela coordena a equipe de fisioterapia na gestão de pacientes internados e da Oncologia do Hospital Albert Einstein. Claudia descobriu que estava com câncer de mama aos 35 anos quando seus dois filhos ainda eram pequenos. Ao longo dessa jornada, enfrentou desafios inesperados. Dezoito anos depois, deparou-se com um tumor no cerebelo. No entanto, Claudia não vê com tristeza as histórias que tem para contar porque, afinal, está aqui para compartilhá-las, e isso é o que importa.
Na entrevista, Abigail Costa abordou a importância da rede de apoio emocional e familiar durante o tratamento do câncer, enquanto cada uma das convidadas destacou a transformação pessoal e a força que encontraram ao longo de suas jornadas. Elas também ressaltaram que, embora o câncer de mama seja um desafio, a positividade, a determinação e o apoio são elementos essenciais para enfrentar essa condição.
A doença ressignificou a vida
Claudia explicou que, durante o tratamento do câncer de mama, enfrentou vários sentimentos e transformações. Ela destacou a queda de cabelo como uma das partes mais difíceis de lidar, pois é algo que torna visível para os outros que você está passando por um tratamento de câncer. Inicialmente, Claudia usou peruca, mas depois ganhou força para enfrentar a perda de cabelo e mostrar sua verdadeira essência.
“A queda do cabelo para uma mulher é muito desafiadora. Você dorme um dia com cabelo e acorda no dia seguinte com metade do cabelo que tinha. Você olha e pensa: meu Deus, o que farei agora?”
O momento mais desafiador para a fisioterapeuta, porém, foi quando, depois superar a doença na mama, descobriu um tumor no cerebelo após uma viagem à Disney. Ela recorda a angústia de ouvir o diagnóstico, mas um de seus filhos, Guilherme, a motivou a não desistir. Claudia passou por uma cirurgia e superou essa fase difícil.
Claudia Talermann compartilhou sua jornada de superação e ressaltou que, apesar das cicatrizes físicas e emocionais deixadas pelo câncer, é possível encontrar luz no fim do túnel. Ela enfatizou a importância de encarar o câncer como um desafio que pode levar a uma ressignificação da vida. E disse que por meio do apoio da rede de amigos e familiares, é possível enfrentar o câncer e emergir mais forte. O amor e o apoio são essenciais na jornada de combate à doença, lembrou.
O esporte ajudou a superar o câncer de mama
A entrevista também incluiu interações dos espectadores, muitos deles demonstrando admiração e apoio à Claudia e às outras entrevistadas. Vanessa Faro compartilhou como o esporte a ajudou em sua jornada de recuperação e ressaltou a importância da atividade física na prevenção e no tratamento do câncer.
Vanessa Faro, uma das convidadas do programa, é uma mulher determinada. Ela falou sobre o Projeto Ka.ora, em Santos, que visa apoiar mulheres que enfrentam o câncer de mama. Vanessa compartilhou sua própria experiência como paciente e a importância de buscar os direitos como cidadãs. Ela encorajou as mulheres a procurarem projetos sociais semelhantes em suas cidades e a não hesitarem em pedir ajuda.
A jornalista esportiva também destacou a importância da rede de apoio, referindo-se carinhosamente às suas companheiras de luta como “meninas”. Ela enfatizou que somente aqueles que passam pela mesma experiência podem verdadeiramente compreender os desafios e as emoções envolvidas.
É preciso falar sem vergonha
Christiane Valentini trouxe à tona questões importantes, como ressecamento vaginal, falta de libido e insônia, que muitas vezes são efeitos colaterais do tratamento do câncer de mama. Ela enfatizou que esses são tópicos que as mulheres frequentemente têm vergonha de discutir, mas são cruciais para a qualidade de vida das pacientes.
A neuropsicóloga incentivou as mulheres a não terem vergonha de falar sobre esses temas com seus oncologistas e a buscar ajuda para melhorar sua qualidade de vida. Ela também ressaltou a necessidade de os familiares que cuidam de pacientes com câncer também procurarem apoio e terapia, pois a jornada é desafiadora para todos os envolvidos.
Foi uma noite emocionante e inspiradora, repleta de lições de superação e esperança, que deixou claro que o Outubro Rosa é mais do que uma campanha de conscientização; é um movimento de apoio e solidariedade entre mulheres que compartilham suas histórias e forças para enfrentar o câncer de mama. Elas nos lembram que, com amor e apoio, é possível vencer os desafios do câncer de mama.
Assista ao Dez Por Cento Mais
O programa Dez Por Cento Mais traz entrevistas inéditas todas às quartas-feiras, às 20 horas, no YouTube. É apresentado pela jornalista Abigail Costa e a psicóloga Simone Domingues. O Dez Por Cento Mais também pode ser ouvido no Spotify.
“A gente tem razão e emoção ambas ativadas antes mesmo de pôr os pés na loja.”
Cecília Russo
Na hora de decidir qual marca ou produto comprar, uma série de fatores influencia o comportamento do consumidor. Um dos dilemas mais fascinantes que eles enfrentam é a escolha entre a razão e a emoção. No programa “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso,” Jaime Troiano e Cecília Russo analisaram essa questão crucial e exploraram até que ponto a lógica e o sentimento influenciam nossas escolhas.
Razão e Emoção: Uma Dança Complexa
Cecília Russo entende que este é um processo complexo. Ela ilustra o tema com um exemplo prático de um casal escolhendo porcelanato para a cozinha. Antes mesmo de entrarem na loja, eles já estão munidos de informações racionais, mas também cheios de expectativas e sonhos, o que demonstra que tanto a razão quanto a emoção desempenham um papel desde o início.
“A gente já vai criando experiências, já se vê recebendo amigos naquele novo espaço da casa, longe da racionalidade.”
Cecília Russo
A conexão emocional surge assim que o consumidor começa a sonhar com os produtos ou serviços que estão prestes a adquirir. No entanto, o ambiente de compra também é crucial, com elementos como promoções, etiquetas de preço e até mesmo a interação com o vendedor influenciando nossa tomada de decisão.
Análise de Regressão: Descobrindo o Peso da Razão e da Emoção
Para determinar se a razão ou a emoção pesam mais, Jaime Troiano menciona o uso da estatística e, especificamente, da Análise de Regressão. Essa ferramenta estatística permite que os especialistas avaliem a importância relativa de diferentes fatores na escolha de uma marca ou produto.
“Quando se tem isso em mãos, não somos nós que vamos dizer se a escolha do piso foi mais emocional ou mais racional, os dados da regressão nos darão isso.”
Jaime Troiano
No entanto, Jaime enfatiza que não há uma resposta única, já que a influência da razão e da emoção pode variar dependendo da categoria de produto.
Conclusão: Uma Dança Complexa entre Lógica e Sentimento
No final, Cecília sintetiza o dilema ao afirmar que a razão e a emoção são praticamente indissociáveis. Ambas desempenham um papel importante na estratégia das marcas, e encontrar o equilíbrio certo é essencial. Não se trata apenas de preço ou paixão desenfreada; a escolha da marca é uma dança complexa entre lógica e sentimento.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O programa “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” é apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, aos sábados, às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN.
A experiência do estádio ainda me surpreende. Os muitos anos de arquibancadas no Olímpico Monumental não foram suficientes para me oferecer todas as sensações que o futebol pode proporcionar — e quantas emoções eu lá vivi! Falo do Olímpico porque, quando a Era Arena se iniciou, já não vivia mais em Porto Alegre, o que me fez diminuir drasticamente a presença, ao vivo, nas partidas. Transformei-me em torcedor de sofá — que isso não seja visto como demérito, apenas como circunstâncias da vida.
Hoje, porém, dei-me o direito de assistir ao Grêmio no Morumbi. É aqui na vizinhança, pouco menos de 2,5 quilômetros de casa e a 10 minutos de carro. Tinha uma razão especial para ver a partida do estádio: Luis Suárez, nosso atacante que se encaminha para o fim da jornada com a camisa tricolor. É um privilégio ser torcedor de um time que tem um dos quatro maiores goleadores do mundo na ativa a lhe representar. Não canso de admirar o esforço deste gigante que faz o que está a seu alcance para tornar o Grêmio um pouco melhor do que é — não bastasse o talento com que toca na bola e chuta a gol, tem uma raça e uma forma de liderar exemplares.
