“Será que aquela escolha é norteadora para o resto da minha vida, será que eu preciso ficar nela?”
Emerson Dias, Consultor
As transformações no mundo do trabalho são inexoráveis e se aceleram a cada instante. Diante desse cenário, os profissionais precisam se adaptar e encontrar novas formas de atuação. Acima da forma, porém, está nossa essência que precisa ser respeitada para que se alcance aquilo que é nosso maior objetivo: a busca da felicidade. É o que defende Emerson Dias, consultor, doutor e mestre em administração, em entrevista ao programa Mundo Corporativo da CBN.
Autor do livro “Carreira, a essência sobre a forma”, Emerson ilustra sua ideia a partir de situações enfrentadas por atletas de alta performance, como é o caso de Usain Bolt —- um esportista de talento extraordinário que na pista conquistou os maiores prêmios e recordes até o momento que seu corpo permitiu. Sem as condições físicas necessárias para seguir carreira de atleta, Usain Bolt precisou se adaptar às novas exigências. Deixou as pistas, mas, provavelmente, jamais deixará o esporte, que é a sua essência. É a partir dela que o ex-velocista seguirá sua jornada profissional em busca da felicidade.
Como poucos são Bolt, ter consciência do que é a sua essência torna-se ainda mais importante a medida que é, a partir dela, que você avaliará se as escolhas feitas no início da sua carreira profissional ainda fazem sentido:
“Quanto mais eu me conheço, quanto mais eu sei a minha essência, as minhas inclinações, eu consigo abrir mão de coisas que não façam sentido para mim. Então. eu acho que o caminho, dada a nossa limitação de recursos, é buscar a se conhecer”.
Ao realizar um trabalho que tenha maior significado, as dificuldades são enfrentadas com mais suavidade, aumenta-se a tolerância ao estresse e a tensão, e se alcança segurança psicológica. Verdade que a situação sócio-econômica nem sempre permite que as pessoas façam escolhas apropriadas, mas desenvolver o autoconhecimento permitirá que, no instante em que houver uma estabilidade financeira, o profissional esteja preparado para redesenhar sua trajetória.
“Muitas vezes, eu escolho aquilo que está diante de mim, da minha possibilidade, do meu acesso, mas não, necessariamente, eu deveria escolher aquilo se eu tivesse possibilidades de acessar outros lugares, outros espaços, e aí sim falar ‘nossa, isso aqui é mais legal do que aquilo que eu tinha’. Então, acho que o contexto social também influencia nas nossas escolhas”.
Das mudanças que a pandemia prometia deixar no ambiente de trabalho, talvez a mais evidente, na opinião de Emerson, seja a necessidade de as pessoas discutirem temas que não eram bem-vindos no passado, como o da saúde mental. Percebe-se agora que as relações humanas são extremamente importantes e mesmo os líderes demonstram maior interesse em escutar sobre o assunto. A eles (os líderes), aliás, o consultor deixa um recado:
“Se o seu papel é liderar, você nunca pode esquecer que você tem que produzir resultados. Agora, para produzir resultados, se fosse só a parte técnica, o Google resolvia. Não é! É a parte da coesão social. É a parte do desafio, do desenvolvimento do indivíduo, de você estabelecer objetivos e de você apoiar um indivíduo na construção desse objetivo”.
Assista ao vídeo com a entrevista completa com Emerson Dias em que falamos, também, de estratégias para nos prepararmos para as mudanças no mercado de trabalho e para realizarmos melhores escolhas na nossa jornada:
O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscilla Gubiotti e Rafael Furugen.
Ilustração do “Infogol” desenhado por Gepp e Maia, no JT
A memória, o que fica guardado em nosso “HD”, às vezes nos surpreende. Não é raro eu acordar quando o ponteiro maior do relógio vagueia entre o 3 e o 4. Por não ter razão para me levantar da cama, minha mente logo é tomada por pensamentos em profusão que duram minutos, horas, até me conduzirem à insônia.
Outro dia, num desses surtos de “memorite”, pintou do nada a lembrança de quando era leitor assíduo do extinto “Jornal da Tarde”, de São Paulo. Nas décadas de 1970, 1980 e até o início dos anos 1990 para mim era obrigatória a leitura desse diário, direcionado ao público mais jovem, com uma apresentação gráfica diferente dos sisudos jornais tradicionais, mas nem por isso de conteúdo inferior. Pelo contrário, era mais enxuto, e abordava com competência todos os assuntos: política, economia, artes, cultura, esportes etc. Eu me interessava especialmente pelos cadernos “divirta-se”, com conteúdos de cultura, diversão e artes e pelo caderno de Esportes, que, se não me engano, o jornal foi pioneiro nesse quesito.
Era muito bom ler colunistas de diversas especialidades. Na economia, Celso Ming; em variedades, Telmo Martino, que de forma bem humorada, e às vezes venenosa, comentava sobre as celebridades da época e os acontecimentos sociais. As crônicas divertidas de Moacir Japiassu, as críticas de cinema a cargo de Rubens Ewald Filho. Aguardava com ansiedade as segundas-feiras para ler a ótima coluna de Lenildo Tabosa Pessoa sobre aviação, uma das minhas paixões.
