Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: Tendências para 2026 pedem menos espuma e mais substância

“hoje a IA dirige o próprio consumo” Foto de ThisIsEngineering

Em 2026, marcas serão cobradas não apenas por presença, mas por relevância, eficácia e vínculo real com as pessoas. Esse foi o tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado no Jornal da CBN, ao abrir o ano com uma leitura atenta das tendências que devem orientar decisões em marketing e branding.

A inteligência artificial deixou de ser promessa e passou a interferir diretamente no consumo. Segundo dados citados no programa, cerca de 25% dos consumidores já recorrem a ferramentas de IA para escolher produtos. Cecília Russo chamou atenção para o novo papel dos gestores de marca nesse ambiente: “As marcas precisarão estar presentes nos modelos de inteligência artificial, porque hoje a IA dirige muitas vezes o próprio consumo”. Isso muda a lógica conhecida de busca e exige adaptação às recomendações geradas por essas plataformas.

Ao mesmo tempo, o avanço tecnológico não elimina o fator humano. Cecília reforçou que personalização e reconhecimento ganham ainda mais peso. “As pessoas querem ser lembradas, bem tratadas, vistas como únicas”, afirmou, ao destacar a valorização de ações dirigidas, ofertas customizadas e relações menos automatizadas.

Outro ponto levantado foi a necessidade de pertinência. Estar em todos os lugares deixou de ser sinônimo de acerto. Marcas que não identificam seu nicho, sua comunidade e o espaço onde fazem sentido correm o risco de falar sem ser ouvidas.

Jaime Troiano destacou que 2026 também será um ano de cobrança por resultados. “Será o ano de prestar contas, de mostrar a eficácia por trás de todos esses conteúdos gerados, quem gera valor e quem faz apenas espuma”, disse, ao tratar da produção de conteúdo e da necessidade de métricas claras.

Num calendário marcado por Copa do Mundo, eleições e muitos eventos, captar atenção exigirá mais do que criatividade isolada. Jaime resumiu o desafio como um “olhar duplo”: ideias consistentes, conectadas ao que a marca representa para as pessoas.

Ele também alertou para a construção de marcas dentro dos marketplaces, onde o produto muitas vezes se sobrepõe à identidade. “Noiva não se escolhe no altar”, lembrou, ao defender que o vínculo com a marca precisa ser criado antes da decisão de compra, mesmo quando a venda acontece em grandes plataformas.

A marca do Sua Marca

Menos espuma e mais substância. Em 2026, marcas serão chamadas a provar valor, combinar tecnologia com sensibilidade e trocar presença dispersa por relações com significado.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Quando a vida escapa da agenda

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Foto de hatice

“Aquilo que está escrito no coração não necessita

de agendas porque a gente não esquece.

O que a memória ama fica eterno”

Rubem Alves

Aprendemos cedo a estabelecer a vida em marcos: datas, prazos, ciclos.

Nomeamos os anos, os separamos em fases, criamos retrospectivas, numa tentativa de fazer a vida caber num calendário ou, quem sabe, de fazer o tempo, sempre escasso, caber na vida.

Na ilusão de controle, agimos como se viver pudesse ser mensurado, ordenado e arquivado.

Mas esquecemos de um detalhe essencial: a vida não acontece em estruturas pré-definidas. Ela se espalha.

Permeia os dias comuns, os encontros inesperados, as perdas silenciosas e os recomeços que nem sempre anunciamos.

A vida nos atravessa. Nem sempre de maneira clara, nem sempre passível de nomeação.

Ela permanece no que aprendemos sem perceber, no que nos alcança e, aos poucos, transforma o modo como olhamos o mundo e a nós mesmos.

Fica no que não coube na agenda, nem no planejamento, nem na lista do que precisava ser feito.

Ainda assim, insistimos em organizar a experiência para que ela exista. Como se sentir dependesse de registro, passamos a armazenar a vida.

Guardamos fotos, vídeos, textos, conversas. Salvamos memórias em dispositivos cada vez mais potentes. Por vezes dizemos: aí está a minha vida inteira!

Está aí mesmo?

E do lado de fora?

Como se viver precisasse ser comprovado para existir.

Há algo de curioso nisso: quanto mais tentamos armazenar, menos permanece.

Porque aquilo que fica não se captura num clique.

O que fica é aquilo que foi vivido com inteireza. Aquilo que atravessou o corpo, provocou emoção, alegria e dor, dúvida, silêncio e mudança.

É sobre viver a vida com presença. É sobre encontrar um modo de ficar.

Não na nuvem, nem nos arquivos eletrônicos, mas naquilo que nos transforma por dentro, de maneira profunda e humana.

Talvez o encerramento de um ano, e o início de outro, seja menos sobre revisar o que foi feito e mais sobre reconhecer o que ficou em nós.

Mesmo sem nome.

Mesmo sem foto.

Mesmo sem legenda.

Porque aquilo que se vive com sentido não se perde no tempo.

Não depende de agenda.

Não depende de registro.

Fica.

Feliz Ano Novo!

Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das fundadoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung.