Conte Sua História de SP 467: meu presente foi o talento de minhas amigas

Elisabete Parra

Ouvinte da CBN

Gosto de comemorar meu aniversários sempre no sentido do agradecimento e de abertura para que o universo conspire e eu perceba que posso continuar fazendo diferença. Tem sido assim principalmente após os 50 anos —- quando revisitei lugares de nascimento e da primeira infância. 

Apesar da pandemia e diante dela, não poderia me render quando fosse completar 64 anos em 4 de setembro de 2020. Os aniversários em lives estavam em alta, mas achava aquilo meio sem graça —- várias pessoas falando ao mesmo tempo, cumprindo um protocolo, longe de uma comemoração. 

Foi, então, que tive a ideia de propor às minhas amigas: “seu talento é meu presente”. Entrei em contato com algumas 20 mulheres, as mais chegadas, e propus a brincadeira. Algumas acharam que não tinham nada a oferecer .… tenho certeza que todas as pessoas são talentosas, muitas vezes não sabem, ou não identificam suas habilidades. O resultado é que tive o aniversário mais lindo, inesquecível e solidário nos meus 64 anos de vida.

Foram vários presentes: música, leitura de textos, depoimentos e retrospectivas por aquelas que diziam não ter talento. Fizeram até sorteio. Com talentos que umas ofereciam as outras: terapia, tarô, numerologia … 

O mais marcante foi a união de algumas das amigas que gostam de cozinhar ou sabem trabalhar com decoração para organizarem um aniversário na sede de uma ONG que atende moradores de rua, Mãos que Abençoam, em São Caetano do Sul. No dia do meu aniversário, eles se responsabilizaram pelo almoço das pessoas atendidas pela ONG, prepararam a decoração e cantaram o ‘parabéns à você’. Tudo gravado e reproduzido durante a live. Nem preciso dizer que não conseguia parar de chorar. 

O maior legado: estamos todas ajudando a ONG descoberta por acaso, quando minhas amigas procuravam uma instituição para oferecer os seus talentos.  O que mostra que o universo conspira e presenteia quando você está aberta a dar e receber.

Elisabete Parra é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para conhecer outros capítulos da nossa cidade, viste o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de SP 467: passei de ano com meu Arthur

Por Odnides Pereira 

Ouvinte da CBN

Nasci na Zona Norte da Capital em 21 de abril de 1959. E por aqui sempre morei. Quando estudante, frequentava a escola pública. Você haverá de saber que naquela época não existiam email, Facebook, WhatsApp, Twitter … nem mesmo computador.  Imagine o que foi se adaptar a essa nova escola. Meu neto,  Arthur, hoje com sete anos, mora comigo e minha esposa desde os dois anos de idade. Está no segundo ano fundamental do colégio Palavra Viva, aqui na Zona Norte.

Em 23 de março de 2020, ao levá-lo na escola, como faço todos os dias —- ou fazia —-, fomos avisados que as aulas estavam suspensas devido à pandemia. E o que acontecerá agora? Ninguém sabia dizer ainda.

As respostas a essa dúvida começaram a chegar no WhatsApp. 

Uma semana depois a mensagem recebida dizia que as atividades seriam virtuais e deveríamos esperar mais um ou dois dias pois ainda estavam concluindo o cadastramento dos alunos no Google Meet — Sala de Aula. 

Foi pelo WhatsApp também que fomos chamados na escola para buscarmos livros e cadernos a partir de um sistema de drive-thru organizado pela escola. Chegamos de carro, baixamos o vidro, um funcionário com máscara entregou uma caixa com todo o material do meu neto dentro e voltamos para dentro de casa.

Confesso, em um primeiro momento ficamos todos perdidos tal a transformação tecnológica em nosso entorno. Chegamos a ficar atrasados com as aulas por um semana —- algumas coisas que deveríamos fazer, nós perdemos. Os professores foram compreensivos e o conteúdo que havíamos deixado para trás foi recuperado.

Em casa nos adaptamos, também. Separamos uma mesa para todos os cadernos, livros e os demais materiais a serem usados na escola. Nas provas, Arthur dizia: — “Vô, vó, por favor, saiam daqui de perto, hoje tenho prova pra fazer.”. A gente obedecia.

As aulas virtuais foram de vento em popa. E nós começamos a aprender algumas coisas. Desde os primeiros dias observei o quanto os professores são pacientes e perseverantes. Nessa pandemia, eles estavam dentro da minha casa, viraram nossos parentes. Até sabíamos quando eles tinham algum problema familiar. E aproveitávamos para conversar pelo WhatsApp ou pelo próprio Google Meet nos intervalos de lanche.

Pela tecnologia e o esforço dos professores, foi possível ao meu neto ter recebido todo o conteúdo do ano, da mesma forma que se estivesse na escola. E, felizmente, encerramos o ano letivo. Meu neto Arthur, a vó dele e eu passamos de ano.

Odnides Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo em homenagem aos 467 anos da nossa cidade. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br e curta outros capítulos da nossa cidade no meu blog miltonjung.com.br ou no podcast do Conte Sua História de São Paulo