Nos esportes, as grandes coberturas do GPs de Fórmula 1, as colunas sobre futebol de Alberto Helena e seus belos textos na “bola de papel”; Roberto Avallone e o ímpar Nelson Rodrigues, que transpunha para a coluna do futebol a mesma contradição entre drama e bom humor que caracterizavam sua obra teatral. Ainda tinham as polêmicas discussões entre paulistas e cariocas, no auge do bairrismo provinciano, hoje transformado pela globalização das redes sociais em intolerância e ódio extremos, em qualquer assunto que possibilita pontos de vistas diferentes.
O que falar da capa do JT em 6 de julho de 1982? A foto de um menino segurando o choro, com a camisa da Seleção Brasileira e abaixo: “Barcelona, 5 de julho de 1982”, como um epitáfio.
Essa imagem, captada com sensibilidade extraordinária pelo fotógrafo Reginaldo Manente e escolhida com não menos felicidade pelo editor, é a mais perfeita confirmação do dito popular: “uma imagem vale por mil palavras”. Eu digo por milhões de palavras que não conseguiriam expressar de forma tão precisa e definitiva o sentimento de quem esteve presente ou acompanhou pela TV a inesquecível “tragédia do Sarriá”.
Todas essas lembranças do querido JT passaram num relance em minha mente para se fixar em outra grande atração que não vi mais em outro jornal. Os gols mais importantes da rodada eram desenhados com detalhes e precisão; as charges e caricaturas dos jogadores figuravam no caderno de esportes. Também ao final de todo campeonato não podia faltar o pôster do time campeão, feito com muito bom humor e arte pelas mãos dos dois mestres do traço. Para mim a assinatura “Gepp e Maia” era a síntese daquele jornal. Tenho saudades daqueles tempos, tenho saudades de Gepp e Maia!
Marcílio Aguiar Filho é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Fique atento porque já estamos nos programando para mais uma série especial do Conte Sua História: escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para conhecer outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o nosso podcast.
O BRASILEIRO PRECISA VOLTAR A ACREDITAR: a descrença generalizada em nosso país explica por que ainda passamos por um interminável ‘terceiro turno’, o qual nos provoca a refletir sobre o futuro da nação.
As eleições dividiram ainda mais um povo que jamais foi unido de fato. Já afirmava o sociólogo carioca, Sérgio Buarque de Holanda, que o brasileiro persiste em ser “um desterrado em sua própria terra”. Mas quem é o Brasil? O colonizador português, o escravizado africano, o imigrante europeu e asiático: o único verdadeiro brasileiro, o indígena, todavia hoje é um pária, vive às margens da sociedade e sob a constante lembrança do extermínio da colonização. Esse Brasil, que nunca teve um povo que se pensasse brasileiro, que se pensasse genuinamente patriota, sofre, novamente, um dos sintomas dessa sociedade estilhaçada: uma eleição de descrença.
Em termos gerais, o brasileiro atual divide-se em três categorias de descrentes.
O primeiro deles, é o descrente cético. Este, que perdeu sua esperança no fracasso das “Diretas Já”, no fracasso dos fiscais do Sarney, no fracasso do governo Collor, na corrupção do governo Lula, no fracasso do governo Dilma e no fracasso do governo Bolsonaro, agora rejeita qualquer chamado “patriótico”, tanto a se opor ou a apoiar projetos políticos.
Esse brasileiro cético é aquele que, no passado, era interessado na política nacional, acompanhava-a no noticiário e até mesmo detinha certa esperança por um Brasil melhor. Porém, quando a maré baixou e a sujeira deplorável da política desnudou-se perante seus olhos, o descrente cético escolheu se blindar. Agora, prefere aproveitar um churrasco em casa, papear com os amigos e assistir a FRIENDS, a participar da decepcionante ciranda da política brasileira. Dentre esses indivíduos, incluem-se os quase cinco milhões que votaram nulo, ou aqueles que, muito indecisos, escolheram entre uma das duas gárgulas, geralmente por terem maior raiva em uma do que na outra.
A segunda categoria, esta já mais fisiológica, barulhenta e caricata, trata-se dos descrentes fanáticos. Parece ilógico juntar a palavra “descrente”, alguém que não acredita, com “fanático”, aquele que cegamente crê.
No entanto, o descrente fanático engloba, paradoxalmente, essas duas características. Por um lado, essa porção de brasileiros é fanática por aceitar levianamente o que recebe em suas bolhas ideológicas (tanto de esquerda, direita, ou qualquer outra denominação política que seja pertinente). Por tão intensamente se colocarem passivos ao que recebem e a como se devem comportar, “Sim, meu líder, farei o que for preciso”, tornam-se servos de um “mestre”, que tem como última das suas prioridades importar-se com essa casta devota de seu eleitorado. Por outro lado, são, sim, descrentes, porque não têm mais a capacidade de, pelo menos por um momento, acreditar em si mesmo e em seu julgamento próprio. Não, não o fazem, pois, perante quaisquer evento político, tomam seus juízos não de si mesmos, mas de formadores de opinião. Tornam-se “presas intelectuais” de um sistema que os faz, pouco a pouco, mais distantes de sua própria capacidade de pensar. Nesse contexto, a esses brasileiros falta reflexão, abrir os olhos de forma tal a se apartar de vieses que confirmam diariamente, intensamente e, sobretudo, maliciosamente, sua “suposta” visão política. E digo “suposta”, porque, para que seja uma visão política, demandar-se-ia do indivíduo raciocínio e análise crítica (alguma lasca de crédito a si mesmo), não uma simples fagocitação faminta de discursos pré-fabricados, muitas vezes, divulgados na internet. Em síntese, a estes minions, stormtroopers, habitantes da Oceania de George Orwell, ou londrinos de Aldous Huxley falta a capacidade de escapar desse invólucro alienante que os condiciona a dizer “sim”, a dizer “não”, a gritar, a protestar, a quebrar, ou a matar segundo a vontade de outrem, daquele líder “virtuoso” (popular, sonhador, da esperança, ou mesmo imbrochável).
Por fim, temos a terceira categoria: os descrentes despretensiosos. Esses congregam a maioria dos brasileiros: o trabalhador informal, o profissional liberal, o vendedor ambulante, o favelado, o aposentado, o doente, o morador de rua, o trabalhador que bate ponto às 18h, o pequeno empresário, o agricultor familiar, e assim por diante.
Os descrentes despretensiosos (e me desculpem pelos sufixos repetitivos), são o mais verdadeiro retrato do Brasil. Esse povo é aquele que votou no palhaço ou no farsante, mas não por convicção, e, sim, por obrigação (para não ter que se dar ao trabalho de justificar a abstenção) ou por terem se convencido de forma rasa a escolher entre os dois “cândidos” candidatos. Os descrentes despretensiosos, diferentemente dos outros dois grupos, ainda não sabem que possuem um papel na democracia, na transformação social. Os céticos o reconheciam, mas agora desiludiram-se por completo, enquanto os fanáticos o vêem com clareza, mas somente para o lado que lhes convêm (o resto é antidemocrático, facista, comunista, censitário). Nessas eleições, o terceiro Brasil não entende que seu voto faz, e muita, diferença, muito menos entendem que o poderiam ter usado em outra alternativa, na primeira rodada do jogo eleitoral. Esse terceiro grupo não reconhece e, muitas vezes, tampouco tem acesso à sua cidadania. A exemplo, um morador de rua, um favelado, um andarilho: tais indivíduos não se enxergam como cidadãos (e, resgatando o início do texto, como verdadeiros brasileiros). Como então podem enxergar-se como transformadores da política nacional? E o padeiro, motorista, porteiro, lavrador, pedreiro? Qual é o seu papel, senão trabalhar e cuidar de sua família. Para este terceiro Brasil, esse papel é não menos do que a despretensão de atuar politicamente, pensando em seu círculo pessoal acima do cidadão. A este grupo, digo que não estão errados: há, sim, a necessidade de pensar em si e em seus próximos. Mas, quando estamos diante de problemas que afetam a vida de todos os brasileiros, é vital que o terceiro Brasil creia em sua função social de provocar mudança.
Após definir e elucidar os três Brasis que se manifestaram nesta eleição, gostaria de finalizar o texto com um convite a todos. Enquanto passarmos por momentos como esse, de descrença generalizada (seja ela no outro, em si ou no nosso papel cidadão), não devemos perder de vista nossa missão maior: formar o Brasil dos brasileiros, para os brasileiros. Nosso sonho deve ser, nas décadas que se seguirem, termos um novo intelectual brasileiro, um Sérgio Buarque de Hollanda XVIII, que escreva: “finalmente, os brasileiros dispõem de sua terra, e à sua terra dispõem-se os brasileiros”.
Bem, esse passar do “terceiro turno” eleitoral, que muito mais tem a ver conosco do que com as duas bestas, deve tornar-se um momento de autocrítica e progresso. Aos descrentes céticos, há, sim (e nunca cessará de ter), poder de transformar, protestar, cobrar, se posicionar, lutar democraticamente. Essas ações surtem efeito, mesmo que gradual e lentamente. Aos descrentes fanáticos, tenham mais respeito e admiração a si próprios! É possível pensar por si mesmo e impedir que uma lavagem cerebral irrompa doutrinas perigosas em suas mentes. E essa tarefa depende exclusivamente de vocês. Aos descrentes despretensiosos, vocês não são somente habitantes do Brasil, mas cidadãos brasileiros. Lutar pela democracia que vocês almejam, lutar por um país mais justo, igualitário, fraterno e livre está ao seu alcance. É possível mudar, basta acreditarmos no poder de ser brasileiros de verdade.
Evitando clichês finais, como “o Brasil que queremos depende de nós”, ou “a nossa nação se faz com as nossas mãos”, termino com a seguinte pergunta:
“Qual é o Brasil que podemos ser, juntos?”
Matheus Nucci Mascarenhas é estudante, ouvinte de rádio e tem 17 anos.
Nasci em 1946, no bairro da Bela Vista. Meus pais moravam num cortiço, e meus avós nos velhos sobrados defronte à Praça 14 Bis. Aos dois anos, minha família mudou para o extremo da zona leste, em São Miguel Paulista.
As mais remotas lembranças foram quando ganhei meu primeiro velocípede, estava brincando no quintal e, de repente, passou uma Maria Fumaça — morávamos ao lado da linha variante da central do Brasil. Havia ainda os faróis do trem que projetavam na janela de nossa sala a sombra dos postes da linha férrea. De longe, também, víamos ao anoitecer um funcionário andando pela via férrea com lampião alumiando trilhos para verificar alguma irregularidade —- era o “limpa trilho”. Naquela época a carne dos frigoríficos vinha de Minas com animais vivos. Uma vez contei uma composição com 86 vagões.
Tinha, ainda, o Expressinho das cindo da tarde, que minhas irmãs corriam na porta da cozinha para acenar aos pracinhas que seguiam aos quartéis de Caçapava, Pindamonhangaba, Lorena e Guaratinguetá.
O Trem de Prata se destacava por seu esmero e sutileza no trecho Rio, São Paulo, RIo. Trem da elite e dos artistas. Um saía à noite do Brás e chegava pela manhã no Rio de Janeiro. Outro, no sentido contrário passava pela manhã em São Miguel Paulista rumo ao Brás, horário de um suculento café que fitávamos com os olhos no vagão restaurante, na esperança de um dia andar naquele trem, que se resumiu às recordações.
Aos 15 anos, fui trabalhar no Brás, e passei a usar o trem desde São Miguel. Pela manhã, era o trem das 11h09. Na volta, das 18 e 18 ou 18 e 30. Passava por sete estações e o trajeto levava 40 minutos. Naquela época, ainda usava os bondes abertos e o Camarão porque como office-boy do Banco Moreira Salles, tinha de ir ao centro na sucursal, na Rua 15 de Novembro, numero.212. Levava os cheques devolvidos e não compensados. Aos sábados, o expediente bancário era das nove da manhã ao meio dia, mas eu levantava as cinco horas para buscar a correspondência, na rua Dom José Gaspar. Diante do horário, havia uma cortesia: podia pegar táxi para não atrasar o expediente bancário. Mas especial mesmo era tomar um café com empada, na Padaria Copacabana no Brás.
Enfim esta foi minha infância: andei no trem da Cantareira; quando a Vereador José Diniz era passagem apenas de bondes, andei da Praça João Mendes a Santo Amaro; vi o IV Centenário, em 1954; tribos de índios com suas tabas na Nove de Julho; subi na primeira escada rolante pública na galeria Prestes Maia, e fui de trem e de carro até Santos pela estrada velha do mar.
Hoje, estou há 40 quilômetros da Capital, em um lugar bucólico, mas ainda desfruto da Capital nas consultas médicas e outros afazeres, andando pelo moderno metrô, assistindo ao crescimento da cidade e aproveitando-me das marcas saudosas que estão no íntimo deste paulistano da gema.
Ismael Garcia de Medeiros é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Fique atento porque já estamos nos programando para mais uma série especial do Conte Sua História: escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para conhecer outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o nosso podcast.
“Se a gente acha que sabe tudo vai dar errado; a gente prefere muito mais ter uma postura de aprender tudo” Nuno Lopes Alves, Visa
No senso comum, por óbvio, empresas de cartão de crédito nos fornecem cartão e crédito. Na vida real, nem uma coisa nem outra. O cartão sequer é fabricado por essa empresa e, convenhamos, cada vez mais se faz desnecessário diante dos avanços tecnológicos, pagamentos por aproximação ou indução, por exemplo. Já o crédito, vem do banco ou da instituição financeira parceira da empresa que fornece a tecnologia para que todas essas transações se realizem.
Considerando tudo o que foi dito no primeiro parágrafo, Nuno Lopes Alves, country manager da Visa do Brasil, define sua empresa como sendo uma empresa de tecnologia. Definição que vai ao encontro do que o fundador da Visa, Dee Hock, previa há 60 anos. Esse americano, nascido em Utah, que morreu em julho deste ano, entedia que no futuro os pagamentos seriam feitos por meio de prótons e elétrons. Razão pela qual, na entrevista ao Mundo Corporativo, Nuno não tem dúvida em dizer que a Visa foi a primeira ‘fintech’ criada no mundo.
“O nosso maior limite é a imaginação; é a gente entender como pode facilitar a vida do consumidor e dos estabelecimentos comerciais no seu dia a dia. Quando a gente entende onde tirar a fricção, a tecnologia está lá disponível para ser aplicada”
A Visa informa que são mais de 10 milhões de estabelecimentos comerciais no Brasil que aceitam seus “cartões”. E o volume de pagamentos digitais, entre abril e junho de 2022, triplicou em comparação com o mesmo período de 2019. Nas compras online, quadruplicou.
Participando de um número gigantesco de transações diariamente, e todas através de tecnologia, imagine a quantidade de dados que a Visa acumula — um capital acumulado que tem ajudado comerciantes e empreendedores a tomarem decisões dos mais variados tipos, segundo Nuno. A partir das informações armazenadas é possível entender a jornada do consumidor, o fluxo de pessoas em determinadas áreas comerciais, o tíquete médio do público-alvo e os interesses que movem os clientes.
“A gente precisa de ter uma foto muito nítida para poder agregar esse tipo de valor aos nossos parceiros, mas o dado é essencial nessa dinâmica de ter uma decisão de melhor qualidade e a resposta é, sim, isso é mais do que parte da nossa estratégia, é nossa obrigação para continuar agregando valor a todos os nossos parceiros, inclusive ao consumidor porque altera ofertas mais relevantes baseado no seu padrão de consumo”.
Das tecnologias, a que vai crescer exponencialmente, agora, é a que permite as transações feitas por aproximação — que podem ser feitas, sim, com aquele plástico que carregamos na carteira, mas, também, com o celular, o relógio, a pulseira ou qualquer outro gadget que surgir. Os próximos passos, segundo Nuno, serão os pagamentos vinculados à identidade digital e o aproveitamento do que chama de ‘Economia das Coisas’, baseada na conversão da internet das coisas, blockchain e moedas digitais.
Diante de todas as possibilidades, é fundamental que a empresa crie um ambiente de inovação e se mantenha constantemente em contato com o conhecimento que pode surgir desde a academia até o pequeno ponto de comércio. Por isso, Nuno ressalta a necessidade de estamos sempre dispostos a aprender:
“ … então, menos respostas, mais perguntas; menos um impulso de achar que a gente já entendeu o problema até realmente ter entendido o que que a gente tem que resolver. O achismo não pode ter lugar, não é?”.
Assista ao Mundo Corporativo, com Nuno Lopes Alvez, country manager da Visa do Brasil, em que também falamos sobre o fenômeno do PIX, o investimento em cripto e estratégias para um ambiente inovador nas empresas:
O Mundo Corporativo tem as colaborações de Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.
“A experiência sempre está em primeiro lugar. É isso que faz um cliente voltar. É isso que faz um cliente se encantar”.
Raquel Scherer, Melissa
O encantamento que os calçados de plástico da Melissa provoca nas consumidoras é reconhecido internacionalmente e foi construído ao longo de quatro décadas. Os desafios, porém, não se encerraram na conquista de um público fiel que vê na marca um estilo de vida e é mais do que consumidor, é um embaixador. Precisamos lembrar que a sociedade é dinâmica e temas que no passado não estavam no foco das pessoas, tornaram-se essenciais. A sustentabilidade é um deles —- uma pauta que influencia decisões de compra e poderia ser uma barreira para quem tem o plástico como matéria prima.
Na entrevista com Raquel Scherer, gerente geral da Melissa, no Mundo Corporativo da CBN, feita às vésperas do início da COP-27, no Egito, falamos de como a fabricante de calçados da Grendene se adaptou às novas exigências. Ela explicou que a jornada de sustentabilidade do grupo se iniciou há cerca de 15 anos com uma série de ações, muitas das quais passaram a ser informada para o público em geral, efetivamente, em 2019:
“A Grendene sempre foi uma empresa que se preocupou muito em ser para depois parecer. Desde 2019, mais concretamente, a Melissa tem falado muito sobre o tema de sustentabilidade para o consumidor final. E a gente tem alguns pilares que regem nossa caminhada na sustentabilidade. O primeiro deles é a logística reversa”.
Raquel contou que todos os ‘Clubes Melissa’ — como a fabricante chama suas lojas — são pontos de recolhimento de produtos onde os consumidores podem entregar seus calçados. Existem dois caminhos para esse material recebido nos cerca de 350 coletores disponíveis: voltar para a fábrica para compor um novo calçado ou ser entregue a recicladores homologados.
Pesquisar e usar fontes renováveis como material são alternativas consideradas pelo fabricante. Segundo Raquel, a Melissa tem investido no uso de plástico de matéria-prima vegetal e um exemplo é o lançamento da linha ‘Possession’, ícone da marca, que chega ao mercado a base de PVC oriundo da cana-de-açúcar. O modelo Sun, de 2021, por sua vez, usa até 20% de material de origem vegetal, como a casca de arroz. Considerando a capacidade de produção da Grendene — e da Melissa, especificamente — esses movimentos precisarão ser alavancados nos próximos anos para que a marca não sofra os impactos da forte pressão que já existe por parte do consumidor e de diversas instituições que atuam em defesa do meio ambiente.
A imposição para que a marca atenda o tripé ESG —da gestão ambiental, social e de governança — aumenta a medida que a Melissa se internacionaliza. Ao chegar nos mercados dos Estados Unidos, Europa e Ásia, a fabricante de calçados se viu obrigada a acelerar seus planos na área de sustentabilidade. Apesar disso, Raquel entende que esse movimento ocorreu de forma natural, porque a empresa já vinha se preparando para atender essas demandas.
A gerente geral da Melissa destacou, ainda, as ações relacionadas à diversidade e à inclusão que, segundo ela, são um diferencial competitivo pois trazem diferentes visões de mundo para dentro da empresa e proporcionam iniciativas mais criativas. Apesar de não haver metas estabelecidas para contemplar gênero, raça e faixa etária, Raquel diz que é muito claro aos gestores, no momento da contratação, que é preciso pensar em times diversos.
Uma das maneiras de proporcionar o desenvolvimento de seus profissionais é a participação deles na “Universidade Grendene” que oferece uma plataforma de cursos, desde treinamentos específicos para cada área até a formação de novos líderes. Raquel ressalta que, neste momento, a empresa está incorporando a gestão das franquias, até então responsabilidade de um parceiro externo, o que a levará a ampliar sua equipe até fevereiro do ano que vem. Interessados, podem procurar as vagas no Linkedin da Grendene.
Assista à entrevista completa com Raquel Scherer, gerente geral da Melissa, que fala, também, de como a fabricante de calçados conseguiu criar uma legião de fãs e transformar suas lojas em ponto de convivência dos consumidores:
O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscilla Gubiotti e Rafael Furugen.
O ano era 1966 quando nasci na maternidade do Brás, saudosa e bela, que me proporcionou a Luz Natal que carrego até hoje.
Tive uma infância muito legal, na rua das Vertentes, ali na Vila Constância, na zona norte – que era o meu mundo. Todos os dias, lá pelos meus cinco ou seis aninhos, ficava no muro de casa olhando a rua esburacada e não asfaltada que se estendia em uma subida longa à minha esquerda até sumir no horizonte.
Ahhh, como eu tinha o sonho de um dia vencer aquela subida e conhecer o que havia além daquele morro onde o sol se punha. Eu imaginava um mundo totalmente diferente e cheio de luzes, cores e movimento, onde tudo seria moderno.
Um dia fomos acordados por barulhos estrondosos de tratores e máquinas Era o progresso. O asfalto chegara! Simmmmmm, minha rua seria asfaltada. Será que agora eu conseguiria vencer aquela subida?
Foi só em 1973, um idoso com meus sete anos, que decidi subir a rua até o seu fim e dar um perdido em casa — ops, para aquela época, isso era crime de estado e me valeu uma bronca federal da Dona Teresa, minha mãe. Ao menos descobri que o mundo poderia ser desafiador, com um visual totalmente diferente lá de cima e nada seria impossível: bastava querer!
Voltando aos limites. Descobri que poderia ser mais. Aos 12 anos e sem dinheiro para comprar minhas pipas, eu dobrava jornais velhos e fazia capuchetas, baratas e práticas. Desafiei os grandes que dominavam os céus e derrubei mais de um, o que me rendeu a fama de herói da rua.
O tempo passou e como diz João Nogueira em sua música “Espelho…”: “troquei de mal com Deus por me levar meu Pai”. Não foi papai. Foi minha mãe quem foi levada em um terrível acidente, em 1983.
Passado o trauma, comecei a trabalhar cedo e como era fã de quebrar limites com 17 anos já era um pesquisador na área de tecnologia. Na época, havia o CPD – Centro de Processamento de Dados, onde comecei como digitador, operador de computador e depois programador.
No antigo colegial, graças a minha curiosidade entrei para um grupo musical afro, cantando Kunta Kinte, na Banda Raízes. Acabamos por ganhar um concurso estadual de música no Teatro Elis Regina.
A faculdade chegou. Era à noite. Retornava para casa nos ônibus elétricos da CMTC, entre 11 e meia-noite, com aquela neblina forte e a tradicional garoa. Tempos diferentes, sem os perigos de hoje. Eram cansativos, também. Dormia em média cinco hora. Era felizes, porém, com minhas escolhas.
Nos anos de 1990, lecionei em programas de graduação e pós-graduação. Hoje, são 33 anos de docência, com muito orgulho. Casado, com filhos e netos, procuro todos os dias trazer a metáfora da rua das Vertentes para a educação dos meus queridos. Aquela rua me ensinou a transcender os meus limites.
Professor Reinaldo Nogueira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Fique atento porque já estamos nos programando para mais uma série especial do Conte Sua História: escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para conhecer outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o nosso podcast.
“Crie condições para que os consumidores tenham bons motivos para escolher sua marca e não os mantenha com você apenas porque são reféns”
Cecília Russo
Um erro comum na relação com o consumidor, é acreditar que a permanência dele ao seu lado se dê por livre e espontânea vontade. Nem sempre é assim que a “banda toca”. Os gestores das marcas precisam estar atentos para identificar se a “fidelidade” dele se dá por desejo próprio ou porque ele está prisioneiro daquela situação. Motivos não faltam para que isso ocorra.
Jaime Troiano e Cecília Russo identificaram ao menos quatro razões para o consumidor ser refém das marcas.