De Suárez vi o que foi possível a medida que o time faz pouco para que ele apresente todo seu potencial em campo. Por mais que corra desesperadamente em busca de uma boa jogada, a companhia não colabora muito com a sequência do lance. O que me fez feliz em uma noite de infelicidade no futebol jogado no campo esteve na arquibancada do Morumbi, no pequeno e desconfortável espaço reservado à torcida adversária.
No embalo da banda da Geral do Grêmio, os torcedores, mesmo descrentes em relação ao desempenho do time, entoavam cânticos de exaltação pelos feitos do Imortal. Faltava harmonia entre as letras que falavam de vitórias e conquistas e a performance da equipe. Essa dessintonia fazia do som emitido pelos torcedores algo ainda mais impressionante. Sinalizava o quanto eles (nós) têm noção da relevância daquele distintivo que carregamos no peito, do que representamos e alcançamos nessa longa jornada.
O melhor foi reservado para depois do jogo. Após um jogo que jogamos abaixo da crítica, tão sem méritos quanto sem organização. Enquanto esperávamos a liberação policial para deixamos o estádio, a banda tocava de forma eletrizante. Dentre os torcedores que pulavam no ritmo das músicas, um menino de cabelos longos, nos ombros do pai, com a camisa de Suárez nas mãos, vibrava como se tivéssemos conquistado um título. Uma alegria contaminante!
Foi na imagem daquele guri que me encontrei em sintonia com a história do Grêmio mais uma vez. A felicidade dele lembrou-me porque sou um apaixonado por este time. Por que cantamos mesmo quando em campo o time não encanta.
Gravação online com Leizer Pereira, foto: Priscila Gubiotti
“Ninguém quer se assumir como racista, machista ou homofóbico. Acho que o maior desafio está na resistência em reconhecer que você é parte do problema e também da solução. Existem os vieses inconscientes, que são os preconceitos que todos nós temos e que criam barreiras para as pessoas.”
Leizer Pereira, Empodera
Apesar de 94% dos líderes reconhecerem o valor da diversidade para atrair e reter talentos, a efetivação da diversidade como uma prioridade real cai pela metade. O Brasil, marcado por sua rica tapeçaria de culturas e histórias, ainda enfrenta desafios significativos quando se trata de diversidade e inclusão nas organizações. Esta não é apenas uma questão de justiça ou de fazer o que é moralmente correto; é também uma questão estratégica que pode impulsionar a inovação e a rentabilidade em um mundo corporativo em constante mudança.
Da conscientização à ação: a missão da Empodera
Leizer Pereira, fundador e CEO da Empodera, mergulha profundamente nesta questão em entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN. Ele destaca que, embora muitas organizações estejam cientes do valor da diversidade, ainda existe uma lacuna significativa na transformação dessa compreensão em ações concretas e sistematizadas.
“Eu acho que precisamos promover mais oportunidades para as pessoas. Promova oportunidades, equidade e deixa as pessoas crescer na velocidade do seu talento e esforço. Tem muita gente boa sendo deixada para trás nesse país. A gente não tem. A gente não tá com essa possibilidade de desperdiçar talento”
A Empodera, fundada em 2017, busca capacitar empresas a entender e abraçar verdadeiramente a diversidade. Além de focar na diversidade racial, a organização também aborda questões de gênero, LGBTQIA+, gerações e pessoas com deficiência, reforçando a ideia de diversidade de pensamento como chave para soluções criativas e integradas.
Desafios e oportunidades: a perspectiva pessoal de Leizer
A trajetória pessoal de Leizer Pereira, como um homem negro que cresceu na periferia do Rio de Janeiro e posteriormente ascendeu ao mundo corporativo, oferece uma perspectiva sobre os desafios e oportunidades presentes na jornada de inclusão. Ele argumenta que, enquanto o acesso ao ensino superior tem se tornado mais democrático no Brasil, ainda há um longo caminho a percorrer para garantir que os jovens, especialmente aqueles de origens desfavorecidas, estejam preparados não apenas academicamente, mas também emocional e culturalmente para os desafios do mundo corporativo.
Com o crescente reconhecimento da importância da diversidade, resta saber se as organizações brasileiras vão intensificar seus esforços para transformar palavras em ações e garantir que a diversidade e a inclusão sejam mais do que apenas palavras da moda, mas sim pilares fundamentais de sua cultura e estratégia.
“Então, as empresas ainda têm um longo caminho, porque elas são inclusivas para quem? Hoje não é para todo mundo. Então, a gente precisa construir essa organização inclusiva para todas as pessoas”.
Assista ao Mundo Corporativo no YouTube
Quando assistir: Quartas-feiras, às 11 da manhã, ao vivo.
Onde assistir: Canal da CBN no YouTube.
No ar: sábado no Jornal da CBN e domingo, às dez da noite.
Podcast: no site da CBN, no Spotify ou na Alexa.
Colaboram com o Mundo Corporativo: Renata Barcellos, Priscila Gubiotti, Letícia Valente e Rafael Furugen.
Sou paulistano e nasci no bairro do Tatuapé em 1963. Hoje estou aposentado e tenho esposa, dois filhos, uma neta e um genro. Eu e minha esposa moramos no bairro de Vila Guilhermina, na zona leste. Minha filha, genro e neta vivem na Vila Ré. O filho mora no Morumbi.
Meu depoimento, creio ser raro. Eu e minha esposa nos casamos na igreja em 30 de junho de 1984. Na época, eu, um jovem estudante, frequentava regularmente as missas diárias das sete da manhã no Mosteiro São Bento, no Largo São Bento, antes de ir para a escola — o curso preparatório para cadetes do ar, na avenida Prestes Maia.
Quando decidimos nos casar, ambos com 20 anos, resolvemos que a cerimônia seria no mosteiro. Foi um desafio agendar.
O mosteiro, naquele tempo, celebrava apenas um casamento por mês. Contudo, superamos as dificuldades com o auxílio de um monge muito atencioso que cuidava dessa questão. Fizemos o curso na igreja e notifiquei o DSV — era obrigatório na época para saber quais ruas estariam liberadas no centro, no sábado à tarde, para a celebração.
A cerimônia começou às seis horas em ponto, pois os monges tinham seus rituais religiosos marcados para as sete da noite. Não poderia haver atraso. Exatamente no horário, minha noiva adentrou a igreja sob o som dos sinos, e o órgão de tubos acompanhou toda a celebração. Quem a celebrou foi o diretor da empresa em que eu trabalhava. Ele era um padre. Às seis e meia, após o beijo na noiva, a cerimônia se encerrou.
Durante todos esses anos, nunca conheci alguém que tenha se casado naquela igreja. Fomos privilegiados por celebrar o momento mais importante de nossas vidas em um marco de São Paulo.
Na cidade, trabalhei como office boy. Conheci toda São Paulo andando de ônibus e a pé. Porém, o Largo São Bento, o Mosteiro, a Igreja e a cerimônia perpetuam em minha memória até hoje.
Paulo Monteiro da Paixão é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros episódios, visite o blog de miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Iturbe comemora seu gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA
Na fila do livro “Amazônia na encruzilhada”, de Miriam Leitão, a conversa era sobre jornalismo, rádio, literatura e meio ambiente. Ninguém se aproximou para puxar assuntos do futebol. Ainda bem! Cheguei cedo na Livraria da Travessa, no Shopping Iguatemi, neste início de noite, em São Paulo. Quando se trata de livros de autores renomados e queridos, a concorrência por lugares na fila costuma ser intensa. Chegar atrasado significa esperar por horas para ter a oportunidade de cumprimentar a autora e receber um autógrafo.
Quando cheguei, Miriam já estava por lá e recebendo o carinho de amigos e a atenção de jornalistas que foram cobrir o lançamento. Logo a encontrei, agradeci pela bela obra que valoriza a maior riqueza que o Brasil tem e vive sob ameaça: a Amazônia. Em troca, além da gentileza de sempre, fui presenteado com palavras da autora e um autógrafo que ficará guardado entre meus livros queridos na biblioteca que mantenho em casa. Na biblioteca e no coração.