A primeira, mais básica, é quando a escolha se faz exclusivamente pelo preço.
“Ele filtra aquela marca que cabe no bolso. E aí não é bem uma escolha, é a única alternativa possível. Infelizmente, isso ainda é bem comum no nosso país”
Cecília Russo
A segunda razão pode ser ilustrada pela situação enfrentada por clientes de planos de saúde. Em alguns casos, o paciente se interna no hospital em que o plano autoriza o procedimento médico e não, necessariamente, na instituição de preferência dele. Outro exemplo é o do funcionário obrigado pela empresa a usar determinada marca de computador ou celular, mesmo que não esteja entre aquelas que mais admira.
A terceira razão para o cliente se transformar em refém de uma marca é quando ele tem de usar os serviços públicos. Nas cidades e nos estados, por exemplo, o cidadão pode ser cliente somente de uma companhia de água ou de energia elétrica. No passado, talvez o caro e rado leitor, já tenha esquecido, acontecia a mesma situação com os serviços de telefonia. A privatização acabou com esse monopólio estatal e o cliente ganhou o direito de escolher qual a empresa contratar.
A quarta situação em que o consumidor pode se transformar em refém de uma marca é quando faz parte, por exemplo, de um clube ou de um condomínio, em que é obrigado a usar determinados serviços como o provedor de internet. Também se encaixa nesse caso, o frequentador de bar que só tem uma marca de “refrigerante cola” ou de “cerveja” para consumir. Ou o profissional que só pode receber o salário pelo banco que a empresa dele têm contrato.
“Quase ninguém gosta de ser refém. O consumidor, por princípio, quer escolher o que comprar. Queremos ser consumidores livres e não consumidores reféns”
Jaime Troiano
Na existência dessa relação perniciosa, dificilmente as pessoas se sentirão confortáveis com essas imposições, pois ferem o princípio básico de liberdade e independência. Há um alto risco de o consumidor não criar laços afetivos com a marca, mesmo que a utilize com frequência. E o perigo de tudo isso é que ao não forjarmos uma relação baseada no livre arbítrio, esta deixe de ser permanente e na primeira oportunidade o cliente a abandona, “pula fora”.
“Assim, na primeira folga de orçamento, consumidores abandonam as marcas de preço e vão para as de coração, trocam de plano de saúde para terem mais escolhas ou transferem o dinheiro da conta salário para um banco que os atendam melhores ou com o qual já tenham um bom relacionamento”.
Jaime Troiano
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar no Jornal da CBN, todos os sábados, às 7h50 da manhã:
“É fundamental dizer que o efeito da mudança climática já acontece hoje, e a ação precisa ser já”
Leandro Faria, CBA
A presença de empresas e indústrias tem aumentado nos debates sobre as mudanças climáticas da mesma forma que cresce a responsabilidade da iniciativa privada no cumprimento de metas e normas discutidas na conferência do clima —- como a COP27, que se inicia neste domingo, no Egito. Essa maior participação se dá porque o setor produtivo está convencido de que as mudanças são relevantes para a sustentabilidade dos negócios, de acordo com Leandro Faria, gerente geral de sustentabilidade da CBA — Companhia Brasileira de Alumínio, em entrevista ao Mundo Corporativo.
“O Fórum Econômico, por exemplo, posiciona a mudança do clima ou o combate aos efeitos de mudança climática como o principal risco na matriz de riscos global. Então, dito isso, é fundamental que empresas que na sua atividade influenciam a mudança do clima se preparem para contribuir”
A conferência do clima é o maior evento de negociações da pauta climática do mundo. As diretrizes e acordos negociados entre nações e organizações sociais e empresariais influenciam diretamente as tomadas de decisão das corporações. Para este ano, a expectativa é enorme porque será o primeiro encontro desde que se superou a pandemia da Covid 19 e, ao mesmo tempo, se enfrenta um crise energética provocada pela Guerra da Rússia na Ucrânia:
“Nós esperamos especialmente para esse ano da COP27 que mecanismos e métodos, do mercado de carbono e do sistema de financiamento de descarbonização, avancem”.
O processo de descarbonização deve acontecer através da redução das emissões de carbono, passando de uma economia baseada em combustível fóssil para combustível renovável; na implementação de tecnologias que removam da atmosfera carbono que já esteja presente; e através da adaptação daquelas regiões afetadas pelas mudanças climáticas:
“Por exemplo, há regiões onde ocorre a produção de alimentos que sofrem atualmente com a alteração do ciclo de chuva que cria condições difíceis ou reduze a produtividade. Será preciso, então, realizar a adaptação desse cenário para que os impactos que hoje nós já sentimos sejam mitigados ou eliminados ao longo dos próximos anos”.
De acordo com Leandro Farias, a descarbonização é um eixo central na estratégia da Companhia Brasileira de Alumínio e, atualmente, já se produz alumínio com impactos cinco vezes menores do que a média global. Isso significa dizer que a CBA emite 2,56 toneladas de CO2 por tonelada de alumínio produzido enquanto a média mundial no setor é de 12,8 toneladas. A meta da companhia é ainda reduzir em 40% as emissões, alinhando-se as ambições da COP de alcançar a neutralização no futuro.