Na livraria, além de olhar os demais livros expostos, um prazer que mantenho no meu cotidiano, conversei com mais alguns colegas de profissão e tomei o caminho de volta para casa. O trânsito era intenso. A cara de São Paulo. O que me impediu de assistir na televisão ao primeiro tempo da partida do Grêmio. O recurso foi o rádio. E no rádio, além do gol de Iturbe, bem no começo do jogo, só ouvi sofrimento, reclamações e previsões catastróficas. Todas se realizaram.
Cheguei em casa no intervalo quando as equipes estavam em campo para iniciar o segundo tempo e o Grêmio já estava com nova formação. Assim que a bola começou a rolar, a impressão é que tanto os comentaristas quanto os torcedores ouvidos na rádio tinham assistido à outra partida. Passamos a pressionar, a impedir o avanço do adversário, a incomodar no ataque e dar sinais de que a vitória era iminente. Bastava um pouco mais de ajuste no chute final. Cheguei a me entusiasmar. Mas o que era entusiasmo virou ilusão. E da ilusão à frustração.
Nos minutos finais, quando estávamos nos acréscimos, o pior dos mundos se desenhou. Tanto insistimos em tomar um gol que o gol se realizou. Daqueles que costumávamos fazer e que, nestes últimos tempos, sei lá por qual motivo, se transformaram na nossa maldição. É quase como se os deuses do futebol, aqueles mesmos que nos deram o dom da Imortalidade, tivessem se reunido e decretado: vocês não fazem por merecer! Será?
“As datas comemorativas do calendário anual estão aí à nossa disposição. Concentrem-se em algumas especiais para sua marca. Usem mas não abusem”
Jaime Troiano
Calendários fazem parte do dia a dia de muitos lares. Na porta da geladeira, é inevitável encontrar algum dos muitos tipos de “folhinhas” que destacam feriados e datas comemorativas. O ouvinte do Jornal da CBN sabe bem do que estamos falando. Além de servirem para assinalar datas especiais, têm um papel crucial no universo das marcas. Estas datas, que vão desde o Natal e Réveillon até o Dia da Consciência Negra, estão ali, à disposição das marcas, esperando ser aproveitadas com sabedoria e autenticidade.
No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo enfatizaram que o sucesso no aproveitamento dessas datas não está apenas em se manifestar, mas saber como e quando fazer isso. Para algumas marcas, como aquelas ligadas à gastronomia, certas datas são inerentes ao seu DNA, como o Natal para marcas de peru. Já marcas de roupa possuem uma maior flexibilidade, podendo se vincular ao Dia das Mães ou Dia dos Pais, por exemplo.
Evitando Estereótipos e Manipulações
No entanto, é fundamental que essa associação seja genuína e respeitosa. Uma marca de eletrodomésticos, por exemplo, precisa ter cautela ao associar o Dia das Mães apenas a atividades domésticas. É vital entender que as datas comemorativas devem ser usadas como momentos de homenagem sincera, e não de forma manipulativa.
“Já vi empresas de eletrodomésticos aproveitando o dia das mães, promocionalmente. Achei de muito mau gosto. Lembra de atividades domésticas que nessa hora não é do que as mulheres querem ser lembradas”.
Cecília Russo
Marcas e Rituais: A Força da Tradição
Algumas marcas têm feito isso de forma tão significativa que suas campanhas tornam-se rituais anuais esperados pelo público. Quem não se lembra das panetones da Bauducco indicando a proximidade do Natal? Ou jingles antigos que, ainda hoje, remetem a momentos especiais do ano?
Ao final, a mensagem é clara: datas comemorativas são uma ferramenta poderosa para as marcas, mas seu uso requer discernimento e autenticidade. Concentrar-se em datas que realmente façam sentido para a marca e evitando excessos é o caminho. E, claro, sempre comemorar e valorizar todos os dias, seja ele voltado para um grande público ou para um grupo específico, como o Dia do Meteorologista, que, aliás, é comemorado no dia 14 de outubro.
E você, empreendedor e profissional liberal? Está pronto para fazer de sua marca um sucesso, aproveitando as datas comemorativas com autenticidade e respeito ao seu público?
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O programa “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, vai ao ar aos sábados às 7h50 no Jornal da CBN, e tem a participação de Jaime Troiano e Cecília Russo.