O financiamento para que haja a transição para uma matriz energética mais renovável é fundamental, segundo Leandro. Será necessário encontrar uma solução a despeito das restrições orçamentárias, porque o custo das mudanças climáticas é muito maior — calcula-se que tenha atingido US$ 170 bilhões, em 2021. De forma prática, no primeiro semestre deste ano, a onda de calor na Europa causou preocupação em relação a dilatação dos trilhos ferroviários. Imagine o tamanho das perdas em caso de paralisação deste tipo de transporte no continente.
“(neste tema) é relevante a participação do alumínio, porque o alumínio está presente no painel solar, na pá eólica e na redução de peso de veículos que permitirá sua eletrificação. Então, é fundamental que mecanismos de financiamento criem um espaço para que a indústria possa buscar condição de reduzir ou de diversificar essa matriz energética”.
Assista à entrevista completa no Mundo Corporativo e saiba a opinião de Leandro Farias, gerente geral de sustentabilidade da CBA, sobre a importância do Brasil no combate às mudanças climáticas, as principais fontes de emissão de carbono e soluções que a companhia tem buscado para colaborar nesse enorme desafio que o mundo tem pela frente.
O Mundo Corporativo tem as colaborações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.
“Sem formação literária ou cultural, branding é um deserto”
Jaime Troiano
Está nos livros parte da inspiração que move nossa criatividade. É neles que surgem ideias e conhecimento que ajudam os gestores a desenvolverem suas marcas e mensagens. Quando tratamos desse assunto não estamos aqui falando apenas dos livros de negócios que, por óbvio, são fontes de informação importantes para o planejamento e as estratégias na construção da marca. Romances, novelas, histórias e ficção também se fazem necessários porque ajudam a compreender o mundo ao nosso redor e estimulam nosso pensamento.
Para contribuir nessa tarefa, Jaime Troiano convidou um grupo de pessoas que jamais havia tido a oportunidade de publicar seus textos em um livro para escrever sobre livros. Isso mesmo! A ideia foi incentivar esses “autores novatos” a levarem para o papel a história de livros que tocaram o coração deles. A primeira surpresa do organizador foi que todos os convites que fez foram aceitos. A segunda, que em cada capítulo, surgia uma nova lição a ser aplicada nas mais diversas áreas do conhecimento — e do branding, também, é lógico.
“Leio, logo existo – relatos de como os livros encantam e transformam nossas vidas” (Editora CL-A Cultural) reuniu 22 autores dos quais apenas dois não podem ser considerados ‘novatos’: o próprio Jaime e a Cecília Russo, nossos colegas no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Foi na conversa com eles, aliás, que selecionamos cinco ensinamentos para quem trabalha com gestão de marcas.
É preciso mergulhar na alma humana — lição que surge a partir do destaque que alguns autores deram ao trabalho de antropólogos, essa gente que nos ajuda a entender nossa história e formação. Acompanhá-los é fundamental no branding.
Obras mágicas estimulam o pensamento — uma das autoras, Dafne Cantoia, escreveu sobre a magia da literatura que a levou conhecer Hobbit, de J.R.R.Tolkien, e o quanto esses textos estimularam seu pensamento em projetos de marcas. Para ela, Hobbit era mais do que uma aventura externa. Era uma jornada de conhecimento em si mesma.
Inspire-se na ousadia e inovação das mulheres — os textos da escritora e jornalista Carmen da Silva, em sua coluna “A arte de ser mulher”, publicada na revista Cláudia, entre 1963 e 1985, foram destacados por Anna Russo. Era inovadora e ousada, características muito exploradas atualmente pelas marcas que falam com mulheres. Foi Carmen quem disse: “quem sabe os ensinamentos de nossos pais, tão sensatos e bem-intencionados, já não tenham total vigência no mundo tal como ele é hoje”. O hoje eram os anos de 1960.
Mirem-se no exemplo das nossas mulheres — Pode parecer redundante com a lição anterior. É proposital. Se como dizem 70% das decisões de compra são feitas por mulheres, é de mulheres que o branding tem de entender. Uma boa maneira de olhar para o pensar feminino é “dar um pulinho” nos livros e contos de Clarice Lispector, citada no texto de Patrícia Valério.
Fuce e escave sob a superfície — um dos textos fala em escavar sob a superfície e nos faz lembrar que os melhores trabalhos de branding são aqueles em que se faz a arqueologia dos comportamentos dos consumidores.
“O que os autores de “Leio, logo existo” fizeram foi buscar os vestígios importantes que livros deixaram em suas vidas, o que, no fim das contas, é o que grandes marcas, marcas de valor, marcas que têm um conteúdo afetivo fazem conosco. Deixam pegadas que nos ajudam a tomar decisões em nossas opções de compra”.
Cecília Russo
Ouça o comentário completo de Jaime Troiano e Cecília em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso